sábado, 14 de dezembro de 2013

A ONIPRESENÇA DE DEUS

"Nebulosas, constelações, estrelas, letreiros luminosos na imensidão que transcende dimensões e a própria imaginação...

Em vós posso ler sobre Aquele que vos acende todas as noites.

Brisa fresca, nem me tocaste ainda. Mas eu já te sinto em mim com o ver ao longe tuas carícias na epiderme enluarada da lagoa. 

Não preciso ver a aflição do peixinho que as ondas escondem. Basta-me ver o trágico mergulho elegante da gaivota que o vai pegar.

Vendo apenas a palhinha no bico do pardal, sinto a tepidez do ninho e nele, a presença do amor.

Da mesma forma, para mim: a sombra afirma a luz; a fumaça, o fogo que está lá atrás da serra; o efeito proclama a causa; o finito, o Infinito; o transitório, a Eternidade...

O que escuto canta para mim a canção do Inaudível.

Nunca, Realidade, estás ausente.

O pecado e a dor existem porque não Te vemos, embora estejas onipresente em tudo que Te oculta.

Na ansiedade da procura, é-nos impossível ouvir-Te, ó Silêncio!, no tumulto sonoro que Te revela."

(Hermógenes - Mergulho na paz - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 2005 - p. 104/105)


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