quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

A CIDADE PERFEITA (2ª PARTE)

"(...) Para ajudar o indivíduo a manifestar a ‘virtude original’, existe um princípio a seguir. Devemos evocar a virtude da alma, cercando-a de virtudes. Esse princípio é o que Platão chamava de ‘reminiscência’. Segundo ele, quando uma alma admira uma bela flor, ela se lembra do mundo invisível que abandonou ao descer a Terra. Portanto, tudo que é bom, nobre e belo ao redor da alma que vive num corpo terrestre faz com que ela se lembre do seu verdadeiro lar, onde todas as virtudes são inseparáveis do seu ser. (...)

O princípio de que o desabrochar do caráter de uma criança é influenciado sutilmente pelo ambiente que a cerca mostra a necessidade de instituir uma ciência completamente nova de educação.

Os inspetores sanitários combatem o acúmulo de sujeira próximos às residências; entretanto, existe também a sujeira moral, onde um outro tipo de ‘bactéria’ cresce e infecta os cidadãos, especialmente as crianças, cuja sensibilidade é maior. O que sabemos sobre as emanações sutis dos barulhos do ônibus, dos motores, do trânsito? Estamos cientes de que, cada vez que uma criança passa por outdoors com anúncios inconvenientes, instalam-se dúvidas quanto ao valor da virtude? Gastamos milhões com a polícia, o sistema judiciário e as prisões; mas, se compreendêssemos os verdadeiros princípios da cidadania e evitássemos tudo que é infame em termos visuais e auditivos, logo daríamos fim ao surgimento de criminosos. (...)"

(C. Jinarajadasa - A Cidade Perfeita - Revista Sophia, Ano 5, nº 20 - p. 14)


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