OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


quinta-feira, 30 de abril de 2026

ORAÇÃO E DIFICULDADE

"Diariamente, milhares de criaturas partem da Terra.

Quase sempre, reconfortadas pelo bálsamo da fé consoladora que abraçaram na vida humana, desvencilham-se da teia fisiológica, sustentadas por sublime esperança.

A maioria, no entanto, não desfruta de improviso os talentos da paz que desejaria surpreender além do sepulcro, porque a percentagem de Céu para cada alma expressa a quantidade de Céu que haja edificado em si mesma.

É que, na maioria das circunstâncias, os desencarnados carreiam consigo as nuvens de trevas que lhes pesam na consciência.

Sombras de remorso, de frustração, de arrependimento tardio, gerando o plano purgatorial em que estagiam penosamente.

Desolados e aflitos, suplicam a graça do recomeço, o regresso ao campo do mundo, o retorno à lição no corpo...

Responsáveis, muitas vezes, por crimes ocultos, imploram a reaproximação com antigos adversários para ressarcirem o débito a que ainda se empenham; empreiteiros da calúnia e da crueldade rogam moléstias soezes, com que resgatam a deplorável conduta em que se desvairaram na delinquência...

Por isso mesmo, todos os dias aparecem berços de sofrimento e de provação, em que os culpados de ontem, hoje possuem o ensejo valioso de purificar e reaprender.

Não há, desse modo, dificuldades inúteis, como não existem chagas e dores sem a significação que lhes corresponda.

Todos os nossos sentimentos plasmam idéias.

Todas as nossas ideias estabelecem atos e fatos que nos definem o espírito na senda cotidiana.

Arquitetos do próprio destino, recolhemos nas leiras do espaço e do tempo, a alegria ou a flagelação, a felicidade ou o infortúnio, conforme o nosso plantio de mal ou bem.

Estejamos em guarda contra o império de névoa mental que trazemos em nós, abençoados os obstáculos que nos impelem à justa libertação e não nos esqueçamos de que a prece, em qualquer roteiro religioso, se não pode retirar-nos do clima sombrio por nós mesmos criado, será sempre Divina Luz revelando-nos o caminho." 

Texto extraído do livro "Refúgio", de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito de Emmanuel, p. 6.
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terça-feira, 28 de abril de 2026

CARIDADE DO ENTENDIMENTO

"Na sustentação do progresso espiritual precisamos tanto da caridade quanto o ar é necessário ao equilíbrio da vida orgânica.

Lembra-te de que a interdependência é o regime instituído por Deus para estabilidade de todo o Universo e não olvides a compreensão que devemos a todas as criaturas.

Compreensão que se exprima, através de tolerância e bondade incessantes, na sadia convicção de que auxiliando aos outros é que poderemos encontrar o auxílio indispensável à segurança de nossa marcha.

À frente de qualquer problema complexo naqueles que te rodeiam, recorda que não seria justa a imposição de teus pontos de vista para que se orientem na estrada que lhes é própria.

O Criador não dá cópias e cada coração obedece a sistema particular de lutas evolutivas.

Só o amor, desse modo, é o clima adequado ao entrelaçamento de todos os seres da Criação e somente através dele integrar-nos-emos na Sinfonia Excelsa da Vida.

Guarda, portanto, em todas as fases de teu caminho a caridade que identifica a presença do Senhor nos caminhos alheios, respeitando-lhes a configuração em que se apresentem.

Não te esqueças de que ninguém é ignorante porque o deseje e, estendendo fraternos braços aos que respiram atribulados na sombra, diminuirás a penúria que se extinguirá, por fim, no mundo, quando cada consciência ajustar-se à obrigação de servir sem mágoa e sem exigência, na certeza de que apenas amando e auxiliando sem reclamar é que permaneceremos felizes e valorosos na Soberana Ascensão para Deus."

Texto extraído do livro "Refúgio", de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito de Emmanuel, p. 5.
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quinta-feira, 23 de abril de 2026

A PAZ COMEÇA EM CASA E NAS ESCOLAS

"Cada indivíduo pertencente a uma família e comunidade deveria se esforçar para viver em harmonia com o próximo. A paz precisa começar em casa e nas escolas. Nas salas de aula é preciso ensinar o patriotismo internacional - amar o mundo como Jesus, Krishna e os grandes mestres ensinaram, e não fazer nada que possa criar desarmonia internacional. Não é da nossa nacionalidade ou da nossa cor que devemos nos orgulhar, e sim da profundidade do nosso entendimento. Temos que cultivar o entendimento e usá-lo para determinar o que é realmente melhor para a felicidade da família, da nação e do mundo. A felicidade internacional deve incluir o bem-estar do país, da comunidade e da família. O padrão usado para legislar deve ser o mérito, e não a cor da pele ou qualquer outra distinção de classe. Estes são os ideais que deveriam ser ensinados às crianças.

Enquanto houver diferenças entre os filhos de Deus, do tipo 'somos indianos, vocês, americanos; somos alemães e vocês, ingleses', o mundo continuará dividido e preso pela ilusão. Muitas guerras, sofrimentos e destruição serão evitados se deixarmos de dar ênfase às diferenças e aprendermos a amar sem distinção ou preconceito. Tenha mais orgulho de ser feito à imagem de Deus do que em ter determinada nacionalidade, pois 'americana', 'indiana' e todas as outras nacionalidades são apenas casacos que, no devido tempo, serão descartados. Mas você é filho de Deus por toda a eternidade. Não seria melhor ensinar este ideal às crianças? É o único caminho para a paz: estabelecer os verdadeiros ideais de paz nas escolas e viver a paz na vida pessoal."

Paramahansa Yogananda, O Romance com Deus, Self-Realization Fellowship, p. 360/361.
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terça-feira, 21 de abril de 2026

BÊNÇÃO DE SOL


É razoável estejamos sempre cautelosos a fim de não estendermos o mal ao caminho alheio. Os outros colhem os frutos de nossas ações e oferecem-nos, de volta, as reações consequentes.

Daí, o cuidado instintivo em não ferirmos a própria consciência, seja policiando atitudes ou selecionando palavras, para que vivamos em paz à frente dos semelhantes, assegurando tranquilidade a nós mesmos.

Em muitas circunstâncias, contudo, não nos imunizamos contra os agentes tóxicos da queixa. Superestimamos nossos problemas, supomos nossas dores maiores e mais complexas que as dos vizinhos e, amimalhando o próprio egoísmo, cultivamos indesejável raiz de amargura no solo do coração. Daí brotam espinheiros mentais, suscetíveis de golpear quantos renteiam conosco, na atividade cotidiana, envenenando-lhes a vida.

Quantas sugestões infelizes teremos coagulado no cérebro dos entes amados predispondo-os à enfermidade ou à delinquência com as nossas frases irrefletidas! Quantos gestos lamentáveis terão vindo à luz, arrancados da sombra por nossas observações vinagrosas.

Precatemo-nos contra semelhantes calamidades que se nos instalam nas tarefas do dia-a-dia, quase sempre sem que venhamos a perceber. Esqueçamos ofensas, discórdias, angústias e trevas, para que a raiz da amargura não encontre clima propício no campo em que atuamos.

Todos necessitamos de felicidade e paz; entretanto, felicidade e paz solicitam amor e renovação, tanto quanto o progresso e a vida pedem trabalho harmonioso e bênção de Sol."

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quinta-feira, 16 de abril de 2026

SIMPATIA E BONDADE

"Cap. IX – Item 7 

No plano infinito da Criação jamais encontraremos alguém que prescinda de dois derivados naturais do amor: a simpatia e a bondade. 

A árvore frondosa e plena de vigor solicita o apoio do sol e a solicitude do vento para conservar-se e estender as suas propriedades vitais. 

O animal, por mais inferior na escala dos seres, requer o carinho e a ternura da terra, a fim de manter as próprias funções e aperfeiçoar o seu modo de ser, no meio em que se desenvolve. 

A criança e o jovem, a mulher e o homem, tornam-se enfermiços e infelizes, se não recebem o calor da bondade e da simpatia por alimento providencial na sustentação do equilíbrio e da saúde, da esperança e da paz que lhes são indispensáveis no esforço de cada dia.

Procura pois, revestir as próprias manifestações, perante aqueles que te rodeiam, com os recursos da simpatia que ajuda e compreende, e da bondade que concede e perdoa, ampliando a misericórdia no mundo e fortalecendo a fraternidade entre todas as criaturas. 

Enriquece com o teu entendimento o patrimônio afetivo do companheiro e o companheiro retribuir-te-á com auxílios originais e incessantes. 

Envolve em tua generosidade fraterna a alma infeliz e desajustada, e nela descobrirás imprevistas nuanças do amor.

Não desprezes a simpatia e a bondade ante as lutas alheias e a bondade e a simpatia nos outros te abençoarão toda a vida." (Emmanuel)    

Extraído do livro "O Espírito da Verdade", Estudos e dissertações em torno da obra 'O Evangelho Segundo o Espiritismo', de Allan Kardec, de Francisco Cândido Xavier/Waldo Vieira, por vários Espíritos, FEB, Brasília/DF, p. 14/15.

terça-feira, 14 de abril de 2026

O SERVO INCONSTANTE

"A frente de todos os presentes, o Mestre narrou com simplicidade:

- Certo homem encontrou a luz da Revelação divina e desejou ardentemente habilitar-se para viver entre os anjos do Céu.

Tanto suplicou essa bênção ao Pai que, através da inspiração, o Senhor o enviou ao aprimoramento necessário com vistas ao fim a que se propunha.

Por intermédio de vários amigos, orientados pelo Poder divino, o candidato, que demonstrava acentuada tendência pela escultura, foi conduzido a colaborar com antigo mestre, em mármore valioso. No entanto, a breve tempo, demitiu-se, alegando a impossibilidade de submeter-se a um homem ríspido e intratável; transferiu-se, desse modo, para uma oficina consagrada à confecção de utilidades de madeira, sob as diretrizes de velho escultor. Abandonou-o também, sem delongas, asseverando que lhe não era possível suportá-lo. Em seguida, empregou-se sob as determinações de conhecido operário especializado em construção de colunas em estilo grego. Não tardou, entretanto, a deixá-lo, declarando não lhe tolerar as exigências. Logo após, entregou-se ao trabalho. sob as ordens de experimentado escultor de ornamentações em arcos festivos, mas, finda uma semana, fugiu aos compromissos assumidos, afirmando haver encontrado um chefe por demais violento e irritadiço. Depois, colocou-se sob a orientação de um fabricante de arcas preciosas, de quem se afastou, em poucos dias, a pretexto de se tratar de criatura desalmada e cruel.

E, assim, de tarefa em tarefa, de oficina em oficina, o aspirante ao Céu dizia, invariavelmente, que lhe não era possível incorporar as próprias energias à experiência terrestre, por encontrar, em toda parte, o erro, a maldade e a perseguição nos que o dirigiam, até que a morte veio buscá-lo à presença dos anjos do Senhor.

Com surpresa, porém, não os encontrou tão sorridentes quanto aguardava. Um deles avançou, triste, e indagou:

- Amigo, por que não te preparaste ante os imperativos do Céu? O interpelado que identificava a própria inferioridade, nas sombras em que se envolvia, clamou em pranto que só havia encontrado exigência e dureza nos condutores da luta humana.

O Mensageiro, no entanto, observou, com amargura:

- O Pai chamou-te a servir em teu próprio proveito, e não a julgar. Cada homem dará conta de si mesmo a Deus. Ninguém escapará à Justiça Divina que se pronuncia no momento preciso. Como pudeste esquecer tão simples verdade dentro da vida? O malho bate a bigorna, o ferreiro conduz o malho, o comerciante examina a obra do ferreiro, o povo dá opinião sobre o negociante, e o Senhor, no conjunto, analisa e julga a todos. Se fugiste a pequenos serviços do mundo, sob a alegação de que os outros eram incapazes e indignos da direção, como poderás entender o ministério celestial?'

E o trabalhador inconstante passou às consequências de sua queda impensada.

Jesus fez uma pausa e concluiu:

- Quem estiver sob o domínio de pessoas enérgicas e endurecidas na disciplina, excelentes resultados conseguirá recolher se souber e puder aproveitar-lhes a aspereza, inspirando-se na madeira bruta ao contato da plaina benfeitora. Abençoada seja a mão que educa e corrige, mas bem-aventurado seja aquele que se deixa aperfeiçoar ao seu toque de renovação e aprimoramento, porque os mestres do mundo sempre reclamam a lição de outros mestres, mas a obra do bem, quando realizada para todos, permanece eternamente."

Extraído do livro "Jesus no Lar", de Chico Xavier, pelo Espírito Neio LúcioFEBBrasília, p. 23/25.
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quinta-feira, 9 de abril de 2026

AS TRÊS ESCOLHAS

"O discípulo apresentou-se ao orientador cristão e indagou: 

- Instrutor, em sua opinião, qual é a lei que englobaria em si todas as Leis de Deus? 

 O interpelado respondeu: 

- A Lei do Bem

- Entretanto – acrescentou o aprendiz – quem diz 'lei' refere-se a clima de ação que todos devemos observar. 

- Isto mesmo. 

- Nesse caso, onde ficaria o livre-arbítrio

O orientador meditou alguns momentos e considerou: 

- O livre-arbítrio é concedido a todas as criaturas conscientes, porquanto, 'a cada espírito será dado o que lhe cabe receber, conforme as próprias obras'. O Criador, porém, não é autor de violência. Por isso, até mesmo ante a Lei do Bem, a pessoa humana dispõe de três opções distintas. Poderemos segui-la, parar na senda evolutiva, de modo a não segui-la, ou afastarmo-nos dela pelos despenhadeiros do mal. 

- Instrutor amigo, esclareça, por obséquio, a que resultados nos levam as três escolhas referidas? 

O mentor aclarou, com serenidade: 

- Os que observam a Lei do Bem se encaminham para as Esferas Superiores; os que preferem descansar em caminho, por vezes se demoram muito tempo na inércia, retornando a marcha com muitas dificuldades para a readaptação às tarefas da jornada; e os que se distanciam voluntariamente, nos resvaladouros do desequilíbrio, muitas vezes, gastam séculos, presos nos princípios de causa e efeito, até que, um dia, deliberem aceitar a própria renovação... 

Compreendeu? O aprendiz fez leve movimento afirmativo e começou a pensar."

Extraído do livro "O Essencial", de Chico Xavier/Emmanuel, p. 5.
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terça-feira, 7 de abril de 2026

O AMOR PURO

"'Consideremo-nos também uns aos outros para nos estimularmos ao amor e às boas obras". Paulo.
(Hebreus, 10:24).

Algumas vezes somos constrangidos a examinar as diretrizes dos nossos companheiros de experiência, nas horas em que se mostram em atitude menos edificante.

Vimos determinados amigos em lances perigosos do caminho, até ontem. E até ontem terão eles:

    entrado em negócios escusos;

    caídos em lastimáveis enganos;

    perpetrado delitos;

    descido a precipícios da sombra;

    causado prejuízo a outrem, lesando a si mesmos;

    fugido a deveres respeitáveis;

    desprezado valiosas oportunidades no erguimento do bem;

    renegado a fé que lhes servia de âncora; adotado companhias que lhes danificaram a existência; abraçado a irresponsabilidade por norma de ação.

Momentos existem nos quais é impossível desconhecer as nossas falhas; entretanto, tenhamos a devida prudência de situar o mal no passado.

Teremos tido comportamento menos feliz até ontem.

Hoje, porém, é novo dia.

Auxiliemo-nos reciprocamente, acendendo luz que nos dissipe a sombra. Padronizemos o sentimento em ponto alto, pensemos com a força abençoada do otimismo, falemos para o bem e realizaremos o melhor ao nosso alcance, no terreno da ação.

Recordemos o ensinamento do apóstolo, considerando-nos uns aos outros não em sentido negativo, e sim com a fraternidade operante, para que tenhamos o necessário estímulo à prática do amor puro, superando as nossas próprias fraquezas, em caminho para a Vida Maior."

Extraído do livro "Segue-me", de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito EmmanuelCasa Editora O ClarimMatão/SP, p. 43/44.
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quinta-feira, 2 de abril de 2026

A LIÇÃO DA SEMENTE

"Diante da perplexidade dos ouvintes, falou Jesus, convincente:

- Em verdade, é muito difícil vencer os aflitivos cuidados da vida humana. Para onde se voltem nossos olhos, encontramos a guerra, a incompreensão, a injustiça e o sofrimento. No templo, que é o lar do Senhor, comparecem o orgulho e a vaidade nos ricos, o ódio e a revolta nos pobres. Nem sempre é possível trazer o coração puro e limpo, como seria de desejar, porque há espinheiros, lamaçais e serpentes que nos rodeiam. Entretanto, a ideia do Reino divino é assim como a semente minúscula do trigo. Quase imperceptível é lançada a terra, suportando-lhe o peso e os detritos, mas, se germina, a pressão e as impurezas do solo não lhe paralisam a marcha. Atravessa o chão escuro e, embora dele retire em grande parte o próprio alimento, o seu impulso de procurar a luz de cima é dominante. Desde então, haja sol ou chuva, faça dia ou noite, trabalha sem cessar no próprio crescimento e, nessa ânsia de subir, frutifica para o bem de todos. O aprendiz que sentiu a felicidade do avivamento interior, qual ocorre à semente de trigo, observa que longas raízes o prendem às inibições terrestres... Sabe que a maldade e a suspeita lhe rondam os passos, que a dor é ameaça constante; todavia, experimenta, acima de tudo, o impulso de ascensão e não mais consegue se deter. Age constantemente na esfera de que se fez peregrino, em favor do bem geral. Não encontra seduções irresistíveis nas flores da jornada. O reencontro com a Divindade, de que se reconhece venturoso herdeiro, constitui-lhe objetivo imutável e não mais descansa, na marcha, como se uma luz consumidora e ardente lhe torturasse o coração. Sem perceber, produz frutos de esperança, bondade, amor e salvação, porque jamais recua para contar os benefícios de que se fez instrumento fiel. A visão do Pai é a preocupação obcecante que lhe vibra na alma de filho saudoso.

O Mestre silenciou por momentos e concluiu:

- Em razão disso, ainda que o discípulo guarde os pés encarcerados no lodo da Terra, o trabalho infatigável no bem, no lugar em que se encontra, é o traço indiscutível de sua elevação. Conheceremos as árvores pelos frutos e identificaremos o operário do Céu pelos serviços em que se exprime.

A essa altura, Pedro interferiu, perguntando:

- Senhor, que dizer, então, daqueles que conhecem os sagrados princípios da caridade e não os praticam?

Esboçou Jesus manifesta satisfação no olhar e elucidou:

- Estes, Simão, representam sementes que dormem, apesar de projetadas no seio dadivoso da terra. Guardarão consigo preciosos valores do Céu, mas jazem inúteis por muito tempo. Estejamos, porém, convictos de que os aguaceiros e furacões passarão por elas, renovando-lhes a posição no solo, e elas germinarão, vitoriosas, um dia. Nos campos de nosso Pai, há milhões de almas assim, aguardando as tempestades renovadoras da experiência, para que se dirijam à glória do futuro. Auxiliemo-las com amor e prossigamos, por nossa vez, mirando a frente!

Em seguida, ante o silêncio de todos, Jesus abençoou a pequena assembleia familiar e partiu."

Extraído do livro "Jesus no Lar", de Chico Xavier, pelo Espírito Neio LúcioFEBBrasília, p. 19/21.
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terça-feira, 31 de março de 2026

DESAPEGO

"'Há duas espécies de afeições: a do corpo e a da alma, e, frequentemente, se toma uma pela outra. A afeição da alma, quando pura e simpática, é durável; a do corpo é perecível. Eis porque, frequentemente, aqueles que creem se amar, com um amor eterno, se odeiam quando a ilusão termina.' 
(O Livro dos Espíritos – Questão 939 – Boa Nova Editora

Tudo passa na Terra; só permanecerão as coisas do céu. 

Passam cônjuges e filhos, mas permanecerá a família universal

Passam as características da juventude, para atingirmos o amadurecimento pessoal. 

Passam construções de alvenaria, para edificarmos em nós obras imortais. 

Passam impérios e poderes de mão em mão, para valorizarmos os do coração. 

Passam vestimentas e joias raras, para aprendermos a apreciar valores éticos. 

Passam nacionalidades e costumes, para alcançarmos a cidadania cósmica

Passa o gênero atual, para galgarmos a plenitude da ambiguidade da alma. 

Passam valores moralistas, para consolidarmos na intimidade conceitos universais. 

Passam títulos e diplomas, para permanecermos na impessoalidade. 

A transitoriedade é incontestável valor do espírito. 

A vida física é como as nuvens do céu: transforma-se incessantemente, ora mostrando o brilho do sol, ora mostrando a escuridão das tempestades. 

Tudo passa, tudo é instável; nada é constante ou imutável na vida terrena. 

Construa e elabore sua individualidade, vivendo bem consigo mesmo. 

Faça seu melhor hoje, pois só isso lhe garantirá o bem-estar amanhã. 

Quem se prende na exterioridade, ou seja, nas coisas de fora, muitas vezes se olvida de que, no final das contas, ninguém fica com o papelete do embrulho, mas sim com o que importa de fato: o conteúdo. 

Um dos maiores absurdos da vida é acreditarmos que temos a posse de tudo, quando, na verdade, não somos donos de nada, mas apenas hóspedes transitórios. Incoerente é viver apegado às coisas exteriores e, ao mesmo tempo, buscar ardentemente a paz interior." 

Extraído do livro "A Busca do Melhor", de Francisco do Espírito Santo Neto, ditado por Hammed, Boa Nova Editora, Catanduva/SP, item 8.
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quinta-feira, 26 de março de 2026

LÁ E CÁ

"Séculos após séculos, gradativamente, ascendemos desde os mais baixos degraus da escada evolutiva. Lentamente nos tornamos melhores e deixamos nossa marca no mundo. Fomos nós que fizemos o mundo e não uma infindável sucessão de raças extintas que nasceram e depois caíram no esquecimento.

O mundo futuro está sendo construído hoje, e nós, que tomamos parte nessa construção, deveremos viver no mundo que estamos ajudando a criar.

Nossa Alma ou Espírito ou Eu Superior encarna em corpos mortais: fisico, astral e mental. Sua morada real é em planos mais sutis.

Através das numerosas experiências, o ser humano cresce em estatura espiritual, sempre desenvolvendo do seu interior os poderes latentes encerrados nele. É como o desabrochar de uma flor.

O homem vive a maior parte de sua Vida nos mundos Espirituais, mas de tempos em tempos ele se reveste de corpos de matéria mais densa.

O corpo físico tem poderes fantásticos, mas mesmo assim é muito limitado e precisa descansar toda noite, quando funcionamos em dois corpos ao mesmo tempo: o físico e o astral.

É difícil a encarnação num corpo físico, porém ela nos oferece uma oportunidade maravilhosa de progresso por causa dessas dificuldades.

A alegria dos mundos superiores é muitíssimo maior que tudo que se conheça na Terra, mas para merecê-la é preciso aprender a viver aqui e agora.

Como disse o Mestre: A casa de meu Pai tem muitas moradas."

Fernando Mansur, "Escrita Divina, A comunicação da alegria", Ed. do Autor, p. 102.
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terça-feira, 24 de março de 2026

O MAIOR PROLEMA

"O homem é o centro. 

O mundo é a periferia. 

Todas as questões políticas e administrativas, todos os enigmas sociólogos e passionais, que espalham na Terra as mais constrangedoras crises de espíritos, dependem da solução de um problema único para serem convenientemente decifrados – o problema do reajuste da nossa própria alma ante as Leis Divinas

Não há um Mestre ausente da escola do mundo, mas sim aprendizes que fogem indefinidamente à lição. 

O Senhor não menospreza os tutelados que lhe aguardam a proteção, mas como atender ao impositivo da comunhão se nos afastamos, sistematicamente, d’Aquele que é a luz de nossos destinos?

Pulverizemos as cristalizações de egoísmo e orgulho, vaidade e revolta que nos inibem a visão espiritual. 

Desatulhemos o santuário íntimo, ocupado por inutilidades e ilusões e a luz divina penetrar-nos-á o coração, determinando novas atitudes à vida conscencial. 

Somos, ainda, em nosso estágio evolutivo, quando confrontados com a inteligência Perfeita que nos rege, humildes seres pensantes. 

Ante a grandeza do Universo, as nossas limitações são comparáveis ás que separam o verme da estrela.

Como penetrar nos domínios de Deus quando nos demoramos imanizados à sombria concha do 'eu?'

Com que títulos exigir novos planos do Amor Divino, se ainda permanecemos em continuada recapitulação dos primários mandamentos da justiça humanas? 

Barro nas mãos sábias do oleiro, peçamos ao Senhor nos ajude a suportar o fogo das experiências dolorosas e necessárias, a fim de que nosso espírito adquira a luz indispensável para refletir a Eterna Sabedoria e, então, depois de liquidado o escuro problema que somos nós, em nós mesmos, será lícito esperar, no mundo de nossa alma, a luz da Alvorada Nova."

Extraído do livro "Assim Vencerás", de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito Emmanuel, p. 3.
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quinta-feira, 19 de março de 2026

SEGUE ADIANTE

"Deus em nós é a força da vida e a luz inextinguível... 

Nos encargos a que te prendes, em muitas ocasiões, sentes a amplitude dos problemas a resolver e o coração se te transborda de lágrimas... 

A solidão aparente no íntimo como que exagera a extensão dos obstáculos a transpor. 

E medidas no preço alto da dedicação em família, mentalizando as horas gastas em construir e reconstruir afeições que fogem no carro do tempo, largando-se aos ideais que acalentam os dias; refletes nas dificuldades que se renovam, no trabalho tantas vezes encharcado de pranto a que te entregas, atendendo aos deveres assumidos e nos planos alterados, em que sonhaste o melhor para alcançar tão-somente fracasso e recomeço... 

Entretanto, ergue-te do chão da tristeza, age no bem que possas fazer e caminha adiante. 

Deus em nós é a força da vida e a luz inextinguível. 

Corações difíceis a conduzir, calvários domésticos, searas de esperança, oficinas de beneficência e apostolados no bem, são tarefas que, a Sabedoria Divina poderia executar claramente sem tí, no entanto, quis Deus a tua cooperação nas obras da sublimação e do progresso, a fim de que venhas a desenvolver nesse esforço as tuas qualidades divinas. Por mais constrangedoras as circunstâncias, serve e segue adiante. 

Onde te encontres e como te encontres, recorda que Deus conta contigo, tanto quanto contas com Deus."

Extraído do livro "Amizade", de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito Meimei, p. 3.
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terça-feira, 17 de março de 2026

EXPLICAÇÕES DO MESTRE

"Em plena conversação edificante, Sara, a esposa de Benjamim, o criador de cabras, ouvindo comentários do Mestre, nos doces entendimentos do lar de Cafarnaum, perguntou, de olhos fascinados pelas revelações novas:

- A ideia do reino de Deus, em nossas vidas, é realmente sublime; todavia, como iniciar-me nela? Temos ouvido as pregações à beira do lago e sabemos que a Boa Nova aconselha, acima de tudo, o amor e o perdão... Eu desejaria ser fiel a semelhantes princípios, mas sinto-me presa a velhas normas. Não consigo desculpar os que me ofendem, não entendo uma vida em que troquemos nossas vantagens pelos interesses dos outros, sou apegada aos meus bens e ciumenta de tudo o que aceito como sendo propriedade minha.

A dama confessava-se com simplicidade, não obstante o sorriso desapontado de quem encontra obstáculos quase invencíveis.

- Para isso comentou Pedro, é indispensável a boa vontade.

- Com a fé em nosso Pai celestial - aventurou a esposa de Simão, atravessaremos os tropeços mais duros.

Em todos os presentes, transparecia ansiosa expectativa quanto ao pronunciamento do Senhor, que falou, em seguida a longo silêncio:

- Sara, qual é o serviço fundamental de tua casa?

- É a criação de cabras - redarguiu a interpelada, curiosa.

- Como procedes para conservar o leite inalterado e puro no benefício doméstico?

- Senhor, antes de qualquer providência, é imprescindível lavar, cautelosamente, o vaso em que ele será depositado. Se qualquer detrito ficar na ânfora, em breve todo o leite se toca de franco azedume e já não servirá para os serviços mais delicados.

Jesus sorriu e explanou:

- Assim é a revelação celeste no coração humano. Se não purificamos o vaso da alma, o conhecimento, não obstante superior, confunde-se com as sujidades de nosso íntimo, como que se degenerando, reduzindo a proporção dos bens que poderíamos recolher. Em verdade, Moisés e os profetas foram valorosos portadores de mensagens divinas, mas os descendentes do povo escolhido não purificaram suficientemente o receptáculo vivo do Espírito para recebê-las. É por isso que os nossos contemporâneos são justos e injustos, crentes e incrédulos, bons e maus ao mesmo tempo. O leite puro dos esclarecimentos elevados penetra o coração como alimento novo, mas aí se mistura com a ferrugem do egoísmo velho. Do serviço renovador da alma restará, então, o vinagre da incompreensão, adiando o trabalho efetivo do reino de Deus.

A pequena assembleia, na sala de Pedro, recebia a lição sublime e singela, comovidamente, sem qualquer interferência verbal.

O Mestre, porém, levantando-se com discrição e humildade, afagou os cabelos da senhora que o interpelara e concluiu, generoso:

- O orvalho num lírio alvo é diamante celeste, mas, na poeira da estrada, é gota lamacenta. Não te esqueças dessa verdade simples e clara da natureza."

Extraído do livro "Jesus no Lar", de Chico Xavier, pelo Espírito Neio LúcioFEB, Brasília, p. 15/17.
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quinta-feira, 12 de março de 2026

NA DIREÇÃO DO BEM

"O Senhor tudo criou na direção do bem. 

Todas as criaturas, por isto, são chamadas a produzir proveitosamente. 

A erva tenra sustenta os animais. 

A fonte oculta socorre o inseto humilde. 

A árvore é abençoada companheira dos homens. 

A flor produzirá fruto. 

O fruto dar-nos-á mesa farta. 

O rio distribui as águas. 

A chuva lava o céu e sacia a terra sedenta. 

A pedra faz o alicerce de nossa casa. 

A boa palavra revela o bom caminho. 

Como desconhecer os santos propósitos da vida, se a natureza que a sustenta reflete os sábios desígnios da Providência? 

Grande escola para o nosso espírito, a Terra é um livro gigantesco em que podemos ler a mensagem de amor universal que o Pai Celeste nos envia. 

Desde a gota de orvalho que alimenta o cacto espinhoso, à luz do Sol que brilha no alto para todos os seres, podemos sentir o apelo da Infinita Sabedoria ao serviço de cooperação na felicidade, na paz e na alegria dos semelhantes. 

Todo homem e toda mulher nascem no mundo para tarefas santificantes, segundo a Divina Lei. 

Com alegria, o bom administrador governa os interesses do povo. 

Com alegria, o bom lavrador ara o solo e protege a sementeira. 

O homem que semeia no chão, garantindo a subsistência das criaturas, é irmão daquele que dirige o pensamento das nações para o conhecimento divino. 

A mulher que recebe homenagens pelas suas virtudes públicas é irmã daquela que, na intimidade do lar, se sacrifica pela criancinha doente. 

Deus conhece as pessoas pelo que produzem, assim como nós conhecemos as árvores pelos frutos que nos estendem. 

Em razão disto, os homens bons são amados e respeitados. 

A presença deles atrai o carinho e a veneração dos semelhantes. Os maus, todavia, são portadores de ações e palavras indesejáveis e toda gente lhes evita o convívio, tanto quanto nos afastamos das plantas espinhosas e ingratas. 

O homem bom compreende que a vida lhe pede a bênção do serviço e levanta-se cada manhã, pensando: — 'Que belo dia para trabalhar!' 

O mau, porém, ergue-se de mau humor. Não sabe sorrir para os que o cercam e costuma exclamar: — 'Dia terrível! Que destino cruel! Detesto o trabalho e odeio a vida!' 

Um homem, qual esse, precisa de auxílio dos homens bons, porque em não se dedicando ao serviço digno será realmente muito infeliz." 

Extraído do livro "Alvorada Cristã", de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito Néio Lúcio, item 2, p. 6.
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terça-feira, 10 de março de 2026

O PRÓXIMO

"O próximo, em cada minuto, é aquele coração que se acha mais próximo do nosso, por divina sugestão de amor no caminho da vida. 

No lar, é a esposa e o esposo, os pais e os filhos, os parentes e os hóspedes. 

No templo do trabalho comum, é o chefe e o subordinado, o cooperador e o companheiro. 

Na via pública, é o irmão ou o amigo anônimo que nos partilham a mesma estrada e o mesmo clima. 

Na esfera social, é a criança e o doente, o desesperado e o triste, as afeições e os laços da solidariedade comum. 

Na luta contundente do esforço humano, é o adversário e o colaborador, o inimigo declarado ou oculto ou, ainda, o associado de ideais que nos surgem por instrutores. 

Em toda parte, encontrarás o próximo, buscando-te a capacidade de entender e de ajudar. 

Auxilia aos outros com aquilo que possuas de melhor. 

Os santos e os heróis ainda não residem na Terra. 

Somos espíritos humanos, mistos de luz e sombra, amor e egoísmo, inteligência e ignorância. 

Cada homem, na fase evolutiva em que nos encontramos, traz uma auréola incompleta de rei e uma espada de tirano. 

Se chamas o fidalgo, encontrarás um servidor. 

Se procuras o guerreiro, terás um inimigo feroz pela frente. 

Por isso mesmo, reafirmou Jesus o antigo ensinamento da Lei: - 'ama o próximo, como a ti mesmo'. 

É que o espírito, quando ama verdadeiramente, encontra mil meios de auxiliar, a cada instante, e o próximo, na essência, é o degrau que nos aparece diante do coração, por abençoado caminho de acesso à Vida Celestial."

Extraído do livro "Assim Vencerás", de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito Emmanuel, p. 5.
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quinta-feira, 5 de março de 2026

SEM RUÍDOS

"'Mas quando vier aquele Espírito de Verdade, ele vos guiará em toda a verdade. - Jesus.
(João, 16:13). 

O caminho de toda a Verdade é Jesus Cristo. O Mestre veio ao mundo instalar essa verdade para que os homens fossem livres e organizou o programa dos cooperadores de seu divino trabalho, para que se preparasse convenientemente o caminho infinito. No fim da estrada, colocou a redenção e deu às criaturas o amor como guia.

Conforme sabemos, o guia é um só para todos. E vieram os homem para o serviço divino. Com os cooperadores vinham, porém, os gênios sombrios, que se ombreavam com eles nas cavernas da ignorância.

A religião, como expressão universalista do amor, que é o guia, pairou sempre pura, acima das misérias que chegaram ao grande campo; mas, este ficou repleto das absurdidades. O caminho foi quase obstruído. 

A ambição exigiu impostos dos que desejavam passar, o orgulho reclamou a direção dos movimentos, a vaidade pediu espetáculos, a conveniência requisitou máscaras, a política interior estabeleceu guerras, a separatividade provocou a hipnose do sectarismo. 

O caminho ficou atulhado de obstáculos e sombras e o interessado, que é o espírito humano, encontra óbices infinitos para a passagem.

O quadro representa uma resposta e quantos perguntarem sobre os propósitos do Espiritismo cristão, sendo que o homem já conhece dotos os deveres religiosos. Ele é aquele Espírito de Verdade que vem lutar contra os gênios sombrios que vieram das cavernas da ignorância e invadiram o campo do Cristo.

Mas, guerrear como: Jesus não pediu a morte de ninguém. Sim, o Espírito da Verdade vem como a luz que combate e vence as sombras, sem ruídos. Sua missão é transformar, iluminando o caminho, para que os homens vejam o amor, que constitui o guia único para todos, até à redenção."

Extraído do livro "Segue-me", de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito EmmanuelCasa Editora O ClarimMatão/SP, p. 23/24.
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terça-feira, 3 de março de 2026

A ESCOLA DAS ALMAS

"Congregados, em torno do Cristo, os domésticos de Simão ouviram a voz suave e persuasiva do Mestre, comentando os sagrados textos.

Quando a palavra divina terminou a formosa preleção, a sogra de Pedro indagou, inquieta:

- Senhor, afinal de contas, que vem a ser a nossa vida no lar?

Contemplou-a Ele, significativamente, demonstrando a expectativa de mais amplos esclarecimentos, e a matrona acrescentou:

- Iniciamos a tarefa entre flores para encontrarmos depois pesada colheita de espinhos. No começo, é a promessa de paz e compreensão; entretanto, logo após, surgem pedras e dissabores...

Reparando que a senhora galileia se sensibilizara até às lágrimas, deu-se pressa Jesus em responder:

- O lar é a escola das almas, o templo onde a sabedoria divina nos habilita, pouco a pouco, ao grande entendimento da humanidade.

E, sorrindo, perguntou:

- Que fazes inicialmente às lentilhas, antes de servi-las à refeição?

A interpelada respondeu, titubeante:

- Naturalmente, Senhor, cabe-me levá-las ao fogo para que se façam suficientemente cozidas. Depois, devo temperá-las, tornando-as agradáveis ao sabor.

- Pretenderias, também, porventura, servir pão cru à mesa?

- De modo algum - tornou a velha humilde -, antes de entregá-lo ao consumo caseiro, compete-me guardá-lo ao calor do forno. Sem essa medida...

O divino Amigo então considerou:

- Há também um banquete festivo, na vida celestial, onde nossos sentimentos devem servir à glória do Pai. O lar, na maioria das vezes, é o cadinho santo ou o forno preparador. O que nos parece aflição ou sofrimento dentro dele é recurso espiritual. O coração acordado para a vontade do Senhor retira as mais luminosas bênçãos de suas lutas renovadoras, porque, somente aí, de encontro uns com os outros, examinando aspirações e tendências que não são nossas, observando defeitos alheios e suportando-os, aprendemos a desfazer as próprias imperfeições. Nunca notou a rapidez da existência de um homem? A vida carnal é idêntica à flor da erva. Pela manhã emite perfume; à noite, desaparece... O lar é um curso ligeiro para a fraternidade que desfrutaremos na vida eterna. Sofrimentos e conflitos naturais, em seu círculo, são lições.

A sogra de Simão escutou, atenciosa, e ponderou:

- Senhor, há criaturas, porém, que lutam e sofrem; no entanto, jamais aprendem.

O Cristo pousou na interlocutora os olhos muito lúcidos e tornou a indagar:

- Que fazes das lentilhas endurecidas que não cedem à ação do fogo?

- Ah! sem dúvida, atiro-as ao monturo, porque feririam a boca do comensal descuidado e confiante.

- Ocorre o mesmo terminou o Mestre com a alma rebelde às sugestões edificantes do lar. A luta comum mantém a fervura benéfica; todavia, quando chega a morte, a grande selecionadora do alimento espiritual para os celeiros de nosso Pai, os corações que não cederam ao calor santificante, mantendo-se na mesma dureza, dentro da qual foram conduzidos ao forno bendito da carne, serão lançados fora, a fim de permanecerem, por tempo indeterminado, na condição de adubo, entre os detritos da natureza."

Extraído do livro "Jesus no Lar", de Chico Xavier, pelo Espírito Neio LúcioFEB, Brasília, p. 11/13.
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