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Mostrando postagens de agosto, 2017

A BELEZA DO EGO

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"No mundo do Ego, não há formas e cores como conhecemos aqui, mas há algo que pode ser traduzido em termos de cor e forma. Assim, podemos falar da aparência do Ego, ainda que não se revele a nós como os objetos no mundo fenomênico. Portanto, não deve ser mal interpretado quando dizemos que o Ego se mostra em forma humana glorificada, e que nesse aspecto nos vemos como realmente somos. A forma humana em que ali nos vemos é também representativa de nosso verdadeiro tipo ou gênio, de nossa missão na magna Obra. Desse modo, um Ego que conheço apareceu como um jovem radiante, como um Apolo grego esculpido em reluzente mármore e, não obstante, imaterial, tendo a inspiração por sua característica básica. Outro Ego tinha a aparência da escultura de Demétrio no Museu Britânico: uma figura dignificada, serena e pacífica que, por assim dizer, pairava sobre o mundo, ao qual contribuía para nutrir e proteger. Portanto, cada Ego tem seu aspecto peculiar, radiante e formoso, que expressa sua...

AMOR OU JULGAMENTO (PARTE FINAL)

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"(...) Se você examinar as dores que lhe sobrevêm dia sim, dia não, logo perceberá que boa parte delas é emocional ou mental e não física. E mesmo em se tratando de for física, costumamos agravá-la com toda espécie de preocupações que nos fazem penar muito além dos efeitos de nossa condição corporal. Buda viu tudo isso com bastante nitidez. As Quatro Nobres Verdades esclareceram o que os psicólogos só agora começam a considerar a causa do sofrimento humano: nossa fixação mental em crenças, apreensões e fantasias suscitadas pelo medo. Depois de cuidadoso exame, constatamos que o ímpeto de fugir ao sofrimento é diretamente responsável pela maior parte de nossas ansiedades e desejos. Só quando estamos sofrendo é que reagimos tentando fazer algum coisa para nos sentirmos melhor. Depois de banir o medo subjacente, eliminamos a ansiedade. E depois de eliminar a ansiedade, modificamos nossa situação - nossa mente se aquieta, nossa percepção se apura, nosso coração se abre... ...

AMOR OU JULGAMENTO (1ª PARTE)

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"Duas são as colunas da compreensão budista do caminho espiritual. Uma é o desafio de abrir nossa percepção pessoal à realidade da vida e desenvolver nosso senso de sabedoria ou perspectiva com relação ao que somos e ao que a vida é. Tal função cabe, em princípio, à mente. A outra grande coluna é o desafio de aprimorar nossa capacidade de sentir compaixão e aceitação com respeito à obra divina - tarefa que cabe, sobretudo, ao coração. A compaixão é uma qualidade que descobrimos somente quando deixamos de julgar o mundo e passamos a amá-lo. A terceira meditação, que envolve aceitar a realidade tal qual é, induz-nos naturalmente a explorar nossa capacidade de sentir amor no coração e, por fim, a amar incondicionalmente - conforme preceituram Buda, Jesus e muitos outros mestres espirituais. O fato se resume ao seguinte: não podemos, ao mesmo tempo, criticar e amar uma coisa. Por quê? Porque o próprio processo de julgamento está radicado em uma área do nosso cérebro, a...

POSSO CONFIAR NA MINHA EXPERIÊNCIA?

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"A maioria de nós está satisfeita com a autoridade porque ela nos proporciona uma continuidade, uma certeza, uma sensação de proteção. Mas aquele que entendesse as implicações dessa profunda revolução psicológica deveria estar livre da autoridade, não é? Não se pode buscar nenhuma autoridade, seja de criação própria ou imposta por outra pessoa. Isso é possível? É possível para não confiar na autoridade da própria experiência? Mesmo tendo rejeitado todas as expressões externas da autoridade - livros, professores, sacerdotes, igrejas, crenças -, ainda tenho a sensação de que pelo menos posso confiar no meu próprio julgamento, em minhas próprias experiências, minha própria análise. Mas será que eu posso confiar na minha experiência, no meu julgamento, na minha análise? Minha experiência é o resultado do meu condicionamento, assim como o de qualquer pessoa, não é? Posso ter sido criado como muçulmano, budista ou hindu, e minha experiência vai depender dos meus antecedentes cul...

A GRANDEZA ESTÁ NO SERVIÇO ESPONTÂNEO

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" Ó Tao! Tu, que tudo superas! Em ti está o Todo. Em ti, a vida de todos os seres! Tu não te negas a ninguém, Tu, que tudo realizas, Tudo nutres, Tudo fazes prosperar! Tu, o eterno servidor da vida, Jamais te vanglorias de nada. Pequenino pareces aos que ignoram A tua grandeza. Grande, porém, és Tu, de que tudo vem E a quem tudo volta. Nunca te arvoras em dominador. .................................................... Assim também o sábio sempre serve, Realizando grandes coisas, Sem se ufanar da sua grandeza. EXPLICAÇÃO: Esta apoteose da Divindade lembra as palavras de Santo Agostinho: 'Ó Deus! Formosura sempre antiga e sempre nova - quão tarde te amei!... Tu estavas em meu coração - e eu te buscava lá fora... Tu estavas comigo, mas eu não estava contigo... E então tu me chamaste em altas vozes... rompeste a minha surdez... relampejaste e afugentaste a minha cegueira... rescendeste suaves perfumes em torno de mim, e eu os sorvia - ...

NUNCA FIQUE MENTALMENTE AGITADO

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"O treinamento que recebi de meu mestre, Sri Yukteswar, foi maravilhoso nesse sentido. Acontecesse o que acontecesse, ele não aceitava desculpas quando eu ficava mentalmente agitado. Eu costumava ir ao ashram  e sentar-me a seus pés, para meditar e ouvir sua sabedoria. Quando chegava perto da hora do trem que me levaria de volta para casa, ele percebia meu desassossego e apenas sorria, sem me dar licença de partir. No começo, eu não achava aquilo razoável. Mas, depois de um período um tanto quanto tenso dessa disciplina, ele explicou: 'Não vejo com má vontade o fato de você aprontar-se a tempo para ir para a estação; mas digo que não há necessidade de ficar inquieto. Por que permitir que a agitação nervosa perturbe sua mente? Quando estiver comigo, esteja naturalmente calmo, e quando a hora do trem chegar, prepare-se calmamente para sair.' Ele me fez perder vários trens até que eu aprendesse a ser calmamente ativo e ativamente calmo. É isso mesmo que você também pr...

SER E ILUMINAÇÃO (PARTE FINAL)

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"(...) Se for usada corretamente, a mente é um instrumento magnífico. Entretanto, quando a usamos de forma errada, ela se torna destrutiva. Para ser ainda mais preciso, não é você que usa a sua mente de forma errada. Em geral, você simplesmente não usa a mente. É ela que usa você. Essa é a doença. Você acredita que é a sua mente. Eis aí o delírio. O instrumento se apossou de você. É quase como se algo nos dominasse sem termos consciência disso e passássemos a viver como se fôssemos a entidade dominadora. A LIBERDADE COMEÇA quando você percebe que não é a entidade dominadora, o pensador. Saber disso permite observar a entidade. No momento em que você começa a observar o pensador, ativa um nível mais alto de consciência. Começa a perceber, então, que existe uma vasta área de inteligência além do pensamento e que este é apenas um aspecto diminuto da inteligência. Percebe também que todas as coisas realmente importantes, como a beleza, o amor, a criatividade, a alegria...

SER E ILUMINAÇÃO (2ª PARTE)

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"(...) A palavra  iluminação  transmite a ideia de uma conquista sobre-humana - e isso agrada ao ego -, mas é simplesmente o estado natural de sentir-se em unidade com o Ser. É um estado de conexão com algo imensurável e indestrutível. Pode parecer um paradoxo, mas esse 'algo' é essencialmente você e, ao mesmo tempo, é muito maior do que você. A iluminação consiste em encontrar a verdadeira natureza por trás do nome e da forma. A incapacidade de sentir essa conexão dá origem a uma ilusão de separação, tanto de você mesmo quanto do mundo ao redor. Quando você se percebe, consciente ou inconscientemente, como um fragmento isolado, o medo e os conflitos internos e externos tomam conta da sua vida.  O maior obstáculo para vivenciar essa realidade é a identificação com a mente, o que faz com que estejamos sempre pensando em alguma coisa. Ser incapaz de parar e pensar é uma aflição terrível, mas ninguém percebe porque quase todos nós sofremos disso e, então, conside...

SER E ILUMINAÇÃO (1ª PARTE)

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"Existe uma Vida Única, eterna e sempre presente, além das inúmeras formas de vida sujeitas ao nascimento e à morte. Muitas pessoas empregam a palavra Deus para descrevê-la, mas eu costumo chamá-la de Ser. Tanto 'Deus' quanto 'Ser' são palavras que não explicam nada. 'Ser', entretanto, tem a vantagem de sugerir um conceito aberto. Não reduz o invisívil infinito a uma entidade finita. É impossível formar uma imagem mental a esse respeito. Ninguém pode reivindicar a posse exclusiva do Ser. É a sua essência, tão acessível como sentir a sua própria presença. Portanto, a distância é muito curta entre a palavra 'Ser' e a vivência do Ser.  O SER NÃO ESTÁ apenas além, mas também dentro de todas as formas, como a mais profunda, invisível e indestrutível essência interior. Isso significa que ele está ao seu alcance agora, sob a forma de um eu interior mais profundo, que é a verdadeira natureza dentro de você. Mas não procure apreendê-lo com a mente. N...

ÉTICA: A RESTAURAÇÃO DA HARMONIA (PARTE FINAL)

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"(...) Perceber que a vida é una significa compreender que não há qualquer ação estritamente individual, e sim um movimento vasto e combinado. Há ação e reação imediata entre o indivíduo e todo o universo manifestado. Talvez seja difícil admitir que cada ser humano contribui para o bem-estar ou a desventura de toda a sociedade, para não mencionar o universo. A ética não é um código moral imposto de fora, um conjunto de regras estipulando o que fazer ou não fazer: não é a obediência a uma autoridade política ou a um Deus que fica sentado a nos julgar. A harmonia não surge por meio de pressões externas. É um esforço para observar, entender e despertar interiormente. As morais sociais e religiosas levam, via de regra, a um aumento da autoafirmação. A ética espiritual passa longe de ambas sugerindo um 'caminho do meio': não o ascetismo, mas a moderação; não as virtudes, mas o autoesquecimento. A ética é a expressão prática de valores fundamentais, sem os quais não é poss...

ÉTICA: A RESTAURAÇÃO DA HARMONIA (2ª PARTE FINAL)

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"(...) O senso de separação é uma ilusão primitiva, que origina todos os comportamentos errados do homem. O remédio está em compreender a unidade da vida. Se o conceito da origem comum da humanidade, não apenas em nível físico, mas especialmente nos níveis da alma e do espírito, estiver 'profundamente enraizado em nossos corações, nos levará longe da estrada da verdadeira caridade e da boa vontade fraterna'. O princípio da unidade pode parecer muito distante das nossas preocupações diárias. É necessário juntar a ele um outro princípio derivado, o da interdependência. A aparente multiplicidade do mundo manifestado é, na realidade, uma grande rede de interdependência, destinada a funcionar em perfeita harmonia. A ilusão de separação nascida da mente humana e os caprichos de independência desequilibram dolorosamente toda a rede. Devido à Lei do Carma - outro importante princípio dos ensinamentos teosóficos -, todo desequilíbrio deve ser compensado para restaurar o equ...

ÉTICA: A RESTAURAÇÃO DA HARMONIA (1ª PARTE)

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"Embora haja atualmente uma tendência hesitante de retornar à noção de cidadania, a maioria das pessoas ainda considera qualquer conversa sobre ética e moral como algo ultrapassado. Considerando os problemas que confrontam a humanidade, instrutores espirituais, através dos séculos, têm enfatizado a necessidade de uma transformação fundamental no indivíduo por meio da ética, assegurando que, de outro modo, qualquer reforma política ou social está condenada ao fracasso. Realmente, os problemas do mundo moderno não são diferentes, em sua natureza, daqueles que caracterizaram os séculos passados. Guerra, violência, barbarismo, corrupção, exploração dos fracos, o abismo entre ricos e pobres - essas coisas sempre existiram. A natureza dos problemas da humanidade e a causa de todos os conflitos e sofrimentos permaneceram fundamentalmente inalterados. A solução está no próprio homem e não nas suas condições de vida; nas suas respostas às situações, não nas situações em si. A úni...

O MUNDO DO EGO (PARTE FINAL)

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"(...) Se tivermos sucesso em desprender a consciência dos corpos, não haverá dificuldade em trazê-la de volta ao Ego, porque ela é realmente a consciência do Ego; e o mundo do Ego é nosso verdadeiro Lar. Quando voltamos assim ao mundo do qual tanto tempo havíamos estado exilados, nossa primeira impressão é um predominante sentimento de júbilo e liberdade. Como quem estivesse preso por longos anos em um local onde os raios do Sol não pudessem penetrar e, ao sair livre, fosse ofuscado pela luz do exterior, assim nós, ao entrarmos em nosso próprio mundo após o longo exílio no cárcere da matéria, nos sentimos repletos da luz que nos rodeia e da libertação às limitações que nos restringiam. Aqui, nesse mundo, tudo é verdadeiramente luz e júbilo. O Ego em seu próprio mundo tem uma vida de tão incomparável bem-aventurança e graça que, mesmo que só vejamos aquele mundo uma única vez, já não voltaremos a cair vítimas do mundo de ilusão. Agora sabemos quem somos; vimos a nós mesmos...

O MUNDO DO EGO (1ª PARTE)

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"Quando a consciência se liberta dos três corpos em que estava aprisionada, reintegra-se naturalmente ao Ser que realmente é.  Assim é que temos de restituir ao Ego a consciência; mais ainda, tratar de reconhecer sem sombra de dúvida que somos o Ego, uma Alma divina que estava em exílio. Temos de transferir a consciência para o mundo a que pertence, entrar no mundo que é realmente nosso; então nos reconheceremos como sendo o divino Ser interno, em unidade com o divino de todas as coisas. Daí em diante, já não poderemos mais questionar se somos o Eu Superior ou o eu inferior, nem haverá a exaustiva luta entre os dois polos opostos de nossa natureza, pois já não haverá dois - a consciência aprisionada e exilada se restituiu à consciência original de que se desviou, e novamente o homem é uno; é o divino Ser interno que se vale conscientemente dos três corpos como de seus instrumentos, sem estar subordinado a eles. Não busquemos reintegrar a consciência ao Ego tão somente ...

CULTIVE A EQUANIMIDADE EM SUA MENTE

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"'A mente do adepto de Yoga  deve ser como a chama firme, vertical e imperturbável de uma lamparina protegida pelo vento, dentro de um recinto sem janelas.' Quando quer que o mínimo sinal de instabilidade ocorra, você deve esforçar-se para segurar a mente, e não lhe permitir vagar. Desenvolva a consciência de que você está em tudo e cultive o sentimento de unicidade; sinta que tudo está em você. Conseguindo isso poderá assumir todos os Yogas  e ser bem-sucedido em todos. Depois disso, está liberto de todas as distinções como 'eu' e 'os outros' ou Atma⁶⁷ e Paramatam⁶⁸. As alegrias e tristezas que cheguem aos outros tornam-se suas também.  Se você não tem paciência, sua fúria é inútil. E chega mesmo a lhe ser danosa. Esta sua zanga, que nasce da falta de paciência, faz-lhe crescer a infelicidade. a habilidade de controlar esta espécie da zanga somente virá quando você puder cultivar equanimidade em sua mente. A corda da mente deve ser fortemente p...

A ORIGEM DO MEDO (PARTE FINAL)

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"(...) Uma vez que não estejamos mais identificados com a mente, não faz a menor diferença para o nosso eu interior estarmos certos ou errados. Assim, a necessidade compulsiva e profundamente inconsciente de termos sempre razão - o que é uma forma de violência - vai desaparecer. Você poderá declarar de modo calmo e firme como se sente ou o que pensa a respeito de algum assunto, mas sem agressividade ou qualquer sentido de defesa. O sentido do eu interior passa a se originar de um lugar profundo e verdadeiro dentro de você, não mais de sua mente. TENHA CUIDADO COM qualquer tipo de defesa dentro de você. Está se defendendo de quê? De uma identidade ilusória, de uma imagem em sua mente, de uma entidade fictícia. Ao trazer esse padrão à consciência, ao testemunhá-lo, você deixa de se identificar com ele à luz de sua consciência, o padrão de inconsciência irá se desenvolver rapidamente. Esse é o fim de todos os argumentos e jogos de poder, tão prejudiciais aos relacionamentos. O ...

A ORIGEM DO MEDO (1ª PARTE)

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"A doença psicológica do medo não está presa a qualquer perigo imediato concreto e verdadeiro. Manifesta-se de várias formas, tais como agitação, preocupação, ansiedade, nervosismo, tensão, pavor, fobia, etc. Esse tipo de medo psicológico é sempre de alguma coisa que poderá acontecer, não de alguma coisa que está acontecendo neste momento. Você está aqui e agora, ao passo que a sua mente está no futuro. Essa situação cria um espaço de angústia. E, caso estejamos identificados com as nossas mentes e tenhamos perdido o contato com o poder e a simplicidade do Agora, essa angústia será nossa companhia constante. Podemos sempre lidar com uma situação no momento em que ela se apresenta, mas não podemos lidar com algo que é apenas uma projeção mental. Não podemos lidar com o futuro.  Além do mais, enquanto estivermos identificados com a mente, o ego regerá as nossas vidas. Por conta da sua natureza ilusória e apesar dos elaborados mecanismos de defesa, o ego é muito vulnerável e ...

A RELIGIÃO E O YOGA

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"Uma religião que seja igualmente aceitável por todas as mentes é o que desejo propagar. Deve ser igualmente filosófica, emocional, mística e conducente à ação. Essa será a combinação ideal, a analogia mais próxima a uma religião universal. Quisera Deus que, na mente de todos os homens, essas características estivessem igualmente presentes em plenitude! Esse é o meu ideal do homem perfeito. Considero parcial a pessoa que tenha apenas um ou dois desses traços característicos; o mundo está repleto de indivíduos sectários, conhecedores somente desse caminho único que trilham; tudo o mais para eles é perigoso e terrível. Encontrar um equilíbrio harmonioso entre esses quatro caminhos é o meu ideal de religião. Essa religião é alcançável pelo que se denomina na Índia yoga , união. Para o homem de ação, é a união entre os homens e toda a humanidade: para o místico, entre seu Self  inferior e superior; para o amante, entre ele e o Deus de amor; para o filósofo, é a união com toda ...

A RESISTÊNCIA À MUDANÇA (PARTE FINAL)

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"(...) Também nos relacionamentos de adultos, ocorre o mesmo fluxo. Os níveis de intimidade variam, com períodos de maior intimidade se alternando com períodos de maior afastamento. Isso também faz parte do ciclo normal de crescimento e desenvolvimento. Para atingir nosso pleno potencial como seres humanos, precisamos ser capazes de contrabalançar nossas necessidades de união e intimidade com períodos em que precisamos nos voltar para dentro, com uma sensação de autonomia, para crescer e evoluir como indivíduos. À medida que chegamos a entender isso, não mais reagiremos com horror e pânico quando nos dermos conta de que estamos 'nos afastando' do nosso parceiro, da mesma forma que não entraríamos em pânico enquanto estivéssemos olhando a maré se afastar da costa. É claro que às vezes um distanciamento emocional crescente pode indicar sérios problemas de relacionamento (uma raiva reprimida em silêncio, por exemplo), e até podem ocorrer rompimentos. Nesses casos, med...

A RESISTÊNCIA À MUDANÇA (3ª PARTE)

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"(...) Com o desenrolar da nossa vida, passamos da tenra infância para a infância, a maturidade e a velhice. Aceitamos essas mudanças no desenvolvimento individual como uma progressão natural. Um relacionamento, entretanto, é também um sistema vivo dinâmico, composto de dois organismos que interagem num ambiente. E, na qualidade de sistema vivo, é igualmente natural e correto que o relacionamento passe por estágios. Em qualquer relacionamento, há diferentes dimensões de intimidade - física, emocional e intelectual. O contato corporal, o compartilhar de emoções, de pensamentos, e a troca de ideias são todas formas legítimas de ligação com aqueles que amamos. É normal que o equilíbrio tenha um movimento cíclico: às vezes a intimidade física diminui mas a intimidade emocional pode aumentar; em outras ocasiões, não temos vontade de trocar palavras mas só de receber um abraço. Se tivermos nossas antenas voltadas para essa questão, podemos nos alegrar com o desabrochar da paixão num...

RESISTÊNCIA À MUDANÇA (2ª PARTE)

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"(...) O conceito de impermanência desempenha um papel crucial no pensamento budista, e a contemplação da impermanência é uma prática essencial. A contemplação da impermanência atende a duas funções de vital importância dentro do caminho budista. Num nível convencional, ou num sentido corriqueiro, quem pratica o budismo contempla sua própria impermanência - o fato de que a vida é frágil e de que nunca sabemos quando iremos morrer. Quando se associa essa reflexão a uma crença na raridade da existência humana e na possibilidade de se alcançar um estado de Liberação espiritual, de se estar livre do sofrimento e dos intermináveis ciclos de reencarnação, essa contemplação serve para aumentar a determinação do praticante para usar seu tempo com maior proveito, dedicando-se às práticas espirituais que propiciarão essa Liberação. Num nível mais profundo, o da contemplação dos aspectos mais sutis da impermanência, da natureza impermanente de todos os fenômenos, tem início a busca do pr...

A RESISTÊNCIA À MUDANÇA (1ª PARTE)

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"A culpa surge quando nos convencemos de termos cometido um erro irreparável. A tortura da culpa consiste em pensar que qualquer problema seja permanente. Entretanto, como não existe nada que não mude, também a dor cede - não há problema que persista. Esse é o aspecto positivo da mudança. O negativo é que nós oferecemos resistência à mudança em quase todos os campos da vida. O primeiro passo para nos livrarmos do sofrimento é investigar uma das causas principais: a resistência à mudança. É de extrema importância investigar as causas e origens do sofrimento, como ele surge - explicou o Dalai-Lama, ao descrever a natureza sempre mutante da vida. É preciso iniciar o processo avaliando a natureza impermanente e transitória da nossa existência. Todos os objetos, acontecimentos e fenômenos são dinâmicos, mudam a cada instante; nada permanece estático. Meditar sobre a nossa circulação sanguínea poderia ajudar a firmar essa ideia: o sangue está em fluxo constante, em movimento; nunc...

ALEGRIA INCOMPARÁVEL

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"A lógica das abstinências é a mesma. A não possessividade requer não indulgência, que surge de não roubar, que surge da não falsidade, que só pode existir com a não violência. As observâncias e abstinências estão inter-relacionadas, e relacionam-se também com todo o sistema de compreensão da mente de Patañjali. A disciplina é apenas um foco em um contexto amplo; nela 'não devem interferir fatores biológicos, físicos nem sociais' (sutra 31). Os resultados da disciplina terão a medida do nosso esforço, e devemos ficar atentos a desculpas como cansaço, falta de tempo, etc. Patañjali promete a recompensa para os que se esforçam: 36. 'Para aquele que está estabelecido em satya , ou não falsidade, a própria ação é a recompensa.' 37. 'Quando estamos estabelecidos em asteya , ou não roubar, sentimos como se tivéssemos toda a riqueza do mundo.' 38. 'Quando estamos estabelecidos em brahmacarya , ou não indulgência, somos dotados de inexaurível energi...

DISCIPLINA ESPIRITUAL

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"'Pureza, contentamento, simplicidade, autoestudo e aspiração são as regras da observância' (sutra 32). A disciplina espiritual requer energia e um corpo saudável, mas o foco principal é a mente. Uma mente pura é livre de memórias, preocupações com o futuro e qualquer conteúdo não necessário à situação presente. A disciplina mental é a vigilância necessária para manter a mente 'fresca' e serena, além, é claro, da meditação, que Patañjali indica em outros sutras. O sutra 40 lembra que a pureza requer um retiro, de tempos em tempos, para 'esvaziar a cabeça'. Aceitação e contentamento não significam passividade nem resignação, mas ver as coisas como elas são e agir objetivamente. Passividade e resignação são associadas ao ressentimento, que prejudica a percepção e impede que se chegue a uma solução correta de problemas. A simplicidade, ou austeridade, é o desapego ao supérfluo, não apenas em relação aos bens materiais, mas também à própria pers...

ABSTINÊNCIA E COMPREENSÃO

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"As abstinências devem ser praticadas por meio da percepção e compreensão da nossa conduta e das nossas motivações. A não falsidade representa, além da eliminação de toda espécie de dissimulação, a capacidade de ver as coisas como elas são, e não como nós as projetamos. Mehta afirma que as projeções surgem de um passado mal resolvido; as frustrações das experiências passadas se projetam em situações novas e nos impedem de viver livremente cada momento da vida. Não roubar abrange todas as formas de imitação, ainda que sutis. Quando estamos insatisfeitos com o que temos ou somos, passamos a desejar ou a imitar a condição de outras pessoas. Esse comportamento vem do sentimento de estarmos psicologicamente incompletos. Quando não desejamos ter o que não é nosso ou ser o que não somos, experimentamos um estado de preenchimento psicológico, de satisfação pela vida. A não indulgência representa o abandono da busca de prazer. Isso não significa negar o prazer, mas parar de cor...

LIVRE COMO UMA CRIANÇA

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"A luz do puro percebimento incondicionado é a capacidade do próprio ser humano ver a vida de uma forma natural, sem as impurezas acumuladas pelos condicionamentos. O propósito da disciplina é devolver a mente ao seu estado original, como uma criança, livre das frustrações e dos processos neuróticos que acumulamos com as experiências da vida. Esses processos de condicionamento tornam a mente 'escrava' dos aprendizados de prazer e dor que modelam a nossa conduta, dos níveis mais superficiais aos mais profundos. Um exemplo fácil de entender são as limitações que as pessoas sofrem por toda a vida em função de traumas que vivenciaram na infância. No sutra 29, Patañjali explica que 'os oito instrumentos do yoga são abstinências, observâncias, postura, controle de respiração, abstração, percebimento, atenção e comunhão, ou absorção.' A parte desses instrumentos relacionada à moral são as abstinências e observâncias ( yama e niyama ), especificadas nos sutras seg...

O YOGA E A MORAL ESPIRITUAL

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"As tradições religiosas e a liberalidade da sociedade contemporânea não são capazes de solucionar as dúvidas sobre a influência do comportamento moral da nossa felicidade. Sabemos que nem a repressão nem a entrega completa à satisfação dos desejos geram felicidade; é impossível encontrar alguém feliz em meio à devassidão moral ou a um rígido ascetismo. Entretanto, se um homem comum, que segue com bom senso os costumes da sociedade e a ética religiosa, não consegue se sentir feliz, para que serve a moral, além de manter um convívio civilizado entre as pessoas? Podemos encontrar a resposta para essa pergunta nos comentários de Rohit Mehta aos Yoga-Sutras de Patañjali, um clássico do yoga escrito no século VI a.C. Essa obra aborda o caminho espiritual para a libertação da alma, e não deve ser confundida com a prática das asanas , ou posturas físicas. No livro Yoga, a Arte da Integração (Editora Teosófica, 1995), Mehta afirma que o comportamento e os mandamentos religios...

LIÇÕES A SEREM APRENDIDAS ATRAVÉS DO CONHECIMENTO DO KARMA (PARTE FINAL)

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"(...) 7. A Renúncia aos Frutos da Ação. Aqui está a es­sência de toda a filosofia, encerrada numa casca de noz. É a Ação que nos mantém presos à Roda dos Nascimentos, Mortes e Renascimentos, porque Ação é Karma. Não importa que a ação seja física, moral ou mental; ela nos encadeia às esferas de atividades regidas pelo Karma. De­vemos, então, desistir de fazer alguma coisa, por causa disso? Não! Como, então, devemos agir sem deixar que a ação tenha qualquer força repressora sobre nós? Aqui está o segredo, e não há livro no mundo que exponha mais claramente a forma do que 'A Canção do Senhor', ou Bhagavad-Gitã. Ele nos ensina a trabalhar e a agir, ofe­recendo todas as ações ao Senhor Supremo e deixando as consequências para Ele. Se trabalharmos para ter recom­pensas na Terra, sim, mesmo que trabalhemos para ser­mos recompensados no Céu, os frutos amadurecerão onde a semente foi plantada. E a Terra e o Céu nos manterão fora do Nirvana, isto é, fora do que é imensamente m...

LIÇÕES A SEREM APRENDIDAS ATRAVÉS DO CONHECIMENTO DO KARMA (2ª PARTE)

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"(...) 3. A Autoconfiança. Assim como, no passado, fi­zemos de nós o que somos hoje, também pelo que agora fizermos nosso futuro será determinado. O conhecimen­to e a lembrança desse fato e de que a glória do futuro é ilimitada devem, com o tempo, dar-nos grande autocon­fiança, e afastará aquela tendência a apelar para o auxí­lio externo, que, na verdade, em nada auxilia. Thoreau disse: 'Não conheço fato mais encorajador do que a in­discutível capacidade do homem para elevar sua vida, através de um empenho consciente.' E as derradeiras palavras de Buda foram: 'Trabalhai com diligência por vossa salvação!' No Dhammapada diz-se, também, que 'pela própria pessoa o mal é feito, pela própria pessoa vem o sofrimento; pela própria pessoa o mal é anulado, pela própria pessoa vem a purificação. Pureza e impu­reza pertencem à própria pessoa, e ninguém pode puri­ficar outrem'. 4. A Restrição. Naturalmente, se compreendermos que o mal que fazemos se voltará con...

LIÇÕES A SEREM APRENDIDAS ATRAVÉS DO CONHECIMENTO DO KARMA (1ª PARTE)

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"Quanto mais compreendemos a Lei do Karma, tan­to mais vemos o quanto devemos ser cuidadosos sobre nossos atos e pensamentos e como somos responsáveis para com o nosso próximo. Vivendo à luz desse conhe­cimento, aprendemos dia a dia certas lições. 1. A Paciência. Sabendo que a Lei do Karma é nos­sa grande auxiliar, se a servimos, e que não virá Mal al­gum para nós se trabalharmos com ela, sabendo, também, que ela nos abençoa, exatamente no tempo certo, e que o término disso tudo é o Bem final, aprendemos a gran­de lição da paciência, e aprendemos que a impaciência é um entrave ao nosso crescimento. Sofrendo, sabemos que estamos pagando uma dívida, e aprendemos, se so­mos sensatos, a não criar mais sofrimento para o futuro. Na alegria, agradecemos a sua doçura. A paciência inclui resignação e contentamento, e produz paz e segurança. 'Alcançou a perfeição' — diz o Bhagavad-Gïtã — 'o ho­mem que está contente com a sua sorte' (xviii, 45). Afas­te a ansiedade, a...