OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado diariamente com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

OBSTINAÇÃO, ORGULHO E MEDO

Resultado de imagem para OBSTINAÇÃO, ORGULHO E MEDO"Em nossa abordagem do desenvolvimento pessoal, descobrimos diversas vezes que a tríade básica que compõe o mal é o orgulho, a obstinação e o medo, sempre relacionados entre si. Todas as outras manifestações do mal afloram dessa tríade. Ademais, cada uma dessas três atitudes é uma consequência da resistência e gera mais resistência, ou seja, o mal.

A obstinação diz, 'Oponho-me a qualquer outro modo exceto ao meu'. E esse 'meu modo' é por vezes contrário à vida, contrário a Deus. A obstinação opõe-se à verdade, ao amor e à união - mesmo que pareça querer essas coisas. Quando ocorre um recrudescimento da obstinação, os aspectos divinos não podem se manifestar.

O orgulho é a resistência à unidade entre as entidades. Ele se separa dos outros e se eleva - resistindo, assim, à verdade e ao amor, ambos manifestações criativas da vida. O orgulho é o oposto da humildade, não da humilhação. A pessoa que se opõe à humildade será humilhada porque a resistência sempre tem de chegar por fim a um ponto culminante. A recusa quanto a se expor à verdade e admitir algo se deve ao orgulho. Este causa a resistência tanto quanto é resultado dela.

De um modo semelhante, a resistência gera o medo e o medo gera a resistência. O estado de tensão da resistência e a diminuição do ritmo do movimento energético toldam a visão e o objetivo da experiência. A vida é percebida como algo ameaçador. Quanto mais resistência, mais medo - e vice-versa. A resistência à verdade advém do medo de que a verdade possa ser nociva, e, por sua vez, a resistência à verdade gera esse medo. O ocultamento torna-se cada vez mais difícil e a exposição cada vez mais ameaçadora.

O medo da verdade - portanto, a resistência - nega a qualidade benigna do universo, nega a verdade do eu, com todos os seus pensamentos, sentimentos e intenções. Essa negação de si mesmo, enraizada na resistência, é, e cria, o mal.

Quando vocês querem evitar seus sentimentos, seus pensamentos e suas intenções ocultas, vocês criam a resistência. De uma ou de outra forma, essa resistência sempre está ligada ao seguinte pensamento: 'Não quero ser ferido' - quer esse ferimento seja real ou imaginário. A resistência pode se ligar à obstinação, que diz: 'Eu não devo ser ferido'; ao orgulho, que diz: 'Nunca admitirei que possa ser ferido'; ao medo, que diz: 'Se eu for ferido, provavelmente morrerei.' A resistência expressa a falta de confiança no universo. Na verdade, a mágoa deve passar, pois, tanto quanto o mal, não se trata de um estado definitivo. Quanto mais se vive o sofrimento em sua completa intensidade, mais rápido esse sofrimento volve ao seu estado original - energia fluida, movente, que cria a alegria e a bênção.

Não importa se a resistência advém da pertinácia, do orgulho ou do medo, da ignorância ou da negação do que é. A resistência obstrui Deus, o fluxo vital. Ela cria muralhas que os separam da verdade e do amor - de sua unidade interior.

Uma pessoa na senda da evolução, que busque e tateie encarnação atrás de encarnação - realizando sua tarefa, acha-se num estado interior de conflito, como vocês sabem. Num ser humano como vocês, uma grande parte já está livre e desenvolvida; mas há também em vocês desarmonia, cegueira, má vontade, resistência e mal."

(Eva Pierrakos, Donovan Thesenga - Entrega ao Deus Interior - Ed. Cultrix, São Paulo, 2010 - p. 178/179)

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

O CONFLITO E A CRISE

Resultado de imagem para O CONFLITO E A CRISE espiritual"O ser humano que se acha num estado de liberdade interior parcial - a verdade, o amor e a luz, por um lado; a teimosia, o orgulho e o medo, por outro - terá de encontrar a saída para esse conflito. Uma parte da personalidade opõe-se à verdade de que esses sentimentos e atitudes negativas lá estão, e assim procede desistindo dessas coisas, ao passo que a outra parte se esforça por desenvolver-se e se purificar. Esse estado dualista deve acarretar a crise. Permitam-me enfatizar que essa crise é inevitável. Quando dois movimentos opostos, duas formas de tensão existem numa pessoa, é mister que se chegue a um momento decisivo, que se manifesta na forma de uma crise na vida da pessoa. Um movimento diz: 'Sim, quero admitir o que é o mal; quero enfrentar a mim mesmo e deixar de lado o fingimento, que não é senão mentira. Quero desenvolver-me e dar o melhor de mim para que eu possa contribuir com a vida, assim como espero receber coisas dela. Quero renunciar às posturas infantis e de enganação, a partir das quais tento me agarrar ansiosa e ressentidamente à vida, enquanto me recuso a dar-lhe algo exceto minhas exigências e frustrações. Quero dar um basta em tudo isso e suportar com confiança os reveses da vida. Quero amar a Deus aceitando a vida como ela é.'

O outro lado insiste em dizer: 'Não. Quero que as coisas sejam do meu jeito. Quero até mesmo me desenvolver, ser decente e honesto, mas sem ter de pagar o preço de encarar, revelar ou admitir algo que me incrimine demasiadamente.' A crise resultante deve pôr abaixo a estrutura interior deficiente.

Quando a orientação destrutiva é consideravelmente mais fraca do que a construtiva, a crise é um tanto menor, pois as deficiências podem ser extirpadas sem que se prejudique toda a organização psíquica. Pelas mesmas razões, se o movimento para o desenvolvimento e a verdade é consideravelmente mais fraco do que o movimento de estagnação, de resistência e de energia negativa, a crise maior pode uma vez mais ser evitada por algum período; é possível que a personalidade permaneça estagnada por muito tempo. Entretanto, quando o movimento para o bem é forte o bastante, e ainda assim a resistência continua a bloquear o movimento da personalidade como um todo - tornando-se confusa, sem horizontes e presa de atitudes falsas e destrutivas - alguma coisa deve ceder."

(Eva Pierrakos, Donovan Thesenga - Entrega ao Deus Interior - Ed. Cultrix, São Paulo, 2010 - p. 179/180)


quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

DEUS NÃO É INJUSTO

Resultado de imagem para flores de deus"Se, para achar os seus defeitos, vocês fazem metade do esforço que comumente despendem achando os defeitos dos outros, vocês verão a ligação com a lei de causa e efeito e só isso os libertará, mostrando a vocês mesmos que não existe injustiça. Só isso lhes será a prova de que não é Deus, nem o destino, tampouco uma ordem injusta no mundo em que vocês tem de sofrer as consequências das limitações das outras pessoas, mas a ignorância, o medo, o orgulho e o egoísmo de vocês que direta ou indiretamente causarão aquilo que pareceu, até aqui, entrar no caminho de vocês sem que vocês nada fizessem para tanto. Descubram esse elo oculto e verão a verdade. Então compreenderão que vocês não são vítimas das circunstâncias nem da imperfeição dos outros, mas são realmente os que criam a própria vida. As emoções são forças criativas de grande efeito, porque o inconsciente de vocês afeta o da outra pessoa. Essa verdade talvez seja a mais importante para a descoberta de como vocês provocam os acontecimentos, quer bons, quer maus, favoráveis ou desfavoráveis da vida.

Depois que vocês passam por essa experiência, podem acabar com a imagem que têm de Deus independentemente de vocês terem medo de Deus, porque acreditam que vivem num mundo de injustiça e receiam tornar-se vítima das circunstâncias sobre as quais não têm controle, ou de rejeitarem a responsabilidade e ficarem à espera de um Deus flexível que os mime, que lhes oriente a vida, tome decisões por vocês, os poupem de dificuldades que vocês mesmos criam. A compreensão de como vocês são a causa dos efeitos da vida de vocês acabará com essa imagem de Deus. Isso constitui um dos momentos decisivos da vida de vocês.

Só esse momento lhes facultará o reconhecimento de que vocês não são vítimas; de que têm poder sobre a vida; de que são livres e de que essas leis de Deus são infinitamente boas, sábias, amáveis e seguras! Elas não visam transformá-los em fantoches, mas fazer de vocês pessoas totalmente livres e independentes."

(Eva Pierrakos, Donovan Thesenga - Entrega ao Deus Interior - Ed. Cultrix, São Paulo, 2010 - p. 53/54)

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

A BEM-AVENTURANÇA DA ALMA

Resultado de imagem para A BEM-AVENTURANÇA DA ALMA"Alimentar o desejo do luxo é o caminho mais seguro para a desgraça. Não seja escravo de coisas ou posses; elimine até suas 'necessidades'. Empregue o tempo na busca da felicidade duradoura ou bem-aventurança. A alma imortal e imutável está por trás da cortina de sua consciência, onde foram pintados o fracasso, a doença e a morte. Erga o véu da mudança ilusória e assuma sua natureza imortal. Entronize sua consciência volúvel na imutabilidade e serenidade que traz dentro de si e que são o trono de Deus, deixando que sua alma manifeste bem-aventurança dia e noite.

A natureza da alma é bem-aventurança - um estado interior perene de alegria sempre nova, incessante, que eternamente nos domina até mesmo quando passamos pelas provas do sofrimento físico e da morte. 

Não desejar não é negar; é obter o autocontrole de que necessitamos para recuperar a herança eterna de realização plena dentro da alma. Primeiro, pela meditação, dê à alma a oportunidade de manifestar esse estado e depois, permanecendo sempre nele, cumpra seus deveres para com o corpo, a mente e o mundo. Você não precisa renunciar às suas ambições e ser negativo; ao contrário, permita que a alegria duradoura, sua verdadeira natureza, o ajude a concretizar seus sonhos mais elevados. Usufrua de experiências dignas com a alegria de Deus. Cumpra seus nobre deveres com júbilo divino."

(Paramhansa Yogananda - A Sabedoria de Yogananda, Como Ter Coragem, Serenidade e Confiança - Ed. Pensamento, São Paulo, 2012 - p. 137/138)
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quinta-feira, 28 de novembro de 2019

A DESORDEM QUE O TEMPO CRIA

Resultado de imagem para A DESORDEM QUE O TEMPO CRIA"Tempo significa mover-se do que existe para 'o que deveria existir'. Eu tenho medo, mas um dia me livrarei dele. Por isso, o tempo é necessário para nos libertarmos do medo - pelo menos, é o que achamos. Mudar do que existe para 'o que deveria existir' envolve tempo. Ora, o tempo implica esforço nesse intervalo que o que existe e 'o que deveria existir'. Não gosto do medo e vou fazer um esforço para entendê-lo, analisá-lo, dissecá-lo, ou vou descobrir a casa dele ou vou escapar totalmente dele. Tudo isso implica esforço - e esforço é aquilo com que estamos acostumados. Estamos sempre em conflito entre o que existe e 'o que deveria existir'. Aquilo 'que deveria ser' é uma ideia, e a ideia é fictícia, não é 'o que sou', que é o fato; e 'o que eu sou' só pode ser modificado quando eu entender a desordem que o tempo cria.

Então, será possível me livrar total e completamente do medo no momento? Se eu permitir que o medo continue, vou criar desordem o tempo todo; por isso, vê-se que o tempo é um elemento de desordem, não um meio de nos livrarmos fundamentalmente do medo. Então, não há um processo gradual de nos livrarmos do veneno do nacionalismo. Se você é nacionalista e diz que finalmente haverá a fraternidade do homem, haverá guerras, ódio, infelicidade - enfim, toda essa terrível divisão entre os homens. Por isso, o tempo está criando desordem."


(Krishnamurti - O Livro da Vida - Ed. Planeta do Brasil Ltda., São Paulo, 2016 - p. 315)


terça-feira, 26 de novembro de 2019

TRISTEZA

Resultado de imagem para tristeza"A tristeza não tem existência concreta. Se você afirmá-la o tempo todo, ela existirá, se negá-la em sua mente, ela deixará de existir. É a isso que chamo 'o herói no homem': sua natureza divina ou essencial. Para se livrar da tristeza, o homem precisa impor seu Eu heroico às atividades diárias.

A raiz da tristeza é a carência de heroísmo e coragem no homem normal. Quando o elemento heroico falta no quadro mental de uma pessoa, sua mente fica sujeita a todas as aflições que aparecem. A vitória mental traz felicidade à vida; a derrota mental só lhe traz sofrimento. Enquanto o vencedor estiver desperto no homem, nenhum desgosto poderá mergulhar nas sombras os umbrais de seu coração.

Lágrimas e suspiros no campo de batalha da vida são a covardia, em estado puro, de uma mente fraca. Quem renuncia à luta se torna prisioneiro dentro das muralhas de sua própria ignorância. A vida não passa de uma perpétua superação de problemas. Todo problema que aguarda solução de sua parte é um dever religioso que a vida lhe impôs.

Não há vida sem problemas. No fundo, as condições não são boas nem más: são simplesmente neutras e só parecem desalentadoras ou estimulantes por causa da atitude desiludida ou entusiástica da mente.

Quando a pessoa desce abaixo do nível das circunstâncias, cede à influência dos tempos ruins, da má sorte e da tristeza. Quando paira acima das circunstâncias valendo-se da coragem interior, todas as condições da vida, não importa quão sombrias e ameaçadoras sejam, parecem o manto de névoa que se dilui aos primeiros calores do sol. Os aborrecimentos do homem normal não são inerentes às condições da vida. Eles nascem da fraqueza da mente humana. Conclame o vencedor que há em você, desperte o herói que dorme em seu interior e pronto: nenhuma tristeza obscurecerá sua porta!"

(Paramhansa Yogananda - A Sabedoria de Yogananda, Como Ter Coragem, Serenidade e Confiança - Ed. Pensamento, São Paulo, 2012 - p. 20/22)
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quinta-feira, 21 de novembro de 2019

UMA LIÇÃO DA LEI

Resultado de imagem para UMA LIÇÃO DA LEI"Essa é a grande lição ensinada pela ciência à atual geração. De há muito, muito tempo, as religiões ensinaram isso dogmaticamente mais do que racionalmente. A ciência prova que o conhecimento é a condição da liberdade e que só quando o homem tiver conhecimento é que poderá se impor. O homem da ciência observa as sequências. Realiza repetidamente os testes de sua experiência e elimina tudo o que é casual, colateral, irrelevante. E devagar, com segurança, descobre o que constitui uma invariável sequência causativa. Uma vez seguro dos fatos, age com certeza indubitável, e a natureza, sem sombra de recuo, recompensa com o sucesso a racionalidade da sua segurança.

Dessa segurança nasce a 'sublime paciência do pesquisador'. Luther Burbanker, na Califórnia, semeará milhões de sementes, selecionará alguns milhares de plantas, cruzará algumas delas, e assim marchará, pacientemente, para os seus fins. Ele pode confiar nas leis da natureza, e, se falhar, saberá que o erro partiu dele, não delas. 

Há uma lei da natureza que dá às massas de matéria a tendência de mover-se na direção da terra. Deveria eu dizer, então 'Não posso subir escadas? Não posso voar no ar?' Não. Há outras leis. Eu oponho à força que me prende ao chão uma outra força armazenada em meus músculos, e, por esse meio levanto o meu corpo. Uma pessoa cujos músculos estejam enfraquecidos pela febre pode ter de ficar no chão, indefesa. Eu, porém, rompo essa lei, conclamo a força muscular e subo as escadas.

A inviolabilidade da Lei não retém - a Lei liberta. Ela torna a Ciência possível e racionaliza o esforço humano. Num universo sem lei, o esforço seria vão, a razão seria inútil. Seríamos selvagens, tremendo sob o aperto de forças estranhas, incalculáveis onde o hidrogênio é agora inerte, mas logo mais se tornará explosivo, em que o oxigênio proporciona vida hoje e sufoca amanhã! Num universo sem lei não ousaríamos fazer um só movimento, pois não saberíamos qual seria a ação que ele iria provocar. Nós nos movemos com segurança, é verdade, porque contamos com a inviolabilidade da lei,"

(Annie Besant - Os Mistérios do Karma e a sua Superação - Ed. Pensamento, São Paulo, 2010, p.37/38)www.pensamento-cultrix.com.br


terça-feira, 19 de novembro de 2019

UM ESTUDO SOBRE O KARMA

Resultado de imagem para um estudo sobre o karma"Entre as muitas dádivas esclarecedoras transmitidas pela Sociedade Teosófica ao mundo ocidental, a que se refere ao conhecimento do karma talvez seja a segunda em importância, depois da lei da reencarnação. O conhecimento do karma afasta o pensamento e o desejo do homem do âmbito dos acontecimentos arbitrários, levando-os para a região da lei, colocando assim o futuro do homem sob seu próprio controle, a partir da extensão do seu conhecimento.

A principal concepção de karma - 'Tal como o homem semeia, assim colherá' - é fácil de apreender. Contudo, a sua aplicação detalhada na vida diária, o método de ação desse princípio e suas consequências a longo prazo são dificuldades que se tornam desnorteantes para o estudante, à proporção que amplia o seu conhecimento. Os princípios em que as ciências naturais se fundamentam são, em sua maioria, facilmente assimiláveis para as pessoas de regular inteligência e instrução comum; contudo, quando o estudante passa dos princípios para a prática, do esboço para os detalhes, descobre que as dificuldades pressionam e que, se quiser dominar totalmente o assunto, será obrigado a tornar-se um especialista e a devotar longos períodos para desembaçar os emaranhados com que se defronta. O mesmo acontece com a ciência do karma: o estudante não pode permanecer sempre no período das generalidades. Deve estudar as subdivisões da lei primeira, deve procurar aplicá-la a todas as circunstâncias da vida, deve aprender até onde ela o obriga e de que forma é possível a libertação. Deve aprender a observar o karma como lei universal da natureza como um todo, só poderá conquistá-la e dominá-la obedecendo às suas leis."

(Annie Besant - Os Mistérios do Karma e a sua Superação – Ed. Pensamento, São Paulo, 2001 - p. 9/10


quinta-feira, 14 de novembro de 2019

O DESPERTAR DO ENTENDIMENTO

Resultado de imagem para O DESPERTAR DO ENTENDIMENTO"Uma vez um amigo meu, de seis anos de idade, me perguntou: 'Finge que você está cercada por mil tigres famintos. O que você faz?' Eu visualizei a situação sugerida por ele e, sem conseguir chegar a um plano de ação viável, eu disse: 'Poxa, não sei. O que você faria?'. E ele respondeu: 'Eu parava de fingir'.

De muitas maneiras, o que costumamos fazer (fingir que somos alguém, que temos algo a demonstrar, engrandecer a ideia que fazemos de nós mesmos) é semelhante a imaginar que estamos cercados por mil tigres famintos. É um estado de medo baseado numa ilusão criada por nós mesmos. Sempre que nos vemos como um agente separado - um alguém - de certa maneira entramos em competição com outros 'alguéns' e precisamos nos proteger deles. Junto com as crenças no 'eu', no 'mim' e no 'meu' vêm o medo e os desejos. É um pacote fechado. Despertar significa a recusa de se permitir ter pesadelos como esse - é a simples decisão de parar de fingir. Fora isso, nada mais é necessário. Você não tem que acrescentar coisa alguma. Basta parar de dar atenção a pensamentos e crenças que não são verdade; então, sem qualquer esforço, essa beleza que você é, sua verdadeira natureza, aparecerá em todo o seu esplendor.

Uma metáfora clássica desse tipo de situação são as nuvens cobrindo o sol. Todos sabemos que as nuvens acabam passando; todos reconhecemos que o sol apenas se esconte atrás das nuvens, e que ele permanece presente o tempo todo. Da mesma forma, nossa verdadeira natureza, embora às vezes oculta, brilha sempre.

No entanto, se nossa verdadeira natureza é tão simples, tão acessível, tão óbvia, por que é tão comum que as pessoas não consigam percebê-la? Por que as pessoas fazem tanto esforço praticando técnicas, programas e religiões, apenas para se tornarem ainda mais entrincheiradas em ideologias, chegando mesmo a guerrear em defesa de sua 'fé'?

A resposta está no investimento que elas fazem em suas crenças. Uma vez entrevistei Krishnamurti. No início de uma pergunta que começava com as palavras 'você acredita que...', ele me interrompeu e disse: 'Eu não acredito em coisa alguma.' Mas a maioria das pessoas acredita em seus próprios pensamentos. Caso elas, por um longo tempo, tenham pensado muito sobre um determinado assunto, sentem que há um investimento de longo prazo nas crenças representadas por esses pensamentos. A boa notícia é que, em primeiro lugar, não precisamos acreditar em nossos pensamentos; em segundo lugar, não perdemos nada ao abandonar esse investimento de longo prazo nas coisas em que acreditamos. Pelo contrário; sem crenças em nossos pensamentos costumeiros, passamos a pensar com mais clareza. Assim afirmou Suzuki Roshi, quando disse: 'Na mente principiante há muitas possibilidades. Na mente especialista, há poucas.'

As crenças nos aprisionam num modo fixo de percepção que filtra a realidade como uma peneira e condiciona nossa real experiência de vida. Experimentamos aquilo em que acreditamos. Se temos a crença de que o mundo é um lugar perigoso, teremos a experiência de estar cercados de perigo por todos os lados. Se acreditamos ter sido maltratados na infância, viveremos como vítimas e nos sentiremos injuriados a cada momento. Se acreditamos que algo mais é necessário para que sejamos felizes - mais dinheiro, mais sexo, mais poder, mais fama - experimentaremos a carência, independentemente das bênçãos divinas à nossa volta."

(Catherine Ingram - O despertar do entendimento - Revista Sophia, Ano 15, nº 69 - p.33)


terça-feira, 12 de novembro de 2019

O QUE É A GRAÇA?

Resultado de imagem para a graça "'O que é a graça? As pessoas a confundem com o favor divino, como se Deus pudesse ser comprado ou adulado no sentido de fazer algo que de outro modo não faria.

'Certa vez, conheci um homem que colocou cem dólares no prato de coleta durante um serviço da igreja numa manhã de domingo. Depois, ele expressou desapontamento quanto ao fato de Deus não lhe ter atendido às preces que acompanharam a sua oferta. Bem, Deus já era aquela oferta! Deus observa o coração, não o prato da coleta!

'Com respeito a isso, é quase tão ruim o fato de as pessoas dizerem que, para ser salvo, você precisa 'Acreditar! Acreditar!'; será que pensam que Deus precisa se afirmar por meio da crença que essas pessoas têm nEle? Ele observa o que elas são por dentro, e não a opinião que elas têm sobre as coisas.

'Um homem que se considera ateu, de fato pode algumas vezes estar mais próximo de Deus, em virtude do seu amor com relação às outras pessoas, do que muitos que acreditam em Deus, mas cujos atos com respeito ao próximo não são caridosos. Deus, também nesse caso, observa as ações das pessoas, não as suas palavras.

'Evidentemente, é sempre bom dar dinheiro a uma causa espiritual. A pessoa cria um bom karma procedendo assim. Também é melhor acreditar em Deus do que negá-Lo, pois sem a crença você não se esforçará no sentido de O encontrar. Mas não pense que Deus possa ser subornado ou adulado no sentido de lhe conceder Sua graça. A única coisa que pode vencê-Lo é o seu amor.

'O que é, pois, a graça? É o poder de Deus, que é diferente e maior do que qualquer outro poder. Devido ao fato de Deus ser a única Realidade, dEle também é o único poder na existência. Vistos a essa luz, nossos esforços humanos são ilusórios. É o poder dEle, até mesmo quando recorremos a ele inconscientemente, que realiza todas as coisas que alcançamos na vida. E os nossos fracassos se devem à falta de harmonia da nossa parte com esse poder.

'A graça de Deus flui até nós à medida que nos tornamos cada vez mais receptivos a Ele. Ela não vem até nós do mundo exterior. Trata-se de um processo da nossa própria realidade superior, e esse processo ocorre dentro de nós. A graça é concedida quanto vivemos mais com a consciência da alma e menos concentrados no ego.'"

(Paramhansa Yogananda - A Essência da Autorrealização - Ed. Pensamento, São Paulo, 2010 - p. 109/110)


quinta-feira, 7 de novembro de 2019

ATENÇÃO COMPLETA

Resultado de imagem para homem admirando uma flor"O que é atenção? Existe atenção quando estou forçando minha mente a se ocupar? Quando digo para mim mesmo: 'Eu preciso prestar atenção, controlar minha mente e pôr de lado todos os outros pensamentos' - você chamaria isso de atenção? Certamente não é. O que acontece quando a mente se obriga a prestar atenção? Ela cria uma resistência para evitar que outros pensamentos se infiltrem; está preocupada com a resistência, com o afastamento. Por isso, é incapaz de atenção. Isso é verdade, não é?

Para entender algo totalmente você precisa estar completamente atento. No entanto, logo descobre como isso é extraordinariamente difícil, porque a mente é usada para ser distraída. Então, você diz: 'Por Deus, é bom prestar atenção, mas como vou fazer isso?'. Você está novamente com o desejo de obter algo, então nunca estará completamente atento... Quando você vê uma árvore ou um pássaro, por exemplo, estar completamente atento não é dizer 'Essa árvore é um carvalho' ou 'Esse é um papagaio', e sair andando. Ao dar um nome você já deixou de prestar atenção... Enquanto estiver totalmente consciente, totalmente atento ao olhar par algo, você vai descobrir que ocorre uma transformação absoluta, e essa atenção completa é a legítima. Não há outra, e você não consegue atentar-se totalmente mediante a prática. Com a prática você consegue a concentração, ou seja, você constrói muros de resistência - e dentro deles está a concentração. Mas isso não é atenção, é exclusão."

(Krishnamurti - O Livro da Vida - Ed. Planeta do Brasil Ltda., São Paulo, 2016 - p. 191)


terça-feira, 5 de novembro de 2019

UMA ÉTICA GLOBAL

Resultado de imagem para UMA ÉTICA GLOBAL"Em Chicago houve uma reunião do programa do Parlamento das Religiões do Mundo, com líderes religiosos e espirituais de muitas tradições. O objetivo era a declaração a respeito de 'Uma Ética Global', expressando a preocupação em estabelecer valores essenciais para a sobrevivência do mundo. Foi assinalado que, se as atuais políticas continuassem, o mundo no século XXI seria mais povoado, mais poluído, menos estável econômica e ecologicamente e mais vulnerável a uma ruptura violenta.

Os princípios éticos defendidos incluíam tratamento humanitário para todas as pessoas, uma cultura de não violência, justiça e tolerência, e o comprometimento com a igualdade. Afirmou-se que uma nova ordem global não pode ser impingida por leis e convenções apenas, mas nascer nos corações e nas mentes das pessoas.

Líderes religiosos e espirituais têm uma enorme responsabilidade. Eles podem inspirar seus seguidores e fazer com que suas tradições dsempenhem papel essencial na cura da Terra, pela promoção de atitudes de tolerância, amor e altruísmo, construíndo um futuro verdadeiramente benéfico para a humanidade.

Porém, devemos notar que a moralidade decai quando são erradas as suposições básicas a respeito da vida na mente das pessoas. Um ensinamento ético profundamente valioso já existe em todas as religiões - suficiente para elevar a consciência a um alto nível de harmonia interior e de sintonia com o mundo. Mas uma filosofia de vida válida e uma visão de mundo correta também devem ser ensinadas, juntamente com a reiteração de princípios éticos.

No momento atual, de fortes pressões e desafios (inclusive o enorme crescimento da população), é essencial uma perspectiva filosófica que apoie e racionalize a instrução ética. O ensinamento de Jesus - fazer aos outros o que gostaria que fizessem contigo - parece logicamente correto, à luz de uma filosofia fundamentada na indivisibilidade da existência.

É importante também que os ensinamentos morais sejam reforçados por conceitos corretos a respeito do que o ser humano é e como seu futuro será moldado. As religiões que ensinam que há apenas um curto período de vida para a pessoa provar que é virtuosa estão assentando a base para a desobediência. A crença numa única vida faz com que o homem médio viva de maneira gananciosa; o medo da morte e a ameaça da danação eterna inculcam uma feroz luta pela vida.  

Uma ética global com um padrão de conduta independente de filiações religiosas é necessário para evitar que o século XXI se torne pior que o século XX. Também é necessário ensinar às pessoas uma filosofia em que a ação ética se torne natural para o homem."

(Radha Burnier - Viver com ética - Revista Sophia, Ano 16, nº 74 - p. 14/15)


quinta-feira, 31 de outubro de 2019

CONSCIÊNCIA MUNDIAL

Resultado de imagem para CONSCIÊNCIA MUNDIAL"O caráter distintivo do mundo moderno rebaixa o autocontrole; muitas vezes, a disciplina pessoal é anátema para aqueles educados nas modernas linhas racionalistas que repudiam as noções tradicionais. Embora seja desejável examinar os valores tradicionais, poderá a sociedade continuar a ser civilizada se seus membros se recusarem-se a abraçar o imperativo moral?

A rigidez da moralidade fundamentalista é uma reação a essa atitude relativista. O fundamentalismo simplifica todas as questões e respostas; por isso a moralidade torna-se uma afirmativa dogmática. No entanto, a complexidade de vida não poder ser reduzida ao sim e não, convenientes aos intérpretes da tradição.

A percepção ética deve tornar-se viva através da pesquisa, da discussão inteligente e da promoção de um senso de responsabilidade para com o ambiente e a sociedade. Não podemos nos esquivar das questões éticas, seja em política, adminstração, educação ou comportamento. Educadores, intelectuais, religiosos e pessoas engajados em reconstrução social devem enfrentar esse desafio.(...)"

(Radha Burnier - Viver com ética - Revista Sophia, Ano 16, nº 74 - p. 14)


terça-feira, 29 de outubro de 2019

O IMPERATIVO ÉTICO

Resultado de imagem para imperativo ético"Em muitas partes do mundo a violência nas ruas, escolas e lares lança uma sombra obscura. Esses são apenas alguns dos muitos sintomas perturbadores da doença moderna. Durante décadas tem sido moda descobrir desculpas psicológicas para o crime. Recentemente, após o terrível ataque por um grupo de jovens a uma mulher desprotegida que caminhava no Central Park, em Nova Iorque, houve uma enxurrada de explicações dos indefensáveis atos, nas poucas declarações claras condenando a brutalidade. Sem dúvida existem causas sociais e psicológias por trás de cada delito, mas elas não esclarecem os motivos da violência.

A corrupção também é um cancro devorando a saúde da sociedade. Nos países economicamente subdesenvolvidos ela parece ser um modo de vida, mas as nações ricas também estão longe de demonstrar retidão ética. Se há menos incidência de corrupção nas nações ricas, é porque os ricos pensam que a fraude só vale a pena em grande escala.

Educadores enfrentam o problema de comunicar o senso ético aos estudantes em escolas e faculdades. Os cérebros modernos não parecem responder favoravelmente aos antigos métodos de transmitir ideias de honestidade, verdade, jogos justos e consideração para com os outros. Uma abordagem proselitista confunde os jovens. Eles veem também que a conduta dos mais velhos não corresponde aos ensinamentos. A promiscuidade mental e física está tão indentificada com a liberdade individual que é difícil compreender que estamos mergulhados em desordem. (...)"

(Radha Burnier - Viver com ética - Revista Sophia, Ano 16, nº 74 - p. 13/14)


quinta-feira, 24 de outubro de 2019

VIVER COM ÉTICA

Resultado de imagem para viver"Viver com ética envolve realizar cada ação de maneira que, de momento a momento, ocorra uma purificação. Toda ação tem por objetivo a purificação da psique, do coração e também da mente.

Há pessoas que usam suas atividades para promover as próprias ambições. Um dos traços mais comuns da mente é que ela tenta explorar tudo para benefício próprio. Mas a questão não é tanto o que fazer a respeito de pessoas que agem assim; é muito mais importante descobrir nossa própria reação interior. Essa purificação ocorre em nossa mente como resultado de enfrentarmos os fatos?

Cada ser humano precisa encarar o fato de que vive num mundo que é uno e, contudo, está cheio de distinções múltiplas. Como enfrentamos esse desafio? De uma maneira que disperse as nuvens da má vontade, do egoísmo, da ignorância, para que nossa natureza interior se torne mais luminosa? Ou será que vivenciamos os problemas e as dificuldades nos enclausurando ainda mais nas trevas?

A grande lei da harmonia que rege o universo contínua e infalivelmente provê oportunidades para cada indivíduo, sem exceção. Ela é infalível, inabalável, e traz a cada um, na devida medida, aquilo de que ele precisa. No entanto, deve-se aprender a receber a mensagem não apenas em grandes momentos, mas nos pequenos eventos da vida.

O modo ético de viver é um momento de inteligência crescente. Aquele que é capaz de responder de maneira inteligente aos pequenos e aos grandes eventos da vida aprende a agir corretamente. Inteligência e ação, inteligência e amor, inteligência e um senso de harmonia e paz não podem ser divorciados. Nossas ações, encontros e contatos podem nos ensinar a crescer em plenitude.

Nós nos limitamos porque não conseguimos reconhecer que a partir do coração podem florescer maravilhosas capacidades que agora estão ocultas. O propósito da vida é tornar possível o florescimento da beleza e do esplendor latentes em cada ser humano. (...)"

(Radha Burnier - Viver com ética - Revista Sophia, Ano 16, nº 74 - p. 13)


terça-feira, 22 de outubro de 2019

O CICLO DO SER E DO EXISTIR

Resultado de imagem para o ciclo do ser e do existir"Tudo que Existe egressa do Ser
E regressa ao Ser.
O Ser é o Insondável Tao.
Das profundezas do Ser
Nascem todos os seres que existem
O Ser, porém,
É o abismo do Não existir.

EXPLICAÇÃO: O Ser é eterno, sem princípio nem fim. É Brahman, a Divindade, o Infinito, o Uno. Mas é da íntima natureza do Ser manifestar-se sempre de novo em existir, assim como o Uno se revela no Verso, o Infinito no Finito.

Quando o Finito egride do Infinito, falamos em 'nascer' - quando ele regride à sua origem, falamos em 'morrer'.

Nascer e morrer não são princípios nem fins, são apenas etapas evolutivas na base do eterno Ser. São como ondas que se erguem e recaem no seio do mar."

(Lao-Tse - Tao Te King, o Livro Que Revela Deus - Tradução e Notas de Huberto Rohden - Fundação Alvorada para o Livro Educacional, Terceira Edição Ilustrada - p. 113/114)


quinta-feira, 17 de outubro de 2019

QUEM TEM FÉ EM DEUS ESTÁ LIVRE DA DÚVIDA


Resultado de imagem para QUEM TEM FÉ EM DEUS ESTÁ LIVRE DA DÚVIDA"Cada um de nós possui o livre arbítrio. Essa liberdade interna da vontade é, em realidade, a liberdade do Atman interior. Sri Ramakrishna costumava dizer: 'Despertem o poder desse Atman que reside em seu interior.' Afinal de contas, qual é o significado e o propósito das práticas e disciplinas espirituais? É fortalecer a vontade, a vontade de alcançar Deus nesta mesma vida. À medida que a mente se purifica, a vontade se torna cada vez mais forte. Trata-se de pura indolência relaxar essa vontade e acreditar que irão realizar Deus num futuro próximo. Pensem em Buda. Que homem determinado era ele! Depois de anos de busca incessante, finalmente sentou-se sob uma árvore determinado a realizar Deus ali e naquela mesma hora, ou morrer na tentativa. Isso é o essencial. 

Vou lhes revelar um segredo. Vocês talvez não compreendam seu significado agora, mas, com o tempo, reconhecerão essa verdade: a vontade e a mente de cada homem conduzem-no progressivamente para Deus. Alguns são levados por vias espinhosas, outros por caminhos mais suaves; todos, porém, alcançam a mesma meta. Sabendo disso, alguns mestres iluminados aconselham a prática da seguinte disciplina espiritual: deixe que a mente e a vontade vagueiem sem rumo certo. Mantenham-nas, porém, sob cuidadosa vigilância. Sejam espectadores. Dessa maneira, mesmo que por algum tempo a mente possa correr atrás de sujeiras e vaidades do mundo, se o aspirante espiritual realmente mantiver constante vigilância, com o tempo, ela lentamente se voltará para Deus. 

Ah! Quem pode compreender os desígnios de Deus infinito? Tentar expressá-Lo através da mente ou da palavra é limitá-Lo. (...)"

(Swami Prabhavananda e Swami Vijoyananda - O Eterno Companheiro - Ed. Vedanta, São Paulo - p. 261/262)


terça-feira, 15 de outubro de 2019

O MUNDO INTERIOR EM CONTRAPOSIÇÃO AO MUNDO EXTERIOR

"Os sentidos são a raiz da consciência material. O indivíduo comum está mais inclinado para o mundo e para as coisas materiais do que para as coisas espirituais, porque os faróis de seus cinco sentidos - visão, audição, olfato, paladar e tato - estão direcionados para o exterior, isto é, aos objetos e prazeres materiais. É por isso que tudo lá fora parece lindo e agradável. Nunca se contempla o 'mundo interior' a menos que os faróis se invertam e se focalizem ali. Só quando aprender a não se deixar levar pela operação dos sentidos é que você conseguirá desfrutar da consciência espiritual.

Quando você se interioriza, começa a perceber que há muito mais maravilhas no mundo interior do que no exterior. Se gosta da música deste mundo, descobrirá que a música astral é muito mais encantadora. Da mesma forma que aprecia a carícia de um brisa refrescante, o calor do sol e outras sensações saudáveis, quando você tem a consciência voltada para dentro sente as percepções sutis, extremamente agradáveis, das forças situadas nos centros espirituais do eixo cerebrospinal do corpo. Todas as coisas belas deste mundo nada mais são do que uma grosseira réplica da radiante grandiosidade do mundo astral. Nada material pode se comparar às maravilhosas visões do mundo interior. A consciência espiritual leva à percepção da sabedoria e da beleza que existem por trás de todos os fenômenos materiais.

A beleza da natureza é como uma fonte: você vê como a névoa de água é bonita mas não enxerga as maravilhas dentro de cada gota. A luz e a cor astral por trás de cada átomo são indescritivelmente belas. Na fonte de esplendor da natureza você vê apenas o exterior grosseiro, mas não a sutil beleza interior, nem o Poder que confere essa beleza à natureza. 

'Ó Senhor, todas as coisas são formosas porque Tu lhes emprestaste a beleza que possuem. A lua sorri e as estrelas cintilam porque lá estás, fulgurante. Como Tu és belo, tudo é belo; sem Ti, nada seria bonito. Ó Beleza Infinita, és mais bela do que todas as coisas belas que vêm de Ti. Os encantos da natureza nada mais são do que ondas de Tua beleza dançando em Ti, Ó Espirito Invisível da Beleza!'"

( Paramahansa Yogananda - O Romance com Deus - Self-Realization Fellowship - p. 88/89)
http://www.omnisciencia.com.br/livros-yogananda/romance-com-deus.html


quinta-feira, 10 de outubro de 2019

A IDEOLOGIA IMPEDE A AÇÃO

"O mundo está sempre próximo de catástrofe. Mas agora parece estar ainda mais próximo. Observando a catástrofe que se aproxima, a maioria de nós a abriga na ideia. Achamos que essa catástrofe, essa crise, pode ser resolvida por uma ideologia. A ideologia é sempre um impedimento ao relacionamento direto, o que também impede a ação. Queremos a paz apenas como ideia, mas não como realidade. Queremos a paz no nível verbal, ou seja, no nível do pensamento, que orgulhosamente chamamos de nível intelectual. Mas a palavra paz não significa paz. A paz só pode existir quando cessar a confusão que o homem criou. Estamos ligados ao mundo das ideias e não à paz. Buscamos novos padrões sociais e políticos, não a paz. Estamos preocupados com a reconciliação dos efeitos, e não em pôr de lado a causa da guerra. Essa busca trará apenas respostas condicionadas pelo passado. E esse condicionamento é o que chamamos de conhecimento, experiência; os fatos recentemente alterados são traduzidos e interpretados segundo esse conhecimento. Então, há conflito entre o que existe e a experiência que foi acumulada. O passado, que é o conhecimento, estará sempre em comflito com o fato, que sempre está no presente. Portanto, isso não resolverá o problema, mas perpetuará a condição que o criou."

(Krishnamurti - O Livro da Vida - Ed. Planeta do Brasil Ltda., São Paulo, 2016 - p. 66)


terça-feira, 8 de outubro de 2019

EMPREGO DOS TALENTOS

"Se você é dono de uma cadeia de jornais, não se esqueça de que é dono apenas durante algum tempo; o investimento que Deus lhe confiou é de liquidez absolutamente imprevisível.

A qualquer hora, tudo que supõe possuir pode ser definitivamente perdido. Ninguém é eterno, portanto, a posse, seja do que for, também não é.

Se você tem apenas uma vassoura para limpar as ruas, como empregado da limpeza urbana, não se esqueça de que o Investidor lhe confiou este tão pequenino talento para você fazer render.

Num e noutro caso, a verdade é que o Investidor vai cobrar a renda do investimento. E nisto o magnata que nada rendeu, que esperdiçou ou desviou o investimento, terá muito a lamentar, enquanto que o humilde gari, se fez render o pouquinho que lhe foi confiado. 'entrará na alegria do Senhor'.

Ajuda-me, Senhor, a gerenciar
bem o que me confiaste."

(Hermógenes - Deus Investe em Você - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1985 - p. 57/58)


quinta-feira, 3 de outubro de 2019

CRESCIMENTO DA ESPIRITUALIDADE

"(...) Todas as coisas crescem em ciclos. Um dia segue outro dia, uma primavera segue outra primavera, uma vida na escola da Terra segue outra vida, até que o maior de todos os ciclos seja concluído, e o espírito volte para Deus que foi quem o deu. 'Quando aquele que o tirou da profundeza sem limite, volta mais uma vez para casa.' (Tennyson) De um estado primário de inocência, ele come o fruto da Árvore do conhecimento do bem e do mal, isto é, entre o contínuo jogo dos pares de opostos, desenvolvendo a autoconsciência e a automotivação e, chegada a hora, comendo da outra Árvore, a Árvore da imortalidade consciente.

A palavra sânscrita vritti significa aproximadamente 'comprimento da onda.' Todas as formas e os fenômenos da Natureza são 'comprimentos de onda' - o princípio da limitação - visível ou não para os olhos físicos. Talvez possamos agora compreender a definição de H.P.B. sobre espiritualidade: 'o poder de perceber essências espirituais sem forma.'

Penso que isso quer dizer também se erguer acima dos pares de opostos e, no fim, ficar imune a eles. Os pares de opostos não são reais. Eles existem para ajudar nossa autoconsciência a evoluir. No mundo do Real não há nem bem nem mal, nem sagrado nem profano, mas um poder forte, santo, glorioso e eterno, levando o homem para sua final bem-aventurança e realização.

Mas não podemos destruir nosso egocentrismo combatendo-o. O que apenas o acentuaria. É melhor 'transcendê-lo.' Desistamos de pensar tanto sobre nós mesmos, ou de nos preocuparmos com o que acontece a esse pequeno eu e em seu lugar pensemos mais sobre 'o grande, o sublime, o belo, que são a sombra de Deus na Terra' (Mazzini). A meditação clássica do Senhor Buda diz-nos: Antes de tudo ajustemos nossos corações, de modo que ambicionemos a felicidade e o bem-estar de todos os seres, incluindo mesmo a felicidade de nossos inimigos. Depois representemos vividamente para nós mesmos todos os desgostos e as incapacidades dos outros, até que uma profunda compaixão comova nossa alma. Outra vez pensemos sobre a alegria e prosperidade dos outros, regozijando-nos por sua boa fortuna. Por último, nos ergamos em pensamento acima do amor e do ódio, da fortuna e da necessidade, do sucesso e do fracasso etc, encorajando nosso próprio destino com calma e imparcial e tranquilidade perfeita.

Essa estrutura da mente, se nos for possível verdadeiramente alcançá-la, irá livrar-nos de muitos desgostos. Não cogitaremos quem é importante ou quem não é importante, ou se somos importantes, ou se não somos importantes. O Mestre diz que o crescimento da espiritualidade nos fará 'indiferentes ao fato de sermos fortes ou fracos, instruídos ou não instruídos.' Aos olhos do espírito não há pequeno em grande. Tudo é amado, tudo é importante. (...)"

(Clara Codd - As Escolas de Mistérios - Ed. Teosófica, Brasília, 1998 - p. 142/143)
www.editorateosofica.com.br


terça-feira, 1 de outubro de 2019

COMPAIXÃO: A BASE PARA A PAZ (PARTE FINAL)

"(...) Quando há compaixão no coração a Terra parece um lugar de mais beleza e riqueza. Há uma mudança externa, e as qualidades da paz e da compreensão começam a se disseminar. Sem o crescimento da compaixão  no coração e na mente de uma pessoa, o impacto não será sentido pelas outras pessoas que entram em contato com sua fonte. Elas veem apenas o ser humano comum, talvez mostrando algumas diferenças no nível externo. Quando a compaixão chega ao ponto onde seu impacto transparece no exterior, é sinal de que existe uma riqueza interior que cresce e se torna manifesta em forma de paz e compreensão.

A compreensão é resultado de uma atitude compassiva: refere-se à resposta normal de uma pessoa em que a paz é predominante. Pode haver paz mesmo quando uma outra pessoa incide em erro. Aquele que possui compreensão responde pacificamente a tudo, mesmo às afirmações ou às ações de alguém que não tenha as qualidades que geraram a paz. Isso porque ela sabe que, em longo prazo, mesmo aqueles que não sabem o que fazem no presente um dia aprenderão.

A histório de Buda, ao se defrontar com a violência de Angulimala, é um exemplo que serve para mostrar isso. Angulimala era um homem que costumava roubar as pessoas e matá-las sempre que tinha vontade. Ele se aproximou de Buda com essa atitude, fazendo com que todos à sua volta fugissem. Buda era tão digno e compassivo que a violência em Angulimala arrefeceu e as tendências criminosas converteram-se em atitudes de devoção, em vontade de aprender com o mestre. Essa história, como tantas outras, não deve ser considerada literalmente, mas simbolicamente.

Com o tempo, até mesmo o terror, a incerteza e as más inteções desaparecem quando defrontadas com a compaixão e as qualidades gentis de uma pessoa espiritualizada. O bem é eterno, enquanto o mal é efêmero. O bem triunfará sempre, e as pessoas que são verdadeiramente compassivas sabem disto. Esse é um dos importantes ensinamentos transmitidos por Buda de várias maneiras.

Tanto a compreensão quanto o sentimento de paz se tornarão parte de qualquer civilização onde as pessoas se empenhem no processo de assimilar os ensinamentos da compaixão como uma virtude fundamental. Ela deve ser considerada como uma base sólida para todas as coisas que precisam ser feitas durante nossa trajetória no mundo físico. A compaixão não é tema apenas para pessoas religiosas, nem para ser praticada quando alguém está se sentindo mais compreensivo com relação a uma outra pessoa. É uma qualidade a ser praticada o tempo inteiro, com a plena certeza de que o resultado será o progresso na direção da perfeição de todos os homens e mulheres."

(Radha Burnier - Compaixão: a base para a paz - Revista Sophia, Ano 12, nº 48 - p. 22/23)


quinta-feira, 26 de setembro de 2019

COMPAIXÃO: A BASE PARA A PAZ (1ª PARTE)

"A compaixão é a base para se viver como um verdadeiro ser humano. O que geralmente consideramos viver é apenas uma parte mecânica da vida, que deve ser entendida como um terreno onde a compaixão nasça, é nutrida e floresce, levando o ser humano à plenitude de seu potencial.

A palavra compaixão sugere um sentimento apaixonado por aquilo com que se entra em contato. Mas o que quer dizer um sentimento apaixonado? Ele sugere a unidade de que falamos ao contemplar a Teosofia. Essa unidade não é apenas mental, nem apenas sentimental, por mais profunda que possa parecer. É, na verdade, uma percepção que inclui tudo, que faz a pessoa compreender as necessidades do outro, mesmo que o outro não compreenda a sua própria vida. É uma paixão, não simplesmente um sentimento. Os sentimentos podem ser superficiais e mudar de tempos em tempos: essa é a sua natureza. Mas a paixão que trabalha por todas as pessoas e coisas, e através delas, é algo que nunca muda. Ela busca o progresso e a perfeição de todos os seres.

Progresso e perfeição têm a ver não apenas com o lado físico e mecânico de um indivíduo, mas com o senso de unidade que surge das profundezas e exige que todos desfrutem de felicidade e beatitude. Portanto, a compaixão busca não apenas a satisfação das necessidades físicas, emocionais e intelectuais, mas exige uma visão ampla e clara do crescimento de cada pessoa. Em conformidade com essa visão, cada indivíduo crescerá e florescerá segundo sua própria natureza, mas em unidade com a natureza dos outros. Certamente isso torna o todo muito maior do que suas partes. O todo é imaginavelmente belo, mostrando diferentes facetas em diferentes momentos. O atingimento dessa unidade é parte do destino humano. Quando ela é alcançada, do ponto de vista da evolução, o homem verdadeiramente se torna o que deve ser.

Antes de chegar a esse ponto, temos que aprender muito. O processo ocorre lentamente. São necessárias muitas encarnações antes que cada pessoa passe por experiências suficientes e finalmente chegue ao conhecimento interior que começa a lançar luz sobre as experiências. Esse processo, visto por olhos ignorantes, parece não existir, ou essa experiência não parece ocorrer como imaginada, e cada encarnação parece não ter sentido. Mas mesmo então, a alma - um termo que usamos por falta de outro melhor - reconhece alguns aspectos da verdade, sem conhecê-la no nível externo.

O valor de uma encarnação após uma longa jornada é que a pessoa chega ao ponto onde começa a compreender o que tem que aprender. Ela então aprende muitas coisas a respeito da vida do plano físico. Entende que tem que aprender, mesmo quando não sabe o que é realmente importante no aprendizado.

Uma das coisas que ela começa a aprender é a compaixão, através de sofrimentos de vários tipos. Ela compreende que, quando a atitude da pessoa não tem a qualidade compassiva, é provável que venha o sofrimento. Quando está presente, a compaixão planta as sementes da paz e da compreensão, e permite que elas cresçam. Esse processo leva muito tempo. As sementes ficam sob o solo e não são vistas. Elas podem ter que passar um período sob a terra inculta antes de germinar, brotando do solo do desconhecido. Da mesma forma, o resultado de se praticar a compaixão pode permanecer oculto, para um dia emergir do desconhecido e se tornar visível. A pessoa compreende que esse é o único caminho para a verdadeira paz entre as pessoas de características diferentes. Podem dizer que esse é o início de um novo padrão. (...)"

(Radha Burnier - Compaixão: a base para a paz - Revista Sophia, Ano 12, nº 48 - p. 21/22)


terça-feira, 24 de setembro de 2019

DEUS NÃO É INJUSTO

"Se, para achar os seus defeitos, vocês fazem metade do esforço que comumente despendem achando os defeitos dos outros, vocês verão a ligação com a lei de causa e efeito e só isso os libertará, mostrando a vocês mesmos que não existe injustiça.  Só isso lhes será a prova de que não é Deus, nem o destino, tampouco uma ordem injusta no mundo em que vocês tem de sofrer as consequências das limitações das outras pessoas, mas a ignorância, o medo, o orgulho e o egoísmo de vocês que direta ou indiretamente causarão aquilo que pareceu, até aqui, entrar no caminho de vocês sem que vocês nada fizessem para tanto. Descubram esse elo oculto e verão a verdade. Então compreenderão que vocês não são vítimas das circunstâncias nem da imperfeição dos outros, mas são realmente os que criaram a própria vida. As emoções são forças criativas de grande efeito, porque o inconsciente de vocês afeta o da outra pessoa. Essa verdade talvez seja a mais importante para a descoberta  de como vocês provocam os acontecimentos, quer bons, quer maus, favoráveis ou desfavoráveis da vida. 

Depois que vocês passam por essa experiência, podem acabar com a imagem que têm de Deus independentemente de vocês terem medo de Deus, porque acreditam que vivem num mundo de injustiça e receiam tornar-se vítima das circunstâncias sobre as quais não têm controle, ou de rejeitarem a responsabilidade e ficarem à espera de um Deus flexível que os mime, que lhes oriente a vida, tome decisões por vocês, os poupem de dificuldades que vocês mesmos criam. A compreensão de como vocês são a causa dos efeitos da vida de vocês acabará com essas imagens de Deus. Isso constitui um dos momentos decisivos na vida de vocês. 

Só esse momento lhes facultará o reconhecimento de que vocês não são vítimas; de que têm poder sobre a vida; de que são livres e de que essas leis de Deus são infinitamente boas, sábias, amáveis e seguras! Elas não visam transformá-los em fantoches, mas fazer de vocês pessoas totalmente livres e independentes."

(Eva Pierrakos/Donovan Thesenga - Entrega ao Deus Interior - Ed. Cultrix, São Paulo, 1997 - p,54/55)


quinta-feira, 19 de setembro de 2019

A ILUSÃO É PASSAGEIRA

"O homem pode usar equivocadamente seu livre-arbítrio por algum tempo, considerando-se mortal, mas essa ilusão passageira nunca conseguirá apagar em seu íntimo a marca da imortalidade e a imagem divina da perfeição. A morte prematura de uma criança talvez não lhe haja permitido usar seu livre-arbítrio para a virtude ou para o vício. Mas a Natureza trará sua alma de volta à Terra, dando-lhe a oportunidade de usar o livre-arbítrio a fim de redimir o karma passado, que a fez morrer tão jovem, e praticar as boas ações que propiciam a libertação.

Se uma alma imortal não conseguiu, ao longo de uma existência, eliminar as ilusões que a subjugam, precisa de mais períodos de aprendizado para tomar conhecimento de sua imortalidade inata. Só então poderá retornar ao estado de consciência cósmica. As almas comuns reencarnam compelidas por seus desejos mundanos; as almas superiores, ao contrário, apenas em parte vêm à Terra para cumprir o karma, pois seu principal objetivo é atuar como filhos nobres de Deus e apontar às criaturas perdidas o caminho para a morada celeste do Pai."

(Paramhansa Yogananda - Karma e Reencarnação - Ed. Pensamento, São Paulo, 2009 - p. 16)


terça-feira, 17 de setembro de 2019

A MENTE DESPRENDIDA

"A transformação do mundo é provocada pela transformação de si mesmo, porque o self é o produto e uma parte do processo total da existência humana. Para haver transformação, o autoconhecimento é essencial; sem saber o que você é não há base para um pensamento correto, e sem conhecer a si mesmo não pode haver transformação. O indivíduo precisa se conhecer como ele é, não como deseja ser, pois é meramente um ideal e, por isso, fictício, irreal; só esse o que pode ser transformado, não aquele que você deseja ser.

Conhecer-se como se é requer uma mente extraordinariamente alerta, porque o que está constantemente sofrendo transformações, mudanças: e para segui-lo depressa a mente não deve estar presa a nenhum dogma ou crença particular; a nenhum padrão de ação. Se você quiser seguir qualquer coisa, não é bom estar preso. Para conhecer a si mesmo é necessário ter consciência, uma extraordinária atividade da mente em que há a liberdade de todas as crenças, de toda idealização, porque as crenças e os ideais só lhe proporcionam uma cor, pervertendo a  verdadeira percepção. Se quiser saber o que você é, não pode imaginar ou acreditar em algo que você não é. Se eu sou ganancioso, invejoso, violento, o simples fato de ter um ideal de não violência, de não ganância, é de pouco valor... O entendimento do que você é - seja feio ou bonito, malvado ou maligno -, sem distorção, é o início da virtude. A virtude é essencial, pois ela proporciona liberdade."

(Krishnamurti - O Livro da Vida - Ed. Planeta do Brasil, São Paulo, 2016 - p. 37)


quinta-feira, 12 de setembro de 2019

DESTRUIR É CRIAR

"Para ser livre, deve-se examinar a autoridade - todo esqueleto da autoridade -, destruindo todas as coisas sujas. E isso requer energia - energia física real -, e também exige energia psicológica. Mas a energia é destruída, desperdiçada, quando se está em conflito... Então, quando há o entendimento de todo o processo de conflito, há o fim do conflito, há abundância de energia. Logo, você pode prosseguir, derrubando a casa que você construiu no decorrer dos séculos e que não tem nenhum significado.

Destruir é criar. Precisamos destruir, não os prédios nem o sistema social econômico - isso acontece diariamente -, mas o psicológico, o inconsciente e as defesas conscientes, seguranças que foram construídas racional, individual, profunda e superficialmente. Precisamos destruir tudo aquilo que é totalmente indefensável, porque é preciso estar indefeso para amar e ter afeição. Somente então é possível ver e entender a ambição, a autoridade, e se começa a enxergar quando a autoridade é necessária e em que nível - a autoridade do policial, e nada mais. Então, não há autoridade de aprendizagem, não há autoridade de conhecimento, não há autoridade de capacidade - nenhuma autoridade em que a função assuma e se torne status. Para entender a autoridade - dos gurus, dos Mestres, entre outros -, é necessário uma mente muito aguçada, um cérebro claro, não um cérebro lodoso, embotado."

(Krishnamurti - O Livro da Vida - Ed. Planeta do Brasil Ltda., 2016 - p. 28)
www.planetadelivros.com.br


terça-feira, 10 de setembro de 2019

A EXPOSIÇÃO DO INFERIOR REVELA O SUPERIOR

"Imaginem só, meus amigos, a situação bastante penosa e difícil em que vocês se colocam quando escondem aquilo de que mais se envergonham e têm medo. É precisamente por causa dessa ocultação que vocês criam as atitudes que mais odeiam em si mesmos. Vocês as tornam infinitamente piores com os gestos que as encobrem, e depois vocês se tornam cada vez mais convencidos, nos níveis profundos da consciência, de que elas constituem o seu ser real. Esse círculo vicioso faz com que vocês fiquem mais determinados a esconder e, portanto, vocês se sentem mais isolados, mais pessimistas e destrutivos justamente por causa desses métodos de ocultação. Pois ocultar sempre implica projetar a culpa real nos outros, a recriminação, o ato de encobrir a hipocrisia e assim por diante. Por conseguinte, vocês se tornam mais convencidos de que a parte encoberta é a imagem máxima de vocês mesmos para quem não há esperança nenhuma. A verdadeira tarefa de vocês deve começar pela total exposição de vocês mesmos. Afirmei isso muitas vezes, simplesmente porque não há um oposto para esse aspecto do desenvolvimento espiritual. Todos os buscadores do desenvolvimento espiritual que evitam isso enganam-se e devem, num momento ou outro, deparar um despertar difícil e doloroso. Vocês têm de passar por esse processo; têm de expor todas as partes de vocês. Essa exposição, no entanto, também traz em sua esteira a consciência de que a pior opinião de vocês mesmo nunca se justifica, independentemente da feiura dos traços e atitudes que vocês escondem. Elas nunca se justificam porque essas partes são tão somente aspectos isolados da consciência total de que o seu eu real se encarregou. 

À medida que passam por esses estágios, vocês têm consciência do seu Eu superior, não como uma teoria nem como uma premissa filosófica, mas como simples realidade, bem aqui e agora. Vocês se sentem como a entidade real que são, que sempre foram e serão independentemente do que os aspectos isolados da consciência criam na forma de ilusão e loucura. Essa é, de fato, uma tarefa difícil e maravilhosa! Ao fazê-lo, vocês aprendem mais sobre a realidade interior de vocês e sobre todos os seus variados aspectos e níveis de consciência. Vocês passam a ver o acontecimento exterior em relação a sua paisagem interior. Esta não é mais uma analogia simbólica e 'colorida'. Ela é a dura realidade."

(Eva Pierrakos/Donovan Thesenga - Entrega ao Deus Interior - Ed. Cultrix, São Paulo, 2003 - p. 24/25)