OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


quinta-feira, 13 de maio de 2021

JAMAIS ESQUEÇA SUA VERDADEIRA NATUREZA!

"Lembre-se de que, como filho de Deus, você é dotado de força muito maior do que jamais precisará, para vencer todas as provas que Deus possa mandar. 

Muitas vezes, ficamos sofrendo sem fazer um esforço para mudar. É por isso que não encontramos paz e contentamento duradouros. Se perseverássemos, certamente seríamos capazes de superar todas as dificuldades. Devemos nos esforçar, para passar da infelicidade à felicidade, do desespero à coragem.

Primeiro, é necessário sentir a importância de mudar nossa condição. Essa atitude estimula nossa vontade de agir. Tomemos a decisão de sempre fazer o esforço para melhorar o Autoconhecimento e, desse modo, melhorar continuamente nossa existência.

Os cientistas espirituais da Índia exploraram o reino da alma. Para benefício da humanidade nos deram certas leis universais de meditação por meio das quais os buscadores sinceros - podem, cientificamente, controlar a mente e alcançar a Autorrealização.

Ao desenvolver a natureza divina, você ficará completamente desapegado do corpo, não mais se sentirá identificado com o mesmo. Cuidará dele como se cuidasse de uma criancinha. À medida que perceber seu verdadeiro Ser, pela meditação, você se libertará de dores físicas e mentais. Jogará fora as limitações de uma vida inteira. Essa é a melhor maneira de viver seus dias na terra."

(Paramahansa Yogananda - A Eterna Busca do Homem - Self-Realization Fellowship - p. 152)


terça-feira, 11 de maio de 2021

EM SUA VIDA: PARTICIPAÇÃO ÍNTIMA (PARTE FINAL)

"(...) Considere cada passo como parte do processo. Quando alguém diz 'É tudo parte do processo', percebe-se um tom de resignação, como se a vida tomasse tempo e paciência, mas se você puder tolerar o aborrecimento por tempo suficiente, o processo acabará sendo eficaz. O processo que estou descrevencdo nada tem de mecânico. Ele é dinâmico, imprevisível, fascinante e em constante mutação. Ser conduzido pelo processo leva à plenitude e à felicidade definitiva. Os grandes mestres espirituais, aqueles que veem a vida pelo aspecto metafísico, frequentemente afirmam que o processo acontece por si próprio. Um conhecido guru indiano foi uma vez indagado:

- Minha evolução pessoal é algo que estou realizando ou algo que está acontecendo comigo? 

A resposta:

- São ambas, mas se tivermos de escolher, é algo que está acontecendo com você.

Por tudo isso, o caminho espiritual não é uma coisa automática. A vida participa aqui e agora, mais pela perspectiva da formiga que pela da águia. Você deve focar em cada minuto; novos desafios aparecem constantemente e não podem ser ignorados. Assim fica bem fácil observar sua vida como uma sequência de momentos, com passos para a frente ou para trás. Muitas pessoas vivem suas vidas exatemente dessa maneira, 'vivendo um dia de cada vez', conforme diz o ditado. Essa perspectiva faria de nós todos sobreviventes. Ela estaria negando a plenitude da vida e, se você não inclui essa fator, uma participação irrestrita torna-se impossível. É claro que você aceitará uma fatia do pão de cada vez se você não souber que o pão inteiro pode ser seu.

Somos forçados a falar por metáforas porque o processo da vida é misterioso. Está acontecendo exatamente agora, esteja você enchendo seu tanque de gasolina, trocando a fralda de um bebê ou sentado na cadeira do dentista. Será que ele chega a uma conclusão gloriosa com data marcada? A mescla do visível com o invisível, do sublime com o aflitivo, é inevitável. A única conclusão viável acaba sendo 'É isso aí'. Algumas vezes 'isso' não significa nada; você não pode esperar que isso termine. Outras vezes 'isso' dá a impressão de que os céus se partiram; você só pode esperar que dure para sempre. Porém, 'isso' é como um pássaro em voo. Você nunca o agarrará. O milagre é que as maiores criações, como o cérebro humano, foram feitas para caçar o pássaro. Nós nos entrelaçamos em um bordado de experiências que fica mais compacto com o passar do tempo, em que cada fio não é nada mais que um fragmento de pensamento, desejo ou sentimento. Cada movimento vivido acrescenta outro ponto de costura e mesmo que você não consiga visualizar como será o padrão final, ajuda saber que o fio é de ouro."

(Deepak Chopra - Reinventando o Corpo, Reanimando a Alma - Ed. Rocco Ltda., Rio de Janeiro, 2010 - p. 264/265)


quinta-feira, 6 de maio de 2021

EM SUA VIDA: PARTICIPAÇÃO ÍNTIMA (5ª PARTE)

"(...) Peça por nada menos que inspiração. A vida diária pode se tornar enlouquecedoramente mundana. Você pode escapar do tédio, reunindo o maior número de interesses possíveis, mas no fim poderá descobrir que nunca saiu da superficialidade. Pois o que torna a vida mundana é a frivolidade. Você se sente vigoroso, não importa como sua vida esteja na superfície. Em algumas tradições espirituais, tornar vibrante sua rotina diária é um objetivo final. A ideia é de que você pode transportar água e cortar lenha, possuído de um sentimento universal. Respeito tais tradições, mas às vezes sinto falta da qualidade mais vibrante que a vida pode oferecer, que é a inspiração. Elas limitam a alma a pedir iluminação para sua rotina diária. Por que não iluminar realizações extraordinárias?

A consciência é de livre valia. Ela pode ser moldada em coisas feias, insípidas, inertes, se sua intenção for essa. Como a aquarela de um artista, que é cheia de cores, mas não dá nenhuma garantia de que resultará e um belo quadro, a consciência contém entusiasmo, brilho e fascínio. Entretanto, mesmo uma pessoa autoconsciente não adquire automaticamente uma vida com essas qualidades. É preciso moldar a consciência com intenção, motivo pelo qual pedir por inspiração é crucial. Já disse anteriormente que sua alma deixa sinais ao longo do caminho, pistas da próxima coisa que o estimulará . Para ser mais preciso, esses sinais dependem de onde você vem e para onde você vai. Se você está trilhando um caminho de baixas expectativas, a próxima coisa que irá encontrar dará suporte a essas baixas expectativas. 

A alma não segue uma agenda. Ela não se expõe para torná-lo o melhor que puder, mas sim para preencher o potencial que você descobre em si mesmo, o que significa que você e sua alma estão em um empreendimento cooperativo. Você pede, ela supre. O suprimento que ela fornece o leva a pedir pela próxima coisa. Por ser raro manter uma intenção clara em todas as ocasiões, frequentemente pedimos por coisas confusas e conflituosas. E quando o fazemos, a alma acaba por prover-nos com oportunidades aquém do ideal. Terminamos sem ter o que fazer ou seguindo pistas falsas. Para que isso não aconteça, peça por nada menos que inspiração. Isso é o mesmo que dizer mantenha sua visão mais elevada em mente, e em qualquer situação procure o resultado mais elevado segundo essa visão.

Como sempre, essa estratégia é puramente subjetiva; ela acontece interiormente. Mas somente apegando-se com firmeza à sua visão é que você poderá se alinhar para expressar o potencial mais elevado com que nasceu. O melhor que você pode ser se resume a uma série de decisões que recusar 'menos que o melhor'. Não estou me referindo a compras consumistas. Não é a 'menos que a melhor' amante, casa, 'menos que o melhor' carro ou emprego. Você evita a ideia, a motivação, o propósito, a solução e o objetivo 'menos que o melhor' escolhendo, em vez disso, aguardar por algo melhor, e confiando que sua alma lhe trará o que deseja." ...continua

(Deepak Chopra - Reinventando o Corpo, Reanimando a Alma - Ed. Rocco Ltda., Rio de Janeiro, 2010 - p. 262/264)


terça-feira, 4 de maio de 2021

EM SUA VIDA: PARTICIPAÇÃO ÍNTIMA (4ª PARTE)

"(...) Espere até que sua intenção fique clara. Inúmeras pessoas procuram por motivação nos lugares errados. Elas procuram aumentar sua energia e vigor. Querem a mais alta recompensa. Ficam à espera de uma ideia luminosa que lhes revele a próxima grande invenção ou um novo negócio para ganhar dinheiro. A fonte real da motivação não é nada disso. O tipo de motivação que faz ideias embrionárias desabrocharem com energia e paixão vem de uma intenção clara. Saber exatamente o que você quer, com resoluta convicção, é a centelha que gera tudo o mais, inclusive as grandes ideias e as grandes recompensas. Confusão e incerteza dividem o fluxo da vida em canais fracos e separados. Em razão de a intenção clara não poder ser imposta, muita gente nunca encontra uma. Elas se dedicam um pouco a meia dúzia de áreas em suas vidas. No entanto, não existe segredo para se encontrar uma intenção clara; basta, simplesmente, esperar.
Esperar não é um ato passivo, apenas parece passivo. O modo certo de esperar envolve discriminação: você está selecionando em seu íntimo o que parece certo do que não parece. Você permite que fantasias confusas e esquemas idealistas se desenrolem - aquelas fora de propósito se dissolvem a tempo. Você ainda se fixa em uma centelha que se recusa a apagar. Há muito mais em questão - a busca ansiosa, a luta da dúvida interior, a sedução de grandiosas ambições e o desejo de caprichos impossíveis. Ao fim, uma intenção clara surgirá, e uma vez que isso aconteça, as forças invisíveis ancoradas na alma virão em seu auxílio. Para muita gente, esperar por uma intenção clara é tão cansativo que elas só o fazem poucas vezes, geralmente naqueles anos de indefinição, quando o jovem adulto se sente impelido a iniciar uma carreira. Na procura, sentem-se pressionadas e sem um objetivo concreto; ficam paradas, observando enquanto os colegas mais motivados as vão deixando para trás no mercado de trabalho.
Pode-se notar, porém, que os indivíduos que esperaram até que uma clara intenção fosse revelada foram os que tiveram mais sorte. Apesar do estresse, pressão dos colegas e dúvidas, eles tiveram uma força interior para confiar que 'alguma coisa melhor ainda estava para acontecer'. Trata-se de um potencial oculto que precisou ser cuidadosamente extraído da complicada estrutura psíquica. O melhor que você pode fazer é passar por esse processo tantes vezes quanto possível. A névoa que encobre sua alma pode ser densa, mas ela se dissipará, se você quiser, por mais longo que seja o processo.

Compreenda que nada é pessoal - o universo está agindo através de você. Pode parecer estranho ouvir que você não deveria considerar sua vida em caráter pessoal. O que poderia haver de mais pessoal? Ainda assim, o plano do universo é composto inteiramente de forças impessoais, Elas se aplicam igualmente a qualquer objeto, qualquer acontecimento. Elas não são elaboradas contra você ou para você, mais do que é a própria gravidade. Encontrar sua alma é o mesmo que encontrar o eu impessoal, porque a alma tem acesso direto às forças invisíveis que sustentam o cosmos. A inteligência é impessoal, assim como a criatividade e a evolução. Elas são descobertas somente em seu estado de mais profunda consciência. Par que tenho o melhor aproveitamento delas, considere a vida como uma escola, e a consciência como seu currículo.
O ego toma tudo pessoalmente, o que acaba sendo um grande obstáculo; a experiência está acontecendo para 'mim'. O budismo dispende muito tempo tentando dissipar a ideia de que esse 'mim' tenha algum direito a reivindicar a experiência. Em vez disso, dizem os budistas, a experiência se desenrola por si própria, e você, como experimentador, é somente um canal. Dessa forma produzimos formulação do tipo 'o pensamento é o pensamento em si'. Pode ser desconcertante desenredar as complexidades de uma afirmação tão simples como 'ser é' ou 'o dançarino é a dança'. Ainda assim, o ponto essencial é prático: quanto menos você tomar sua vida pessoalmente, maior a facilidade com que ela fluirá através de você. Aguardar com tranquilidade funciona. Aguardar com ansiedade não funciona. Nem tampouco assumindo que cada experiência o eleva ou derruba. O fluxo da vida não seleciona em colunas de mais e menos. Tudo tem seu próprio valor intrínseco, medido em energia, criatividade, inteligência e amor. Para encontrar esses valores, a pessoa deve para de inquirir 'que bem isso pode me fazer?'. Em vez disso, você atesta o que acontece, deslumbrando-se com tudo." ...continua 

(Deepak Chopra - Reinventando o Corpo, Reanimando a Alma - Ed. Rocco Ltda., Rio de Janeiro, 2010 - p. 250/262)


quinta-feira, 29 de abril de 2021

EM SUA VIDA: PARTICIPAÇÃO ÍNTIMA (3ª PARTE)

"(...) Fique alerta à mudança e use-a com sabedoria. Você pode usar a natureza transitória da vida em seu benefício. A maioria das pessoas tem medo de mudar; outras não dão importância. Para usar a mudança de modo criativo, tais atitudes não irão funcionar. Nenhuma estratégia de vida funcionará se não for dinâmica e expansiva. A mudança em si é neutra, visto que para cada mudança construtiva haverá uma outra destrutiva. Mas é no princípio da mudança que está a chave, pois ele ensina que seguir o fluxo da vida traz crescimento e criatividade, enquanto tentar congelar acontecimentos, lembranças, prazer e inspiração provoca estagnação. Os momento mais agradáveis e inspiradores de sua vida pedem para ser relembrados e saboreados. Você precisa resistir a essa tentação porque no instante em que tenta se agarrar à experiência ela perde a vitalidade que a tornou especial em primeiro lugar. 
Use o princípio da mudança para manter sua vida fresca e renovada. Assumir que o fluxo da vida é sempre autorrenovador irá ajudá-lo a evitar a estagnação e a ansiedade acerca do futuro. O que torna as pessoas ansiosas sobre o futuro é um medo torturante de que o melhor já passou ou de que a única oportunidade perdida terá sido decisiva. 'A pessoa que se foi' é um tema recorrente de romances fracassados e que se aplica igualmente a carreiras, projetos abandonados e aspirações empobrecidas. Mas, na realidade, 'a pessoa que se foi' representa o apego a uma ideia fixa. Todo o sucesso de uma pessoa criativa é baseado na confiança de que a inspiração é permanente. Quanto mais você cria, mais há para se criar. Em um documentário sobre um famoso maestro que completava oitenta anos de vida, o momento mais pungente foi o de seu último comentário: 'Não tenho o desejo de viver muitos anos a mais, exceto por saber que estou apenas começando a dizer tudo o que quero através de minha música.'

Reúna informações de todas as fontes. O universo é multidimensional, e quando nos referimos ao fluxo da vida, estamos nos referindo a um fluxo multidimensional. Imagine não apenas um rio caudaloso correndo para o mar, mas uma centena de pequenos riachos convergindo, misturando-se, cada um acrescentando sua contribuição única. Para extrarir o melhor da vida, você deve estar consciente de que qualquer coisa pode contribuir para isso. Inspiração vem de todas as direções, tanto de dentro quanto de fora. Você deve permanecer antenado para sentir a continuidade com que sua alma está se comunicando com você. Não é como ficar diante de uma TV a cabo mudando de canal na esperança de achar algum programa interessante. Mais propriamente, na agitação das sensações que bombardeiam o cérebro todos os dias, algumas delas foram feitas para voce - elas carregam um significado que lhe é exclusivo.
Na cultura indiana, diz-se que Deus gasta tanto tempo se escondendo quanto se revelando, o que aponta para uma verdade diária. A próxima coisa que o estimulará está adormecida até que você a acorde. O futuro é um esconderijo a que chamamos de desconhecido. Também o conhecido, que é o aqui e agora, não vem de outro lugar que não o desconhecido. O instinto que diz 'algo aguarda do outro lado' é válido. Você se encontra na linha divisória entre o desconhecido e o conhecido. Sua tarefa é buscar na escuridão a próxima coisa que faça sentido.
Algumas pessoas evitam essa tarefa repetindo o conhecido incessantemente. O que elas não percebem é que o desconhecido nunca é verdadeiramente invisível. Sua alma antecipa aquilo de que você necessita e ela deixa sinais e indícios em seu caminho. Essa é a forma sutil de orientação empregada pela alma. Ela elimina os começos inúteis, sem direção, enganosos e falsos. Se você se sintonizar com atenção, sentirá uma sensação vibrante acerca do que deveria estar fazendo - que é certo, fascinante, tentador, prazeroso, curioso, intrigante e desafiador, tudo de uma só vez. Estar aberto a esses sentimentos, o que é totalmente subjetivo, permite que você recolha os sinais deixados por sua alma. O desconhecido parece obscuro somente para aqueles que não conseguem ver seu brilho oculto."...continua

(Deepak Chopra - Reinventando o Corpo, Reanimando a Alma - Ed. Rocco Ltda., Rio de Janeiro, 2010 - p. 258/260)


terça-feira, 27 de abril de 2021

EM SUA VIDA: PARTICIPAÇÃO ÍNTIMA (2ª PARTE)

"(...) Deixe a consciência fazer o trabalho. Pessoas que seguem essa diretriz são altamente subjetivas, mas sua subjetividade não é voluntária, elas não se alteram com cada mudança de humor. Em vez disso, são autoconscientes, o que significa que sabem quando estão em posição desconfortável em uma situação e não avançam até que se sintam bem. Seus corpos enviam sinais de estresse e tensão que são levados a sério. Tais pessoas confiam em si mesmas, um estado inteiramente subjetivo, embora extremamente poderoso. Confiar em um 'eu' enraizado no ego seria insensatez, mas quando você verdadeiramente sabe quem é, pode confiar em si mesmo no nível da alma. Nesse nível, a consciência não é meramente subjetiva. Ela flui através do universo, da alma da mente e do corpo. Deixar a consciência fazer o trabalho significa render-se a um princípio organizador mais amplo que você, amplo o suficiente para manter toda a realidade concentrada. 

Não interfira no fluxo. Existe uma profunda doutrina budista que fala de um grande rio que flui por toda a realidade. Uma vez que você encontra a si próprio, deixa de haver motivo para ação. O rio pega e o arrasta para todo o sempre. Em outras palavras, o esforço pessoal, o tipo de esforço a que todos nós estamos acostumados na vida cotidiana, torna-se sem sentido depois de um certo ponto. Aí se inclui o esforço mental. Uma vez autoconsciente, você percebe que o fluxo da vida não precisa de análise ou controle, porque tudo é você. O grande rio apenas parece pegá-lo. Na verdade, foi você que pegou a si próprio - não como uma pessoa isolada, mas como um fenômeno do cosmos. Ninguém lhe deu a função de dirigir o rio. Você pode apreciar o passeio e observar a paisagem.
Aprender a evitar suas falsas responsabilidades significa desistir de seu impulso para controlar, defender, proteger e prevenir-se contra riscos. Tudo isso é falsa responsabilidade. À medida que abre mão, você para de interferir no fluxo. À medida que você se agarra, a vida continuará a lhe trazer ainda mais coisas para controlar e se defender. Riscos aparecerão por toda parte. A questão não é que o destino esteja contra você. Você está simplesmente testemunhando reflexos de suas convicções mais profundas, à medida que a consciência desdobra, o drama preparado antecipadamente em sua cabeça. É a tarefa do universo desdobrar a realidade; a sua é de apenas plantar a semente.

Enxergue a todos como uma extensão de você. Quando alguém entra no caminho espiritual, geralmente se sente mal compreendido. A acusação (quando não é pelas costas) é de que ficam centrados em si mesmos. A insinuação é 'você não é o centro do universo'. Se esse 'você' representar o ego isolado, então é totalmente verdade. Mas no nível da alma, o eu muda. Perdendo seus limites, ele se mescla ao fluxo da vida. No caminho espiritual, você passa a sentir o fluxo e desejosamente integrar-se nele. Depois então - e somente depois - todos se tornarão um extensão de você. Como pode saber que chegou a esse ponto? Em primeiro lugar, você não tem inimigos. Em segundo, sente a dor de uma outra pessoa como se fosse sua. Em terceiro, descobre que uma empatia comum une a todos. 
À medida que essas três verdades despontam, é sinal de que a realidade está mudando. Você está reivindicando seu novo lar na paisagem infinita do espírito. Mas antes mesmo que isso se realiza, você está conectado com todas as demais pessoas. Nada o impede de viver essa verdade. Sempre haverá diferenças de personalidade. O que muda é o interesse próprio. Em vez de ser sobre 'eu', começa a ser sobre 'nós', a consciência coletiva que une a todos. Na prática, significa buscar entendimento, consenso e reconciliação. Esses são os objetivos essenciais para quem vive no fluxo." ...continua

(Deepak Chopra - Reinventando o Corpo, Reanimando a Alma - Ed. Rocco Ltda., Rio de Janeiro, 2010 - p. 257/258)


quinta-feira, 22 de abril de 2021

EM SUA VIDA: PARTICIPAÇÃO ÍNTIMA (1ª PARTE)

"Uma vez no jogo da vida, você deve jogar para ganhar. Você deve se entregar por inteiro. Conhecer as diretrizes do plano divino lhe dá enorme vantagem sob esse aspecto. Não conhecê-las é como participar de um jogo em que as regras vão sendo reveladas uma a uma e só quando você as infringe. A vida transcorre dessa maneira para a maioria das pessoas. Elas aprendem a viver por meio de tentativa e erro. Outras recorrem a algum livro-guia de uso geral que cubra todas as contingências - A Bíblia é um desses livros, mas existem muitos outros. Na Índia, esses guias para a vida (reunidos em textos conhecidos como os Puranas) chegam a milhares de páginas, com descrições minuciosas das mais enigmáticas situações e combinações de comportamento. O certo é que ninguém jamais viveu uma vida exemplar, seguindo algum tipo de receita.

Entre não ter regra alguma e impor regras rígidas, o universo deixou espaço para diretrizes dinâmicas que impõem a mínima resistência ao livre-arbítrio. Para uma total participação, cada diretriz permite máxima realização. Realização não significa sucesso material. Significa total compreensão de como funciona a consciência. 

Seu melhor jogo
  • Deixe a consciência fazer o trabalho.
  • Não interfira no fluxo.
  • Enxergue a todos como uma extensão de você.
  • Fique alerta à mudança e use-a com sabedoria.
  • Reúna informação de todas as fontes.
  • Espere até que sua intenção fique clara. 
  • Compreenda que nada é pessoal - o universo está agindo através de você.
  • Peça por nada menos que inspiração.
  • Considere cada passo como parte do processo.
Essas táticas têm um fator em comum: estão de acordo com o plano invisível que forma a base da vida de todos. Mas em função de a participação ser voluntária, há um forte contraste entre pessoas que se alinham voluntariamente com o plano e as que não. Vamos ilustrar esse fato item por item." ...continua

(Deepak Chopra - Reinventando o Corpo, Reanimando a Alma - Ed. Rocco Ltda., Rio de Janeiro, 2010 - p. 256/257)


terça-feira, 20 de abril de 2021

REGRAS DO JOGO (PARTE FINAL)

"(...) Leis da natureza determinam como unidades de matéria se combinam quando um átomo colide com outro, em uma variedade infinita e simultânea. Nós estamos embutidos em um desenho dinâmico, livre, criativo e imprevisível. A evidência disso pode ser notada no que chamamos de jogo. Considere como um jogo de futebol acontece. Ele existe inteiramente na consciência. Seres humanos decidiram que chutar uma bola para dentro de um retângulo tem valor. Foram inventadas regras invisíveis que cada jogador mantém na cabeça. Ninguém fala a respeito dessas regras enquanto o jogo está correndo, mas as infrações são imediatamente reconhecidas e penalizadas. O campo de futebol é estritamente demarcado por linhas e limites, mas dentro desses limites os jogadores são livres para improvisar. Dois jogos nunca são iguais e também nenhum jogador tem o mesmo estilo, nível ou talento que outro. Uma vez iniciado o jogo, essa combinação de regras fixas e jogo livre determina quem será o vencedor. Um jogo de futebol tem um final aberto até o último minuto do segundo tempo, apesar de todo o rígido conjunto de regras que o regulam.

Todo jogo é uma mostra de consciência em modo criativo. O universo atua do mesmo modo. Os defensores do chamado desenho inteligente - a noção de que um Criador onisciente fez com que tudo no universo se encaixasse com perfeição - não estão errados em demonstrar reverência ante a criação. O problema maior é que o desenho inteligente não é inteligente o suficiente. Ele limita Deus a uma figura imutável quando na realidade o universo muda constantemente e é cada vez mais inventivo.

Se todo o universo é consciente, temos então uma explicação instantânea por que nada é acidental. Contudo, é difícil imaginar que uma pedra na rua seja tão consciente como você e eu. Há uma forma de contornar essa objeção, no entanto. Imagine que você vive em um sonho, mas não sabe disso. Dentro do sonho, você vê outras pessoas andando, portanto elas parecem conscientes para você. Você vê animais se comportando como se também possuíssem consciência - eles são curiosos e podem, por exemplo, ser treinados para se comportarem de forma diferente. Mas quando se trata de rochas e nuvens, são seres inanimados e por isso você acredita que não são conscientes. Mas então alguém aparece e diz: 'Tudo é consciente. É preciso que seja. Tudo o que você vê ao seu redor acontece no cérebro de uma pessoa. Essa pessoa é você. Você é o sonhador, e desde que esse sonho seja seu, ele compartilha com sua consicência.'

Existe apenas uma linha tênue entre 'eu estar sonhando' e 'eu estou em um sonho', visto que o cérebro cria ambos os estados. Por que não atravessar a linha? Em algumas culturas, não é necessário nemhum convite. Os antigos sábios da Índia comparavam a vida a um sonho porque toda experiência é subjetiva. Não existe outra forma de vivenciar o mundo a não ser subjetivamente. Se toda experiência acontece 'aqui dentro', faz pleno sentido que todas as coisas se encaixem: nós as fazemos se encaixarem. Até mesmo o acaso é um conceito criado pelo cérebro humano. Assim como os mosquitos que fervilham ao cair do dia, eles não se sentem voando a esmo, da mesma forma que os átomos de poeira interestelar. Não vemos forma ou desenho até que eles se encaixem em nossas ideias preconcebidas, mas isso não tem importância para a natureza. Vista através de um microscópio, cada célula de seu corpo se parece com um redomoinho de atividade, mas isso é só impressão. No que diz respeito à natureza, cada aspecto de seu corpo é metódico e determinado.

Você se vê então diante de uma opção. Você pode ser da opinião que diz que a ordem só existe onde os humanos dizem que sim, ou tomar a posição de que a ordem existe em todos os lugares. Seja como for, tudo o que você faz é só adotar um ponto de vista. Se metade da população mundial dissesse que Deus projetou toda a criação e a outra metade, que a criação foi um acontecimento aleatório, nem por isso o universo deixaria de ser o que é. A consciência ainda estaria fluindo através de seu corpo, cérebro, mente e de todas as criaturas vivas, ignorando os limites artificiais por nós impostos. A questão não é uma disputa entre a ciência e religião, mas se efetivamente participamos do plano cósmico ou não. Existe um aspecto voluntário e outro involuntário. Da mesma forma que em um jogo de futebol, você tem de querer jogar, e assim que começa você está todo nele."

(Deepak Chopra - Reinventando o Corpo, Reanimando a Alma - Ed. Rocco Ltda., Rio de Janeiro, 2010 - p. 253/255)


quinta-feira, 15 de abril de 2021

AS REGRAS DO JOGO (2ª PARTE)

"(...) Em cada nível, a natureza segue essas cinco diretrizes. Elas são invisíveis, existem somente na consciência. A razão pela qual você não percebia não é que seja um segredo de Deus. O plano não é abstrato. Pelo contrário - ele está em cada célula de seu corpo. Você pode se tornar consciente do plano, se quiser, e então o universo adquire uma nova face.

1. Tudo está consciente. Viver em consonância com essa verdade indica que você respeita todas as formas de vida. Você acredita que é parte de uma estrutura viva e age de forma que todas as suas ações ajudem o todo a evoluir. Você reconhece uma afinidade em cada nível de consciência, do mais baixo até o mais alto.

2. Tudo se encaixa. Essa verdade abre sua mente para que veja como a totalidade da vida interage. Em vez de pensar em termos mecânicos, você vê cada ocorrência se desdobrando organicamente. Em vez de observar a vida pedaço por pedaço, você observa o quadro inteiro. Seria também natural investigar como e por que as coisas se encaixam. Haverá uma inteligência maior pensando em escala cósmica? Nesse caso, não será você, um pensamento nessa mente universal, ou parte do processo de pensar - ou ambos?

3. O esquema todo é auto-organizado. Essa é uma das verdades mais fascinantes porque sustenta que nada tem um começo ou um fim. O universo não é como a maré que sobe e desce continuamente. É como o oceano inteiro, inalando e exalando, enviando ondas que retornam à plenitude. Nenhum evento ocorre separadamente. Nós só vemos a separação porque nossa perspectiva é estreita. Através de uma lente mais poderosa, você pode ver que todos os eventos aparecem juntos.
Imagine uma formiga que aprendeu a ler. É a formiga mais inteligente do mundo, mais ainda é muito pequena, por isso ela lê um livro arrastando-se lentamente de uma palavra para a outra. O plano do livro é inteiramente linerar segundo a perspectiva da formiga, e por isso seria interessante saber que você - uma criatura muito maior - pode abordar o livro como um todo, e também pode escolher a parte que quiser, ler o fim antes do começo ou selecionar somente o que lhe interessa. Você pode fazer todas essas coisas porque é o linear é apenas um modo entre muitos na abordagem de um livro. O mesmo acontece na vida.

4. A evolução se desdobra por si mesma. Uma vez que você percebe que o pensamento linear é somente uma opção - e bastante arbitrário por sinal -, você pode considerar a evolução de uma nova maneira. Pense naquela figura de enciclopédias, ilustrando um primata encurvado se transformando em um Neandertal, depois em um homem das cavernas e finalmente no Homo sapiens, cada qual um pouco mais alto e verticalizado. Esse é um exemplo perfeito do pensamento linerar, mas ele não toma conhecimento de que a força primordial da evolução humana está no cérebro, e este não se desenvolveu segundo uma linha reta, nem mesmo que remotamente. Ele cresceu em um padrão global. Cada nova área do cérebro serviu como um acréscimo para a evolução do todo. Cada nova habilidade adquirida foi reconhecida por todo o cérebro.
Por exemplo, quando nossos ancestrais se ergueram sobre os pés pela primeira vez, foram afetados na coordenação motora, visão, equilíbrio, circulação sanguínea e muitos outros aspectos do complexo corpo mente que você reconhece como seus. O dedo polegar, usado como exemplo textual da evolução física que separa os seres humanos dos seus primatas inferiores, não teria razão de ser sem um cérebro que fosse capaz de aprender as infinitas possibilidades inerentes nessa nova habilidade de pressionar o polegar contra o indicador. Gerou-se uma resposta global pelo cérebro para desenvolver a partir dessa habilidade rudimentar tudo o que se conseguiu em termos de arte, agricultura, ferramentas, construções e armas. A evolução é uma atividade completa do universo.   

5. A liberdade é o objetivo final. Se a evolução acontece em todo lugar em um padrão global, para onde ela se dirige? Por séculos, os seres humanos acreditaram que éramos a mais alta aspiração da criação de Deus, e apesar de rebaixados por Darwin a uma espécie entre muitas, ainda assim acreditamos ocupar posição privilegiada. Mas não no topo da escada da vida. Em vez disso, somos aquela criatura que percebe a criatividade como infinita. A evolução se expande para todos os lugares, não para um ponto final. O objetivo final do universo é desdobrar-se sem limites. Para deixar claro em uma só palavra, a evolução está se tornando cada vez mais livre e o objetivo final é a liberdade total.(...)"

(Deepak Chopra - Reinventando o Corpo, Reanimando a Alma - Ed. Rocco Ltda., Rio de Janeiro, 2010 - p. 251/253)


terça-feira, 13 de abril de 2021

AS REGRAS DO JOGO (1ª PARTE)

"O plano para o universo em expansão está bem à nossa frente, mesmo que não consigamos vê-lo. Somos cegos para ele porque o plano somos nós. Ou, para torná-lo pessoal, você é o plano cósmico - ou plano divino, se preferir. Não existem regras fora de sua mente, nenhuma ação fora de seu corpo. Seja o que for que você escolha fazer, o plano se adapta. Quando você tem um novo desejo, o universo muda concomitantemente. Ele não tem escolha porque não existe propósito na criação além de você, exatamente aqui e agora.

Concordo que essa descrição soa como uma hipérbole. Por toda a sua vida você absorveu uma visão de mundo que o coloca sob um poder superior. Se não for o poder de Deus, é o poder de forças naturais. Se não for o poder de autoridades, é o poder da natureza humana e seus impulsos autodestrutivos. Nada disso é verdade - ou, para ser mais preciso, nada disso é verdade uma vez descoberto seu eu real. Em última análise, descobrir seu propósito o conduz à descoberta de quem você realmente é.

O plano cósmico que foi elaborado em seu interior segue certas diretrizes invisíveis:

1. Tudo está consciente. Não existem zonas mortas na criação. A consciência é uma atividade que permeia todo o universo, o que significa que quando você está consciente de alguma coisa, o universo está consciente com você. O que você vê e faz altera todo o esquema. 
2. Tudo se encaixa. Não existem partes frouxas para o universo, nada é postergado. A totalidade mantém cada parte em seu lugar e determina a cada uma sua função. Quando algo parece aleatório, você está testemunhando um padrão se transformando em outro.
3. O esquema todo é auto-organizado. Não é necessário um controlador externo. Uma vez que uma galáxia, uma borboleta, um coração ou uma espécie inteira esteja em movimento, seu funcionamento interno sabe o que fazer.
4. A evolução se desdobra por si mesma. Uma vez que alguma coisa cresce, ela procura a forma mais elevada de si mesma - a melhor estrela, dinossauro, feto ou samambaia. Quando esta se exaure, ela realiza uma transição para uma nova forma que seja mais criativa e interessante.
5. A liberdade é o objetivo final. Você não ganha por ter chegado ao fim, você ganha por encontrar um novo jogo no instante em que o velho acaba. Isso não é liberdade vazia. Você nunca se acha flutuando em um vácuo. Melhor dizendo, essa é a liberdade de possibilidades que nunca chegam ao fim. (...)" 

(Deepak Chopra - Reiventado o Corpo, Reanimando a Alma - Ed. Rocco Ltda., Rio de Janeiro, 2010 - p. 250/251)


quinta-feira, 8 de abril de 2021

POR QUE SOU IMPORTANTE?

"No passado, a vida ficava mais fácil sabendo-se o que Deus tinha reservado. Se você souber onde se encaixar no esquema divino, as dificuldades materiais da vida se tornam secundárias. Se você não entrar na linha, seu destino será amargo, mas nem por isso estático. Não sei de nenhuma cultura em que o destino de uma pessoa tenha sido deixado à deriva. Mesmo no judaísmo, em que uma interpretação (mas não todas) nega a existência de uma pós-vida, Deus afirma que esta vida, sendo a única, deveria ser vivida do modo mais devotado possível. A virtude de viver em Deus é que sua ínfima existência não fica dotada simplesmente de um propósito mais alto, e sim do mais alto de todos, como parte da criação de Deus.

Entretanto, por maior que seja a força de se viver para Deus, a religião esteve sempre atormentada por uma séria contradição. Todas as pessoas são consideradas preciosas para Deus, mas ninguém é realmente necessário. Vidas individuais são desperdiçadas aos milhares a cada ano nas guerras. Outras incontáveis são perdidas por causa de fome, de doenças ou mal conseguem sobreviver a um índice cruel de mortalidade infantil. Poucas pessoas falam acerca dessa contradição que tem um efeito oculto. Médicos precisam anunciar estados terminais a pacientes incuráveis. A notícia chega como um choque, mas vem demonstrando que a maioria dos pacientes terminais é abnegada. A razão pela qual não querem morrer é que suas famílias precisam delas. A grande questão 'Por que estou aqui?' é deixado para outras pessoas. O mesmo ocorre com o medo dominante expresso pelo idoso, um medo que não é o de morrer ou da dor crônica e incapacitante. Antes de tudo, o que eles mais temem é se tornarem um fardo para seus filhos.

É humano compreender que todos nós precisamos uns dos outros de codependência no pior sentido: eu só existo para ter necessidades e ser necessário. Lembro-me bem no começo de minha carreira, de um paciente que ao ser informado que sofria de um câncer incurável no fígado, ou pâncras, murmurou: 'Que grande perda para o mundo quando eu me for.' Não só uma perda para a família e os amigos, mas uma perda absoluta, algo que tornaria o mundo mais pobre. Certamente, todos nós vemos a passagem de gente eminente dessa forma. E também, pela perspectiva de sua alma, você é um complemento para o mundo tão importante quanto Mahatma Gandhi ou Madre Tereza. Subtraí-lo da equação cósmica seria uma perda tão grande quanto. A seda mais refinada permanece intacta se você puxar um fio, mas o rasgo aparecerá. 

Muitas pessoas resistem à ideia de possuir um valor absoluto no universo. Inconscientemente, estão adotando um comportamento conhecido como desamparo adquirido. Um exemplo típico vem de um experimento com cães realizado na década de 1950. Dois cães foram colocados em jaulas diferente e em cada um era aplicado um choque de baixa voltagem a intervalos aleatórios. O primeiro cão tinha à disposição um interruptor em que ele podia bater com a pata para estancar o choque, em em pouco tempo aprendeu a apertar o interruptor. Como os choques eram fracos, esse cão não demonstrou nenhum efeito adverso. O segundo cão recebia os choques no mesmo momento, mas não tinha nenhum interruptor para desligá-los. Sua experiência era bem diferente. Para aquele cão, a dor era uma ocorrência aleatório fora de seu controle.

Porém, foi a segunda parte da experiência que se mostrou mais reveladora. Os dois cães foram colocados em outras jaulas onde a metade do piso dava choque e a outra metade, não. Tudo o que o cão precisava fazer no momento do choque era saltar uma divisória de madeira para a parte neutra. O primeiro cão, o que aprendera a desligar o choque, não tinha mais o interruptor. Mas também não precisou de um. Rapidamente aprendeu a saltar para o lado seguro, O segundo cão, no entanto, desistiu de início. Ele se deitou e deixou que os choques acontecessem sem esboçar nenhuma reação para se livrar deles. Isso é o desamparo adquirido em ação. Quando aplicado à vida humana, as consequências são devastadoras. Inúmeras pessoas aceitam que a dor e o sofrimento apareçam aleatoriamente na vida. Nunca estiveram no controle dos choques por que passa cada existência, e assim não buscam saída, mesmo quando surge alguma.

Saber como as coisas funcionam é importante. Caso contrário, o desamparo adquirido aos poucos vai tomando conta de nós. O primeiro cão aprendeu que a vida faz sentido: se você atinge o interruptor, a dor passa. O segundo cão aprendeu que a vida não tem sentido: não importa o que faça, a dor virá de qualquer maneira, o que significa que não há nenhum responsável, ou, se houver, ele não se importa. O cérebro de um cão pode não chegar a pensar dessa forma, mas o nosso sim. Sem um senso de objetividade, nós ficamos desamparados, visto que ou Deus não está presente ou ele não se importa com o que acontece conosco. Para escapar de nosso desamparo adquirido, precisamos adquirir um sendo de que somos importantes no esquema mais amplo das coisas."

(Deepak Chopra - Reinventado o Corpo, Reanimando a Alma - Ed. Rocco Ltda., Rio de Janeiro, 2010 - p.245/247)


terça-feira, 6 de abril de 2021

O UNIVERSO EVOLUI ATRAVÉS DE VOCÊ

"(...) É preciso uma ruptura que revele o quão valioso você realmente é. Quase ninguém acredita ser absolutamente necessário no grande esquema do universo. Você, no entanto, sendo a vanguarda da evolução, é precioso para o universo de um modo singular porque só você tem a experiência que a vida representa. Pertence a um plano que não pode existir sem você, embora seja bastante diferente daquilo que imagina: o plano não tem diretrizes rígidas, limites fixos nem final previsível. É construído à medida que avança , e esse é o motivo pelo qual depende da participação de cada um. 

Certa vez, ouvi um famoso guru indiano falando a respeito do plano cósmico - ou plano divino, como chamou. Ele falou do plano com as palavras mais inspiradoras, projetando um futuro abençoado com indescritível fartura e total ausência de sofrimento. A plateia era grande, composta em sua maioria por ocidentais. No salão, pude sentir um cabo de guerra emocional - as pessoas queriam acreditar no que tinham ouvido, mas não se atreviam. Finalmente, um membro da plateia levantou-se e perguntou:

- Esse plano divino está em execução exatamente agora? O mundo está tão caótico e violento. Cada vez menos gente acredita em Deus.

Sem hesitar, o guru respondeu:

- Acreditar em Deus não importa. O plano é eterno, estará sempre em execução. Ele não pode ser parado. - Fazendo um círculo com o braço, acrescentou: - Todos aqui deveriam aderir. Não há maior propósito na vida, e se você se juntar agora, irá colher as primeiras recompensas.

O ouvinte franziu as sobrancelhas. 

- E se eu não aderir? - perguntou: - O que pode acontecer? O rosto do guru permaneceu austero.

- Deus não é dependente de ninguém. O plano divino não precisa de você para prosseguir - ele se debruçou mais perto do microfone - mas, se você virar as costas, não irá se manifestar através de você. 

Definitivamente, creio que está é a resposta certa. Se tirarmos o 'divino' da equação e falarmos em termos de um universo em constante evolução, você pode aderir ao fluxo evolucionário ou não. A escolha é sua. Seja como for, a evolução acontecerá, mas se você optar por permanecer fora, ela não se manifestará através de você."

(Deepak Chopra - Reinventado o Corpo, Reanimando a Alma - Ed. Rocco Ltda., Rio de Janeiro, 2010 - p.244/245)


quinta-feira, 1 de abril de 2021

O SIGNIFICADO DA DOR - 4a (PARTE FINAL)

"(...) Poucos têm a coragem, ainda que lentamente, de enfrentar a grande desolação que se encontra fora deles mesmos, e lá repousar, enquanto apegam-se à pessoa que representam, o 'eu' que para eles é o centro do mundo, a causa de toda a vida. Em seu anseio por um deus, eles encontram a razão da existência de um; no desejo por um corpo sensorial e um mundo para desfrutar, a causa do Universo existe para eles. Essas crenças podem estar ocultas muito abaixo da superfície e, de fato, de difícil acesso; mas a razão pela qual o ser humano se mantém em pé, está no fato de que as crenças lá se encontram. Ele é, para si mesmo, o infinito e o deus; sustenta o oceano em uma taça. Nesta ilusão ele nutre o egoísmo que torna a vida prazerosa e a dor agradável. Nesse profundo egoísmo está a causa e a fonte da existência do prazer e da dor, pois a menos que o indivíduo vacilasse entre estes dois, e incessantemente lembrasse a si mesmo, pela sensação, de que o egoísmo existe, ele o esqueceria. E, nesse fato, está toda a resposta à pergunta: 'Por que o homem cria dor para seu próprio desconforto?'

O fato estranho e misterioso permanece, até então, inexplicável; ao se iludir, o ser humano meramente interpreta a Natureza ao contrário e atribui a significação da vida às palavras de morte. Para aquele indivíduo que realmente segura o infinito dentro de si, e que o oceano realmente está na taça, é uma verdade incontestável; mas unicamente é assim, porque a taça é absolutamente inexistente. É meramente uma experiência do infinito, impermanente, sujeita a ser destroçada a qualquer instante.

É na reivindicação da realidade e da permanência dos quatro muros de sua personalidade que o ser humano comete o grande erro, mergulhando numa série prolongada de incidentes infelizes e intensificando continuamente a existência de suas formas favoritas de sensação. Prazer e dor se tornam para ele mais reais do que o grande oceano do qual ele faz parte e onde encontra seu lar; perpétua e dolorosamente bate contra esse muros, nos quais sente, e seu eu mesquinho oscila dentro de sua prisão escolhida." 

(Mabel Collins - Através dos Portais de Ouro - Ed. Teosófica, Brasília, 2019 - p. 102/104)
www.editorateosofica.com.br 


terça-feira, 30 de março de 2021

O SIGNIFICADO DA DOR - 4

"Uma lição definida aprendida por todos aqueles que sofrem intensamente será de grande utilidade para a nossa consideração. Na dor intensa atinge-se um ponto em que ela é indistinguível do seu oposto, o prazer. Isso é verdade, porém, poucos têm o heroísmo ou a força para sofrer até um grau tão extraordinário. É tão difícil alcançá-lo como é pelo outro caminho. Apenas uns poucos eleitos têm a gigantesca capacidade para o prazer, que lhes permitirá viajar para o seu oposto. A maioria somente tem força suficiente para desfrutar e se tornar escrava do prazer. No entanto, o indivíduo tem indubitavelmente dentro de si o heroísmo necessário para a grande jornada; porém, como é que os mártires sorriram em meio à tortura? Como é que o pecador profundo que vive por prazer pode, finalmente, sentir em si mesmo a inspiração divina?

Em ambos os casos, tem surgido a possibilidade de encontrar o caminho; mas muitas vezes essa possibilidade é eliminada pelo desequilíbrio da natureza sobressaltada. O mártir adquiriu uma paixão pela dor e vive com a ideia de um sofrimento heroico; o pecador se torna cego pela ideia da virtude e a adora como um fim, como um objeto, uma coisa divina em si mesma; visto que somente pode ser divina como uma parte desse todo infinito que inclui tanto o vício quanto a virtude. 

Como é possível dividir o infinito - aquilo que é um? É tão razoável conceder divindade a qualquer objeto, como tomar uma taça de água do oceano e declarar que nela está contido o oceano. Você não pode separá-lo; a água salgada faz parte do imenso mar e assim deve ser; mas mesmo assim você não segura o mar na sua mão. Os seres humanos desejam tão ansiosamente o poder pessoal, que estão prontos para colocar o infinito em uma taça, a ideia divina em uma fórmula - imaginando possuí-la. Estes são apenas aqueles que não podem se levantar e se aproximar dos Portais de Ouro, pois o grande sopro da vida os confunde; são golpeados pelo horror ao descobrir quão enormes são esses Portais. O adorador de um ídolo mantém, em seu coração, a imagem de seu ídolo e sempre queima uma vela diante do mesmo. É o seu ídolo e se compraz com esse pensamento, embora se incline reverentemente diante dele. Quantos seres humanos virtuosos e religiosos não se encontram nesse mesmo estado? Nos recessos da alma, a lâmpada está queimando diante de um deus doméstico - uma coisa possuída por seu adorador e sujeita a ele. Os indivíduos se apegam com desesperada tenacidade a estes dogmas, a estas leis morais, a estes princípios e modos de fé, que são seus deuses domésticos, seus ídolos pessoais. Peça-lhes que queimem a chama incessante em reverência apenas ao infinito, e eles se afastam de você. Seja qual for a maneira como eles desprezam o seu protesto, dentro deles mesmos deixam uma sensação de doloroso vazio. Pois a nobre alma dos seres humanos, aquele poderoso rei que está dentro de todos nós, sabe perfeitamente bem que esse ídolo doméstico pode, em qualquer momento, ser derrubado e destruído - que em si mesmo carece de toda finalidade, sem nenhuma vida real e absoluta. E ele se contentou em possuí-lo, esquecendo-se de que tudo que é possuído só pode ser mantido, temporariamente, pelas leis imutáveis da vida. Ele esqueceu que o infinito é seu único amigo; esqueceu que em sua glória está seu único lar - que somente ele pode ser seus deus. Lá ele se sente como se fosse desamparado; mas, entre os sacrifícios que oferece ao seu próprio e especial ídolo, ele encontra um breve local de descanso; e por isso se apega apaixonadamente ao ídolo. (...)" continua...

(Mabel Collins - Através dos Portais de Ouro - Ed. Teosófica, Brasília, 2019 - p. 99/102)
www.editorateosofica.com.br 


quinta-feira, 25 de março de 2021

O SIGNIFICADO DA DOR - 3

"A primeira coisa que é necessária a ser realizada pela alma humana, a fim de envolver-se neste grande esforço de descobrir a verdadeira vida, é o mesmo realizado pela criança em seu primeiro desejo de atividade no corpo - ela deve ser capaz de ficar de pé. É claro que o poder de manter-se firme, do equilíbrio, da concentração, da retidão na alma são qualidades de um caráter forte. A palavra que se apresenta mais prontamente como descritida dessas qualidades é 'confiança'.

Permanecer imóvel em meio à vida e às suas mudanças, firme no lugar escolhido, é uma façanha que só pode ser realizada por aquele que confia em si mesmo e em seu destino. Caso contrário, as apressadas formas de vida, a maré apressada dos indivíduos, as grandes inundações de pensamento, inevitavelmente os levarão consigo, e então ele perderá aquele lugar de consciência de onde era possível iniciar o grande empreendimento. Este ato do indivíduo recém-nascido deve ser levado a cabo conscientemente, e sem pressão externa. Todos os grandes da Terra possuíram essa confiança e permaneceram firmemente naquele lugar que para eles era o único ponto sólido no Universo. Para cada indivíduo este lugar é necessariamente diferente. Cada um deve encontrar sua própria terra e seu próprio céu. 

Temos o desejo instintivo de aliviar a dor, mas para isso, como em tudo o mais, trabalhamos externamente. Nós simplesmente a aliviamos; e se fizermos mais, e a expulsarmos da primeira fortaleza escolhida, ela reaparecerá em algum outro lugar com vigor reforçado. Se for finalmente expulsa do Plano Físico por um esforço persistente e bem-sucedido, reaparece nos Planos Mentais ou Emocionais, onde nenhum indivíduo pode tocá-la. Que isto é assim é facilmente visto por aqueles que conectam os vários planos da sensação, e que observam a vida com aquela iluminação adicional. Os seres humanos geralmente consideram essas diferentes formas de sentimento como realmente separadas, ao passo que, na verdade, elas são evidentemente apenas lados diferentes de um centro - o ponto da personalidade. Se aquilo que brota no centro, a fonte da vida, exige alguma ação impeditiva, e consequentemente causa dor, a força assim gerada, sendo expulsa de uma fortaleza deve encontrar outra; não pode ser expulsa. E todas as combinações da vida humana que causam emoção e angústia existem para seu uso e propósitos, da mesma forma aquelas que geram prazer. Ambas têm seu lar no ser humano; ambas exigem sua expressão de direito. O maravilhoso e delicado mecanisno da estrutura humana. é construído para responder ao seu mais leve toque; as extraordinárias complexidades das relações humanas evoluem, por assim dizer, para a satisfação desses dois grandes opostos da alma.

A dor e o prazer estão distantes e separados, assim como ambos os sexos; e é na fusão, tornando os dois em um, que a alegria, a profunda sensação e a paz são obtidas. Onde não há nem macho nem fêmea, nem dor nem prazer, há o deus no indivíduo dominante, e assim é a vida real.

Assim, afirmar esta questão pode ter muito das características do dogmático que pronuncia suas afirmações a partir de um púlpito seguro, sem contradições; porém, é unicamente dogmatismo, como é dogmatismo o registro do esforço de um cientista em uma nova direção. A menos que se possa provar que a existência dos Portais de Ouro é real, e não mera fantasmagoria de visionários fantasiosos, então não vale a pena falar sobre eles. No Século XIX, fatos concretos ou argumentos legítimos só apelam para a mente dos seres humanos; e tanto melhor. Pois, a menos que a vida em que avançamos seja cada vez mais real e efetiva, é inútil o tempo desperdiçado em ir atrás dela. A realidade é a maior necessidade do ser humano, e ele a exige a qualquer custo, a qualquer preço. Então que seja. Ninguém duvida que ele tenha razão. Deixe-nos assim irmos em busca da realidade."

(Mabel Collins - Através dos Portais de Ouro - Ed. Teosófica, Brasília, 2019 - p. 95/98)


terça-feira, 23 de março de 2021

O SIGNIFICADO DA DOR - 2c

"(...) Não podemos encontrar nenhum ponto da escala do ser em que a causação da alma cesse ou possa cessar. A ostra vagarosa deve ter em si mesma aquilo que a faz escolher a vida inativa que leva; ninguém mais pode escolher por ela, mas somente a alma por detrás, o que ela se tornará. De que outra forma ela pode, de algum modo, ser ou estar onde está? Somente pela intervenção de um criador impossível, chamado por um ou outro nome.

É porque o indivíduo é tão ocioso, tão indisposto a assumir ou aceitar a responsabilidade, que ele recorre a um paliativo temporário de um criador. É de fato temporário, pois só dura durante a atividade do poder de um cérebro pessoal que encontra seu lugar entre nós.

Quando o indivíduo deixa essa vida mental para trás, ele necessariamente parte com sua lanterna mágica e as ilusões agradáveis que ele invocou através de sua própria ajuda. Esse movimento deve ser bastante desconfortável, e deve produzir uma sensação de nudez não corrompida por nenhuma outra sensação. Recusando-se a aceitar fantasmas irreais como sendo de carne, osso e poder, ele, aparentemente, também se salva dessa experiência desagradável.

O ser humano gosta de empurrar a responsabilidade não apenas de sua capacidade de pecar e da possibilidade de sua salvação, mas de sua própria vida, sua própria consciência, sobre os ombros do Criador. Ele se contenta com um pobre Criador - aquele que se satisfaz com um universo de fantoches, e diverte-se ao puxar suas cordas. Se ele é capaz de tal prazer, deve estar ainda em sua infância. Talvez seja assim, afinal de contas do Deus dentro de nós está em sua infância, e recusa-se a reconhecer seu elevado estado.

Se, de fato, a alma do ser humano está sujeita às leis do crescimento, da decadência e do renascimento de seu corpo, então não é de admirar sua cegueira. Evidentemente, isso não é assim; pois a alma do ser humano é daquela ordem da vida que origina estrutura e forma, não sendo afetada por tais coisas - daquela ordem da vida que, como a chama pura e abstrata, queima onde for acesa. Isso não é afetado ou alterado pelo tempo, e o crescimento e a decadência são de sua natureza superior. Permanece naquele lugar primitivo, que é o único trono de Deus; aquele lugar de onde emergem as formas de vida e para onde elas retornam. Esse lugar é o ponto central da existência, onde há um ponto permanente de vida, como existe no centro do coração humano. Por meio do desenvolvimento igual - primeiro pelo reconhecimento do mesmo e, então, por seu harmônico desenvolvimento sobre as muitas linhas radiantes da experiência - que o homem é finalmente habilitado a alcançar o Portal de Ouro e erguer o trinco. O processo é o reconhecimento gradual do deus em si mesmo; a meta é alcançada quanto essa divindade é conscientemente restaurada à sua justa glória." 

(Mabel Collins - Através dos Portais de Ouro - Ed. Teosófica, Brasília, 2019 - p. 92/94)


quinta-feira, 18 de março de 2021

O SIGNIFICADO DA DOR - 2b

"(...) O indivíduo do mundo, puro e simples, é de longe o melhor observador prático e filosófico a respeito da vida, porque não está cego pelos preconceitos. Sempre o encontraremos acreditando que colherá aquilo que semeia. E isso é tão evidentemente verdadeiro, que ao ser considerado com uma visão mais ampla, incluindo toda a vida humana, torna compreensível o horrível Nêmesis⁵, que parece perseguir, conscientemente, a raça humana - essa inexorável aparência de dor no meio do prazer.

Os grandes poetas gregos viram essa aparição tão claramente que o registro de suas observações deu a ideia, a nós, observadores mais jovens e mais cegos, desse fato. É improvável que uma raça tão materialista como a que cresceu no Ocidente tenha descoberto por si mesma a existência dessa fator terrível na vida humana, sem a assistência dos poetas mais antigos - os poetas do passado. A propósito, podemos notar nisso um valor distinto do estudo dos clássicos - que grandes ideias e fatos sobre a vida humana, que são inseridos em suas poesias, pelos antiquíssimos anciões, não serão absolutamente perdidos, como acontece em suas artes. 

Sem dúvida o mundo florescerá novamente, e pensamentos mais amplos e descobertas mais profundas do que as do passado serão a glória dos seres humanos que surgirão no futuro; mas até esse longínquo dia chegar, os tesouros deixados não foram demasiadamente valorizados.

Há um aspecto da questão que, à primeira vista, parece positivamente negativo quanto a este modo de pensar; é o sofrimento no corpo físico, aparentemente puro, dos seres ignorantes, das crianças pequenas e dos animais - e a necessidade desesperada do poder, que advém de qualquer tipo de conhecimento, para ajudá-los em seus sofrimentos.

A dificuldade que surge na mente com relação a isso vem da ideia insustentável da separação da alma do corpo. Supõem-se que todos aqueles que olham apenas para a vida material (especialmente os médicos) que o corpo e o cérebro são pares, que convivem lado a lado, e reagem um sobre o outro. Além disso, eles não reconhecem e não admitem nenhuma causa. Esquecem que tanto o cérebro quanto o corpo são evidentemente meros mecanismos, assim como a mão ou o pé. Há o ser interno - a alma - por detrás, usando todos esses mecanismos; e isso é, evidentemente, a verdade, conhecida por todos nós, em relação a todas as existências e também no que diz respeito ao próprio indivíduo. (...)" continua...

⁵. Na mitologia grega, deusa da vingança e da justiça distributiva. (N.E.)

(Mabel Collins - Através dos Portais de Ouro - Ed. Teosófica, Brasília, 2019 - p. 89/92)


terça-feira, 16 de março de 2021

O SIGNIFICADO DA DOR - 2a

"(...) Se a dor é o resultado de um desenvolvimento desigual, de crescimentos monstruosos, de avanços defeituosos em diferentes pontos, por que o ser humano não aprende a lição e esforça-se para desenvolver-se por igual?

Parece-me que a resposta a essa pergunta seria que esta é a verdadeira lição que a raça humana está empenhada em aprender. Talvez isso seja uma afirmação ousada demais a ser feita diante do pensamento comum, que considera o ser humano como criatura do acaso que vive no caos ou como uma alma ligada à inexorável roda da carruagem de um tirano, lançada ao céu ou precipitada no inferno. Mas tal modo de pensar é, afinal de contas, o mesmo que o da criança que considera seus pais os árbitros finais de seus destinos e, de fato, como os deuses ou demônios de seu universo. À medida que cresce, ela deixa de lado essa ideia, descobrindo que é simplesmente uma questão de amadurecimento, que é governante da sua própria vida, como qualquer outro.

Assim é com relação à raça humana. Ela é a governante do mundo, árbitro de seu próprio destino, e não há quem disso discorde. Aquele que fala de providência ou casualidade não se deu ao trabalho de pensar.

O destino, o inevitável, existe na verdade, tanto para a raça como para o indivíduo; mas quem pode declarar isso, senão ele mesmo? Não há nenhuma nuvem no céu ou na terra para a existência de qualquer mandante que não seja o próprio ser humano, que sofre ou desfruta daquilo que ele mesmo ordena. Sabemos tão pouco de nossa própria constituição, somos tão ignorantes de nossas funções divinas que nos é impossível, ainda, saber o quanto somos realmente o próprio destino. Mas sabemos disso pelos eventos - que até onde qualquer percepção alcance, nanhuma dica ainda foi descoberta sobre a existência de um mandante; enquanto que, se concedermos muito pouca atenção à nossa própria vida, a fim de observar a ação do indivíduo em seu futuro, logo percebemos, em operação, esse poder como uma força real. É visível, embora nosso alcance de visão seja muito limitado. (...)" continua...

(Mabel Collins - Através dos Portais de Ouro - Ed. Teosófica, Brasília, 2019 - p. 87/89)


quinta-feira, 11 de março de 2021

O SIGNIFICADO DA DOR - 2

"Se considerarmos cuidadosamente a constituição do ser humano e suas tendências, pareceria haver duas direções definidas nas quais ele cresce. Ele é como uma árvore que cria suas raízes no solo, ao mesmo tempo em que ergue seus novos ramos em direção aos céus. Essas duas linhas que partem de um ponto pessoal e central são claras, definidas e inteligíveis. A uma, ele chama bem, a outra, mal. Mas o indivíduo não é, de acordo com qualquer analogia, observação ou experiência, uma linha reta. Sua vida, seu progresso, seu desenvolvimento, chame-se como queira, não consiste meramente em seguir um caminho reto ou outro, como alegam os filiados às religiões. Toda a questão, o grande problema, seria facilmente resolvido então. Porém, não é tão fácil ir para o inferno como os pregadores declaram ser. É uma tarefa tão difícil quanto encontrar o caminho para o Portal de Ouro.

Um indivíduo pode destruir-se completamente no prazer dos sentidos - ao que parece, pode degradar toda a sua natureza - mas ele falha em tornar-se o diabo perfeito, pois ainda há a centelha da luz divina em seu interior. Ele busca escolher a estrada ampla que leva à destruição, e bravamente entra num impetuoso percurso. Mas logo ele é controlado e surpreendido por uma tendência impulsiva - algumas das muitas outras radiações que saem do centro de si mesmo. Ele sofre, como sofre o corpo quando desenvolve monstruosidades que impedem sua ação saudável. Criou sua dor e tem se encontrado com sua prória criação. Pode parecer que esse argumento é de difícil aplicação em relação à dor física. Não é assim, se o indivíduo é considerado de um ponto de vista mais elevado do que aquele que geralmente ocupamos. Se ele é visto como uma consciência poderosa que forma suas manifestações externas de acordo com seus desejos, então é evidente que a dor física resulta da deformidade desses desejos. Sem dúvida, parecerá a muitas mentes que essa concepção de ser humano é demasiadamente gratuita, e envolve um salto mental muito grande para lugares desconhecidos, onde a prova é inatingível. Mas se a mente está acostumada a encarar a vida deste ponto de vista, muito em breve nenhum outro é aceitável; os fios da existência, que ao observador materialista parecem desesperadamente emaranhados, separam-se e ajustam-se, de modo que uma nova compreensão ilumine o Universo. O criador arbritário e cruel que inflige dor e prazer à vontade então desaparece de cena; e isso é bom, pois ele é realmente um personagem desnecessário, e, pior ainda, é uma mera criatura de palha, que não pode nem mesmo erguer-se sobre as tábuas sem o apoio dos dogmáticos. O ser humano vem a este mundo, certamente, com o mesmo princípio que ele vive em qualquer cidade; em todo caso, se é demais afirmar isso, pode-se perguntar com segurança, por que não é assim? Não existem para isso razões nem pró e nem contra pelas quais os materialistas possam apelar ou que pesariam em um tribunal de justiça; mas eu afirmo isso a favor do argumento - que nenhum indivíduo, tendo uma vez considerado isso seriamente, pode voltar-se às teorias formais dos céticos. Seria o mesmo que se envolver em cueiros, como um recém-nascido. 

Concordando com esse argumento, que o ser humano é uma consciência poderosa, seu próprio criador, seu próprio juiz e que em seu interior reside, potencialmente, toda a vida, até o objetivo final, consideremos, então, as razões pelas quais ele se inflige o sofrimento. (...)" continua... 

(Mabel Collins - Através dos Portais de Ouro - Ed. Teosófica, Brasília, 2019 - p. 84/87)


terça-feira, 9 de março de 2021

O SIGNIFICADO DA DOR

"Lance um olhar para o âmago profundo da vida. De onde vem a dor que obscurece a existência dos seres humanos? Ela está sempre no limiar, e atrás dela encontra-se o desespero. 

O que são essas duas figuras esqueléticas e por que lhes é permitido serem nossas companheiras constantes?

Somos nós que as permitimos, nós que as ordenamos, quando permitimos e ordenamos a ação dos nossos corpos; e fazemos isso inconscientemente. Mas, por meio de experimentos e investigações científicas, aprendemos muito sobre nossa vida física; e parece que podemos obter, pelo menos, igual resultado em relação à nossa vida interior, adotando métodos semelhantes.

A dor desperta, suaviza, quebra e destrói. Considerada de um ponto de vista suficientemente distante, ela surge, por sua vez, como um remédio, uma faca, uma arma, um veneno. Evidentemente, é um instrumento, uma coisa que é usada. O que desejamos descobrir é quem é o usuário; qual parte de nós que exige a presença dessa coisa tão odiosa para o restante? 

O medicamento é usado pelo médico, o bisturi pelo cirurgião; mas a arma da destruição é usada pelo inimigo, por aquele que odeia.

Será que apenas usamos meios, ou desejamos usá-los para o benefício de nossas almas, como também travamos guerra dentro de nós e combatemos no santuário interno? Aparentemente é assim, pois é certo que, se a vontade humana descontraísse em relação a essa batalha, não manteria mais a vida no estado em que a dor existe. Por que ele deseja sua própria dor?

A primeira vista, parece que ele deseja principalmente o prazer, e assim está disposto a continuar naquele campo de batalha, onde trava guerra com a dor, esperando sempre que o prazer conquiste a vitória e a leve para casa. Esse é apenas o aspecto externo do estado em que se encontra o ser humano.

Ele sabe, por si mesmo, que a dor é codirigente com o prazer e que, embora sempre se trave a guerra, ela nunca vencerá. O observador superficial conclui que o indivíduo se submete ao inevitável. Mas isso é uma falácia, indigno de discussão. Pensando um pouco mais seriamente, veremos que o indivíduo não existe, exceto pelo exercício de suas qualidades positivas; logicamente, supõe-se que ele escolhe, pelo exercício dessas mesmas qualidades, o estado em que viverá.

Admitido, então, devido ao nosso argumento, que o ser humano deseja a dor, porque ele deseja algo tão desagradável para si mesmo?" continua...

(Mabel Collins - Através dos Portais de Ouro - Ed. Teosófica, Brasília, 2019 - p. 81/84)


quinta-feira, 4 de março de 2021

A AMOROSIDADE DE UM 'NÃO' (PARTE FINAL)

"(...) O ego geralmente busca a 'gratificação instantânea', enquanto a mente superior, com sabedoria e equilíbrio, leva em consideração não só os benefícios de curto prazo, mas também as consequências em longo prazo de todas as nossas ações, palavras e pensamentos. Com isso, o verdadeiro amor/sabedoria de nosso Ser Interior, ciente das futuras consequências negativas da ação proposta, como procura fazer o bem ao próximo, deverá expressar esse amor com um 'não' à solicitação que foi feita. É óbvio que o 'não' amoroso deve ser expresso sem raiva ou agressividade, mas sim de forma suave e paciente, porém firme, explicando a razão da negativa.

Essa questão é particularmente importante para os pais que, desde cedo na vida dos filhos, verificam todos os dias que os filhos seguidamente solicitam coisas ou desejam fazer algo que implica em perigo para as crianças. Como os pais amam seus filhos, obviamente precisam dizer NÃO para essas exigências. Sabemos, porém, que as crianças podem ser geniosas e insistentes na tentativa de conseguir o que desejam. Choro, manha, birra e até mesmo atos de rebeldia são empregados na tentativa de manipular os pais e fazê-los ceder. Alguns pais acabam cedendo à pressão e manipulação dos filhos. Esse é um clássico exemplo de DESAMOR AOS FILHOS. Estão ensinando a eles que tudo pode ser obtido com suficiente pressão ou manipulação. Os filhos rapidamente aprendem essa lição e crescem com esse hábito. O resultado é que, mais cedo ou mais tarde, vão entrar em conflito com as figuras de autoridade que encontrarem pela frente, sejam elas seus professores, chefes ou autoridades civis ou policiais. Vale lembrar que os principais condicionamentos e traços da personalidade são formados nos primeiros sete anos de vida da criança.

A estrutura familiar de muitos casais, em que tanto o pai como a mãe trabalham fora e têm pouco tempo à noite para dedicar aos filhos, faz com que estes sintam necessidade de atenção e procurem obtê-la dos pais por todos os meios, inclusive da rebeldia, já que acreditam que com bom comportamento e carinho não estão conseguindo a atenção que desejam. Os pais, sentindo-se culpados por não dar aos filhos a atenção que gostariam, acabam cedendo às impertinências deles, procurando reparar seus sentimentos de culpa dando demasiados presentes caros como um meio de compensá-los pelo pouco tempo que lhes dedicam. Além disso, sentem que não devem insistir na disciplina com os deveres escolares, as tarefas domésticas e o comportamento familiar e social, para não afastar mais ainda seus filhos.

O resultado desta falta de disciplina com os filhos será para eles um processo de “deseducação”. Eles não estarão preparados para interagir de forma construtiva com as pessoas na sociedade. Isso será visto bem cedo. Inicialmente na forma de um comportamento agressivo, mostrando rebeldia com toda figura de autoridade, com uma atitude de egoísmo com seus colegas de escola e amigos. As reclamações vão aparecer, mas os pais, já devidamente 'treinados' pelos filhos, vão defender seus rebentos e aceitar a versão deles. Na adolescência os desvios comportamentais provavelmente serão mais dramáticos. Os pais só vão dar conta da extensão do problema quando forem chamados pela polícia ou pelo hospital para serem notificados das ocorrências envolvendo seus filhos.

Mais tarde vão verificar que os filhos têm dificuldade de manter um emprego, pois não aceitam autoridade e não conseguem manter uma rotina de disciplina. Quem sabe se os jovens conseguirão despertar para as regras de bom convívio na sociedade quando conhecerem uma pessoa que faça seu coração “derreter”. O amor tudo pode, e um verdadeiro relacionamento amoroso pode mudar uma pessoa.

Até mesmo para a vida espiritual, a disciplina é absolutamente indispensável. Só é possível meditar com a disciplina da mente, dos horários, das sequências das práticas, etc. Os budistas apresentam a disciplina (shīla) como a segunda grande virtude que precisa ser desenvolvida na vida espiritual. Na seção sobre a Auto-Observação, será apresentada uma das práticas mais efetivas para nossa mudança interior: a sistemática auto-observação ao longo do dia. Será visto que devemos observar todas as nossas reações às situações que enfrentamos na vida diária, pois essas situações são colheitas kármicas. A pessoa mimada ao longo da infância terá grande dificuldade para aceitar os 'espinhos' de suas colheitas kármicas. Podem até tentar manipular a Deus ou os Senhores do Karma, com suas óbvias frustrações. No capítulo sobre a purificação, será dito que a verdadeira purificação não é do corpo, mas sim da mente. Ela envolve dizer 'não' às exigências do ego, que não são poucas. Aprender a dizer e a ouvir 'não' é imprescindível, tanto para a vida mundana como para a espiritual."

(Raul Branco - A Essência da Vida Espiritual - Ed. Teosófica, Brasília, 2018 - p. 74/76)


terça-feira, 2 de março de 2021

A AMOROSIDADE DE UM 'NÃO' (1ª PARTE)

"Pode parecer uma incoerência dizer que um 'não' pode ser sinal de amorosidade. Se o verdadeiro amor requer a aceitação, a nós e ao nosso próximo, como pode haver amorosidade em dizer um não? A razão para isso é que os relacionamentos humanos ocorrem sempre dentro de um contexto. Para dar um exemplo radical, cortar a perna de nosso próximo pode ser um ato de tremenda crueldade ou de grande amor. Um torturador estará cometendo crueldade desumana, mas um médico pode estar demonstrando sabedoria e compaixão em amputar a perna gangrenada de um paciente.

Sendo assim, qual o contexto em que estaremos sendo amorosos em dizer um 'não'? A resposta é simples, quando a experiência (no caso dos pais lidando com os filhos) ou o discernimento (em se tratando de adultos) nos diz que o 'não' trará um bem muito maior a nós ou ao nosso próximo do que a frustração momentânea da negação para o ego. Esse é um dos assuntos mais delicados dos relacionamentos, culminando com a questão de nossa próxima seção, o amor às pessoas difíceis.

É importante lembrar que as qualidades divinas de todos os seres são unificadas e interdependentes. Esse parece ser um conceito difícil. 'Nossas' qualidades divinas, na verdade, são as qualidades de Cristo em nós. Luz, Paz, Amor, Beleza, Harmonia e Alegria são experimentadas simultaneamente como um todo pelo ser humano que alcança um samādhi ou êxtase. A experiência é também uma demonstração da Unidade, ou seja, que o divino é vivenciado como um Todo. A conclusão prática para nós principiantes é que qualquer uma das qualidades mencionadas deverá se manifestar em sintonia com todas as outras. Por isso, o verdadeiro amor só está sendo demonstrado quando ele expressa sabedoria e traz paz, harmonia e alegria a nós e ao nosso próximo, não só no momento presente, mas principalmente quando for o tempo de colheita do resultado de nossas ações.

Por exemplo, o respeito a si mesmo nos leva a respeitar o outro. Uma pessoa equilibrada e consciente não aceita ser vítima nem algoz. Para que o relacionamento seja real e equilibrado torna-se necessária uma comunicação honesta, mas não agressiva, de nossos sentimentos.¹⁸ O diálogo e o entendimento devem ser baseados na autenticidade, sendo todo o processo de comunicação baseado na regra de ouro. Mas ocorrerão situações em que, mesmo com toda paciência e uma hábil comunicação não violenta, uma das partes envolvidas poderá concluir que dizer não para a continuação daquele relacionamento é um ato de amor a si mesmo ou ao outro, ou mesmo aos dois.

Um amor verdadeiro é baseado no respeito mútuo. Ele não procura amarrar, controlar e muito menos escravizar o parceiro. Ao contrário, procura abrir os horizontes da pessoa amada, conferir poder e libertar os outros para que encontrem suas próprias verdades e seu próprio caminho. Nossa atitude, porém, depende do conteúdo de nossa mente. Se minha mente estiver cheia de dúvida, medo, insegurança e conflito são esses sentimentos que projetarei fora de mim, e são eles que condicionarão minha vivência. Se minha mente estiver repleta de amor, paz e bem-estar são esses sentimentos que expandirei à minha volta e é o que viverei. Nesse caso, um verdadeiro amor maduro pode se expressar com um 'não' para algumas exigências de nosso parceiro, se tivermos certeza de que as consequências da demanda feita por ele(a) trarão dissabores e sofrimento às pessoas envolvidas. (...)"

¹⁸.ROSENBERG, Marshall. Comunicação Não Violenta, São Paulo: Ed. Ágora, 2006. 

(Raul Branco - A Essência da Vida Espiritual - Ed. Teosófica, Brasília, 2018 - p. 74/76)