OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


quinta-feira, 30 de julho de 2026

CRENÇAS ULTRAPASSADAS

"'[…] Na infância da Humanidade, o homem o confunde, frequentemente, com a criatura, da qual lhe atribui as imperfeições. Mas, à medida que o senso moral se desenvolve nele, seu pensamento penetra melhor o fundo das coisas, e dele se faz uma ideia mais justa e mais conforme a sã razão, embora sempre incompleta.' (O Livro dos Espíritos – Questão 11 – Boa Nova Editora) 

É preciso identificar padrões de pensamento deficitários e crenças ultrapassadas que vigem em nossa intimidade, pois muitas de nossas convicções não são fruto de nossas próprias experiências, mas transmitidas de modo acanhado, desde a infância, por pais, avós, amigos, religiosos, professores – enfim, pela sociedade. 

Por exemplo, muitos de nós ainda temos noções infantis de Deus (um pai intransigente e austero; um bondoso e alegre 'Papai Noel'; um policial implacável e inflexível, armado para nos castigar etc.), crenças essas que não são mais apropriadas nem suficientes para as necessidades adultas. 

Todo dia temos infinitas oportunidades de desvendar as causas de nossos medos e desajustes e de descobrir antigas convicções e conceitos que ainda nos prendem, porém que não mais precisamos aceitar. 

O que nos serviu ontem pode não ter mais significado hoje."

Texto extraído do livro "A Busca do Melhor", de Francisco do Espírito Santo Neto, ditado por Hammed, Boa Nova Editora, Catanduvas/SP, item 4.
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terça-feira, 28 de julho de 2026

CORRIGENDAS

"Não aspires retificar apressadamente os outros, quando os consideres errados, segundo os teus pontos de vista, porque também nós, quando em erro, nem sempre admitimos corrigendas imediatas. 

Não imponhas o teu ideal de felicidade àqueles que estimas, de vez que a felicidade das criaturas varia sempre conforme o degrau evolutivo em que se encontrem. 

Quanto puderes, como puderes e onde puderes, guardando a consciência tranquila, trabalha servindo sempre. 

Assim agindo, ainda que não percebas, desde agora, estarás, imperturbavelmente, nos domínios da paz."  (Emmanuel)

Texto extraído do livro "Agenda de Luz", de Francisco Cândido Xavier, ditado por Espíritos diversos, p. 8.
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quinta-feira, 23 de julho de 2026

EXCESSO DE VOCÊ

"Cap. XIII – Item 10
 
Amigo, Espiritismo é caridade em movimento. 

Não converta o próprio lar em museu. 

Utensílio inútil em casa será utilidade na casa alheia. 

O desapego começa das pequeninas coisas, e o objeto conservado, sem aplicação no recesso da moradia, explora os sentimentos do morador. 

A verdadeira morte começa na estagnação. 

Quem faz circular os empréstimos de Deus, renova o próprio caminho. 

Transfigure os apetrechos, que lhes sejam inúteis, em forças vivas do bem. 

Retirem da despensa os gêneros alimentícios, que descansam esquecidos, para a distribuição fraterna aos companheiros de estômago atormentado. 

Reviste o guarda-roupa, libertando os cabides das vestes que você não usa, conduzindo-as aos viajores desnudos da estrada. 

Estenda os pares de sapatos, que lhes sobram, aos pés descalços que transitam em derredor. 

Elimine do mobiliário as peças excedentes, aumentando a alegria das habitações menos felizes. 

Revolva os guardados em gavetas ou porões, dando aplicação aos objetos parados de seu uso pessoal. 

Transforme em patrimônio alheio os livros empoeirados que você não consulta, endereçando-os ao leitor sem recursos. 

Examine a bolsa, dando um pouco mais que os simples compromissos da fraternidade, mostrando gratidão pelos acréscimos da Divina Misericórdia que você recebe. 

Ofereça ao irmão comum alguma relíquia ou lembrança afetiva de parentes e amigos, ora na Pátria Espiritual, enviando aos que partiram maior contentamento com tal gesto. 

Renovemos a vida constantemente, cada ano, cada mês, cada dia... 

Previna-se hoje contra o remorso de amanhã. 

O excesso de nossa vida cria a necessidade do semelhante. 

Ajude a casa de assistência coletiva. 

Divulgue o livro nobre. 

Medique os enfermos. 

Aplaque a fome alheia. 

Enxugue lágrimas. 

Socorra feridas. 

Quando buscamos a intimidade do Senhor, os valores mumificados em nossas mãos ressurgem nas mãos dos outros, em exaltação de amor e luz para todas as criaturas de Deus."  (André Luiz)

Texto extraído do livro "O Espírito da Verdade - Estudos e dissertações em torno da obra 'O Evangelho Segundo o Espiritismo', de Allan Kardec", de Francisco Cândido Xavier/Waldo Vieira, por vários Espíritos, FEB, Brasília/DF, item 2, p. 11/12.
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terça-feira, 21 de julho de 2026

O QUE IMPORTA É O HOJE

"'[…] Quando Jesus chegou àquele lugar, olhou para cima e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa; porque importa que eu fique hoje em tua casa […].' (Lucas, 19:5) 

Somos donos de nosso destino. Devemos aprender a nos manter de pé, a ser nós mesmos e a assumir a própria vida. 

Ontem é o passado que não volta jamais. 

Hoje é a realização do tempo presente. 

Amanhã é a construção das obras do hoje. 

Culpa e vergonha por atos passados apenas nos servirão de entraves. 

O melhor meio de reparar o que passou é procurar a conduta responsável no momento atual. 

Disse Jesus a Zaqueu: “[…] porque importa que eu fique hoje em tua casa […]”. 

Não te prendas às dores e mágoas do pretérito; isso somente te fará vibrar nas correntes enfermiças do desajuste e do desequilíbrio. 

Vive de maneira digna e aperfeiçoa-te no dia de hoje. Os teus atos de agora te seguem como a sombra acompanha a estrutura física. 

Esforça-te neste momento; somente assim tua vida terá um futuro pleno e feliz. 

Toda hora temos a oportunidade de experimentar novos ensinamentos existenciais, aprender algo novo ou alguma lição que possa ser somada à existência atual. Cada dia é único, portanto, faça valer a pena e esteja sempre receptivo ao novo. 

Soluçar no presente por uma amargura do passado é recriar outra aflição; é soluçar outra vez. 

O passado sempre será passado. Deixa-o passar… 

O futuro estará em tuas mãos se abençoares o teu hoje com boas obras."

Texto extraído do livro "A Busca do Melhor", de Francisco do Espírito Santo Neto, ditado por Hammed, Boa Nova Editora, Catanduvas/SP, item 27.
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quinta-feira, 16 de julho de 2026

PALAVRAS

"'Da mesma boca procede bênção e maldição.' - (TIAGO, 3:10.) 

Nunca te arrependerás: 

De haver ouvido cem frases, pronunciando simplesmente uma ou outra pequena observação. 

De evitar o comentário alusivo ao mal, qualquer que seja. 

De calar a explosão de cólera. 

De preferir o silêncio nos instantes de irritação. 

De renunciar aos palpites levianos nas menores controvérsias. 

De não opinar em problemas que te não dizem respeito. 

De esquivar-te a promessas que não poderias cumprir. 

De meditar muitas horas sem abrir os lábios. 

De apenas sorrir sempre que visitado pela desilusão ou pela amargura. 

De fugir a reclamações de qualquer natureza. 

De estimular o bem sob todos os prismas. 

De pronunciar palavras de perdão e bondade. 

De explanar sobre o otimismo, a fé e a esperança. 

De exaltar a confiança no Céu. 

De ensinar o que seja útil, verdadeiro e santificante. 

De prestar informações que ajudem aos outros. 

De exprimir bons pensamentos. 

De formular apelos à fraternidade e à concórdia. 

De demonstrar benevolência e compreensão. 

De fortalecer o trabalho e a educação, a justiça e o dever, a paz e o bem, ainda mesmo com sacrifício do próprio coração. 

Examina o sentido, o modo e a direção de tuas palavras, antes de pronunciá-las. 

Da mesma boca procede bênção ou maldição para o caminho."

Texto extraído do livro "Vinhas de Luz", de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel, item 179,  FEB/RJ, p. 185.  
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terça-feira, 14 de julho de 2026

MOMENTOS DE AFLIÇÃO E PROVA

"Momentos de aflição e prova surgem pelo caminho, inesperados, concitando à disciplina espiritual indispensável ao processo evolutivo do ser.

Águas serenas que são açoitadas por fortes vendavais; paisagens tranquilas que se modificam ao império de tempestades violentas; climas de paz que se convertem em campos de lutas rudes; viagem segura, que se torna perigosa, objetivos próximos de conquistados, que se perdem de repente; saúde que cede à enfermidade; amigos dedicados, que vão adiante; adversários vigorosos, que surgem ameaçadores; problemas econômicos, que aparecem, constringentes, tantos são os motivos de aflição e prova, que ninguém avança, na Terra, sem os experimentar. 

Enquanto domiciliado no corpo, espírito algum se encontra em segurança, vitorioso, isento de experiências difíceis, de possíveis insucessos.

Os momentos de prova e aflição constituem recurso de aferição dos valores morais de cada um, mediante os quais o homem deve adquirir mais valiosas expressões iluminativas como suportes para futuros investimentos evolutivos.

Por isso, todos somos atingidos por tais métodos de purificação.

*

Vigia-te, no momento de aflição e prova, a fim de que não compliques, por precipitação, o teu estado íntimo.

Suporta o vendaval do testemunho com serenidade; recebe a adaga da acusação indébita com humildade; aceita o ácido da reprimenda injusta com nobreza; medita diante do sofrimento com elevação de sentimentos.

Todos os momentos difíceis cedem lugar a outros: os de paz e compreensão.

Não te desalentes, exatamente quando deves fortalecer-te para a luta.

São nos instantes difíceis que as resistências morais devem estar temperadas, suportando as constrições que ameaçam derruir as fortalezas íntimas.

Quando estiveres a ponto de desfalecer, procura refúgio na oração.

Orando, renovar-se-ão tuas paisagens mentais e morais, elevando-te o ânimo e reconfortando-te espiritualmente.

*

Jesus, que não tinha qualquer dívida a resgatar e que é o Sublime Construtor da Terra, enquanto conosco não esteve isento dos momentos de aflição, demonstrando, amoroso, como vencê-los todos, e, ao mesmo tempo, ensinando a técnica de como retirar do aparente mal as proveitosas lições da felicidade.

Considera-Lhe os testemunhos, e, em qualquer momento em que sejas defrontado pela aflição ou prova, enfrenta a circunstância e extrai do amor a parte melhor da tua tarefa de santificação."

Texto extraído do livro "Oferenda", de Divaldo P. Franco/Joanna de Ângelis, Livraria Espírita 'Alvorada' - Editora, Salvador, BA, p. 43/45.
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quinta-feira, 9 de julho de 2026

GRAÇA E REENCARNAÇÃO

"Toda vez em que se aborda o tema da reencarnação, os mais ferrenhos estudiosos dos Evangelhos, que se detêm na forma da mensagem antes que no seu conteúdo, opõem à necessidade do nascer de novo na carne, a que se referiu Jesus, a concessão da 'graça', como mecanismo de salvação, em decorrência da divina misericórdia do Pai.

A salvação pela graça, sem dúvida, constitui uma dádiva arbitrária, que viola as leis do equilíbrio universal, a uns beneficiando, em detrimento de outros, em flagrante injustiça por parte do Soberano Criador.

Igualmente, o conceito apresentado, em referência ao 'sangue de Cristo', salvando as criaturas, deve ser entendido como a lição preciosa que o Mestre nos deu, demonstrando que, mesmo Ele, que era puro, não se furtou ao holocausto da própria vida, num extremo ato de amor, a fim de que nos não evadamos à
doação plena e total, quando chegado o momento do sacrifício pessoal.

*

Ensejar-se a um endividado revel a oportunidade de resgatar os débitos, constitui-lhe uma graça.

Conceder-se, ao trânsfuga do dever, o ensejo de reabilitação, torna-se para ele uma graça imerecida.

Facultar-se, ao enfermo, recursos de renovação e saúde é-lhe uma graça auspiciosa.

Proporcionar-se, ao delinquente, o afastamento da sociedade, a reeducação e o retorno à comunidade, torna-se-lhe uma graça bendita.

Agraciar-se, porém, o agressor esquecendo-lhe a vítima, é um ato de injustiça.

Liberar-se o algoz, sem facultar o mesmo a quem lhe padeceu a perversidade, faz-se uma forma de estimular o crime.

O amor e a justiça cooperam em favor da reabilitação do devedor, que libera a consciência da engrenagem do erro, encontrando a felicidade anelada.

O amor verdadeiro não beneficia uns, olvidando outros.

'Nenhuma das ovelhas que o Pai me confiou se perderá' - disse Jesus. Isto equivale a afirmar que todos se salvarão mediante as conquistas realizadas durante as sucessivas existências.

*

A reencarnação é a graça que o Pai concede aos que se comprazem no erro e na delinquência, a fim de desfrutarem a salvação, essa conquista que nos cumpre lograr a esforço próprio e com sacrifício pessoal.

A vida é única, no seu processo de crescimento e perfeição, em que o berço e o túmulo representam portas de entrada e de saída para cada existência física.

A carne nasce, morre e renasce inúmeras vezes, inclusive numa mesma existência corporal, mas a vida não cessa nunca.

Utiliza-te, portanto, da concessão feliz dos renascimentos físicos, a fim de cresceres em direção ao bem e à liberdade que o Mestre te acena, enquanto te aguarda, reabilitando-te dos erros cometidos, evitando incidir em outros e edificando-te no bem para o bem de todos. 

Texto extraído do livro "Oferenda", de Divaldo P. Franco/Joanna de Ângelis, Livraria Espírita 'Alvorada' - Editora, Salvador, BA, p. 37/39.
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terça-feira, 7 de julho de 2026

PROBLEMAS DO AMOR

"'Para que aproveis as coisas que são excelentes, para que sejais sinceros e sem escândalo algum'. Paulo.

O amor é a força divina do Universo.

É imprescindível, porém, muita vigilância para que não o desviemos na justa aplicação.

Quando um homem se devota, de maneira absoluta, aos seus cofres perecíveis, essa energia, no coração dele, denomina-se 'avareza'; quando se atormenta, de modo exclusivo, pela defesa do que possui, julgando-se o centro da vida, no lugar em que se encontra, essa mesma força se converte nele em 'egoísmo'; quando só vê motivos para louvar o que representa, o que sente e o que faz, com manifesto desrespeito pelos valores alheios, o sentimento que predomina em sua órbita chama-se 'inveja'.

O ódio é, comumente, o amor envenenado de ontem.

O ciúme é o amor vestido de espinhos dilacerantes.

A soberba é o amor desvairado a si próprio.

Paulo, escrevendo à amorosa comunidade filipense, formula indicação de elevado alcance. Assegura que 'o amor deve crescer, cada vez mais, no conhecimento e no discernimento, a fim de que o aprendiz possa provar as coisas que são excelentes'.

Instruamo-nos, pois para conhecer. Eduquemo-nos para discernir.

Cultura intelectual e aprimoramento moral são imperativos da vida possibilitando-nos a manifestação do amor, no império da sublimação que nos aproxima de Deus.

Atendamos ao conselho apostólico e cresçamos em valores espirituais para a eternidade, porque, muitas vezes, o nosso amor é, simplesmente, querer, e, tão somente com o 'querer' é possível desfigurar, impensadamente, os mais belos quadros da vida."

Extraído do livro "Segue-me", de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito EmmanuelCasa Editora O ClarimMatão/SP, p. 49/50.
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quinta-feira, 2 de julho de 2026

O SANTO DESILUDIDO


"Inclinara-se a palestra, no lar humilde de Cafarnaum, para os assuntos alusivos à devoção, quando o Mestre narrou com significativo tom de voz: 

— Um venerado devoto retirou-se, em definitivo, para uma gruta isolada, em plena floresta, a pretexto de servir a Deus. Ali vivia, entre orações e pensamentos que julgava irrepreensíveis, e o povo, crendo tratar-se de um santo messias, passou a reverenciá-lo com intraduzível respeito. Se alguém pretendia efetuar qualquer negócio do mundo, dava-se pressa em buscar-lhe o parecer. Fascinado pela alheia consideração, o crente, estagnado na adoração sem trabalho, supunha dever situar toda gente em seu modo de ser, com a respeitável desculpa de conquistar o paraíso. 

Se um homem ativo e de boa-fé lhe trazia à apreciação algum plano de serviço comercial, ponderava, escandalizado: 

 — É um erro. Apague a sede de lucro que lhe ferve nas veias. Isto é ambição criminosa. Venha orar e esquecer a cobiça. 

Se esse ou aquele jovem lhe rogava opinião sobre o casamento, clamava, aflito: 

 — É disparate. A carne está submetendo o seu espírito. Isto é luxúria. Venha orar e consumir o pecado.

Quando um ou outro companheiro lhe implorava conselho acerca de algum elevado encargo, na administração pública, exclamava, compungido: 

— É um desastre. Afaste-se da paixão pelo poder. Isto é vaidade e orgulho. Venha orar e vencer os maus pensamentos. 

Surgindo pessoa de bons propósitos, reclamando-lhe a opinião quanto a alguma festa de fraternidade em projeto, objetava, irritadiço:

— É uma calamidade. O júbilo do povo é desregramento. Fuja à desordem. Venha orar subtraindo-se à tentação. 

E assim, cada consulente, em vista da imensa autoridade que o santo desfrutava, se entristecia de maneira irremediável e passava a partilhar-lhe os ócios na soledade, em absoluta paralisia da alma. 

O tempo, todavia, que todo transforma, trouxe ao preguiçoso adorador a morte do corpo físico. 

Todos os seguidores dele o julgaram arrebatado ao Céu e ele mesmo acreditou que, do sepulcro, seguiria direto ao paraíso. Com inexcedível assombro, porém, foi conduzido por forças das trevas a terrível purgatório de assassinos. Em pranto desesperado indagou, à vista de semelhante e inesperada aflição, dos motivos que lhe haviam sitiado o espírito em tão pavoroso e infernal torvelinho, sendo esclarecido que, se não fora homicida vulgar na Terra, era ali identificado como matador da coragem e da esperança em centenas de irmãos em humanidade. Silenciou Jesus, mas João, muito admirado, considerou:

— Mestre, jamais poderia supor que a devoção excessiva conduzisse alguém a infortúnio tão grande! 

O Cristo, porém, respondeu, imperturbável: 

— Plantemos a crença e a confiança entre os homens, entendendo, entretanto, que cada criatura tem o caminho que lhe é próprio. A fé sem obras é uma lâmpada apagada. Nunca nos esqueçamos de que o ato de desanimar os outros, nas santas aventuras do bem, é um dos maiores pecados diante do Poderoso e Compassivo Senhor."

Extraído do livro "Jesus no Lar", de Chico Xavier, pelo Espírito Neio LúcioFEBBrasília, p. 47/49.
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