OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado diariamente com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

TANTO QUANTO EU VOS AMEI

"Jesus presenteou seus discípulos com outra gema de sabedoria espiritual a fim de ajudá-los a palmilhar o caminho do coração. Ofereceu-se a eles como exemplo de amor ao próximo, dizendo simplesmente: 'Amai-vos uns aos outros tanto quanto e vos amei'.

Jesus era sem dúvida um ser humano cheio de amor, que quase nunca encolerizava, sempre oferecia a outra face, era paciente e gentil, compassivo e compreensivo com relação aos pensamentos e sentimentos dos que o cercavam. No entanto, quando examinamos acuradamente o modo como amava as pessoas, vemos que ele não conduzia sua vida de forma a minimizar-lhes o sofrimento emocional. Evitava tomar conta dos sentimentos delas. Não era isso o que considerava amor. 

Para ele, amar era acima de tudo manter o coração aberto o tempo todo para o centro espiritual do seu próprio ser. Nesse constante estado de devoção meditativa, ele parece ter vivido, não ocupado em manipular e maquinar com sua mente lógica, mas em seguir a sabedoria e os ditames do coração a cada momento.

Para Jesus, o importante era amar a Deus de todo o coração, mente e alma, e realizar a tarefa que tinha pela frente de maneira expontânea. Por exemplo, ele ensinou aos discípulos que, quando fossem levados à presença das autoridades, não preparassem de antemão o que diriam - antes, permitissem que o Espírito falasse por intermédio deles enquanto mantinham o coração puro e harmonizado com a sabedoria, a orientação espiritual.

Em outras palavras, em vez de viver uma vida prescrita por 'deves' e 'não deves', Jesus se submetia à realidade e era sempre fiel ao chamamento interior, independentemente do que os outros pensassem de seus atos ou do grau em que estes afetassem os sentimentos alheios. Pelo que sabemos, em tudo o que fez, ele viveu o caminho amoroso da entrega absoluta ao momento espiritual.

Jesus deixou claro que não veio nem para obedecer às leis de sua cultura nem para derrogá-las. Veio para completá-las com outras novas, qualitativamente mais confiáveis - a saber, amar ao próximo como a nós mesmos, e com a mesma impávida honestidade e dedicação à verdade que ele demonstrou em tudo."

(John Selby - Sete Mestres, Um Caminho - Ed. Pensamento-Cultrix Ltda., São Paulo, 2004 - p. 122/123)

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

A DIVINDADE DO SISTEMA SOLAR

"O estudo do oculto encara o Sistema Solar, em toda a sua vasta complexidade, como a manifestação parcial de um grande Ser vivente, e todas as suas partes como aspectos dessa manifestação. Muitos nomes Lhe têm sido dados; em nossa literatura teosófica Ele foi descrito, muitas vezes, sob o título gnóstico de Logos – o Verbo que no princípio estava com Deus e era Deus; mas agora costumamos referir-nos a Ele como a Divindade Solar. Todos os constituintes físicos do Sistema Solar – o Sol com sua magnífica coroa, todos os planetas com seus satélites, seus oceanos, suas atmosferas e os vários éteres que os envolvem – tudo isso, coletivamente, é o Seu corpo físico, a expressão d’Ele no plano físico. 

De modo idêntico, os mundos astrais coletivos – não somente os mundos astrais pertencentes a cada planeta físico, mas também os planetas puramente astrais de todas as cadeias do sistema (como, por exemplo, os planetas B e F de nossa cadeia) – formam o seu corpo astral, e os mundos coletivos do plano mental são o Seu corpo mental, o veículo por cujo intermédio Ele se manifesta nesse nível particular. Cada átomo de cada mundo é um centro através do qual Ele é consciente, e, portanto, não só é verdade que Deus é onipresente, mas também que tudo que existe, existe em Deus. 

Vemos, assim, que a antiga concepção panteísta se aproxima da verdade, ainda que apenas em parte, pois toda a Natureza, em seus diversos planos, não é senão a vestimenta daquele Ser, que existe fora e acima de tudo isso, em uma vida que transcende a toda e qualquer definição, e da qual nada podemos saber. Uma vida entre outros Regentes de outros Sistemas. Assim como todas as nossas vidas estão literalmente dentro d’Ele e são, em verdade, uma parte d’Ele, assim a Sua vida e a das Divindades Solares dos inumeráveis sistemas solares são parte de uma vida ainda maior, a da Divindade do Universo visível. E se existe, nas profundezas do espaço, outros universos, para nós invisíveis, todas as suas Divindades, por sua vez, devem fazer parte igualmente da Grande Consciência Una, que inclui a totalidade."

(C.W. Leadbeater - O Lado Oculto das Coisas - Ed. Teosófica, Brasília - p.  42/43)

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

A ORDEM CÓSMICA (PARTE FINAL)

"(...) Os olhos não veem senão um pouco, de vez em quando. Só as pessoas mais despertas veem as maravilhosas qualidades da natureza e também da consciência. H. P. Blavatsky, com seus extraordinários insights, via a bondade oculta em pessoas que pareciam grosseiras aos outros. Ela dizia que 'a combinação espiritual e psíquica do homem com a natureza' existe mesmo numa pessoa com falhas de caráter. É esse fator oculto, mas essencial, que devemos considerar, para saber qual será nosso futuro e o que a ordem cósmica nos revelará.

O físico David Bohm afirmou que ordem e unidade são parte da ordem implícita que constitui a realidade fundamental. O homem seria uma pessoa bem diferente se começasse a descobrir essa característica. Mas estamos tão preocupados com nossas ambições que não compreendemos o que verdadeiramente existe. Somente os seres iluminados compreendem isso plenamente; portanto, o mundo onde as pessoas estão destruindo tudo de acordo com seus gostos e aversões não é real. O mundo é maya.

Maya não se refere ao que compreendemos. O que percebemos não é uma ilusão total, mas uma vez que converte e dá significado a tudo, é ilusão. O que vemos não é o que existe. E, quando temos uma falsa compreensão de nós mesmos, tudo o mais que pensamos que sabemos também é falso. Tudo isso é meditação: saber que mesmo as pequeninas coisas resplandecem com um elemento de divindade que as torna iguais ao altíssimo, que a menor das coisas contém o elemento divino. A totalidade da ordem cósmica revela beleza, inteligência e amor. Cada um deve purificar e elevar sua natureza para ver isso.

Como buscadores da verdade, parte do nosso trabalho é perceber a natureza gloriosa que é onipresente. Como isso pode ser feito? Podemos discutir, mas antes de tudo devemos compreender, pelo menos intelectualmente, que em cada partícula de existência há o elemento divino."

(Radha Burnier - A ordem cósmica - Revista Sophia, Ano 15, nº 67 - p. 33)

domingo, 25 de fevereiro de 2018

A ORDEM CÓSMICA (1ª PARTE)

"Muitas pessoas, ao verem gradualmente o corpo material se deteriorar, têm medo de que isso seja o verdadeiro fim. Mas na verdade temos nos ocupado apenas de uma pequena parcela da vida. Nossos pensamentos sobre o que se passou e o que está por vir (sofrimento e dor, talvez) fazem-nos compreender o que é preciso para ter tranquilidade e paz na esfera física. Os pensamentos podem nos tornar um pouco mais perceptivos, especialmente agora que o ser humano tem mais conhecimento à disposição.

Há surpresas por todo lado na esfera natural. Ver isso, e agir de acordo face a um mundo pleno de belezas, maravilhas e possibilidades, é incrível. Existe tanto sobre o que se pensar. As coisas do dia a dia importam muito pouco: o importante é ver além do corpo físico e crescer internamente.

No Bhagavad-Gita, Krishna assinala que está no coração de todas as coisas e que não há fim para o seu ser: 'O que quer que seja glorioso, belo e poderoso procede de um fragmento de meu esplendor.' As qualidades mencionadas por Sri Krishna existem em toda parte, tanto em forma quanto em consciência. Há uma crescente perfeição e uma infinita variedade nas formas que d'Ele emanam. Os seres humanos podem conhecer parte dessa perfeição e da ordem cósmica por meio das revelações de beleza, inteligência, amor e outras qualidades divinas.

Há pessoas que não hesitam em transformar a Terra em material para promover ganhos financeiros. Esta é uma das principais razões por que tantas espécies foram dizimadas. Esse tipo de atitude não é espiritual. Espiritual é ver a beleza em toda parte. Em toda parte, no deserto e na floresta, transparecem o esplendor e a luz do divino. Mas precisamos ter olhos para ver. (...)"

(Radha Burnier - A ordem cósmica - Revista Sophia, Ano 15, nº 67 - p. 33)


sábado, 24 de fevereiro de 2018

EDUCAÇÃO E AUTODESCOBERTA (PARTE FINAL)

"(...) A descoberta nesse sentido pode também levar à autodescoberta. Considere com seriedade toda a vida à sua volta. Aprenda a considerar inteligentemente os corações das pessoas. Considere com maior seriedade seu próprio coração. Não apenas observe aquilo que está fora, também observe a si próprio, por que pensa isso ou aquilo, observe sua conduta na vida diária. Ver a si mesmo como parte do todo, ver a imensidão do universo. Isto é observação: ver sem a sombra de si mesmo. Temos aqui um paradoxo: auto-observação com autoesquecimento, talvez a maior bem-aventurança que exista.

Svadhyaya significa autoestudo. H. P. Blavatsky falou do autoestudo, no livro A Doutrina Secreta, como 'um meio de exercitar e desenvolver a mente'. É uma contínua expansão de consciência transcendendo o insignificante senso de 'eu'. Da forma como estamos hoje, ainda com o nosso insignificante sendo de eu, o que há para descobrir em nós mesmos?

A maioria das pessoas pensaria imediatamente no subconsciente, significando aquele reino um tanto sombrio para o qual banimos as experiências, pensamentos e sentimentos dos quais nos envergonhamos, que nos perturbam ou dos quais temos medo. Simplesmente nos recusamos a pensar neles. Não encarar o conteúdo de nosso subconsciente, recusá-lo ou encobri-lo é como tentar descartar um material radioativo jogando-o no oceano, ou como tentar pôr uma rolha num vulcão para evitar que entre em erupção.

Krishnamurti alegava que não há subconsciente. Pode ter sido o caso com ele, que enfrentava as coisas como elas vinham. Sua vida parece ter sido uma longa e emocionante viagem de descoberta. Mas nós, da próxima vez que experienciarmos medo, desgosto ou vergonha, também podemos enfrentar esses sentimentos corajosamente, deixar que eles contem sua história, ouvi-los atentamente, sem interferência. 

O problema é que temos uma ótima opinião sobre nós mesmos. Talvez seja melhor não ter opinião, mas empreender a autodescoberta para encontrar algo que verdadeiramente nos diz respeito. O ciúme ou o ódio são como uma casa feia que construímos, uma mancha na paisagem. Ela não desaparecerá se fecharmos os olhos. Portanto, devemos aceitá-la, mas não vamos mais construir uma casa semelhante."

(Mary Anderson - Educação e autodescoberta - Revista Sophia, Ano 15, nº 67 - p. 22/23)


sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

EDUCAÇÃO E AUTODESCOBERTA (1ª PARTE)

"As palavras descoberta e educação implicam algo semelhante. Descobrir significa expor, revelar algo oculto. Educar significa retirar algo do interior. Exemplos óbvios foram as viagens de descobrimento nos séculos XV e XVI e a exploração dos até então desconhecidos territórios do planeta, assim como as viagens espaciais.

Mas é sobre a sensação da descoberta que queremos falar. Lembra-se de quando você pela primeira vez ouviu uma sinfonia de Beethoven ou leu uma obra-prima? Keats descreveu essa sensação ao ler homero: 'Então me senti como algum observador dos céus/quando um novo planeta entra no seu campo de visão/ou como um robusto Cortez quando,/com seus olhos de águia/contemplou o Pacífico/e todos os seus homens entreolharam-se,/com ansiosa suspeita/ - silêncio, sobre um pico em Darien.'

Ler esse poema de Keats pode ser uma revelação, uma descoberta - mesmo que descoberta implique expor algo pela primeira vez. Quando o astrônomo olhou para o planeta que já conhecia, ou quando Cortez viu o Pacífico pela terceira vez, talvez não mais houvesse aquele silêncio eloquente. 'A familiaridade nutre o desdém', diz o ditado. As coisas mais belas tornam-se insípidas quando nos acostumamos a elas. Será possível manter vivo o espírito de descoberta ao ouvir uma sinfonia, ler um poema ou ver um quadro como se fosse pela primeira vez?

Depende de nós. Quando fazemos uma descoberta nesse sentido, confrontamos algo como se fosse uma nova experência. A coisa nos toca diretamente, vai ao âmago. Talvez essa experiência seja tão especial porque abrimos nossos corações ao que é novo; por um instante nós nos tornamos um com a experiência e permitimos que ela expanda nossa consciência.

Você aprende muito pela observação, observando as coisas à sua volta, observando pássaros, as árvores, os céus, as estrelas... E aprende também observando as pessoas, como elas caminham, seus gestos, as palavras que usam, como estão vestidas. (...)"

(Mary Anderson - Educação e autodescoberta - Revista Sophia, Ano 15, nº 67 - p. 22)


quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

O OBJETIVO DA VIDA

"O terceiro aspecto de nosso mundo, que está oculto à maioria, é o plano e o objetivo da existência. A maior parte das pessoas parece desnorteada na vida, sem qualquer objetivo definido, salvo talvez a luta meramente física para fazer dinheiro ou alcançar o poder, porque supõe, erroneamente, que isso lhe trará felicidade. Não tem uma ideia precisa da razão pela qual está aqui, nem certeza alguma quanto ao futuro que a espera. Tais pessoas nem mesmo fazem ideia de que são almas e não corpos, e de que, assim sendo, o seu desenvolvimento é parte de um grande esquema de evolução cósmica. 

Quando essa verdade sublime despontar no horizonte da humanidade, haverá uma transformação, que as religiões ocidentais chamam conversão – uma palavra sutil, que infelizmente tem sido deturpada por associações inadequadas, por ser usada, muitas vezes, para significar nada mais que uma crise de emoção hipnoticamente induzida pelas ondas agitadas da excitação, procedentes de uma multidão exaltada. Seu verdadeiro significado corresponde exatamente ao que sua etimologia indica: 'voltar-se com'. Até agora o ser humano, ignorando a maravilhosa corrente da evolução, tem lutado contra ela, sob a ilusão do egoísmo; mas, desde o momento em que a magnificência do Plano Divino refulge ante seus olhos atônitos, a sua atitude passa a ser a de colocar todas as suas energias ao esforço de cooperar no cumprimento do desígnio supremo, 'voltar-se e acompanhar' a esplêndida corrente do amor e da sabedoria de Deus. 

Seu único objetivo, então, é capacitar-se para ajudar o mundo, tendo todos os seus pensamentos e ações dirigidos a essa meta. Podemos esquecê-la por um instante, sob a pressão das tentações; mas o esquecimento será apenas temporário, e este é o sentido do dogma eclesiástico de que o eleito não pode falhar jamais. O discernimento há de chegar, as portas da mente hão de se abrir – para adotar os termos da fé antiga para essa transformação. A pessoa agora sabe o que é real e o que é irreal, o que merece ser adquirido e o que carece de valor. Vive como uma alma imortal, que é uma Centelha do Fogo Divino, em vez de viver como um animal que perece – para usar de uma frase bíblica, que, aliás, carece de correção, visto que os animais não perecem, exceto no sentido de sua reabsorção na respectiva alma-grupo. 

A essa pessoa desvelou-se, em verdade, um aspecto da vida que antes estava oculto à sua percepção. Seria mais exato dizer que agora, pela primeira vez, ela começou realmente a viver, ao passo que, antes, toda a sua existência simplesmente se arrastava, improfícua e sem finalidade."

(C.W. Leadbeater - O Lado Oculto das Coisas - Ed. Teosófica, Brasília - p.  36/37)


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

AUTOCONHECIMENTO

"O pensamento correto vem com o autoconhecimento. Sem entender a si mesmo, não há base para o pensamento; sem autoconhecimento, o que se pensa não é verdade.

O mundo e você não são duas entidades diferentes com problemas separados: o mundo e você são um só. Seu problema é o problema do mundo. Você pode ser o resultado de algumas tendências, de influências ambientais, mas o mundo e você não são fundamentalmente diferentes um do outro. Internamente, somos muito parecidos; somos todos direcionados pela ganância, pela má intenção, pelo medo, pela ambição etc. Nossas crenças, esperanças e aspirações têm uma base comum. Somos um só, uma humanidade, embora as fronteiras artificiais da economia, da política e do preconceito nos dividam. Se você mata outra pessoa, está destuindo a si mesmo. Você está no centro do todo, e sem entender a si mesmo não poderá entender a realidade. 

Temos um conhecimento intelectual dessa unidade, mas mantemos o conhecimento e o sentimento em compartimentos diferentes, e por isso nunca experienciamos a extraordinária unidade do homem."

(Krishnamurti - O Livro da Vida - Ed. Planeta do Brasil Ltda., São Paulo, 2016 - p. 43


terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

SER MÃE NUM MUNDO EM TRANSIÇÃO (PARTE FINAL)

"(...) Fala-se muito da terceirização da educação, como se as pessoas não tivessem mais disposição para educar seus filhos. Porém, o modo como nossa sociedade está estruturada leva a essa terceirização na maioria das atividades: deixamos de cozinhar para comer na rua; deixamos de limpar nossa casa e pagamos uma faxineira; deixamos de examinar nossa vida e vamos ao médico ou ao psicólogo para saber o que está acontecendo conosco. Ou seja, há um processo contínuo de desvinculação de nós mesmos com atividades que, a rigor, deveríamos exercer.

Com a materinidade e a paternidade não poderia ser diferente. Tenho acompanhado alguns movimentos de resgate do contato de pais com filhos, que começa desde a gestação, abrange o parto e culmina na criação das crianças com a devida interação. Uma mãe em sintonia com seu filho e com seu companheiro é uma fortaleza poderosoa frente aos estímulos constantes que tendem a nos preocupar: Como ficar rico? Como ser belo? Como ter a saúde perfeita? Como ser um profissional bem-sucedido?

É como se estivéssemos participando de uma corrida; quem chega primeiro é vitorioso. Contudo, será que precisamos correr? Será que o melhor não é justamente desacelerar? Cuidar intensamente de um filho requer um grande desapego de muitos ideais que nos foram impostos; requer doação, paciência, flexibilidade. Esses valores não costumam ser divulgados nos canais de TV e nem ensinados na escola. Por isso, ser mãe é um renascimento. É um resgate de virtudes que fazem muita diferença na nossa vida, principalmente para as pessoas com que convivemos.

O amor por um filho é algo sublime, na medida em que é livre de expectativas, por não requerer nada em troca. É como um portal, onde o amor cresce em nossos corações e todos aqueles que nos rodeiam são beneficiados. Estar atento para esse processo é de suma importância, e é na convivência intensa com seres que são pura pulsão existencial que descobrimos esse universo de amor e doação de que o mundo tanto precisa."

(Samira Santana de Almeida - Ser mãe num mundo em transição - Revista Sophia, Ano 15, nº 67 - p. 29)

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

SER MÃE NUM MUNDO EM TRANSIÇÃO (1ª PARTE)

"Simone de Beauvoir (1908-1986), grande pensadora francesa, foi quem disse a célebre frase: 'Não se nasce mulher, torna-se mulher.' É de grande valia pensar que não nascemos prontos, que vamos nos moldando conforme nossas vivências com as outras pessoas, com o ambiente em que nascemos, enfim, com nós mesmos. 

Diante desse fato, podemos perguntar qual o papel da maternidade e da paternidade nos dias atuais, quando as pessoas têm pouco tempo de convivência, diante de longas horas de trabalho, do trânsito, sem falar da febre tecnológica que invade nossas vidas, com computadores e celulares que tomam a maior parte do nosso precioso tempo.

Nesse sentido, coloco-me no lugar de questionar a respeito do exemplo que darei para meu filho. Uma criança precisa de mais atenção do que qualquer outra atividade que nos propomos a fazer, pois a qualquer momento ela pode se machucar, quebrar coisas, chorar, ter fome, sujar a fralda e assim por diante. É um trabalho contínuo, que requer um empenho energético altíssimo: por isso, é possível compreender que muitas pessoas não tenham a devida paciência para lidar com esses pequenos seres que nem ao menos sabem expor seus anseios de maneira clara.

Diante disso, lembro-me de um ditado famoso: 'Um exemplo vale mais do que mil palavras.' Como vou impedir que meu filho seja viciado em ver televisão se eu mesmo sou condicionada a essa atividade desde a tenra infância? É nesse momento que entra o trabalho reflexivo, onde passo a questionar meus condicionamentos, compreendendo as heranças simbólias recebidas de meus pais e do contexto em que vivi, para transcender e fazer diferente com meu filho.

Muitas vezes nós apenas reproduzimos aquilo que nos foi ensinado, julgando certo aquilo a que já estamos acostumados e que, a princípio, não gera nenhuma consequência grave. No entanto, quando se trata de criar um ser humano para lidar com as intempéries da vida, o constante exame de certos hábitos faz toda a diferença. Resgatar as boas coisas que recebemos de nossos pais, sendo gratos por tudo que recebemos e aprendemos com eles, também é algo valioso. (...)"

(Samira Santana de Almeida - Ser mãe num mundo em transição - Revista Sophia, Ano 15, nº 67 - p. 29)


domingo, 18 de fevereiro de 2018

ESFORÇO

"Colocar sua carga sobre o destino (culpando-o), e conservar-se acomodado, significa somente redução de esforço. Com esforço e oração, um novo destino pode ser atingido. Sem esforço e oração, um bom destino e a Graça¹ não serão obtidos. Comece seu esforço!

Grandes poemas versam sobre a eterna sede do homem por Deus; são ricos da ambrosia que mitiga tal sede. Satisfazem e suscitam forças para sorrir às tribulações da vida. Sem o sadhana espiritual, sem a expansão da consciência, sem a ampliação da simpatia, sem o aguçar da visão, sem o aprofundamento dos contados com a Fonte da Sabedoria, que está dentro de nós e dentro dos outros, a poesia não é mais que passatempo pálido e sem propósito.

As pessoas hesitam em entrar no campo do sadhana, embora anseiem pela colheita da alegria. Não estão dispostas a pagar o preço de uma simples empada e relutam em fazer um mínimo de esforço, no entanto desejam que moksha² caia do céu em seu regaço. Agradar-lhes-ia ter a visão de Deus, sem esforço, gravada em seus cérebros. Yajnavalkya deu à esposa, Maitreyi, imensa riqueza em ouro e gado, quando, em sua busca espiritual, ele deixou o lar. Ela lhe perguntou se aquilo tinha alguma utilidade. A ouvir de seu marido que eram efêmeros e baratos, se comparados com a riqueza da experiência espiritual, descartou tudo e se firmou no precioso valor de thapas³ e sradha⁴. Através destas, Maitreyi alcançou alegria eterna."

¹ A Graça, conforme alguns podem pensar, não é 'de graça', isto é, sem esforço pessoal. A Graça, no entanto, é como a chuva, que embora se dê a todos, só alguns poucos a aproveitam. E isso devido ao esforço que fazem para virar para cima a boca do copo. Os inertes, ficando com seus copos emborcados, nada colhem, embora a chuva caia 'de graça'. 
² Moksha - libertação dos círculos reencarnatórios; libertação de samsara, escape às reencarnações compulsórias.
³ Thapas - austeridade ascéticas, 'queima', que resulta em purificação. 
Sradha - fé.

(Sathya Sai Baba - Sadhana, O Caminho Interior - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1993 - p. 22/23)


sábado, 17 de fevereiro de 2018

OS PACIFICADORES

"A maneira única de reduzirmos a violência no mundo é controlarmos a nossa própria violência.

É oferecer ao mundo um violento a menos, ou melhor, uma pessoa serena, amorosa, caridosa a mais.

A contraviolência acende a violência.

A vingança gera outra vingança.

Uma agressão contra um agressor aumenta a agressão no mundo.

'Bem-aventurados os pacificadores', isto é, aqueles que oferecem a paz, que promovem a paz.

Que meu coração sempre emita Amor.

(Hermógenes - Deus investe em você - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1995 - p. 141/142)


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

O EMPREGO DA VONTADE EM OCULTISMO (PARTE FINAL)

"(...) Uma vez reconhecido e experimentado esse genuíno poder da vontade, jamais poderemos falar de vontade fraca! Trata-se de um poder verdadeiramente divino. E ao menos que compreendamos sua função e seu significado em nossa vida, não poderemos cumprir nosso destino.

Assim, empreguemos o poder da vontade para menter em nossa consciência um único propósito: a perfeição para o bem do mundo. Tal deve ser nossa absorvente e dominante paixão, sem consentir que nada a contrarie. Não pensemos que se trate de um desejo egoísta. Se assim o pensarmos, não teremos penetrado o mundo do Ego e realizado a Unidade.

Somente quando compreendemos, quando reconhecemos que toda a criação é completa e indestrutivelmente una, é que percebemos a impossibilidade da salvação individual. Salvação ou perfeição significa união com a Vida divina presente em todas as coisas e, portanto, nunca pode ser individual e restringida a uns tantos eleitos. O êxito de um é o êxito de todos. Quando um ser humano conquista o Adeptado¹³, nele toda a humanidade, toda a criação triunfa. Um novo cordão vem ligar a humanidade de volta a Deus; surge um novo poder para aliviar a carga dos sofrimentos do mundo. Quando na Divina Comédia de Dante uma alma sai do Purgatório e entra no Paraíso, todo o Monte do Purgatório se estremece de júbilo. Isso é literalmente verdadeiro: o êxito de um ser humano é alegria para toda a criação, e nunca um êxito individual. O anelo de perfeição é o anseio de desvanecer a ilusão da separatividade e reconhecer a realidade da vida universal; portanto, egoísmo e perfeição são mutuamente excludentes.

Assim, procuremos empregar em benefício de todos os seres esse poder verdadeiramente divino que todos possuímos, e mantenhamos a consciência focada na ideia de perfeição; e que essa ideia predomine em tudo quanto fizermos. No princípio nos será um tanto difícil efetuar nossas tarefas cotidianas enquanto mantemos a consciência focada nos propósitos superiores; mas não tardaremos em adquirir esse hábito, e o anseio de perfeição será o fundo permanente sobre o qual o modelo de nossa vida diária será tecido."

¹³ Adeptado: estado de Adepto, do latim Adeptus, aquele que, após inúmeras reencarnações, alcançou a condição de Homem Perfeito, como é dito em Efésios IV;13, 'até que todos nós alcancemos a unidade da fé, o conhecimento do Filho de Deus, o estado de homem perfeito, a plena medida da estatura do Cristo'. (N.E.)

(J.J. Van Der Leeuw - Deuses no Exílio - Ed. Teosófica, Brasília, 2013 - p. 49/50)


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

O EMPREGO DA VONTADE EM OCULTISMO (1ª PARTE)

"Quando aplicamos tudo isso no emprego da vontade para chegar à meta da perfeição, vemos facilmente porque tão amiúde fracassamos. Determinamo-nos a alcançar o objetivo, atingir aquilo que é nosso destino espiritual. Ao fazê-lo, traçamos uma linha de conduta segundo certos princípios que consideramos essenciais. Pois bem; se apenas mantivermos a vontade focada nesse único propósito, com exclusão de tudo quanto ameace contrariá-lo, não depararemos com dificuldades nem conflitos. O que em realidade fazemos é que, quando se nos oferece ocasião de seguir a linha de conduta que nós traçamos, começamos a pensar nas vantagens e desvantagens, no agradável e no desagradável da ação particular que nos propusemos realizar. E uma vez criadas as imagens mentais ou formas-pensamento, como as chamamos, nós as fortalecemos com emoção ou desejo, de modo que se tornam obstáculos em nosso caminho quando tentamos cumprir nossa intenção original. Começa então a luta com todos os seus males adjacentes, com sofrimento próprio, fadiga dos corpos e do risco de fracassarmos no empreendimento. Tudo isso é apenas inadequado mas também dispensável.

Quando usamos a vontade como ela deve ser empregada, para abraçar um propósito e nada mais, não há dificuldade. Mas no momento em que permitirmos que a interferência ou influência de um pensamento entre em nossa consciência e requeira sua atenção, estaremos perdidos. Sem dúvida, devemos considerar as circunstâncias empregando sempre o bom senso e o julgamento deliberado, mas não devemos consentir que influências estranhas nos desviem de nossa linha de conduta.

Portanto, tratemos de realizar essa vontade em nosso interior; percebamos que ela ocupa nossa consciência tal qual uma deslumbrante luz branca; sintamos que ela é irresistível, com o poder de manter firme um propósito até atingi-lo. (...)"

(J.J. Van Der Leeuw - Deuses no Exílio - Ed. Teosófica, Brasília, 2013 - p. 48/49)
www.editorateosofica.com.br


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

NÃO UMA VONTADE FRACA, MAS UMA IMAGINAÇÃO INDISCIPLINADA

"Compreenderemos isso melhor se analisarmos alguns exemplos em que, segundo dizemos em linguagem corrente, não é suficientemente forte a nossa vontade. Imaginemos que decidimos nos levantar às seis horas da manhã. Quando chega a hora e despertamos, nos sentimos naturalmente sonolentos e preguiçosos. Se então empregássemos corretamente a vontade, não haveria dificuldade em nos levantar, porque manteríamos esse pensamento único, excluindo qualquer outra coisa, e não haveria conflito. Mas o que realmente fazemos é consentir que nossa imaginação criativa se entretenha com o problema de levantar-nos. Começamos a considerar, por um lado, a incômoda sensação de frio ao sairmos de nossa cama aquecida e o quanto será desconfortável nos vestirmos sem a luz do dia; e, por outro lado, imaginamos quão agradável seria permanecermos um pouco mais na cama e voltarmos a dormir.

Assim, criamos imagens que tendem naturalmente a se concretizarem em ato, fazendo-nos permanecer na cama. Quando começamos a resistir, a resistência é muito débil. E mesmo se formos vencedores, teremos colocado diante de nós próprios uma luta inteiramente desnecessária, consumindo vitalidade, e que teria sido facilmente evitada se houvéssemos compreendido a verdadeira função da vontade. Ao não levantarmos, teremos demonstrado sinais não de uma vontade fraca, mas de uma imaginação indisciplinada. O reto uso da vontade seria o de manter o pensamento criativo, ou imaginação, centrado, focalizado em uma única ideia: de levantar-nos da cama, com exclusão de qualquer outro pensamento. Dessa maneira, não permitiríamos que a imaginação jogasse com tais pensamentos, como o incômodo de nos levantar e a comodidade de permanecer na cama, e assim não encontraríamos nenhuma dificuldade em nos levantar imediatamente.

Por certo, Hamlet expressou uma profunda verdade psicológica quando disse que 'o matiz nativo da resolução se descolora com a pálida influência do pensamento'. É a força da vontade interior, para manter a consciência focada em um único ponto de interesse e excluir qualquer ideia, sentimento, pessoa ou influência, que irá intervir e não permitir a tentação ao desvio.

Citemos outro exemplo. Muitos de nós conhecemos, por experiência, a desagradável sensação que nos surpreende quando estamos a ponto de nos atirar à água de grande altura. Determinamo-nos a saltar, mas no momento crítico titubeamos e necessitamos de algum tempo para nos armarmos de valor e nos lançarmos à água. O que realmente ocorreu é que permitimos que a imaginação criasse uma imagem aterrorizante do mergulho que estamos para fazer e da conveniência de não o fazermos. Tendo criado a imagem, nos vemos naturalmente impedidos por ela, e o salto na água começa a nos trazer terror, ao passo que antes nos parecia tão atrativo. O meio de evitar a vacilação é novamente manter focalizada a vontade no lançamento à água e excluir todo pensamento, sentimento ou influência que possam impedi-lo Então descobrimos que não há dificuldade em simplesmente realizar nosso propósito."

(J.J. Van Der Leeuw - Deuses no Exílio - Ed. Teosófica, Brasília, 2013 - p. 47/48)





terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

A MORTE

"Depois de passar por várias espécies de vegetais, a vida manifesta-se em uma árvore preciosa como a Paineira, e, assim, transmite-nos o que plantas mais primárias não nos poderiam transmitir. Na linha da evolução humana, a vida também passa de encarnação em encarnação, liberando cada vez mais luz até que esta, no homem evoluído, se expresse através do surgimento de maior capacidade de compreender os fatos e as leis do universo.

Se os seres humanos tivessem já a visão etérica, assistiriam, por ocasião da 'morte', à grande atividade que se desencadeia naqueles corpos dos quais a vida se retira, quando todos os átomos que compõem suas células retornam à fonte de origem. Com isso, muito substância-luz é liberada no plano astral, para que, com a destruição da forma, profundas transformações possam acontecer nos níveis psíquicos. Nesse processo, dentro do possível, os apegos do indivíduo e sua ilusão sobre a imutabilidade da matéria são desfeitos. A chamada 'morte' facilita também o seu contato com novas ideias, que lhe trazem outras perspectivas, porque vêm de um estado de consciência mais elevado do que o mental pensante.

A retirada da energia vital dos corpos materiais é um ritual necessário, que rege toda a vida planetária. Produz transformações em todos os reinos da Natureza, e eles, com o tempo, apresentam cada vez menor oposição à influência de novos tipos de energia que vêm para aperfeiçoá-los. A Paineira não tem medo de morrer. Só no reino humano e, em parte, no reino animal, existe esse temor. Os outros reinos não o conhecem, e restituem com naturalidade o que pertence ao reservatório geral essencial do planeta, para que essa substância vá formar novos corpos e novas formas de vida, levando consigo as experiências que já fez.

Vidas maiores emanam ordens para que vidas menores se retirem da forma, liberando substâncias que são necessárias para futuras expressões. Abrindo-nos para uma visão mais ampla, tomamos conhecimento de que os sete sistemas planetários envolvidos nesse processo, quanto mais conscientes forem da vida total, mais se movimentarão de acordo com ela, observando com exata precisão os momentos em que a restituição é necessária. O medo da morte é contrário ao ritmo cósmico e, portanto, precisa ser eliminado. Como se sabe, baseia-se no terror que sentimos pelo processo final de rompimento com o corpo físico, no horror pelo desconhecido, na dúvida quanto à imortalidade de nosso ser, na dificuldade de deixar para trás coisas e pessoas queridas, na memória subconsciente de experiências anteriores de mortes dolorosas ou difíceis. Essas causas são conhecidas pela medicina esotérica.

Entretanto, a causa principal do medo da morte reside em nosso apego à forma, e no pouco contato que temos com a alma, o núcleo imortal-reencarnante. O temor básico que o homem, bem como alguns animais, apresenta, é de não sobreviver a essa experiência tão necessária. Isso, porém, ainda é assim, devido à falta de conhecimentos com relação ao processo de desencarnar."

(Trigueirinho - A morte sem medo e sem culpa - Ed. Pensamento, São Paulo - p. 45/46)


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

SÊ CALMO E PROCURA A VERDADE

"A calma é a essência da meditação e a antítese do medo. Não podemos relaxar e ficar em paz em nosso coração - não podemos nos abrir para o influxo do amor - quando nossa mente está perturbada e irrequieta. No âmago da tradição judeu-cristã encontramos a clara expressão do valor e necessidade da calma. Reza o Salmo 4: 'Falai com o vosso coração sobre a vossa calma e aquietai-vos'. E o Salmo 46 nos dá esta firme instrução: 'Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus'.

No Salmo 107, ouvimos: 'Então se alegram com a bonaça; e ele assim os leva ao porto desejado'. Em Isaías, aprendemos: 'Pelo arrependimento e o repouso sereis salvos; na quietude e confiança reside a vossa força. ... Até quando vos dominará a tribulação? Recuai... descansai, ficai serenos'. Eis a tradição meditativa que alimentou Jesus em sua meninice e, seguramente, ao longo de todo o seu despertar espiritual.

Em plena quietude meditativa, começamos a perceber diretamente a verdade da vida e a realizar o que Jesus nos ensinou como seu mais vigoroso imperativo em termos de meditação: 'Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará'. Obviamente, a verdade que encontramos no ato de meditar é que Deus é amor - que existe uma presença espiritual nuclear em nossa vida passível de conhecimento direto quando focalizamos o coração e nos abrimos para o influxo amoroso.

Saímos do estado de medo ao aprender a estar serenos; uma vez serenos, acabamos por conhecer a verdade; e harmonizados com a realidade profunda da vida, descobrimos a força original do amor que nos anima e nos vincula diretamente ao Inominável infinito."

(John Selby - Sete Mestres, Um Caminho - Ed. Pensamento-Cultrix Ltda., São Paulo, 2004 - p. 116/117)


domingo, 11 de fevereiro de 2018

FINQUE RAÍZES PROFUNDAS NO SEU EU INTERIOR

"A chave é estar em um estado de conexão permanente com o nosso corpo interior, em senti-lo em todos os momentos. Essa prática vai se intensificar rapidamente e transformar sua vida. Quanto mais consciência direcionamos para o nosso corpo interior, mais cresce a frequência vibracional, tal qual a luz que vai ficando mais forte quando giramos o botão do dimmer, aumentando o fluxo de eletricidade. Nesse nível de energia mais elevado, a negatividade deixa de nos afetar e tendemos a atrair novas circunstâncias que refletem essa alta frequência. 

Quanto mais concentramos a atenção no corpo, mais nos fixamos no Agora. Não nos perdemos no mundo exterior nem na mente. Pensamentos e emoções, medos e desejos podem até estar presentes, mas não vão mais nos dominar.

VERIFIQUE ONDE ESTÁ a sua atenção neste momento. Ou você está me ouvindo ou está lendo minhas palavras em um livro. Aqui está o foco da sua atenção. Você também está percebendo o que está ao redor, as outras pessoas, etc. Além disso, pode haver alguma atividade mental em volta do que você está ouvindo ou lendo, algum comentário mental, embora não haja necessidade de nada disso absorver toda a sua atenção. 

Verifique se você consegue estar em contato com o seu corpo interior ao mesmo tempo. Mantenha parte de sua atenção no interior. Não permita que ela se disperse. Sinta todo o seu corpo, lá no fundo, como um só campo de energia. É quase como se você estivesse ouvindo ou lendo com todo o seu corpo. Pratique nos próximos dias e semanas.

Não desvie toda a sua atenção da mente nem do mundo exterior. Procure, por todos os meios, se concentrar naquilo que você está fazendo, mas sinta o corpo interior ao mesmo tempo, sempre que possível. Tenha as raízes fincadas dentro de você. Observe, então, como isso altera o seu estado de consciência e a qualidade do que você está fazendo. Não aceite ou rejeite simplesmente essas minhas palavras. Pratique-as."

(Eckhart Tolle - Praticando o Poder do Agora - Ed. Sextante, Rio de Janeiro, 2005 - p. 62/64


sábado, 10 de fevereiro de 2018

DEVEMOS IR FUNDO PARA CONHECER O PRAZER

"São poucos os que desfrutam de alguma coisa. Sentimos pouquíssima alegria ao ver um pôr do sol, uma lua cheia, uma pessoa bonita, uma árvore encantadora, um pássaro voando ou uma dança. Na verdade, não desfrutamos de nada. Olhamos para uma coisa, ficamos superficialmente entretidos por ela e temos a sensação do que chamamos de alegria. Mas o prazer é algo muito mais profundo, que deve ser entendido e profundamente desfrutado.

Quando ficamos mais velhos, embora queiramos sentir prazer nas coisas, as melhores já estão fora do nosso alcance. Queremos desfrutar de outros tipos de sensações - paixões, desejo sexual, poder, status. Todas essas são coisas normais da vida. Embora superficiais, não devem ser condenadas, justificadas, mas entendidas e colocadas em seu devido lugar. Se as condenarmos como sem importancia, sensacionalistas, tolas ou não espirituais, destruiremos todo o processo da vida. 

Para conhecer a alegria devemos ir muito mais fundo: a alegria não é a mera sensação. Ela requer um refinamento extraordinário da mente, mas não o refinamento do self, que colhe cada vez mais para si. Esse self, esse homem, nunca poderá entender o estado de alegria em que o apreciador não está presente. É preciso entender essa coisa extraordinária. Do contrário, a vida se torna muito pequena, insignificante, superficial - torna-se apenas nascer, aprender algumas coisas, sofrer, gerar filhos, ter responsabilidades, ganhar dinheiro, ter um pouco de diversão intelectual e morrer."

(Krishnamurti - O Livro da Vida - Ed. Planeta do Brasil Ltda., São Paulo, 2016 - p. 213)


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

DESAFIOS DA VIDA (PARTE FINAL)

"(...) A limitação material é como o leito de um rio, forçando as águas numa certa direção. Ele pode dar muitas voltas, mas o destino final é sempre o mar. Quanto mais próximo desse destino, menos curvas aparecem no caminho, porque já aprendemos algo, não nos preocupando mais em fugir e desviar do problema.

Benditos desafios! Cada limitação é uma oportunidade nova. Sofrimento? Depende de como olhamos o desafio. Quando um alpinista se defronta com um pico escarpado, enfiado nas nuvens, ele sorri ou empalidece? Encoraja-se ou desanima?

A vida em si é um desafio de alpinista. Chegar ao topo requer equilibrar-se junto às ladeiras, onde tentações diárias - como preguiça, inveja, gula, desonestidade, raiva, mentira - querem nos atrair para a energia antiga, o comportamento antigo. Repetir no mínimo é estagnar, aprofundando a inconsciência, a não ser que coloquemos atenção no ato.

Ainda que repetindo, atenção na ação é crescimento. Da próxima vez será possível um rumo diferente. Ir adiante, porém, é suspender o pé para o degrau seguinte. Por essa razão o autodomínio é tão importante no caminho espiritual - o que não significa reprimir. O trabalho é sempre por meio da consciência. Domar nossa natureza inferior é estabelecer quem manda no corpo, modificando sua energia pela combinação da vontade com pensamentos elevados e amor - o que é impossível na mente entulhada. 

Requer-se esvaziar esse copo, transformando-o em divina taça pela meditação, sons iluminados, trabalho altruísta e alimentação sutil, preferindo também companhias que buscam crescer como você. Essa é uma dieta para a mente e para a alma, elevando também o vaso físico que nos sustenta no mundo. Vibracionalmente, tudo cresce ou se rebaixa ao mesmo tempo em nós, expandindo ou embotando a consciência."

(Walter S. Barbosa - Desafios da vida - Revista Sophia, Ano 15, nº 65 - p. 12/13)


quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

DESAFIOS DA VIDA (1ª PARTE)

"Provavelmente não fazemos a menor ideia da carga do passado em nossas vidas. Cada dia que nasce é uma oportunidade de renovação. Mas não aproveitamos, continuando a arrastar o dia de ontem, impedindo sistematicamente o surgimento do novo. Nossas ações, pensamentos e sentimentos continuam tão velhos quanto eram dez anos atrás.

Você pode dizer: 'Como é possível? Estou fazendo coisas que não fiz ontem.' As oportunidades podem ser novas, mas nossa forma de lidar com elas é a mesma, seguindo a trilha que os velhos hábitos criaram em nós, modelados pela energia do pensamento. Assim, qualitativamente o resultado é sempre o mesmo, mesmo que o conteúdo varie. Nosso olhar não mudou; ele envelhece instantaneamente aquilo que chega.

Diante disso, quais são as nossas chances de crescimento real? Nada se pode acrescentar à mente ocupada pelo passado, ao copo que está cheio. Crescimento é ampliação de consciência, ampliação da vida, dando mais domínio sobre as limitações impostas pela matéria. A fonte da consciência é o espírito - Deus pessoal - mas ela chega ao corpo permeada pela mente. Se a mente se encontra entulhada, o que vai acontecer?

A vida espiritual não está separada da material. Quando estamos caminhando, trabalhando ou namorando, o ator verdadeiro é o espírito, agindo sob a casca do ego. Assim, a vida espiritual fica subordinada àquilo que a casca permite, ampliando-se na medida em que predomina o ser, colocando ética e veracidade nas relações.

A mente carregada de 'pré-ocupações' - apego, temor, ansiedade - fecha-se para oportunidades de mudança e também para as pessoas, que desfilam como bonecos em nosso 'sonhar de olhos abertos', subitamente convertendo-se em monstros, porém, se passam a representar ameaças, tornando o sonho um pesadelo. Então, além de estressante, a vida se torna vazia de significado - de vida mesmo - pois ela 'só acontece no agora', como afirma Eckhart Tolle em seu livro O Poder do Agora. Fora disso, é o ninho da tristeza e da insconsciência. (...)"

(Walter S. Barbosa - Desafios da vida - Revista Sophia, Ano 15, nº 65 - p. 12)


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

AS QUALIDADES REQUERIDAS PARA SE CAMINHAR NA SENDA DO YOGA (PARTE FINAL)

"(...) Em segundo lugar, é preciso ter uma vontade firme, invariável.

Qual é a diferença entre o desejo e a vontade? É uma diferença muito notável. O desejo é a mesma energia que a vontade, mas diferem em que o desejo é sempre determinado por um objeto exterior, mesmo que seja o ardente desejo do qual vos falei; o desejo é sempre posto em atividade por um objeto. A vontade é a mesma energia determinada pelo Eu, brotando do interior e não movida pelos objetos do exterior. Por conseguinte, a vontade não muda com os desejos; é permanente, e é dirigida do interior através de todas as experiências anteriores da alma durante a série de vidas em que o homem tem existido no mundo.

É preciso encontrar esta firmeza de vontade; ela permanece oculta no Eu; é a ultima qualidade divina do Eu, e dirige todas as experiências de nossas vidas, por numerosas que tenham sido. Toda a direção imprimida no transcurso destas vidas, emana da vontade que permanece oculta em nós, é a divindade oculta que tudo dirige. Mas é preciso que esta divindade se manifeste, que não permaneça escondida, pois a vontade do homem, vontade verdadeiramente livre, é o dom mais precioso que a alma humana possui. É Deus mesmo em nós.

A vontade no homem é a vontade divina que caminha sempre unida à Vontade Suprema e que Se esforça por dominar os desejos que pululam nos mundos inferiores; são eles o reflexo de seus próprios poderes, porém se levantam contra estes, dos quais são os verdadeiros filhos.

Em terceiro lugar é preciso uma inteligência penetrante, intensa, sem a qual não existe Yoga possível. Mas como fazer brotar, como fazer crescer estes poderes da alma?

Pode-se responder a esta pergunta com três palavras; cada uma delas se refere a uma capacidade.

Pode-se estimular o desejo, pensando; pode-se desenvolver a vontade, agindo, e pode-se desenvolver a inteligência, estudando.

Eis aqui os três meios que devo precisar."

(Annie Besant - Yoga, ciência da vida espiritual - Ed. Pensamento, São Paulo - p. 31/32)

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

AS QUALIDADES REQUERIDAS PARA SE CAMINHAR NA SENDA DO YOGA (2ª PARTE)

"(...) O Logos é como uma mãe cujo filho ainda não anda: esta lhe mostra de longe um brinquedo para chamar a sua atenção, e lhe diz: 'Vem, anda, experimenta andar'. Impulsionado pelo desejo de possuir o brinquedo, o menino começa a andar. Da mesma maneira trata o Logos seus filhos, para os quais tem brinquedos de todas as espécies. 

O prazer, o gozo de viver, os elogios, o poder, todas as coisas que não são completamente satisfatórias para a alma humana, a atraem, no entanto, momentaneamente, e preenchem assim sua finalidade no mundo, a tarefa de impulsionarnos ao esforço para compreendê-los e desenvolver-nos quando os tivermos alcançado. 

Destruir num jovem todos os seus desejos é causar-lhe um mal terrível, pois estes desejos são para ele uma proteção eficaz contra muitos dos pecados do mundo. 

Para o jovem ambicioso não são, contudo, viscosos todos os caminhos neste mundo, pois que sem este desejo não pode crescer, não pode chegar a alcançar nenhum poder sobre os demais sem aprender a respeitar-se a si mesmo. Impulsionado pelo desejo, permanece muito amiúde na senda da virtude, evitando desta maneira a senda do vicio, graças a este desejo mais elevado que tem de alcançar o poder, seja político ou social. Nestas circunstâncias pouco importa o objeto; só o esforço tem valor. 

O Logos, que compreende muito bem sua função, coloca todos os objetos desejáveis ante os olhos de Seus filhos, a fim de que aprendam a andar para tornar-se homens. Os desejos pelas coisas elevadas destroem os desejos inferiores; os desejos nobres são as espadas que matam os desejos mesquinhos. 

O desejo de unir-se a Deus, de encontrar o Eu, de realizar sua divindade, é um desejo nobre e necessário. Sem este desejo ardente como uma chama, não seria possível vencer as dificuldades, os perigos, os sofrimentos desta Senda tão difícil e tão curta que conduz rapidamente ao conhecimento do Eu. (...)" 

(Annie Besant - Yoga, ciência da vida espiritual - Ed. Pensamento, São Paulo - p. 30/31)
http://www.pensamento-cultrix.com.br


segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

AS QUALIDADES REQUERIDAS PARA SE CAMINHAR NA SENDA DO YOGA (1ª PARTE)

"Existem três grandes qualidades, que é necessário possuir; a primeira é um desejo ardente; a segunda, uma vontade firme; a terceira, uma clara inteligência. Sem estas qualidades, é impossível caminhar por senda tão difícil; para poder compreendê-las, é preciso analisá-las e como podem estas qualidades evoluí em nós mesmos. 

Embora a Yoga não seja nada mais do que aplicação das leis da evolução da matéria, bem como dos poderes da inteligência; no entanto, em certo sentido, não é para ser seguida por todo o mundo; só pode sê-lo por poucas pessoas. Todo mundo pode começar, todo mundo pode tratar de aplicar em si mesmo, pouco a pouco, estas leis; porém, sem um método consciente, sem uma ininterrupta e resoluta prática, não pode converter-se num fato para qualquer homem ou mulher. Só alguns dentre nós podem verdadeiramente converter-se no que se chama um yogue. Somente aqueles que a praticam resolutamente e seguem a Yoga propriamente dita têm possibilidade de êxito nesta empresa. 

Assim, dissemos que a Yoga requer, em primeiro lugar, um desejo ardente. Sem este desejo é impossível qualquer êxito; é tão longo o caminho, as dificuldades são tão grandes que somente aquele que ardentemente deseja pode seguir por esta senda. 

Examinai a vós mesmos e encontrareis em vosso interior um grande número de desejos, porém que são passageiros, fugitivos; não são perduráveis; hoje desejais uma coisa, amanhã outra. Os desejos mudam continuamente no caminho do progresso normal da evolução; é preciso sentir todos estes desejos para evocar os poderes da inteligência e da alma. 

Algumas vezes se fala dos desejos como se estes fossem uma coisa má, e que é preciso não ter desejos. Isto só é verdade uma vez alcançado certo grau, porém, não é verdade no caminho onde se buscam as experiências. 

Nossos livros falam das sendas chamadas Pravritti, a senda pela qual se vai, e Nivritti, a senda pela qual se volta; e segundo a senda que alguém siga, deve ou não ter desejos. 

Mas procurar matar os desejos quando ainda não se está suficientemente desenvolvido, é um erro fatal, comum a muitas pessoas. Credes por ventura que o Logos, criador do Universo, teria enchido este mundo de objetos próprios para despertar o desejo, se quisesse que este não existisse? Se Deus não quisesse que os homens sentissem desejos, o mundo seria muito diferente do que é; na senda não se encontrariam objetos  agradáveis que vos atraem dizendo a cada instante: 'Eis-me aqui; toma-me'. (...)"

(Annie Besant - Yoga, ciência da vida espiritual - Ed. Pensamento, São Paulo - p. 30/31)
http://www.pensamento-cultrix.com.br


domingo, 4 de fevereiro de 2018

FAZER O NECESSÁRIO E NÃO O SUPÉRFLUO

"Só se pode encher um vaso até a borda - 
Nem uma gota a mais.
Não se pode aguçar uma faca,
E logo testar a sua agudeza.
Não se pode acumular ouro e pedras preciosas,
Sem ter lugar seguro para guardá-los.
Quem é rico e estimado,
Mas não conhece a sua limitação,
Atrai a sua própria desgraça.
Quem faz grandes coisas,
E delas não se envaidece,
Esse realiza o céu em si mesmo.

EXPLICAÇÃO: O homem sábio deve ser equilibrado em tudo, como o próprio Universo, cujo Uno nunca destoa do Verso. Quando o homem-ego pretende fazer mais do que o homem-Eu permite, o desequilíbrio é infalível - e o desequilíbrio é a infelicidade do homem. O homem deve em tudo ser universificado, agindo de dentro para fora."

(Lao-Tse - Tao Te King, O Livro Que Revela Deus - Tradução e Notas de Huberto Rohden - Fundação Alvorada para o Livro Educacional, Terceira Edição Ilustrada - p. 42/43)


sábado, 3 de fevereiro de 2018

DÚVIDAS

"'Há dois tipos de dúvida: a dúvida destrutiva e a dúvida construtiva.

'A dúvida destrutiva equivale ao ceticismo comum. As pessoas que adotam essa atitude são tão cegas na sua descrença quanto qualquer fanático com respeito ao seu fanatismo. Para essas pessoas, o exame imparcial não tem importância. Visam apenas ao aspecto que haverá em rejeitar novas ideias, e que corresponde às próprias opiniões ou às opiniões que predominam.

'O ceticismo é como a estática no rádio da mente. Ele impede uma pessoa de receber as transmissões da intuição advindas do silêncio interior.

'A dúvida construtiva, por outro lado, equivale ao exame esclarecido, justo e imparcial. Os que cultivam essa atitude jamais julgam de antemão uma ideia. Tampouco aceitam como válida a opinião alheia destituída de fundamento. Eles conservam a mente aberta e baseiam suas conclusões em provas objetivas. Buscam acima de tudo constatar conclusões por meio da própria experiência.

'Essa é a abordagem correta da verdade.'"

(Paramhansa Yogananda - A Sabedoria de Yogananda, A Essência da Autorrealização - Ed. Pensamento, São Paulo, 2012 - p. 189)
www.editorapensamento.com.br


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

DISCIPLINA ESPIRITUAL

"A vida do homem deve ser um sadhana² permanente. Qualquer dia é propício para iniciar o sadhana, caiam eles no dakshinayana ou no uttarayana.³ Não é preciso esperar que o Sol retorne ao hemisfério norte. Os meses e os semestres (ayanas) estão relacionados com o mundo material (prakritti) e, assim, têm valor somente relativo.

Hitha (agrado) e mitha (moderação) devem ser as qualidades do caminho a tomar. Que ele não seja muito extravagante, nem muito débil, nem muito desgastante, nem muito cortado. Opte pelo caminho do meio. Isso assegurará os benefícios maiores. A sede pelos objetos dos sentidos não pode ser abandonada completamente. Transforme-a então em instrumento de adoração. Dedique ao Senhor todos os esforços. Receba todas as conquistas e derrotas como provas da Graça do Senhor. A Vontade d'Ele é que decretou como as coisas deveriam acontecer. Transforme as seis paixões em instrumentos de progresso espiritual.

Semeie no campo de seu coração as sementes dos bons pensamentos, carregados com humildade e regados com as águas do amor; proteja a colheita crescente com uma pesticida chamado coragem; nutra a plantação com o fertilizante da concentração mental; assim, então, as plantas da devoção (bhakti) propiciarão a ceifa da sabedoria que consiste em se dar conta de que você é Ele. Quando este des-velar acontecer, você se tornará Ele; aliás, você é sempre Ele, não obstante não o saiba."

² Sadhana, palavra título desta obra, significa prática disciplinar, ascese, treinamento espiritual.
³ No ensino dos antigos, recomendava-se que o sadhana nunca deveria iniciar-se quando o sol estivesse percorrendo o hemisfério sul (isto para os que vivem no hemisfério norte). O semestre dhakshina era tido po inauspicioso, enquanto o uttara seria o favorável. Como em diversos aspectos da religiosidade hindu, Sai Baba inova, e aqui afirma que é indiferente começar a caminhada espiritual neste ou naquele semestre (ayana), pois isto tem pouco a ver com o Espírito; só com a matéria.   

(Sathya Sai Baba - Sadhana, o Caminho Interior - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1993 - p. 19/20)


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

VISÃO CÁRMICA

"Como é que chegamos a viver como seres humanos? Todos os seres que têm carma semelhante terão uma visão comum do mundo em torno deles, e esse conjunto de percepções que partilham é chamado de 'visão cármica'. Essa estreita correspondência entre o nosso carma e o tipo de reino em que nos encontramos também explica como diferentes formas surgem: você e eu, por exemplo, somos seres humanos devido ao carma básico comum que partilhamos.

Mas mesmo dentro do reino humano todos nós temos nosso carma individual. Nascemos em países, cidades e família diferentes; cada um de nós tem diferente criação, educação, influências e crenças, e todos esses condicionamentos incluem aquele carma. Cada um de nós é uma complexa somatória de hábitos e ações passadas, e assim não podemos ver as coisas senão da nossa maneira pessoal, única. Os seres humanos são muito parecidos, mas percebem as coisas de modo completamente diferente, e cada um de nós vive em seu próprio mundo individual, único e separado. Como disse Kalu Rinpoche: 
Se cem pessoas dormem e sonham, cada uma delas experimentará um mundo diferente em seu sonho. Pode-se dizer que os sonhos de todos são verdadeiros; não teria sentido afirmar que apenas o sonho de uma pessoa é o mundo verdadeiro e todos os demais são falsos. Há verdade em cada um que percebe, de acordo com os padrões cármicos que condicionam suas percepções.²"
² Kalu Rinpoche, Essence of the Dharma (Delhi, Índia: Tibet House), 206.

(Sogyal Rinpoche - O Livro Tibetano do Viver e do Morrer - Ed. Talento/Ed. Palas Athena, 1999 - p. 153/154