OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado diariamente com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


segunda-feira, 23 de abril de 2018

DEVEMOS MORRER PARA TODAS AS NOSSAS EMOÇÕES

"O que entendemos por emoção? É uma sensação, uma reação, uma resposta dos sentidos? O ódio, a devoção, o sentimento de amor ou a solidariedade por outra pessoa - todos são emoções. Alguns, como o amor e a solidariedade, chamamos de positivos; já outros, como o ódio, chamamos de negativos e queremos nos livrar deles. O amor é o oposto do ódio? É uma emoção, uma sensação, um feeling que é prolongado através da memória?

...Então, o que entendemos por amor? Certamente, o amor não é memória. É muito difícil entender isso, porque para a maioria de nós o amor é, sim, memória. Quando você diz que ama o seu cônjuge, o que quer dizer com isso? Você ama aquilo que lhe dá prazer? Você ama aquilo com que se identificou e que reconhece como pertencente a você? Por favor, isso são fatos. Não estou inventando nada, por isso não fique horrorizado.

...É a imagem, o símbolo do cônjuge que amamos (ou achamos que amamos), não o próprio indivíduo. Eu absolutamente não conheço o meu cônjuge; e nunca poderei conhecer essa pessoa enquanto 'conhecer' significar 'reconhecimento'. Porque o reconhecimento é baseado na memória - a memória do prazer e do sofrimento, a memória das coisas pelas quais tenho vivido, agonizado, as coisas que possuo e às quais sou ligado. Como posso amar quando existe medo, mágoa, solidão, a sombra do desespero? Como um homem ambicioso pode amar? E somos todos muito ambiciosos, embora de forma honrosa.

Portanto, para descobrir realmente o que é o amor, precisamos morrer para o passado, para todas as emoções - o bom e o ruim. Morrer sem esforço, como morreríamos para uma coisa venenosa, porque a entendemos."

(Krishnamurti - O Livro da Vida - Ed. Planeta do Brasil Ltda., São Paulo, 2016 - p. 151


domingo, 22 de abril de 2018

CERQUE-SE DE PESSOAS QUE SE DEVOTAM À VIDA MAIS ELEVADA

"Mantenha-se cercado sempre por pessoas que se devotaram à vida mais elevada - aquelas que o encorajarão a avançar no caminho para a Meta. Por esse meio, vocêo pode atingir chithasudhi (pureza da mente); tanto que possa refletir-se nela a Verdade. Sathsanga (associação com santos e sábios) conduz gradualmente à retração das atividades escravizantes. Quando um pedaço de carvão frio é colocado no meio de cinzas quentes e quando o fogo é atiçado, o pedaço de carvão também se aquece. Jnana-agni, isto é, o 'fogo da sabedoria' age de forma semelhante.

Cada um é um sadhu (um santo) por que é Prema-swarupa (encarnação do Amor), Santhiswarupa (encarnação da Paz) e Amritha-swarupa (encarnação da imortalidade). No entanto, permitir que a crosta do ego se engrosse e se consolide, vale por embaciar a verdadeira natureza. Pela ação do sathsanga, isto é, pela companhia de pessoas de mente divina, pela sistemática atenção ao autocontrole e ao automelhoramento, o homem pode vencer a ilusão que o faz se identificar com o corpo e suas necessidades e apetites.

Sathsanga faz você encontrar-se com outras almas (indivíduos) de natureza sintônica, e cria o contato que se manifesta o Fogo Interior. Sathsanga significa o Sath, o Sath de que se fala quando se refere a Deus como Sath-Chith-Ananda¹. Sath é o princípio da Existência; e é a verdade básica do Universo. Alinhe com a Verdade, isto é, com o Ser (Sath) em você, com a Verdade (Sathya) sobre a qual mithya² é imposto pelas mentes que não veem a luz. Persistindo em Sath, a chama é acesa, a Luz se faz, então as sombras emigram e o Sol da Realização nasce (jnana bhaskara)."

¹ Sath-Chit-Ananda - o Ser é Verdade, Consciência e Bem-aventurança.
² Mithya - aquilo que está entre ser real e irreal, entre ser verdade e inverdade. 

(Sathya Sai Baba - Sadhana, O Caminho Interior - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1993 - p. 58/59)


sábado, 21 de abril de 2018

O IDEAL DO BODDISATTVA

"A Voz do Silêncio expressa de maneira magnífica a meta ou o ideal a aspirarmos. Nesse texto, o caminho é conhecido como a Senda do boddhisattva e descrito nestas palavras, que despertam todas as nossas inspirações interiores de mente e coração:
Sabe que a corrente de conhecimento super-humano e a Sabedoria Dévica que conquistaste devem, por meio de ti, o canal de Alaya, ser despejada em outro leito.
Sabe, tu da Senda Secreta, que as águas puras devem ser usadas para tornar mais doces as amargas ondas do oceano - aquele poderoso mar formado pelas lágrimas dos homens.
[...] logo que te tiveres tornado como a estrela fixa no céu elevado, aquele claro orbe celestial deve brilhar nas profundezas espaciais para todos - salvo para ti; dá luz a todos, mas não a tome de ninguém. [...]
Autocondenado a viver através de futuros kalpas sem agradecimento e sem ser percebido pelos homens; uma cunha de pedra com inúmeras outras pedras que formam a 'Muralha Guardiã', tal é teu futuro.  
Esse futuro, diz-nos Luz no Caminho, é um futuro no qual nos tornamos capazes de 'tomar parte na parceria da alegria', muito embora sua conquista exija de nós 'trabalho terrível' e 'profunda tristeza'. Contudo, é um caminho autoescolhido que nos leva a um futuro assim, pois estamos verdadeiramente 'autocondenados', como diz A Voz do Silêncio. E cada um de nós deve comprometer-se com a busca, 'buscar o caminho', por meio da qual vencemos as dificuldades e seguimos rumo ao nosso destino."

(Joy Mills - Buscai o caminho - TheoSophia, Ano 100, Julho/Agosto/Setembro de 2011 - Pub. da Sociedade Teosófica do Brasil - p. 47/48)

sexta-feira, 20 de abril de 2018

USANDO TODA NOSSA NATUREZA

"Cada aspecto de nossa natureza, tanto o bem quanto o mal, é exigido para a tarefa à nossa frente. Tal como o redirecionamento da energia, todos os elementos dentro de nós devem ser transformados. Tanto os vícios quanto as virtudes, dizem-nos, são 'passos (que) compõem a escada' por meio da qual ascendemos ao mais elevado. Como diz o comentário: 'Toda a natureza do homem deve ser usada sabiamente por aquele que deseja entrar no caminho'.

Um comentário assim deve ajudar-nos a compreender que não devemos reprimir ou suprimir qualquer aspecto de nossa natureza que possa ser indesejável. Pelo contrário, devemos trazer toda nossa natureza, inclusive o complexo psicofísico, a personalidade, sob uma certa condição. Não podemos negligenciar qualquer aspecto de nós mesmos sem, de alguma maneira, ferir o todo. É toda a natureza que deve ser usada, e usada sabiamente para o propósito que temos em vista. A repressão desses aspectos, particularmente de pensamentos e sentimentos que não queremos reconhecer como pertencentes a nós, só pode resultar em feridas dolorosas nos reinos kama-manásico, ou mental-emocional, ou psicodinâmico. E chagas purulentas conseguem apenas eclodir em violentos surtos de doença psíquica e até mesmo física. 

Temos de perguntar a nós mesmos como podemos usar cada aspecto nosso na busca do caminho. Demos a esse caminho o nome de caminho para a iluminação, ou para a autorrealização, para a libertação da roda de nascimentos e mortes; mas, mesmo definir o caminho, que nos mandam buscar, poderia indicar algum vestígio de autointeresse, um laivo de egoísmo em nossa busca. Nossa meta pode muito bem estar além da denominação, ou daquilo que imaginamos ser iluminação. Como podemos definir com palavras uma condição de consciência com a qual estamos, no nosso atual estágio, totalmente desfamiliarizados? Talvez isso possa ser melhor expresso nas palavras da anotação: devemos 'tentar aliviar um pouco o pesado karma do mundo', dando nossa 'ajuda aos poucos braços fortes que evitam que os poderes das trevas obtenham vitória completa'."

(Joy Mills - Buscai o caminho - TheoSophia, Ano 100, Julho/Agosto/Setembro de 2011 - Pub. da Sociedade Teosófica do Brasil - p. 46/47)

quinta-feira, 19 de abril de 2018

RECUANDO PARA O INTERIOR, AVANÇANDO PARA O EXTERIOR

"Buscar é prosseguir em duas direções opostas. Primeiramente devemos 'buscar o caminho recuando para o interior'. 'Inquirir do mais recôndito' envolve esse recuo para o interior a que chamamos de meditação. Mas obviamente que a meditação não é suficiente se verdadeiramente queremos buscar o caminho, isto é, viver a vida. Devemos também 'buscar o caminho avançando resolutamente para o exterior'. Dito de maneira muito simples, tanto a meditação quanto a ação são necessárias. Como já foi dito, temos de externar na vida diária o que aprendemos ou descobrimos internamente.

Talvez possamos dizer que a meditação deva tornar-se ação (o que inclui pensamento e sentimento), que devem ter raízes no silêncio ou na mente tranquila. 

Existem muitas pessoas que gostariam de recuar para o interior, viver separadas do mundo, ganhar sabedoria e conhecimento para si mesmas, e atingir a meta em esplêndido isolamento sem preocupação para com o bem-estar dos outros ou para com o trabalho do mundo. Muitas vezes sentimo-nos bastante satisfeitos com nosso próprio progresso quando podemos passar muito tempo meditando, lendo ou estudando, afastados do bulício das preocupações do mundo. Numa tal condição frequentemente parecemos alcançar um tipo de conhecimento que somente nos ilude quando estamos preocupados com o trabalho do dia a dia. Mas não podemos, na verdade não devemos, permanecer isolados no estado meditativo, satisfeitos em deixar os outros desempenharem as funções mundanas tão necessárias para o sustento quanto para o crescimento da vida à nossa volta.

Assim, devemos 'avançar resolutamente para o exterior', testar nosso conhecimento interno, nossas percepções e compreensões internas, o fruto de nossa quieta reflexão na fornalha da vida diária e no mercado da cidade. Agora se exige uma certa coragem, um certo destemor, uma bravura da alma. Devemos estar desejosos de exibir nosso conhecimento, não apenas de 'falar por falar', mas 'caminhar o caminho', dar o testemunho de nosso saber agindo segundo nossa visão interior - ou, talvez devamos dizer, agindo a partir dessa visão."

(Joy Mills - Buscai o caminho - TheoSophia, Ano 100, Julho/Agosto/Setembro de 2011 - Pub. da Sociedade Teosófica do Brasil - p. 45/46)

quarta-feira, 18 de abril de 2018

O QUE É BUSCAR O CAMINHO?

"Precisamos avaliar onde estamos, o que aprendemos, que trabalho foi efetuado, se realmente aprendemos e pelo menos começamos a agir com base nas regras iniciais, e, o que é mais importante, talvez, quais possam ser nossos motivos para buscar a iluminação, a autorrealização, ou a sabedoria espiritual. Por que queremos entrar no Caminho Sagrado?

As regras iniciais primeiramente dirigiram nossa atenção para a eliminação dos elementos em nossa personalidade que enevoam nossa visão, elementos que aumentam nosso senso de egoísmo e separatividade. Depois nossa atenção foi dirigida para a obtenção, mediante o uso correto do desejo, daquelas faculdades e capacidades que, como nos diz o comentário,  'pertencem apenas à alma pura', capacidades que são adquiridas 'para o espírito unido da vida que é o seu único e verdadeiro eu'.

Tal trabalho preparatório não é suficiente: agora deve ocorrer uma genuína transformação. Mais uma vez São Paulo diz, na citação acima, que não devemos conformar-nos com este mundo, mas 'ser transformados pela renovação de nossa mente'. No livro Ocultismo Prático, Blavatsky escreveu sobre a transformação que 'atira aquele que a pratica (isto é, o modo de vida indicado pelos dois primeiros conjuntos de regras do nosso texto) completamente para fora do cálculo das fileiras dos vivos'. Agora tudo está mudado. Não há retorno possível. Não temos alternativa senão 'buscar o caminho' e prosseguir. Uma 'senda ulterior' deve ser descoberta. Assim a nota continua, afirmando que agora se abre perante nós o mistério do novo caminho - uma senda que leva para fora de toda experiência humana. [...] É necessário ter a certeza de que o caminho é escolhido por amor ao caminho.

Assim, voltando mais uma vez a fazer referência à admoestação de São Paulo, podemos 'provar o que é essa vontade boa, aceitável e perfeito' do Supremo.

O próprio processo de examinar as obstruções psicológicas que existem dentro de nós e que não nos permitem 'a verdadeira busca' resulta numa tremenda liberação de energia que deve agora ser usada de maneira apropriada. É como se toda reserva de energia que foi liberada pelo processo de purificação devesse ser trazida para o foco num único empreendimento: 'Buscar o caminho'."

(Joy Mills - Buscai o caminho - TheoSophia, Ano 100, Julho/Agosto/Setembro de 2011 - Pub. da Sociedade Teosófica do Brasil - p. 44/45)

terça-feira, 17 de abril de 2018

BUSCAI O CAMINHO

"O paradoxo é muitas vezes usado como artifício para despertar no aspirante à sabedoria espiritual tanto as faculdades intelectuais quanto a percepção intuitiva. Muitas das afirmações nas escrituras sagradas que dizem respeito à vida espiritual parecerão contraditórias se não forem examinadas detidamente para se descobrir o significado mais profundo além dos sentidos aparentemente opostos.

Porém, como bem sabemos, apenas o estudo não irá levar-nos longe na senda que desejamos seguir. Aliás, o estudo ou exame das regras é a única preliminar para o real trabalho que deve ser empreendido pelo aspirante sincero. Todas as escrituras e textos sagrados de muitas tradições incluem sempre a injunção de que o que quer que se ganhe por meio do estudo, qualquer que seja o conhecimento que se obtenha da leitura ampla, ainda existe a vida a ser vivida, um modo de ação a ser seguido. A pessoa deve agir segundo aquilo que sabe: é simples assim.

As regras comprometeram-nos no estudo de nossa própria natureza (observando-se particularmente o que deve ser eliminado) e num redirecionamento de nossas energias (o uso correto do desejo). Agora descobrimos que todo trabalho feito até aqui foi apenas preliminar para o que será, que deve ser, uma mudança totalmente dramática em nossas vidas, uma mudança que aliás está indicada nas palavras de São Paulo, 'a renovação de sua mente'. Uma mudança assim é proclamada por três palavras muito simples: 'Buscai o caminho'.

  • Buscai o caminho.
  • Buscai o caminho recuando para o interior.
  • Buscai o caminho avançando resolutamente para o exterior."

(Joy Mills - Buscai o caminho - TheoSophia, Ano 100, Julho/Agosto/Setembro de 2011 - Pub. da Sociedade Teosófica do Brasil - p. 44)

segunda-feira, 16 de abril de 2018

A IMPORTÂNCIA DA MUDANÇA SOCIAL (PARTE FINAL)

"(...) Chega uma época quando a consideração ética é inconsciente e naturalmente praticada na vida. Um ser humano de fato plenamente realizado e internamente maduro não pode estar livre de considerações relacionadas à ética do que quer que enfrente. A questão está diante dele e ele deve decidir se é certo ou apenas importante ser bem-sucedido. Tais questões não o perturbam, porém lhe ensinam de um modo que outras questões não o conseguem. A ética é parte da vida - uma parte importante - para alguém se tornando digno de sua posição como ser humano, e dispondo de mais poder do que a pessoa não perceptiva.

A consciência ética leva os seres humanos ao sentimento religioso, que é a percepção da natureza sagrada em todas as coisas. Ela está oculta na maioria das pessoas, mas existe da mesma maneira. É difícil descrever o que é, mas sua importância pode ser sentida por qualquer um que a tenha experienciado. Assim, seja cortando uma planta, ferindo um ser humano ou nos relacionamentos mais complicados, ela tem um lugar. Mas o sentimento deve vir ao se começar a entender a importância da atitude correta e do sentimento correto com relação a tudo, e o valor oculto de tal compreensão.

O que é certo? Essa é uma descoberta que só o ser humano pode fazer. Não está relacionada aos favoritismos pessoais nem condena os inimigos a seguir adiante. Tem de ser conhecida para ser apreciada. Muito da vida nos estágios iniciais consiste em descobrir o elemento ético através das questões confusas que podem surgir. A pessoa eticamente consciente não é tocada por sentimentos pessoais. Ela olha as questões de um ponto de vista mais elevado.

Esse ponto de vista mais elevado é o que conduz o ser humano rumo ao mundo da bondade, do amor e da sabedoria. Portanto, é importante começar a aprender o que é ético. Algumas pessoas importantes disseram que tudo na vida é para o bem, pois tudo pode ensinar o que é bom e o que não é. Assim, podemos dizer que a vida é vivida não para ser bem-sucedido, para se seguir em frente, para se ser apreciado, etc., mas para se descobrir o que é verdadeiramente correto. Quando se olha a vida dessa maneira, talvez isso reduza o sofrimento porque a pessoa compreende que, de fato, tudo é bom. Em todo indivíduo há pontos de imperfeição que têm de ser vistos, dos quais se podem aprender lições."

(Radha Burnier - A importância da mudança social - TheoSophia, Ano 100, Julho/Agosto/Setembro de 2011 - Pub. da Sociedade Teosófica do Brasil - p. 8/9)


domingo, 15 de abril de 2018

A IMPORTÂNCIA DA MUDANÇA SOCIAL (1ª PARTE)

"Enquanto as pessoas no mundo inteiro creem que a eficiência está aumentando, ou que deve aumentar, o lugar da ética na vida está sendo empurrado para baixo. As crianças estão sendo educadas para conseguir bons empregos, e tornar o esforço um sucesso independentemente de se o que fazem é certo ou errado. A questão do que é certo, ou do que é muito diferente do que é certo, pouco importa. Num artigo sobre o assunto impresso no Guardian Weekly, falam-nos de algumas perguntas que são feitas a alunos da oitava série. As crianças viam as questões em grande parte em termos de como conseguir um emprego, que é a verdadeira razão por que sentem que devem adquirir habilidades sociais. Quando se perguntou se era esse o único pormenor, a maioria disse: 'Sim, o que mais existe?'. Se essa é a atitude de pessoas supostamente educadas, o que podemos esperar das pessoas como um todo? Num outro artigo, o autor diz que o altruísmo pode ter sido um mecanismo importante para nossos ancestrais num estágio particular de sua evolução, e pode também ser uma chave para nossa sobrevivência hoje. Assim, isto é o que pensamos do altruísmo - um meio para um fim egoísta.

A ética obteve um lugar importante no estudo da filosofia, mas se tornou meramente teórica. Existe cada vez menos preocupação por uma percepção ética do que acontece no ambiente imediato de alguém, ou no mundo como um todo. A ética, aliás, é considerada sem importância como prática, embora possa ainda ter um lugar no estudo da filosofia.

Na Grécia e na Índia, talvez também em algumas outras civilizações, a ética tinha um lugar diferente. Sem dúvida era parte de um pano de fundo filosófico, porém, mais do que qualquer outra coisa, era a base de se viver de um modo que faz os seres humanos merecer o nome de 'humanos'. Certamente que os animais não precisam praticar a ética, eles têm um código de ética próprio. Mas o ser humano, que possui a habilidade de pensar, tem o direito e o dever de decidir como quer viver; e as filosofias de alguns países, inclusiva aqueles citados acima, mostraram compreensão com referência à questão. (...)"

(Radha Burnier - A importância da mudança social - TheoSophia, Ano 100, Julho/Agosto/Setembro de 2011 - Pub. da Sociedade Teosófica do Brasil - p. 8)


sábado, 14 de abril de 2018

APEGO

"Apego é um fator mental que percebe um objeto, considera-o bonito ou agradável, deseja obtê-lo, tocá-lo e possui-lo e não quer se separar dele. O apego funciona de duas maneiras interligadas: desejando obter um objeto atraente que ainda não possui e desejando nunca se separar dele depois de possui-lo. A relação de um casal pode ilustrar esses dois tipos de apego. No começo, os dois parceiros desejam estar juntos - esse é o primeito tipo de apego. Depois, surge o desejo de nunca se separarem um do outro - que é o segundo tipo de apego. O apego também pode surgir em relação a objetos materiais. Sob a influência dessa delusão, nossa mente fica absorta no objeto de desejo do mesmo modo que o óleo fica impregnado num tecido. Assim como é muito difícil separar o óleo do tecido que ele manchou, também é difícil separar a mente do objeto de apego no qual ela ficou absorta.

É por causa do nosso apego que continuamos a vagar no samsara, passando por infinito sofrimento. O pré-requisito para alcançar a libertação ou a plena iluminação ou mesmo para receber uma ordenação como monge ou monja é a mente de renúncia. O apego aos prazeres passageiros deste mundo impede o surgimento dessa mente.

Desde tempos sem-início, temos sido incapazes de nos libertar da prisão do samsara. Apego é o que nos mantém presos nesse cárcere. Se tivermos o desejo sincero de praticar Darma, devemos renunciar ao samsara como um todo, e só poderemos fazer isso reduzindo nosso apego deludido.

Tendo reconhecido nosso apego, haverá duas maneiras de abendoná-lo. Essa delusão pode ser superada temporariamente meditando-se na repugnância e impureza do objeto de desejo e, depois, considerando-se as inúmeras falhas da delusão em si. Se praticarmos continuamente desse modo, com certeza poderemos reduzir nosso apego. (...)

Tal método é apenas um antídoto temporário ao nosso apego. Se quisermos removê-lo por completo, teremos de destruir a causa subjacente do apego e também de todas as outras delusões: o autoagarramento. Só seremos capazes de eliminar definitivamente o autoagarramento se meditarmos na vacuidade (shunyata, em sânscrito). Para alcançar a libertação total do sofrimento, precisamos desenvolver não apenas uma realização da vacuidade, mas também da renúncia, do tranquilo permanecer e da visão superior. (...)"

(Geshe Kelsang Gyatso - Contemplações Significativas - Ed. Tharpa Brasil, São Paulo, 2009 - p. 163/164)


sexta-feira, 13 de abril de 2018

ENQUANTO POSSUIRMOS, JAMAIS AMAREMOS

"Conhecemos o amor como sensação, não é? Quando dizemos que amamos, conhecemos o ciúme, o medo, a ansiedade. Quando você diz que ama alguém, tudo isso está implícito: a inveja, o desejo de possuir, de ser dono, de dominar, o medo da perda e assim por diante. Tudo isso, nós chamamos de amor. E não conhecemos o amor sem medo, inveja, possessão; simplesmente verbalizamos esse estado de amor que existe sem medo, o chamamos de impessoal, puro, divino ou sabe lá Deus o que mais. O fato, no entanto, é que somos ciumentos, dominadores, possessivos. Só conheceremos esse estado de amor quando o ciúme, a inveja, a possessividade, a dominação tiverem um fim, e enquanto possuirmos, jamais amaremos...

Em que momento você pensa na pessoa amada? Você pensa nela quando ela parte, quando está distante, quando deixou você... Então, você sente falta da pessoa a quem diz amar só quando está perturbado, sofrendo. Ou seja, enquanto você possui essa pessoa, não tem de pensar nela, porque na posse não há perturbação...

O pensamento surge quando estamos perturbados - e estamos propensos a ficar perturbados enquanto nosso pensamento for aquilo que chamamos de amor. Certamente, o amor não é uma coisa da mente; e, como as coisas da mente encheram nossos corações, não temos amor. As coisas da mente são o ciúme, a inveja, a ambição, o desejo de ser alguém, conseguir sucesso. Essas coisas da mente enchem o coração, e então dizemos estar amando. Mas como podemos amar quando há todos esses elementos confusos dentro da gente? Se há fumaça, como pode haver uma chama pura?"

(Krishnamurti - O Livro da Vida - Ed. Planeta do Brasil Ltda., São Paulo, 2016 - p. 125)


quinta-feira, 12 de abril de 2018

SEIS REGRAS PARA O AUTOCONTROLE (PARTE FINAL)

"(...) 4. Descubra a verdadeira causa de sua raiva e trabalhe-a. Talvez o seu verdadeiro motivo tenha ficado muito para trás. Quando você era criança, a sua mãe pode ter, por exemplo, lhe obrigado a usar capa de chuva, e toda turma riu. Hoje você nem se lembra disso, mas se aborrece quando sua esposa insiste em que você se proteja da chuva.
   Quando você era pequeno, gritava e esperneava. Naquele momento seus pais viam que vinha gente chegando, e assim faziam o que você queria. Existem inúmeras maneiras adultas de se jogar no chão sem gritar ou espernear de maneira visível. Talvez você ainda esteja tentando, com um toque infantil, conseguir o que deseja.
  Feliz é o homem que sabe de onde vêm seus problemas. A autocompreensão é um passo rumo ao autontrole.

5. Não reprima sua raiva. Libere-a. Descubra um meio saudável de livrar-se de sua fúria. Quando tiver esperado e estudado a si mesmo, aja! Vá cavar o jardim, lavar o carro, dar uma caminhada.
   Você pode até mesmo tentar o tratamento de minha mãe. Sempre que sentia que estava para ter um ataque de nervos, ela ia à copa e pegava uma xícara ou um pires velho (guardados para esses momentos). Depois ia pra trás do celeiro, empolgava-se, como uma grande torcedora, e lançava a coisa longe. O barulho da louça quebrando e a visão dos cacos voando eram um bálsamo para ela. Vá em frente, só uma vez! Funciona.
   Conversar é outro excelente relaxante. Um casamento é bom quando marido e mulher podem dizer, serenamente: 'Fiquei com raiva de você, e a razão é...' Se você esconde seus ressentimentos, algum dia alguém risca um fósforo e as coisas explodem. Elimine esse perigo de maneira saudável.

6. Afine-se com o Autor do equilíbrio e da paz. Num santuário sossegado, próximo a um córrego, no pomar, no jardim, a sós num aposento escuro, procure se aquietar e abrir o seu coração à tranquilidade que preenche o universo. A melhor maneira de se acalmar é perder-se em Deus."

(Charlie W. Shedd - Seis regras para o autocontrole - Revista Sophia, Ano 7, nº 25 - p. 45)
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quarta-feira, 11 de abril de 2018

SEIS REGRAS PARA O AUTOCONTROLE (1ª PARTE)

"Revisitando as colinas do tempo, quase todos nós podemos ver uma sepultura aqui ou ali, onde enterramos uma boa parte de nós mesmos, após uma erupção vulcânica. E quando afastamos o capinzal, lá está o epitáfio: 'Morreu de um ataque de raiva; foi levado por seu próprio temperamento.' Para que isso não mais nos aconteça, aqui estão seis regras para manter o autocontrole.

1. Aquele que perde a calma sempre perde. Você sempre perde mais do que ganha quando se aborrece. Três minutos de raiva minam suas forças mais do que oito horas de trabalho. É uma enorme tensão sobre seu corpo. Quando você se aborrece, o sangue é impelido para os principais músculos dos braços e das pernas. Assim, você tem mais força física, mas o cérebro, por falta do pleno suprimento de sangue, tem sua eficácia diminuída. É por isso que você diz e faz coisas bizarras. De modo semelhante, você perde o respeito daqueles que testemunham a explosão. A gentileza é uma vencedora, e é aliada da paz no mundo.

2. Conheça seus sinais de perigo. Geralmente existem nuvens no seu céu particular para anunciar a tempestade que se aproxima. Estude-se para descobrir que estados de humor e que momentos são críticos para você.
   Talvez essas tendências andem em círculos. Há pessoas, por exemplo, que passam por um período de mau-humor a cada vinte dias, com rigorosa pontualidade. Tomando cuidados especiais, desviando os pensamentos ou viajando, elas conseguem evitá-los.
   Os momentos mais perigosos podem ser aqueles que se seguem a algum período excitante ou romântico. Outros ficam nervosos quando estão cansados. Mas, mesmo que a sua raiva não siga padrão algum, ela geralmente agita uma bandeira antes de chegar.

3. Reserve um momento para se acalmar. Lembre-se de que os grandes são grandes porque esperam mais cinco minutos. Certo dia íamos de carro em uma avenida onde as pessoas se zangam se você for lento. O motorista, um amigo meu, estava passando por um período difícil. Um bobo alegre, desses que gostam de voar no trânsito, estava a não mais de dez centímetros atrás de nós durante uma subida, guiando um caminhão velho. Ele fazia esforços visíveis para ultrapassar. Finalmente, buzinando a pleno vapor, ele nos ultrapassou tão próximo que por pouco não nos levou a lateral.
    Para piorar as coisas, o jovem pôs a cabeça para fora e gritou algo impublicável. Eu sei o que eu teria feito. Você também, talvez. Mas o meu amigo, cuidadosamente, parou o veículo junto ao meio-fio e permeneceu sentado. Depois de três minutos, virou-se para mim e disse: 'Quando fico aborrecido assim, simplesmente paro o que estou fazendo e espero até passar.' Isso é o que mamãe queria dizer com 'consulte o travesseiro, filho'... (...)"

(Charlie W. Shedd - Seis regras para o autocontrole - Revista Sophia, Ano 7, nº 25 - p. 45)


terça-feira, 10 de abril de 2018

A PERSONA E O EGO

"Todos nós temos uma imagem que apresentamos ao mundo - é o que Jung chama de persona. O modo como nos vestimos, como falamos, a personalidade que gostamos de apresentar, tudo isso é parte de uma persona que desenvolvemos desde nossos primeiros anos. A persona é influenciada pela educação. Família, escolas, amigos, sociedade: todos esses elementos têm normas, valores e atributos, e o esperado é que nós os aceitemos e os tornemos nossos.

A persona não é o 'eu' real; é a expectativa da sociedade sobre como alguém no nosso papel deve se vestir, falar e se comportar. Se nos preocupamos demais com nossas personas, podemos terminar vivendo segundo as expectativas de nossos pais, de nosso grupo social ou religioso, ou de nossos cônjuges. Podemos não estar sendo verdadeiros e autênticos em relação a nós mesmos. Podemos estar vivendo a ideia de outra pessoa sobre como nossa vida deveria ser.

Se nos identificarmos muito intimamente com nossa persona, podemos perder parte de nós mesmos - mas não completamente. Partes não realizadas de nossa personalidade surgem nos sonhos, nas fantasias e em atos falhos. Se algo é empurrado para o inconsciente, certamente se esforçará para sair. Se nossa persona estiver muito distante da nossa verdadeira personalidade, podemos nos sentir afligidos por neuroses.

O ego é o que nós pensamos que somos. É a nossa personalidade como conscientemente a conhecemos. Faz parte da nossa força motriz, do nosso desejo pessoal de autoexpressão e de controle sobre o mundo à nossa volta.

Ego não significa egoísta ou egocêntrico; é uma palavra latina que significa 'eu'. Desenvolvemos nosso senso de ego na infância. Ouvimos as outras pessoas descreverem nossa personalidade e nosso comportamento e internalizamos essas descrições como aquilo que pensamos ser o 'eu': Miguel tem um temperamento ruim; Ana gosta de cooperar; Mário é um bom menino. Todos esses rótulos tornam-se parte da nossa identidade, mas eles podem estar ligeiramente fora de foco - ou completamente errados. Eles são filtrados pelas personalidades de outras pessoas, que interpretam nossas ações de acordo com seu próprio esquema das coisas.

Para compreender as necessidades que o ego tem em relação aos outros, devemos primeiramente entender a nós mesmos. Não podemos ter relacionamento bem-sucedidos com amigos, amantes ou pais a não ser que tenhamos uma noção realista da nossa própria identidade. Se sabemos quem somos, podemos fazer melhores escolhas nos nossos relacionamentos."

(Vivianne Crowley - A consciência segundo Jung - Revista Sophia, Ano 7, nº 25 - p. 33)


segunda-feira, 9 de abril de 2018

A CRÍTICA (PARTE FINAL)

"(...) Nós também devemos desenvolver a faculdade crítica; mas para criticar-nos a nós mesmos, e não aos outros.  

Toda questão tem sempre dois lados, geralmente mais do que dois. Kritein significa julgar; por conseguinte, a crítica será inútil, e só poderá fazer mal, se não for absolutamente serena e judiciosa. Não é um ataque selvagem ao oponente, mas um pesar plácido, sem preconceitos, de razões pró e contra determinada opinião ou curso de ação. Podemos decidir de um jeito, mas precisamos reconhecer que outro homem, de intelecto igual, pode dar ênfase a outro aspecto da questão e, por conseguinte, decidir de maneira totalmente diversa. E, todavia, ao decidir dessa feição, ele pode ser tão bom, tão justo e tão honesto quanto nós.

Entretanto, poucos o reconhecem; poucos protestantes cabeçudos acreditam realmente que os católicos sejam homens bons; poucos radicais convictos e apaixonados acreditam realmente que um velho fidalgo Tory possa ser tão bom e tão sincero quanto eles, e tenta honestamente fazer o que julga ser sua obrigação!

Quando um homem toma uma decisão diferente da nossa, não precisamos fingir concordar com ele, mas precisamos creditar-lhe boas intenções. Uma das piores características da vida moderna é a sua ansiosa presteza para acreditar no mal - o seu hábito de procurar, deliberadamente, a pior interpretação concebível que se pode dar ao que quer que seja. E essa atitude é péssima quando adotada em relação aos que nos ajudaram, a quem devemos agradecimentos pelos conhecimentos ou inspiração recebidos. Lembremo-nos das palavras do Mestre: 'A ingratidão não é um dos nossos vícios.' É sempre um erro entregar-nos loucamente à crítica aos que sabem mais do que nós; é mais correto esperar e repensar o assunto, esperar e ver o que o futuro nos trará. Apliquemos a prova do tempo e do resultado: 'Pelos frutos os conhecereis.' Tomemos por regra pensar o melhor de cada homem; façamos o nosso trabalho e deixemos os outros em liberdade para fazerem o seu."

(C. W. Leadbeater - A Vida Interior - Ed. Pensamento, São Paulo, 1999 - p. 97/98)


domingo, 8 de abril de 2018

A CRÍTICA (1ª PARTE)

"Se quisermos fazer algum progresso no Ocultismo, precisamos aprender a tratar da nossa vida e deixar as outras pessoas em paz. Elas têm suas razões e suas linhas de pensamento, que nós não compreendemos. Ficam de pé ou caem diante do próprio Mestre. Mais uma vez, temos o nosso trabalho para executar, e nos negamos a ser desviados dele. Precisamos aprender a ter caridade e tolerência, e reprimir o desejo insensato de estar sempre descobrindo defeitos nos outros. 

É um desejo insensato, e domina a vida moderna - o espírito de crítica. Cada um de nós deseja interferir na obrigação de outrem, em vez de atender à nossa; cada um de nós cuida-se capaz de fazer o trabalho de outro homem melhor do que ele o está fazendo. Isso é constatado na política, na religião, na vida social. A obrigação manifesta de um governo, por exemplo, é governar, e a do povo  ser bons cidadãos e fazer com que o trabalho do governo seja fácil e eficiente. Nos dias que correm, porém, as pessoas anseiam tanto por ensinar seus governos a governar que se esquecem do dever primordial de ser bons cidadãos. Os homens querem compreender que, se se restringirem a fazer sua obrigação, o carma se encarregará dos 'direitos' a cujo respeito vociferam tanto.

Por que carga d'água esse espírito de crítica está tão generalizado e é tão selvagem neste período da história do mundo? Como a maioria dos outros males, é o excesso de uma qualidade boa e necessária. No discorrer da evolução chegamos à quinta sub-raça da quinta raça-raiz. Quero dizer que essa raça foi a última a ser desenvolvida, que o seu espírito domina o mundo neste momento, e que até os que não pertencem a ela são, por força, muito influenciados por esse espírito.

Ora, cada raça tem suas próprias lições especiais para aprender, sua própria qualidade especial para desenvolver. A qualidade da quinta raça é a que, às vezes, se denomina manas - o tipo de intelecto que discrimina, que nota as diferenças entre as coisas. Quando ela estiver perfeitamente desenvolvida, os homens notarão as diferenças com calma, unicamente com o propósito de compreendê-las e julgar qual delas é a melhor. Mas agora, nesta fase de semidesenvolvimento, a maioria das pessoas procura as diferenças do seu próprio ponto de vista, não para compreendê-las, senão para se opor a elas - e muitas vezes para persegui-las com violência. Este é simplesmente o ponto de vista do homem ignorante e não desenvolvido, cheio de intolerência e presunção, absolutamente seguro de estar certo (talvez o esteja, até certo ponto) e de que tudo o mais, portanto, há de ser inteiramente errado - uma coisa que não se segue à outra. Lembremo-nos do que disse Oliver Cromwell ao seu conselho: 'Irmãos, eu vos imploro, pelo nome sagrado do Cristo, que julgueis possível que às vezes estais enganados!' (...)"

(C. W. Leadbeater - A Vida Interior - Ed. Pensamento, São Paulo, 1999 - p. 97)
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sábado, 7 de abril de 2018

A PULSAÇÃO DA MORTE (PARTE FINAL)

"(...) Ter a impermanência no coração é tornar-se lentamente livre da ideia de apego, da nossa visão distorcida e destrutiva de permanência, da falsa paixão pela segurança que usamos como base para tudo o que construímos. Começamos a compreender, devagar, que toda dor no coração produzida pelo apego que nutrimos pelo que não podemos conservar é, no sentido mais profundo, desnecessária. No começo também isto pode ser doloroso de aceitar, porque parece muito estranho. Mas à medida que refletimos, e continuamos refletindo, nosso coração e nossa mente passam por uma transformação gradual. Soltar começa a parecer mais natural e vai se tornando cada vez mais fácil. Pode demorar um bom tempo para mergulhar nisso, conforme a extensão da nossa insensatez, mas quanto mais refletimos mais desenvolvemos nossa perspectiva de soltar; é então que ocorre uma mudança no nosso modo de olhar para tudo.

Contemplar a impermanência por si só não basta; é preciso trabalhar com isso em sua vida. Assim como os estudos médicos exigem teoria e prática, assim também a vida; e na vida o treinamento prático é aqui, é agora, no laboratório da mudança. Quando ocorrem mudanças, aprendemos a olhar para elas com nova compreensão; e embora continuem surgindo como antes, alguma coisa em nós estará diferente. A situação toda estará então mais descontraída, menos intensa e dolorosa; mesmo o impacto das mudanças que atravessamos nos parecerá menos chocante. A cada mudança sucessiva percebemos um pouco melhor, e a nossa concepção da vida torna-se mais profunda e mais ampla."

(Sogyal Rinpoche - O Livro Tibetano do Viver e do Morrer - Ed. Talento/Ed. Palas Athena, 1999 - p. 57/58)


sexta-feira, 6 de abril de 2018

A PULSAÇÃO DA MORTE (1ª PARTE)

"Não haveria nenhuma possibilidade de chegar a conhecer a morte se ela acontecesse só uma vez. Mas felizmente a vida não é mais que uma contínua dança de nascimento e morte, um bailado de mudanças. Toda vez que ouço o sussurrar de um ribeirão de montanha, ou as ondas quebrando na praia, ou ainda as batidas do meu coração, escuto o som da impermanência. Essas mudanças, essas pequenas mortes, são nossos elos vivos com a morte. Elas são o pulso da morte, o coração dela batendo, incitando-nos a largar todas as coisas a que somos apegados.

Vamos então trabalhar com essas mudanças agora, durante a vida: esse é o verdadeiro modo de nos prepararmos para a morte. A vida pode ser cheia de dor, de sofrimento e dificuldades, mas todas essas experiências são oportunidades que nos são dadas para nos ajudar a aceitar emocionalmente a morte. E só quando acreditamos que as coisas são permanentes que perdemos a oportunidade de aprender com a mudança.

Se desperdiçarmos essa possibilidade, fechamo-nos e nos deixamos dominar pelo apego. O apego é a fonte de todos os nossos problemas. Uma vez que a impermanência para nós é sinônimo de angústia, agarramo-nos desesperadamente às coisas, mesmo que todas elas mudem. Vivemos com pavor de soltar, com pavor do próprio viver, já que aprender a viver é aprender a soltar. E essa é a tragédia e a ironia da nossa luta pela permanência: ela não só é impossível, como nos traz exatamente a dor que procuramos evitar.

A intenção por trás da atitude de agarrar pode não ser ruim em si mesma; não há nada de errado com o desejo de ser feliz, mas aquilo a que tentamos nos agarrar é por natureza impossível de ser agarrado. Os tibetanos dizem que não se pode lavar a mesma mão suja duas vezes na mesma água corrente, e acrescentam: 'Não importa o quanto você esprema um punhado de areia, jamais obterá óleo dele'. (...)"


(Sogyal Rinpoche - O Livro Tibetano do Viver e do Morrer - Ed. Talento/Ed. Palas Athena, 1999 - p. 57)


quinta-feira, 5 de abril de 2018

AUTORREALIZAÇÃO PELO AMOR A DEUS

"A melhor definição de bhakti yoga, encontra-se talvez no verso: 'Que o amor sem fim, que o ignorante sente pelos efêmeros objetos dos sentidos, jamais abandone o meu coração que Te busca!'

Vemos quanto é forte o amor que os homens, por falta de discernimento, devotam aos objetos dos sentidos, dinheiro, roupas, esposa, filhos, amigos e bens. Que extraordinário apego eles têm por essas coisas! O sábio diz na prece citada: 'Terei essa afeição - esse extraordinário apego - só por Ti.'

Esse amor, quando consegrado a Deus, chama-se bhakti. Bhakti não é destrutivo. Demonstra que nenhuma de nossas faculdades nos foi dada em vão. Por meio delas encontramos o caminho natural para a libertação. Bhakti não extingue nossas tendências nem se volta contra a natureza humana, apenas a orienta de maneira mais elevada e poderosa. A mesma espécie de amor dedicado aos objetos sensoriais, quando oferecida a Deus chama-se bhakti

O essencial é querer Deus. Só quando nos fartamos de tudo nessa vida procuramos abastecimento mais além. Pare, o quanto antes, com essa brincadeira infantil que você chama de mundo, e então sentirá necessidade de algo que seja superior. Terá sido dado o primeiro passo em direção à religião.

Há uma forma de religião que está na moda. Minha amiga tem muitos móveis em sua sala de visitas, mas se é moda ter um jarrão japonês, ela terá um, mesmo que pague mil dólares por ele. Da mesma maneira, ela será um pouco religiosa e pertencerá a uma igreja.

Bhakti não é para esse tipo de pessoa. Isso não é 'querer.' Querer é não poder viver sem o que queremos. Queremos ar, alimento, roupas, sem os quais não podemos viver. Quando um homem ama uma mulher, há ocasiões em que ele tem a sensação de que não pode viver sem ela, embora isso seja um equívoco. Quando o marido morre, a esposa está convencida de que não conseguirá viver sem ele mas vive da mesma maneira.

É esse o significado da necessidade: aquilo sem o qual não podemos viver. Ou temos ou morremos. O momento virá em que experimentaremos esse sentimento por Deus ou, em outras palavras, desejaremos algo que está além desse mundo, que transcenda todas as forças materiais. Então poderemos tornar-nos bhaktas."

(Swami Vivekananda - O que é Religião - Lótus do Saber Editora, Rio de Janeiro, 2004 - p. 255/256)


quarta-feira, 4 de abril de 2018

EMPATIA

"A você que aderiu à ideia de tornar-se 'servo bom e fiel', mais um pedido:

Procure conhecer, aí na vizinhança, em seu bairro, em lugar que lhe for acessível, uma ou mais instituições que prestam caridade. Sempre existe alguma e, infalivelmente, se debatendo em crises de sobrevivência, estará dependendo de sua colaboração. Há sempre indivíduos ou casas assistenciais que dependem de você e de mim. Há sempre pessoas desamparadas na velhice, esmagadas pela solidão ou por doenças, há sempre crianças cujo futuro - feliz ou desgraçado - estão precisando de sua cooperação e da minha.

Precisamos - você e eu - poder dizer assim:

'Meu Deus, estou cumprindo meus deveres de caridade, e nisto estamos encontrando a verdadeira felicidade, a de estarmos Te ajudando nas pessoas necessitadas.'

Se trocarmos a posição de quem pede pela posição de quem dá, nos enriqueceremos.

A dor dos outros dói em mim."

(Hermógenes - Deus investe em você - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1995 - p. 80/81)


terça-feira, 3 de abril de 2018

AS MANIFESTAÇÕES DA PRESENÇA DE DEUS

"'Ao sair de casa, tente sentir que todas as coisas ao seu redor fazem parte da sua própria percepção desenvolvida.

'Observe as folhas balançando nas árvores e tente captar-lhes o movimento. Imagine nesse movimento que Deus está expressando Seus pensamentos e inspirações.

'Observe a grama dos prados à medida que ondula ao vento. Imagine a brisa como o hálito de Deus soprando sobre o mundo, inspirando todos os seres e dando-lhes a vida.

'Ouça os pássaros cantando. Imagine que Deus, mediante o canto dos pássaros, está tentando chegar até você por meio dessa sensação de satisfação divina.

'Esteja consciente dos raios do sol na sua pele. Penso no calor que você sente como se ele fosse a energia de Deus. Permita que ele encha o seu corpo com vitalidade e força. Imagine a energia divina dando força às criaturas em todos os cantos da terra por meio da luz solar.'"

(Paramhansa Yogananda - A Sabedoria de Yogananda, A Essência da Autorrealização - Ed. Pensamento, São Paulo, 2012 - p. 173)


segunda-feira, 2 de abril de 2018

ENTRAR EM CONTATO COM O MEDO

"Há o medo físico. Quando você vê uma cobra, um animal selvagem, instintivamente sente medo. Esse é um medo normal, saudável, natural. Além de medo, é um desejo de se proteger - e isso é normal. Mas a proteção psicológica de si mesmo - ou seja, o desejo de estar sempre seguro - gera medo. Uma mente que busca sempre estar segura é uma mente morta, porque não há contato direto com o medo, há uma resposta dos nervos e de todo o resto do corpo. Quando a mente não está mais escapando por meio de palavras ou de qualquer tipo de atividade, não há divisão entre o observador e a coisa observada como medo. Só a mente que está escapando se livra do medo. Mas quando há um contato direto com o medo, não há observador, não há entidade que diz: 'Estou com medo'. Então, no momento em que você está diretamente em contato com a vida, com qualquer coisa, não há divisão - é ela que gera a competição, a ambição, o medo.

Portanto, o importante não é como se livrar do medo. Se você busca uma maneira, um método, um sistema para se livrar do medo, estará permanentemente preso a ele. Mas se entende o medo - o que só pode ocorrer quando você entra diretamente em contato com ele, como quando está em contato com a fome ou ameaçado de perder o emprego -, então você faz algo: só então descobrirá que todo medo termina (todo medo, não apenas este ou aquele tipo)."

(Krishnamurti - O Livro da Vida - Ed. Planeta do Brasil Ltda., São Paulo, 2016 - p. 106)


domingo, 1 de abril de 2018

VIVER EM DEUS, PARA DEUS, COM DEUS

"Estudar as escrituras e textos religiosos, sem que se faça esforço para os praticar, resulta em má saúde. Ser falso à sua própria profissão destrói o autorrespeito e inicia um processo que leva ao envergonhar-se de si mesmo. Assim, aprendam, mas pratiquem; comam, mas digiram. Este é o conselho que lhes dou.

Tenho-lhes recomendado usar o tempo em meditação (dhyana) ou em repetir um mantra ou na recitação do santo nome de Deus (namasmarana), pois a Paz e a Alegria não são encontrados na natureza exterior. São tesouros que jazem nos reinos internos do homem. Uma vez que estes sejam encontrados, nunca mais o homem será triste e agitado. (...) A cada inspiração e expiração pronunciem o nome de Deus. Vivam em Deus, para Deus, com Deus. 

A fim de atingirmos e compreendermos a Divindade, devemos cumprir a disciplina espiritual, o sadhana, e comportar-nos de uma forma que nos asemelhe ao Divino."

(Sathya Sai Baba - Sadhana, O Caminho Interior - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1993 - p. 23 e 28)