OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


quinta-feira, 9 de julho de 2026

GRAÇA E REENCARNAÇÃO

"Toda vez em que se aborda o tema da reencarnação, os mais ferrenhos estudiosos dos Evangelhos, que se detêm na forma da mensagem antes que no seu conteúdo, opõem à necessidade do nascer de novo na carne, a que se referiu Jesus, a concessão da 'graça', como mecanismo de salvação, em decorrência da divina misericórdia do Pai.

A salvação pela graça, sem dúvida, constitui uma dádiva arbitrária, que viola as leis do equilíbrio universal, a uns beneficiando, em detrimento de outros, em flagrante injustiça por parte do Soberano Criador.

Igualmente, o conceito apresentado, em referência ao 'sangue de Cristo', salvando as criaturas, deve ser entendido como a lição preciosa que o Mestre nos deu, demonstrando que, mesmo Ele, que era puro, não se furtou ao holocausto da própria vida, num extremo ato de amor, a fim de que nos não evadamos à
doação plena e total, quando chegado o momento do sacrifício pessoal.

*

Ensejar-se a um endividado revel a oportunidade de resgatar os débitos, constitui-lhe uma graça.

Conceder-se, ao trânsfuga do dever, o ensejo de reabilitação, torna-se para ele uma graça imerecida.

Facultar-se, ao enfermo, recursos de renovação e saúde é-lhe uma graça auspiciosa.

Proporcionar-se, ao delinquente, o afastamento da sociedade, a reeducação e o retorno à comunidade, torna-se-lhe uma graça bendita.

Agraciar-se, porém, o agressor esquecendo-lhe a vítima, é um ato de injustiça.

Liberar-se o algoz, sem facultar o mesmo a quem lhe padeceu a perversidade, faz-se uma forma de estimular o crime.

O amor e a justiça cooperam em favor da reabilitação do devedor, que libera a consciência da engrenagem do erro, encontrando a felicidade anelada.

O amor verdadeiro não beneficia uns, olvidando outros.

'Nenhuma das ovelhas que o Pai me confiou se perderá' - disse Jesus. Isto equivale a afirmar que todos se salvarão mediante as conquistas realizadas durante as sucessivas existências.

*

A reencarnação é a graça que o Pai concede aos que se comprazem no erro e na delinquência, a fim de desfrutarem a salvação, essa conquista que nos cumpre lograr a esforço próprio e com sacrifício pessoal.

A vida é única, no seu processo de crescimento e perfeição, em que o berço e o túmulo representam portas de entrada e de saída para cada existência física.

A carne nasce, morre e renasce inúmeras vezes, inclusive numa mesma existência corporal, mas a vida não cessa nunca.

Utiliza-te, portanto, da concessão feliz dos renascimentos físicos, a fim de cresceres em direção ao bem e à liberdade que o Mestre te acena, enquanto te aguarda, reabilitando-te dos erros cometidos, evitando incidir em outros e edificando-te no bem para o bem de todos. 

Texto extraído do livro "Oferenda", de Divaldo P. Franco/Joanna de Ângelis, Livraria Espírita 'Alvorada' - Editora, Salvador, BA, p. 37/39.
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terça-feira, 7 de julho de 2026

PROBLEMAS DO AMOR

"'Para que aproveis as coisas que são excelentes, para que sejais sinceros e sem escândalo algum'. Paulo.

O amor é a força divina do Universo.

É imprescindível, porém, muita vigilância para que não o desviemos na justa aplicação.

Quando um homem se devota, de maneira absoluta, aos seus cofres perecíveis, essa energia, no coração dele, denomina-se 'avareza'; quando se atormenta, de modo exclusivo, pela defesa do que possui, julgando-se o centro da vida, no lugar em que se encontra, essa mesma força se converte nele em 'egoísmo'; quando só vê motivos para louvar o que representa, o que sente e o que faz, com manifesto desrespeito pelos valores alheios, o sentimento que predomina em sua órbita chama-se 'inveja'.

O ódio é, comumente, o amor envenenado de ontem.

O ciúme é o amor vestido de espinhos dilacerantes.

A soberba é o amor desvairado a si próprio.

Paulo, escrevendo à amorosa comunidade filipense, formula indicação de elevado alcance. Assegura que 'o amor deve crescer, cada vez mais, no conhecimento e no discernimento, a fim de que o aprendiz possa provar as coisas que são excelentes'.

Instruamo-nos, pois para conhecer. Eduquemo-nos para discernir.

Cultura intelectual e aprimoramento moral são imperativos da vida possibilitando-nos a manifestação do amor, no império da sublimação que nos aproxima de Deus.

Atendamos ao conselho apostólico e cresçamos em valores espirituais para a eternidade, porque, muitas vezes, o nosso amor é, simplesmente, querer, e, tão somente com o 'querer' é possível desfigurar, impensadamente, os mais belos quadros da vida."

Extraído do livro "Segue-me", de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito EmmanuelCasa Editora O ClarimMatão/SP, p. 49/50.
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quinta-feira, 2 de julho de 2026

O SANTO DESILUDIDO


"Inclinara-se a palestra, no lar humilde de Cafarnaum, para os assuntos alusivos à devoção, quando o Mestre narrou com significativo tom de voz: 

— Um venerado devoto retirou-se, em definitivo, para uma gruta isolada, em plena floresta, a pretexto de servir a Deus. Ali vivia, entre orações e pensamentos que julgava irrepreensíveis, e o povo, crendo tratar-se de um santo messias, passou a reverenciá-lo com intraduzível respeito. Se alguém pretendia efetuar qualquer negócio do mundo, dava-se pressa em buscar-lhe o parecer. Fascinado pela alheia consideração, o crente, estagnado na adoração sem trabalho, supunha dever situar toda gente em seu modo de ser, com a respeitável desculpa de conquistar o paraíso. 

Se um homem ativo e de boa-fé lhe trazia à apreciação algum plano de serviço comercial, ponderava, escandalizado: 

 — É um erro. Apague a sede de lucro que lhe ferve nas veias. Isto é ambição criminosa. Venha orar e esquecer a cobiça. 

Se esse ou aquele jovem lhe rogava opinião sobre o casamento, clamava, aflito: 

 — É disparate. A carne está submetendo o seu espírito. Isto é luxúria. Venha orar e consumir o pecado.

Quando um ou outro companheiro lhe implorava conselho acerca de algum elevado encargo, na administração pública, exclamava, compungido: 

— É um desastre. Afaste-se da paixão pelo poder. Isto é vaidade e orgulho. Venha orar e vencer os maus pensamentos. 

Surgindo pessoa de bons propósitos, reclamando-lhe a opinião quanto a alguma festa de fraternidade em projeto, objetava, irritadiço:

— É uma calamidade. O júbilo do povo é desregramento. Fuja à desordem. Venha orar subtraindo-se à tentação. 

E assim, cada consulente, em vista da imensa autoridade que o santo desfrutava, se entristecia de maneira irremediável e passava a partilhar-lhe os ócios na soledade, em absoluta paralisia da alma. 

O tempo, todavia, que todo transforma, trouxe ao preguiçoso adorador a morte do corpo físico. 

Todos os seguidores dele o julgaram arrebatado ao Céu e ele mesmo acreditou que, do sepulcro, seguiria direto ao paraíso. Com inexcedível assombro, porém, foi conduzido por forças das trevas a terrível purgatório de assassinos. Em pranto desesperado indagou, à vista de semelhante e inesperada aflição, dos motivos que lhe haviam sitiado o espírito em tão pavoroso e infernal torvelinho, sendo esclarecido que, se não fora homicida vulgar na Terra, era ali identificado como matador da coragem e da esperança em centenas de irmãos em humanidade. Silenciou Jesus, mas João, muito admirado, considerou:

— Mestre, jamais poderia supor que a devoção excessiva conduzisse alguém a infortúnio tão grande! 

O Cristo, porém, respondeu, imperturbável: 

— Plantemos a crença e a confiança entre os homens, entendendo, entretanto, que cada criatura tem o caminho que lhe é próprio. A fé sem obras é uma lâmpada apagada. Nunca nos esqueçamos de que o ato de desanimar os outros, nas santas aventuras do bem, é um dos maiores pecados diante do Poderoso e Compassivo Senhor."

Extraído do livro "Jesus no Lar", de Chico Xavier, pelo Espírito Neio LúcioFEBBrasília, p. 47/49.
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terça-feira, 30 de junho de 2026

PREEXISTÊNCIA DA ALMA

"38. Sem a preexistência da alma, a doutrina do pecado original não seria somente inconciliável com a justiça de Deus, que tornaria todos os homens responsáveis pela falta de um só, seria também um contrassenso, e tanto menos justificável quanto, segundo essa doutrina, a alma não existia na época a que se pretende fazer que a sua responsabilidade remonte. Com a preexistência, o homem traz, ao renascer, o gérmen das suas imperfeições, dos defeitos de que se não corrigiu e que se traduzem pelos instintos naturais e pelos pendores para tal ou tal vício. É esse o seu verdadeiro pecado original, cujas consequências naturalmente sofre, mas com a diferença capital de que sofre a pena das suas próprias faltas, e não das de outrem; e com a outra diferença, ao mesmo tempo consoladora, animadora e soberanamente equitativa, de que cada existência lhe oferece os meios de se redimir pela reparação e de progredir, quer despojando-se de alguma imperfeição, quer adquirindo novos conhecimentos e, assim, até que, suficientemente purificado, não necessite mais da vida corporal e possa viver exclusivamente a vida espiritual, eterna e bem-aventurada. 

Pela mesma razão, aquele que progrediu moralmente traz, ao renascer, qualidades naturais, como o que progrediu intelectualmente traz ideias inatas; identificado com o bem, pratica-o sem esforço, sem cálculo e, por assim dizer, sem pensar. Aquele que é obrigado a combater as suas más tendências vive ainda em luta; o primeiro já venceu, o segundo procura vencer. Existe, pois, a virtude original, como existe o saber original, e o pecado ou, antes, o vício original."

Extraído do livro "O Espiritismo na sua expressão mais simples e outros opúsculos de Kardec", III Caráter da Revelação Espírita, FEB, item 38.  
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quinta-feira, 25 de junho de 2026

JESUS E PERDÃO

"Ensinando o amor para com os inimigos vejamos como procedia Jesus, diante daqueles que lhe hostilizavam a causa e lhe feriam o coração. 

Em circunstância alguma vemo-lo a derramar-se, louvaminheiro, encorajando os que se mantinham no erro deliberado, mas sim renovando sempre o processo de auxiliar com esquecimento de toda injúria. 

Diante da turba que O preferia a Barrabás, o delinquente confesso, não se entrega ao elogio da multidão, mas guarda dignidade e silêncio, tolerando-lhe a afronta. 

Perante Pilatos, o juiz inseguro, não lhe beija as mãos lavadas, mas sim, pela conduta de vítima irreprochável, lhe devolve o espírito inconsequente à noção de responsabilidade própria. 

Em plena rua, cambaleante sob o lenho do suplício, não se volta para sorrir aos ingratos que lhe cospem no rosto, mas ora por todos eles, confiando-os ao tempo que é o julgador invisível da Humanidade. 

Na cruz não toma a palavra para agradecer a inconstância de Pedro ou a fraqueza de Judas, nem faz voto festivo aos sacerdotes que lhe insultam a Doutrina de Amor, mas a todos contempla, sem mágoa, pedindo perdão para a ignorância de quantos Lhe impunham a humilhação e a morte. 

E olvidando os verdugos e adversários, ei-Lo que torna ao convívio das criaturas, em pleno terceiro dia depois do túmulo em trevas, a fazer ressurgir para a Terra enoitada a radiante mensagem da Luz. 

Desculpar aos que nos ofendem não será comungar-lhes a sombra, mas sim esquecer-lhes os golpes e seguir para a frente, trabalhando e aprendendo, amparando e servindo sempre, na exaltação do bem para que o mundo em nós outros se liberte do mal."

Extraído do livro "Abrigo" de Francisco Cândido Xavier/Emmanuel, p. 16/17.
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terça-feira, 23 de junho de 2026

INIMIGOS OCULTOS

"Mencionamos, com muita frequência, que os inimigos exteriores são os piores expoentes de perturbação que operam em nosso prejuízo. Urge, porém, olhar para dentro de nós, de modo a descobrir que os adversários mais difíceis são aqueles de que não nos podemos afastar facilmente, por se nos alojarem no cerne da própria alma. 

Dentre eles, os mais implacáveis são:

- o egoísmo, que nos tolhe a visão espiritual, impedindo vejamos as necessidades daqueles que mais amamos; 
- o orgulho, que não nos permite acolher a luz do entendimento, arrojando-nos a permanente desequilíbrio; 
- a vaidade, que nos sugere a superestimação do próprio valor, induzindo-nos a desprezar o merecimento dos outros;
- o desânimo, que nos impele aos precipícios da inércia;
- a intemperança mental, que nos situa na indisciplina;
- o medo de sofrer, que nos subtrai as melhores oportunidades de progresso, e tantos outros agentes nocivos que se nos instalam no Espírito, corroendo-nos a energias e depredando-nos a estabilidade mental. 

Para a transformação dos adversários exteriores contamos, geralmente, com o amparo de amigos que nos ajudam a revisar relações, colaborando conosco na constituição de novos caminhos; entretanto, para extirpar os que moram em nós, vale tão-somente o auxílio de DEUS, com o laborioso esforço de nós mesmos. 

Reportando-nos aos inimigos externos, advertiu-nos JESUS que é preciso perdoar as ofensas setenta vezes sete vezes, e decerto que para nos descartarmos dos inimigos internos – todos eles nascidos na trevas da ignorância – prometeu-nos o Senhor: 'conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres', o que equivale dizer que só estaremos a salvo de nossas calamidades interiores, através de árduo trabalho na oficina da educação."

Extraído do livro "Alma e Coração", de Francisco Cândido Xavier, Ditado pelo Espírito Emmanuel, p. 7.
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quinta-feira, 18 de junho de 2026

NA EXECUÇÃO DA DIVINA LEI

"Amemos a Deus sobre todas as coisas, procurando-lhe o Reino do Amor, em cuja edificação devemos contribuir. 

Auxiliemos ao próximo, tanto quanto desejamos ser auxiliados. 

Cumpramos, de boa vontade os deveres de cada dia. 

Honremos os familiares amparando-os, quanto nos seja possível. 

Procuremos não prejudicar a ninguém. 

Trabalhemos com alegria servindo a todos, em favor de nós mesmos. 

Desculpemos as faltas alheias, compreendendo quanto temos errado por nossa vez. 

Não cobicemos dos outros senão as virtudes e as qualidades respeitáveis que nos compete imitar na experiência comum. 

Busquemos não realizar despesas além das nossas possibilidades, ainda mesmo que essa medida nos custe sacrifícios ingentes. 

Conservemos a saúde, através de hábitos dignos, espalhando, em torno de nós, a alegria e a fé, o otimismo e a confiança. 

Não nos cansemos de aprender, entendendo que o progresso da alma é infinito, no espaço e no tempo. 

Vivamos cada dia as bênçãos do serviço e do estudo, da prática do bem e do concurso fraterno, com paciência e compreensão, à frente de todas as situações, de todas as pessoas e de todas as coisas, na certeza de que poderemos ser convidados à prestação de contas da própria vida, a qualquer momento, e assim estaremos habilitados a viver diante do Senhor e diante das criaturas, cumprindo fielmente a Divina Lei."

Extraído do livro "Assim Vencerás", de Francisco Cândido Xavier, Ditado pelo Espírito Emmanuel, p. 14.
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terça-feira, 16 de junho de 2026

JUSTIÇA E MISERICÓRDIA

"Muitas vezes exclamas: - Justiça! Justiça! 

E afirma-te demasiadamente sofredor, perseguido pelas sombras ou desamparado pela Bênção do Céu! 

Lembra-te, porém, de que a corrigenda não exclui a presença do pesar e enquanto a provação trabalha em nossas almas, trazemos conosco os remanescentes da culpa. 

Antes do apelo à justiça roga clemência e piedade, de vez que pelo socorro do temporário esquecimento na vida física – brando anestésico de que se utiliza a Compaixão do Senhor para extirpar-nos do espírito as raízes do mal – por muito tempo ignoramos toda a extensão de nossos débitos. 

Nos dias da aflição e cinza, não te recolhas à blasfêmia e nem peças por maiores manifestações da justiça, em teu campo de ação, porque a justiça mais ampla poderia agravar-te as dores, mas sim roga o acréscimo da Divina Misericórdia, em teu benefício, a fim de que disponhas de ombros fortes para que não venhas a lançar longe de ti os favores da própria cruz."

Extraído do livro "Assim Vencerás", de Francisco Cândido Xavier, Ditado pelo Espírito Emmanuel, p. 11.
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quinta-feira, 11 de junho de 2026

FÉ E CULTURA

"'Acolhei o que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões.' — PAULO. (Romanos, 14:1.)

Indubitavelmente, nem sempre a fé acompanha a expansão da cultura, tanto quanto nem sempre a cultura consegue altear-se ao nível da fé. 

Um cérebro vigoroso pode elevar-se a prodígios de cálculo ou destacar-se nos mais entranhados campos da emoção, portas adentro dos valores artísticos, sem entender bagatela de resistência moral diante da tentação ou do sofrimento. De análogo modo, um coração fervoroso é suscetível das mais nobres demonstrações de heroísmo perante a dor ou da mais alta reação contra o mal, patenteando manifesta incapacidade para aceitar os imperativos da perquirição ou dos requisitos do progresso. 

A Ciência investiga. 

A Religião crê. 

Se não é justo que a Ciência imponha diretrizes à Religião, incompatíveis com as suas necessidades do sentimento, não é razoável que a Religião obrigue a Ciência à adoção de normas inconciliáveis com as suas exigências do raciocínio. 

Equilíbrio ser-nos-á o clima de entendimento, em todos os assuntos que se relacionem à Fé e à Cultura, ou estaremos sempre ameaçados pelo deserto da descrença ou pelo charco do fanatismo. 

Auxiliemo-nos mutuamente. Na sementeira da fé, aprendamos a ouvir com serenidade para falar com acerto. 

Diz o Apóstolo Paulo: 'Acolhei o que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões.' É que para chegar à cultura, filha do trabalho e da verdade, o homem é naturalmente compelido a indagar, examinar, experimentar e teorizar, mas, para atingir a fé viva, filha da compreensão e do amor, é forçoso servir. E servir é fazer luz."

Texto extraído do livro "Ceifas de Luz", de Francisco Cândido Xavier, (pelo Espírito Emmanuel), item 38.
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terça-feira, 9 de junho de 2026

O RESULTADO DOS ERROS RELIGIOSOS

"Toda essa demagogia filosófico doutrinária, que vedes nas fileiras do Espiritismo, tem sua razão de ser. As almas humanas se preparam para o bom caminho. A missão do Cristianismo na Terra não era a de mancomunar-se com as forças políticas que lhe desviassem a profunda significação espiritual para os homens. O Cristo não teria vindo ao mundo para instituir castas sacerdotais e nem impor dogmatismos absurdos. Sua ação dirigiu-se, justamente, para a necessidade de se remodelar a sociedade humana, eliminando-se os preconceitos religiosos, constituindo isso a causa da sua cruz e do seu martírio, sem se desviar, contudo, do terreno das profecias que o anunciavam.

Todas essas atividades bélicas, todas as lutas antifraternas no seio dos povos irmãos, quase a totalidade dos absurdos, que complicam a vida do homem, vieram da escravização da consciência ao conglomerado de preceitos dogmáticos das Igrejas que se levantaram sobre a doutrina do Divino Mestre, contrariando as suas bases, degladiando-se mutuamente, condenando-se umas às outras em nome de Deus.

Aliado ao Estado, o Cristianismo deturpou-se, perdendo as suas características divinas."

Extraído das "Dissertações Mediúnicas sobre importantes questões que preocupam a Humanidade", de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel.                                                                                    Imagem: Pinterestconsci

quinta-feira, 4 de junho de 2026

RECURSOS E CAMINHOS

"'E esta é a confiança que temos para com ele, que se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve".

Exporemos em prece ao Senhor os nossos obstáculos, pedindo as providências que se nos façam necessárias à paz e à execução dos encargos que a vida nos delegou; entretanto, suplicaremos também, a ele, nos ilumine o entendimento, para que lhe saibamos receber dignamente as decisões.

Não nos esqueceremos de capacidade visual que a nossa abrange, mais ou menos, unicamente o curto espaço dos sessenta segundos de um minuto, enquanto que o Senhor, que nos acompanhou as numerosas existências passadas existências que conservamos, agora, na Terra, temporariamente esquecidas nos conhece o montante das necessidades de hoje e amanhã.

Tenhamos suficiente gratidão para não suprimir-lhe a bênção.

A Providência Divina possui os recursos e caminhos que lhe são próprios para alcançar-nos.

Quando encarnados no plano físico, se na posição de enfermos, costumamos implorar do Céu a dádiva da saúde corpórea, na expectativa de obter um milagre, às vezes, o Céu nos responde com a imposição de um bisturi, que nos rasga as entranhas, de maneira a reconstituir-nos o equilíbrio orgânico.

Simbolicamente, ocorrem circunstâncias idênticas no quadro espiritual de nossa vida cotidiana. Rogamos a Deus a presença da felicidade em nossos dias, segundo a concepção com que a imaginamos, mas somos, via de regra, portadores de certos defeitos, que nos impediriam acolhê-la, sem agravar as próprias dívidas, e Deus, em muitos casos, nos envia, primeiramente, o espinho da provação, que nos faculte a experiência precisa para rece-bê-la em momento oportuno, como determina o recurso operatório para o corpo doente, antes que se lhe restaure a saúde. 

Oraremos, sim; no entanto, é imperioso, em matéria de petição, rogar isso ou aquilo ao Senhor, sempre de acordo com a Sua Vontade, porque a vontade do Senhor inclui, invariavelmente, a harmonia e a felicidade de nossa vida."

Extraído do livro "Segue-me", de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito EmmanuelCasa Editora O ClarimMatão/SP, p. 45/46.
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terça-feira, 2 de junho de 2026

O JUIZ REFORMADO

"Como houvesse o Senhor recomendado nas instruções do dia muita cautela no julgar, a conversação em casa de Pedro se desdobrava em derredor do mesmo tema.

- É difícil não criticar - comentava Mateus, com lealdade -, porque, a todo instante, o homem de mediana educação é compelido a emitir pareceres na atividade comum.

- Sim  - concordava André, muito franco -, não é fácil agir com acerto, sem analisar detidamente.

Depois de vários depoimentos, em torno do direito de observar e corrigir, interferiu Jesus sem afetação:

- Inegavelmente, homem algum poderá cumprir o mandato que lhe cabe, no plano divino da vida, sem vigiar no caminho em que se movimenta, sob os princípios da retidão. Todavia, é necessário não inclinar o espírito aos desvarios do sentimento, para não sermos vitimados por nós mesmos. Seremos julgados pela medida que aplicarmos aos outros. O rigor responde ao rigor; a paciência, à paciência; a bondade, à bondade...

E, transcorridos alguns instantes, contou:

- Quando Israel vivia sob o governo dos grandes juízes, existiu um magistrado austero e violento, em destacada cidade do povo escolhido, que imprimiu o terror e a crueldade em todos os serventuários sob a sua orientação. Abusando dos poderes que a Lei lhe conferia, criou ordenações tirânicas para a punição das mínimas faltas. Multiplicou infinitamente o número dos soldados, edificou muitos cárceres e inventou variados instrumentos de flagelação.

O povo, asfixiado por estranhas proibições, devia movimentar-se debaixo de severa fiscalização, qual se fora rebanho de bravios animais. Trabalharia, descansaria e adoraria o Senhor, em horas rigorosamente determinadas pela autoridade, sob pena de sofrer humilhantes castigos, nas prisões, com pesadas multas de toda espécie.

Se bem mandava o juiz, melhor agiam os subordinados, cheios de natural malvadez.

Assim foi que, certa feita, dirigindo-se o magistrado, alta noite, à casa de um filho enfermo, foi aprisionado, sem qualquer consideração, por um grupo de guardas bêbedos e inconscientes que o conduziram à escura enxovia que ele mesmo havia inaugurado, semanas antes. Não lhe valeram a apresentação do nome e as honrosas insígnias de que se revestia. Tomado por temível ladrão, foi manietado, despojado dos bens que trazia e espancado sem piedade, afirmando os sentinelas que assim procediam, obedecendo às instruções do grande juiz, que era ele próprio.

Somente no dia imediato foi desfeito o equívoco, quando o infeliz homem público já havia sofrido a aplicação das penas que a sua autoridade estabelecera para os outros.

O legislador atribulado reconheceu, então, que era perigoso transmitir o poder a subalternos brutalizados e ignorantes, percebendo que a justiça construtiva e santificante é aquela que retifica ajudando e educando, na preparação do Reinado do amor entre os homens.

Desde a singular ocorrência, a cidade adquiriu outro modo de ser, porque o juiz reformado, embora prosseguisse atento às funções que lhe competiam, ergueu, sobre o tribunal, em benefício de todos, o coração de pai compreensivo e amoroso.

Lá fora, brilhavam estrelas, retratadas nas águas serenas do grande lago. Depois de longa pausa, o Mestre concluiu:

- Somente aquele que aprendeu intensamente com a vida, estudando e servindo, suando e chorando para sustentar o bem, entre os espinhos da renúncia e as flores do amor, estará habilitado a exercer a justiça, em nome do Pai."

Extraído do livro "Jesus no Lar", de Chico Xavier, pelo Espírito Neio LúcioFEBBrasília, p. 43/45.
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quinta-feira, 28 de maio de 2026

A LIÇÃO DA ESPADA

"'Não cuideis que vim trazer a paz à terra...' - JESUS. (Mateus, 10:34.) 

'Não vim trazer a paz, mas a espada' - disse-nos o Senhor. 

E muitos aprendizes prevalecem-se da feição literal de Sua palavra, para entender a sombra e a perturbação. 

Valendo-se-lhe do conceito, companheiros inúmeros consagram-se ao azedume no lar, conturbando os próprios familiares, em razão de lhes imporem modos de crer e pontos de vista, vergastando-lhes o entendimento, ao invés de ajudá-los na plantação da fé viva quando não se desmandam em discussões e conflitos, polemizando sem proveito ou acusando indebitamente a todos aqueles que lhes não comunguem a cartilha de violência e de crueldade. 

O mundo, até a época do Cristo, legalizara a prepotência do ódio e da ignorância, mantendo-lhe a terrível dominação, através da espada mortífera da guerra e do cativeiro, em sanguinolentas devastações. 

A realeza do homem era a tirania revestida de ouro, arruinando e oprimindo onde estendesse as garras destruidoras. 

Com Jesus, no entanto, a espada é diferente. 

Voltada para o seio da terra, representa a cruz em que Ele mesmo prestou o testemunho supremo do sacrifício e da morte pelo bem de todos. 

É por isso que seu exemplo não justifica os instintos desenfreados de quantos pretendem ferir ou guerrear em Seu nome. 

A disciplina e a humildade, o amor e a renúncia marcam-lhe as atitudes em todos os passos da senda. 

Flagelado e esquecido, entre o escárnio e a calúnia, o perdão espontâneo flui-lhe, incessante, da alma, para somente retribuir benção por maldição, luz por treva, bem por mal. 

Assim, se recebeste a espada simbólica que o Mestre nos trouxe à vida, lembra-te de que a batalha instituída pela lição do Senhor permanece viva e rija, dentro de nós, a fim de que, ensarilhando sobre o pretérito a espada de nossa antiga insensatez, venhamos a convertê-la na cruz redentora, em que combateremos os inimigos de nossa paz, ocultos em nosso próprio 'eu', em forma de orgulho e intemperança, egoísmo e animalidade, consumindo-se ao preço de nossa própria consagração à felicidade dos outros, única estrada suscetível de conduzir-nos ao império definitivo da Grande Luz."

Texto extraído do livro "Ceifas de Luz", de Francisco Cândido Xavier, (pelo Espírito Emmanuel), item 5.
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terça-feira, 26 de maio de 2026

A TRILOGIA BENDITA

"Em tempos remotos, o Senhor vinha ao mundo frequentes vezes entender-se com as criaturas. 

Certa vez, encontrou um homem irado e mau, que outra coisa não fazia senão atormentar os semelhantes. Perseguia, feria e matava sem piedade. Quando esse espírito selvagem viu o Senhor, aproximou-se atraído pela luz d'Ele, a chorar de arrependimento. 

O Cristo, bondoso, dirigiu-lhe a palavra: 

— Meu filho, porque te entregaste assim à perversidade? Não temes a justiça do Pai? Não acreditas no Celeste Poder? A vida exige fraternidade e compreensão. 

O malfeitor, que se mantinha prisioneiro da ignorância, respondeu em lágrimas:

— Senhor, de hoje em diante serei um homem bom. 

Alguns anos passaram e Jesus voltou ao mesmo sítio. Lembrou-se do infeliz a quem havia aconselhado e buscou-o. Depois de certa procura, foi achá-lo oculto numa choça, extremamente abatido. Interpelado quanto à causa de tão lamentável transformação, o mísero respondeu: 

— Ai de mim, Senhor! Depois que passei a ser bom, ninguém me respeitou! Fiz-me escárnio da rua... Tenho usado a compaixão e a generosidade, segundo me ensinaste, mas em troca recebo apenas o ridículo, a pedrada e a dilaceração... 

O Mestre, porém, abençoou-o e falou. 

— O teu lucro na eternidade não será pequeno com o sacrifício. Entretanto, não basta reter a bondade. É necessário saber distribuí-la. Para bem ajudar, é preciso discernir. Realmente é possível auxiliar a todos. Contudo, se a muita gente devemos ternura fraterna, a numerosos companheiros de jornada devemos esclarecimento enérgico. Estimularemos os bons a serem melhores e cooperaremos, a benefício dos maus, para que se retifiquem. Nunca observaste o pomicultor? Algumas árvores recebem dele irrigação e adubo; outras, no entanto, sofrerão a poda, a fim de serem convenientemente amparadas. 

O Senhor retirou-se e o aprendiz retomou luta para conquistar o conhecimento. 

Peregrinou através de muitos livros, observou demoradamente os quadros da vida e recebeu a palma da ciência. 

Os anos correram apressados, quando o Cristo regressou e procurou-o, novamente. 

Dessa vez, encontrou-o no leito, enfermo e sem forças. 

Replicando ao Divino Amigo, explicou-se: 

— Ai de mim, Senhor! Fui bom e recebi injustiças, entesourei a ciência e minhas dificuldades cresceram de vulto. Aprendi a amar e desejar em sã consciência, a idealizar com o plano superior, mas vejo a ingratidão e a discórdia, a dureza e a indiferença com mais clareza. Sei aquilo que muita gente ignora e, por isto mesmo, a vida tornou-se-me um fardo insuportável... 

O Mestre, porém, sorriu e considerou: 

- A tua preparação para a felicidade ainda não se acha completa. Agora, é preciso ser forte. Acreditas que a árvore respeitável conseguiria viver e produzir, caso não soubesse tolerar a tempestade? A firmeza interior, diante das experiências da vida, conferir-te-á o equilíbrio indispensável. Aprende a dizer adeus a tudo o que te prejudica na caminhada em direção da luz divina e distribuirás a bondade, sem preocupações de recompensa, guardando o conhecimento sem surpresas amargas. Sê inquebrantável em tua fé e segue adiante! 

O aprendiz reergueu-se e nunca mais experimentou a desarmonia, compreendendo, enfim, que a bondade, o conhecimento e a fortaleza são a trilogia bendita da felicidade e da paz."

Extraído do livro "Alvorada Cristã", de Francisco Cândido Xavier, Ditado pelo Espírito Neio Lúcio, p. 32/33.
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quinta-feira, 21 de maio de 2026

TOQUE DE AMOR

"Deixa que a fé em Deus te ilumine a visão para que te reconheças no lugar de servir. 

Indubitavelmente, perceberás a série dos desafios que te rodeiam: o lar talvez difícil, entes amados na desvinculação violenta, incompreensões à mostra, ocorrências que se vestem de lágrimas. . . 

Entretanto, não te convertas em tuba da aflição. 

Tumulto adia em nós a conexão necessária com a Providência Divina. 

Ama e auxilia se te alterar. 

A rosa acabará florescendo no espinheiral. 

As estrelas surgirão varando as trevas. 

Deus está agindo. 

Na construção da felicidade, onde a provação apareça não te lamentes nem reclames. 

Dá o teu toque de amor e Deus fará o resto."

Extraído do livro "Amizade", de Francisco Cândico Xavier, Ditado pelo Espírito Meimei, p. 28.
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terça-feira, 19 de maio de 2026

O SENHOR PERMANECE

"Procura o Cristo, em silêncio, e grava as lições d’Ele nas páginas da própria luta de cada dia e quem te acompanha saberá encontrar, em tua conduta e em teus gestos, abençoado caminho da elevação.     

É necessário saibamos comungar a esperança e o sofrimento, a provação e a dificuldade dos outros, abençoando os irmãos que nos partilham a marcha e ensinando lhes, pela cartilha de nossas próprias ações, o caminho renovador, suscetível de oferecer-lhes a benção da paz. 

A assistência é a fraternidade em ação. Sem ela, indiscutivelmente, os nossos mais preciosos arrazoados verbalísticos não passariam de belos mostruários sonoros.

Auxiliar é a honra que nos compete. 

Sigamos destemerosos e firmes na convicção, de que o Senhor permanece conosco e, indubitavelmente, alcançaremos amanhã a alegria e a paz do mundo melhor." (Emmanuel)

Extraído do livro "Agenda de Luz", de Francisco Cândido Xavier, Ditado por Espíritos Diversos, p. 19.  
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quinta-feira, 14 de maio de 2026

A SENDA ESTREITA

"Porfiai por entrar pela porta estreita..." — JESUS. (Lucas, 13:24.) 

Não te aconselhes com a facilidade humana para a solução dos problemas que te inquietam a alma.

Realização pede trabalho. 

Vitória exige luta. 

*

Muitos jornadeiam no mundo na larga avenida dos prazeres efêmeros e esbarram no cipoal do tédio ou da intemperança, quando não sucumbem sob as farpas do crime.

*

Muitos preferem a estrada agradável dos caprichos pessoais atendidos e caem, desavisados, nos fojos de tenebrosos enganos, quando não se despenham nos precipícios de tardio arrependimento. 

*

Seja qual for a experiência em que te situas, na Terra, lembra-te de que ninguém recebe um berço entre os homens para acomodar-se com a inércia, no desprezo deliberado às leis que regem a vida. 

*

Nosso dever é a nossa escola.
Por isso mesmo, a senda estreita a que se refere Jesus é a fidelidade que nos cabe manter limpa e constante, no culto às obrigações assumidas diante do Bem Eterno.
Para sustentá-la, é imprescindível sacrificar no santuário do coração tudo aquilo que constitua bagagem de sombra no campo de nossas aspirações e desejos.
Adaptarmo-nos à disciplina do próprio espírito na garantia da felicidade geral é estabelecer em nós próprios o caminho para o Céu que almejamos.

*

Não te detenhas no círculo das vantagens que se apagam em fulguração passageira, de vez que a ociosidade compra, em desfavor de si mesma, as chagas da penúria e as trevas da ignorância.

*

Porfia na renúncia que eleva e edifica, enobrece e ilumina.

*

Não desdenhes a provação e o trabalho, a abnegação e o suor.

*

E, em todas as circunstâncias, recorda sempre que a 'porta larga' é a paixão desregrada do 'eu' e a 'porta estreita' é sempre o amor intraduzível e incomensurável de Deus."

Texto extraído do livro "Ceifas de Luz", de Francisco Cândido Xavier, (pelo Espírito Emmanuel), item 12, p. 57/59.
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terça-feira, 12 de maio de 2026

DECULPAR

"'Jesus lhe disse: Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete' (Mateus, 18:22.)  

Atende ao dever da desculpa infatigável diante de todas as vitimas do mal para que a vitória do bem não se faça tardia. 

Decerto que o mal contará com os empreiteiros que a Lei do Senhor julgará no momento oportuno, entretanto, em nossa feição de criaturas igualmente imperfeitas, suscetíveis de acolher-lhe a influência, vale perdoar sem condição e sem preço, para que o poder de semelhantes intérpretes da sombra se reduza até a integral extinção. 

Recorda que acima da crueldade encontramos, junto de nós a ignorância e o infortúnio que nos cabe socorrer cada dia. 

Quem poderá, com os olhos do corpo físico, medir a extensão da treva sobre as mãos que se envolvem no espinheiral do crime? Quem, na sombra terrestre, distinguirá toda a percentagem de dor e necessidade que produz o desespero e a revolta. 

Dispõe-te a desculpar hoje, infinitamente, para que amanhã sejas também desculpado. 

Observa o quadro em que respiras e reconhecerás que a natureza é pródiga de lições no capítulo da bondade. 

O sol releva, generoso, o monturo que o injuria, convertendo-o sem alarde em recurso fertilizante. 

O odor miasmático do pântano, para aquele que entende as angústias da gleba, não será mensagem de podridão, mas sim rogativa comovente, para que se lhe dê a benção do reajuste, de modo a transformar-se em terra produtiva. 

Tudo na vida roga entendimento e caridade para que a caridade e o entendimento nos orientem as horas. 

Não olvides que a própria noite na terra uma pausa de esquecimento para que aprendemos a ciência do recomeço, em cada alvorada nova. 

'Faze a outrem aquilo que desejas te seja feito' - advertiu-nos o Amigo Excelso. 

E somente na desculpa incessante de nossas faltas recíprocas, com o amparo do silêncio e com a força de humildade, é que atingiremos, em passo definitivo, o reino do eterno bem com a ausência de todo mal."

Texto extraído do livro "Ceifas de Luz", de Francisco Cândico Xavier (pelo Espírito Emmanuel), item 2.
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quinta-feira, 7 de maio de 2026

FAZER LUZ

"'Acolhei o que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões'. Paulo.

Indubitavelmente, nem sempre a fé acompanha a expansão da cultura, tanto quanto nem sempre a cultura consegue altear-se ao nível da fé.

Um cérebro vigoroso pode elevar-se a prodígios de cálculo ou destacar-se nos mais entranhados campos da emoção, portas a dentro dos valores artísticos, sem entender bagatela de resistência moral diante da tentação ou do sofrimento. De análogo modo, um coração fervoroso é suscetível das mais nobres demonstrações de heroísmo perante a dor ou da mais alta reação contra o mal, patenteando manifesta incapacidade para aceitar os imperativos da perquirição ou dos requisitos do progresso.

A Ciência investiga.

A Religião crê.

Se não é justo que a Ciência imponha diretrizes à Religião, incompatíveis com as suas necessidades do sentimento, não é razoável que a Religião obrigue a Ciência à adoção de normas inconciliáveis com as suas exigências do raciocínio.

Equilíbrio ser-nos-á o clima de entendimento, em todos os assuntos que se relacionem à Fé e à Cultura, ou estaremos sempre ameaçados pelo deserto da descrença ou pelo charco do fanatismo.

Auxiliemo-nos mutuamente.

Na sementeira da fé, aprendamos a ouvir com serenidade para falar com acerto.

Diz o Apóstolo Paulo: 'Acolhei o que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões'. É que para chegar à cultura, filha do trabalho e da verdade, o homem é naturalmente, compelido a indagar, examinar, experimentar, e teorizar, mas, para atingir a fé viva, filha da compreensão e do amor, é forçoso servir. E servir é fazer luz.

Extraído do livro "Segue-me", de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito de EmmanuelCasa Editora O ClarimMatão/SP, p. 31/32.
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terça-feira, 5 de maio de 2026

OS INSTRUMENTOS DA PERFEIÇÃO

"Naquela noite, Simão Pedro trazia à conversação o espírito ralado por extremo desgosto.

Agastara-se com parentes descriteriosos e rudes.

Velho tio acusara-o de dilapidador dos bens da família, e um primo ameaçara esbofeteá-lo na via pública.

Guardava, por isso, o semblante carregado e austero.

Quando o Mestre leu algumas frases dos Sagrados Escritos, o pescador desabafou. Descreveu o conflito com a parentela, e Jesus o ouviu em silêncio.

Ao término do longo relatório afetivo, indagou o Senhor:

- E que fizeste, Simão, ante as arremetidas dos familiares incompreensivos?

- Sem dúvida, reagi como devia! - respondeu o Apóstolo, veemente. -  Coloquei cada um no lugar próprio. Anunciei, sem rebuços, as más qualidades de que são portadores. Meu tio é raro exemplar de sovinice, e meu primo é mentiroso contumaz.

Provei, perante numerosa assistência, que ambos são hipócritas e não me arrependi do que fiz.

O Mestre refletiu por minutos longos e falou, compassivo:

- Pedro, que faz um carpinteiro na construção de uma casa? 

- Naturalmente, trabalha - redarguiu o interpelado, irritadiço.

- Com quê? - tornou o Amigo celeste, bem-humorado.

- Usando ferramentas. 

Após a resposta breve de Simão, o Cristo continuou:

- As pessoas com as quais nascemos e vivemos na Terra são os primeiros e mais importantes instrumentos que recebemos do Pai, para a edificação do Reino do céu em nós mesmos. Quando falhamos no aproveitamento deles, que constituem elementos de nossa melhoria, é quase impossível triunfar com recursos alheios, porque o Pai nos concede os problemas da vida, de acordo com a nossa capacidade de lhes dar solução. A ave é obrigada a fazer o ninho, mas não se lhe reclama outro serviço. A ovelha dará lã ao pastor; no entanto, ninguém lhe exige o agasalho pronto. Ao homem foram concedidas outras tarefas, quais sejam as do amor e da humildade, na ação inteligente e constante para o bem comum, a fim de que a paz e a felicidade não sejam mitos na Terra. Os parentes próximos, na maioria das vezes, são o martelo ou o serrote que podemos utilizar em benefício da construção do templo vivo e sublime, por intermédio do qual o Céu se manifestará em nossa alma. Enquanto o marceneiro usa as suas ferramentas, por fora, cabe-nos aproveitar as nossas, por dentro. Em todas as ocasiões, o ignorante representa para nós um campo de benemerência espiritual; o mal é desafio que nos põe a bondade à prova; o ingrato é um meio de exercitarmos o perdão; o doente é uma lição à nossa capacidade de socorrer. Aquele que bem se conduz, em nome do Pai, junto de familiares endurecidos ou indiferentes, prepara-se com rapidez para a glória do serviço à humanidade, porque, se a paciência aprimora a vida, o tempo tudo transforma.

Calou-se Jesus e, talvez porque Pedro tivesse ainda os olhos indagadores, acrescentou serenamente:

- Se não ajudamos ao necessitado de perto, como auxiliaremos os aflitos de longe? Se não amamos o irmão que respira conosco os mesmos ares, como nos consagraremos ao Pai que se encontra no Céu?

Depois dessas perguntas, pairou na modesta sala de Cafarnaum expressivo silêncio que ninguém ousou interromper." 

Extraído do livro "Jesus no Lar", de Chico Xavier, pelo Espírito Neio LúcioFEBBrasília, p. 27/29.
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quinta-feira, 30 de abril de 2026

ORAÇÃO E DIFICULDADE

"Diariamente, milhares de criaturas partem da Terra.

Quase sempre, reconfortadas pelo bálsamo da fé consoladora que abraçaram na vida humana, desvencilham-se da teia fisiológica, sustentadas por sublime esperança.

A maioria, no entanto, não desfruta de improviso os talentos da paz que desejaria surpreender além do sepulcro, porque a percentagem de Céu para cada alma expressa a quantidade de Céu que haja edificado em si mesma.

É que, na maioria das circunstâncias, os desencarnados carreiam consigo as nuvens de trevas que lhes pesam na consciência.

Sombras de remorso, de frustração, de arrependimento tardio, gerando o plano purgatorial em que estagiam penosamente.

Desolados e aflitos, suplicam a graça do recomeço, o regresso ao campo do mundo, o retorno à lição no corpo...

Responsáveis, muitas vezes, por crimes ocultos, imploram a reaproximação com antigos adversários para ressarcirem o débito a que ainda se empenham; empreiteiros da calúnia e da crueldade rogam moléstias soezes, com que resgatam a deplorável conduta em que se desvairaram na delinquência...

Por isso mesmo, todos os dias aparecem berços de sofrimento e de provação, em que os culpados de ontem, hoje possuem o ensejo valioso de purificar e reaprender.

Não há, desse modo, dificuldades inúteis, como não existem chagas e dores sem a significação que lhes corresponda.

Todos os nossos sentimentos plasmam idéias.

Todas as nossas ideias estabelecem atos e fatos que nos definem o espírito na senda cotidiana.

Arquitetos do próprio destino, recolhemos nas leiras do espaço e do tempo, a alegria ou a flagelação, a felicidade ou o infortúnio, conforme o nosso plantio de mal ou bem.

Estejamos em guarda contra o império de névoa mental que trazemos em nós, abençoados os obstáculos que nos impelem à justa libertação e não nos esqueçamos de que a prece, em qualquer roteiro religioso, se não pode retirar-nos do clima sombrio por nós mesmos criado, será sempre Divina Luz revelando-nos o caminho." 

Texto extraído do livro "Refúgio", de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito de Emmanuel, p. 6.
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terça-feira, 28 de abril de 2026

CARIDADE DO ENTENDIMENTO

"Na sustentação do progresso espiritual precisamos tanto da caridade quanto o ar é necessário ao equilíbrio da vida orgânica.

Lembra-te de que a interdependência é o regime instituído por Deus para estabilidade de todo o Universo e não olvides a compreensão que devemos a todas as criaturas.

Compreensão que se exprima, através de tolerância e bondade incessantes, na sadia convicção de que auxiliando aos outros é que poderemos encontrar o auxílio indispensável à segurança de nossa marcha.

À frente de qualquer problema complexo naqueles que te rodeiam, recorda que não seria justa a imposição de teus pontos de vista para que se orientem na estrada que lhes é própria.

O Criador não dá cópias e cada coração obedece a sistema particular de lutas evolutivas.

Só o amor, desse modo, é o clima adequado ao entrelaçamento de todos os seres da Criação e somente através dele integrar-nos-emos na Sinfonia Excelsa da Vida.

Guarda, portanto, em todas as fases de teu caminho a caridade que identifica a presença do Senhor nos caminhos alheios, respeitando-lhes a configuração em que se apresentem.

Não te esqueças de que ninguém é ignorante porque o deseje e, estendendo fraternos braços aos que respiram atribulados na sombra, diminuirás a penúria que se extinguirá, por fim, no mundo, quando cada consciência ajustar-se à obrigação de servir sem mágoa e sem exigência, na certeza de que apenas amando e auxiliando sem reclamar é que permaneceremos felizes e valorosos na Soberana Ascensão para Deus."

Texto extraído do livro "Refúgio", de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito de Emmanuel, p. 5.
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quinta-feira, 23 de abril de 2026

A PAZ COMEÇA EM CASA E NAS ESCOLAS

"Cada indivíduo pertencente a uma família e comunidade deveria se esforçar para viver em harmonia com o próximo. A paz precisa começar em casa e nas escolas. Nas salas de aula é preciso ensinar o patriotismo internacional - amar o mundo como Jesus, Krishna e os grandes mestres ensinaram, e não fazer nada que possa criar desarmonia internacional. Não é da nossa nacionalidade ou da nossa cor que devemos nos orgulhar, e sim da profundidade do nosso entendimento. Temos que cultivar o entendimento e usá-lo para determinar o que é realmente melhor para a felicidade da família, da nação e do mundo. A felicidade internacional deve incluir o bem-estar do país, da comunidade e da família. O padrão usado para legislar deve ser o mérito, e não a cor da pele ou qualquer outra distinção de classe. Estes são os ideais que deveriam ser ensinados às crianças.

Enquanto houver diferenças entre os filhos de Deus, do tipo 'somos indianos, vocês, americanos; somos alemães e vocês, ingleses', o mundo continuará dividido e preso pela ilusão. Muitas guerras, sofrimentos e destruição serão evitados se deixarmos de dar ênfase às diferenças e aprendermos a amar sem distinção ou preconceito. Tenha mais orgulho de ser feito à imagem de Deus do que em ter determinada nacionalidade, pois 'americana', 'indiana' e todas as outras nacionalidades são apenas casacos que, no devido tempo, serão descartados. Mas você é filho de Deus por toda a eternidade. Não seria melhor ensinar este ideal às crianças? É o único caminho para a paz: estabelecer os verdadeiros ideais de paz nas escolas e viver a paz na vida pessoal."

Paramahansa Yogananda, O Romance com Deus, Self-Realization Fellowship, p. 360/361.
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