quinta-feira, 27 de agosto de 2026

CULTIVO DO BEM

"Seleciona os temas do teu cotidiano para as cogitações de cada hora.

À semelhança de uma corrente elétrica que deve ser periodicamente interrompida, não te deixes fixar nas ideias deprimentes que rondam as tuas telas mentais.

Há mensagens de variada gama que te alcançam, quanto incontáveis outras que emites em todas direções.

Aplica o seletor do bom senso, de modo a registrar, apenas, as que edificam, e emitir, somente, as que enobrecem.

Toda imagem perniciosa que te recebe a contribuição mental transforma-se em fulcro de desequilíbrio próximo ou remoto.

Desvia a atenção das impressões destruidoras, enriquecendo as paisagens mentais com otimismo, a fim de haurires saúde e valor.

*

Aqui é uma calúnia que te alcança.

Adiante é uma agressão inesperada que te atinge.

Hoje é um amigo que te abandona.

Amanhã é um familiar que te acusa.

Num momento é a deserção de um afeto; noutro é a chegada da tentação.

Agora é o cansaço, inspirando-te ao desânimo; depois é a ansiedade exigindo-te desespero.

A leviandade de alguns amigos traz-te a maledicência, envolvendo outros, que estão ausentes.

A insensatez de alguns companheiros faz-se voz de acusação em teus ouvidos e a imaturidade, de outros, procura perturbar-te os planos de educação pessoal e o teu trabalho de crescimento interior.

*

Desenovela-te das artimanhas da afeição que não deves sofrer.

Retira as tomadas da corrente do mal e eleva o pensamento às Esferas Superiores.

Mentaliza o tema edificante, pensa e reflexiona em torno das ideias enobrecedoras.

Não dês guarda a assunto depreciativo.

Vives hoje para a exaltação da vida agora e mais tarde.

*

Jesus, acoimado pela perturbação de uns e pela loucura de outros, agredido pela invigilância dos frívolos e perseguido pela astúcia dos que disputavam o império da ilusão, jamais se deteve nas insinuações e ciladas que Lhe eram propostas.

Enfrentou cada situação com espírito nobre e seguiu adiante, vitalizando a esperança e fomentando o bem para a felicidade geral."

Texto extraído do livro "Oferenda", de Divaldo P. Franco/Joanna de Ângelis, Livraria Espírita 'Alvorada' - Editora, Salvador, BA, p. 50/52.
Imagem: Pinterest

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REFLEXÕES A PARTIR DA MENSAGEM

PENSAMENTOS QUE EDIFICAM, ATITUDES QUE TRANSFORMAM E ESCOLHAS QUE ILUMINEM O NOSSO CAMINHO

Em “Cultivo do bem”, Joanna de Ângelis convida-nos a observar com cuidado os pensamentos que alimentamos ao longo do dia. Assim como selecionamos aquilo que desejamos guardar ou descartar, também precisamos escolher os conteúdos que permitimos permanecer em nossa mente.

Nem todas as mensagens que recebemos contribuem para o nosso equilíbrio. Algumas despertam esperança e coragem; outras favorecem a tristeza, a irritação, o medo ou o desânimo. Por isso, o cultivo do bem começa na intimidade, mediante a vigilância das ideias, emoções e impressões que acolhemos.

A seleção dos pensamentos

A mente recebe continuamente influências provenientes das conversas, notícias, lembranças, ambientes e acontecimentos cotidianos. Ao mesmo tempo, também transmite pensamentos, sentimentos e intenções.

Não somos obrigados a conservar tudo o que nos alcança. O bom senso funciona como um filtro, ajudando-nos a reconhecer o que merece atenção e o que precisa ser interrompido.

Selecionar os pensamentos não significa ignorar os problemas, mas impedir que as dificuldades ocupem todo o espaço interior. É reconhecer a realidade sem permitir que ela nos afaste da esperança e da confiança em Deus.

A influência das ideias persistentes

Os pensamentos alimentados repetidamente fortalecem determinados estados emocionais. Quando permanecemos presos à mágoa, à crítica ou ao pessimismo, ampliamos o sofrimento e dificultamos a percepção das possibilidades de renovação.

Entretanto, quando dirigimos a mente para ideias edificantes, criamos condições interiores mais favoráveis ao equilíbrio, à serenidade e à ação construtiva.

O pensamento positivo, sob a perspectiva espiritual, não é uma fuga da realidade. É uma disposição consciente para enfrentar os desafios sem perder a confiança, procurando aprender, servir e prosseguir.

Diante das dificuldades do cotidiano

Calúnias, agressões, acusações, abandonos, tentações, ansiedade e cansaço podem surgir em diferentes momentos da existência. Além disso, a maledicência e a imprudência de outras pessoas podem perturbar nossos projetos de crescimento.

Não podemos controlar todas as situações nem modificar imediatamente o comportamento alheio. Podemos, porém, escolher como reagir.

Guardar uma ofensa significa permitir que ela continue agindo em nosso mundo íntimo. Responder com equilíbrio não representa fraqueza, mas domínio sobre nós mesmos. Em vez de ampliar o conflito, podemos interromper a corrente do mal por meio do silêncio prudente, da oração, da compreensão e da prática do bem.

Elevar o pensamento

Joanna de Ângelis recomenda que retiremos a atenção dos assuntos depreciativos e elevemos o pensamento às esferas superiores.

Essa elevação pode acontecer por meio da oração sincera, da leitura edificante, do trabalho útil, do contato com a natureza, da prática da caridade e da convivência fraterna.

Quando substituímos ideias perturbadoras por propósitos nobres, não apagamos os acontecimentos difíceis, mas modificamos a maneira de enfrentá-los. A mente encontra novas forças e o coração recupera a esperança necessária para seguir adiante.

Jesus como exemplo

Jesus enfrentou incompreensões, acusações e perseguições, mas não permitiu que essas experiências interrompessem a sua missão.

Diante das provocações, conservou a dignidade. Perante a ignorância, ensinou. Em meio às dificuldades, prosseguiu amparando, esclarecendo e semeando esperança.

Seu exemplo demonstra que o bem não depende da aprovação das pessoas nem das circunstâncias favoráveis. Ele nasce de uma decisão interior e se manifesta na perseverança, na compreensão e no serviço ao próximo.

Cultivar o bem todos os dias

Cultivar o bem é um exercício diário. Começa na escolha de um pensamento mais sereno, continua na palavra que evita ferir e concretiza-se na atitude que auxilia.

Cada vez que interrompemos uma conversa maledicente, evitamos uma resposta agressiva, oferecemos compreensão ou renovamos a esperança de alguém, estamos semeando o bem.

Talvez não possamos mudar imediatamente o ambiente ao nosso redor, mas podemos impedir que suas perturbações determinem aquilo que pensamos, sentimos e fazemos.

A vigilância mental ajuda-nos a compreender que somos responsáveis não apenas por nossas ações, mas também pela qualidade das ideias que sustentamos e transmitimos.

Para refletir

  • Que tipos de pensamentos tenho alimentado com maior frequência?
  • Tenho permitido que as palavras e atitudes alheias perturbem por muito tempo a minha paz?
  • As mensagens que transmito edificam, consolam e incentivam?
  • Como posso substituir uma preocupação insistente por uma atitude construtiva?
  • O que posso fazer hoje para cultivar o bem em mim e ao meu redor?

Reflexão final

O cultivo do bem começa dentro de nós. Quando selecionamos pensamentos mais elevados, protegemos o equilíbrio interior e contribuímos para a harmonia daqueles que convivem conosco.

Não se trata de negar as dificuldades, mas de enfrentá-las sem lhes entregar o governo da mente. Inspirados em Jesus, somos convidados a prosseguir com serenidade, transformando experiências dolorosas em aprendizado e oportunidades de servir.

Que saibamos interromper as correntes do pessimismo e manter o pensamento ligado às fontes superiores da vida. Desse modo, mesmo diante das dificuldades, poderemos continuar semeando esperança, fraternidade e paz.

Que a prática do bem seja o nosso alicerce moral do cotidiano. Paz e Luz.


terça-feira, 25 de agosto de 2026

NO CAMINHO DAS VIRTUDES

 
"... A alegria apareceu e plantou belo jardim... 

Conta-se que o Senhor desejou levantar grande mansão destinada à moradia de certo orientador de encargos complexos, num mundo feliz, e para isso convocou algumas das Virtudes do seu Reino de Sabedoria e de Amor. 

Apareceu a Geometria e escolheu o local no topo de um monte. 

Veio o Cálculo e traçou os planos. 

Chegou o Gênio das Invenções e ergueu máquinas que garantissem a segurança e o conforto na construção. 

Surgiu o Equilíbrio e orientou a formação de pisos e vigas cornijas e paredes, tetos e mirantes. 

Destacou-se a Higiene, que cuidou de tudo o que se reportava ao asseio. 

Veio a Beleza e decorou o palácio com imagens e cores de elevada significação. 

A Cultura entrou em atividade e organizou valiosa biblioteca. 

A Prudência compareceu e guiou a fabricação de portas e chaves. 

A Alegria apareceu e plantou belo jardim. 

Terminada a obra, o Senhor veio examiná-la mas não pareceu satisfeito. 

Alguns dos aposentos eram sombrios e depois de entardecer a noite dominava todo o grande recinto. A vista disso, recomendou mais ampla cooperação dos Cimos e a Administração dos Céus enviou-lhe outra Virtude que não pedia qualquer consideração. 

Abordou a paisagem, evitando os espelhos da popularidade e da fama, penetrou no castelo, sem perder tempo, e, lá dentro, esculpiu a tomada elétrica, retirando-se logo após. 

Desde esse momento, a vivenda, tanto quanto quisessem os moradores, convertia-se em soberbo espetáculo de luz. 

Multidões de curiosos cercaram a mansão, no intuito de algo perguntar a quem realizara semelhante prodígio, no entanto, não mais encontraram a mensageira. 

Souberam apenas que essa Virtude trazia o nome de Humildade."

Extraído do livro "Amizade", de Francisco Cândido Xavier, Ditado pelo Espírito Meimei, p. 30.
Imagem por nisargaraj655 via Pinterest


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REFLEXÕES A PARTIR DA MENSAGEM
 
A VIRTUDE QUE ILUMINA AS DEMAIS

Na pequena narrativa de Meimei, várias virtudes e qualidades colaboram para a construção de uma grande mansão. Cada uma oferece algo importante: planejamento, equilíbrio, beleza, cultura, prudência e alegria.

Tudo parece perfeito. Entretanto, ainda falta luz.

É então que surge a Humildade. Sem procurar reconhecimento, ela realiza silenciosamente a sua tarefa e permite que toda a construção seja iluminada.

A imagem utilizada por Meimei nos convida a olhar para a nossa própria construção interior.

Podemos desenvolver conhecimentos, capacidades e muitas qualidades. Podemos realizar boas obras e oferecer muito aos outros. Mas de que maneira fazemos tudo isso?

A humildade talvez seja justamente a virtude que nos ajuda a colocar as demais no lugar certo.

Ser humilde não significa diminuir o próprio valor. Significa reconhecer nossas possibilidades sem necessidade de superioridade, compreender que ainda temos muito a aprender e realizar o bem sem transformar nossas ações em motivo de exaltação pessoal.

Há também um detalhe muito significativo na mensagem: depois de cumprir sua tarefa, a Humildade simplesmente se retira. Não permanece esperando aplausos.

Essa imagem nos leva a uma questão importante: quanto do bem que fazemos conseguiríamos realizar mesmo que ninguém viesse a saber?

Para refletir

  • Tenho necessidade de reconhecimento quando faço algo de bom?
  • Como reajo quando outra pessoa recebe os méritos por um trabalho do qual também participei?
  • Consigo reconhecer meus erros e aprender com outras pessoas?
  • Minhas qualidades têm servido principalmente a mim ou também ao próximo?
  • Em quais situações da minha vida preciso exercitar mais a humildade?

Talvez a grande lição de Meimei esteja justamente aí: não basta construir virtudes; é preciso iluminá-las pela humildade.

Quando ela está presente, nossas qualidades deixam de ser instrumentos de afirmação pessoal e passam a servir, com maior simplicidade, ao bem.

Um convite para a semana

Escolha uma boa ação que possa ser realizada discretamente, sem divulgação e sem expectativa de agradecimento.

Depois, observe o que essa experiência desperta em você.

Às vezes, é no bem realizado em silêncio que começamos a compreender a verdadeira grandeza da humildade.

Que a virtude seja a tua companhia constante. Paz e Luz. 





quinta-feira, 20 de agosto de 2026

BENFEITORES E BÊNÇÃOS

"Confiemos nos benfeitores e nas bênçãos que nos enriquecem os dias, sem no entanto, esquecer as próprias obrigações, no aproveitamento do amparo que nos ofertam. 

Pais abnegados da Terra, que nos propiciam o ensejo da reencarnação, por muito se façam servidores de nossa felicidade, não nos retiram da experiência de que somos carecedores. 

Mestres que nos arrancam às sombras da ignorância, por muito carinho nos dediquem, não nos isentam do aprendizado. 

Amigos que nos reconfortam na travessia dos momentos amargos, por mais nos estimem, não nos carregam a luta íntima. 

Cientistas que nos refazem as forças, nos dias de enfermidade, por mais que nos amem, não usam por nós a medicação que as circunstâncias nos aconselham. 

Instrutores da alma que nos orientam a viagem de elevação, por muito nos protejam, não nos suprimem o suor da subida moral. 

Ninguém vive sem a cooperação dos outros. 

Encontramo-nos, porém, à frente do amor de que todos somos necessitados, assim como o vegetal, diante do apoio da Natureza. A planta não se cria sem ar, não medra sem sol, não dispensa o auxílio da terra e não prospera sem água, mas deve produzir por si mesma. 

Assim também, no reino do espírito. 

Todos temos problemas reclamando o concurso alheio, mas ninguém pode forjar a solução do esforço para o bem que depende exclusivamente de nós."

Extraído do livro "Estude e Viva", de Francisco Cândido Xavier, pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz, item 4.
Imagem: Pinterest