quinta-feira, 3 de setembro de 2026

COMO PERDOAR - (UM CAMINHO DE COMPREENSÃO E LIBERTAÇÃO INTERIOR)

"Na maioria dos casos, o impositivo do perdão surge entre nós e os companheiros de nossa intimidade, quando o suco adocicado da confiança se nos azeda no coração. 

Isso acontece porque, geralmente, as mágoas mais profundas repontam entre os Espíritos vinculados uns aos outros na esteira da convivência. 

Quando nossas relações adoeçam, no intercâmbio com determinados amigos que, segundo a nossa opinião pessoal, se transfiguram em nossos opositores, perguntemo-nos com sinceridade: 'como perdoar, se perdoar não se resume à questão de lábios e sim a problema que afeta os mais íntimos mecanismos do sentimento?'. 

Feito isso, demo-nos pressa em reconhecer que as criaturas em desacerto pertencem a Deus e não a nós; que também temos erros a corrigir e reajustes em andamento; que não é justo retê-las em nossos pontos de vista, quando estão, qual nos acontece, sob os desígnios da Divina Sabedoria que mais convém a cada um, nas trilhas do burilamento e do progresso. Em seguida, recordemos as bênçãos de que semelhantes criaturas nos terão enriquecido no passado e conservemo-las em nosso culto de gratidão, conforme a vida nos preceitua. 

Lembremo-nos também de que Deus já lhes terá concedido novas oportunidades de ação e elevação em outros setores de serviço e que será desarrazoado de nossa parte manter processos de queixa contra elas, no tribunal da vida, quando o próprio Deus não lhes sonega Amor e Confiança. 

Quando te entregares realmente a Deus, a Deus entregando os teus adversários como autênticos irmãos teus, - tão necessitados do Amparo Divino quanto nós mesmos, penetrarás a verdadeira significação das palavras de Cristo: 'Pai, perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores', reconciliando-te com a vida e com a tua própria alma. 

Então, saberás oscular de novo a face de quem te ofendeu, e quem te ofendeu encontrará Deus contigo e te dirá com a mais pura alegria no coração: 'bendito sejas...'."

Extraído do livro "Alma e Coração", de Francisco Cândido Xavier, Ditado pelo Espírito Emmanuel, p. 14.
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terça-feira, 1 de setembro de 2026

A COROA E AS ASAS - (QUANDO O CONHECIMENTO SE TRANSFORMA EM AMOR)

"Comentava-se, na reunião, as glórias do saber, quando o Cristo, para ilustrar a palestra, contou, despretensioso: 

— Um homem amante da verdade, informando-se de que o aprimoramento intelectual conduz à divina sabedoria, atirou-se à elevação da montanha da ciência, empenhando todas as forças que possuía no decisivo cometimento. A vereda era sombria qual obscuro labirinto; contudo, o esforçado lidador, olvidando dificuldades e perigos, avançava sempre, trocando de vestuário para melhor acomodar-se às exigências da marcha. De tempos a tempos, lançava à margem da estrada uma túnica que se fizera estreita ou uma alpercata que se lhe afigurava in servível, procurando indumentária nova, até que, um dia, depois de muitos anos, alcançou a desejada culminância, onde um representante de Deus lhe surgiu ao encontro. 

O emissário cumprimentou-o, abraçou-o e revestiu-lhe a fronte com deslumbrante coroa de luz. Todavia, quando o vencedor do conhecimento quis prosseguir adiante, na direção do Paraíso, recomendou-lhe o mensageiro que voltasse atrás dos próprios passos, a ver o trilho percorrido e que, de sua atitude na revisão do caminho, dependeria a concessão de asas com que lhe seria possível voar ao encontro do Pai Eterno

O interessado regressou, mas, agora, auxiliado pela fulgurante auréola de que fora investido, podia contemplar todos os ângulos da senda, antes inextricável ao seu olhar. 

Não conteve o riso, diante das estranhas roupagens de que os viajadores da retaguarda se vestiam. 

Aqui, notava uma túnica rota; acolá, uma sandália extravagante. Peregrinos inúmeros se apoiavam em bordões quebradiços, enquanto outros se amparavam em capas misérrimas; entretanto, cada qual, com impertinência infantil, marchava senhor de si, como se envergasse a roupa mais valiosa do mundo. 

O vencedor da ciência não suportou as impressões que o quadro lhe causava e abriu-se em frases de zombaria, reprovando acremente a ignorância de quantos seguiam em vestes ridículas ou inadequadas. Gritou, condenou e fez apodos contundentes. Dirigiu-se à comunidade dos viajantes com tamanha ironia que muitos renunciaram à subida, retornando à inércia da planície vasta. 

Após amaldiçoar a todos, indistintamente, voltou o herói coroado ao cume do monte, na expectativa de partir sem detença ao encontro do Pai, mas o Anjo, muito triste, explicou-lhe que a roupagem dos outros, que lhe provocara tanto sarcasmo inútil, era aquela mesma de que ele se servira para elevar-se, ao tempo em que era frágil e semicego, e que as asas de luz, com que deveria erguer-se ao Trono Divino, somente lhe seriam dadas, quando edificasse o amor no imo do coração. Faltavam-lhe piedade e entendimento; que ele voltasse demoradamente ao caminho e auxiliasse os semelhantes, sem o que jamais conseguiria equilibrar-se no Céu. 

Alguns minutos de silêncio seguiram-se indevassáveis... 

O Mestre, todavia, imprimindo significativa ênfase às palavras, terminou: 

— Há muitas almas, na Terra, ostentando a luminosa coroa da ciência, mas de coração adormecido na impiedade, salientando-se no sarcasmo pueril e na censura indébita. Envenena das pela incompreensão, exigentes e cruéis, fulminam os companheiros mais fracos no entendimento ou na cultura, ao invés de estender-lhes as mãos fraternais, reconhecendo que também já foram assim, tateantes e imperfeitos... Enquanto, porém, não se decidirem a ajudar o irmão menos esclarecido e menos afortunado, acolhendo-o no próprio espírito, com sinceridade e devotamento, não receberão as asas com que lhes será lícito partir na direção do Céu."

Extraído do livro "Jesus no Lar", de Chico Xavier, pelo Espírito Neio LúcioFEBBrasília, p. 59/61.
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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

CULTIVO DO BEM

"Seleciona os temas do teu cotidiano para as cogitações de cada hora.

À semelhança de uma corrente elétrica que deve ser periodicamente interrompida, não te deixes fixar nas ideias deprimentes que rondam as tuas telas mentais.

Há mensagens de variada gama que te alcançam, quanto incontáveis outras que emites em todas direções.

Aplica o seletor do bom senso, de modo a registrar, apenas, as que edificam, e emitir, somente, as que enobrecem.

Toda imagem perniciosa que te recebe a contribuição mental transforma-se em fulcro de desequilíbrio próximo ou remoto.

Desvia a atenção das impressões destruidoras, enriquecendo as paisagens mentais com otimismo, a fim de haurires saúde e valor.

*

Aqui é uma calúnia que te alcança.

Adiante é uma agressão inesperada que te atinge.

Hoje é um amigo que te abandona.

Amanhã é um familiar que te acusa.

Num momento é a deserção de um afeto; noutro é a chegada da tentação.

Agora é o cansaço, inspirando-te ao desânimo; depois é a ansiedade exigindo-te desespero.

A leviandade de alguns amigos traz-te a maledicência, envolvendo outros, que estão ausentes.

A insensatez de alguns companheiros faz-se voz de acusação em teus ouvidos e a imaturidade, de outros, procura perturbar-te os planos de educação pessoal e o teu trabalho de crescimento interior.

*

Desenovela-te das artimanhas da afeição que não deves sofrer.

Retira as tomadas da corrente do mal e eleva o pensamento às Esferas Superiores.

Mentaliza o tema edificante, pensa e reflexiona em torno das ideias enobrecedoras.

Não dês guarda a assunto depreciativo.

Vives hoje para a exaltação da vida agora e mais tarde.

*

Jesus, acoimado pela perturbação de uns e pela loucura de outros, agredido pela invigilância dos frívolos e perseguido pela astúcia dos que disputavam o império da ilusão, jamais se deteve nas insinuações e ciladas que Lhe eram propostas.

Enfrentou cada situação com espírito nobre e seguiu adiante, vitalizando a esperança e fomentando o bem para a felicidade geral."

Texto extraído do livro "Oferenda", de Divaldo P. Franco/Joanna de Ângelis, Livraria Espírita 'Alvorada' - Editora, Salvador, BA, p. 50/52.
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