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JESUS E PERDÃO - (LIBERTAR-SE DA MÁGOA SEM CONCORDAR COM O ERRO)

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"Ensinando o amor para com os inimigos, vejamos como procedia Jesus, diante daqueles que lhe hostilizavam a causa e lhe feriam o coração.  Em circunstância alguma vemo-lo a derramar-se, louvaminheiro, encorajando os que se mantinham no erro deliberado, mas sim renovando sempre o processo de auxiliar com esquecimento de toda injúria.  Diante da turba que O preferia a Barrabás, o delinquente confesso, não se entrega ao elogio da multidão, mas guarda dignidade e silêncio, tolerando-lhe a afronta.  Perante Pilatos, o juiz inseguro, não lhe beija as mãos lavadas, mas sim, pela conduta de vítima irreprochável, lhe devolve o espírito inconsequente à noção de responsabilidade própria.  Em plena rua, cambaleante sob o lenho do suplício, não se volta para sorrir aos ingratos que lhe cospem no rosto, mas ora por todos eles, confiando-os ao tempo que é o julgador invisível da Humanidade.  Na cruz não toma a palavra para agradecer a inconstância de Pedro ou a ...

DESCULPAR - (PERDÃO, COMPREENSÃO E OPORTUNIDADE DE RECOMEÇO)

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"' Jesus lhe disse: Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete' (Mateus, 18:22.)   Atende ao dever da desculpa infatigável diante de todas as vítimas do mal para que a vitória do bem não se faça tardia.  Decerto que o mal contará com os empreiteiros que a Lei do Senhor julgará no momento oportuno, entretanto, em nossa feição de criaturas igualmente imperfeitas, suscetíveis de acolher-lhe a influência, vale perdoar sem condição e sem preço, para que o poder de semelhantes intérpretes da sombra se reduza até a integral extinção.  Recorda que acima da crueldade encontramos, junto de nós, a ignorância e o infortúnio que nos cabe socorrer cada dia.  Quem poderá, com os olhos do corpo físico, medir a extensão da treva sobre as mãos que se envolvem no espinheiral do crime? Quem, na sombra terrestre, distinguirá toda a percentagem de dor e necessidade que produz o desespero e a revolta?  Dispõe-te a desculpar hoje, infinitamente, para que amanhã seja...

OS INSTRUMENTOS DA PERFEIÇÃO - (CONVIVÊNCIA E APRENDIZADO NA CONSTRUÇÃO INTERIOR)

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"Naquela noite, Simão Pedro trazia à conversação o espírito ralado por extremo desgosto. Agastara-se com parentes descriteriosos e rudes. Velho tio acusara-o de dilapidador dos bens da família e um primo ameaçara esbofeteá-lo na via pública. Guardava, por isso, o semblante carregado e austero. Quando o Mestre leu algumas frases dos Sagrados Escritos , o pescador desabafou. Descreveu o conflito com a parentela e Jesus o ouviu em silêncio. Ao término do longo relatório afetivo, indagou o Senhor: — E que fizeste, Simão, ante as arremetidas dos familiares incompreensivos? —  Sem dúvida, reagi como devia! —  respondeu o Apóstolo, veemente. —   Coloquei cada um no lugar próprio. Anunciei, sem rebuços, as más qualidades de que são portadores. Meu tio é raro exemplar de sovinice  e meu primo é mentiroso contumaz. Provei, perante numerosa assistência, que ambos são hipócritas e não me arrependi do que fiz. O Mestre refletiu por minutos longos e falou, com...