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Mostrando postagens de outubro, 2020

O OBSERVADOR E O OBSERVADO (7ª PARTE)

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  "21. A natureza e o conteúdo do observado existem para a manutenção da continuidade do observador. Pode-se perguntar: por que criamos o observado ao invés de olhar para o real? A resposta é dada no sutra  acima. O observado é o produto do observador. Não são duas coisas diferentes. Ao perceber o real, a mente enfrenta o perigo de ser deslocada de sua posição de segurança. Ver o real é ser arrancado pela raiz do solo de nossas próprias conclusões, o que obviamente ameaça a própria segurança e continuidade da mente. A mente, na verdade, teme ver o real. Em função deste temor, lança uma tela de continuidade sobre os impactos da vida. A vida é nova de momento a momento, e, portanto, não podemos nos familiarizar com ela. Logo, a vida é para sempre desconhecida. A mente do homem, através de sua tela de continuidade, tenta colocar o não familiar na estrutura familiar. Podemos lidar com o familiar sob o aspecto do passado, e esta é sempre a abordagem da mente. Ela nunca se ocupa do ...

O OBSERVADOR E O OBSERVADO (6ª PARTE)

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  "20. O observador, ao invés de manifestar puro percebimento, vê através da tela conceitual da mente. Este sutra implica que o observado vem à existência a partir do estado condicionado do observador. Em outras palavras, é o observador que cria o observado,  pois este não tem existência intrínseca. O observador não olha para a coisa, mas através da tela conceitual da mente, que é sua imagem. Assim, o observado é, de fato, a imagem dos homens e das coisas. Mas o observador é diferente da mente? Ao discutirmos a aflição, asmitã , vimos que o senso do eu, aquela entidade que é descrita como o 'eu', não é diferente da mente. A mente que busca sua continuidade traz à existência a assim chamada entidade permanente, que é o 'eu'. Dizemos 'assim chamada', porque não possui absolutamente permanência, tendo nascido em razão do desejo da mente por continuidade. O senso do eu e a continuidade são sinônimos, pois reconhecemos o 'eu' através do fator da continui...

O OBSERVADOR E O OBSERVADO (5ª PARTE)

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"19. As manifestações dos gunas ocorrem em função do passivo ou do ativo, do tosco ou do sutil. Isso significa que os gunas , em suas manifestações, podem ser passivos ou ativos, toscos ou sutis, em sua natureza qualitativa. As palavras sânscritas utilizadas são visesa , avisesa , linga-mãtra e alinga. Avisesa  é geral, vago e amorfo e, portanto, passivo, enquanto visesa  tem uma forma e um comportamento particulares e é, portanto, ativo. Analogamente, linga-mãtra é diferenciado logo, tangível e tosco, enquanto alinga é não diferenciado e, portanto, intangível e sutil. Aqui é dada uma descrição das expressões normais na atividade dos gunas , quando não houver distorção e modificação por causa dos impactos dos sentidos. Mas, quando o pensamento intervém em seu próprio funcionamento, ocorre uma distorção e, com isso, os impactos dos sentidos são modificados. É então que o real não é visto devido à sobreposição do observado. Ao discutirmos o tríplice samãdhi na primeira seção, ex...

O OBSERVADOR E O OBSERVADO (4ª PARTE)

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18. O observado vem à existência quando o impacto dos sentidos é modificado pelos gunas ou pelos três fatores condicionantes da mente por causa da busca pelo preenchimento da própria mente.  No sutra acima, prakãsa , kriyã e sthiti referem-se a sattva , rajas e tamas - os três gunas ou os três fatores condicionantes da mente. A palavra apavarga  que aparece neste sutra  significa de fato preenchimento, e não libertação como é dito por muitos comentadores. A mente para seu próprio preenchimento distorce a atividade dos três gunas ; é o que ocasiona uma modificação nos impactos dos sentidos. Refere-se à intervenção da mente no ato de experimentar. Quando o pensamento interfere no ato de experimentar, então esse ato fragmenta-se, levando à fragmentação da própria experiência. Quando assim acontece, somos incapazes de ver o que é; vemos apenas aquilo que foi modificado pela ação do pensamento. É óbvio que os impactos dos sentidos são possíveis devido ao funcionamento d...

O OBSERVADOR E O OBSERVADO (3ª PARTE)

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17. No fenômeno observador-observado encontra-se a causa do sofrimento que pode ser evitado. O sofrimento que não chegou pode ser evitado, mas, segundo Patañjali, requer uma clara compreensão do fenômeno do observador-observado. Dificilmente compreendemos que não vivemos no mundo real, mas no mundo observado. Não conhecemos os homens e as coisas que nos cercam como de fato são. O real transformou-se no observado, e desde que não conhecemos o real, consideramos o observado como o real. O fenômeno observador-observado pode ser compreendido se tivermos em mente a conhecida ilustração da filosofia hindu conhecida como sarparajju-nyaya , que significa confundir-se a corda com uma cobra. A corda é o real, a cobra, o observado. Por que não vemos a corda e porque a confundimos com uma cobra? É óbvio que o observador, quando vê a corda, de sua escala de observação, tem a impressão de que é uma cobra que está a sua frente. Ao ver a cobra ao invés da corda, naturalmente, tem medo dela. Todas as r...

O OBSERVADOR E O OBSERVADO (2ª PARTE)

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16. O sofrimento que ainda não chegou pode ser evitado. Todavia, a questão é: ele é evitável? Como alguém pode dizer o que o futuro trará? E sem conhecê-lo, como podemos tomar qualquer medida para evitar o sofrimento futuro? É possível conhecer o futuro, pois de outro modo como poderíamos tratar com o futuro desconhecido? Estas são realmente questões relevantes. Se o futuro pudesse ser conhecido com absoluta precisão, então, com certeza todos os problemas poderiam ser resolvidos, pois tomaríamos as providências necessárias para enfrentar aquele futuro. A vida é tão imprevisível que falar de conhecer o futuro, sem dúvida, é incorrer em ilusões. Mas, como podemos nos preparar com antecedência para enfrentar o desconhecido? Como podemos fazer qualquer preparação contra os desafios do desconhecido? Qualquer preparação em função do conhecido, ou mesmo do conhecido modificado, não seria de proveito algum. O que é preciso, então, fazer para evitar o sofrimento que possa surgir do seio do futu...

O OBSERVADOR E O OBSERVADO (1ª PARTE)

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"Em qualquer discussão sobre a doutrina do karma , geralmente ela é descrita sob três categorias: São elas, samcita , ou acumulado, prãrabdha ou operativo e ãgami , ou o futuro. Samcita  contém todas as tendências acumuladas que se tornam ativas quando provocadas por estímulos externos. É óbvio que essas tendências não se tornam ativas todas de uma vez, mas apenas quando surgem provocações e estímulos. As tendências que vão sendo ativadas constituem as condições de prãrabdha . O homem considera  prãrabdha como uma grande limitação; isso se deve ao fato de que ele deve funcionar sob a força que compele as tendências ativadas. Ãgami , ou o karma  futuro, depende de novas tendências  que são geradas no decorrer de nossas ações no presente. Sabe-se que as tendências inativas e não maduras não constituem qualquer problema. É a tendência que se tornou ativa e operativa que faz de  prãrabdha um problema. É verdade que não é possível eliminar todas as tendências a...

O PROBLEMA DA COMUNICAÇÃO

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"O Bhagavad-Gitã  diz, no terceiro capítulo, que o homem não pode ficar, mesmo que por um momento, sem agir. Viver é agir, e, portanto, a ação é parte da própria vida. Porém, a maioria de nossas supostas ações são meras respostas a estímulos exteriores ou interiores. Nossas ações provocadas por esses estímulos ou desafios da vida são mais de natureza de reações. Reagimos aos estímulos da vida. É o fenômeno da resposta ao desafio que conhecemos. Não conhecemos o desafio sem resposta, nem resposta sem desafio. Em nossa consciência foram construídos inúmeros centros de reação. Na verdade, nosso movimento na vida é motivado pelas tendências reativas. Patañjali, no início de seus Yoga-Sutra , define o Yoga  como uma condição em que tenham cessados todas as tendências reativas. Reação significa continuidade e, assim, tais tendências são todas provenientes de centros de continuidade. O pensamento obviamente é um centro de continuidade. O movimento do pensamento é, de fato, um mo...

AS PORTAS DA PERCEPÇÃO

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"Como já disse, o modo como percebemos o mundo depende inteiramente de nossa visão cármica. Os mestres usam um exemplo tradicional: seis diferentes tipos de seres se encontram na margem de um rio. O ser humano do grupo vê o rio como água, uma substância para lavar o corpo ou saciar a sede; para um animal como o peixe, o rio é seu lar; um deus o vê como o néctar que lhe traz a bênção; para o semideus é uma arma; para o fantasma faminto, pus e sangue pútrido, e o ser dos infernos vê ali lava derretida. A água é a mesma, mas ela é percebida de maneiras diferentes e até contraditórias. Essa profusão de percepções nos mostra que todas as visões cármicas são ilusões; já que uma substância pode ser percebida de tantas maneiras diferentes, como é que algo pode ter qualquer realidade verdadeira e inerente? Ela também nos mostra como é possível que algumas pessoas sintam este mundo como o céu, e outras como o inferno. Os ensinamentos nos dizem que há basicamente três tipo de visão: a 'v...