A COROA E AS ASAS - (QUANDO O CONHECIMENTO SE TRANSFORMA EM AMOR)

"Comentava-se, na reunião, as glórias do saber, quando o Cristo, para ilustrar a palestra, contou, despretensioso: 

— Um homem amante da verdade, informando-se de que o aprimoramento intelectual conduz à divina sabedoria, atirou-se à elevação da montanha da ciência, empenhando todas as forças que possuía no decisivo cometimento. A vereda era sombria qual obscuro labirinto; contudo, o esforçado lidador, olvidando dificuldades e perigos, avançava sempre, trocando de vestuário para melhor acomodar-se às exigências da marcha. De tempos a tempos, lançava à margem da estrada uma túnica que se fizera estreita ou uma alpercata que se lhe afigurava in servível, procurando indumentária nova, até que, um dia, depois de muitos anos, alcançou a desejada culminância, onde um representante de Deus lhe surgiu ao encontro. 

O emissário cumprimentou-o, abraçou-o e revestiu-lhe a fronte com deslumbrante coroa de luz. Todavia, quando o vencedor do conhecimento quis prosseguir adiante, na direção do Paraíso, recomendou-lhe o mensageiro que voltasse atrás dos próprios passos, a ver o trilho percorrido e que, de sua atitude na revisão do caminho, dependeria a concessão de asas com que lhe seria possível voar ao encontro do Pai Eterno. 

O interessado regressou, mas, agora, auxiliado pela fulgurante auréola de que fora investido, podia contemplar todos os ângulos da senda, antes inextricável ao seu olhar. 

Não conteve o riso, diante das estranhas roupagens de que os viajadores da retaguarda se vestiam. 

Aqui, notava uma túnica rota; acolá, uma sandália extravagante. Peregrinos inúmeros se apoiavam em bordões quebradiços, enquanto outros se amparavam em capas misérrimas; entretanto, cada qual, com impertinência infantil, marchava senhor de si, como se envergasse a roupa mais valiosa do mundo. 

O vencedor da ciência não suportou as impressões que o quadro lhe causava e abriu-se em frases de zombaria, reprovando acremente a ignorância de quantos seguiam em vestes ridículas ou inadequadas. Gritou, condenou e fez apodos contundentes. Dirigiu-se à comunidade dos viajantes com tamanha ironia que muitos renunciaram à subida, retornando à inércia da planície vasta. 

Após amaldiçoar a todos, indistintamente, voltou o herói coroado ao cume do monte, na expectativa de partir sem detença ao encontro do Pai, mas o Anjo, muito triste, explicou-lhe que a roupagem dos outros, que lhe provocara tanto sarcasmo inútil, era aquela mesma de que ele se servira para elevar-se, ao tempo em que era frágil e semicego, e que as asas de luz, com que deveria erguer-se ao Trono Divino, somente lhe seriam dadas, quando edificasse o amor no imo do coração. Faltavam-lhe piedade e entendimento; que ele voltasse demoradamente ao caminho e auxiliasse os semelhantes, sem o que jamais conseguiria equilibrar-se no Céu. 

Alguns minutos de silêncio seguiram-se indevassáveis... 

O Mestre, todavia, imprimindo significativa ênfase às palavras, terminou: 

— Há muitas almas, na Terra, ostentando a luminosa coroa da ciência, mas de coração adormecido na impiedade, salientando-se no sarcasmo pueril e na censura indébita. Envenena das pela incompreensão, exigentes e cruéis, fulminam os companheiros mais fracos no entendimento ou na cultura, ao invés de estender-lhes as mãos fraternais, reconhecendo que também já foram assim, tateantes e imperfeitos... Enquanto, porém, não se decidirem a ajudar o irmão menos esclarecido e menos afortunado, acolhendo-o no próprio espírito, com sinceridade e devotamento, não receberão as asas com que lhes será lícito partir na direção do Céu."

Extraído do livro "Jesus no Lar", de Chico Xavier, pelo Espírito Neio Lúcio, FEB, Brasília, p. 59/61.
Imagem: Pinterest


REFLEXÕES A PARTIR DA MENSAGEM 

O CONHECIMENTO ILUMINA A MENTE, MAS SOMENTE O AMOR NOS ENSINA A COMPREENDER E AMPARAR

No texto acima, Neio Lúcio apresenta uma significativa lição de Jesus sobre o verdadeiro valor do conhecimento.

Na narrativa, um homem realiza uma longa e difícil caminhada pela montanha da ciência. Depois de muitos esforços, alcança o cume e recebe uma luminosa coroa, símbolo do saber conquistado. Antes de receber as asas que lhe permitiriam prosseguir em direção ao Pai, porém, é convidado a retornar pelo caminho percorrido.

Agora capaz de enxergar melhor, observa as limitações dos viajantes que ainda realizavam a subida. Em vez de compreendê-los e ajudá-los, ridiculariza suas dificuldades, esquecendo-se de que também já havia passado pelas mesmas etapas.

A responsabilidade de quem sabe mais

O conhecimento amplia nossa visão, mas também aumenta nossa responsabilidade. Quem consegue enxergar com mais clareza deve utilizar essa capacidade para orientar e auxiliar, e não para julgar ou humilhar.

Muitas vezes, depois de superarmos determinada dificuldade, tornamo-nos impacientes com aqueles que ainda a enfrentam. Esquecemos que nosso aprendizado também aconteceu gradualmente e que, em outros momentos, precisamos da compreensão e do auxílio de alguém.

A verdadeira sabedoria manifesta-se na maneira como tratamos aqueles que sabem menos ou se encontram em condições diferentes das nossas. Ensinar com paciência, corrigir sem ferir e orientar sem demonstrar superioridade são formas de colocar o conhecimento a serviço do bem.

A coroa e as asas

A coroa representa o desenvolvimento intelectual, enquanto as asas simbolizam a elevação espiritual conquistada pelo amor.

O viajante possuía a luz do saber, mas ainda lhe faltavam humildade, piedade e compreensão. Precisava retornar ao caminho e aprender a estender as mãos aos companheiros de jornada.

A inteligência pode levar-nos ao alto da montanha, mas somente o amor nos ensina a utilizar aquilo que aprendemos. Quando o conhecimento alimenta o orgulho, cria distâncias; quando se une à fraternidade, transforma-se em instrumento de esclarecimento e progresso.

Para refletir

  • Tenho usado aquilo que sei para auxiliar ou para demonstrar superioridade?
  • Como reajo diante das limitações e dos erros alheios?
  • Minhas palavras orientam com respeito ou provocam desânimo?
  • Tenho procurado unir conhecimento, humildade e amor?

Reflexão final

“A Coroa e as Asas” recorda-nos que o saber, embora valioso, não basta para a verdadeira elevação espiritual.

Todos estamos em processo de aprendizagem. As dificuldades que hoje percebemos nos outros podem representar etapas que nós mesmos já atravessamos. Reconhecer essa realidade ajuda-nos a substituir o julgamento pela compreensão e a crítica destrutiva pelo auxílio fraterno.

Que a luz do conhecimento não nos afaste dos companheiros de caminhada. Que ela nos ajude a enxergar suas necessidades e a oferecer-lhes as mãos. Afinal, a coroa representa aquilo que aprendemos, mas são as asas do amor que nos permitem alcançar voos mais elevados.

Que o conhecimento, iluminado pelo amor, se transforme em preciosa ferramenta para a nossa reforma íntima. Paz e luz.

Reflexão desenvolvida por Osmar Lima do Amorim com o auxílio do ChatGPT, ferramenta de inteligência artificial da OpenAI, e revisada antes da publicação.




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