O RESULTADO DOS ERROS RELIGIOSOS - (CONSCIÊNCIA LIVRE E EVANGELHO VIVIDO)

"Toda essa demagogia filosófico-doutrinária, que vedes nas fileiras do Espiritismo, tem sua razão de ser. As almas humanas se preparam para o bom caminho. A missão do Cristianismo na Terra não era a de mancomunar-se com as forças políticas que lhe desviassem a profunda significação espiritual para os homens. O Cristo não teria vindo ao mundo para instituir castas sacerdotais e nem impor dogmatismos absurdos. Sua ação dirigiu-se, justamente, para a necessidade de se remodelar a sociedade humana, eliminando-se os preconceitos religiosos, constituindo isso a causa da sua cruz e do seu martírio, sem se desviar, contudo, do terreno das profecias que o anunciavam.

Todas essas atividades bélicas, todas as lutas antifraternas no seio dos povos irmãos, quase a totalidade dos absurdos, que complicam a vida do homem, vieram da escravização da consciência ao conglomerado de preceitos dogmáticos das Igrejas que se levantaram sobre a doutrina do Divino Mestre, contrariando as suas bases, digladiando-se mutuamente, condenando-se umas às outras em nome de Deus.

Aliado ao Estado, o Cristianismo deturpou-se, perdendo as suas características divinas."

Extraído do livro Emmanuel, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel, capítulo XXXV — “Educação evangélica”, subtítulo “O resultado dos erros religiosos”, p. 84.                            Foto de Orlando Allo no Pexels

REFLEXÕES A PARTIR DA MENSAGEM

A religião cumpre sua finalidade quando aproxima a criatura de Deus, educa a consciência e transforma a fé em amor ao próximo

A mensagem de Emmanuel convida-nos a examinar as consequências produzidas quando os ensinamentos espirituais são subordinados aos interesses de poder, às disputas humanas e à imposição de dogmas. Em vez de libertar consciências e promover a fraternidade, a religião pode ser utilizada para alimentar preconceitos, separações e conflitos.

O problema, entretanto, não está na essência da religião, mas na maneira como os seres humanos interpretam e empregam seus princípios. Todo ensinamento elevado pode ser deturpado quando o orgulho, a ambição e o desejo de domínio ocupam o lugar da humildade e do serviço.

Quando a religião se afasta do Evangelho

Jesus não organizou castas privilegiadas nem ensinou a perseguição daqueles que pensavam de maneira diferente. Sua mensagem dirigiu-se à renovação interior, à misericórdia, à justiça e ao amor que reconhece em cada pessoa um irmão em caminhada.

Sempre que a religião se alia aos interesses de domínio, corre o risco de perder sua finalidade espiritual. A fé, então, deixa de ser experiência da consciência e transforma-se em instrumento de controle, distinção ou exclusão.

A história humana registra conflitos nos quais o nome de Deus foi invocado para justificar violência, intolerância e perseguição. Contudo, nenhuma atitude contrária à fraternidade se torna justa por receber aparência religiosa.

Esse exame também precisa alcançar cada um de nós. Podemos censurar os erros cometidos por instituições ao longo do tempo e, ainda assim, reproduzir em escala menor a mesma intolerância quando desprezamos outras crenças, recusamos o diálogo ou julgamos possuir toda a verdade.

A renovação começa na consciência

Libertar a consciência não significa rejeitar a religião, mas compreender sua função educativa. A religião esclarecida ajuda a criatura a assumir responsabilidade por suas escolhas, a desenvolver virtudes e a estabelecer uma relação mais sincera com Deus e com o próximo.

O Espiritismo, ao propor uma fé raciocinada, convida ao estudo, à análise e à reflexão. Entretanto, esse conhecimento também não deve alimentar vaidade intelectual nem sentimento de superioridade. Conhecer melhor aumenta nossa responsabilidade de compreender, respeitar e servir.

A verdadeira reforma religiosa começa na intimidade. Ela acontece quando substituímos a imposição pelo exemplo, o preconceito pela compreensão, a disputa pelo diálogo e a condenação pelo auxílio fraterno.

Não precisamos renunciar às próprias convicções para respeitar as convicções alheias. A firmeza de princípios pode conviver com a humildade, assim como a defesa da verdade pode ser realizada sem agressividade.

A melhor demonstração da autenticidade de uma crença está nos frutos que ela produz. Se nos torna mais pacientes, compassivos e úteis, está cumprindo uma função renovadora. Se aumenta o orgulho, a hostilidade e a separação, necessita ser reavaliada à luz do Evangelho.

Para refletir

  1. Minha vivência religiosa tem aumentado minha capacidade de compreender e respeitar as pessoas?

  2. Procuro esclarecer por meio do diálogo e do exemplo ou tento impor minhas convicções?

  3. Que preconceito ainda preciso superar para viver com maior fidelidade os ensinamentos de Jesus?

Reflexão final

Os erros religiosos não devem conduzir-nos ao abandono da espiritualidade, mas ao esforço de compreendê-la e vivê-la com maior autenticidade.

Instituições são compostas por seres humanos e, por isso, podem refletir tanto as virtudes quanto as imperfeições de seus integrantes. Reconhecer equívocos é necessário, não para alimentar acusações, mas para impedir que sejam repetidos.

O Evangelho não nos pede domínio sobre consciências. Convida-nos ao domínio de nós mesmos, à renovação dos sentimentos e à prática do bem.

Que saibamos preservar a fé sem intolerância, defender nossas convicções sem agressividade e transformar o conhecimento espiritual em serviço, fraternidade e respeito. Assim, contribuiremos para que a religião volte continuamente à sua missão essencial: religar a criatura ao Criador pelo caminho do amor. Paz e luz.

Reflexão desenvolvida por Osmar Lima do Amorim com o auxílio do ChatGPT, ferramenta de inteligência artificial da OpenAI, e revisada antes da publicação.

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