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A DESORDEM QUE O TEMPO CRIA

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"Tempo significa mover-se do que existe para 'o que deveria existir'. Eu tenho medo, mas um dia me livrarei dele. Por isso, o tempo é necessário para nos libertarmos do medo - pelo menos, é o que achamos. Mudar do que existe para 'o que deveria existir' envolve tempo. Ora, o tempo implica esforço nesse intervalo que o que existe e 'o que deveria existir'. Não gosto do medo e vou fazer um esforço para entendê-lo, analisá-lo, dissecá-lo, ou vou descobrir a casa dele ou vou escapar totalmente dele. Tudo isso implica esforço - e esforço é aquilo com que estamos acostumados. Estamos sempre em conflito entre o que existe e 'o que deveria existir'. Aquilo 'que deveria ser' é uma ideia, e a ideia é fictícia, não é 'o que sou', que é o fato; e 'o que eu sou' só pode ser modificado quando eu entender a desordem que o tempo cria. Então, será possível me livrar total e completamente do medo no momento? Se eu permitir que o medo...

TRISTEZA

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"A tristeza não tem existência concreta. Se você afirmá-la o tempo todo, ela existirá, se negá-la em sua mente, ela deixará de existir. É a isso que chamo 'o herói no homem': sua natureza divina ou essencial. Para se livrar da tristeza, o homem precisa impor seu Eu heroico às atividades diárias. A raiz da tristeza é a carência de heroísmo e coragem no homem normal. Quando o elemento heroico falta no quadro mental de uma pessoa, sua mente fica sujeita a todas as aflições que aparecem. A vitória mental traz felicidade à vida; a derrota mental só lhe traz sofrimento. Enquanto o vencedor estiver desperto no homem, nenhum desgosto poderá mergulhar nas sombras os umbrais de seu coração. Lágrimas e suspiros no campo de batalha da vida são a covardia, em estado puro, de uma mente fraca. Quem renuncia à luta se torna prisioneiro dentro das muralhas de sua própria ignorância. A vida não passa de uma perpétua superação de problemas. Todo problema que aguarda solução de sua ...

UMA LIÇÃO DA LEI

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"Essa é a grande lição ensinada pela ciência à atual geração. De há muito, muito tempo, as religiões ensinaram isso dogmaticamente mais do que racionalmente. A ciência prova que o conhecimento é a condição da liberdade e que só quando o homem tiver conhecimento é que poderá se impor. O homem da ciência observa as sequências. Realiza repetidamente os testes de sua experiência e elimina tudo o que é casual, colateral, irrelevante. E devagar, com segurança, descobre o que constitui uma invariável sequência causativa. Uma vez seguro dos fatos, age com certeza indubitável, e a natureza, sem sombra de recuo, recompensa com o sucesso a racionalidade da sua segurança. Dessa segurança nasce a 'sublime paciência do pesquisador'. Luther Burbanker, na Califórnia, semeará milhões de sementes, selecionará alguns milhares de plantas, cruzará algumas delas, e assim marchará, pacientemente, para os seus fins. Ele pode confiar nas leis da natureza, e, se falhar, saberá que o erro part...

UM ESTUDO SOBRE O KARMA

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"Entre as muitas dádivas esclarecedoras transmitidas pela Sociedade Teosófica ao mundo ocidental, a que se refere ao conhecimento do karma talvez seja a segunda em importância, depois da lei da reencarnação. O conhecimento do karma afasta o pensamento e o desejo do homem do âmbito dos acontecimentos arbitrários, levando-os para a região da lei, colocando assim o futuro do homem sob seu próprio controle, a partir da extensão do seu conhecimento. A principal concepção de karma - 'Tal como o homem semeia, assim colherá' - é fácil de apreender. Contudo, a sua aplicação detalhada na vida diária, o método de ação desse princípio e suas consequências a longo prazo são dificuldades que se tornam desnorteantes para o estudante, à proporção que amplia o seu conhecimento. Os princípios em que as ciências naturais se fundamentam são, em sua maioria, facilmente assimiláveis para as pessoas de regular inteligência e instrução comum; contudo, quando o estudante passa dos princípios...

O DESPERTAR DO ENTENDIMENTO

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"Uma vez um amigo meu, de seis anos de idade, me perguntou: 'Finge que você está cercada por mil tigres famintos. O que você faz?' Eu visualizei a situação sugerida por ele e, sem conseguir chegar a um plano de ação viável, eu disse: 'Poxa, não sei. O que você faria?'. E ele respondeu: 'Eu parava de fingir'. De muitas maneiras, o que costumamos fazer (fingir que somos alguém, que temos algo a demonstrar, engrandecer a ideia que fazemos de nós mesmos) é semelhante a imaginar que estamos cercados por mil tigres famintos. É um estado de medo baseado numa ilusão criada por nós mesmos. Sempre que nos vemos como um agente separado - um alguém - de certa maneira entramos em competição com outros 'alguéns' e precisamos nos proteger deles. Junto com as crenças no 'eu', no 'mim' e no 'meu' vêm o medo e os desejos. É um pacote fechado. Despertar significa a recusa de se permitir ter pesadelos como esse - é a simples decisão de par...