ENFERMOS DA ALMA - (A VERDADE TAMBÉM PRECISA SER ENSINADA COM EQUILÍBRIO)

"Suas opiniões primam pela contundência.

Dizem-se sinceros, expondo o que pensam, conforme pensam, com violência.

Creem-se possuidores do conhecimento integral.

Combatem os demais com acrimônia.

Desejam reformar o mundo, embora tenham dificuldade em melhorar-se.

Primam pelas colocações pessoais, não facultando que outros disponham do mesmo direito.

Aceitos, fazem-se gentis.

Não admitidos, tornam-se agressivos, ferrenhos adversários.

Defendem a liberdade do comportamento franco. Em relação, porém, ao que gostam de expor, não de ouvir.

Evitam examinar o com que não estão de acordo, porque receiam o contágio da realidade, que lhes contraria os 'pontos de vista'.

Anatematizam com facilidade, mesmo quando não conhecem, satisfatoriamente, o com que discordam.

Extrovertidos ou silenciosos, não abdicam dos seus conceitos, mesmo que a evidência seja diversa.

Extenuam os que lhes padecem a algaravia com o excesso de argumentação. Palavras vigorosas e conteúdo frágil.

Tornam-se extremistas e pressupõem que o Sol apenas brilha para eles.

Estão enfermos da alma, esses irmãos impetuosos.

Ignoram que, mesmo a verdade, deve ser lecionada com equilíbrio.

Atitude excessiva em qualquer cometimento expressa desajuste.

A gema preciosa arrojada com cólera, fere, provocando reação compatível de ira em quem lhe sofre o golpe. 

Afirmam não necessitar de ajuda, porque são carentes dela.

Recusam-se a humildade por preferirem o autodeslumbramento em que se alucinam.

*

Respeita-os sem os temer.

Se leal para contigo mesmo e gentil para com eles.

Apesar de os deveres considerar, expressa a sã doutrina, não os valorizando o quanto se atribuem.

Dá testemunho do Cristo em tuas palavras e obras, quando e onde estejas, sem te impressionares com o verbalismo fluente e vazio de que se fazem portadores.

As cigarras cantam e nada realizam, enquanto zumbem as abelhas e produzem em abundância, tornando-se úteis e necessárias à vida.

Desobriga-te dos teus compromissos de esclarecer consciências e confortar corações sem alarde, porém, sem timidez.

Quando se faz o que se pode, sempre se faz o melhor e o máximo.

Assim agindo, estarás, sem dar-te conta, ajudando os irmãos enfermos da alma, que encontrarão em teu verbo e ação a psicoterapia e o estímulo para lograrem a cura de que necessitam e não o percebem."

Texto extraído do livro "Oferenda", de Divaldo P. Franco/Joanna de Ângelis, Livraria Espírita 'Alvorada' - Editora, Salvador, BA, p. 57/59.
Foto de Alejandro De Roa no Pexels

REFLEXÕES A PARTIR DA MENSAGEM

A verdade esclarece quando é transmitida com respeito, mas pode ferir quando se transforma em instrumento de orgulho e imposição

A sinceridade é uma qualidade valiosa, porém não autoriza a agressividade. Falar tudo o que pensamos, sem considerar o momento, a necessidade e os sentimentos de quem nos escuta, pode representar mais uma descarga emocional do que um gesto de honestidade.

A convicção também não significa posse absoluta da verdade. Quando nos recusamos a ouvir opiniões diferentes, corremos o risco de confundir fidelidade aos princípios com apego às próprias ideias.

Firmeza sem violência

Ensinar com equilíbrio não significa ocultar a verdade nem permanecer indiferente diante do erro. É possível esclarecer com firmeza, mas sem humilhar; discordar sem hostilizar; e defender uma convicção sem negar ao outro o direito de pensar.

A palavra pronunciada com cólera desperta resistência, mesmo quando transmite algo verdadeiro. Em contrapartida, a orientação acompanhada de serenidade, coerência e respeito encontra melhores condições para ser compreendida.

Antes de corrigir alguém, convém examinar as próprias intenções. Desejamos realmente ajudar ou apenas demonstrar superioridade? A resposta sincera pode evitar muitos conflitos.

O testemunho que educa

Diante das pessoas intolerantes ou agressivas, não precisamos agir com medo nem retribuir na mesma medida. Podemos estabelecer limites, preservar a serenidade e manter o respeito sem nos submeter à imposição.

Mais eficaz do que combater palavras com novas palavras é demonstrar, por meio da conduta, os princípios que defendemos. O exemplo silencioso da paciência, da humildade e do serviço possui força educativa que nenhum discurso consegue substituir.

Quando fazemos o bem sem alarde e esclarecemos sem arrogância, oferecemos auxílio verdadeiro àqueles que ainda confundem convicção com inflexibilidade.

Para refletir

  1. Tenho utilizado a sinceridade para esclarecer ou para ferir?
  2. Consigo ouvir opiniões diferentes sem reagir com hostilidade?
  3. Minhas atitudes confirmam os valores que procuro ensinar?

Reflexão final

A verdade não perde seu valor quando é apresentada com gentileza. Ao contrário, torna-se mais acessível e fecunda quando chega acompanhada de equilíbrio e amor.

Todos podemos, em algum momento, endurecer nossas opiniões e deixar de perceber as necessidades do outro. Por isso, a mensagem também nos convida ao autoexame, para que não reconheçamos a intolerância apenas nas pessoas que nos cercam.

O discípulo do Cristo não se distingue pelo volume das palavras, mas pela coerência entre aquilo que ensina e aquilo que vive. Esclarecer consciências e confortar corações exige coragem, mas também humildade, prudência e compaixão.

Que saibamos defender o bem sem agressividade, ensinar sem orgulho e fazer da própria conduta o testemunho sereno das verdades que abraçamos. Paz e luz.

Reflexão desenvolvida por Osmar Lima do Amorim com o auxílio do ChatGPT, ferramenta de inteligência artificial da OpenAI, e revisada antes da publicação.

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