EXCESSO E VOCÊ - (TRANSFORMAR O QUE SOBRA EM AUXÍLIO AO PRÓXIMO)

"Cap. XIII – Item 10
 
Amigo, Espiritismo é caridade em movimento. 

Não converta o próprio lar em museu. 

Utensílio inútil em casa será utilidade na casa alheia. 

O desapego começa das pequeninas coisas, e o objeto conservado, sem aplicação no recesso da moradia, explora os sentimentos do morador. 

A verdadeira morte começa na estagnação. 

Quem faz circular os empréstimos de Deus, renova o próprio caminho. 

Transfigure os apetrechos, que lhe sejam inúteis, em forças vivas do bem. 

Retire da despensa os gêneros alimentícios, que descansem esquecidos, para a distribuição fraterna aos companheiros de estômago atormentado. 

Reviste o guarda-roupa, libertando os cabides das vestes que você não usa, conduzindo-as aos viajores desnudos da estrada. 

Estenda os pares de sapatos, que lhe sobram, aos pés descalços que transitam em derredor. 

Elimine do mobiliário as peças excedentes, aumentando a alegria das habitações menos felizes. 

Revolva os guardados em gavetas ou porões, dando aplicação aos objetos parados de seu uso pessoal. 

Transforme em patrimônio alheio os livros empoeirados que você não consulta, endereçando-os ao leitor sem recursos. 

Examine a bolsa, dando um pouco mais que os simples compromissos da fraternidade, mostrando gratidão pelos acréscimos da Divina Misericórdia que você recebe. 

Ofereça ao irmão comum alguma relíquia ou lembrança afetiva de parentes e amigos, ora na Pátria Espiritual, enviando aos que partiram maior contentamento com tal gesto. 

Renovemos a vida constantemente, cada ano, cada mês, cada dia... 

Previna-se hoje contra o remorso amanhã. 

O excesso de nossa vida cria a necessidade do semelhante. 

Ajude a casa de assistência coletiva. 

Divulgue o livro nobre. 

Medique os enfermos. 

Aplaque a fome alheia. 

Enxugue lágrimas. 

Socorra feridas. 

Quando buscamos a intimidade do Senhor, os valores mumificados em nossas mãos ressurgem nas mãos dos outros, em exaltação de amor e luz para todas as criaturas de Deus." 

Texto do Espírito André Luiz, extraído do livro O Espírito da Verdade - Estudos e dissertações em torno da obra 'O Evangelho Segundo o Espiritismo', de Allan Kardec, de Francisco Cândido Xavier/Waldo Vieira, por vários Espíritos, 6ª edição, FEB, Brasília/DF, Capítulo II.
Imagem de Anemone123 por Pixabay

REFLEXÕES A PARTIR DA MENSAGEM

O desapego consciente permite que bens imobilizados em nossas mãos recuperem sua utilidade ao atender às necessidades de outras pessoas

Ao longo do tempo, acumulamos roupas, calçados, livros, utensílios e outros objetos que já não utilizamos. Alguns permanecem guardados por esquecimento; outros, por receio de que venham a fazer falta ou pelo valor afetivo que lhes atribuímos.

A mensagem de André Luiz convida-nos a examinar esses excessos e perceber que aquilo que permanece sem utilidade em nossa casa pode representar conforto, conhecimento ou auxílio na vida de alguém.

Desapego é circulação do bem

Desapegar não significa desprezar os bens materiais nem desfazer-se irresponsavelmente de tudo o que possuímos. Os recursos da vida merecem cuidado, conservação e uso consciente. O desapego começa quando deixamos de confundir posse com segurança e reconhecemos que os bens são instrumentos, não finalidades da existência.

Um objeto guardado pode carregar lembranças importantes e não há erro em preservá-lo. Entretanto, convém examinar se o valor afetivo é verdadeiro ou se estamos apenas justificando um acúmulo que já não contribui para nossa vida.

A proposta do texto não é transformar a doação em simples descarte. A caridade exige respeito. Aquilo que oferecemos deve estar limpo, conservado, seguro e em condições dignas de uso. Alimentos precisam estar dentro do prazo de validade; medicamentos somente devem ser encaminhados por instituições habilitadas; objetos danificados devem ser consertados ou destinados corretamente.

Doar não é transferir ao próximo aquilo que não queremos descartar. É compartilhar algo que ainda possui valor e utilidade.

A caridade ao alcance das mãos

Quando pensamos em caridade, podemos imaginar grandes realizações e concluir que ainda não dispomos dos recursos necessários. A mensagem, porém, mostra que o auxílio pode começar dentro de casa.

Uma roupa sem uso pode aquecer alguém. Um livro esquecido pode levar conhecimento a um novo leitor. Um móvel excedente pode completar uma habitação. Uma pequena contribuição pode fortalecer uma instituição dedicada ao amparo coletivo.

Além dos bens materiais, também podemos examinar outros excessos: o tempo consumido em atividades improdutivas, as palavras desnecessárias, o desperdício de alimentos e a aquisição de objetos movida apenas pelo impulso. Reduzir esses excessos libera recursos para finalidades mais úteis.

A organização exterior pode, assim, favorecer uma renovação interior. Ao escolher o que conservar, utilizar, compartilhar ou encaminhar para reciclagem, exercitamos discernimento, gratidão e responsabilidade.

Contudo, a caridade não se resume à doação de objetos. O texto também nos convida a divulgar o conhecimento edificante, cuidar dos enfermos, aliviar a fome, consolar os aflitos e socorrer as feridas. O essencial é fazer circular o bem, permitindo que os recursos recebidos cumpram uma finalidade útil.

Para refletir

  1. Que bens permanecem guardados em minha casa sem qualquer utilização?

  2. Tenho oferecido ao próximo objetos dignos e realmente úteis ou apenas aquilo que desejo descartar?

  3. Que outros excessos posso reduzir para dispor de mais tempo e recursos em favor do bem?

Reflexão final

Tudo o que possuímos é temporário. Mesmo os bens conquistados por esforço pessoal somente permanecem conosco durante determinado período. Compreender essa transitoriedade ajuda-nos a utilizá-los com equilíbrio e responsabilidade.

Não precisamos desfazer-nos precipitadamente do que é necessário ou significativo. Podemos, porém, evitar que o apego transforme recursos úteis em valores paralisados.

A caridade em movimento nasce quando observamos o que temos, reconhecemos o que nos basta e compartilhamos dignamente aquilo que pode beneficiar alguém.

Que saibamos administrar com gratidão os empréstimos da vida, conservar o necessário e transformar os nossos excessos em oportunidades de auxílio, esperança e fraternidade. Paz e luz.

Reflexão desenvolvida por Osmar Lima do Amorim com o auxílio do ChatGPT, ferramenta de inteligência artificial da OpenAI, e revisada antes da publicação.

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