CRENÇAS ULTRAPASSADAS - (RENOVAR O PENSAMENTO PARA COMPREENDER MELHOR A VIDA)

"'[…] Na infância da Humanidade, o homem o confunde, frequentemente, com a criatura, da qual lhe atribui as imperfeições. Mas, à medida que o senso moral se desenvolve nele, seu pensamento penetra melhor o fundo das coisas, e dele se faz uma ideia mais justa e mais conforme a sã razão, embora sempre incompleta.' (O Livro dos Espíritos – Questão 11 – Boa Nova Editora) 

É preciso identificar padrões de pensamento deficitários e crenças ultrapassadas que vigem em nossa intimidade, pois muitas de nossas convicções não são fruto de nossas próprias experiências, mas transmitidas de modo acanhado, desde a infância, por pais, avós, amigos, religiosos, professores – enfim, pela sociedade. 

Por exemplo, muitos de nós ainda temos noções infantis de Deus (um pai intransigente e austero; um bondoso e alegre 'Papai Noel'; um policial implacável e inflexível, armado para nos castigar etc.), crenças essas que não são mais apropriadas nem suficientes para as necessidades adultas. 

Todo dia temos infinitas oportunidades de desvendar as causas de nossos medos e desajustes e de descobrir antigas convicções e conceitos que ainda nos prendem, porém que não mais precisamos aceitar. 

O que nos serviu ontem pode não ter mais significado hoje."

Texto extraído do livro A Busca do Melhor, de Francisco do Espírito Santo Neto, ditado por Hammed, Boa Nova Editora, Catanduvas/SP, item 4.
Foto de Honye Sanges no Pexels

REFLEXÕES A PARTIR DA MENSAGEM

O crescimento espiritual também exige coragem para examinar ideias antigas e substituir aquelas que já não correspondem à razão, à experiência e à compreensão que adquirimos

Ao longo da vida, recebemos conceitos da família, da escola, da religião e do ambiente social. Essas referências participam de nossa formação e muitas delas nos oferecem valores importantes. Outras, entretanto, podem transmitir medos, preconceitos e interpretações limitadas que continuamos repetindo sem perceber.

Amadurecer não significa desprezar tudo o que recebemos, mas avaliar conscientemente o que ainda contribui para o nosso progresso. A reflexão proposta por Hammed convida-nos a reconhecer que algumas crenças, embora tenham feito sentido em determinada etapa, podem tornar-se insuficientes diante de uma consciência mais desenvolvida.

Crenças que influenciam silenciosamente

Uma crença é mais do que uma opinião declarada. Ela pode orientar nossas reações, escolhas e relacionamentos sem que tenhamos plena consciência de sua influência.

Podemos acreditar, por exemplo, que não somos capazes de mudar; que todo erro merece punição; que demonstrar sentimentos é sinal de fraqueza; ou que questionar determinada ideia representa falta de fé. Quando não examinadas, essas convicções podem alimentar culpa, insegurança, intolerância e medo.

Isso também acontece com a nossa concepção de Deus. Durante a infância, é natural compreendê-lo por meio de imagens simples. O problema surge quando conservamos, na idade adulta, a ideia de uma divindade humana, vingativa, parcial ou dedicada a castigar aqueles que falham.

A Doutrina Espírita apresenta Deus como inteligência suprema, causa primária de todas as coisas, soberanamente justo e bom. Essa compreensão convida-nos a substituir o temor servil pela confiança responsável. A Justiça Divina não elimina as consequências de nossos atos, mas oferece permanentemente oportunidades de aprendizado, reparação e crescimento.

Questionar para amadurecer

Rever uma crença não significa abandonar princípios por impulso ou adotar toda novidade que apareça. A renovação saudável requer estudo, reflexão, experiência e coerência moral.

Também não devemos rejeitar uma ideia apenas porque é antiga. A idade de um ensinamento não determina sua verdade ou falsidade. Existem princípios antigos que permanecem valiosos, enquanto conceitos recentes também podem ser equivocados. O critério deve ser sua concordância com a razão, com os fatos e com valores como justiça, bondade e respeito à dignidade humana.

O Espiritismo propõe uma fé raciocinada, capaz de examinar, perguntar e aprofundar conhecimentos. Uma convicção verdadeira não precisa temer a investigação sincera. Ao contrário, tende a tornar-se mais clara e consciente quando submetida ao estudo responsável.

Modificar o pensamento, porém, nem sempre é fácil. Algumas crenças nos proporcionam uma sensação de segurança, mesmo quando nos limitam. Outras estão ligadas à nossa identidade, aos vínculos afetivos e ao receio de desaprovação. Por isso, a renovação interior deve acontecer com paciência, sem violência contra nós mesmos e sem desrespeito pelas convicções alheias.

Para refletir

  1. Que crenças recebidas na infância ainda influenciam minhas escolhas e meus relacionamentos?

  2. Minha compreensão de Deus inspira confiança e responsabilidade ou permanece marcada pelo medo?

  3. Tenho disposição para rever minhas convicções quando a razão, a experiência e o bem indicam uma compreensão mais ampla?

Reflexão final

O que nos orientou ontem pode ter cumprido uma função importante, sem necessariamente responder a todas as necessidades de hoje. A evolução amplia a consciência e nos convida a construir entendimentos mais profundos.

Abandonar uma crença ultrapassada não significa negar a própria história. Significa reconhecer que estamos aprendendo e que nenhuma compreensão humana deve ser considerada completa ou definitiva.

Ao identificarmos ideias que alimentam medo, culpa excessiva, preconceito ou intolerância, podemos substituí-las gradualmente por pensamentos mais coerentes com a justiça, a bondade e o amor.

Que saibamos conservar os princípios verdadeiros, renovar as interpretações limitadas e prosseguir no conhecimento de nós mesmos e de Deus, com humildade, responsabilidade e fé raciocinada. Paz e luz.

Reflexão desenvolvida por Osmar Lima do Amorim com o auxílio do ChatGPT, ferramenta de inteligência artificial da OpenAI, e revisada antes da publicação.

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