OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


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quinta-feira, 14 de maio de 2026

A SENDA ESTREITA

"Porfiai por entrar pela porta estreita..." — JESUS. (Lucas, 13:24.) 

Não te aconselhes com a facilidade humana para a solução dos problemas que te inquietam a alma.

Realização pede trabalho. 

Vitória exige luta. 

*

Muitos jornadeiam no mundo na larga avenida dos prazeres efêmeros e esbarram no cipoal do tédio ou da intemperança, quando não sucumbem sob as farpas do crime.

*

Muitos preferem a estrada agradável dos caprichos pessoais atendidos e caem, desavisados, nos fojos de tenebrosos enganos, quando não se despenham nos precipícios de tardio arrependimento. 

*

Seja qual for a experiência em que te situas, na Terra, lembra-te de que ninguém recebe um berço entre os homens para acomodar-se com a inércia, no desprezo deliberado às leis que regem a vida. 

*

Nosso dever é a nossa escola.
Por isso mesmo, a senda estreita a que se refere Jesus é a fidelidade que nos cabe manter limpa e constante, no culto às obrigações assumidas diante do Bem Eterno.
Para sustentá-la, é imprescindível sacrificar no santuário do coração tudo aquilo que constitua bagagem de sombra no campo de nossas aspirações e desejos.
Adaptarmo-nos à disciplina do próprio espírito na garantia da felicidade geral é estabelecer em nós próprios o caminho para o Céu que almejamos.

*

Não te detenhas no círculo das vantagens que se apagam em fulguração passageira, de vez que a ociosidade compra, em desfavor de si mesma, as chagas da penúria e as trevas da ignorância.

*

Porfia na renúncia que eleva e edifica, enobrece e ilumina.

*

Não desdenhes a provação e o trabalho, a abnegação e o suor.

*

E, em todas as circunstâncias, recorda sempre que a 'porta larga' é a paixão desregrada do 'eu' e a 'porta estreita' é sempre o amor intraduzível e incomensurável de Deus."

Texto extraído do livro "Ceifas de Luz", de Francisco Cândido Xavier, (pelo Espírito Emmanuel), item 12, p. 57/59.
Imagem: Pinterest     

terça-feira, 12 de maio de 2026

DECULPAR

"'Jesus lhe disse: Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete' (Mateus, 18:22.)  

Atende ao dever da desculpa infatigável diante de todas as vitimas do mal para que a vitória do bem não se faça tardia. 

Decerto que o mal contará com os empreiteiros que a Lei do Senhor julgará no momento oportuno, entretanto, em nossa feição de criaturas igualmente imperfeitas, suscetíveis de acolher-lhe a influência, vale perdoar sem condição e sem preço, para que o poder de semelhantes intérpretes da sombra se reduza até a integral extinção. 

Recorda que acima da crueldade encontramos, junto de nós a ignorância e o infortúnio que nos cabe socorrer cada dia. 

Quem poderá, com os olhos do corpo físico, medir a extensão da treva sobre as mãos que se envolvem no espinheiral do crime? Quem, na sombra terrestre, distinguirá toda a percentagem de dor e necessidade que produz o desespero e a revolta. 

Dispõe-te a desculpar hoje, infinitamente, para que amanhã sejas também desculpado. 

Observa o quadro em que respiras e reconhecerás que a natureza é pródiga de lições no capítulo da bondade. 

O sol releva, generoso, o monturo que o injuria, convertendo-o sem alarde em recurso fertilizante. 

O odor miasmático do pântano, para aquele que entende as angústias da gleba, não será mensagem de podridão, mas sim rogativa comovente, para que se lhe dê a benção do reajuste, de modo a transformar-se em terra produtiva. 

Tudo na vida roga entendimento e caridade para que a caridade e o entendimento nos orientem as horas. 

Não olvides que a própria noite na terra uma pausa de esquecimento para que aprendemos a ciência do recomeço, em cada alvorada nova. 

'Faze a outrem aquilo que desejas te seja feito' - advertiu-nos o Amigo Excelso. 

E somente na desculpa incessante de nossas faltas recíprocas, com o amparo do silêncio e com a força de humildade, é que atingiremos, em passo definitivo, o reino do eterno bem com a ausência de todo mal."

Texto extraído do livro "Ceifas de Luz", de Francisco Cândico Xavier (pelo Espírito Emmanuel), item 2.
Imagem: Pinterest 

terça-feira, 5 de maio de 2026

OS INSTRUMENTOS DA PERFEIÇÃO

"Naquela noite, Simão Pedro trazia à conversação o espírito ralado por extremo desgosto.

Agastara-se com parentes descriteriosos e rudes.

Velho tio acusara-o de dilapidador dos bens da família, e um primo ameaçara esbofeteá-lo na via pública.

Guardava, por isso, o semblante carregado e austero.

Quando o Mestre leu algumas frases dos Sagrados Escritos, o pescador desabafou. Descreveu o conflito com a parentela, e Jesus o ouviu em silêncio.

Ao término do longo relatório afetivo, indagou o Senhor:

- E que fizeste, Simão, ante as arremetidas dos familiares incompreensivos?

- Sem dúvida, reagi como devia! - respondeu o Apóstolo, veemente. -  Coloquei cada um no lugar próprio. Anunciei, sem rebuços, as más qualidades de que são portadores. Meu tio é raro exemplar de sovinice, e meu primo é mentiroso contumaz.

Provei, perante numerosa assistência, que ambos são hipócritas e não me arrependi do que fiz.

O Mestre refletiu por minutos longos e falou, compassivo:

- Pedro, que faz um carpinteiro na construção de uma casa? 

- Naturalmente, trabalha - redarguiu o interpelado, irritadiço.

- Com quê? - tornou o Amigo celeste, bem-humorado.

- Usando ferramentas. 

Após a resposta breve de Simão, o Cristo continuou:

- As pessoas com as quais nascemos e vivemos na Terra são os primeiros e mais importantes instrumentos que recebemos do Pai, para a edificação do Reino do céu em nós mesmos. Quando falhamos no aproveitamento deles, que constituem elementos de nossa melhoria, é quase impossível triunfar com recursos alheios, porque o Pai nos concede os problemas da vida, de acordo com a nossa capacidade de lhes dar solução. A ave é obrigada a fazer o ninho, mas não se lhe reclama outro serviço. A ovelha dará lã ao pastor; no entanto, ninguém lhe exige o agasalho pronto. Ao homem foram concedidas outras tarefas, quais sejam as do amor e da humildade, na ação inteligente e constante para o bem comum, a fim de que a paz e a felicidade não sejam mitos na Terra. Os parentes próximos, na maioria das vezes, são o martelo ou o serrote que podemos utilizar em benefício da construção do templo vivo e sublime, por intermédio do qual o Céu se manifestará em nossa alma. Enquanto o marceneiro usa as suas ferramentas, por fora, cabe-nos aproveitar as nossas, por dentro. Em todas as ocasiões, o ignorante representa para nós um campo de benemerência espiritual; o mal é desafio que nos põe a bondade à prova; o ingrato é um meio de exercitarmos o perdão; o doente é uma lição à nossa capacidade de socorrer. Aquele que bem se conduz, em nome do Pai, junto de familiares endurecidos ou indiferentes, prepara-se com rapidez para a glória do serviço à humanidade, porque, se a paciência aprimora a vida, o tempo tudo transforma.

Calou-se Jesus e, talvez porque Pedro tivesse ainda os olhos indagadores, acrescentou serenamente:

- Se não ajudamos ao necessitado de perto, como auxiliaremos os aflitos de longe? Se não amamos o irmão que respira conosco os mesmos ares, como nos consagraremos ao Pai que se encontra no Céu?

Depois dessas perguntas, pairou na modesta sala de Cafarnaum expressivo silêncio que ninguém ousou interromper." 

Extraído do livro "Jesus no Lar", de Chico Xavier, pelo Espírito Neio LúcioFEBBrasília, p. 27/29.
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terça-feira, 10 de março de 2026

O PRÓXIMO

"O próximo, em cada minuto, é aquele coração que se acha mais próximo do nosso, por divina sugestão de amor no caminho da vida. 

No lar, é a esposa e o esposo, os pais e os filhos, os parentes e os hóspedes. 

No templo do trabalho comum, é o chefe e o subordinado, o cooperador e o companheiro. 

Na via pública, é o irmão ou o amigo anônimo que nos partilham a mesma estrada e o mesmo clima. 

Na esfera social, é a criança e o doente, o desesperado e o triste, as afeições e os laços da solidariedade comum. 

Na luta contundente do esforço humano, é o adversário e o colaborador, o inimigo declarado ou oculto ou, ainda, o associado de ideais que nos surgem por instrutores. 

Em toda parte, encontrarás o próximo, buscando-te a capacidade de entender e de ajudar. 

Auxilia aos outros com aquilo que possuas de melhor. 

Os santos e os heróis ainda não residem na Terra. 

Somos espíritos humanos, mistos de luz e sombra, amor e egoísmo, inteligência e ignorância. 

Cada homem, na fase evolutiva em que nos encontramos, traz uma auréola incompleta de rei e uma espada de tirano. 

Se chamas o fidalgo, encontrarás um servidor. 

Se procuras o guerreiro, terás um inimigo feroz pela frente. 

Por isso mesmo, reafirmou Jesus o antigo ensinamento da Lei: - 'ama o próximo, como a ti mesmo'. 

É que o espírito, quando ama verdadeiramente, encontra mil meios de auxiliar, a cada instante, e o próximo, na essência, é o degrau que nos aparece diante do coração, por abençoado caminho de acesso à Vida Celestial."

Extraído do livro "Assim Vencerás", de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito Emmanuel, p. 5.
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quinta-feira, 5 de março de 2026

SEM RUÍDOS

"'Mas quando vier aquele Espírito de Verdade, ele vos guiará em toda a verdade. - Jesus.
(João, 16:13). 

O caminho de toda a Verdade é Jesus Cristo. O Mestre veio ao mundo instalar essa verdade para que os homens fossem livres e organizou o programa dos cooperadores de seu divino trabalho, para que se preparasse convenientemente o caminho infinito. No fim da estrada, colocou a redenção e deu às criaturas o amor como guia.

Conforme sabemos, o guia é um só para todos. E vieram os homem para o serviço divino. Com os cooperadores vinham, porém, os gênios sombrios, que se ombreavam com eles nas cavernas da ignorância.

A religião, como expressão universalista do amor, que é o guia, pairou sempre pura, acima das misérias que chegaram ao grande campo; mas, este ficou repleto das absurdidades. O caminho foi quase obstruído. 

A ambição exigiu impostos dos que desejavam passar, o orgulho reclamou a direção dos movimentos, a vaidade pediu espetáculos, a conveniência requisitou máscaras, a política interior estabeleceu guerras, a separatividade provocou a hipnose do sectarismo. 

O caminho ficou atulhado de obstáculos e sombras e o interessado, que é o espírito humano, encontra óbices infinitos para a passagem.

O quadro representa uma resposta e quantos perguntarem sobre os propósitos do Espiritismo cristão, sendo que o homem já conhece dotos os deveres religiosos. Ele é aquele Espírito de Verdade que vem lutar contra os gênios sombrios que vieram das cavernas da ignorância e invadiram o campo do Cristo.

Mas, guerrear como: Jesus não pediu a morte de ninguém. Sim, o Espírito da Verdade vem como a luz que combate e vence as sombras, sem ruídos. Sua missão é transformar, iluminando o caminho, para que os homens vejam o amor, que constitui o guia único para todos, até à redenção."

Extraído do livro "Segue-me", de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito EmmanuelCasa Editora O ClarimMatão/SP, p. 23/24.
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

CAMINHOS CRUZADOS

"'Sabendo primeiro isto: que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências'.
(II Pedro, 3:33).

De todos os elementos que tentam perturbar as obras divinas, os escarnecedores são os mais dignos de piedade fraternal. É que são enfermos pouco suscetíveis de medicação, em vista de serem profundamente ignorantes ou profundamente perversos.

O escarnecedor costuma aproximar-se dos trabalhadores fiéis das ideias novas, exigindo-lhes provas concludentes das afirmações espirituais que lhes constituem a divina base do trabalho no mundo.

É interessante, porém, observar que pedem tudo, sem se disporem a dar coisa alguma. Querem provas da verdade; contudo, não abandonam as cavernas mentais em que vivem usualmente, nem mesmo para vê-las. Querem demonstrações espirituais, agarrados, à maneira de vermes, aos fenômenos materiais. Os infelizes não percebem que se emparedaram no desconhecimento da vida, ou no egoísmo, que, lhe agrava os instintos perversos. E tocam a rir nos caminhos do mundo, copiando os histriões da irresponsabilidade e da indiferença. Zombam de todas as reflexões sérias, mofam de todos os ideais do bem e da luz... Movimentam nobres patrimônios intelectuais, no esforço de destruir e, por vezes, conseguem cavar fundo abismo onde se encontram.

Os aprendizes sinceros do Evangelho devem, todavia, saber que semelhantes desviados andarão na Terra, segundo as próprias concupiscências. São folhas conscientes do mal que só a Misericórdia Divina poderá transformar, ao sublime sopro de suas renovações. É preciso não perder tempo com essa classe de perturbadores renitentes, nas atividades do bem. São expoentes do escárnio, condenados a receber as consequências dele. Por si mesmos, já são bastante desventurados.

Se, algum dia, cruzaram-te o caminho, suporta-os com paciência e entrega-os a Deus."

Extraído do livro "Segue-me", de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito EmmanuelCasa Editora O ClarimMatão/SP, p. 7/8.
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

SINAL DE AMOR

"E saíram os fariseus e começaram a disputar com ele, pedindo-lhe, para o tentarem, um sinal do céu."
(João, 8:11).

No Espiritismo cristão, de quando a quando aparecem aprendizes do Evangelho, sumamente interessados em atender a certas solicitações, no capítulo dos fenômenos psíquicos.

Buscam sinais tangíveis, incontestáveis. Mas, na maioria das vezes, o movimento não passa de repetição do gesto dos fariseus antigos. Médiuns e companheiros outros não se precatam de que os pedidos de demonstrações do céu são formulados por tentação. Há İlações lógicas no assunto, que cabe não desprezar.

Se um espírito permanece encarnado na Terra, como poderá fornecer sinais de Júpiter? Se as solicitações dessa natureza endereçadas ao próprio Cristo foram consideradas como gênero de tentação ao Mestre, pelo Evangelho, com que direito poderão impô-las os discípulos novos aos seus amigos do invisível? Ao contrário disto, os aprendizes fieis devem estar preparados ao fornecimento de demonstrações da Terra. É justo que o cristão não possa proteger uma tela mágica sobre as nuvens errantes, mas pode revelar como exerce o ministério da fraternidade no mundo. Nunca desdobrará a paisagem total onde se movimentam os seres invisíveis, mas está habilitado a prestar colaboração no esclarecimento dos homens do porvir.

Quem solicite sinais do céu pode ser ignorante e portador de má fé; entretanto, os que tentem satisfazê-los andam muito distraídos do que aprenderam com o Cristo. Se te requisitam demonstrações estranhas, podes replicar, com segurança, que não estás designado à produção de maravilhas e explicar a teu irmão, que permaneces determinado a aprender com o Mestre, a fim de ofereceres à Terra o teu sinal de amor e luz, firme na fé, por não sucumbires às tentações.

Extraído do livro "Segue-me", de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito Emmanuel, Casa Editora O Clarim, Matão/SP, p. 3/4.
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quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

SEJA AQUILO QUE ESPERA DOS DEMAIS

"Se você quiser ser amado, comece por amar seus semelhantes que precisam do seu amor. Se espera que os outros se comportem honestamente com você, comece por ser honesto você próprio. Se deseja que o próximo simpatize com você, apresse-se a mostrar simpatia por ele. Se exige respeito, aprenda a ser respeitoso para com todos, jovens ou velhos. Se quiser uma mostra de paz por parte dos outros, seja pacífico você mesmo. E se quiser que eles sejam religiosos, comece por cultivar pessoalmente a espiritualidade. Seja primeiro aquilo que espera dos demais. Logo notará que eles lhe respondem da mesma maneira.

É fácil exigir que os outros se comportem bem e é igualmente fácil perceber-lhes as faltas; mas é muito difícil agir com propriedade e reconhecer os próprios defeitos. Se você se lembrar de agir com acerto, os outros tentarão seguir seu exemplo. Se puder detectar suas próprias imperfeições sem desenvolver um complexo de inferioridade, e fizer esforço constante para emendar-se, estará empregando seu tempo de maneira mais proveitosa do que se teimasse em exigir que os semelhantes melhorem. O bom exemplo faz mais para modificar os outros do que exigências, raiva ou palavras.

Quanto mais você melhorar, mais melhorará os que estão à sua volta e mais feliz você mesmo será. E quanto mais feliz for, mais eles o serão.

Pessoas passivas são infelizes. Pessoas muito ignorantes não sabem bem o que é ser feliz ou infeliz. É melhor lamentar a própria ignorância do que morrer satisfeito com ela. Onde quer que você esteja, permaneça vivo e desperto em pensamento, percepção e intuição sempre pronto a apreciar uma boa conduta e a ignorar um mau comportamento. Sua maior felicidade reside na disposição constante para aprender e cultivar atitudes exemplares."

Paramhansa Yogananda, Como Ser Feliz o Tempo Todo, Ed. Pensamento-Cultrix Ltda., São Paulo, SP, 2012, p. 51/52.
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quinta-feira, 25 de setembro de 2025

FAÇA DE DEUS A ESTRELA POLAR DE SUA VIDA

"Faça de Deus o Pastor de sua alma. Faça Dele o seu Farol quando atravessar os caminhos sombrios da vida. Ele é a sua Lua na noite da ignorância, o Sol nas horas de vigília. É a sua Estrela Polar nos mares escuros da existência mortal. Busque a orientação Dele. O mundo continuará assim, cheio de altos e baixos. Onde encontrar um senso de direção? Não nos preconceitos criados em nós pelos hábitos e pelas influências ambientais da família, do país ou do mundo, mas na voz orientadora da Verdade interior.

Penso apenas em Deus, em todos os momentos. Coloquei meu coração no abrigo do Senhor; pus meu espírito a Seu encargo. Depositei meu amor e devoção a Seus pés de Eternidade. Confie primeiro em Deus e depois, por meio da divina orientação interna, confie nos que manifestam a luz Dele. É essa Luz que me guia. Essa Luz é meu amor, minha sabedoria. E Ele me conta como Sua virtude está vencendo e sempre vencerá."

Paramahansa Yogananda, O Romance com Deus, Self-Realization Fellowship, p. 244/245.
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terça-feira, 2 de setembro de 2025

CHORADEIRA E DOR (MORTE)

"Choradeira e dor. Eliminadas estas errôneas concepções preliminares a respeito da morte, e conhecidos os fatos reais inerentes a ela, logo se verifica quão insensata e indesejável é a choradeira que geralmente a envolve. Todos os grotescos e pesados lutos, variáveis como o figurino da moda, não são apenas os concomitantes de um absurdo anacronismo, mas um ignóbil legado das superstições medievais, e com o exagerado pesar que tão infantilmente visam tipificar, constituem um erro fatal, nascido da mais grosseira ignorância e incredulidade. Se um cristão crê firmemente que seu amado morto está gozando da presença de Deus, não deveria vestir-se de luto, e sim, de gala, como faz o verdadeiro teósofo, consciente de que o morto passou para uma vida superior e mais feliz no plano astral, e está a caminho de outra ainda mais gloriosa no mundo celeste.

Todavia, não apenas o pesar inconsiderado pela morte de um parente é filho da ignorância e acumula grandes e desnecessários sofrimentos, mas, também, os bruscos arrebatos de dor e as contínuas lamentações que deles derivam, em vez de favorecerem, prejudicam o falecido por quem sentimos tão grande afeto. Porque, quando pacífica e naturalmente mergulha na inconsciência que precede o seu despertar na glória do mundo celeste, o tiram violentamente de seu ditoso sono os lamentos e aflições dos que deixou na terra, e que lhe representam uma lúcida recordação da vida que acaba de passar, com as correspondentes vibrações em seu corpo astral, cujo efeito nocivo é deprimi-lo e retardar notavelmente seu progresso espiritual. Esta falta de resignação por parte dos sobreviventes é um dos maiores obstáculos em que tropeçam os auxiliares invisíveis, podendo mesmo inutilizar longas horas de paciente trabalho neste sentido. Mesmo os mortos percebem, às vezes, o prejuízo que lhes causa a aflição de seus parentes ignorantes, embora bem intencionados, segundo se pode deduzir de algumas lendas tradicionais entre os aldeães da Bretanha.

Nem de leve se deve inferir disto que os ocultistas tenham predileção pelos parentes ou amigos aos quais mais amaram, ou que a sua doutrina lhes ordene esquecerem os mortos. Ao contrário, a recordação deve ser de tal forma que os auxilie em seus prejuízos e que os egoístas e inúteis lamentos sejam substituídos por ardentes e amorosos desejos, segundo o que já aconselhamos. O sobrevivente deve erguer seu pensamento ao alto, e esquecer-se de si mesmo e da ilusão da perda aparentemente sofrida, a fim de melhorar a situação do falecido.

Outra ideia muito generalizada sobre a morte, é a de que forçosamente há de implicar dor; e concorrem para aumentar este erro grotescos relatos de mortes desastrosamente angustiosas. No entanto, não se deve levar em conta estas tradições provindas de erros ainda subsistentes, porque os horríveis estertores da agonia são quase sempre os últimos movimentos do corpo físico quando o Ego já está fora dele. Na maioria dos casos, efetua-se a passagem sem dor alguma, embora a enfermidade tenha sido longa e penosa. Prova-o a serena expressão do rosto do morto, além do direto testemunho dos que foram interrogados sobre este particular, imediatamente depois de morrerem, quando ainda eram recentes em sua memória as circunstâncias da morte."

C. W. Leadbeater, O Que Há Além da Morte, Ed. Pensamento, São Paulo, SP, p. 37/38.
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quinta-feira, 5 de junho de 2025

EM DEUS ACABAM AS ILUSÕES

"Acabe com o mundo agora mediante a comunhão com Deus. Não profane o templo da alma com desejos instáveis e com turbulentos prazeres mundanos. Permaneça imaculado à luz da consciência e à luz do amor por Deus. Alcance esse estado agora. Então, talvez durante uma guerra nesta era elétrica, quiçá na era mental ou na era da verdade, você volte como um Cristo para dar paz à Terra e dizer à humanidade: 'Aprendi as lições que Deus queria que eu aprendesse. Dificuldades, doenças e morte não significam nada para mim. Estou unido à Luz Eterna. O mundo terminou para mim. Venham, irmãos que ainda sofrem do pesadelo deste mundo de vida e morte e de infinitas rodadas de encarnações - venham comigo! Eu mostrarei que o fim do mundo significa o fim das ilusões da Terra. Aprendam esta lição, para que sua alma possa brilhar para sempre uma estrela eterna no regaço do excelso Senhor.'

Lembre-se: você está aqui na Terra por um curto período de tempo, mas é filho de Deus pela eternidade. Não se alie às forças da ignorância, busque primeiro conhecer a Deus. O que Ele lhe disser para fazer estará certo, seja lutando pelo seu país, seja como homem de negócios, artista ou instrutor espiritual. Quando você realmente O conhecer, será corretamente orientado na vida. É por isso que as Escrituras dizem: 'Buscai primeiro o reino de Deus...'

Se você conseguir viver pelo menos algumas das verdades que transmiti, será uma pessoa diferente. Conhecerá a Deus se seguir os ensinamentos da Self-Realization. Quando estou com você, não quero lhe dar apenas uma satisfação intelectual sobre a verdade; quero que perceba Deus por si próprio. Eu lhe expliquei como acabar com suas imperfeições para que você possa ir além - até Ele."

Paramahansa Yogananda, O Romance com Deus, Self-Realization Fellowship, p. 72/73.
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terça-feira, 18 de março de 2025

FILHO ÚNICO DE DEUS

"A Bíblia", objetou um recém-chegado, quando da pregação de Paramhansa Yogananda, 'nos diz que Jesus é o único Filho de Deus. Assim sendo, como você pode falar de outros mestres como sendo semelhantes a Ele?'

Respondeu o Mestre: 'Quando os judeus acusaram Jesus de blasfêmia por Ele dizer 'Eu e meu Pai somos um só', Ele lhes respondeu, Não dizem as vossas Escrituras que sois deuses?'*

'Os seguidores de cada religião gostam de afirmar o caráter único das suas crenças. A afirmação deles, contudo, deriva das interpretações equívocas e da ignorância dos homens. Todos gostam de afirmar que aquilo que possuem é, também, o melhor!

'Jesus, como todos os grandes mestres, falou a partir de dois níveis de identidade: o nível humano e o nível divino. Como ser humano, Ele pôde gritar na cruz, 'Pai, por que me abandonastes?'; entretanto, no seu Eu superior infinito, divino, disse acertadamente que Ele era o único Filho de Deus. Pois nessa consciência Ele estava identificado com a Consciência de Cristo, que é o único reflexo de Deus em toda a criação, o Pai além da criação.

'A Consciência de Cristo não é um homem com barba e com uma longa túnica branca a cair graciosa pelo corpo! Quando Jesus usava o pronome 'Eu', falando a partir desse amplo estado de consciência, ele estava se referindo ao Eu superior infinito de todos os seres, não seu frágil corpo humano.

'A Consciência de Cristo está por trás de todo o Universo criado. Quem quer que afaste a sua consciência da ligação com o ego e a associe ao Infinito pode, com todo o direito, dizer em companhia de Jesus: 'Eu sou o Filho de Deus.'

'Além disso, pode dizer: 'Eu e o meu Pai somos um', exatamente como disse Jesus, visto que o Filho e o Pai são aspectos da mesma realidade.

'Nesse estado, a sua consciência do 'Eu' não é mais limitada pelo humano. A onda voltou ao vasto oceano de que proveio, e nele se fundiu. Ela se tornou o oceano.'"

*João 10:34.50

Paramhansa Yogananda, A Essência da Autorrealização, Ed. Cultrix-Pensamento, São Paulo, SP, p. 49/50..
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quinta-feira, 9 de maio de 2024

ESPÍRITO E MATÉRIA

"O espiritual está acima e dentro do material. Um não existe sem o outro. O Espírito é uno. A matéria é usada para moldar as inumeráveis formas do nosso mundo. O espírito precisa da matéria para se expressar.

O mundo físico é o mais denso de todos os sete planos de manifestação. Por isso há dificuldade de o espírito se manifestar com plenitude. A não ser que sejamos clarividentes, não teremos condições de enxergar os níveis mais etéreos que nos envolvem. Estes, porém, são muito mais ricos e diversificados do que podemos imaginar. Aqueles que podem ver além dos sentidos nos asseguram isso. A literatura mundial dos povos confirma esta assertiva. Muitos acreditam, outros tantos duvidam, alguns pouco têm certeza. 

Como perceber a influência espiritual em nossa vida? Como entender que o invisível rege o visível?

Há vários graus de sensibilidade. Existem indivíduos que desde cedo se comunicam com esferas que fogem do alcance comum. Se a família é esclarecida, dará crédito a essa criança e a apoiará, buscando orientação adequada. Não é fácil. Não é simples.

Vivemos cercados de desconhecimento e a ignorância faz sofrer. 

Como nos conectarmos com o mais sutil em nós? Algumas recomendações de sábios sugerem um pouco de silêncio, meditação, leitura, conversas, palestras, contato com a natureza... Cada um tem seu próprio caminho, e o que é bom para um pode não ser bom para o outro.

Mas resposta existem, se quisermos buscar, se já estamos cansados e queremos mudar.

Vamos!" 

Fernando Mansur, O Catador de Histórias, Ed. Teosófica, Brasília, 2018, p. 62.
Imagem: Pinterest. 
  

terça-feira, 2 de abril de 2024

SE O SER HUMANO NÃO DUVIDASSE, NÃO PROGREDIRIA

"A predominância da matéria perante nossos olhos, na forma de objetos e seres, impede que percebamos completamente a verdade. Mas é quando duvidamos da primazia da matéria que a existência de Deus se estabelece. Se a matéria, que é um conglomerado de átomos, é tudo o que existe, então como essas partículas invisíveis formaram um parlamento que criou e governa um universo organizado? É impossível que átomos inanimados viessem a se reunir para produzir seres inteligentes. Então a aceitação de Deus, uma Consciência Inteligente como criadora do mundo, foi estabelecida a partir do materialismo aplicando-se o elemento construtivo e progressivo da dúvida. Este elemento construtivo é a corrente científica do pensamento usada no questionamento para descobrir a verdade. Sem isso, se meramente aceitássemos as coisas como parecem ser, os seres humanos seriam como animais. Algumas civilizações antigas acreditavam que o Sol, a Lua e as estrelas eram divindades que governavam a vida. Pelo processo da dúvida o ser humano ultrapassou esse conceito. Por meio do questionamento construtivo, esse tipo de crença foi considerado falho. Se o ser humano não pudesse duvidar, não poderia progredir; o mundo estaria atolado na ignorância. Se não questionassemos, não conseguiríamos diferenciar da verdade a teoria ou os argumentos falaciosos. É pois correto aplicar as leis da razão. 

A dúvida decide uma hipótese. Os cientistas pegam um teorema e o investigam juntamente com a Sra. Dúvida, a examinadora sempre presente. Nada é tido como certo. A proposta é levada a uma conclusão, para ver se funciona ou não. Se não funcionar, é posta de lado ou reestruturada. Se os cientistas ficassem satisfeitos com o status quo do conhecimento, não haveria adiantamento na civilização. Há uma grande lição aqui.

No que diz respeito à religião, os cientistas deveriam empregar, no elemento construtivo da dúvida, a mesma abertura como que realizam as pesquisas científicas. Por um tempo longo demais a ciência se fechou no elemento destrutivo da dúvida, desprezando a religião como dogma supersticioso. Se o objetivo dos operários da construção civil fosse apenas demolir todos os prédios defeituosos, e não reconstruí-los nem substituí-los com estrutura aperfeiçoada, seria um desastre. O mesmo ocorre com os que querem dispensar a moralidade e a religião, não deixando nenhuma estrutura para abrigar os princípios divinos que podem se provar essenciais ao bem-estar e à felicidade da existência humana. É claro que até o elemento destrutivo da dúvida pode ser necessário para nos livrar de erros há muito sustentados; mas o processo será prejudicial para a humanidade se também obliterar a verdade."... (continua)

Paramahansa Yogananda, Jornada para a Autorrealização, Self-Realization Fellowship, p. 303/304.
Imagem: Perintest.

terça-feira, 5 de março de 2024

A VIDA É MAIS DO QUE APENAS EXISTIR

"Deus não criou a Terra como um lugar só para comer, dormir e morrer, mas para descobrir o propósito Dele. Algumas pessoas sábias captaram o plano divino, mas muitas outras estão cegas e não enxergam. A Terra é uma câmara de torturas para os que vivem na ignorância do plano divino. Mas quando você usa as experiências da vida como seu instrutor e com elas aprende a verdadeira natureza do mundo e o seu papel nele, as experiências passam a ser guias valiosos para uma eternidade de felicidade e plenitude. 

O Senhor fez a ilusão muito forte! Vivemos num manicômio. Você acha que o dinheiro traz felicidade, mas quando o obtém descobre que ainda não é feliz. Você pode ter dinheiro e perder a saúde ou ter boa saúde e perder o dinheiro; ou pode ter saúde e dinheiro mas inúmeros problemas com as pessoas. Você faz o bem aos outros e eles retribuem com ódio. Sem Deus, nada o satisfará neste mundo. E é interessante que Deus tente nos afastar Dele com atrações materiais - Ele quer saber se queremos o Doador, e não só Suas dádivas. 

Se Deus nos quisesse só na consciência mundana, estaríamos sempre plenamente satisfeitos com os caminhos e objetos do mundo. Você já observou um rebanho de ovelhas? Uma ovelha pula à cerca e todas as outras vão atrás. A maioria das pessoas é assim. Alguém começa uma moda ou estabelece um padrão de ação e todos os outros vão atrás. Tem sido assim século após século. Cada país tem seus costumes e não se pode dizer que sejam perfeitos. Mas quem tem autoridade para ridicularizar determinado tipo de vida ou costume? Um modo de avaliar é lembrar que no início todos os costumes tinham uma razão de ser. Se vemos que a razão ainda se aplica, significa que o costume serve a um propósito útil; mas é tolice seguir alguma coisa cegamente, apenas por seguir. Temos que descobrir onde está a verdade e em que consiste a verdadeira felicidade, e seguir isso." 

Paramahansa Yogananda, Jornada para a Autorrealização, Self-Realization Fellowship, p. 272/273.
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terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

EGOÍSMO

"EGOÍSMO, primogênito da Ignorância e fruto do ensinamento que afirma que para cada recém-nascido é 'criada' uma alma nova, separada e distinta da Alma do Universo - este Egoísmo é o muro intransponível entre o Eu pessoal e a Verdade. É a mãe prolífica de todos os vícios humanos, a Mentira que nasce da necessidade de simular, e a Hipocrisia do desejo de mascarar a Mentira. É o fungo que cresce e se fortalece com o tempo no coração de cada ser humano, do qual devorou todos os melhores sentimentos. O egoísmo mata todo impulso nobre em nossa natureza, e é a deidade única que não teme a deslealdade nem a deserção de seus devotos. Daí, vemos ele reinar supremo no mundo e na assim chamada sociedade elegante. Como resultado, vivemos. nos movemos e levamos nossa existência nessa deusa das sombras, sob seu trinitário aspecto da Hipocrisia, Fraude e Falsidade, chamada RESPEITABILIDADE."

É isto Verdade e Fato ou calúnia? Volte-se para onde quer que seja e verá, do alto até a parte mais baixa da escala social, engano e hipocrisia em funcionamento para o bem do querido Eu, em todas as nações, bem como em todo indivíduo. Mas as nações decidiram, por tácito acordo, que motivos egoístas na política devem ser chamados de 'nobres aspirações nacionais, patriotismo', etc.; e o cidadão vê isso em seu círculo familiar como 'virtude doméstica'. Não obstante, o Egoísmo, seja quando ele desperta desejo por engrandecimento de território ou competição no comércio às expensas do semelhante, jamais pode ser considerado uma virtude. (...)"

Coletânea de Textos de Helena Petrovna Blavatsky, Volume I, Ed. Teosófica, Brasília, 2022, p. 25/26.
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terça-feira, 18 de outubro de 2022

DISCIPULADO

"O discipulado é uma intensificação dos testes do
período probatório. Cada qualidade do discípulo, seja favorável ou adversa, é ativada pelo relacionamento mais íntimo com o Mestre. Se por um lado isso aumenta o poder do discípulo para o bem, por outro também aumenta suas dificuldades pessoais. Um depois do outro, seus erros e fraquezas tornam-se manifestos e são aparentemente ampliados. Esse processo inevitavelmente aumenta as dificuldades da vida pessoal do discípulo e, algumas vezes, levam-no quase ao desespero. Falhas e erros, fraquezas e mesmo vícios dos quais ele se acreditava incapaz mostram-se nele, causando-lhe considerável autodepreciação e dor. Porém, ele não deve desesperar, pois sua vida interior torna-se cada vez mais rica e bela. Seu poder Egóico¹ aumenta regularmente sob a influência de seu Mestre, e com sua ajuda ele é capacitado a superar tudo. Suas fraquezas, tanto as ativas como as latentes, devem se tornar absolutamente claras para que ele as conheça e para que possa eliminá-las de sua natureza.

A ignorância de fraquezas e limitações é uma das grandes barreiras para o desenvolvimento oculto e espiritual. O discípulo deve se conhecer inteiramente, ser modesto e humilde a respeito de suas capacidades e ter os olhos abertos no que tange suas limitações. O discípulo deve ser sábio a seu respeito. Deve depender de si mesmo, não procurando ajuda externa, na verdade, deve tornar-se seu próprio guru. 

O Mestre deve ser considerado como presidindo com interesse cuidadoso e afetuoso o processo alquímico de transmutação de tudo o que for grosseiro no discípulo, no ouro genuíno da pureza e espiritualidade. O Mestre guia o discípulo tanto quanto possível por meio de sua intuição, que dessa forma é desenvolvida, mas a própria vida é seu verdadeiro professor. O discípulo deve aprender a interpretar suas experiências de vida, para aprender com elas e assim tornar-se sábio. Se ele conseguir entender isso, cada experiência, pequena ou grande, pode ajudar no desenvolvimento da sabedoria. Tarefas importantes, contatos com pessoas influentes, podem se tornar extremamente iluminadoras. Tarefas e encontros menores do dia a dia, relacionamentos humanos comuns, podem ser igualmente instrutivos. Portanto, o discípulo deveria estudar a vida, observar atentamente a vida, observar suas próprias reações e respostas a cada incidente, pequeno ou grande, pois dessa forma ele pode aprender e crescer.

Em especial, o discípulo deve prestar atenção ás pequenas coisas, sua aparência pessoal, conduta, seu comportamento com os outros e, quando sozinho, a abertura de uma porta, entrar numa casa ou num quarto, suas maneiras, a forma de falar, contato com animais, empregados, com os atendentes nas lojas, crianças, amigos, tudo isso deve trazer a marca do discipulado; isto é, da impessoalidade, autocontrole, requinte, pureza, dignidade e espiritualidade, pois essas coisas devem ser as qualidades do caráter de um discípulo."

¹ Poder da natureza divina tríplice do homem.

(Luz do Santuário, O Diário Oculto de Geoffrey Hodson. Compilado por Sandra Hodson e Traduzido por Raul Branco - p. 49/50)
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quinta-feira, 23 de junho de 2022

AFORISMOS SAGRADOS (PARTE FINAL)

"4. Evitar todo o mal, procurar o bem, conservar a mente 
pura: eis a essência do ensinamento de Buda.

A tolerância é a mais difícil das disciplinas, mas a vitória final é para aquele que tudo tolera.

Deve-se remover o rancor quando se está sentindo rancoroso; deve-se afastar a tristeza enquanto se está no meio da tristeza. Deve-se remover a cobiça enquanto se está nela infiltrado. Para se viver uma vida pura e altruística, não se deve considerar nada como seu, no meio da abundância.

Ser de boa saúde é um grande privilégio. Estar contente com o que se tem vale mais do que a posse de uma grande riqueza. Ser considerado como de confiança é a maior demonstração de afeto. Alcançar a Iluminação é a maior felicidade.

Estaremos libertos do medo quando alimentarmos o sentimento de desprezo pelo mal, quando nos sentirmos tranquilos, quando sentirmos prazer em ouvir bons ensinamentos e quando, tendo estes sentimentos, nós os apreciarmos.

Não se apeguem às coisas de que gostam nem tenham aversão às coisas de que desgostam, pois a tristeza, o medo e a servidão surgem do gostar ou desgostar.

5. A ferrugem corrói o ferro e o destrói, assim como o mal corrói a mente de um homem, destruindo-o.

Uma escritura que não é lida com sinceridade, logo estará coberta de poeira; uma casa que não é reformada, quando necessita de reparos, torna-se imunda e assim, um homem indolente logo se torna corrupto.

Os atos impuros corrompem uma mulher pois a mesquinhez macula a caridade. Os maus atos poluem não só esta vida, mas também as vidas seguintes.

Mas a mácula que deve ser temida é a mácula da ignorância. Um homem não pode esperar purificar o corpo ou a mente, sem que antes seja removida a ignorância.

É muito fácil mergulhar na imprudência, ser atrevido e impertinente como um corvo, magoar os outros sem sentir nenhum remorso pela ação cometida.

Contudo, é muito difícil sentir-se humilde, saber respeitar e honrar, livrar-se de todos os apegos, manter o pensamento puro e tornar-se sábio.

É fácil apontar os erros alheio, mas é difícil admitir os próprios erros. Um homem divulga os erros dos outros sem pensar, entretanto, oculta os seus próprios erros, como um jogador esconde falsos dados.

O céu não guarda vestígio do pássaro, da fumaça ou da tempestade, tal como um mau ensinamento não conduz à Iluminação. Nada neste mundo é estável, mas a mente iluminada é imperturbável.

6. Assim como um cavaleiro guarda o portão de seu castelo, devemos proteger a mente dos perigos externos e internos e não se deve negligenciá-la nem por um momento sequer.

Cada um é o senhor de si mesmo, deve depender de si próprio, devendo, portanto, controlar-se a si próprio.

O primeiro passo para se livrar dos vínculos e grilhões dos desejos mundanos é controlar a própria mente, é cessar as conversas vazias e meditar.

O sol faz brilhante o dia, a lua embeleza a noite, a disciplina aumenta a dignidade de um soldado e a tranquila meditação distingue aquele que busca a Iluminação.

Aquele que é incapaz de vigiar seus cinco sentidos – olhos, ouvidos, nariz, língua e o corpo – e fica tentado por seu ambiente, não é aquele que se prepara para a Iluminação. Aquele que vigia firmemente as portas de seus cinco sentidos e conserva a mente sob controle, este sim, é aquele que pode alcançar êxito na busca da Iluminação.

7. Aquele que se influência pelo gostar e desgostar não pode compreender corretamente o seu ambiente e tende a ser por ele vencido. Aquele que está livre de todo o apego compreende corretamente o seu ambiente e, para ele, tudo se torna novidade e significativo.

A felicidade segue a tristeza, a tristeza segue a felicidade, mas quando alguém não mais discrimina a felicidade da tristeza, a boa ação da má ação, então poderá compreender o que é a liberdade.

O aborrecer-se com antecipação ou alimentar tristezas pelo passado apenas consomem a pessoa, são como o junco que fenece ao ser cortado.

O segredo da saúde da mente e do corpo está em não lamentar o passado, em não se afligir com o futuro e em não antecipar preocupações, mas está no viver sábia e seriamente o presente momento.

Não viva no passado, não sonhe com o futuro, concentre a mente no momento presente.

Vale a pena cumprir bem e sem erros o dever diário. Não procure evitá-lo ou adia-lo para amanhã. Fazendo logo o que hoje deve ser feito, poderá viver um bom dia.

A sabedoria é o melhor guia e a fé, a melhor companheira. Deve-se, pois, fugir das trevas da ignorância e do sofrimento, deve-se procurar a luz da Iluminação.

Se um homem tiver o corpo e a mente sob controle, ele dará evidências disso com suas boas ações. Este é um sagrado dever. A fé será a sua riqueza, a sinceridade dará um doce sabor à sua vida e acumular virtudes será a sua sagrada tarefa.

Na jornada da vida, a fé é o alimento, as ações virtuosas são o abrigo, a sabedoria é a luz do dia e a correta atenção é a proteção da noite. Se um homem tiver uma vida pura, nada poderá destruí-lo e, se tiver dominado a cobiça, nada poderá limitar sua liberdade.

Deve-se esquecer de si próprio pela família; deve-se esquecer da família por sua aldeia; deve-se esquecer da própria aldeia pela nação; e deve-se esquecer de tudo em prol da Iluminação.

Tudo é mutável, tudo aparece e desaparece. Só poderá haver a bem-aventurada paz quando se puder escapar da agonia da vida e da morte."

(A Doutrina de Buda -  Bukkyo Dendo Kyokai (Fundação para propagação do Budismo), 3ª edição revista, 1982 - p. 186/191)
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terça-feira, 21 de junho de 2022

AFORISMOS SAGRADOS (1ª PARTE)

"1. “Ele me insultou, zombou de mim, ele me bateu.” Assim alguém poderá pensar, e, enquanto nutrir pensamentos dessa espécie, sua ira continuará. 

O ódio nunca desaparece, enquanto pensamentos de mágoa forem alimentados na mente. Ele desaparecerá tão logo esses pensamentos de mágoa forem esquecidos. 

Se o telhado for mal construído ou estiver em mau estado, a chuva entrará na casa; assim, a cobiça facilmente entra na mente, se ela é mal treinada ou fora de controle. 

A indolência nos conduz pelo breve caminho para a morte e a diligência nos leva pela longa estrada da vida; os tolos são indolentes e os sábios são diligentes. 

Um fabricante de flechas tenta fazê-las retas, da mesma forma um sábio tenta manter correta a sua mente.

Uma mente perturbada está sempre ativa, saltitando daqui para lá, sendo difícil de controlar; mas a mente disciplinada é tranquila; portanto, é bom ter sempre a mente sob controle. 

É a própria mente de um homem que o atrai aos maus caminhos e não os seus inimigos.  

Aquele que protege sua mente da cobiça, ira e da insensatez, desfruta da verdadeira e duradoura paz.

2. Proferir palavras agradáveis, sem a prática das boas ações, é como uma linda flor sem fragrância. 

A fragrância de uma flor não flutua contra o vento; mas a honra de um bom homem transparece mesmo na adversidade do mundo. 

Uma noite parece longa para um insone e uma jornada parece longa a um exausto viajante e da mesma forma, o tempo de ilusão e sofrimento parece longo a um homem que não conhece o correto ensinamento. 

Numa viagem, um homem deve andar com um companheiro que tenha a mente igual ou superior à sua; é melhor viajar sozinho do que em companhia de um tolo. 

Um amigo mentiroso e mau é mais temível que um animal selvagem, pois o último pode ferir-lhe o corpo, mas o mau amigo lhe ferirá a mente. 

Desde que um homem não controle sua própria mente, como pode ter satisfação em pensar coisas como 'Este é meu filho' ou 'Este é o meu tesouro', se elas não lhe pertencem? Um tolo sofre com tais pensamentos. 

Ser tolo e reconhecer que o é vale mais que ser tolo e imaginar que é um sábio.

Uma colher não pode provar o alimento que carrega. Assim, um tolo não pode entender a sabedoria de um sábio, mesmo que a ele se associe. 

O leite fresco demora em coalhar e desta mesma forma, os maus atos nem sempre trazem resultados imediatos. Estes atos são como brasas ocultas nas cinzas e que, latentes, continuam a arder até causar grandes labaredas. 

Um homem será tolo se alimentar desejos pelos privilégios, promoção, lucros ou pela honra, pois tais desejos nunca trazem felicidade, pelo contrário, apenas trazem sofrimentos. 

Um bom amigo que nos aponta os erros e as imperfeições e reprova o mal, deve ser respeitado como se nos tivesse revelado o segredo de um oculto tesouro. 

3. Um homem que se regozija ao receber boa instrução poderá dormir tranquilamente, pois terá a mente purificada com estes bons ensinamentos. 

Um carpinteiro procura fazer reta a viga; um fabricante de flechas procura faze-las bem balanceadas; um construtor de canais de irrigação procura faze-los de maneira que a água corra suavemente; assim, um sábio procura controlar a mente, de modo que funcione suave e verdadeiramente. 

Um rochedo não é abalado pelo vento do mesmo modo que a mente de um sábio não é perturbada pela honra ou pelo abuso. 

Dominar-se a si próprio é uma vitória maior do que vencer a milhares em uma batalha. 

Viver apenas um dia e ouvir um bom ensinamento são melhores do que viver um século, sem conhecer tal ensinamento. 

Aqueles que se respeitam e se amam a si mesmos devem estar sempre alerta, a fim de que não sejam vencidos pelos maus desejos. Pelo menos uma vez na vida, devem despertar a fé, quer durante a juventude, quer na maturidade, quer durante a velhice. 

O mundo está sempre ardendo, ardendo com os fogos da cobiça, da ira e da ignorância. Deve-se fugir de tais perigos o mais depressa possível. 

O mundo é como a espuma de uma fermentação, é como uma teia de aranha, é como a contaminação num jarro imundo e por isso deve-se proteger constantemente a pureza da mente." ... continua

(A Doutrina de Buda -  Bukkyo Dendo Kyokai (Fundação para propagação do Budismo), 3ª edição revista, 1982 - p. 183/186)
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quinta-feira, 14 de abril de 2022

O VALOR DO PERDÃO - (2ª PARTE)

"(...) Perdoar é simplesmente uma escolha seletiva de nossas lembranças. Em vez de insistirmos em nos lembrar das coisas negativas do passado, escolhemos nos lembrar dos momentos alegres com a pessoa que queremos perdoar e então especemos o resto. O perdão radical é o total abandono do passado, em todos os relacionamentos pessoais e dramas coletivos. 

Na perspectiva do amor, perdoar é a disposição de abrir mão das mágoas e sentimentos de culpa do passado. É a decisão de não sofrer mais e curar o coração e o espírito. É a escolha de não dar mais valor à raiva e ao ódio. E é também a renúncia ao desejo de magoar os outros e a nós mesmos por algo que pertence ao passado.

O perdão não é uma complacência com o erro. Ao perdoar o outro, você não está de modo algum concordando com o comportamento daquele que o faz sofrer, ou aceitando suas agressões ou ofensas. Ao perdoar, você deve aprender a separar consequência, de culpa ou ressentimento. Não podemos evitar a consequência objetiva dos atos cometidos no passado. Mas não devemos permitir que a culpa ou o ressentimento nos prendam em suas garras. 

Com relação ao perdão, QUERER é a palavra chave. Decida que não quer mais sofrer. Perdoe-se e perdoe o outro. Ao invés de querer castigar o outro, assuma a busca da paz interior como sua meta. O homem do mundo age em conformidade com sua tradição (que julga ser a sabedoria), em contraste com a sabedoria superior. A sabedoria superior tolera; a tradição julga; a sabedoria alivia; a tradição culpa; a sabedoria perdoa; a tradição condena.

Jung nos ensinou que a imaginação criativa, que os budistas chamam de imaginação correta, é um poderoso instrumento de mudança interior. Imagine sua vida sem medo de expressar seus sonhos. Você sabe o que quer, o que não quer e quando quer. Está livre para alterar sua vida da forma que sempre desejou. Continue o exercício imaginando que você tem permissão para ser feliz e aproveitar a sua vida. Para concluir, imagine que ama a si mesmo do jeito que você é.

O próximo passo demanda disciplina. Para moldarmos uma realidade feliz, temos que nos empenhar a cada momento, em não nos permitir ser limitados e encarcerados no medo do passado, nas ansiedades sobre o futuro e pelas 'verdades' questionáveis que assimilamos de nossos pais e da nossa cultura. 

Perdoar equivale a descartar o lixo psicológico da mesma forma que fazemos com o lixo orgânico depois das refeições. Todo lixo acumulado deixa um cheiro ruim no ambiente. O lixo psicológico é uma clara indicação de que há algo podre em nossos sentimentos que, por ignorância, insistimos em guardar no nosso coração." ...continua.  

(Raul Branco - A Essência da Vida Espiritual - Ed. Teosófica, Brasília, 2018 - p. 85/87)
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