OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


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quinta-feira, 25 de junho de 2026

JESUS E PERDÃO

"Ensinando o amor para com os inimigos vejamos como procedia Jesus, diante daqueles que lhe hostilizavam a causa e lhe feriam o coração. 

Em circunstância alguma vemo-lo a derramar-se, louvaminheiro, encorajando os que se mantinham no erro deliberado, mas sim renovando sempre o processo de auxiliar com esquecimento de toda injúria. 

Diante da turba que O preferia a Barrabás, o delinquente confesso, não se entrega ao elogio da multidão, mas guarda dignidade e silêncio, tolerando-lhe a afronta. 

Perante Pilatos, o juiz inseguro, não lhe beija as mãos lavadas, mas sim, pela conduta de vítima irreprochável, lhe devolve o espírito inconsequente à noção de responsabilidade própria. 

Em plena rua, cambaleante sob o lenho do suplício, não se volta para sorrir aos ingratos que lhe cospem no rosto, mas ora por todos eles, confiando-os ao tempo que é o julgador invisível da Humanidade. 

Na cruz não toma a palavra para agradecer a inconstância de Pedro ou a fraqueza de Judas, nem faz voto festivo aos sacerdotes que lhe insultam a Doutrina de Amor, mas a todos contempla, sem mágoa, pedindo perdão para a ignorância de quantos Lhe impunham a humilhação e a morte. 

E olvidando os verdugos e adversários, ei-Lo que torna ao convívio das criaturas, em pleno terceiro dia depois do túmulo em trevas, a fazer ressurgir para a Terra enoitada a radiante mensagem da Luz. 

Desculpar aos que nos ofendem não será comungar-lhes a sombra, mas sim esquecer-lhes os golpes e seguir para a frente, trabalhando e aprendendo, amparando e servindo sempre, na exaltação do bem para que o mundo em nós outros se liberte do mal."

Extraído do livro "Abrigo" de Francisco Cândido Xavier/Emmanuel, p. 16/17.
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terça-feira, 23 de junho de 2026

INIMIGOS OCULTOS

"Mencionamos, com muita frequência, que os inimigos exteriores são os piores expoentes de perturbação que operam em nosso prejuízo. Urge, porém, olhar para dentro de nós, de modo a descobrir que os adversários mais difíceis são aqueles de que não nos podemos afastar facilmente, por se nos alojarem no cerne da própria alma. 

Dentre eles, os mais implacáveis são:

- o egoísmo, que nos tolhe a visão espiritual, impedindo vejamos as necessidades daqueles que mais amamos; 
- o orgulho, que não nos permite acolher a luz do entendimento, arrojando-nos a permanente desequilíbrio; 
- a vaidade, que nos sugere a superestimação do próprio valor, induzindo-nos a desprezar o merecimento dos outros;
- o desânimo, que nos impele aos precipícios da inércia;
- a intemperança mental, que nos situa na indisciplina;
- o medo de sofrer, que nos subtrai as melhores oportunidades de progresso, e tantos outros agentes nocivos que se nos instalam no Espírito, corroendo-nos a energias e depredando-nos a estabilidade mental. 

Para a transformação dos adversários exteriores contamos, geralmente, com o amparo de amigos que nos ajudam a revisar relações, colaborando conosco na constituição de novos caminhos; entretanto, para extirpar os que moram em nós, vale tão-somente o auxílio de DEUS, com o laborioso esforço de nós mesmos. 

Reportando-nos aos inimigos externos, advertiu-nos JESUS que é preciso perdoar as ofensas setenta vezes sete vezes, e decerto que para nos descartarmos dos inimigos internos – todos eles nascidos na trevas da ignorância – prometeu-nos o Senhor: 'conhecereis a verdade e a verdade vos fará livres', o que equivale dizer que só estaremos a salvo de nossas calamidades interiores, através de árduo trabalho na oficina da educação."

Extraído do livro "Alma e Coração", de Francisco Cândido Xavier, Ditado pelo Espírito Emmanuel, p. 7.
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terça-feira, 2 de junho de 2026

O JUIZ REFORMADO

"Como houvesse o Senhor recomendado nas instruções do dia muita cautela no julgar, a conversação em casa de Pedro se desdobrava em derredor do mesmo tema.

- É difícil não criticar - comentava Mateus, com lealdade -, porque, a todo instante, o homem de mediana educação é compelido a emitir pareceres na atividade comum.

- Sim  - concordava André, muito franco -, não é fácil agir com acerto, sem analisar detidamente.

Depois de vários depoimentos, em torno do direito de observar e corrigir, interferiu Jesus sem afetação:

- Inegavelmente, homem algum poderá cumprir o mandato que lhe cabe, no plano divino da vida, sem vigiar no caminho em que se movimenta, sob os princípios da retidão. Todavia, é necessário não inclinar o espírito aos desvarios do sentimento, para não sermos vitimados por nós mesmos. Seremos julgados pela medida que aplicarmos aos outros. O rigor responde ao rigor; a paciência, à paciência; a bondade, à bondade...

E, transcorridos alguns instantes, contou:

- Quando Israel vivia sob o governo dos grandes juízes, existiu um magistrado austero e violento, em destacada cidade do povo escolhido, que imprimiu o terror e a crueldade em todos os serventuários sob a sua orientação. Abusando dos poderes que a Lei lhe conferia, criou ordenações tirânicas para a punição das mínimas faltas. Multiplicou infinitamente o número dos soldados, edificou muitos cárceres e inventou variados instrumentos de flagelação.

O povo, asfixiado por estranhas proibições, devia movimentar-se debaixo de severa fiscalização, qual se fora rebanho de bravios animais. Trabalharia, descansaria e adoraria o Senhor, em horas rigorosamente determinadas pela autoridade, sob pena de sofrer humilhantes castigos, nas prisões, com pesadas multas de toda espécie.

Se bem mandava o juiz, melhor agiam os subordinados, cheios de natural malvadez.

Assim foi que, certa feita, dirigindo-se o magistrado, alta noite, à casa de um filho enfermo, foi aprisionado, sem qualquer consideração, por um grupo de guardas bêbedos e inconscientes que o conduziram à escura enxovia que ele mesmo havia inaugurado, semanas antes. Não lhe valeram a apresentação do nome e as honrosas insígnias de que se revestia. Tomado por temível ladrão, foi manietado, despojado dos bens que trazia e espancado sem piedade, afirmando os sentinelas que assim procediam, obedecendo às instruções do grande juiz, que era ele próprio.

Somente no dia imediato foi desfeito o equívoco, quando o infeliz homem público já havia sofrido a aplicação das penas que a sua autoridade estabelecera para os outros.

O legislador atribulado reconheceu, então, que era perigoso transmitir o poder a subalternos brutalizados e ignorantes, percebendo que a justiça construtiva e santificante é aquela que retifica ajudando e educando, na preparação do Reinado do amor entre os homens.

Desde a singular ocorrência, a cidade adquiriu outro modo de ser, porque o juiz reformado, embora prosseguisse atento às funções que lhe competiam, ergueu, sobre o tribunal, em benefício de todos, o coração de pai compreensivo e amoroso.

Lá fora, brilhavam estrelas, retratadas nas águas serenas do grande lago. Depois de longa pausa, o Mestre concluiu:

- Somente aquele que aprendeu intensamente com a vida, estudando e servindo, suando e chorando para sustentar o bem, entre os espinhos da renúncia e as flores do amor, estará habilitado a exercer a justiça, em nome do Pai."

Extraído do livro "Jesus no Lar", de Chico Xavier, pelo Espírito Neio LúcioFEBBrasília, p. 43/45.
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quinta-feira, 28 de maio de 2026

A LIÇÃO DA ESPADA

"'Não cuideis que vim trazer a paz à terra...' - JESUS. (Mateus, 10:34.) 

'Não vim trazer a paz, mas a espada' - disse-nos o Senhor. 

E muitos aprendizes prevalecem-se da feição literal de Sua palavra, para entender a sombra e a perturbação. 

Valendo-se-lhe do conceito, companheiros inúmeros consagram-se ao azedume no lar, conturbando os próprios familiares, em razão de lhes imporem modos de crer e pontos de vista, vergastando-lhes o entendimento, ao invés de ajudá-los na plantação da fé viva quando não se desmandam em discussões e conflitos, polemizando sem proveito ou acusando indebitamente a todos aqueles que lhes não comunguem a cartilha de violência e de crueldade. 

O mundo, até a época do Cristo, legalizara a prepotência do ódio e da ignorância, mantendo-lhe a terrível dominação, através da espada mortífera da guerra e do cativeiro, em sanguinolentas devastações. 

A realeza do homem era a tirania revestida de ouro, arruinando e oprimindo onde estendesse as garras destruidoras. 

Com Jesus, no entanto, a espada é diferente. 

Voltada para o seio da terra, representa a cruz em que Ele mesmo prestou o testemunho supremo do sacrifício e da morte pelo bem de todos. 

É por isso que seu exemplo não justifica os instintos desenfreados de quantos pretendem ferir ou guerrear em Seu nome. 

A disciplina e a humildade, o amor e a renúncia marcam-lhe as atitudes em todos os passos da senda. 

Flagelado e esquecido, entre o escárnio e a calúnia, o perdão espontâneo flui-lhe, incessante, da alma, para somente retribuir benção por maldição, luz por treva, bem por mal. 

Assim, se recebeste a espada simbólica que o Mestre nos trouxe à vida, lembra-te de que a batalha instituída pela lição do Senhor permanece viva e rija, dentro de nós, a fim de que, ensarilhando sobre o pretérito a espada de nossa antiga insensatez, venhamos a convertê-la na cruz redentora, em que combateremos os inimigos de nossa paz, ocultos em nosso próprio 'eu', em forma de orgulho e intemperança, egoísmo e animalidade, consumindo-se ao preço de nossa própria consagração à felicidade dos outros, única estrada suscetível de conduzir-nos ao império definitivo da Grande Luz."

Texto extraído do livro "Ceifas de Luz", de Francisco Cândido Xavier, (pelo Espírito Emmanuel), item 5.
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terça-feira, 26 de maio de 2026

A TRILOGIA BENDITA

"Em tempos remotos, o Senhor vinha ao mundo frequentes vezes entender-se com as criaturas. 

Certa vez, encontrou um homem irado e mau, que outra coisa não fazia senão atormentar os semelhantes. Perseguia, feria e matava sem piedade. Quando esse espírito selvagem viu o Senhor, aproximou-se atraído pela luz d'Ele, a chorar de arrependimento. 

O Cristo, bondoso, dirigiu-lhe a palavra: 

— Meu filho, porque te entregaste assim à perversidade? Não temes a justiça do Pai? Não acreditas no Celeste Poder? A vida exige fraternidade e compreensão. 

O malfeitor, que se mantinha prisioneiro da ignorância, respondeu em lágrimas:

— Senhor, de hoje em diante serei um homem bom. 

Alguns anos passaram e Jesus voltou ao mesmo sítio. Lembrou-se do infeliz a quem havia aconselhado e buscou-o. Depois de certa procura, foi achá-lo oculto numa choça, extremamente abatido. Interpelado quanto à causa de tão lamentável transformação, o mísero respondeu: 

— Ai de mim, Senhor! Depois que passei a ser bom, ninguém me respeitou! Fiz-me escárnio da rua... Tenho usado a compaixão e a generosidade, segundo me ensinaste, mas em troca recebo apenas o ridículo, a pedrada e a dilaceração... 

O Mestre, porém, abençoou-o e falou. 

— O teu lucro na eternidade não será pequeno com o sacrifício. Entretanto, não basta reter a bondade. É necessário saber distribuí-la. Para bem ajudar, é preciso discernir. Realmente é possível auxiliar a todos. Contudo, se a muita gente devemos ternura fraterna, a numerosos companheiros de jornada devemos esclarecimento enérgico. Estimularemos os bons a serem melhores e cooperaremos, a benefício dos maus, para que se retifiquem. Nunca observaste o pomicultor? Algumas árvores recebem dele irrigação e adubo; outras, no entanto, sofrerão a poda, a fim de serem convenientemente amparadas. 

O Senhor retirou-se e o aprendiz retomou luta para conquistar o conhecimento. 

Peregrinou através de muitos livros, observou demoradamente os quadros da vida e recebeu a palma da ciência. 

Os anos correram apressados, quando o Cristo regressou e procurou-o, novamente. 

Dessa vez, encontrou-o no leito, enfermo e sem forças. 

Replicando ao Divino Amigo, explicou-se: 

— Ai de mim, Senhor! Fui bom e recebi injustiças, entesourei a ciência e minhas dificuldades cresceram de vulto. Aprendi a amar e desejar em sã consciência, a idealizar com o plano superior, mas vejo a ingratidão e a discórdia, a dureza e a indiferença com mais clareza. Sei aquilo que muita gente ignora e, por isto mesmo, a vida tornou-se-me um fardo insuportável... 

O Mestre, porém, sorriu e considerou: 

- A tua preparação para a felicidade ainda não se acha completa. Agora, é preciso ser forte. Acreditas que a árvore respeitável conseguiria viver e produzir, caso não soubesse tolerar a tempestade? A firmeza interior, diante das experiências da vida, conferir-te-á o equilíbrio indispensável. Aprende a dizer adeus a tudo o que te prejudica na caminhada em direção da luz divina e distribuirás a bondade, sem preocupações de recompensa, guardando o conhecimento sem surpresas amargas. Sê inquebrantável em tua fé e segue adiante! 

O aprendiz reergueu-se e nunca mais experimentou a desarmonia, compreendendo, enfim, que a bondade, o conhecimento e a fortaleza são a trilogia bendita da felicidade e da paz."

Extraído do livro "Alvorada Cristã", de Francisco Cândido Xavier, Ditado pelo Espírito Neio Lúcio, p. 32/33.
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quinta-feira, 14 de maio de 2026

A SENDA ESTREITA

"Porfiai por entrar pela porta estreita..." — JESUS. (Lucas, 13:24.) 

Não te aconselhes com a facilidade humana para a solução dos problemas que te inquietam a alma.

Realização pede trabalho. 

Vitória exige luta. 

*

Muitos jornadeiam no mundo na larga avenida dos prazeres efêmeros e esbarram no cipoal do tédio ou da intemperança, quando não sucumbem sob as farpas do crime.

*

Muitos preferem a estrada agradável dos caprichos pessoais atendidos e caem, desavisados, nos fojos de tenebrosos enganos, quando não se despenham nos precipícios de tardio arrependimento. 

*

Seja qual for a experiência em que te situas, na Terra, lembra-te de que ninguém recebe um berço entre os homens para acomodar-se com a inércia, no desprezo deliberado às leis que regem a vida. 

*

Nosso dever é a nossa escola.
Por isso mesmo, a senda estreita a que se refere Jesus é a fidelidade que nos cabe manter limpa e constante, no culto às obrigações assumidas diante do Bem Eterno.
Para sustentá-la, é imprescindível sacrificar no santuário do coração tudo aquilo que constitua bagagem de sombra no campo de nossas aspirações e desejos.
Adaptarmo-nos à disciplina do próprio espírito na garantia da felicidade geral é estabelecer em nós próprios o caminho para o Céu que almejamos.

*

Não te detenhas no círculo das vantagens que se apagam em fulguração passageira, de vez que a ociosidade compra, em desfavor de si mesma, as chagas da penúria e as trevas da ignorância.

*

Porfia na renúncia que eleva e edifica, enobrece e ilumina.

*

Não desdenhes a provação e o trabalho, a abnegação e o suor.

*

E, em todas as circunstâncias, recorda sempre que a 'porta larga' é a paixão desregrada do 'eu' e a 'porta estreita' é sempre o amor intraduzível e incomensurável de Deus."

Texto extraído do livro "Ceifas de Luz", de Francisco Cândido Xavier, (pelo Espírito Emmanuel), item 12, p. 57/59.
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terça-feira, 12 de maio de 2026

DECULPAR

"'Jesus lhe disse: Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete' (Mateus, 18:22.)  

Atende ao dever da desculpa infatigável diante de todas as vitimas do mal para que a vitória do bem não se faça tardia. 

Decerto que o mal contará com os empreiteiros que a Lei do Senhor julgará no momento oportuno, entretanto, em nossa feição de criaturas igualmente imperfeitas, suscetíveis de acolher-lhe a influência, vale perdoar sem condição e sem preço, para que o poder de semelhantes intérpretes da sombra se reduza até a integral extinção. 

Recorda que acima da crueldade encontramos, junto de nós a ignorância e o infortúnio que nos cabe socorrer cada dia. 

Quem poderá, com os olhos do corpo físico, medir a extensão da treva sobre as mãos que se envolvem no espinheiral do crime? Quem, na sombra terrestre, distinguirá toda a percentagem de dor e necessidade que produz o desespero e a revolta. 

Dispõe-te a desculpar hoje, infinitamente, para que amanhã sejas também desculpado. 

Observa o quadro em que respiras e reconhecerás que a natureza é pródiga de lições no capítulo da bondade. 

O sol releva, generoso, o monturo que o injuria, convertendo-o sem alarde em recurso fertilizante. 

O odor miasmático do pântano, para aquele que entende as angústias da gleba, não será mensagem de podridão, mas sim rogativa comovente, para que se lhe dê a benção do reajuste, de modo a transformar-se em terra produtiva. 

Tudo na vida roga entendimento e caridade para que a caridade e o entendimento nos orientem as horas. 

Não olvides que a própria noite na terra uma pausa de esquecimento para que aprendemos a ciência do recomeço, em cada alvorada nova. 

'Faze a outrem aquilo que desejas te seja feito' - advertiu-nos o Amigo Excelso. 

E somente na desculpa incessante de nossas faltas recíprocas, com o amparo do silêncio e com a força de humildade, é que atingiremos, em passo definitivo, o reino do eterno bem com a ausência de todo mal."

Texto extraído do livro "Ceifas de Luz", de Francisco Cândico Xavier (pelo Espírito Emmanuel), item 2.
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terça-feira, 5 de maio de 2026

OS INSTRUMENTOS DA PERFEIÇÃO

"Naquela noite, Simão Pedro trazia à conversação o espírito ralado por extremo desgosto.

Agastara-se com parentes descriteriosos e rudes.

Velho tio acusara-o de dilapidador dos bens da família, e um primo ameaçara esbofeteá-lo na via pública.

Guardava, por isso, o semblante carregado e austero.

Quando o Mestre leu algumas frases dos Sagrados Escritos, o pescador desabafou. Descreveu o conflito com a parentela, e Jesus o ouviu em silêncio.

Ao término do longo relatório afetivo, indagou o Senhor:

- E que fizeste, Simão, ante as arremetidas dos familiares incompreensivos?

- Sem dúvida, reagi como devia! - respondeu o Apóstolo, veemente. -  Coloquei cada um no lugar próprio. Anunciei, sem rebuços, as más qualidades de que são portadores. Meu tio é raro exemplar de sovinice, e meu primo é mentiroso contumaz.

Provei, perante numerosa assistência, que ambos são hipócritas e não me arrependi do que fiz.

O Mestre refletiu por minutos longos e falou, compassivo:

- Pedro, que faz um carpinteiro na construção de uma casa? 

- Naturalmente, trabalha - redarguiu o interpelado, irritadiço.

- Com quê? - tornou o Amigo celeste, bem-humorado.

- Usando ferramentas. 

Após a resposta breve de Simão, o Cristo continuou:

- As pessoas com as quais nascemos e vivemos na Terra são os primeiros e mais importantes instrumentos que recebemos do Pai, para a edificação do Reino do céu em nós mesmos. Quando falhamos no aproveitamento deles, que constituem elementos de nossa melhoria, é quase impossível triunfar com recursos alheios, porque o Pai nos concede os problemas da vida, de acordo com a nossa capacidade de lhes dar solução. A ave é obrigada a fazer o ninho, mas não se lhe reclama outro serviço. A ovelha dará lã ao pastor; no entanto, ninguém lhe exige o agasalho pronto. Ao homem foram concedidas outras tarefas, quais sejam as do amor e da humildade, na ação inteligente e constante para o bem comum, a fim de que a paz e a felicidade não sejam mitos na Terra. Os parentes próximos, na maioria das vezes, são o martelo ou o serrote que podemos utilizar em benefício da construção do templo vivo e sublime, por intermédio do qual o Céu se manifestará em nossa alma. Enquanto o marceneiro usa as suas ferramentas, por fora, cabe-nos aproveitar as nossas, por dentro. Em todas as ocasiões, o ignorante representa para nós um campo de benemerência espiritual; o mal é desafio que nos põe a bondade à prova; o ingrato é um meio de exercitarmos o perdão; o doente é uma lição à nossa capacidade de socorrer. Aquele que bem se conduz, em nome do Pai, junto de familiares endurecidos ou indiferentes, prepara-se com rapidez para a glória do serviço à humanidade, porque, se a paciência aprimora a vida, o tempo tudo transforma.

Calou-se Jesus e, talvez porque Pedro tivesse ainda os olhos indagadores, acrescentou serenamente:

- Se não ajudamos ao necessitado de perto, como auxiliaremos os aflitos de longe? Se não amamos o irmão que respira conosco os mesmos ares, como nos consagraremos ao Pai que se encontra no Céu?

Depois dessas perguntas, pairou na modesta sala de Cafarnaum expressivo silêncio que ninguém ousou interromper." 

Extraído do livro "Jesus no Lar", de Chico Xavier, pelo Espírito Neio LúcioFEBBrasília, p. 27/29.
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terça-feira, 10 de março de 2026

O PRÓXIMO

"O próximo, em cada minuto, é aquele coração que se acha mais próximo do nosso, por divina sugestão de amor no caminho da vida. 

No lar, é a esposa e o esposo, os pais e os filhos, os parentes e os hóspedes. 

No templo do trabalho comum, é o chefe e o subordinado, o cooperador e o companheiro. 

Na via pública, é o irmão ou o amigo anônimo que nos partilham a mesma estrada e o mesmo clima. 

Na esfera social, é a criança e o doente, o desesperado e o triste, as afeições e os laços da solidariedade comum. 

Na luta contundente do esforço humano, é o adversário e o colaborador, o inimigo declarado ou oculto ou, ainda, o associado de ideais que nos surgem por instrutores. 

Em toda parte, encontrarás o próximo, buscando-te a capacidade de entender e de ajudar. 

Auxilia aos outros com aquilo que possuas de melhor. 

Os santos e os heróis ainda não residem na Terra. 

Somos espíritos humanos, mistos de luz e sombra, amor e egoísmo, inteligência e ignorância. 

Cada homem, na fase evolutiva em que nos encontramos, traz uma auréola incompleta de rei e uma espada de tirano. 

Se chamas o fidalgo, encontrarás um servidor. 

Se procuras o guerreiro, terás um inimigo feroz pela frente. 

Por isso mesmo, reafirmou Jesus o antigo ensinamento da Lei: - 'ama o próximo, como a ti mesmo'. 

É que o espírito, quando ama verdadeiramente, encontra mil meios de auxiliar, a cada instante, e o próximo, na essência, é o degrau que nos aparece diante do coração, por abençoado caminho de acesso à Vida Celestial."

Extraído do livro "Assim Vencerás", de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito Emmanuel, p. 5.
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quinta-feira, 5 de março de 2026

SEM RUÍDOS

"'Mas quando vier aquele Espírito de Verdade, ele vos guiará em toda a verdade. - Jesus.
(João, 16:13). 

O caminho de toda a Verdade é Jesus Cristo. O Mestre veio ao mundo instalar essa verdade para que os homens fossem livres e organizou o programa dos cooperadores de seu divino trabalho, para que se preparasse convenientemente o caminho infinito. No fim da estrada, colocou a redenção e deu às criaturas o amor como guia.

Conforme sabemos, o guia é um só para todos. E vieram os homem para o serviço divino. Com os cooperadores vinham, porém, os gênios sombrios, que se ombreavam com eles nas cavernas da ignorância.

A religião, como expressão universalista do amor, que é o guia, pairou sempre pura, acima das misérias que chegaram ao grande campo; mas, este ficou repleto das absurdidades. O caminho foi quase obstruído. 

A ambição exigiu impostos dos que desejavam passar, o orgulho reclamou a direção dos movimentos, a vaidade pediu espetáculos, a conveniência requisitou máscaras, a política interior estabeleceu guerras, a separatividade provocou a hipnose do sectarismo. 

O caminho ficou atulhado de obstáculos e sombras e o interessado, que é o espírito humano, encontra óbices infinitos para a passagem.

O quadro representa uma resposta e quantos perguntarem sobre os propósitos do Espiritismo cristão, sendo que o homem já conhece dotos os deveres religiosos. Ele é aquele Espírito de Verdade que vem lutar contra os gênios sombrios que vieram das cavernas da ignorância e invadiram o campo do Cristo.

Mas, guerrear como: Jesus não pediu a morte de ninguém. Sim, o Espírito da Verdade vem como a luz que combate e vence as sombras, sem ruídos. Sua missão é transformar, iluminando o caminho, para que os homens vejam o amor, que constitui o guia único para todos, até à redenção."

Extraído do livro "Segue-me", de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito EmmanuelCasa Editora O ClarimMatão/SP, p. 23/24.
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

CAMINHOS CRUZADOS

"'Sabendo primeiro isto: que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências'.
(II Pedro, 3:33).

De todos os elementos que tentam perturbar as obras divinas, os escarnecedores são os mais dignos de piedade fraternal. É que são enfermos pouco suscetíveis de medicação, em vista de serem profundamente ignorantes ou profundamente perversos.

O escarnecedor costuma aproximar-se dos trabalhadores fiéis das ideias novas, exigindo-lhes provas concludentes das afirmações espirituais que lhes constituem a divina base do trabalho no mundo.

É interessante, porém, observar que pedem tudo, sem se disporem a dar coisa alguma. Querem provas da verdade; contudo, não abandonam as cavernas mentais em que vivem usualmente, nem mesmo para vê-las. Querem demonstrações espirituais, agarrados, à maneira de vermes, aos fenômenos materiais. Os infelizes não percebem que se emparedaram no desconhecimento da vida, ou no egoísmo, que, lhe agrava os instintos perversos. E tocam a rir nos caminhos do mundo, copiando os histriões da irresponsabilidade e da indiferença. Zombam de todas as reflexões sérias, mofam de todos os ideais do bem e da luz... Movimentam nobres patrimônios intelectuais, no esforço de destruir e, por vezes, conseguem cavar fundo abismo onde se encontram.

Os aprendizes sinceros do Evangelho devem, todavia, saber que semelhantes desviados andarão na Terra, segundo as próprias concupiscências. São folhas conscientes do mal que só a Misericórdia Divina poderá transformar, ao sublime sopro de suas renovações. É preciso não perder tempo com essa classe de perturbadores renitentes, nas atividades do bem. São expoentes do escárnio, condenados a receber as consequências dele. Por si mesmos, já são bastante desventurados.

Se, algum dia, cruzaram-te o caminho, suporta-os com paciência e entrega-os a Deus."

Extraído do livro "Segue-me", de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito EmmanuelCasa Editora O ClarimMatão/SP, p. 7/8.
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

SINAL DE AMOR

"E saíram os fariseus e começaram a disputar com ele, pedindo-lhe, para o tentarem, um sinal do céu."
(João, 8:11).

No Espiritismo cristão, de quando a quando aparecem aprendizes do Evangelho, sumamente interessados em atender a certas solicitações, no capítulo dos fenômenos psíquicos.

Buscam sinais tangíveis, incontestáveis. Mas, na maioria das vezes, o movimento não passa de repetição do gesto dos fariseus antigos. Médiuns e companheiros outros não se precatam de que os pedidos de demonstrações do céu são formulados por tentação. Há İlações lógicas no assunto, que cabe não desprezar.

Se um espírito permanece encarnado na Terra, como poderá fornecer sinais de Júpiter? Se as solicitações dessa natureza endereçadas ao próprio Cristo foram consideradas como gênero de tentação ao Mestre, pelo Evangelho, com que direito poderão impô-las os discípulos novos aos seus amigos do invisível? Ao contrário disto, os aprendizes fieis devem estar preparados ao fornecimento de demonstrações da Terra. É justo que o cristão não possa proteger uma tela mágica sobre as nuvens errantes, mas pode revelar como exerce o ministério da fraternidade no mundo. Nunca desdobrará a paisagem total onde se movimentam os seres invisíveis, mas está habilitado a prestar colaboração no esclarecimento dos homens do porvir.

Quem solicite sinais do céu pode ser ignorante e portador de má fé; entretanto, os que tentem satisfazê-los andam muito distraídos do que aprenderam com o Cristo. Se te requisitam demonstrações estranhas, podes replicar, com segurança, que não estás designado à produção de maravilhas e explicar a teu irmão, que permaneces determinado a aprender com o Mestre, a fim de ofereceres à Terra o teu sinal de amor e luz, firme na fé, por não sucumbires às tentações.

Extraído do livro "Segue-me", de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito Emmanuel, Casa Editora O Clarim, Matão/SP, p. 3/4.
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quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

SEJA AQUILO QUE ESPERA DOS DEMAIS

"Se você quiser ser amado, comece por amar seus semelhantes que precisam do seu amor. Se espera que os outros se comportem honestamente com você, comece por ser honesto você próprio. Se deseja que o próximo simpatize com você, apresse-se a mostrar simpatia por ele. Se exige respeito, aprenda a ser respeitoso para com todos, jovens ou velhos. Se quiser uma mostra de paz por parte dos outros, seja pacífico você mesmo. E se quiser que eles sejam religiosos, comece por cultivar pessoalmente a espiritualidade. Seja primeiro aquilo que espera dos demais. Logo notará que eles lhe respondem da mesma maneira.

É fácil exigir que os outros se comportem bem e é igualmente fácil perceber-lhes as faltas; mas é muito difícil agir com propriedade e reconhecer os próprios defeitos. Se você se lembrar de agir com acerto, os outros tentarão seguir seu exemplo. Se puder detectar suas próprias imperfeições sem desenvolver um complexo de inferioridade, e fizer esforço constante para emendar-se, estará empregando seu tempo de maneira mais proveitosa do que se teimasse em exigir que os semelhantes melhorem. O bom exemplo faz mais para modificar os outros do que exigências, raiva ou palavras.

Quanto mais você melhorar, mais melhorará os que estão à sua volta e mais feliz você mesmo será. E quanto mais feliz for, mais eles o serão.

Pessoas passivas são infelizes. Pessoas muito ignorantes não sabem bem o que é ser feliz ou infeliz. É melhor lamentar a própria ignorância do que morrer satisfeito com ela. Onde quer que você esteja, permaneça vivo e desperto em pensamento, percepção e intuição sempre pronto a apreciar uma boa conduta e a ignorar um mau comportamento. Sua maior felicidade reside na disposição constante para aprender e cultivar atitudes exemplares."

Paramhansa Yogananda, Como Ser Feliz o Tempo Todo, Ed. Pensamento-Cultrix Ltda., São Paulo, SP, 2012, p. 51/52.
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quinta-feira, 25 de setembro de 2025

FAÇA DE DEUS A ESTRELA POLAR DE SUA VIDA

"Faça de Deus o Pastor de sua alma. Faça Dele o seu Farol quando atravessar os caminhos sombrios da vida. Ele é a sua Lua na noite da ignorância, o Sol nas horas de vigília. É a sua Estrela Polar nos mares escuros da existência mortal. Busque a orientação Dele. O mundo continuará assim, cheio de altos e baixos. Onde encontrar um senso de direção? Não nos preconceitos criados em nós pelos hábitos e pelas influências ambientais da família, do país ou do mundo, mas na voz orientadora da Verdade interior.

Penso apenas em Deus, em todos os momentos. Coloquei meu coração no abrigo do Senhor; pus meu espírito a Seu encargo. Depositei meu amor e devoção a Seus pés de Eternidade. Confie primeiro em Deus e depois, por meio da divina orientação interna, confie nos que manifestam a luz Dele. É essa Luz que me guia. Essa Luz é meu amor, minha sabedoria. E Ele me conta como Sua virtude está vencendo e sempre vencerá."

Paramahansa Yogananda, O Romance com Deus, Self-Realization Fellowship, p. 244/245.
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terça-feira, 2 de setembro de 2025

CHORADEIRA E DOR (MORTE)

"Choradeira e dor. Eliminadas estas errôneas concepções preliminares a respeito da morte, e conhecidos os fatos reais inerentes a ela, logo se verifica quão insensata e indesejável é a choradeira que geralmente a envolve. Todos os grotescos e pesados lutos, variáveis como o figurino da moda, não são apenas os concomitantes de um absurdo anacronismo, mas um ignóbil legado das superstições medievais, e com o exagerado pesar que tão infantilmente visam tipificar, constituem um erro fatal, nascido da mais grosseira ignorância e incredulidade. Se um cristão crê firmemente que seu amado morto está gozando da presença de Deus, não deveria vestir-se de luto, e sim, de gala, como faz o verdadeiro teósofo, consciente de que o morto passou para uma vida superior e mais feliz no plano astral, e está a caminho de outra ainda mais gloriosa no mundo celeste.

Todavia, não apenas o pesar inconsiderado pela morte de um parente é filho da ignorância e acumula grandes e desnecessários sofrimentos, mas, também, os bruscos arrebatos de dor e as contínuas lamentações que deles derivam, em vez de favorecerem, prejudicam o falecido por quem sentimos tão grande afeto. Porque, quando pacífica e naturalmente mergulha na inconsciência que precede o seu despertar na glória do mundo celeste, o tiram violentamente de seu ditoso sono os lamentos e aflições dos que deixou na terra, e que lhe representam uma lúcida recordação da vida que acaba de passar, com as correspondentes vibrações em seu corpo astral, cujo efeito nocivo é deprimi-lo e retardar notavelmente seu progresso espiritual. Esta falta de resignação por parte dos sobreviventes é um dos maiores obstáculos em que tropeçam os auxiliares invisíveis, podendo mesmo inutilizar longas horas de paciente trabalho neste sentido. Mesmo os mortos percebem, às vezes, o prejuízo que lhes causa a aflição de seus parentes ignorantes, embora bem intencionados, segundo se pode deduzir de algumas lendas tradicionais entre os aldeães da Bretanha.

Nem de leve se deve inferir disto que os ocultistas tenham predileção pelos parentes ou amigos aos quais mais amaram, ou que a sua doutrina lhes ordene esquecerem os mortos. Ao contrário, a recordação deve ser de tal forma que os auxilie em seus prejuízos e que os egoístas e inúteis lamentos sejam substituídos por ardentes e amorosos desejos, segundo o que já aconselhamos. O sobrevivente deve erguer seu pensamento ao alto, e esquecer-se de si mesmo e da ilusão da perda aparentemente sofrida, a fim de melhorar a situação do falecido.

Outra ideia muito generalizada sobre a morte, é a de que forçosamente há de implicar dor; e concorrem para aumentar este erro grotescos relatos de mortes desastrosamente angustiosas. No entanto, não se deve levar em conta estas tradições provindas de erros ainda subsistentes, porque os horríveis estertores da agonia são quase sempre os últimos movimentos do corpo físico quando o Ego já está fora dele. Na maioria dos casos, efetua-se a passagem sem dor alguma, embora a enfermidade tenha sido longa e penosa. Prova-o a serena expressão do rosto do morto, além do direto testemunho dos que foram interrogados sobre este particular, imediatamente depois de morrerem, quando ainda eram recentes em sua memória as circunstâncias da morte."

C. W. Leadbeater, O Que Há Além da Morte, Ed. Pensamento, São Paulo, SP, p. 37/38.
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quinta-feira, 5 de junho de 2025

EM DEUS ACABAM AS ILUSÕES

"Acabe com o mundo agora mediante a comunhão com Deus. Não profane o templo da alma com desejos instáveis e com turbulentos prazeres mundanos. Permaneça imaculado à luz da consciência e à luz do amor por Deus. Alcance esse estado agora. Então, talvez durante uma guerra nesta era elétrica, quiçá na era mental ou na era da verdade, você volte como um Cristo para dar paz à Terra e dizer à humanidade: 'Aprendi as lições que Deus queria que eu aprendesse. Dificuldades, doenças e morte não significam nada para mim. Estou unido à Luz Eterna. O mundo terminou para mim. Venham, irmãos que ainda sofrem do pesadelo deste mundo de vida e morte e de infinitas rodadas de encarnações - venham comigo! Eu mostrarei que o fim do mundo significa o fim das ilusões da Terra. Aprendam esta lição, para que sua alma possa brilhar para sempre uma estrela eterna no regaço do excelso Senhor.'

Lembre-se: você está aqui na Terra por um curto período de tempo, mas é filho de Deus pela eternidade. Não se alie às forças da ignorância, busque primeiro conhecer a Deus. O que Ele lhe disser para fazer estará certo, seja lutando pelo seu país, seja como homem de negócios, artista ou instrutor espiritual. Quando você realmente O conhecer, será corretamente orientado na vida. É por isso que as Escrituras dizem: 'Buscai primeiro o reino de Deus...'

Se você conseguir viver pelo menos algumas das verdades que transmiti, será uma pessoa diferente. Conhecerá a Deus se seguir os ensinamentos da Self-Realization. Quando estou com você, não quero lhe dar apenas uma satisfação intelectual sobre a verdade; quero que perceba Deus por si próprio. Eu lhe expliquei como acabar com suas imperfeições para que você possa ir além - até Ele."

Paramahansa Yogananda, O Romance com Deus, Self-Realization Fellowship, p. 72/73.
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terça-feira, 18 de março de 2025

FILHO ÚNICO DE DEUS

"A Bíblia", objetou um recém-chegado, quando da pregação de Paramhansa Yogananda, 'nos diz que Jesus é o único Filho de Deus. Assim sendo, como você pode falar de outros mestres como sendo semelhantes a Ele?'

Respondeu o Mestre: 'Quando os judeus acusaram Jesus de blasfêmia por Ele dizer 'Eu e meu Pai somos um só', Ele lhes respondeu, Não dizem as vossas Escrituras que sois deuses?'*

'Os seguidores de cada religião gostam de afirmar o caráter único das suas crenças. A afirmação deles, contudo, deriva das interpretações equívocas e da ignorância dos homens. Todos gostam de afirmar que aquilo que possuem é, também, o melhor!

'Jesus, como todos os grandes mestres, falou a partir de dois níveis de identidade: o nível humano e o nível divino. Como ser humano, Ele pôde gritar na cruz, 'Pai, por que me abandonastes?'; entretanto, no seu Eu superior infinito, divino, disse acertadamente que Ele era o único Filho de Deus. Pois nessa consciência Ele estava identificado com a Consciência de Cristo, que é o único reflexo de Deus em toda a criação, o Pai além da criação.

'A Consciência de Cristo não é um homem com barba e com uma longa túnica branca a cair graciosa pelo corpo! Quando Jesus usava o pronome 'Eu', falando a partir desse amplo estado de consciência, ele estava se referindo ao Eu superior infinito de todos os seres, não seu frágil corpo humano.

'A Consciência de Cristo está por trás de todo o Universo criado. Quem quer que afaste a sua consciência da ligação com o ego e a associe ao Infinito pode, com todo o direito, dizer em companhia de Jesus: 'Eu sou o Filho de Deus.'

'Além disso, pode dizer: 'Eu e o meu Pai somos um', exatamente como disse Jesus, visto que o Filho e o Pai são aspectos da mesma realidade.

'Nesse estado, a sua consciência do 'Eu' não é mais limitada pelo humano. A onda voltou ao vasto oceano de que proveio, e nele se fundiu. Ela se tornou o oceano.'"

*João 10:34.50

Paramhansa Yogananda, A Essência da Autorrealização, Ed. Cultrix-Pensamento, São Paulo, SP, p. 49/50..
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quinta-feira, 9 de maio de 2024

ESPÍRITO E MATÉRIA

"O espiritual está acima e dentro do material. Um não existe sem o outro. O Espírito é uno. A matéria é usada para moldar as inumeráveis formas do nosso mundo. O espírito precisa da matéria para se expressar.

O mundo físico é o mais denso de todos os sete planos de manifestação. Por isso há dificuldade de o espírito se manifestar com plenitude. A não ser que sejamos clarividentes, não teremos condições de enxergar os níveis mais etéreos que nos envolvem. Estes, porém, são muito mais ricos e diversificados do que podemos imaginar. Aqueles que podem ver além dos sentidos nos asseguram isso. A literatura mundial dos povos confirma esta assertiva. Muitos acreditam, outros tantos duvidam, alguns pouco têm certeza. 

Como perceber a influência espiritual em nossa vida? Como entender que o invisível rege o visível?

Há vários graus de sensibilidade. Existem indivíduos que desde cedo se comunicam com esferas que fogem do alcance comum. Se a família é esclarecida, dará crédito a essa criança e a apoiará, buscando orientação adequada. Não é fácil. Não é simples.

Vivemos cercados de desconhecimento e a ignorância faz sofrer. 

Como nos conectarmos com o mais sutil em nós? Algumas recomendações de sábios sugerem um pouco de silêncio, meditação, leitura, conversas, palestras, contato com a natureza... Cada um tem seu próprio caminho, e o que é bom para um pode não ser bom para o outro.

Mas resposta existem, se quisermos buscar, se já estamos cansados e queremos mudar.

Vamos!" 

Fernando Mansur, O Catador de Histórias, Ed. Teosófica, Brasília, 2018, p. 62.
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terça-feira, 2 de abril de 2024

SE O SER HUMANO NÃO DUVIDASSE, NÃO PROGREDIRIA

"A predominância da matéria perante nossos olhos, na forma de objetos e seres, impede que percebamos completamente a verdade. Mas é quando duvidamos da primazia da matéria que a existência de Deus se estabelece. Se a matéria, que é um conglomerado de átomos, é tudo o que existe, então como essas partículas invisíveis formaram um parlamento que criou e governa um universo organizado? É impossível que átomos inanimados viessem a se reunir para produzir seres inteligentes. Então a aceitação de Deus, uma Consciência Inteligente como criadora do mundo, foi estabelecida a partir do materialismo aplicando-se o elemento construtivo e progressivo da dúvida. Este elemento construtivo é a corrente científica do pensamento usada no questionamento para descobrir a verdade. Sem isso, se meramente aceitássemos as coisas como parecem ser, os seres humanos seriam como animais. Algumas civilizações antigas acreditavam que o Sol, a Lua e as estrelas eram divindades que governavam a vida. Pelo processo da dúvida o ser humano ultrapassou esse conceito. Por meio do questionamento construtivo, esse tipo de crença foi considerado falho. Se o ser humano não pudesse duvidar, não poderia progredir; o mundo estaria atolado na ignorância. Se não questionassemos, não conseguiríamos diferenciar da verdade a teoria ou os argumentos falaciosos. É pois correto aplicar as leis da razão. 

A dúvida decide uma hipótese. Os cientistas pegam um teorema e o investigam juntamente com a Sra. Dúvida, a examinadora sempre presente. Nada é tido como certo. A proposta é levada a uma conclusão, para ver se funciona ou não. Se não funcionar, é posta de lado ou reestruturada. Se os cientistas ficassem satisfeitos com o status quo do conhecimento, não haveria adiantamento na civilização. Há uma grande lição aqui.

No que diz respeito à religião, os cientistas deveriam empregar, no elemento construtivo da dúvida, a mesma abertura como que realizam as pesquisas científicas. Por um tempo longo demais a ciência se fechou no elemento destrutivo da dúvida, desprezando a religião como dogma supersticioso. Se o objetivo dos operários da construção civil fosse apenas demolir todos os prédios defeituosos, e não reconstruí-los nem substituí-los com estrutura aperfeiçoada, seria um desastre. O mesmo ocorre com os que querem dispensar a moralidade e a religião, não deixando nenhuma estrutura para abrigar os princípios divinos que podem se provar essenciais ao bem-estar e à felicidade da existência humana. É claro que até o elemento destrutivo da dúvida pode ser necessário para nos livrar de erros há muito sustentados; mas o processo será prejudicial para a humanidade se também obliterar a verdade."... (continua)

Paramahansa Yogananda, Jornada para a Autorrealização, Self-Realization Fellowship, p. 303/304.
Imagem: Perintest.

terça-feira, 5 de março de 2024

A VIDA É MAIS DO QUE APENAS EXISTIR

"Deus não criou a Terra como um lugar só para comer, dormir e morrer, mas para descobrir o propósito Dele. Algumas pessoas sábias captaram o plano divino, mas muitas outras estão cegas e não enxergam. A Terra é uma câmara de torturas para os que vivem na ignorância do plano divino. Mas quando você usa as experiências da vida como seu instrutor e com elas aprende a verdadeira natureza do mundo e o seu papel nele, as experiências passam a ser guias valiosos para uma eternidade de felicidade e plenitude. 

O Senhor fez a ilusão muito forte! Vivemos num manicômio. Você acha que o dinheiro traz felicidade, mas quando o obtém descobre que ainda não é feliz. Você pode ter dinheiro e perder a saúde ou ter boa saúde e perder o dinheiro; ou pode ter saúde e dinheiro mas inúmeros problemas com as pessoas. Você faz o bem aos outros e eles retribuem com ódio. Sem Deus, nada o satisfará neste mundo. E é interessante que Deus tente nos afastar Dele com atrações materiais - Ele quer saber se queremos o Doador, e não só Suas dádivas. 

Se Deus nos quisesse só na consciência mundana, estaríamos sempre plenamente satisfeitos com os caminhos e objetos do mundo. Você já observou um rebanho de ovelhas? Uma ovelha pula à cerca e todas as outras vão atrás. A maioria das pessoas é assim. Alguém começa uma moda ou estabelece um padrão de ação e todos os outros vão atrás. Tem sido assim século após século. Cada país tem seus costumes e não se pode dizer que sejam perfeitos. Mas quem tem autoridade para ridicularizar determinado tipo de vida ou costume? Um modo de avaliar é lembrar que no início todos os costumes tinham uma razão de ser. Se vemos que a razão ainda se aplica, significa que o costume serve a um propósito útil; mas é tolice seguir alguma coisa cegamente, apenas por seguir. Temos que descobrir onde está a verdade e em que consiste a verdadeira felicidade, e seguir isso." 

Paramahansa Yogananda, Jornada para a Autorrealização, Self-Realization Fellowship, p. 272/273.
Imagem: Pinterest.