OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


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terça-feira, 4 de junho de 2024

DEUS É AMOR

"Depois de conversar com amigas, pensei e escrevi:

Se Deus é amor, como acessar o amor divino? Amando. Se Deus é amor, nós somos amor, no mais profundo no nosso ser. Porém, na superfície somos também egoísmo. E essa é a nossa luta, o conflito entre essas duas partes que nos compõem. Só que, com o tempo, o egoísmo irá diminuindo, até um dia se extinguir, quando formos bem evoluídos, e o amor ocupará todos os espaços.

Mas por que temos que passar por essas etapas? Para adquirirmos consciência de nossos poderes, desenvolvê-los e exercitá-los.

Somos deuses em potencial, como o bebê é um adulto em potencial, assim como a pequena semente já contém em si a árvore frondosa que ela será um dia. Mas, no mundo tridimensional, tudo precisa de tempo e espaço para crescimento. Com isso aprendemos a desenvolver a paciência e a perseverança. E, principalmente, a esperança.

O pássaro preso canta quando ouve o barulho da torneira aberta. Ele se recorda das águas que correm livres pelos rios e cachoeiras das florestas onde ele viveu um dia, seu paraíso. 

Nós também sentimos algo especial ao participarmos de um puro ritual religioso ou quando estamos em contato com a natureza sagrada. Eles nos lembram de nossa origem divina e de que todos, em essência, somos um só. O intelecto pode não entender de imediato essa beleza, mas o coração tem certeza! 

Meditemos nessa frase: somos amorosos e dignos de amor.

Vamos!"

Fernando Mansur, Escrita Divina, Edição do Autor, p.63.
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terça-feira, 30 de janeiro de 2024

CARACTERÍSTICAS DA PERFEIÇÃO

1. Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam; porque, se somente amardes os que vos amam, que recompensa tereis disso? Não fazem assim também os publicanos? Se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis com isso mais que os outros? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Sede, pois, vós outros, perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial. (MATEUS, 5:44, 46 a 48.) 

2. Visto que Deus possui a perfeição infinita em todas as coisas, esta máxima: 'Sede perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial', tomada ao pé da letra, pressuporia a possibilidade de atingir-se a perfeição absoluta. Se fosse dado à criatura ser tão perfeita quanto o Criador, ela se tornaria igual a este, o que é inadmissível. Mas os homem a quem Jesus falava não compreenderiam essa nuança. Jesus se limita a lhes apresentar um modelo e a dizer-lhes que se esforcem para alcançá-lo.

Aquelas palavras devem, pois, ser entendidas no sentido da perfeição relativa, a de que a Humanidade é suscetível e que mais a aproxima da Divindade. Em que consiste essa perfeição? Jesus o diz: em 'amarmos os nosso inimigos, em fazermos o bem aos que nos odeiam, em orarmos pelos que nos perseguem'. Mostra, desse modo, que a essência da perfeição é a caridade na sua mais ampla acepção, porque implica a prática de todas as outras virtudes.

Com efeito, se observarmos os resultados de todos os vícios e, mesmo, dos simples defeitos, reconheceremos não haver nenhum que não altere mais ou menos o sentimento da caridade, porque todos têm o seu princípio no egoísmo e no orgulho, que lhes são a negação, já que tudo que superexcita o sentimento da personalidade destrói, ou, pelo menos enfraquece os elementos da verdadeira caridade, que são: a benevolência, a indulgência, a abnegação e o devotamento. Não podendo o amor do próximo, levado até o amor dos inimigos, aliar-se a nenhum defeito contrário à caridade, aquele amor é, por isso mesmo, sempre indício de maior ou menor superioridade moral, donde resulta que o grau de perfeição está na razão direta da sua extensão. Foi isso que Jesus, depois de ter dado a seus discípulos as regras da caridade, no que tem de mais sublime, lhes disse: 'Sede perfeitos, como perfeito é vosso Pai celestial'."

Extraído do livro "O Evangelho segundo o Espiritismo" de Allan Kardec, Editara Feb, Brasília, 2018, p. 225/226.
Imagem: Pinterest.  


quinta-feira, 17 de novembro de 2022

POR QUE O AMOR TRIUNFA ONDE O CIÚME FRACASSA

"Ciúme, ira, temor e todos os impulsos físicos e mentais negativos  que impelem os seres humanos a errar - de onde eles vêm? Muitos afirmam que tem origem psicológica. Mas eu digo que provêm da Força Maligna. Neste mundo há duas forças: o bem e o mal.  Onde existir o bem também existirá o mal. O ser humano, dotado de independência e livre-arbítrio, sofre as consequências de seus erros, mas não é o criador dos agentes que o influenciam a errar. As plantas não fazem o mal, mas sucumbem a doenças. Os animais, que são governados pelo instinto e não têm consciência do mal, também sofrem. Lado a lado com cada coisa boa há um mal correspondente. Deus cria a a luz do sol, e a Força Maligna cria as secas e tempestades destrutivas. A linda flor se abre e é destruída pelos insetos. Deus diz para amar; a Força Maligna diz: 'Seja ciumento; você tem justificativa para ferir e debilitar um oponente'. Não dê ouvidos a esse poder trevoso. Não é você. Ciúme, ira e temor são criações da Força Maligna. Reconhecendo essa força como um poder consciente, Jesus disse: 'Vai-te, Satanas'.¹

Cada vez que a voz do ciúme, do temor ou da ira falar, lembre-se que essa não é a sua voz. Ordene que ela se vá, mas você não será capaz de expulsar esse mal, por mais que tente, enquanto abrigar em sua mente esses sentimentos negativos. Erradique de dentro de você o ciúme, o temor e a ira, de modo que quando um impulso maligno mandá-lo odiar e ferir, uma outra voz interna mais forte lhe diga: ame e perdoe. Escute esta voz.

Imagine só: se pudéssemos retirar o egoísmo, o ciúme e a ira do mundo, as guerras não existiriam. Mas esses perpetradores da destruição são tenazes e lutam constantemente para ter supremacia sobre a bondade. Deus fala de paz e a Força Maligna incita à inquietude e à discórdia. Deus tenta estimular você a agir com amor; a Força Maligna tenta atraí-lo para brigar. Você é um ser livre e pode escolher o que quiser. Sempre que sentir ciúme, você é cúmplice da ilusão cósmica de Satã. Sempre que estiver com raiva, é Satã quem o guia. A voz do medo é a força maligna de Satã. Mas sempre que você está repleto de amor e perdão, Deus está ao seu lado. Ajude-O a trabalhar através de você; Ele não conseguirá nada se você não O ajudar."

¹ Lucas 4.8.

(Paranahansa Yogananda - Jornada para a Autorrealização - Self-Realization Fellowship - p. 159/160)
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terça-feira, 15 de novembro de 2022

BHAKTI YOGA

"Bhakti yoga é a via para o homem de natureza emocional, o amoroso. Ele quer amar a Deus; usa, confiante, toda sorte de rituais, flores, incenso, belos templos e ícones. Você acha que isso é errado? Pois devo dizer-lhe algo que convém lembrar aqui neste país: os maiores gigantes espirituais do mundo foram, todos, produzidos pelas seitas religiosas que possuem a mais rica mitologia e ritualística. Todas as seitas que tentaram cultuar Deus sem imagens ou cerimônias esmagaram sem misericórdia tudo o que a religião tem de belo e sublime. Uma religião assim é fanatismo; na melhor das hipóteses, resulta em algo árido. A história do mundo é testemunha viva desse fato. Por isso, não deprecie os rituais e mitologias. Aceite que o povo os tenha; deixe que quem quiser os use. Não exiba aquele desprezível sorriso de escárnio ao dizer, - São uns ignorantes, deixe para lá. - Os mais eminentes homens que conheci em minha vida, aqueles que alcançaram o mais maravilhoso desenvolvimento espiritual, todos passaram pela disciplina desses rituais. Bhakti yoga ensina a amar sem motivos ulteriores, amando a Deus e ao bem porque é bom fazê-lo e não para ir para o céu, ter filhos, riqueza, ou qualquer outra coisa. Ensina que o amor em si é a mais alta recompensa do amor - que Deus é amor. Ensina a prestar todos os tipos de louvores a Deus como Criador, Governante onipresente, onisciente, onipotente, Pai e Mãe."

(Swami Vivekananda - O Que é Religião - Lótus do Saber Editora, Rio de Janeiro, 2004 - p. 39)
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quinta-feira, 25 de agosto de 2022

FUGIR DA TRISTEZA

"Sentimos a tristeza de formas diferentes no relacionamento, na morte de alguém, na falta de sucesso na vida, quando tentamos nos tornar algo, mas fracassamos. Além disso, há problema da tristeza que afeta o aspecto físico: doenças, cegueira, incapacidade, paralisia etc. Essa coisa extraordinária chamada tristeza está por toda parte (com a morte esperando à espreita). Não sabemos como enfrentar a tristeza, então ou a adoramos, a racionalizamos ou tentamos fugir dela. Se você for a qualquer igreja cristã, vai descobrir que a tristeza é adorada: transformam-na em algo extraordinário, sagrado, e dizem que apenas por meio dela, do Cristo crucificado, é possível encontrar Deus. No Oriente eles têm suas próprias formas de evasão, outras maneiras de evitar a tristeza, e me parece uma coisa extraordinária que tão poucos, no Oriente ou no Ocidente, estejam realmente livres da tristeza. 

Seria maravilhoso se no processo de escuta - sem sentimentalismo conseguíssemos realmente entender a tristeza e nos tornar totalmente livre dela. Porque, dessa maneira, não haveria autoengano, ilusões, ansiedades, medo, e o cérebro poderia funcionar de forma clara, intensa, lógica. E então, talvez, conseguiríamos saber o que é o amor."

(Krishnamurti - O Livro da Vida - Ed. Planeta do Brasil Ltda., São Paulo, 2016 - p. 236)
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terça-feira, 5 de julho de 2022

COMO ENFRENTAR A DOR DOS PADRÕES DESTRUTIVOS - A DOR DAS FALSAS SOLUÇÕES

"Quando a sua solução falsa é uma negação do sentimento, do amor e da vida, ela é uma defesa contra a possibilidade de ser ferido. Somente depois de uma visão considerável de si mesmo é que você se dará conta de quão irreal e limitado é esse 'remédio'. Você vai querer mudar e vai preferir aceitar a dor à alienação de não sentir nada, ou muito pouco. Prosseguindo com o trabalho e atravessando corajosamenteos períodos temporários de desânimo e resistência, você vai chegar ao ponto no qual essa concha endurecida se quebra e você não está mais morto por dentro. 

A primeira reação, porém, não será agradável, nem pode ser. Todas as emoções negativas reprimidas, bem como a dor reprimida, a princípio virão para a consciência e então parecerá que você estava certa ao reprimi-las. Só depois de prosseguir com o trabalho é que você obterá a recompensa, sob a forma de sentimentos bons e construtivos. 

Se a sua solução falsa é a submissão, a fraqueza, o desamparo e a dependência como meios de conseguir os cuidados de alguém - não necessariamente no âmbito material, mas emocionalmente - essa é igualmente uma solução limitada e insatisfatória. A dependência constante de outras pessoas cria medo e desamparo. Ela aumenta ainda mais a sua falta de confiança em si mesmo. Enquanto a solução do retraimento fez de você um morto quanto aos sentimentos, privando-o do significado maior da vida, a solução da submissão rouba de você a independência e a força, e cria não menos isolamento que o retraimento, embora o faça através de um caminho interno diferente. Originalmente, você queria evitar a dor munindo-se de uma pessoa forte para cuidar de você. Na realidade você inflige mais dor sobre si mesmo porque não é possível encontrar essa pessoa. Essa pessoa tem que ser você mesmo. 

Ao fazer-se deliberadamente de fraco, você exerce a mais forte das tiranias sobre os outros. Não existe tirania mais forte que aquela que uma pessoa fraca exerce sobre os mais fortes, ou sobre todo o seu ambiente. É como se essa pessoa estivesse sempre dizendo: 'Sou tão fraca! Você tem de me ajudar. Sou tâo indefesa! Você é responsável por mim. Os erros que eu cometo não contam porque eu não sei fazer de outro modo. Eu não posso evitar. Você deve ser indulgente comigo todo o tempo e permitir que eu escape das consequências. Não se pode esperar que eu assuma total responsabilidade pelas minhas ações ou ausência delas, por meus pensamentos e sentimentos ou pela falta deles. Eu posso falhar porque sou fraco. Você é forte e portanto tem que compreender tudo. Você não pode falhar porque o seu fracasso iria me afetar.' A autoridade preguiçosa e auto-indulgente dos fracos impõe exigências estritas às outras criaturas. Isso se torna evidente se a expectativa não verbalizada e o significado das reações emocionais forem investigadas e então interpretadas sob a forma de pensamentos concisos.

É uma falácia pensar que a pessoa fraca é inofensiva e fere menos as outras pessoas que aquela que é agressiva e dominadora. Todas as falsas soluções trazem dor implícita à personalidade, assim como aos outros. Pelo retraimento, você rejeita os outros e retém o amor que quer dar a eles e que eles, por sua vez, querem receber de você. Pela submissão, você não ama, apenas espera ser amado. Você não vê que os outros também têm as suas vulnerabilidades, suas fraquezas e necessidades. Você rejeita por inteiro essa parte da natureza humana das outras pessoas e, assim, você as fere. Através da solução agressiva, você afasta as pessoas e as machuca abertamente com falsa superioridade. Em todos os casos, você fere os outros e, assim, inflige um ferida ainda maior em si mesmo. E essa ferida não pode deixar de trazer consequências. Portanto, as falsas soluções, destinadas a eliminar a dor original , apenas trazem consigo mais dor.  

Todas as falsas soluções são incorporadas à sua auto-imagem idealizada. Uma vez que a natureza da auto-imagem idealizada é o auto-engrandecimento, ela o separa dos outros. Uma vez que a natureza dela é a separação, ela isola você e o faz solitário, bem como a todos os que se relacionam com você. Visto que a sua natureza é falsidade e fingimento, ela o aliena de si mesmo, da vida e dos outros. Tudo isso deve inevitavelmente cusar-lhe dor, mágoa, frustração, insatisfação. Você escolhe uma saída para a dor e para a frustração, mas esse caminho provou ser não apenas inadequado, mas traz ainda mais daquilo que você queria evitar. Contudo, reconhecer claramente essa fato e juntar os elos dessa cadeia requer o trabalho ativo da pesquisa sincera de si mesmo.

O perfeccionismo que está tão profundamente arraigado em você e na sua auto-imagem idealizada torna impossível aceitar a si mesmo e aos outros, aceitar a vida na sua realidade, e você, portanto, é incapaz de lidar com ela e resolver tanto os seus próprios problemas quanto os problemas da vida. Isso faz com que você se abstenha da experiência de viver no seu verdadeiro sentido. 

Se você se tornou, pelo menos até um certo ponto, consciente de algumas das suas imagens, falsas soluções e da natureza da sua auto-imagem idealizada particular, talvez você tenha a esta altura um vislumbre da maneira pela qual você é alienado  de si mesmo e perfeccionista. Deu-se conta, portanto, da extensão do dano causado a você mesmo e aos outros. Você pode estar próximo do limiar que abre o caminho para uma nova vida interior, uma vida que contém a disposição emocional de abandonar todas as defesas. Caso ainda não tenha chegado até lá, você vai aproximar-se dessa fase muito em breve, desde que continue o seu trabalho com disposição interior.

O mero exercício de observar constantemente as próprias emoções e reações irreais e imaturas enfraquece o seu impacto e inicia um processo de dissolvê-las, por assim dizer, automaticamente. Quando uma certa dissolução tiver acontecido, a psique estará pronta para cruzar o limiar; mas o ato de cruzá-lo é doloroso no início." ... continua.  

(Eva Pierrakos e Donovam Thesenga - Não Temas o Mal - Ed. Cultrix, São Paulo, 1993 - p. 107/109)
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quinta-feira, 30 de junho de 2022

COMO ENFRENTAR A DOR DOS PADRÕES DESTRUTIVOS

"(...) A criança sofre com certas imperfeições do amor e da afeição dos pais. Sofre também por não ser integralmente aceita em sua própria individualidade. Com isso eu quero me referir à prática comum de tratar uma criança como uma criança  antes que como um indivíduo em particular. Você sofre com isso, embora talvez nunca tenha tido consciência desse fato nestes termos ou em pensamentos exatos. Isso pode deixar uma cicatriz tão profunda quanto a falta de amor e atenção. A prática a que me refiro provoca tanta frustração quanto a falta de amor ou até mesmo a crueldade. 

O clima geral no qual você cresce o afeta como um choque pequeno mas constante, que frequentemente deixa uma marca mais forte que uma única experiência chocante e traumática. É por isso que esta última é geralmente mais fácil de curar que a primeira. O clima constante de não aceitação da sua individualidade, bem como a falta de amor e compreensão, causa aquilo a que se chama neurose. Você aceita esse clima como algo inevitável. Ele simplesmente está lá e você acredita que tem que ser assim. Todavia, você sofre com ele. A combinação do sofrimento causado por esse clima e da crença de que ele é inalterável condiciona-o a desenvolver defesas destrutivas. 

A dor e a frustração originais com as quais a criança não podia lidar são reprimidas. São retiradas da esfera da consciência, mas ardem na mente inconsciente. É então que as imagens e os mecanismos de defesa destrutivos começam a se formar. As imagens que você cria são mecanismos de defesa. Através das suas conclusões errôneas você busca uma maneira de lutar contra as influências indesejáveis que criaram a dor original. As falsas soluções são um meio de lutar contra o mundo, contra a dor e tudo o mais que você quer evitar." ... continua.

(Eva Pierrakos e Donovam Thesenga - Não Temas o Mal - Ed. Cultrix, São Paulo, 1993 - p. 106/107)
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terça-feira, 28 de junho de 2022

MANTENDO O CORAÇÃO ABERTO

"Não espere resultados imediatos ou milagres. Pode ser que só consiga aliviar o seu sofrimento depois de algum tempo, ou mesmo muito depois, quando você menos esperar. Não tenha qualquer expectativa de que isso vá 'funcionar' ou que acabe com seu sofrimento de uma vez por todas. Esteja tão aberto para a sua dor quanto está na sua prática, para os seres iluminados e para os budas.

Você pode até vir a se sentir misteriosamente grato ao seu sofrimento, porque ele lhe dá uma oportunidade de trabalhar com você mesmo e de transformar-se. Sem ele você nunca teria tido a possibilidade de descobrir que há, escondido na natureza e na profundidade do sofrimento, um tesouro de felicidade. Os períodos de sofrimento na sua vida podem ser aqueles em que está mais aberto; o ponto em que é mais vulnerável pode ser realmente o de sua maior força. 

Assim, diga para si mesmo: 'Não vou fugir desse sofrimento. Quero usá-lo da melhor e mais enriquecedora maneira que puder, de modo a poder tornar-me mais compassivo e mais útil aos outros'. O sofrimento, além de tudo, pode ensinar-me sobre a compaixão. Se você sofre, saberá como é quando outros sofrem. E se está na posição de poder ajudar os outros, é através de seu sofrimento que encontrará a compreensão e a compaixão necessárias para isso. 

Portanto, não importa o que faça, não recuse sua dor; aceite-a e permaneça vulnerável. Por mais desesperado que se sinta, aceite sua dor como ela é, porque de fato ela lhe está oferecendo um presente que não tem preço: a oportunidade de descobrir, através da prática espiritual, o que está além do sofrimento. 'A dor', escreveu Rumi, 'pode ser o jardim de compaixão'. Se voce mantém seu coração aberto para tudo, a dor pode tornar-se a sua maior aliada na busca do amor e da sabedoria. 

E já não estamos cansados de saber que proteger-se da dor não funciona? Que quando tentamos nos defender do sofrimento só sofremos mais e não aprendemos o que poderíamos com a experiência? Como Rilke escreveu, o coração protegido que 'nunca se expôs à perda, inocente e seguro, não pode conhecer a ternura. Somente um coração perdido e resgatado pode ceder ao contentamento: livre, por tudo que deixou para trás, para se alegrar em sua maestria'."

(Sogyal Rinpoche - O Livro Tibetano do Viver e do Morrer - Ed. Talento/Ed. Palas Athena, 1999 - p. 396/397
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quinta-feira, 16 de junho de 2022

ORAÇÃO ORIGINAL (HO'OPONOPONO)

"Divino Criador, Pai, Mãe, Filho, todos em Um.
Se eu, minha família, meus parentes e antepassados ofendemos sua família, parentes e antepassados, em pensamentos, palavras ou ações, desde o início de nossa criação até o presente, nós pedimos o seu perdão.
Deixe que isso se limpe, purifique, libere e corte todas as memórias, bloqueios, energias e vibrações negativas.
Transmute essas energias indesejáveis em pura luz e assim é.
Para limpar o seu subconsciente de toda carga emocional armazenada nele, digo uma e outra vez, durante o meu dia, as palavras chaves do HO'OPONOPONO:
Sinto muito; me perdoe; eu te amo; sou grato.
Declaro-me em paz com todas as pessoas da Terra e com quem tenho dívidas pendentes.
Por esse instante e em seu tempo, por tudo o que não me agrada em minha vida presente:
Sinto muito; me perdoe; eu te amo; sou grato.
Eu libero todos aqueles de quem eu acredito estar recebendo danos e maus tratos, porque simplesmente me devolvem o que fiz a eles antes, em alguma vida passada: 
Sinto muito; me perdoe; eu te amo; sou grato.
Ainda que me seja difícil perdoar alguém, sou eu que pede perdão a esse alguém agora.
Por esse instante, em todo o tempo, por tudo o que não me agrada em minha vida presente:
Sinto muito; me perdoe; eu te amo; sou grato.
Por esse espaço sagrado que habito dia a dia e com o qual não me sinto confortável:
Pelas difíceis relações às quais só guardo lembranças ruins: Por tudo o que não me agrada, na minha vida passada, no meu trabalho e o que está ao meu redor, Divindade, limpa em mim o que está contribuindo para minha escassez: Se meu corpo físico experimenta ansiedade, preocupação, culpa, medo, tristeza, dor, afirmo: 'Minhas memórias, eu te amo'. Estou agradecido pela oportunidade de libertar vocês e a mim.
Sinto muito; me perdoe; te amo; sou grato.
Minha contribuição para a cura da Terra:
Amada Mãe Terra, que é quem Eu Sou: Se eu, a minha família, os meus parentes e antepassados te maltratamos com pensamentos, palavras, fatos e ações, desde o início da nossa criação até o presente, eu peço o teu perdão. Deixa que isso se limpe e purifique, libere e corte todas as memórias, bloqueios, energias e vibrações negativas. 
Transmute essas energias indesejáveis em pura luz e assim é. 
Para concluir, digo que esta oração é minha porta, minha contribuição à sua saúde emocional, que é a mesma que a minha. Então esteja bem e, na medida em que vai se curando, eu lhe digo que: Sinto muito pelas memórias de dor que compartilho com você. 
Eu lhe pelo perdão por unir meu caminho ao seu para a cura e lhe agradeço por estar aqui em mim. Eu lhe amo por ser quem você é."

(Raul Branco - A Essência da Vida Espiritual - Ed. Teosófica, Brasília, 2018 - p. 205/207)
Imagem Google: Loja Projeto de Vida.


terça-feira, 14 de junho de 2022

HO'OPONOPONO

"Ė perdoando, que se é perdoado; E é morrendo que se vive para a vida eterna.

Ho'oponopono é mais do que uma prece ou um mantra. É uma poderosa e comprovada prática de cura. Sua origem remonta a prática de cura tradicionais da polinésia. Tornou-se conhecida no ocidente pelo trabalho de um psicólogo terapeuta havaiano, Ihaleaka Hew Len, discípulo de uma famosa curadora havaiana, Morrnah Simeona, que usava o método tradicional de ho'oponopono.

A prática atualmente usada é baseada na ideia de Len de que não existem limites (Zero Limits) para que nossos estados mentais venham afetar a mente dos outros. Por isso, se assumirmos inteiramente a responsabilidade por nossa vida, todas nossas percepções e tudo que experimentamos de alguma forma vai afetar as outras pessoas (a VIDA UNA). Os problemas que vivenciamos não são resultado de uma realidade exterior, mas uma expressão de nossa própria realidade interior. Portanto, para Len, tudo existe como uma projeção do interior do ser humano.

O que muitos acrecitavam não passar de uma bonita teoria foi comprovado na prática pelo próprio Len, em circunstâncias desafiadoras. Ele aceitou assumir uma função em que seus antecessores só aguentavam ficar uns poucos meses. Essa função indesejável era de trabalhar como psicólogo do pavilhão de criminosos em doenças mentais numa prisão do Havaí. Sua exigência foi de 'tratar' os internos inicialmente por meio do estudo minucioso dos registros disponíveis da vida desses doentes, incluindo até mesmo detalhes de sua vida familiar. Com essas informações, Len procurava entrar em sintonia com o estado emocional do paciente e fazia, com um sentimento de profunda compaixão, a prática de cura de ho'oponopono indicada a seguir.  

Por meio da análise das fichas de cada paciente, o terapeuta aplicava as palavras-chave do ho'oponopono, e a repetição da técnica mudava seu próprio estado de espírito. Consequentemente,  a atividade mental dos detentos também se alterava. 

Por inacreditável que a história possa parecer, Len conseguiu curar quase todos os criminosos do pavilhão de doentes mentais, sem sequer conversar ou interagir com nenhum deles. 

De forma resumida, pode´se afirmar que Len conseguiu curar os presos conforme ia mudando sua mente e curando a si mesmo. 

O principal objetivo do ho'oponopono é buscar a cura dos problemas psicológicos ou mesmo de distúrbios mentais por meio do perdão. Como a prática de ho'oponopono é baseada na Unidade, é possível curar os outros a partir da nossa própria cura, por meio do perdão.

O segredo da cura é repetirmos várias vezes ao longo do dia seus elementos operacionais mentalizando a pessoa a ser curada: (Sinto muito; me perdoe; eu te amo; sou grato)"

(Raul Branco - A Essência da Vida Espiritual - Ed. Teosófica, Brasília, 2018 - p. 203/204)
Imagem: Pinterest.


quinta-feira, 2 de junho de 2022

O SENTIMENTO E A EMOÇÃO GERAM CRUELDADE

"É perceptível que nem a emoção nem o sentimento estão relacionados com o amor. A sentimentalidade e a emoção são apenas reações do gostar ou do desgostar. Eu gosto de você e estou terrivelmente empolgado com você; eu gosto deste lugar, ele é adorável e tudo o mais, o que implica que não gosto do outro e assim por diante. Por isso, o sentimento e a emoção geram crueldade. Você já observou isso?

A identificação com um pano - a bandeira de um país - é um fator emocional e sentimental, e em defesa dele há quem deseja matar outra pessoa. É esse o amor por seu país, por seu vizinho? Portanto, onde entram o sentimento e a emoção não existe amor. São eles que geram a crueldade do gostar e do desgostar. 

Além disso, onde há inveja não há amor, é óbvio. Eu tenho inveja de você porque você ocupa uma posição melhor, tem um emprego melhor, uma casa melhor, você parece mais gentil, mais inteligente, mais desperto, por isso eu tenho inveja de você. Na verdade, não dizemos que temos inveja, mas concorremos uns com os outros, o que é uma forma de ciúme, de inveja. Então, a inveja e o ciúme não são amor, e eu me livro deles. Contudo, não posso falar sobre como se livrar deles, mas continuar sendo invejoso. Na verdade, tenho de me livrar deles como a chuva lava a poeira de muitos dias em uma folha. Eu simplesmente os removo."

(Krishnamurti - O Livro da Vida - Ed. Planeta do Brasil, São Paulo, 2016 - p. 150)
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quinta-feira, 12 de maio de 2022

A MEDITAÇÃO DO DIA A DIA

"Algumas pessoas pensam que meditar é se sentar de pernas cruzadas em alguma montanha do Himalaia, contemplando o próprio umbigo, ou algo feito por aqueles que, de algum modo impossível, são 'espirituais', mas não por quem tem que 'viver no mundo'.

Sentar-se durante meia hora para meditar não é uma opção para alguém que tenha três filhos com menos de cinco anos, ou dois empregos para pagar as prestações da casa. Pode até ser pior se os filhos forem adolescentes, porque ficarão acordados até tarde, e é provável que prefiram um tipo de música que seja de natureza definitivamente não meditativa. Quanto a meditar num apartamento cheio de estudantes - esqueça!

Mas temos que esperar até ter idade suficiente e ser suficientemente ricos para nos sentar numa montanha do Himalaia ou viver no ashram de algum guru? Precisamos esperar até nos aposentar do mundo comercial e ter tempo para toda essa questão espiritual? De modo algum. Existem muitas e diferentes maneiras de meditar, e algumas são bastante apropriadas para o nosso mundo atarefado. Porque meditação é, essencialmente, quietude interior, e existe sempre um método que pode ser usado, qualquer que seja a situação. 

Uma maneira que achei eficaz é chamada de 'meditar caminhando'. Esse tipo de meditação teve muitos nomes ao longo dos séculos e surgiu sob muitas formas, porque pode se adequar a diferentes temperamentos e situações. Os antigos cristãos a chamavam de Oração do Coração. O modo como eu a pratico é o seguinte: paro o que estou fazendo por um segundo ou dois e foco a atenção no coração. Visualizo uma luz branca descendo sobre mim enquanto inspiro, depois descendo para a terra da expiração, e novamente ascendendo na inspiração. 

Posso fazer isso uma vez ou por vários minutos, dependendo da agitação daquele momento. Em seguida visualizo a luz branca descendo sobre mim e se irradiando do meu coração, depois retornando à fonte. A respiração se alinha com a visualização. A duração depende da necessidade. Posso fazer uma oração ou simplesmente dizer uma palavra; geralmente digo 'Jesus', porque venho de uma família cristã.

A afirmação 'luz acima de mim' é ótima. Eu a faço com frequência, particularmente quando estou caminhando, andando de bicicleta ou mesmo quando estou usando o computador no trabalho. Nesse momento, procuro focar todo o meu ser na luz. 

O ideal é fazer isso frequentemente ao longo do dia. Se você tiver a sorte de estar numa situação onde a meditação formal e regular seja possível, pratique-a. Mas, se usar essas técnicas alternativas várias vezes e contar o número de vezes, ficará surpreso ao descobrir que você tem tempo para meditar durante meio hora ou mais. 

Não adianta sentar-se em meditação durante horas e depois se levantar e gritar com a esposa, com os filhos, com o colega de trabalho. Para mim, espiritualidade é o que você é, não o que você acredita ser, o que você pensa ou faz; a vida espiritual deve ser trazida para a vida diária. 

Qualquer meditação é apenas um acompanhamento para o correto viver, para uma vida focada em trazer para o mundo uma pequena porção de luz. Não buscamos fugir do mundo para algum estado celestial; buscamos trazer esse estado celestial para o aqui e agora, e ser o foco do amor divino naquilo que fazemos."

(June Valloyon - A meditação do dia a dia - Revista Sophia, Ano 13, nº 55 - p. 9)
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quinta-feira, 14 de abril de 2022

O VALOR DO PERDÃO - (2ª PARTE)

"(...) Perdoar é simplesmente uma escolha seletiva de nossas lembranças. Em vez de insistirmos em nos lembrar das coisas negativas do passado, escolhemos nos lembrar dos momentos alegres com a pessoa que queremos perdoar e então especemos o resto. O perdão radical é o total abandono do passado, em todos os relacionamentos pessoais e dramas coletivos. 

Na perspectiva do amor, perdoar é a disposição de abrir mão das mágoas e sentimentos de culpa do passado. É a decisão de não sofrer mais e curar o coração e o espírito. É a escolha de não dar mais valor à raiva e ao ódio. E é também a renúncia ao desejo de magoar os outros e a nós mesmos por algo que pertence ao passado.

O perdão não é uma complacência com o erro. Ao perdoar o outro, você não está de modo algum concordando com o comportamento daquele que o faz sofrer, ou aceitando suas agressões ou ofensas. Ao perdoar, você deve aprender a separar consequência, de culpa ou ressentimento. Não podemos evitar a consequência objetiva dos atos cometidos no passado. Mas não devemos permitir que a culpa ou o ressentimento nos prendam em suas garras. 

Com relação ao perdão, QUERER é a palavra chave. Decida que não quer mais sofrer. Perdoe-se e perdoe o outro. Ao invés de querer castigar o outro, assuma a busca da paz interior como sua meta. O homem do mundo age em conformidade com sua tradição (que julga ser a sabedoria), em contraste com a sabedoria superior. A sabedoria superior tolera; a tradição julga; a sabedoria alivia; a tradição culpa; a sabedoria perdoa; a tradição condena.

Jung nos ensinou que a imaginação criativa, que os budistas chamam de imaginação correta, é um poderoso instrumento de mudança interior. Imagine sua vida sem medo de expressar seus sonhos. Você sabe o que quer, o que não quer e quando quer. Está livre para alterar sua vida da forma que sempre desejou. Continue o exercício imaginando que você tem permissão para ser feliz e aproveitar a sua vida. Para concluir, imagine que ama a si mesmo do jeito que você é.

O próximo passo demanda disciplina. Para moldarmos uma realidade feliz, temos que nos empenhar a cada momento, em não nos permitir ser limitados e encarcerados no medo do passado, nas ansiedades sobre o futuro e pelas 'verdades' questionáveis que assimilamos de nossos pais e da nossa cultura. 

Perdoar equivale a descartar o lixo psicológico da mesma forma que fazemos com o lixo orgânico depois das refeições. Todo lixo acumulado deixa um cheiro ruim no ambiente. O lixo psicológico é uma clara indicação de que há algo podre em nossos sentimentos que, por ignorância, insistimos em guardar no nosso coração." ...continua.  

(Raul Branco - A Essência da Vida Espiritual - Ed. Teosófica, Brasília, 2018 - p. 85/87)
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terça-feira, 12 de abril de 2022

O VALOR DO PERDÃO - (1ª PARTE)

"A primeira dificuldade para praticarmos o perdão é o fato de o ego estar sempre focado no passado. A culpa é o resultado de mantermos em nossa memória os 'pecados' do passado. Porém, só podemos amar no presente, sendo o perdão uma expressão de amor. O perdão neutraliza os dois venenos que nos prendem ao passado: culpa e mágoa. 

Se nossas lembranças de sofrimento nos prendem ao passado, como podemos nos livrar do tempo? Para isso temos que viver no Eterno Agora, que na verdade é o estado de consciência do Reino de Deus. O perdão não é necessário no Céu, pois 'ali' ninguém é culpado ou tem pecado. No 'Céu' tudo está bem, nada precisa ser mudado ou consertado. Para entrarmos na consciência do Reino do Céu, precisamos aceitar a vida como ela é, ou seja, perdoar todos os nossos julgamentos e pensamentos de crítica

O perdão é um atitude para com a vida, mesmo quando somos agredidos. Jesus nos ensinou abandonar a antiga tradição judaica de retaliação na famosa passagem: 'Ouviste que foi dito: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao mal; antes, àquele que te fere na face direita oferecer-lhe também a outra.' As pessoas geralmente acham o ensinamento de dar a outra face incompreensível. A razão para isso é que entendem essa passagem bíblica literalmente, quando ela é alegórica. Dar a outra face quando atacado é apresentar a atitude (ou face) espiritual de não revidar, não atacar. 

"Considerada sob o ponto de vista da visão comum, a retaliação de qualquer espécie é não só permissível, mas desejável. O contra-ataque é o melhor meio de defesa. As leis da vida espiritual indicam o contrário. Não só são aconselhadas a ausência de defesa e de retaliação, mas atendendo o princípio, parece como se fosse recomendada a repetição do ataque, convidada pela não ação. A disciplina da não-reação à pressão externa e a preservação, sob todas as circunstâncias, o equilíbrio interior é essencial, porque, então, é estabelecida a perfeita harmonia, e ela governa o pensamento e a conduta. O aspirante, portanto, permanece calmo, impassível e sem represália a cada assalto à cidadela de sua consciência interior."²⁰

A atitude defensiva de nossas posses e do que acreditamos serem nossos direitos pessoais foram desenvolvidas ao longo de centenas de vidas. Essa atitude é necessária para a vida em sociedade, para preserva nossa vida pessoal, nossas posses, nossa família. Mas, quando entramos no Caminho Espiritual, os valores do passado da personalidade precisam ser substituídos pelos valores do bem comum, geralmente expressos pelo ideal da harmonia. O erro tem de ser desfeito e corrigido, em vez de castigado. A raiz do erro é o medo, e todo medo é oriundo do passado. Só o amor dissipa o medo, mas o amor está no presente. 

Por incrível que pareça, perdoar a si mesmo pode ser, algumas vezes, mais difícil que perdoar o outro. Não existe ninguém tão duro conosco como nós mesmos. Porém, quando perdoamos nossos erros, após a devida reflexão e determinação de mudar, entendemos que os outros também erram por ignorância e fraqueza. o perdão dos outros passa a ser mais fácil, especialmente quando nos damos conta de que o processo do perdão está inteiramente sob nosso controle." ... contínua.

²⁰ HODSON, Geoffrey. A Vida de Cristo do Nascimento à Ascensão. Brasília, Ed. Teosófica, 1999, p. 141.

(Raul Branco - A Essência da Vida Espiritual - Ed. Teosófica, Brasília, 2018 - p. 83/85)
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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

O AMOR E A UNIDADE

"Há muitos entendimentos da palavra amor. Desde sempre os músicos e poetas cantam e declamam esse grande mistério da humanidade. Porém não vamos nos referir aqui ao amor como paixão entre duas pessoas, relacionado aos desejos e ciúmes, e sim ao amor dos santos, aquele descrito em inúmeras tradições religiosas: o amor por todos os seres, isento de desejo de recompensa. Será que esse sentimento pode se manifestar em todos nós? E caso possa, qual a natureza desse fenômeno?

Para compreender esse grande mistério é necessário lembrar a conhecida máxima ocultista: 'Um é o todo, o todo é um.' Este é um grande axioma do esoterismo, mas será que conseguimos assimilar um conceito tão profundo? Helena Blavatsky, quando apresenta sua constituição septenária do ser humano, define que Ãtman, nosso princípio mais elevado ou espiritual, não é individual, mas coletivo. Ou seja, de acordo com seu sistema de filosofia esotérica, não há um Ãtman para cada ser vivo, mas somente um, compartilhado com todos. 

Isso significa que de fato somos apenas um ser, compartilhando manifestações diversas aparentemente fragmentadas: somos diferentes pontos de vista de um mesmo observador. Os mestres de Blavatsky afirmam que esse princípio superior não está em um local inacessível; ele está presente em todos os demais princípios ou veículos da consciência, ou seja, é onipresente.

Devido a isso, no Budismo encontramos o conceito de Anãtman, que poderia ser traduzido como 'não eu': não há, em essência, seres individualizados e separados. Este é um princípio profundo, que exige muito esforço meditativo para que possa não somente ser compreendido em nível intelectual, mas também incorporado em todos os níveis de nossa compreensão e assimilado por nossa alma. 

Como esse princípio se relaciona com o amor dos santos, relatado nas escrituras e por inúmeros religiosos, espiritualistas e gurus?

Refletindo sobre o mistério chamado amor, poderíamos descrevê-lo objetivamente como um magnetismo invisível e irresistível que mantém dois ou mais seres conectados pelo período de uma vida, e, em muitos casos, também no período pós-vida, em uma sucessão de manifestações, corpóreas ou não. 

Esse magnetismo misterioso e indestrutível é nada menos que a pura percepção da unidade, pois, se de fato somos um só ser, além do entendimento intelectual do conceito, há um momento em que começamos a assimilar em outros níveis essa realidade única. Isso nos desperta para uma outra relação com a vida e com todos os outros entes, animados ou inanimados, já que tudo e todos são simplesmente partes de nós mesmos. 

Com essa chave começa a ser possível compreender o sentimento de compaixão, profunda manifestado por todos os Bodhisattvas, que consideram todos por igual, com empatia e paciência infinita com qualquer ser vivo. Pois, de acordo com essa afirmação, simplesmente não existe outro ser, mas extensões ou outras versões de nós mesmos. Portanto, o altruísmo não é uma simples virtude a ser cultivada: o único caminho possível é amar o próximo como a si mesmo, pois o outro sou eu, o único eu possível aquele ou aquilo que também somos nós.

Ao longo da experiência humana, em inúmeras reencarnações, a 'meta' talvez seja a compreensão gradual da realidade única da qual fazemos parte. Este é o desenvolvimento de bodichita descrito no Budismo, uma chama interna que uma vez acesa não se apaga mais, 'a chama eterna do amor imortal."

(Charles Boeira - O amor e a unidade - Revista Sophia, Ano 19. nº 90 - p.11)
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terça-feira, 18 de janeiro de 2022

ALTRUÍSMO LIVRE DE APEGO

"Porém, até que esse nível de percepção seja atingido, cada momento de sua vida surge da dependência de outro. Você usa roupas e se senta em cadeiras feitas por outras pessoas. Come alimentos cultivados e cozidos por outras pessoas. Por mais que queira acreditar que alcançou realizações com seus próprios esforços, você está unido a todos os outros seres. 

Essa percepção de nossa interdependência leva diretamente a um senso de responsabilidade e à necessidade de abrir mão do desejo de aquisição. Até que tenhamos atingidos o verdadeiro altruísmo, livre da ignorância, podemos começar devolvendo aquilo que recebemos para beneficiar os outros da melhor maneira possível.

Podemos chamar isso de compaixão, amor, cuidado. O significado é o mesmo: em suas ações, palavras e pensamentos, você considera os outros antes de você mesmo. Alguns de nós praticamos a meditação para alcançar essa compreensão; outros são capazes de entender isso por si sós. Mas não importa falar a respeito da compaixão - o importante é praticá-la.

Você precisa de sabedoria para se olhar internamente e ver que tipo de pessoa você é. Compaixão significa abrir mão da autoidentidade, parar de tentar provar sua identidade o tempo todo. Significa que você trabalha da maneira como o vento trabalha, como o sol trabalha, como o ar trabalha. O ar assume a forma de um aposento. Ele não diz 'vou lhe dar este espaço para respirar, desde que você respire da maneira que eu quero'. o mesmo se dá com o sol; ele não para de brilhar quando há nuvens no céu.

Dessa maneira, o altruísmo livre do apego - a compaixão usada com sabedoria - significa ir além do modo como você quer fazer as coisas. Se você consegue abrir mão de se tornar a pessoa mais importante do mundo, haverá mais capacidade e mais espaço dentro de você para trabalhar com os outros. Você descobrirá mais espaço, tempo e energia dentro de si. Imagine, por exemplo, que você consiga trabalhar como voluntário num hospital, mas descubra que há restrições e que você não pode fazer as coisas da maneira como quer. Você luta contra o sistema, fica exausto e conclui que sua compaixão não está sendo usada da melhor maneira. Mas o que precisa ser compreendido, ao aplicar a sabedoria à sua compaixão, é o quanto de solidez você está trazendo para a situação. Ao insistir em como as coisas deveriam ser, você cria uma frustração que prejudica a criatividade que poderia aplicar à situação.

Quando queremos gerar compaixão, terminamos trabalhando com nossas próprias emoções. Descobrimos que uma situação nos oprime na mesma medida em que nós a solidificamos. Portanto, sem sabedoria, a compaixão não atuará. A sabedoria é o que nos permite ser imparciais em nossas ações. Com sabedoria, não estamos limitados a uma causa ou propósito; fazemos o melhor que podemos numa determinada situação e seguimos em frente. 

Sem sabedoria, frequentemente focamos um único problema ou questão que pensamos ser mais importante. Mas vivemos num mundo que é habitado por seres humanos, e enquanto houver bilhões de humanos não haverá uma única coisa que todos aceitem. Muitas coisas não são feitas da maneira como você gostaria. 

Diferentes filosofias surgiram da compaixão - Cristianismo, Budismo, Islamismo, Hinduísmo. Mas eu acredito que esta é a correta, você acredita que aquela é correta, e uma terceira pessoa acredita em outra. Mesmo um conceito tão universal quanto a compaixão, os budistas chamam de bodhicitta, os hindus chamam de karuna, os cristãos chamam de amor. Nós nos aferramos a nossos próprios termos."

(Khandro Rinpoche - Compaixão para uma vida melhor - Revista Sophia, Ano 15, nª 70 - p. 10)
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terça-feira, 11 de janeiro de 2022

VIVER COM INSPIRAÇÃO

"Há um aforismo que diz que 'conhecimento é poder'. É uma afirmação que tem um certo apelo, porque parece estar de acordo com nossa experiência diária e com nosso senso comum. Cada vez que aprendemos uma nova habilidade ou aplicamos alguma informação, influenciamos o nosso ambiente para melhor ou pior. Nesse sentido, nosso conhecimento é poder. Mas será que ele vai somente até aí?

Conhecimento é um termo flexível que pode abranger muitas coisas. Na conversação normal, o termo conhecimento pode significar uma variedade de coisas - do endereço do supermercado na vizinhança aos dados de um experimento físico, ou até a descrição do corpo astral. Embora diferente em conteúdo e qualidade, o processo de obter conhecimento é o mesmo. Os órgãos dos sentidos enviam impressões à pessoa. Segundo a ciência contemporânea, o sistema nervoso informa ao cérebro. Na tradição da Sabedoria Perene, que reconhece a primazia da consciência, o processo tem um alcance mais amplo. Em sânscrito, os jnanendriyas (órgãos do conhecimento) transferem nossas percepções para camadas sempre mais profundas de nosso ser. O que começa como uma impressão física torna-se uma sensação, depois um sentimento, e então se combina com o pensamento. A característica distintiva da informação é que, não importa qual seja o assunto, a informação não transforma. Na melhor das hipóteses, é um fenômeno mental. 

Para aqueles que estão continuamente engajados no processo de autotransformação há uma hierarquia de percepção na qual o conhecimento normal é o primeiro passo. O desabrochar da consciência move-se do conhecimento para a compreensão até a sabedoria. O conhecimento é o construtor. Ele fornece estrutura, que é uma função da mente. A compreensão dá significado às estruturas que a mente constrói e é uma função de buddhi (em sânscrito, a intuição espiritual). A sabedoria é como o espaço, que contém todas as coisas, define todas as coisas, mas não pode ser identificado por nenhuma nem por todas elas. É a natureza da realidade. Nas palavras de Krishna, 'tento penetrado este universo com um fragmento de mim mesmo, Eu permaneço'. Nós experienciamos isso como a percepção da realidade; do irreal conduz-me ao real. 

Para a maioria de nós a necessidade é mover-nos para além da tendência da mente de obter informação, para a função mais profunda da mente iluminada pela intuição espiritual. Somente essa mente reflete a amplidão, a criatividade, a compreensão, a liberdade e a compaixão que caracterizam uma vida inspirada. 

De tempos em tempos encontramos o termo 'círculo vicioso', que se refere à tendência para a ação não inteligente produzir reações indesejadas num ciclo fechado. O exemplo mais proeminente desse processo é encontrado no conceito em sânscrito chamado samsara, muitas vezes descrito como a roda de repetitivo nascimento, doença, velhice, morte e renascimento. Em nossa abordagem à compreensão aplica-se o mesmo princípio, exceto que ele poderia ser mais corretamente chamado de 'círculo virtuoso'.

Atos compassivos e amorosos evocam uma resposta da nossa natureza superior, iluminando nossos corações e mentes, que por sua vez permitem-nos agir com percepção e discernimento mais profundos. O processo autoiniciado de continuamente nos colocarmos na presença de pensamentos e emoções coloridos pelo amor é o que podemos chamar de viver inspirado - um processo que necessariamente resulta na elevação da visão sintética, da percepção global, da compreensão oniabarcante e do senso de unidade a que chamamos compreensão."

(Tim Boyd - Viver com inspiração - Revista Sophia, Ano 16, nº 73 - p. 5/6)
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terça-feira, 7 de dezembro de 2021

SUPERE O NERVOSISMO ESCOLHENDO BOAS COMPANHIAS

"Há duas espécies de nervosismo: psicológico (ou superficial) e mecânico (ou orgânico). O psicológico, a variedade mais comum, nasce da agitação mental. Esta, se for contínua e acompanhada do convívio com pessoas destituídas de qualidades inspirativas, dieta errada e maus hábitos de saúde, causa as manifestações crônicas ou orgânicas das doenças nervosas.  

A alimentação deve ser simples, equilibrada e não deve ser ingerida em excessiva quantidade. O exercício deve ser regular. Dormir demais entorpece os nervos, e dormir de menos prejudica-os. Importantíssima é a escolha das companhias. 'Diz-me com quem andas, e te direi quem és.' Bajuladores não nos ajudam. Devemos buscar a companhia de homens superiores - os que nos dizem a verdade e nos ajudam a progredir. O melhor amigo é quem, humildemente, sugere mudanças valiosas para melhorar nossa vida. 

A crítica veemente, expressa de forma insensível ou má, é como bater com um martelo na cabeça de alguém. O poder do amor é infinitamente mais eficaz. Sugestões bondosas, oferecidas com amor e compreensão, podem fazer milagres; simplesmente apontar defeitos nada produz. Uma pessoa estará em condições de julgar os outros somente quando aperfeiçoar seu próprio caráter. Até lá, julgar-se a si mesmo é a única análise proveitosa. 

O convívio com pessoas calmas e sábias é um dos meios mais rápidos de eliminar o nervosismo e atingir a percepção de nossa divindade inata. Pessoas nervosas deveriam conservar-se longe dos que têm problemas semelhantes."

(Paramahansa Yogananda - A Eterna Busca do Homem - Self-Realization Fellowship - p. 100/101)


terça-feira, 30 de novembro de 2021

O MEDO DA ENTREGA (PARTE FINAL)

"Ao contrário do devoto, o ser humano comum cria inúmeras imagens fantasiosas de Deus. Deus está além de todos os nossos modelos, imagens e imaginação. Ele é referido pelos cabalistas e discípulos Iniciados como O INCOGNOSCÍVEL, A FONTE, O TODO, O UNO. Assim, para chegar mais perto de Deus, é preciso abandonar todas as nossas fantasias e representações sobre a Divindade. A imagem que temos do Pai Celestial geralmente corresponde à projeção que fazemos de nosso pai terreno. Aqueles que tiveram um pai presente, amoroso e compreensivo, projetam essa imagem num Deus amoroso. Porém, muitas pessoas tiveram um pai disciplinador, sem sempre presente e, por isso, propenso a mentir, fazer barganhas e manipulações para conseguir ser aceito e obedecido.   

Aqueles que têm uma imagem de Deus, como sendo um pai amoroso estão mais propensos a se entregar a Deus. Porém, aqueles que têm uma imagem de Deus como disciplinador, sujeito a acessos de ira e propensos a fazer barganhas, terão medo de Deus. Consequentemente terão dificuldade para realmente se entregar a Deus. Portanto, a mudança em nossa crença de um Deus de medo para um Deus de amor é um dos requisitos essenciais para a vida espiritual, em geral, e para a entrega, em particular. 

Infelizmente, grande parte dos cristãos, sejam eles católicos ou evangélicos, é condicionada a crer em um Deus do medo. As pregações nessas igrejas enfatizam reiteradamente que todo pecador será castigado no inferno por toda a eternidade. Não é de se estranhar que os fiéis e crentes desenvolvam um 'temor' a Deus em vez de um 'amor' a Deus. A entrega a Deus, nesse caso, passa a ser um ato temerário.

Assim que entendermos, sem a menor dúvida, que a vontade de Deus, que é Amor e tudo Sabe (porque vive em nós mesmos), é que sejamos verdadeiramente felizes, não vamos sentir mais a necessidade de pedir qualquer outra coisa além de que Sua vontade seja feita. Nesse caso, ao pedir que seja feita a Vontade de Deus, instruímos nossas mentes a focar na beleza da vida, a ver todas as razões que temos para celebrar e repousar na certeza de que estamos protegidos e no caminho certo, em vez de lamentar.

Mas, ainda assim, o poder do ego é tão forte que temos receio de deixar tudo inteiramente nas mãos de Deus porque não temos certeza se Ele vai cuidar de todos nossos interesses e projetos. Essa atitude demonstra que nossos principais interesses ainda estão neste mundo. Como dizia o Mestre: 'Onde está o teu tesouro, aí estará o teu coração'. Nesse caso, a pessoa que ainda não está pronta para dar o grande passo da entrega, pois não confia em Deus."

(Raul Branco - A Essência da Vida Espiritual - Ed. Teosófica, Brasília, 2018 - p. 114/115)


quinta-feira, 18 de novembro de 2021

A ENTREGA A DEUS (1ª PARTE)

"A pessoa madura é consciente de que deve assumir a responsabilidade por construir a sua vida, sem sonhar e esperar que seus problemas sejam resolvidos por uma fonte externa. No entanto, um dos pilares da vida espiritual é a entrega a Deus. Será que estamos diante de mais um paradoxo da vida oculta? Esse não é o caso. As duas proposições são verdadeiras concomitantemente, pois Deus não é uma fonte externa, mas sim o âmago de nossa natureza interior. Na verdade somos uma expressão de Cristo, somos o Filho de Deus, mas a maior parte da humanidade ainda não tem consciência desta verdade profunda e eterna. 

Nosso progresso na Senda espiritual torna-se acelerado quando fazemos uma sincera entrega a Deus ou, como alguns estudiosos preferem dizer, uma entrega à nossa natureza divina. Com isso transferimos o centro de decisões de nossa vida, do ego, com suas limitações de todos os tipos, para nossa natureza superior, com seu amor, sabedoria e total comprometimento com nossa felicidade última. Com isso estaremos desativando o atual agente controlador de nossa vida, que não busca o nosso verdadeiro interesse, e entregando o controle para nosso Pai/Mãe Celestial, cujo propósito é a nossa libertação do sofrimento e Iluminação, ou seja, o nosso 'passaporte' para que, como filhos pródigos que somos, possamos retornar par a Casa do Pai.

Quando realmente nos entregamos a Deus sentimos que não estamos mais sozinhos. Passamos a ter acesso a toda a sabedoria e poder que SERÃO NECESSÁRIOS para superarmos as dificuldades e os desafios que todo aspirante enfrenta no caminho que leva à Verdade que nos liberta. Vista sob outro ângulo, a entrega a Deus acelera nosso progresso na Senda, justamente porque o objetivo da vida espiritual é alcançar a consciência da unidade com Deus. 

Sabemos, por experiência própria, que tudo conspira contra as mudanças necessárias na vida espiritual. As tentações vivem nos fazendo tropeçar. Os apegos dificultam nosso progresso. O ego usa de mil artimanhas para garantir a manutenção do status-quo, sendo uma das mais importantes, no mundo cristão, a crença errônea de que somos 'vis pecadores'. Essas dificuldades afetam buscadores novatos e avançados indistintamente, como indica a famosa passagem do Apóstolo Paulo:

'Eu sei que o bem não mora em mim, isto é, na minha carne. Pois o querer o bem está ao meu alcance; não, porém, o praticá-lo. Com efeito, não faço o bem que eu quero, mas pratico o mal que não quero. Ora, se eu faço o que não quero, já não sou eu que estou agindo, e sim o pecado (o ego) que habita em mim'.

Esse impasse também foi aludido por Jesus no Sermão da Montanha quando ele declarou: 'Ninguém pode servir a dois Senhores'. Temos que decidir se queremos tomar o caminho que nos levará às alturas espirituais ou permanecer nos vales sombrios deste mundo de ilusões, sofrendo sob o jugo do ego. Neste caso permaneceremos sujeitos às inesperadas virados do destino com suas amargas surpresas e desilusões. Nossas experiências são equiparadas a sonhos. Esses sonhos são de nossa criação. Como eles são a nossa percepção errônea da realidade, podemos mudá-los a qualquer momento. Temos o poder de criar o inferno e o poder de criar o céu. Por que não usar a nossa mente, nossa imaginação, nossas emoções e nossa determinação para criar o céu? Com isso passamos a perceber a paz, o amor e a alegria à nossa volta em tudo e em todos.(...)" ...continua.

(Raul Branco - A Essência da Vida Espiritual - Ed. Teosófica, Brasília, 2018 - p. 99/101)