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terça-feira, 25 de agosto de 2026

NO CAMINHO DAS VIRTUDES

 
"... A alegria apareceu e plantou belo jardim... 

Conta-se que o Senhor desejou levantar grande mansão destinada à moradia de certo orientador de encargos complexos, num mundo feliz, e para isso convocou algumas das Virtudes do seu Reino de Sabedoria e de Amor. 

Apareceu a Geometria e escolheu o local no topo de um monte. 

Veio o Cálculo e traçou os planos. 

Chegou o Gênio das Invenções e ergueu máquinas que garantissem a segurança e o conforto na construção. 

Surgiu o Equilíbrio e orientou a formação de pisos e vigas cornijas e paredes, tetos e mirantes. 

Destacou-se a Higiene, que cuidou de tudo o que se reportava ao asseio. 

Veio a Beleza e decorou o palácio com imagens e cores de elevada significação. 

A Cultura entrou em atividade e organizou valiosa biblioteca. 

A Prudência compareceu e guiou a fabricação de portas e chaves. 

A Alegria apareceu e plantou belo jardim. 

Terminada a obra, o Senhor veio examiná-la mas não pareceu satisfeito. 

Alguns dos aposentos eram sombrios e depois de entardecer a noite dominava todo o grande recinto. A vista disso, recomendou mais ampla cooperação dos Cimos e a Administração dos Céus enviou-lhe outra Virtude que não pedia qualquer consideração. 

Abordou a paisagem, evitando os espelhos da popularidade e da fama, penetrou no castelo, sem perder tempo, e, lá dentro, esculpiu a tomada elétrica, retirando-se logo após. 

Desde esse momento, a vivenda, tanto quanto quisessem os moradores, convertia-se em soberbo espetáculo de luz. 

Multidões de curiosos cercaram a mansão, no intuito de algo perguntar a quem realizara semelhante prodígio, no entanto, não mais encontraram a mensageira. 

Souberam apenas que essa Virtude trazia o nome de Humildade."

Extraído do livro "Amizade", de Francisco Cândido Xavier, Ditado pelo Espírito Meimei, p. 30.
Imagem por nisargaraj655 via Pinterest


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REFLEXÕES A PARTIR DA MENSAGEM
 
A VIRTUDE QUE ILUMINA AS DEMAIS

Na pequena narrativa de Meimei, várias virtudes e qualidades colaboram para a construção de uma grande mansão. Cada uma oferece algo importante: planejamento, equilíbrio, beleza, cultura, prudência e alegria.

Tudo parece perfeito. Entretanto, ainda falta luz.

É então que surge a Humildade. Sem procurar reconhecimento, ela realiza silenciosamente a sua tarefa e permite que toda a construção seja iluminada.

A imagem utilizada por Meimei nos convida a olhar para a nossa própria construção interior.

Podemos desenvolver conhecimentos, capacidades e muitas qualidades. Podemos realizar boas obras e oferecer muito aos outros. Mas de que maneira fazemos tudo isso?

A humildade talvez seja justamente a virtude que nos ajuda a colocar as demais no lugar certo.

Ser humilde não significa diminuir o próprio valor. Significa reconhecer nossas possibilidades sem necessidade de superioridade, compreender que ainda temos muito a aprender e realizar o bem sem transformar nossas ações em motivo de exaltação pessoal.

Há também um detalhe muito significativo na mensagem: depois de cumprir sua tarefa, a Humildade simplesmente se retira. Não permanece esperando aplausos.

Essa imagem nos leva a uma questão importante: quanto do bem que fazemos conseguiríamos realizar mesmo que ninguém viesse a saber?

Para refletir

  • Tenho necessidade de reconhecimento quando faço algo de bom?
  • Como reajo quando outra pessoa recebe os méritos por um trabalho do qual também participei?
  • Consigo reconhecer meus erros e aprender com outras pessoas?
  • Minhas qualidades têm servido principalmente a mim ou também ao próximo?
  • Em quais situações da minha vida preciso exercitar mais a humildade?

Talvez a grande lição de Meimei esteja justamente aí: não basta construir virtudes; é preciso iluminá-las pela humildade.

Quando ela está presente, nossas qualidades deixam de ser instrumentos de afirmação pessoal e passam a servir, com maior simplicidade, ao bem.

Um convite para a semana

Escolha uma boa ação que possa ser realizada discretamente, sem divulgação e sem expectativa de agradecimento.

Depois, observe o que essa experiência desperta em você.

Às vezes, é no bem realizado em silêncio que começamos a compreender a verdadeira grandeza da humildade.

Que a virtude seja a tua companhia constante. Paz e Luz. 





terça-feira, 4 de agosto de 2026

OS DESCOBRIDORES DO HOMEM

"Finda a leitura de alguns trechos da história de Job, a palestra na residência de Simão versou acerca da fidelidade da alma ao Pai Todo-Poderoso. 

Diante da vibração de alegria em todos os semblantes, Jesus contou, bem-humorado: 

— Apareceu na velha cidade de Nínive um homem tão profundamente consagrado a Deus que todos os seus contemporâneos, por isso, lhe rendiam especial louvor. Tão rasgados eram os elogios à sua conduta que as informações subiram ao Trono do Eterno. E, porque vários Arcanjos pedissem ao Todo-Poderoso a transferência dele para o Céu, determinou a Divina Sabedoria fosse procurado, na selva da carne, a fim de verificar-se, com exatidão, se estava efetivamente preparado para a sublime investidura. 

Para isso, os Anjos Educadores, a serviço do Altíssimo, enviaram à Terra quatro rudes descobridores de homens santificados — e a Necessidade, o Dinheiro, o Poder e a Cólera desceram, cada qual a seu tempo, para efetuarem as provas indispensáveis. 

A necessidade que, em casos desses, sempre surge em primeiro lugar, aproximou-se do grande crente e se fez sentir, de vários modos, dando-lhe privações, obstáculos, doenças e abandono de entes amados; entretanto, o devoto, robusto na confiança, compreendeu na mensageira uma operária celeste e venceu-a, revelando-se cada vez mais firme nas virtudes de que se tornara modelo. 

Chegou, então, a vez do Dinheiro. Acercou-se do homem e conferiu-lhe mesa lauta, recursos imensos e considerações sociais de toda sorte; mas o previdente aprendiz lembrou-se da caridade e, afastando-se das insinuações dos prazeres fáceis, distribuiu moedas e posses em multiplicadas obras do bem, conquistando o equilíbrio financeiro e a veneração geral. 

Vitorioso na segunda prova, veio o Poder, que o investiu de larga e brilhante autoridade. O devoto, contudo, recordou que a vida, com todas as honrarias e dons, é simples empréstimo da Providência Celestial e usou o Poder com brandura, educando quantos o rodeavam, por intermédio da instrução e do trabalho bem orientados, recebendo, em troca, a obediência e a admiração do povo entre o qual nascera. 

Triunfante e feliz, o crente foi visitado, enfim, pela Cólera. De maneira a sondar-lhe a posição espiritual, a instrutora invisível valeu-se dum servo fraco e ignorante e tocou-lhe o amor próprio, falando, com manifesta desconsideração, em assunto privado que, embora expressão da verdade, constituía certo desrespeito a qualquer pessoa de sua estatura social e indiscutível dignidade. 

O devoto não resistiu. Intensa onda sanguínea lhe surgiu no rosto congesto e ele se desfez em palavras contundentes, ferindo familiares e servidores e prejudicando as próprias obras. Somente depois de muitos dias, conseguiu restaurar a tranquilidade, quando, porém, a Cólera já lhe havia desnudado o íntimo, revelando-lhe o imperativo de maior aperfeiçoamento e notificando ao Senhor que aquele filho, matriculado na escola de iluminação, ainda requeria muito tempo, na experiência purificadora, para situar-se nas vibrações gloriosas da vida superior. 

Curiosidade geral transparecia do semblante de todos os presentes, que não ousaram trazer à baila qualquer nova ponderação. Estampando no rosto sereno sorriso, o Cristo terminou: 

 — Quando o homem recebe todas as informações de que necessita para elevar-se ao Céu, determina o Pai Amoroso seja ele procurado pelas potências educadoras. A maioria dos crentes perdem a boa posição, que aparentemente desfrutavam, nos exercícios da Necessidade que lhes examina a resistência moral; muitos voltam estragados das sugestões do Dinheiro que lhes observa o desprendimento dos objetivos inferiores e a capacidade de agir na sementeira do bem; alguns caiem, desastradamente, pelas insinuações do Poder que lhes experimenta a competência para educar e salvar os companheiros da jornada humana, e raríssimos são aqueles que vencem a visita inesperada da Cólera, que vem ao círculo do homem anotar-lhe a diminuição do amor próprio, sem a qual o espírito não reflete o brilho e a grandeza do Criador, nos campos da vida eterna. 

O Mestre calou-se, sorriu compassivamente, de novo, e, porque ninguém retomasse a palavra, a reunião da noite foi encerrada." 

Extraído do livro "Jesus no Lar", de Chico Xavier, pelo Espírito Neio LúcioFEBBrasília, p. 51/53.
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quinta-feira, 23 de julho de 2026

EXCESSO DE VOCÊ

"Cap. XIII – Item 10
 
Amigo, Espiritismo é caridade em movimento. 

Não converta o próprio lar em museu. 

Utensílio inútil em casa será utilidade na casa alheia. 

O desapego começa das pequeninas coisas, e o objeto conservado, sem aplicação no recesso da moradia, explora os sentimentos do morador. 

A verdadeira morte começa na estagnação. 

Quem faz circular os empréstimos de Deus, renova o próprio caminho. 

Transfigure os apetrechos, que lhes sejam inúteis, em forças vivas do bem. 

Retirem da despensa os gêneros alimentícios, que descansam esquecidos, para a distribuição fraterna aos companheiros de estômago atormentado. 

Reviste o guarda-roupa, libertando os cabides das vestes que você não usa, conduzindo-as aos viajores desnudos da estrada. 

Estenda os pares de sapatos, que lhes sobram, aos pés descalços que transitam em derredor. 

Elimine do mobiliário as peças excedentes, aumentando a alegria das habitações menos felizes. 

Revolva os guardados em gavetas ou porões, dando aplicação aos objetos parados de seu uso pessoal. 

Transforme em patrimônio alheio os livros empoeirados que você não consulta, endereçando-os ao leitor sem recursos. 

Examine a bolsa, dando um pouco mais que os simples compromissos da fraternidade, mostrando gratidão pelos acréscimos da Divina Misericórdia que você recebe. 

Ofereça ao irmão comum alguma relíquia ou lembrança afetiva de parentes e amigos, ora na Pátria Espiritual, enviando aos que partiram maior contentamento com tal gesto. 

Renovemos a vida constantemente, cada ano, cada mês, cada dia... 

Previna-se hoje contra o remorso de amanhã. 

O excesso de nossa vida cria a necessidade do semelhante. 

Ajude a casa de assistência coletiva. 

Divulgue o livro nobre. 

Medique os enfermos. 

Aplaque a fome alheia. 

Enxugue lágrimas. 

Socorra feridas. 

Quando buscamos a intimidade do Senhor, os valores mumificados em nossas mãos ressurgem nas mãos dos outros, em exaltação de amor e luz para todas as criaturas de Deus."  (André Luiz)

Texto extraído do livro "O Espírito da Verdade - Estudos e dissertações em torno da obra 'O Evangelho Segundo o Espiritismo', de Allan Kardec", de Francisco Cândido Xavier/Waldo Vieira, por vários Espíritos, FEB, Brasília/DF, item 2, p. 11/12.
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terça-feira, 21 de julho de 2026

O QUE IMPORTA É O HOJE

"'[…] Quando Jesus chegou àquele lugar, olhou para cima e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa; porque importa que eu fique hoje em tua casa […].' (Lucas, 19:5) 

Somos donos de nosso destino. Devemos aprender a nos manter de pé, a ser nós mesmos e a assumir a própria vida. 

Ontem é o passado que não volta jamais. 

Hoje é a realização do tempo presente. 

Amanhã é a construção das obras do hoje. 

Culpa e vergonha por atos passados apenas nos servirão de entraves. 

O melhor meio de reparar o que passou é procurar a conduta responsável no momento atual. 

Disse Jesus a Zaqueu: “[…] porque importa que eu fique hoje em tua casa […]”. 

Não te prendas às dores e mágoas do pretérito; isso somente te fará vibrar nas correntes enfermiças do desajuste e do desequilíbrio. 

Vive de maneira digna e aperfeiçoa-te no dia de hoje. Os teus atos de agora te seguem como a sombra acompanha a estrutura física. 

Esforça-te neste momento; somente assim tua vida terá um futuro pleno e feliz. 

Toda hora temos a oportunidade de experimentar novos ensinamentos existenciais, aprender algo novo ou alguma lição que possa ser somada à existência atual. Cada dia é único, portanto, faça valer a pena e esteja sempre receptivo ao novo. 

Soluçar no presente por uma amargura do passado é recriar outra aflição; é soluçar outra vez. 

O passado sempre será passado. Deixa-o passar… 

O futuro estará em tuas mãos se abençoares o teu hoje com boas obras."

Texto extraído do livro "A Busca do Melhor", de Francisco do Espírito Santo Neto, ditado por Hammed, Boa Nova Editora, Catanduvas/SP, item 27.
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terça-feira, 14 de julho de 2026

MOMENTOS DE AFLIÇÃO E PROVA

"Momentos de aflição e prova surgem pelo caminho, inesperados, concitando à disciplina espiritual indispensável ao processo evolutivo do ser.

Águas serenas que são açoitadas por fortes vendavais; paisagens tranquilas que se modificam ao império de tempestades violentas; climas de paz que se convertem em campos de lutas rudes; viagem segura, que se torna perigosa, objetivos próximos de conquistados, que se perdem de repente; saúde que cede à enfermidade; amigos dedicados, que vão adiante; adversários vigorosos, que surgem ameaçadores; problemas econômicos, que aparecem, constringentes, tantos são os motivos de aflição e prova, que ninguém avança, na Terra, sem os experimentar. 

Enquanto domiciliado no corpo, espírito algum se encontra em segurança, vitorioso, isento de experiências difíceis, de possíveis insucessos.

Os momentos de prova e aflição constituem recurso de aferição dos valores morais de cada um, mediante os quais o homem deve adquirir mais valiosas expressões iluminativas como suportes para futuros investimentos evolutivos.

Por isso, todos somos atingidos por tais métodos de purificação.

*

Vigia-te, no momento de aflição e prova, a fim de que não compliques, por precipitação, o teu estado íntimo.

Suporta o vendaval do testemunho com serenidade; recebe a adaga da acusação indébita com humildade; aceita o ácido da reprimenda injusta com nobreza; medita diante do sofrimento com elevação de sentimentos.

Todos os momentos difíceis cedem lugar a outros: os de paz e compreensão.

Não te desalentes, exatamente quando deves fortalecer-te para a luta.

São nos instantes difíceis que as resistências morais devem estar temperadas, suportando as constrições que ameaçam derruir as fortalezas íntimas.

Quando estiveres a ponto de desfalecer, procura refúgio na oração.

Orando, renovar-se-ão tuas paisagens mentais e morais, elevando-te o ânimo e reconfortando-te espiritualmente.

*

Jesus, que não tinha qualquer dívida a resgatar e que é o Sublime Construtor da Terra, enquanto conosco não esteve isento dos momentos de aflição, demonstrando, amoroso, como vencê-los todos, e, ao mesmo tempo, ensinando a técnica de como retirar do aparente mal as proveitosas lições da felicidade.

Considera-Lhe os testemunhos, e, em qualquer momento em que sejas defrontado pela aflição ou prova, enfrenta a circunstância e extrai do amor a parte melhor da tua tarefa de santificação."

Texto extraído do livro "Oferenda", de Divaldo P. Franco/Joanna de Ângelis, Livraria Espírita 'Alvorada' - Editora, Salvador, BA, p. 43/45.
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quinta-feira, 9 de julho de 2026

GRAÇA E REENCARNAÇÃO

"Toda vez em que se aborda o tema da reencarnação, os mais ferrenhos estudiosos dos Evangelhos, que se detêm na forma da mensagem antes que no seu conteúdo, opõem à necessidade do nascer de novo na carne, a que se referiu Jesus, a concessão da 'graça', como mecanismo de salvação, em decorrência da divina misericórdia do Pai.

A salvação pela graça, sem dúvida, constitui uma dádiva arbitrária, que viola as leis do equilíbrio universal, a uns beneficiando, em detrimento de outros, em flagrante injustiça por parte do Soberano Criador.

Igualmente, o conceito apresentado, em referência ao 'sangue de Cristo', salvando as criaturas, deve ser entendido como a lição preciosa que o Mestre nos deu, demonstrando que, mesmo Ele, que era puro, não se furtou ao holocausto da própria vida, num extremo ato de amor, a fim de que nos não evadamos à doação plena e total, quando chegado o momento do sacrifício pessoal.

*

Ensejar-se a um endividado revel a oportunidade de resgatar os débitos, constitui-lhe uma graça.

Conceder-se, ao trânsfuga do dever, o ensejo de reabilitação, torna-se para ele uma graça imerecida.

Facultar-se, ao enfermo, recursos de renovação e saúde é-lhe uma graça auspiciosa.

Proporcionar-se, ao delinquente, o afastamento da sociedade, a reeducação e o retorno à comunidade, torna-se-lhe uma graça bendita.

Agraciar-se, porém, o agressor esquecendo-lhe a vítima, é um ato de injustiça.

Liberar-se o algoz, sem facultar o mesmo a quem lhe padeceu a perversidade, faz-se uma forma de estimular o crime.

O amor e a justiça cooperam em favor da reabilitação do devedor, que libera a consciência da engrenagem do erro, encontrando a felicidade anelada.

O amor verdadeiro não beneficia uns, olvidando outros.

'Nenhuma das ovelhas que o Pai me confiou se perderá' - disse Jesus. Isto equivale a afirmar que todos se salvarão mediante as conquistas realizadas durante as sucessivas existências.

*

A reencarnação é a graça que o Pai concede aos que se comprazem no erro e na delinquência, a fim de desfrutarem a salvação, essa conquista que nos cumpre lograr a esforço próprio e com sacrifício pessoal.

A vida é única, no seu processo de crescimento e perfeição, em que o berço e o túmulo representam portas de entrada e de saída para cada existência física.

A carne nasce, morre e renasce inúmeras vezes, inclusive numa mesma existência corporal, mas a vida não cessa nunca.

Utiliza-te, portanto, da concessão feliz dos renascimentos físicos, a fim de cresceres em direção ao bem e à liberdade que o Mestre te acena, enquanto te aguarda, reabilitando-te dos erros cometidos, evitando incidir em outros e edificando-te no bem para o bem de todos. 

Texto extraído do livro "Oferenda", de Divaldo P. Franco/Joanna de Ângelis, Livraria Espírita 'Alvorada' - Editora, Salvador, BA, p. 37/39.
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terça-feira, 7 de julho de 2026

PROBLEMAS DO AMOR

"'Para que aproveis as coisas que são excelentes, para que sejais sinceros e sem escândalo algum'. Paulo.

O amor é a força divina do Universo.

É imprescindível, porém, muita vigilância para que não o desviemos na justa aplicação.

Quando um homem se devota, de maneira absoluta, aos seus cofres perecíveis, essa energia, no coração dele, denomina-se 'avareza'; quando se atormenta, de modo exclusivo, pela defesa do que possui, julgando-se o centro da vida, no lugar em que se encontra, essa mesma força se converte nele em 'egoísmo'; quando só vê motivos para louvar o que representa, o que sente e o que faz, com manifesto desrespeito pelos valores alheios, o sentimento que predomina em sua órbita chama-se 'inveja'.

O ódio é, comumente, o amor envenenado de ontem.

O ciúme é o amor vestido de espinhos dilacerantes.

A soberba é o amor desvairado a si próprio.

Paulo, escrevendo à amorosa comunidade filipense, formula indicação de elevado alcance. Assegura que 'o amor deve crescer, cada vez mais, no conhecimento e no discernimento, a fim de que o aprendiz possa provar as coisas que são excelentes'.

Instruamo-nos, pois para conhecer. Eduquemo-nos para discernir.

Cultura intelectual e aprimoramento moral são imperativos da vida possibilitando-nos a manifestação do amor, no império da sublimação que nos aproxima de Deus.

Atendamos ao conselho apostólico e cresçamos em valores espirituais para a eternidade, porque, muitas vezes, o nosso amor é, simplesmente, querer, e, tão somente com o 'querer' é possível desfigurar, impensadamente, os mais belos quadros da vida."

Extraído do livro "Segue-me", de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito EmmanuelCasa Editora O ClarimMatão/SP, p. 49/50.
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quinta-feira, 25 de junho de 2026

JESUS E PERDÃO

"Ensinando o amor para com os inimigos vejamos como procedia Jesus, diante daqueles que lhe hostilizavam a causa e lhe feriam o coração. 

Em circunstância alguma vemo-lo a derramar-se, louvaminheiro, encorajando os que se mantinham no erro deliberado, mas sim renovando sempre o processo de auxiliar com esquecimento de toda injúria. 

Diante da turba que O preferia a Barrabás, o delinquente confesso, não se entrega ao elogio da multidão, mas guarda dignidade e silêncio, tolerando-lhe a afronta. 

Perante Pilatos, o juiz inseguro, não lhe beija as mãos lavadas, mas sim, pela conduta de vítima irreprochável, lhe devolve o espírito inconsequente à noção de responsabilidade própria. 

Em plena rua, cambaleante sob o lenho do suplício, não se volta para sorrir aos ingratos que lhe cospem no rosto, mas ora por todos eles, confiando-os ao tempo que é o julgador invisível da Humanidade. 

Na cruz não toma a palavra para agradecer a inconstância de Pedro ou a fraqueza de Judas, nem faz voto festivo aos sacerdotes que lhe insultam a Doutrina de Amor, mas a todos contempla, sem mágoa, pedindo perdão para a ignorância de quantos Lhe impunham a humilhação e a morte. 

E olvidando os verdugos e adversários, ei-Lo que torna ao convívio das criaturas, em pleno terceiro dia depois do túmulo em trevas, a fazer ressurgir para a Terra enoitada a radiante mensagem da Luz. 

Desculpar aos que nos ofendem não será comungar-lhes a sombra, mas sim esquecer-lhes os golpes e seguir para a frente, trabalhando e aprendendo, amparando e servindo sempre, na exaltação do bem para que o mundo em nós outros se liberte do mal."

Extraído do livro "Abrigo" de Francisco Cândido Xavier/Emmanuel, p. 16/17.
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quinta-feira, 18 de junho de 2026

NA EXECUÇÃO DA DIVINA LEI

"Amemos a Deus sobre todas as coisas, procurando-lhe o Reino do Amor, em cuja edificação devemos contribuir. 

Auxiliemos ao próximo, tanto quanto desejamos ser auxiliados. 

Cumpramos, de boa vontade os deveres de cada dia. 

Honremos os familiares amparando-os, quanto nos seja possível. 

Procuremos não prejudicar a ninguém. 

Trabalhemos com alegria servindo a todos, em favor de nós mesmos. 

Desculpemos as faltas alheias, compreendendo quanto temos errado por nossa vez. 

Não cobicemos dos outros senão as virtudes e as qualidades respeitáveis que nos compete imitar na experiência comum. 

Busquemos não realizar despesas além das nossas possibilidades, ainda mesmo que essa medida nos custe sacrifícios ingentes. 

Conservemos a saúde, através de hábitos dignos, espalhando, em torno de nós, a alegria e a fé, o otimismo e a confiança. 

Não nos cansemos de aprender, entendendo que o progresso da alma é infinito, no espaço e no tempo. 

Vivamos cada dia as bênçãos do serviço e do estudo, da prática do bem e do concurso fraterno, com paciência e compreensão, à frente de todas as situações, de todas as pessoas e de todas as coisas, na certeza de que poderemos ser convidados à prestação de contas da própria vida, a qualquer momento, e assim estaremos habilitados a viver diante do Senhor e diante das criaturas, cumprindo fielmente a Divina Lei."

Extraído do livro "Assim Vencerás", de Francisco Cândido Xavier, Ditado pelo Espírito Emmanuel, p. 14.
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quinta-feira, 11 de junho de 2026

FÉ E CULTURA

"'Acolhei o que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões.' — PAULO. (Romanos, 14:1.)

Indubitavelmente, nem sempre a fé acompanha a expansão da cultura, tanto quanto nem sempre a cultura consegue altear-se ao nível da fé. 

Um cérebro vigoroso pode elevar-se a prodígios de cálculo ou destacar-se nos mais entranhados campos da emoção, portas adentro dos valores artísticos, sem entender bagatela de resistência moral diante da tentação ou do sofrimento. De análogo modo, um coração fervoroso é suscetível das mais nobres demonstrações de heroísmo perante a dor ou da mais alta reação contra o mal, patenteando manifesta incapacidade para aceitar os imperativos da perquirição ou dos requisitos do progresso. 

A Ciência investiga. 

A Religião crê. 

Se não é justo que a Ciência imponha diretrizes à Religião, incompatíveis com as suas necessidades do sentimento, não é razoável que a Religião obrigue a Ciência à adoção de normas inconciliáveis com as suas exigências do raciocínio. 

Equilíbrio ser-nos-á o clima de entendimento, em todos os assuntos que se relacionem à Fé e à Cultura, ou estaremos sempre ameaçados pelo deserto da descrença ou pelo charco do fanatismo. 

Auxiliemo-nos mutuamente. Na sementeira da fé, aprendamos a ouvir com serenidade para falar com acerto. 

Diz o Apóstolo Paulo: 'Acolhei o que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões.' É que para chegar à cultura, filha do trabalho e da verdade, o homem é naturalmente compelido a indagar, examinar, experimentar e teorizar, mas, para atingir a fé viva, filha da compreensão e do amor, é forçoso servir. E servir é fazer luz."

Texto extraído do livro "Ceifas de Luz", de Francisco Cândido Xavier, (pelo Espírito Emmanuel), item 38.
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terça-feira, 2 de junho de 2026

O JUIZ REFORMADO

"Como houvesse o Senhor recomendado nas instruções do dia muita cautela no julgar, a conversação em casa de Pedro se desdobrava em derredor do mesmo tema.

- É difícil não criticar - comentava Mateus, com lealdade -, porque, a todo instante, o homem de mediana educação é compelido a emitir pareceres na atividade comum.

- Sim  - concordava André, muito franco -, não é fácil agir com acerto, sem analisar detidamente.

Depois de vários depoimentos, em torno do direito de observar e corrigir, interferiu Jesus sem afetação:

- Inegavelmente, homem algum poderá cumprir o mandato que lhe cabe, no plano divino da vida, sem vigiar no caminho em que se movimenta, sob os princípios da retidão. Todavia, é necessário não inclinar o espírito aos desvarios do sentimento, para não sermos vitimados por nós mesmos. Seremos julgados pela medida que aplicarmos aos outros. O rigor responde ao rigor; a paciência, à paciência; a bondade, à bondade...

E, transcorridos alguns instantes, contou:

- Quando Israel vivia sob o governo dos grandes juízes, existiu um magistrado austero e violento, em destacada cidade do povo escolhido, que imprimiu o terror e a crueldade em todos os serventuários sob a sua orientação. Abusando dos poderes que a Lei lhe conferia, criou ordenações tirânicas para a punição das mínimas faltas. Multiplicou infinitamente o número dos soldados, edificou muitos cárceres e inventou variados instrumentos de flagelação.

O povo, asfixiado por estranhas proibições, devia movimentar-se debaixo de severa fiscalização, qual se fora rebanho de bravios animais. Trabalharia, descansaria e adoraria o Senhor, em horas rigorosamente determinadas pela autoridade, sob pena de sofrer humilhantes castigos, nas prisões, com pesadas multas de toda espécie.

Se bem mandava o juiz, melhor agiam os subordinados, cheios de natural malvadez.

Assim foi que, certa feita, dirigindo-se o magistrado, alta noite, à casa de um filho enfermo, foi aprisionado, sem qualquer consideração, por um grupo de guardas bêbedos e inconscientes que o conduziram à escura enxovia que ele mesmo havia inaugurado, semanas antes. Não lhe valeram a apresentação do nome e as honrosas insígnias de que se revestia. Tomado por temível ladrão, foi manietado, despojado dos bens que trazia e espancado sem piedade, afirmando os sentinelas que assim procediam, obedecendo às instruções do grande juiz, que era ele próprio.

Somente no dia imediato foi desfeito o equívoco, quando o infeliz homem público já havia sofrido a aplicação das penas que a sua autoridade estabelecera para os outros.

O legislador atribulado reconheceu, então, que era perigoso transmitir o poder a subalternos brutalizados e ignorantes, percebendo que a justiça construtiva e santificante é aquela que retifica ajudando e educando, na preparação do Reinado do amor entre os homens.

Desde a singular ocorrência, a cidade adquiriu outro modo de ser, porque o juiz reformado, embora prosseguisse atento às funções que lhe competiam, ergueu, sobre o tribunal, em benefício de todos, o coração de pai compreensivo e amoroso.

Lá fora, brilhavam estrelas, retratadas nas águas serenas do grande lago. Depois de longa pausa, o Mestre concluiu:

- Somente aquele que aprendeu intensamente com a vida, estudando e servindo, suando e chorando para sustentar o bem, entre os espinhos da renúncia e as flores do amor, estará habilitado a exercer a justiça, em nome do Pai."

Extraído do livro "Jesus no Lar", de Chico Xavier, pelo Espírito Neio LúcioFEBBrasília, p. 43/45.
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terça-feira, 26 de maio de 2026

A TRILOGIA BENDITA

"Em tempos remotos, o Senhor vinha ao mundo frequentes vezes entender-se com as criaturas. 

Certa vez, encontrou um homem irado e mau, que outra coisa não fazia senão atormentar os semelhantes. Perseguia, feria e matava sem piedade. Quando esse espírito selvagem viu o Senhor, aproximou-se atraído pela luz d'Ele, a chorar de arrependimento. 

O Cristo, bondoso, dirigiu-lhe a palavra: 

— Meu filho, porque te entregaste assim à perversidade? Não temes a justiça do Pai? Não acreditas no Celeste Poder? A vida exige fraternidade e compreensão. 

O malfeitor, que se mantinha prisioneiro da ignorância, respondeu em lágrimas:

— Senhor, de hoje em diante serei um homem bom. 

Alguns anos passaram e Jesus voltou ao mesmo sítio. Lembrou-se do infeliz a quem havia aconselhado e buscou-o. Depois de certa procura, foi achá-lo oculto numa choça, extremamente abatido. Interpelado quanto à causa de tão lamentável transformação, o mísero respondeu: 

— Ai de mim, Senhor! Depois que passei a ser bom, ninguém me respeitou! Fiz-me escárnio da rua... Tenho usado a compaixão e a generosidade, segundo me ensinaste, mas em troca recebo apenas o ridículo, a pedrada e a dilaceração... 

O Mestre, porém, abençoou-o e falou. 

— O teu lucro na eternidade não será pequeno com o sacrifício. Entretanto, não basta reter a bondade. É necessário saber distribuí-la. Para bem ajudar, é preciso discernir. Realmente é possível auxiliar a todos. Contudo, se a muita gente devemos ternura fraterna, a numerosos companheiros de jornada devemos esclarecimento enérgico. Estimularemos os bons a serem melhores e cooperaremos, a benefício dos maus, para que se retifiquem. Nunca observaste o pomicultor? Algumas árvores recebem dele irrigação e adubo; outras, no entanto, sofrerão a poda, a fim de serem convenientemente amparadas. 

O Senhor retirou-se e o aprendiz retomou luta para conquistar o conhecimento. 

Peregrinou através de muitos livros, observou demoradamente os quadros da vida e recebeu a palma da ciência. 

Os anos correram apressados, quando o Cristo regressou e procurou-o, novamente. 

Dessa vez, encontrou-o no leito, enfermo e sem forças. 

Replicando ao Divino Amigo, explicou-se: 

— Ai de mim, Senhor! Fui bom e recebi injustiças, entesourei a ciência e minhas dificuldades cresceram de vulto. Aprendi a amar e desejar em sã consciência, a idealizar com o plano superior, mas vejo a ingratidão e a discórdia, a dureza e a indiferença com mais clareza. Sei aquilo que muita gente ignora e, por isto mesmo, a vida tornou-se-me um fardo insuportável... 

O Mestre, porém, sorriu e considerou: 

- A tua preparação para a felicidade ainda não se acha completa. Agora, é preciso ser forte. Acreditas que a árvore respeitável conseguiria viver e produzir, caso não soubesse tolerar a tempestade? A firmeza interior, diante das experiências da vida, conferir-te-á o equilíbrio indispensável. Aprende a dizer adeus a tudo o que te prejudica na caminhada em direção da luz divina e distribuirás a bondade, sem preocupações de recompensa, guardando o conhecimento sem surpresas amargas. Sê inquebrantável em tua fé e segue adiante! 

O aprendiz reergueu-se e nunca mais experimentou a desarmonia, compreendendo, enfim, que a bondade, o conhecimento e a fortaleza são a trilogia bendita da felicidade e da paz."

Extraído do livro "Alvorada Cristã", de Francisco Cândido Xavier, Ditado pelo Espírito Neio Lúcio, p. 32/33.
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quinta-feira, 21 de maio de 2026

TOQUE DE AMOR

"Deixa que a fé em Deus te ilumine a visão para que te reconheças no lugar de servir. 

Indubitavelmente, perceberás a série dos desafios que te rodeiam: o lar talvez difícil, entes amados na desvinculação violenta, incompreensões à mostra, ocorrências que se vestem de lágrimas. . . 

Entretanto, não te convertas em tuba da aflição. 

Tumulto adia em nós a conexão necessária com a Providência Divina. 

Ama e auxilia se te alterar. 

A rosa acabará florescendo no espinheiral. 

As estrelas surgirão varando as trevas. 

Deus está agindo. 

Na construção da felicidade, onde a provação apareça não te lamentes nem reclames. 

Dá o teu toque de amor e Deus fará o resto."

Extraído do livro "Amizade", de Francisco Cândico Xavier, Ditado pelo Espírito Meimei, p. 28.
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quinta-feira, 7 de maio de 2026

FAZER LUZ

"'Acolhei o que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões'. Paulo.

Indubitavelmente, nem sempre a fé acompanha a expansão da cultura, tanto quanto nem sempre a cultura consegue altear-se ao nível da fé.

Um cérebro vigoroso pode elevar-se a prodígios de cálculo ou destacar-se nos mais entranhados campos da emoção, portas a dentro dos valores artísticos, sem entender bagatela de resistência moral diante da tentação ou do sofrimento. De análogo modo, um coração fervoroso é suscetível das mais nobres demonstrações de heroísmo perante a dor ou da mais alta reação contra o mal, patenteando manifesta incapacidade para aceitar os imperativos da perquirição ou dos requisitos do progresso.

A Ciência investiga.

A Religião crê.

Se não é justo que a Ciência imponha diretrizes à Religião, incompatíveis com as suas necessidades do sentimento, não é razoável que a Religião obrigue a Ciência à adoção de normas inconciliáveis com as suas exigências do raciocínio.

Equilíbrio ser-nos-á o clima de entendimento, em todos os assuntos que se relacionem à Fé e à Cultura, ou estaremos sempre ameaçados pelo deserto da descrença ou pelo charco do fanatismo.

Auxiliemo-nos mutuamente.

Na sementeira da fé, aprendamos a ouvir com serenidade para falar com acerto.

Diz o Apóstolo Paulo: 'Acolhei o que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões'. É que para chegar à cultura, filha do trabalho e da verdade, o homem é naturalmente, compelido a indagar, examinar, experimentar, e teorizar, mas, para atingir a fé viva, filha da compreensão e do amor, é forçoso servir. E servir é fazer luz.

Extraído do livro "Segue-me", de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito de EmmanuelCasa Editora O ClarimMatão/SP, p. 31/32.
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terça-feira, 5 de maio de 2026

OS INSTRUMENTOS DA PERFEIÇÃO

"Naquela noite, Simão Pedro trazia à conversação o espírito ralado por extremo desgosto.

Agastara-se com parentes descriteriosos e rudes.

Velho tio acusara-o de dilapidador dos bens da família, e um primo ameaçara esbofeteá-lo na via pública.

Guardava, por isso, o semblante carregado e austero.

Quando o Mestre leu algumas frases dos Sagrados Escritos, o pescador desabafou. Descreveu o conflito com a parentela, e Jesus o ouviu em silêncio.

Ao término do longo relatório afetivo, indagou o Senhor:

- E que fizeste, Simão, ante as arremetidas dos familiares incompreensivos?

- Sem dúvida, reagi como devia! - respondeu o Apóstolo, veemente. -  Coloquei cada um no lugar próprio. Anunciei, sem rebuços, as más qualidades de que são portadores. Meu tio é raro exemplar de sovinice, e meu primo é mentiroso contumaz.

Provei, perante numerosa assistência, que ambos são hipócritas e não me arrependi do que fiz.

O Mestre refletiu por minutos longos e falou, compassivo:

- Pedro, que faz um carpinteiro na construção de uma casa? 

- Naturalmente, trabalha - redarguiu o interpelado, irritadiço.

- Com quê? - tornou o Amigo celeste, bem-humorado.

- Usando ferramentas. 

Após a resposta breve de Simão, o Cristo continuou:

- As pessoas com as quais nascemos e vivemos na Terra são os primeiros e mais importantes instrumentos que recebemos do Pai, para a edificação do Reino do céu em nós mesmos. Quando falhamos no aproveitamento deles, que constituem elementos de nossa melhoria, é quase impossível triunfar com recursos alheios, porque o Pai nos concede os problemas da vida, de acordo com a nossa capacidade de lhes dar solução. A ave é obrigada a fazer o ninho, mas não se lhe reclama outro serviço. A ovelha dará lã ao pastor; no entanto, ninguém lhe exige o agasalho pronto. Ao homem foram concedidas outras tarefas, quais sejam as do amor e da humildade, na ação inteligente e constante para o bem comum, a fim de que a paz e a felicidade não sejam mitos na Terra. Os parentes próximos, na maioria das vezes, são o martelo ou o serrote que podemos utilizar em benefício da construção do templo vivo e sublime, por intermédio do qual o Céu se manifestará em nossa alma. Enquanto o marceneiro usa as suas ferramentas, por fora, cabe-nos aproveitar as nossas, por dentro. Em todas as ocasiões, o ignorante representa para nós um campo de benemerência espiritual; o mal é desafio que nos põe a bondade à prova; o ingrato é um meio de exercitarmos o perdão; o doente é uma lição à nossa capacidade de socorrer. Aquele que bem se conduz, em nome do Pai, junto de familiares endurecidos ou indiferentes, prepara-se com rapidez para a glória do serviço à humanidade, porque, se a paciência aprimora a vida, o tempo tudo transforma.

Calou-se Jesus e, talvez porque Pedro tivesse ainda os olhos indagadores, acrescentou serenamente:

- Se não ajudamos ao necessitado de perto, como auxiliaremos os aflitos de longe? Se não amamos o irmão que respira conosco os mesmos ares, como nos consagraremos ao Pai que se encontra no Céu?

Depois dessas perguntas, pairou na modesta sala de Cafarnaum expressivo silêncio que ninguém ousou interromper." 

Extraído do livro "Jesus no Lar", de Chico Xavier, pelo Espírito Neio LúcioFEBBrasília, p. 27/29.
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terça-feira, 28 de abril de 2026

CARIDADE DO ENTENDIMENTO

"Na sustentação do progresso espiritual precisamos tanto da caridade quanto o ar é necessário ao equilíbrio da vida orgânica.

Lembra-te de que a interdependência é o regime instituído por Deus para estabilidade de todo o Universo e não olvides a compreensão que devemos a todas as criaturas.

Compreensão que se exprima, através de tolerância e bondade incessantes, na sadia convicção de que auxiliando aos outros é que poderemos encontrar o auxílio indispensável à segurança de nossa marcha.

À frente de qualquer problema complexo naqueles que te rodeiam, recorda que não seria justa a imposição de teus pontos de vista para que se orientem na estrada que lhes é própria.

O Criador não dá cópias e cada coração obedece a sistema particular de lutas evolutivas.

Só o amor, desse modo, é o clima adequado ao entrelaçamento de todos os seres da Criação e somente através dele integrar-nos-emos na Sinfonia Excelsa da Vida.

Guarda, portanto, em todas as fases de teu caminho a caridade que identifica a presença do Senhor nos caminhos alheios, respeitando-lhes a configuração em que se apresentem.

Não te esqueças de que ninguém é ignorante porque o deseje e, estendendo fraternos braços aos que respiram atribulados na sombra, diminuirás a penúria que se extinguirá, por fim, no mundo, quando cada consciência ajustar-se à obrigação de servir sem mágoa e sem exigência, na certeza de que apenas amando e auxiliando sem reclamar é que permaneceremos felizes e valorosos na Soberana Ascensão para Deus."

Texto extraído do livro "Refúgio", de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito de Emmanuel, p. 5.
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quinta-feira, 23 de abril de 2026

A PAZ COMEÇA EM CASA E NAS ESCOLAS

"Cada indivíduo pertencente a uma família e comunidade deveria se esforçar para viver em harmonia com o próximo. A paz precisa começar em casa e nas escolas. Nas salas de aula é preciso ensinar o patriotismo internacional - amar o mundo como Jesus, Krishna e os grandes mestres ensinaram, e não fazer nada que possa criar desarmonia internacional. Não é da nossa nacionalidade ou da nossa cor que devemos nos orgulhar, e sim da profundidade do nosso entendimento. Temos que cultivar o entendimento e usá-lo para determinar o que é realmente melhor para a felicidade da família, da nação e do mundo. A felicidade internacional deve incluir o bem-estar do país, da comunidade e da família. O padrão usado para legislar deve ser o mérito, e não a cor da pele ou qualquer outra distinção de classe. Estes são os ideais que deveriam ser ensinados às crianças.

Enquanto houver diferenças entre os filhos de Deus, do tipo 'somos indianos, vocês, americanos; somos alemães e vocês, ingleses', o mundo continuará dividido e preso pela ilusão. Muitas guerras, sofrimentos e destruição serão evitados se deixarmos de dar ênfase às diferenças e aprendermos a amar sem distinção ou preconceito. Tenha mais orgulho de ser feito à imagem de Deus do que em ter determinada nacionalidade, pois 'americana', 'indiana' e todas as outras nacionalidades são apenas casacos que, no devido tempo, serão descartados. Mas você é filho de Deus por toda a eternidade. Não seria melhor ensinar este ideal às crianças? É o único caminho para a paz: estabelecer os verdadeiros ideais de paz nas escolas e viver a paz na vida pessoal."

Paramahansa Yogananda, O Romance com Deus, Self-Realization Fellowship, p. 360/361.
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terça-feira, 21 de abril de 2026

BÊNÇÃO DE SOL


É razoável estejamos sempre cautelosos a fim de não estendermos o mal ao caminho alheio. Os outros colhem os frutos de nossas ações e oferecem-nos, de volta, as reações consequentes.

Daí, o cuidado instintivo em não ferirmos a própria consciência, seja policiando atitudes ou selecionando palavras, para que vivamos em paz à frente dos semelhantes, assegurando tranquilidade a nós mesmos.

Em muitas circunstâncias, contudo, não nos imunizamos contra os agentes tóxicos da queixa. Superestimamos nossos problemas, supomos nossas dores maiores e mais complexas que as dos vizinhos e, amimalhando o próprio egoísmo, cultivamos indesejável raiz de amargura no solo do coração. Daí brotam espinheiros mentais, suscetíveis de golpear quantos renteiam conosco, na atividade cotidiana, envenenando-lhes a vida.

Quantas sugestões infelizes teremos coagulado no cérebro dos entes amados predispondo-os à enfermidade ou à delinquência com as nossas frases irrefletidas! Quantos gestos lamentáveis terão vindo à luz, arrancados da sombra por nossas observações vinagrosas.

Precatemo-nos contra semelhantes calamidades que se nos instalam nas tarefas do dia-a-dia, quase sempre sem que venhamos a perceber. Esqueçamos ofensas, discórdias, angústias e trevas, para que a raiz da amargura não encontre clima propício no campo em que atuamos.

Todos necessitamos de felicidade e paz; entretanto, felicidade e paz solicitam amor e renovação, tanto quanto o progresso e a vida pedem trabalho harmonioso e bênção de Sol."

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terça-feira, 7 de abril de 2026

O AMOR PURO

"'Consideremo-nos também uns aos outros para nos estimularmos ao amor e às boas obras". Paulo.
(Hebreus, 10:24).

Algumas vezes somos constrangidos a examinar as diretrizes dos nossos companheiros de experiência, nas horas em que se mostram em atitude menos edificante.

Vimos determinados amigos em lances perigosos do caminho, até ontem. E até ontem terão eles:

    entrado em negócios escusos;

    caídos em lastimáveis enganos;

    perpetrado delitos;

    descido a precipícios da sombra;

    causado prejuízo a outrem, lesando a si mesmos;

    fugido a deveres respeitáveis;

    desprezado valiosas oportunidades no erguimento do bem;

    renegado a fé que lhes servia de âncora; adotado companhias que lhes danificaram a existência; abraçado a irresponsabilidade por norma de ação.

Momentos existem nos quais é impossível desconhecer as nossas falhas; entretanto, tenhamos a devida prudência de situar o mal no passado.

Teremos tido comportamento menos feliz até ontem.

Hoje, porém, é novo dia.

Auxiliemo-nos reciprocamente, acendendo luz que nos dissipe a sombra. Padronizemos o sentimento em ponto alto, pensemos com a força abençoada do otimismo, falemos para o bem e realizaremos o melhor ao nosso alcance, no terreno da ação.

Recordemos o ensinamento do apóstolo, considerando-nos uns aos outros não em sentido negativo, e sim com a fraternidade operante, para que tenhamos o necessário estímulo à prática do amor puro, superando as nossas próprias fraquezas, em caminho para a Vida Maior."

Extraído do livro "Segue-me", de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito EmmanuelCasa Editora O ClarimMatão/SP, p. 43/44.
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