quinta-feira, 5 de março de 2020

O PERCEBIMENTO DO PURO ÃTMAN

Resultado de imagem para ÃTMAN"397 - Enquanto um homem está apegado à sua forma cadavérica (corpo físico), ele é impuro devido aos seus inimigos¹⁰⁵ e há o sofrimento associado com o nascimento, morte e doença. É somente quando ele percebe o puro Ãtman, que é bem-aventurança e que é imóvel, que ele se torna livre deles - assim declaram os Vedas

COMENTÁRIO - O percebimento do puro Ãtman é a chave da libertação, do caminho que permite afastarmo-nos de todos os desejos e apegos. Os Vedas, os mais antigos textos sagrados do mundo, afirmam isso. E esta afirmação procede do testemunho dos Rishis, das almas santas, que a tramitiram aos homens, dando esperança aos escravos de um dia sairem da prisão.

¹⁰⁵ Os inimigos são as paixões: luxúria, raiva, ganância, engano, orgulho e crime. 

(Sankara - Viveka-Chudamani e Joia Suprema da Sabedoria - Comentários de Murilo N. de Azevedo - Ed. Teosífica, Brasília, 2011 - p. 150)


terça-feira, 3 de março de 2020

A RELAÇÃO ENTRE HOMENS E ANIMAIS (PARTE FINAL)

"(...) O homem por mais evoluído ou primitivo que seja, possui um corpo astral, um corpo mental e um corpo causal, com o espírito protegendo e vivificando tudo. Mas o animal possui um corpo astral, uma nuvem vaga representando um corpo mental embrionário e o espírito protetor; o corpo causal, aquilo que torna possível o 'eu' autoconsciente, está ausente. Aqui reside a diferença entre o homem e o animal, entre o mais nobre animal e o mais brutal ser humano.

Quando um animal se torna intensamente devotado a um ser humano, e se apega a esse humano com fidelidade apaixonada, a atividade da inteligência humana estimula o despertar da inteligência do animal e acelera o desabrochar de suas potencialidades. Finalmente, um lampejo, como uma centelha elétrica, salta sobre o abismo entre o espírito que cuida e a mente embrionária; uma ponte de luz se estende sobre o abismo, e uma alma individual nasce. Daí em diante aquele animal se separa de sua espécie, tendo completado o limite da evolução animal. Sua morte será seguida de um grande período de repouso e crescimento interior, e, após um longo tempo ele nascerá como ser humano, para começar outro longo curso de evolução.

Esses caso são, na verdade, raras exceções, mas todos os animais estão trilhando o caminho que leva à individualização espiritual, e seu progresso é acelerado ou retardado pelos seres humanos com os quais entram em contato. O cão, o gato e o cavalo são três espécies capazes de obter maior proveito da associação com o homem, e seu progresso no reino animal pode ser muito acelerado pelo treinamento sábio, firme e compassivo oferecido por seus irmãos mais velhos, os homens. Mesmo se não alcançarem o ponto de individualização, podem ser levados até muito perto dele; um elo se forma entre eles e o dono, elo que no futuro será uma fonte de benefícios e felicidade.

O homem deve aprender a se considerar o irmão mais velho do mundo animal e usar seus poderes para apoiar e auxiliar esses jovens companheiros, não para explorá-los e maltratá-los. Deve deixar de considerar que os animais existem para seu uso e conforto; deve tratá-los como irmãos mais novos na família divina, sabendo que para esses seres ele é o representante do divino, a quem deve responder pela responsabilidade colocada em suas mãos."

(Annie Besant - A relação entre homens e animais - Revista Sophia, Ano 11, nº 42 - p. 23)
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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

A RELAÇÃO ENTRE HOMENS E ANIMAIS (1ª PARTE)

"A relação do homem com os animais é compreendida de maneira bastante incompleta, principalmente porque os animais normalmente são considerados seres 'sem alma', e por isso separados do homem por um abismo insuperável. Mesmo entre os que evitam cometer crueldades há uma ideia generalizada de que os animais são meros acessórios para o homem - 'Deus fez os animais para uso do homem', como muitas vezes se diz. Essa postura de considerar o animal somente à luz de sua utilidade faz com que as pessoas considerem sem sentido questões como o bem-estar e a evolução dos animais.

Mas tudo isso muda se eles forem vistos como criaturas em evolução - se o animal, tal como o homem, tiver uma 'alma'. Nos animais encontramos afeto fraternal, capacidade de amar, medo da dor, uma inteligência que está despertando, e em alguns vemos grande coragem, resignação, fidelidade e devoção ao dono. Por maiores que sejam as diferenças entre essas qualidades e as suas correspondente no homem, elas são diferenças em grau, não em espécie; é possível encontrar um melhor caráter moral num cachorro domesticado do que em alguns seres humanos.

Um cão valente, amoroso, fiel até a morte, merece mais a imortalidade espiritual do que um criminoso sanguinário e cruel. Contudo, a ortodoxia religiosa comum condena aquele à extinção e concede a este a imortalidade. É verdade que existe uma diferença importante entre o animal e o homem; ambos são vivificados por um espírito imortal, cujos poderes são desenvolvidos e ativos em maior ou menor grau, mas a ponte entre o espírito imortal e um corpo que perece, aquilo que às vezes é chamado de 'alma', o 'eu' inteligente, autoconsciente, está presente no homem, mesmo num homem brutal e normalmente está ausente no animal. 

Vejamos um rebanho de ovelhas, uma manada de bois, ou qualquer outro grupo de animais semelhantes, selvagens ou domesticados; observa-se entre eles características semelhantes de pensamento, sentimento e ação. São em grande parte guiados por instintos que compartilham, e comparativamente pouco guiados pelo raciocínio individual. É como se houvesse uma 'alma de grupo' guiando a todos.

Mas quando um animal entre em estreito contato com o homem - um animal como o gato ou o cão - uma mudança gradual torna-se visível ao observador criterioso. Se o animal for uma espécie apropriada, e se for fortemente devotado ao dono, gradualmente começará a demonstrar sinais de individualidade; desenvolverá preferências, seguirá caminhos próprios, manifestará crescente capacidade de raciocínio. (...)"

(Annie Besant - A relação entre homens e animais - Revista Sophia, Ano 11, nº 42 - p. 23)