quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O VIVER NATURAL E O DESNATURAL - PARTE III

"(...) O desejo sexual. Algo mais deveria ser dito aqui a respeito do instinto natural de propagação, que é, depois do instinto de autopreservação, o mais forte no corpo animal. O desejo sexual, como todos os outros desejos, tem um estado normal e um estado anormal ou doentio, resultando este último apenas da matéria estranha acumulada pelo viver desnatural, conforme mencionado acima. No desejo sexual, cada pessoa tem um termômetro exato para indicar a condição de sua saúde. Esse desejo é arrancado de seu estado normal pela irritação dos nervos resultante da pressão de matéria estranha acumulada no organismo, pressão esta que é exercida sobre o aparelho sexual e, a princípio, se manifesta por um aumento do apetite sexual, seguido por uma diminuição gradual da potência.

Em seu estado normal, o desejo sexual torna o homem completamente livre de todas as luxúrias inquietantes e atua no organismo (despertando um desejo de apaziguamento) apenas esporadicamente. Aqui, mais uma vez, a experiência demonstra que esse desejo, como todos os outros, é sempre normal em pessoas que levam uma vida natural como foi mencionado.

A raiz da árvore da vida. O órgão sexual - a junção de importantes extremidades nervosas, particularmente dos nervos simpáticos e espinais (os nervos principais do abdome), os quais, por meio de sua conexão com o cérebro, são capazes de vitalizar todo o organismo - é, em certo sentido, a raiz da árvore da vida. O homem bem instruído no uso apropriado do sexo pode manter o corpo e a mente em perfeita saúde e viver uma vida feliz do começo ao fim.

Os princípios práticos da saúde sexual não são ensinados porque o público encara o assunto como impuro e indecente. Cega dessa maneira, a humanidade atreve-se a cobrir a Natureza com um véu porque esta lhe parece impura, esquecendo-se de que ela é sempre casta e que todas as coisas impuras e inconvenientes estão nas ideias do homem, e não na Natureza em si. É claro, portanto, que o homem não conhecendo a verdade sobre os perigos do abuso do poder sexual e sendo compelido a práticas erradas pela irritação dos nervos resultantes do viver desnatural, sofre doenças perturbadoras durante a vida e, por fim, torna-se vítima da morte prematura.

Habitação do homem. Em segundo lugar, vem o que diz respeito ao nosso local de habitação. Podemos compreender facilmente quando sentimos desprazer ao entrar em um recinto lotado, depois de respirar ar fresco no alto de uma montanha ou na amplidão de um campo ou de um jardim, que a atmosfera da cidade ou de qualquer lugar lotado é um lugar de moradia completamente desnatural. A atmosfera refrescante do topo de uma montanha, ou do campo, ou do jardim ou de uma área seca sob árvores que cobrem um amplo pedaço de terra e livremente ventilada com ar fresco, é o lugar apropriado para o homem morar de acordo com a Natureza.

A companhia que devemos manter. E, em terceiro lugar, é a respeito da companhia que devemos manter. Aqui também, se escutarmos os ditames de nossa consciência e consultarmos nossa inclinação natural, descobriremos de imediato que preferimos aquelas pessoas cujo magnetismo nos afeta harmoniosamente, que acalmam nosso organismo, revigoram interiormente nossa vitalidade, desenvolvem nosso amor natural e, assim nos aliviam de nossos sofrimento e nos proporcionam paz. Isso quer dizer que devemos estar na companhia do Sat ou Salvador, e evitar a do Asat, como descrito anteriormente, Permanecendo na companhia do Sat (o Salvador), somos capazes de gozar perfeito saúde física e mental, e nossa vida é prolongada. Se, por outro lado, desobedecemos à admoestação da Mãe Natureza, sem ouvir os ditames de nossa consciência pura, e mantemos a companhia de tudo o que foi designado como Asat, um efeito oposto é produzido, nossa saúde é prejudicada e nossa vida encurtada.

A necessidade do viver natural e de pureza. Assim, o viver natural é proveitoso para a prática de Yama, as abstenções ascéticas, como explicado anteriormente. Sendo igualmente importante a pureza do corpo e da mente na prática de Niyama (as observâncias ascéticas já explicadas), todo esforço deveria ser feito para alcançar tal pureza."

(Swami Sri Yukteswar - A Ciência Sagrada - Self-Realization Fellowship - p. 66/69)


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

DISCERNIMENTO - PARTE II

"(§06) Quando há trabalho que precisa ser feito, o corpo físico quer descansar, passear, comer e beber; e o homem que não sabe diz a si mesmo: "Eu quero fazer estas coisas, e preciso fazê-las." Mas o homem que sabe, diz: "Aquele que quer não sou eu, e deve esperar um pouco." Frequentemente, quando há uma oportunidade de auxiliar alguém, o corpo insinua: "Quanto aborrecimento me trará isto, deixemos que outro qualquer o faça." Mas o homem que sabe replica ao seu corpo: "Tu não me impedirás de praticar uma boa ação."

(§07) O corpo é teu animal - o cavalo sobre o qual montas. Portanto deves tratá-lo bem e cuidar bem dele; não deves sobrecarregá-lo de trabalho, deves alimentá-lo corretamente, só com alimentos e bebidas puros, e mantê-lo sempre minuciosamente limpo, sem o menor resquício de impureza. Pois sem um corpo perfeitamente limpo e saudável, não podes realizar a árdua tarefa de preparação, nem podes suportar o seu incessante esforço. Mas deves ser sempre tu quem comanda o corpo, e não ele quem comande a ti.

(§08) O corpo astral tem seus desejos -e os tem às dúzias; ele quer que fiques irado, que digas palavras ásperas, que sintas ciúmes, que sejas ávido por dinheiro, que invejes as posses de outras pessoas, que te entregues à depressão. Ele quer todas estas coisas, e muitas mais, não porque deseje prejudicar-te, mas porque gosta de vibrações violentas, e gosta de mudá-las constantemente. Mas tu não queres nenhuma destas coisas, e portanto deves discernir entre os teus desejos e os de teu corpo astral.

(§09) Teu corpo mental deseja pensar em si mesmo orgulhosamente separado, pensar muito em si mesmo e pouco nos outros. Mesmo quando tu o tiveres desviado das coisas mundanas, ainda tentará especular para si, fazer-te pensar em teu próprio progresso, em vez de pensar sobre a obra do Mestre e em auxiliar os outros. Quando tu meditares, tentará fazer-te pensar sobre as inúmeras diferentes coisas que ele deseja, em vez de pensar na única coisa que tu queres. Tu não és esta mente, mas ela é tua para que a uses; assim, aqui novamente o discernimento é necessário. Tens de vigiar incessantemente, ou falharás.

(§10) Entre o certo e o errado, o Ocultismo não admite acordo. A qualquer custo aparente, tens de fazer o que é certo, e não fazer o que é errado, sem dar importância ao que o ignorante possa pensar ou dizer. Tu deves estudar profundamente as leis ocultas da Natureza, e quando as conheceres organiza a tua vida de acordo com elas, utilizando sempre a razão e o bom senso.

(§11) Precisas discernir entre o importante e o não importante. Firme como uma rocha no que concerne ao certo e ao errado, cede sempre aos outros em coisas de somenos importância. Pois deves ser sempre amável e bondoso, razoável e conciliador, deixando aos outros a mesma plena liberdade que necessitas para ti mesmo. (...)"

(Krishnamurt – Aos Pés do Mestre – Ed. Teosófica, Brasília)


O VIVER NATURAL E O DESNATURAL - PARTE II

"(...) Observação dos órgãos dos sentidos. Pela observação da inclinação natural dos órgãos dos sentidos - os indicadores do que é nutritivo -, por meio dos quais todos os animais são dirigidos a seu alimento, verificamos que quando o animal carnívoro encontra a presa, ele sente prazer a tal ponto que seus olhos começam a brilhar; ele agarra impetuosamente a presa e lambe, avidamente, o sangue esguichado. Ao contrário, o animal herbívoro recusa até seu alimento natural, deixando-o intacto, se estiver salpicado com um pouco de sangue. Os sentidos do olfato e da visão o levam a escolher gramíneas e outras ervas para o seu sustento, as quais ele saboreia com prazer. De modo parecido com os animais frugívoros, notamos que seus sentidos os conduzem sempre aos frutos das árvores e dos campos. 

Nos homens de todas as raças constatamos que os sentidos do olfato, audição e visão nunca os levam a abater animais; ao contrário, eles não podem suportar sequer a visão de tais matanças. Sempre se recomenda que os matadouros fiquem bem afastados das cidades; os homens, com frequência, aprovam leis rigorosas proibindo o transporte a descoberto de carnes para consumo. Pode a carne, então, ser considerada o alimento natural do homem, se tanto seus olhos quanto seu nariz são tão contrários a ela, a menos que disfarçada pelos sabores de condimentos, sal e açúcar? Por outro lado, quão delicioso achamos o aroma das frutas, cujo simples olhar sempre nos deixa com água na boca! Também se pode notar que vários grãos e tubérculos têm aroma e sabor agradáveis, embora fracos, até mesmo quando não foram preparados. Logo, mais uma vez, somos levados a concluir a partir dessas observações que o homem foi destinado a ser um animal frugívoro.²

Observação da nutrição das crianças. Observando a nutrição das crianças, vemos que o leite é, sem sombra de dúvida, o alimento dos bebês recém-nascidos. Não haverá suprimento abundante de leite nos seios da mãe se ela não adotar frutas, cereais e verduras como seu alimento natural.

A causa das doenças. Dessas observações, a única conclusão a que se pode racionalmente chegar é que os diversos cereais, frutas, tubérculos e - como bebidas - leite e água pura abertamente exposta ao ar e ao sol são, decididamente, o melhor alimento natural para o homem. Estes, sendo compatíveis com o organismo quando ingeridos, bem mastigados e misturados com saliva, são sempre facilmente assimilados. 

Outros alimentos são desnaturais ao homem e, sendo incompatíveis com o organismo, são necessariamente estranhos a ele; quando entram no estômago, não são assimilados de maneira apropriada. Misturados ao sangue, acumulam-se nos órgãos excretores e em outros órgãos que não lhe são devidamente adaptados. Quando não podem ser eliminados, depositam-se, pela lei da gravidade, nas fendas dos tecidos e, ao fermentar, produzem doenças mentais e físicas, levando, por fim, à morte prematura.

O desenvolvimento das crianças. A experiência também comprova que a dieta natural e não irritante para o vegetariano é, quase sem exceção, admiravelmente adequada ao desenvolvimento tanto físico como mental das crianças. Suas mentes, o entendimento, a vontade, as principais faculdades, o temperamento e a disposição geral são também desenvolvidos de maneira apropriada. 

O viver natural acalma as paixões. Constatamos que quando se empregam recursos extraordinários, tais como jejum excessivo, mortificação, ou confinamento monástico, com o propósito de suprimir as paixões sexuais, tais meios raramente produzem o efeito desejado. A experiência mostra, no entanto, que o homem pode facilmente vencer essas paixões, o arqui-inimigo da moralidade, pelo viver natural com a dieta não irritante acima referida; desse modo, os homens ganham uma tranquilidade mental que todo psicólogo sabe ser a condição mais favorável à atividade mental e a uma compreensão clara, tanto quanto a uma maneira de pensar judiciosa. (...)"

2. "{E Deus} disse-lhes mais: Eis que vos tenho dado todas as ervas que produzem semente, as quais se acham sobre a face de toda a terra, bem como todas as árvores em que há fruto que dê semente; ser-vos-ão de alimentos" Gênesis 1:29. (Nota da editora)

(Swami Sri Yukteswar - A Ciência Sagrada - Self-Realization Fellowship - p. 63/66)