domingo, 10 de março de 2013

O POTENCIAL INFINITO DO PENSAMENTO

"Na vida o homem deve realizar algo além de comer, dormir e trabalhar. Os que são pensadores começam a refletir sobre tudo. Observam e questionam por que as coisas acontecem, ou não acontecem, de determinado modo. Temos primeira e segunda dentição; por que não uma terceira? O que causa essa regulação? Aceitando, sem discutir, muitos pensamentos ilusórios de limitação física, o homem permite que os mesmos controlem sua esfera de existência. Os que pensam não aceitam o inevitável; eles lutam para modificá-lo. Esse é o ingrediente que possibilita o progresso. 

Fico emocionado quando vejo as grandes fábricas, as invenções extraordinárias e outras excepcionais conquistas humanas. Quanto coisa saiu do cérebro do homem! E o próprio cérebro é infinitamente mais complexo do que qualquer coisa que tenha produzido. 

Numerosas pessoas têm a mente obtusa (...) Não são necessariamente ignorantes, apenas muito preguiçosas mentalmente para fazer qualquer esforço além do óbvio necessário. Posso perdoar a preguiça física (talvez haja uma causa fisiológica que a justifique); mas não há desculpa para a preguiça mental! Os mentalmente preguiçosos não gostam de pensar, porque até isso lhes parece trabalhoso demais.

O pensamento é fascinante. Ninguém jamais poderá catalogar todas as tendências e percepções da mente; sua capacidade é infinita. Entretanto, a mente não pode ter um único pensamento original; não há uma só ideia que Deus já não tenha criado ao conceber Suas criações do passado, do presente e do futuro. Por isso, se você pensar com suficiente profundidade a respeito de um assunto, receberá resposta para qualquer dúvida.

Além de pensar, você deve sentir; se o sentimento não acompanhar seus pensamentos, você nem sempre alcançará a conclusão correta. O sentimento é uma expressão da intuição, repositório de todo conhecimento. Sentimento e pensamento (ou razão) devem estar equilibrados; só então a alma, a sublime imagem de Deus em você, manifestará sua plena natureza. Por isso, a ioga ensina a equilibrar as faculdades da razão e do sentimento. Quem não os tem em perfeito equilíbrio, não é uma pessoa plenamente desenvolvida."

(Paramahansa Yogananda - A Eterna Busca do Homem - Self-Realization Fellowship - p. 252/253)


sábado, 9 de março de 2013

LEI DO KARMA - O CATIVEIRO (1ª PARTE)

"Avatares e sábios demonstram que cada ação que praticamos no presente vem de raízes do passado e se projeta inevitavelmente no futuro. Inevitável por quê? Porque não existe causa sem efeito, nem efeito sem causa. Tal é a "Lei da Causalidade", que desautoriza a crença na casualidade. O que costumamos incorretamente chamar de casualidade é uma causalidade, cuja causa escapa à nossa percepção.

Causa e efeito - ensinam os mestres - não são diferentes. São apenas dois momentos de um mesmo fenômeno. O efeito ou consequência já está inseparavelmente entranhado na causa. Como, em certos casos, o efeito demora a se manifestar, é comum pensar que ele não existe. (...) Quem plantou inevitavelmente colherá. O plantio é livre (planta-se o que quiser, quanto quiser, como quiser, onde quiser), mas a colheira é compulsória. Isto não é um ingênuo dogma religioso, mas uma lei absolutamente científica e universal - a "Lei da Causa e Efeito" ou "Lei do Karma". Só os imaturos e egoístas se empenham em tentar evitar a colheira dolorosa do mal que andaram praticando, praticam ou pretendem ainda praticar. A impunidade é possível, mas só na "lei" que os homens instituíram e com a qual astutamente manobram. A "Lei do Karma", porém, não enseja tais manobras. Não adianta fazer projetos de impunidade.

Esta forma de falar pode induzir a pensar que a "Lei do Karma" funciona somente para penalizar infratores. Tornou-se comum tentar explicar traumas, sofrimentos, vicissitudes e dramas de uma pessoa alegando-se que está "pagando um Karma". Ora os seres humanos não praticam somente ações más, perversas, erradas, imorais e criminosas. Pessoas santas felizmente também agem e agem para o bem, com amor, caridade e abnegação. As consequências das ações benfazejas e sábias, pela mesma Lei, têm de ser agradáveis, felizes e auspiciosas. Uma pessoa radiosa, sadia, tranquila e bela está sendo recompensado pelo bem que andou praticando. Em resumo, quem semeou espinheiros vai se espetar. Quem semeou cereais, vai ter o que comer. Os frutos do mérito são recompensas. Os do demérito, castigos. Através de bordoadas e afagos ao longo de muitas vidas, a alma reencarnante vai se educando. Ao nascermos, trazemos dividas a pagar, mas também créditos a usufruir. E ó por isso que temos de nascer tanto para padecer como para desfrutar. Ter de nascer é o que se tem chamado "re-encarnação compulsória". Créditos ou débitos são duas correntes (uma de ouro e outra de ferro) que nos amarram à "roda de samsara", a nascer e morrer, e novamente nascer para novamente morrer. O agir (karma) no mundo é a causa, portanto, de nosso cativeiro. Qual então a esperança de libertação, desde que ninguém pode viver absolutamente parado, sem agir?! Até os caridosos são amarrados pela corrente de ouro à gangorra de nascimentos-mortes-renascimentos-remortes.(...)"

(José Hermógenes - Iniciação ao Yoga - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro - p. 70/71)


YOGA DE AÇÃO

"(...) Existe no Oriente uma tendência de passividade, nascida da convicção de que todo o agir do homem profano é negativo, mau, pecaminoso, porque o homem profano age em nome de seu ego e por amor a ele, que é uma ilusão.

Krishna, porém, e outros mestres iluminados não advogam essa passividade de não agir, mas recomendam uma terceira atitude, equidistante do falso agir do profano e do não agir do místico; insistem no reto agir do homem cósmico. O reto agir consiste em agir em nome e por amor do Eu central (Atman) do homem, embora o ego periférico (Aham) possa servir  como canal e veículo dessas águas vivas que emanam da fonte divina do homem.  

Para que seja possível essa terceira atitude do homem, é indispensável que ele conheça intuitivamente o seu Eu central, que em sânscrito se chama Atman, nos livros sacros do cristianismo aparece como alma ou espírito, e na filosofia e psicologia ocidental é denominado Eu (Self, Selbst). No Evangelho do Cristo, esse Eu central do homem aparece muitas vezes como Pai, Luz, Reino de Deus, Tesouro Oculto, Pérola Preciosa, etc.

Quando o homem age em nome desse seu Eu divino e por amor a ele, embora pelo seu ego humano, não somente não acumula débito ou karma, mas também se libera dos débitos do passado.

De maneira que, no Bhagavad Gita, Krishna atinge o zênite da autorrealização do homem baseado no mais alto conhecimento do seu ser divino formando perfeito paralelo às palavras do Cristo: "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará."

(Bhagavad Gita - Krishna - Texto integral - Ed. Martin Claret, São Paulo - p. 30/31)