sábado, 9 de setembro de 2017

A LUZ DA CONSCIÊNCIA

"As ações liberam energias que criam condições favoráveis ou obstruções. O universo é governado por leis imparciais. Ao contrário das leis dos homens, elas não podem ser quebradas impunemente. Existe um perfeito equilíbrio nas forças do universo. Como tudo obedece às leis universais, não há opção para o aprendiz espiritual a não ser trabalhar para criar condições benéficas em si mesmo. Ninguém mais pode fazer isso por ele.

Ao contrário dos falsos gurus, os verdadeiros adeptos dizem: 'Preencha as condições'. Esses instrutores podem parecer duros, mas na realidade são verdadeiros benfeitores. O guru que disser 'faça como quiser; enquanto você se dedicar a mim, eu o protegerei' está apenas enganando os discípulos.

Um mestre afirmou: 'Seja puro e decidido na senda da retidão. Seja honesto e altruísta: esqueça de si e pense no lado bom das pessoas.' Quem segue esses conselhos atrai a atenção de um adepto. Dizem que, quando um iluminado olha para o nosso mundo, que é escuro e triste, vê aqui e ali a luz da consciência dos puros e generosos, que esquecem seus próprios interesses pelos dos outros. Os adeptos repetidamente indicaram que somente a afinidade interna pode levar um aspirante até eles. A retidão e a generosidade são condições necessárias para chegar à porta e bater."

(Radha Burnier - O adepto e o discípulo - Revista Sophia, Ano 2, nº 7 - p. 37)

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

O ADEPTO E O DISCÍPULO (PARTE FINAL)

"(...) O real adepto é completamente diferente. Ele vive num outro tipo de mundo, onde as satisfações materiais ou psicológias não são relevantes. Seu mundo, porém, não é geograficamente diferente do nosso, não é preciso ir ao Himalaia ou ao Tibete para encontrar um instrutor espiritual. É o mundo da sua consciência que é diferente, porque está completamente livre do eu. É um mundo de unidade, pureza, sabedoria e amor.

Um adepto escreveu: 'a porta está sempre aberta ao homem certo que bate.' Essa porta não leva a mais satisfações mundanas. Não há riquezas do outro lado, nem cargos ou posições a ocupar. Por essa porta não podemos fugir das dificuldades e tensões, porque elas são criadas por nós mesmos; nós geramos as forças que produzem as condições difíceis.

Bater na porta, portanto, não é tão fácil, porque requer ardor verdadeiro. Damos pouca atenção ao ditado 'não se pode servir a Deus e ao diabo ao mesmo tempo'. Não podemos nos agarrar a este mundo e esperar entrar no mundo dos adeptos, nem estar ora neste, ora naquele mundo. Bater é desejar aprender, ter entusiasmo, ansiar por sabedoria. O discípulo deve refletir, por exemplo, sobre os sofrimentos que surgem quando não conseguimos ser pacíficos; após ponderar sobre esta e outras questões profundas, deve ter entendido, pelo menos até certo ponto, que valores são reais e quais são falsos.

Não é o instrutor, portanto, quem abre a porta. Nenhum verdadeiro adepto pode ser persuadido a abrir o caminho para uma dimensão espiritual mais elevada. A porta é aberta pelo discípulo, por suas próprias ações, pelo que pensa e sente a respeito de todos os seres vivos." 

(Radha Burnier - O adepto e o discípulo - Revista Sophia, Ano 2, nº 7 - p. 37)


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

O ADEPTO E O DISCÍPULO (1ª PARTE)

"Krishnamurti afirmou que 'os gurus destroem os discípulos e os discípulos destroem os gurus.' Alguns acharam que fosse brincadeira, outros ficaram perplexos. Contudo, de acordo com a tradição de muitos países, entre o instrutor verdadeiramente espiritual e o discípulo sincero há uma ligação muito estreita - mais estreita do que a de um pai amoroso com o filho dedicado. 

Esse relacionamento é testado durante alguns anos, quando o discípulo é vigiado pelo mestre. Se aprovado, adquire o privilégio de uma conexão interna ainda mais estreita. Mas quando compreendem isso, especialmente numa época em que proliferam gurus, buscam-se 'mães' e todo tipo de pessoa se intitula instrutor.

Usamos a palavra 'adepto', e não 'guru', porque um guru é um instrutor em qualquer área - da música à eletrônica, da ginástica às escrituras. Mas um adepto não é um instrutor em assuntos mundanos. A palavra 'adepto' refere-se a uma pessoa extremamente habilidosa - um especialista na arte e na ciência da vida. As duas estão ligadas intimamente, porque, quando aprende a arte de viver, o aspirante descobre que um véu é retirado de seus olhos, e que pode entender os segredos e as maravilhas da vida. 

Para praticar a arte de viver, certas qualidades essenciais associadas à arte devem se tornar parte do dia a dia: beleza, harmonia, senso de proporção, etc. Muitas pessoas procuram gurus porque desejam algo - apoio, benefícios espirituais, bênçãos, alívio para as pressões da vida, solução para problemas de negócios ou de saúde. Esses discípulos acreditam que, se pagarem o suficiente, agradarem e obedecerem ao guru, terão progresso espiritual. O servilismo dos discípulos ajuda a destruir os gurus, fazendo com que se sintam superiores e poderosos. Os gurus os exploram oferecendo recompensas espirituais, enquanto dos próprios recebem doações materiais. (...)"

(Radha Burnier - O adepto e o discípulo - Revista Sophia, Ano 2, nº 7 - p. 37)