OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


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terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

A LÍNGUA DOS HOMENS

Resultado de imagem para A LÍNGUA DOS HOMENS"De uma maneira geral, pode-se dizer que existem três diferentes formas de amor. Cada uma representa um diferente momento na evolução das pessoas desde a infância até a idade adulta.

O amor infantil é um amor carente. O bebê ama seus pais, ou aqueles que dele cuidam porque deles recebe os cuidados que necessita. Esta forma de amor, que podemos chamar de amor egoísta, é a única ao alcance das crianças e também daqueles que ainda não evoluíram de uma situação emocional infantil.

A partir da adolescência já é possível desenvolver uma forma de amor que se manifesta sob uma perspectiva de troca. Assim, não apenas amamos a quem nos ama, mas nos tornamos capazes de oferecer à pessoa amada uma retribuição de amor. Do amor egoísta, o jovem evolui para a possibilidade de também ser capaz de dar.

Mas é o amor desinteressado, aquele que geralmente surge quando nascem os filhos, que culmina o desenvolvimento do sentimento de amor. É quando se ama independentemente da retribuição a ser recebida, quando a recompensa do amor vem do próprio prazer do sentimento generoso se desenvolvendo dentro de nós. E o elemento fundamental para o crescimento da capacidade de amar é a autoestima, pois é a partir dela que encontramos o alicerce para praticar o preceito de amar ao próximo 'como a si mesmo'.

A evolução da capacidade de amar é uma medida bastante precisa do desenvolvimento espiritual de  uma pessoa. Podemos observar se este comportamento se caracteriza pelo egoísmo, ou pela proposta de troca, pela generosidade desinteressada.

Nosso desenvolvimento espiritual depende de nossa capacidade de amar desinteressada e generosamente, pois apenas assim podemos praticar a caridade, sem a qual nada somos, nada valemos. Como disse São Paulo, na 'Primeira Epístola aos Coríntios', talvez o mais belo texto escrito sobre a caridade: 'Ainda que eu não fale a língua dos homens e dos anjos, se não tiver caridade não serei mais que bronze que soa ou címbalo que retine (...) se não tiver caridade, nada disse me aproveitará.'"

(Luiz Alberto Py - Olhar Acima do Horizonte - Ed. Rocco Ltda., Rio de Janeiro, 2002 - p. 11/12)


terça-feira, 9 de janeiro de 2018

REVENDO VALORES PARA TRANSFORMAR A TERRA (2ª PARTE)

"(...) Nem sempre o que é real é visível aos nossos olhos. Tome-se o exemplo de uma garrafa contendo apenas ar atmosférico. À primeira vista, se perguntarmos a alguém o que ela contém, receberemos em resposta que não tem nada, que está vazia. Contudo, sabemos que o ar é matéria e podemos alterar seu estado físico, tornando-o líquido ou sólido. Além disso, sabemos que ele reage com outras substâncias. O que aparentemente era o nada se solidificou ou se liquefez. Da mesma forma, nem tudo o que vemos é real.

Dessa maneira, geralmente priorizamos e valorizamos as coisas materiais, os bens terrenos, esquecendo-nos da realidade primeira que é Deus.

É lamentável constatar igualmente, que o interesse pessoal se sobrepõe ao coletivo, quer no sentido político, social ou humano. A todo momento, nos deparamos com o SER sendo relegado pelo TER, e para que isso aconteca, constantemente vemos ficar esquecida a Verdade, a Honra, a Justiça e o Amor. 

Eis a razão de tanto sofrimento e de tanta dor permeando a sociedade humana. Ser resgatados esses princípios, certamente não veríamos inúmeros atos de desamor e injustiça sendo praticados, provocando tanta angústia e tanta dor. 

O que se precisa, na realidade, é resgatar a prática do bem em nome do verdadeiro amor, sem visar compensação. Somente assim se alcançará a plenitude da paz espiritual, que é o próprio Céu. É necessário que saibamos que o Céu não é um lugar que se conquista com a prática do bem, a título de recompensa. O Céu é um estado de ser, é um estado de Paz, de Harmonia, de Tranquilidade e de extrema Felicidade, onde reina, como já dissemos, A Verdade, a Justiça e o Amor. (...)" 

(Valdir Peixoto - Conheça-te a ti Mesmo - Ed. Teosófica, Brasília, 2009 - p. 72/74)


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

O ADEPTO E O DISCÍPULO (1ª PARTE)

"Krishnamurti afirmou que 'os gurus destroem os discípulos e os discípulos destroem os gurus.' Alguns acharam que fosse brincadeira, outros ficaram perplexos. Contudo, de acordo com a tradição de muitos países, entre o instrutor verdadeiramente espiritual e o discípulo sincero há uma ligação muito estreita - mais estreita do que a de um pai amoroso com o filho dedicado. 

Esse relacionamento é testado durante alguns anos, quando o discípulo é vigiado pelo mestre. Se aprovado, adquire o privilégio de uma conexão interna ainda mais estreita. Mas quando compreendem isso, especialmente numa época em que proliferam gurus, buscam-se 'mães' e todo tipo de pessoa se intitula instrutor.

Usamos a palavra 'adepto', e não 'guru', porque um guru é um instrutor em qualquer área - da música à eletrônica, da ginástica às escrituras. Mas um adepto não é um instrutor em assuntos mundanos. A palavra 'adepto' refere-se a uma pessoa extremamente habilidosa - um especialista na arte e na ciência da vida. As duas estão ligadas intimamente, porque, quando aprende a arte de viver, o aspirante descobre que um véu é retirado de seus olhos, e que pode entender os segredos e as maravilhas da vida. 

Para praticar a arte de viver, certas qualidades essenciais associadas à arte devem se tornar parte do dia a dia: beleza, harmonia, senso de proporção, etc. Muitas pessoas procuram gurus porque desejam algo - apoio, benefícios espirituais, bênçãos, alívio para as pressões da vida, solução para problemas de negócios ou de saúde. Esses discípulos acreditam que, se pagarem o suficiente, agradarem e obedecerem ao guru, terão progresso espiritual. O servilismo dos discípulos ajuda a destruir os gurus, fazendo com que se sintam superiores e poderosos. Os gurus os exploram oferecendo recompensas espirituais, enquanto dos próprios recebem doações materiais. (...)"

(Radha Burnier - O adepto e o discípulo - Revista Sophia, Ano 2, nº 7 - p. 37)


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

ALEGRIA INCOMPARÁVEL

"A lógica das abstinências é a mesma. A não possessividade requer não indulgência, que surge de não roubar, que surge da não falsidade, que só pode existir com a não violência. As observâncias e abstinências estão inter-relacionadas, e relacionam-se também com todo o sistema de compreensão da mente de Patañjali. A disciplina é apenas um foco em um contexto amplo; nela 'não devem interferir fatores biológicos, físicos nem sociais' (sutra 31). Os resultados da disciplina terão a medida do nosso esforço, e devemos ficar atentos a desculpas como cansaço, falta de tempo, etc. Patañjali promete a recompensa para os que se esforçam:

  • 36. 'Para aquele que está estabelecido em satya, ou não falsidade, a própria ação é a recompensa.'
  • 37. 'Quando estamos estabelecidos em asteya, ou não roubar, sentimos como se tivéssemos toda a riqueza do mundo.'
  • 38. 'Quando estamos estabelecidos em brahmacarya, ou não indulgência, somos dotados de inexaurível energia.'
  • 39. 'Quando estamos estabelecidos em aparigraha, ou não possessividade, começamos a compreender o significado da existência.'
  • 42. 'Quando estamos estabelecidos em santosa, ou autossuficiência, surge uma alegria incomparável.'"

(Cristina Szynwelski - O yoga e a moral espiritual - Revista Sophia, Ano 2, nº 6 - p. 33)


sábado, 7 de janeiro de 2017

O HOMEM NOS TRÊS MUNDOS (PARTE FINAL)

"(...) A lei é a seguinte: determinadas causas trazem determinados resultados. A lei é imutável, mas o jogo dos fenômenos está sempre mudando. A causa mais poderosa entre todas as causas é a vontade e a razão humanas, que, apesar disso, são omitidas, na maior parte das vezes, quando as pessoas falam em karma. Nós somos causas, porque somos a vontade divina, unos com Deus no nosso ser essencial, embora prejudicados pela ignorância e trabalhando através da matéria grosseira, que emperra a nossa ação, até que consigamos conquistá-la e espiritualizá-la. A imutabilidade do karma não é a imutabilidade dos efeitos, mas da lei, e é isso que nos torna livres. Seríamos escravos de verdade num mundo onde tudo acontece por acaso. Nossa liberdade e segurança dependem do conhecimento que temos desse mundo regido por leis. Na Idade Média, os alquimistas de forma alguma eram livres para chegar aos resultados que desejavam, mas tinham de aceitar os resultados como quer que viessem, imprevistos e, na maioria deles, indesejados, mesmo que isso representasse os seu mais sérios prejuízos. O resultado da experiência poderia ser um produto útil, ou reduzir o experimentador a fragmentos. Roger Bacon colocou em ação causas que lhe custaram um olho e um dedo, e, em certa ocasião, essas causas atiraram-no ao chão da sua cela, desacordado. Fora daquilo que conhecemos estamos sempre em perigo, e qualquer causa que ponhamos em ação pode nos desgraçar, porque, a maioria de nós, nos mundos mental e moral, somos Rogers Bacons. Dentro do nosso conhecimento podemos ter movimentos livres e seguros, tal como os bem treinados químicos modernos. Em todos os três mundos nos quais vivemos é igualmente verdade que, quanto mais sabemos, mais podemos prever e controlar. Visto que a lei é inviolável e imutável, o conhecimento é uma condição indispensável para a liberdade. Estudemos, então, o karma, e usemos o nosso conhecimento na orientação da nossa vida. São muitas as pessoas que dizem: 'Oh! Como eu gostaria de ser boa!', e não usam a lei criar as causas que têm como resultado a bondade. É como se um químico dissesse: 'Oh! Como eu desejo ter água!', e não fosse em busca das condições que produzissem essa água tão desejada.

Devemos recordar, novamente, que cada força atua em sua linha específica, e que quando certo número de forças se intrometem num ponto específico, a força resultante é a consequência de todas elas. Em nossos dias de escola, aprendemos como se constrói um paralelograma de forças e assim descobrimos a resultante de sua composição; o mesmo se dá com o karma, quando podemos entender o conflito de forças e sua composição para obter um único resultado. Ouvimos pessoas perguntando por que um homem bom fracassa nos negócios, enquanto um mau homem obtém sucesso. Não há, entretanto, uma conexão causal entre bondade e ganho de dinheiro. Bem, poderíamos dizer: 'Sou um homem muito bom, por que não posso voar pelos ares?' A bondade não é causa para o voo, nem para trazer dinheiro. Tennyson tocou numa grande lei, em seu poema: 'Salário', quando declarou que o salário da virtude não era o 'pó', nem o repouso, nem o prazer, mas a glória de uma imortalidade ativa. 'A virtude é a sua própria recompensa', no mais alto sentido dessas palavras. Se você for autêntico, sua recompensa está no fato de a sua natureza tornar-se mais verdadeira; isso acontece, sucessivamente, com cada virtude. Os resultados kármicos só podem ser da mesma natureza das suas causas. Eles não são arbitrários, como as recompensas humanas."

(Annie Besant - Os Mistérios do Karma e a sua Superação - Ed. Pensamento, São Paulo, 2009 - p. 46/48)

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A NATUREZA PEDAGÓGICA DO CARMA (1ª PARTE)

"Nenhum homem receberá jamais o que não tiver merecido, e tudo nos vem em resultado de causas que nós mesmos pusemos em movimento. Se tivermos causado alguma coisa, teremos causado igualmente o respectivo resultado, pois a causa e o efeito são como as duas faces da mesma moeda - não podemos ter uma sem a outra; na verdade, o resultado nos advém como parte da nossa ação original, da qual se pode dizer, neste caso, que ainda continua. Tudo o que nos chega é obra nossa, seja bom, seja mau; mas também está sendo empregado positivamente para o nosso bem. Utiliza-se o pagamento da dívida para desenvolver o devedor, o qual, ao pagá-la, pode mostrar paciência, coragem e resitência em face de circunstâncias adversas.

As pessoas vivem resmungando contra as circunstâncias de sua vida. Um homem dirá: 'Não posso fazer nada, na situação em que estou, com tantos cuidados, tantos negócios, uma família tão grande. Se eu tivesse, ao menos, a liberdade que tem Fulano de Tal!'

O homem não compreende que esses mesmos empreendimentos constituem parte  do seu adestramento, colocados no seu caminho com a finalidade única de ensiná-lo a lidar com eles. Ele gostaria, sem dúvida, de alardear os poderes que já desenvolveu, mas é preciso que desenvolva os que ainda não possui, e isso significa trabalho pesado e sofrimento, mas também progresso rápido. Não existe, seguramente, uma coisa como castigo e recompensa, mas existe o resultado de nossos atos, que podem ser agradáveis ou desagradáveis. Se perturbarmos o equilíbrio da natureza, seja lá como for, ela se reajustará inevitavelmente à nossa custa. (...)'

(C.W. Leadbeater - A Vida Interior - Ed. Pensamento, São Paulo, 1999 - p. 283)
www.pensamento-cultrix.com.br


sábado, 17 de setembro de 2016

A JUSTIÇA E A COMPAIXÃO DA LEI KÁRMICA

"A Lei é Justa, porque dá a cada um precisamente o que é devido ao bem e ao mal. Ninguém sofre mais do que o que mereceu. Ninguém gozará recompensas que não te­nha conquistado e ninguém será exaltado a expensas de outrem. A Lei é Justa, porque é a Lei, ou o Método de Deus. Temos tendência para confundir nossa arbitrária noção de justiça com a Justiça que é de Deus. Nossa jus­tiça está, invariavelmente, mesclada a outras qualidades, consciente ou inconscientemente; daí que 'Seus cami­nhos não são os nossos caminhos, nem Seus pensamentos são os nossos pensamentos'. Ainda não. Quando nossa maneira de ser e nossos pensamentos forem os Seus, tere­mos alcançado a Meta, tornando-nos unos com Ele — 'perfeitos como nosso Pai Celeste é perfeito' — que é o Grande Todo-Eu em cada coração. Pensamos que estamos sofrendo injustamente, e achamos que, não fosse por esta ou aquela ação de determinada pessoa, poderíamos ter evitado esse sofrimento. Realmente! Que conhecimen­to temos nós de todos os trabalhos ocultos da Lei? Pen­samos que um bom Deus castiga pelo que não foi come­tido? Podeis estar certos de que o braço que nos golpeia é o nosso próprio braço, levantado contra nós mesmos; é o resultado de alguma coisa que fizemos no passado. A escuridão que nos envolve é uma neblina que nós mes­mos criamos.

Sendo, como é, divinamente justa, a Lei, por isso mesmo, é divinamente compassiva. Ela é Amor. Por isso, nunca devemos temer não receber aquilo que merecemos.  Além disso, as próprias aflições e dores da vida tornarnam-se, através dessa Lei, outras tantas lições preparadas para nosso bem, outras tantas misericordiosas purificações, outros tantos meios de crescimento verdadeiro, porque é resistindo e dominando o mal que nos purificamos, 'como que pelo fogo'. E quanto mais percebemos a verdade sobre o Karma, mais capazes somos de suportar desgostos e dores. Não há dúvida sobre isso. Quando aprendemos a lição do sofrimento, ele cessa, ou é transformado no doce e voluntário sofrimento que aceitamos para bem de outros. A verdade é que o Homem da Dor, Jesus, também foi o Senhor da Alegria, e o Buda Doloroso foi o Feliz."

Embora essa Lei seja compassiva e justa, encarada do baixo ponto de vista em que estamos, a grande verdade é que não vem a ser uma coisa nem outra. Visto níveis superiores, o Karma é imparcial e destituído de ideia de Justiça ou Misericórdia: ele é Verdadeiro. Porque não é realmente a Lei que nos pune ou recompensa, mas nós próprios. Se não pusermos o dedo no fogo, jamais ele nos queimará. Portanto, se nunca transgredirmos a Lei, ela não nos pode ferir e, se a servirmos, ela nos auxilia. Ela é o "Braço de Deus", e podemos ser erguidos por ele, ou cair, ferindo-nos, se deixarmos de nos agarrar a ele."

(Irmão Atisha - A Doutrina do Karma - Editora Pensamento, São Paulo - p. 26)
www.pensamento-cultrix.com.br


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O HOMEM QUE EXIBE SUA RELIGIÃO NÃO TEM RELIGIÃO NENHUMA

"Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; pois eles desfiguram o rosto para que aos homens pareça que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.
Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça e lava o teu rosto;
Para não pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em oculto; e teu Pai, que vê em oculto, te recompensará publicamente. 

Um provérbio hindu adverte: 'Cuidado com coisas assim: homem que usa uma folha sagrada na orelha, que é reservado e não diz absolutamente nada, que não consegue guardar segredo e fala demais; cuidado com a mulher que usa véu duplo e água de lagoa coberta de espuma.' Noutras palavras, cuidado com aquilo que é diferente do que parece. O homem que exibe sua religião não tem religião nenhuma. Se uma pessoa anela sinceramente pela visão de Deus, ela será recompensada pelo Pai 'que vê em oculto', pelo Senhor que habita no mais íntimo do coração. Tal pessoa, encontrando a religião dentro de si, será humilde demais para manifestá-la exteriormente: ela a guarda inviolável no seu íntimo.

Além disso, espiritualidade e tristeza não andam juntas. A psicologia iogue explica que a prática das disciplinas religiosas purifica a mente. E a mente purificada - segundo lemos num dos aforismos do Patanjali - perde toda a letargia e melancolia (tamas) e firma-se no contentamento (sattva). Comentando este aforismo, disse Swami Vivekananda:

'O primeiro sinal de que se está tornando religioso é sentir-se contente. Quando uma pessoa está melancólica, isso pode ser dispepsia, mas não é religião. Um sentimento agradável é a natureza de sattva. Tudo é agradável ao homem sáttvico, e quando chega esta esperança, é sinal de que se está progredindo na ioga. ... Para o iogue, tudo é bem-aventurança; cada face humana que ele vê traz-lhe contentamento. Isso é sinal de uma pessoa virtuosa. A miséria é provocada pelo pecado e por nenhuma outra causa. O que se pretende com semblantes sombrios? ... Se você estiver com o rosto carrancudo, não saia de casa nesse dia; feche-se no quarto. Que direito tem você de levar essa perturbação pelo mundo afora?"

Deus é amor e bem-aventurança - o extremo oposto da tristeza. O homem que conserva sua mente em Deus será inundado de alegria. Lemos num breviário monástico: 'Bebamos alegres a embriaguez sóbria do Espírito!""

(Swami Prabhavananda - O Sermão da Montanha Segundo o Vedanta - Ed. Pensamento, São Paulo - p. 106/108

domingo, 26 de julho de 2015

O ENRIQUECIMENTO INTERNO E A PROSPERIDADE EXTERNA (1ª PARTE)

"Objetará alguém que também isto é egoísmo: querer enriquecer a alma pelo fato de dar aos outros. Não é exato. Não é egoísmo. O verdadeiro altruísta não dá para receber algo em troca, da parte de seus semelhantes; se esperasse retribuição, mesmo que fosse em forma de gratidão e reconhecimento, seria egoísta. Que é que acontece? O altruísta não espera nada por seus benefícios, nem mesmo gratidão (embora o beneficiado tenha a obrigação moral de ser grato!).

Entretanto, segundo os imutáveis dispositivos da Constituição Cósmica, ou Providência de Deus, é inevitável que o homem desinteressadamente bom seja enriquecido por Deus - por Deus, e não pelos homens! A distribuição dos benefícios que o altruísta faz é, por assim dizer, realizada na horizontal.

Mas o enriquecimento lhe vem na vertical. Distribui ao redor de si, a seus irmãos, mas recebe das alturas, de Deus - nem pode evitar esse enriquecimento de cima, uma vez que ninguém pode modificar, mesmo que quisesse, a eterna lei cósmica, que enriquece infalivelmente a todo homem desinteressadamente bom.

Esse enriquecimento, não há dúvida, é, em primeiro lugar, interno. Acontece, porém, que, não raro, esse enriquecimento interno transborde também em prosperidade externa, devida à íntima relação entre alma e corpo. 'Procurai primeiro o reino de Deus e sua justiça - disse o Mestre - e todas as outras coisas vos serão dadas de acréscimo.' Ser espiritualmente bom a fim de ser materialmente próspero, seria erro funesto. Em caso algum pode o espiritual servir de meio para todo o material. O homem realmente espiritual é incondicionalmente bom, pratica o bem única e exclusivamente por causa do bem, sejam quais forem as consequências externas dessa sua invariável atitude interna. 'O reino de Deus e sua justiça' é a única coisa que o homem deve buscar diretamente, ao passo que 'as outras coisas lhe serão dadas de acréscimo', lhe advirão espontaneamente, sem que o homem as procure. (...)"

(Huberto Rohden - O Caminho da Felicidade - Alvorada Editora e Livraria Ltda., São Paulo, 7ª edição - p. 33/35)
www.martinclaret.com.br

quarta-feira, 22 de julho de 2015

ENSINAMENTOS SOBRE A ORAÇÃO

"E quando orares, não sejas como os hipócritas; porque eles gostam de orar em pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: eles já receberam sua recompensa.

Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em oculto; e teu Pai, que vê ocultamente, te recompensará abertamente.

Neste ponto, Cristo começa seus ensinamentos sobre a oração. Diz-nos que, se quisermos algo menor do que Deus, poderemos obtê-lo. Se a nossa felicidade estiver na reputação, poderemos dirigir-nos a algum recinto público e rezar onde todos nos possam ver. E podemos receber nossa recompensa - isto sem a menos sombra de dúvida. A oração pública recebe recompensas públicas - reconhecimento, riqueza, seguidores e poder.

Porém, a verdadeira religião não é matéria para exibições. É algo muito sagrado e, portanto, secreto. Por isso, adverte-nos Cristo para não fazermos aparato da adoração. A pureza e a espiritualidade genuínas não precisam de promoção. Se rezas a Deus por amor dele mesmo - não para fazer dele um meio para outras finalidades - então pouco importa o mundo, pouco importa se ele te condena ou te admira. Retira-te a um lugar afastado e pede-lhe, com a certeza de que ele se entregará a ti. Ele há de te recompensar com sua própria presença."

(Swami Prabhavananda - O Sermão da Montanha Segundo o Vedanta - Ed. Pensamento, São Paulo - p. 86/87


domingo, 7 de junho de 2015

CARIDADE

"É muito fácil ver caridade no que apenas parece ser; é muito difícil se dizer, com justiça, se uma pessoa é caridosa.

A 'caridade' espetacular, publicamente exibida, efetivamente pode ser proveitosa aos pobres, mas só a eles. Os que se mostram caridosos podem ser úteis aos necessitados, e isto é bom para estes. Mas, na medida em que, exibindo caridade, homens e mulheres se credenciam à admiração pública ou procuram recompensas vindas da justiça de Deus, se iludem quanto aos frutos espirituais. É o egoísmo o que leva pessoas a posarem de caridosas.

Travestidos de caridosas e convencidas de que o são, elas permanecem presas da ilusão e sempre no culto do inimigo maior de cada um - exatamente o ego.

Só a caridade verdadeira é benéfica àquele que dá, e a condição de ser verdadeira é exatamente não se fazer cálculo dos benefícios a serem colhidos. Quem espera recompensas da 'caridade' é o ego em nós.

'Quem dá aos pobres empresta a Deus' - é uma infeliz expressão de uma triste barganha, na qual os pobres entram como mercadoria, e Deus como um 'freguês'.

Ensina-me, Senhor, a doar e a doar-me sem nada esperar."

(Hermógenes - Deus investe em você - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1995 - p. 59/60)
www.record.com.br


sábado, 15 de junho de 2013

CARMA, LEI CÓSMICA (1ª PARTE)

"O princípio da justa retribuição pelo bem e pelo mal praticados é reconhecido pelas principais religiões. Essa justiça imanente, dirigida por um Deus vigilante que preside a todos os atos humanos, de maneira a "nenhum fio de cabelo cair, sem que Ele intervenha", é, para muitos, o único modo pelo qual podem conceber o mundo e as coisas. 

A existência de uma Entidade, que atemoriza os Seus filhos com castigos eternos, é ainda freio real que toca emocionalmente a milhões de seres humanos. Mas, para os céticos e racionalistas, estas concepções parecem insuficientes, senão pueris. Entretanto, ainda têm sua utilidade e por isto devem ser respeitadas, desde que sirvam, de fato, para a elevação espiritual de seus seguidores. 

Para aqueles que não podem aceitar a ideia de um Deus pessoal que recompensa e pune os Seus filhos, porque lhes repugna intelectualmente representação tão antropomórfica do Criador, a Teosofia oferece uma explicação racional dessa justiça imanente, a qual é resultante do Carma, ou seja da lei de ação e reação.

As consequências do bem e do mal praticado são o resultado lógico e inevitável de um efeito que se segue a uma causa. O universo constitui uma Vida Una, em que tudo se correlaciona estreitamente e é regido por leis, tanto no plano físico, quanto no espiritual, visto que: "O que está em cima é como o que está embaixo e o que está embaixo é como o que está em cima."

Quer física, quer espiritualmente, é o homem governado por leis. Não existem propriamente castigos ou recompensas, e sim, consequências agradáveis ou desagradáveis, pela obediência ou infração a essas leis. Assim como a criança, ao pôr a mão no fogo, recebe não o castigo, mas o efeito doloroso de sua inadvertência ou inexperiência, da mesma forma, o homem ignorante que desrespeita as leis da natureza, sente o contragolpe: a doença, no mundo físico, o sofrimento, no campo espiritual. 

E, como há correspondência entre o mundo físico e o espiritual, as transgressões físicas podem causar sofrimentos morais, e as violações das leis espirituais podem produzir sofrimentos físicos. Mas o Carma não deve ser apreciado apenas sob o lado negativo da doença ou do sofrimento. Se estes são o resultado de contravenções às leis físicas e espirituais, devemos também ponderar que, se o homem procurar conhecê-las e respeitá-las, e esforçar-se por seguir a linha ascendente da evolução, terá de colher o bem e a felicidade.

Pela lei do Carma, o sofrimento redime culpas passadas e contribui, por isto, para a evolução espiritual do indivíduo. Mas é desvio grave do raciocínio pensar que a evolução só é possível pelo sofrimento. Até certo ponto e dentro de certos limites, pode-se evoluir sem sofrimento, pois há evolução pelo conhecimento, pelo amor, pela ação reta. Se se procurar conhecer as leis divinas e segui-las, não se criará mau carma e assim evitar-se-ão sofrimentos futuros. (...)"

(Alberto Lyra - O Ensino dos Mahatmas - IBRASA, São Paulo - p. 206/207)