OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


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terça-feira, 25 de janeiro de 2022

O PODER DA PLENA ATENÇÃO

"Como resultado de inovações tecnológicas, o homem moderno desfruta de muitos confortos. No entanto, faltam-lhe paz e harmonia. Há muito estresse e tensão, ganância e luxúria, ódio e crueldade, e tudo isso traz ansiedade, desarmonia e sofrimento. Cada vez mais pessoas são afetadas por neuroses, psicoses e outras doenças. 

A felicidade não está em coisas externas, mas no nosso próprio eu. Todos os problemas humanos têm origem na mente. A purificação da mente leva a uma mudança radical na qualidade de vida. Isso não pode ser obtido por nenhuma ginástica intelectual, estímulos emocionais, dramas religiosos ou drogas. É difícil educar a mente de maneira a perceber o novo. É preciso muita paciência; é preciso estar vigilante e alerta. 

É urgente aprendermos a gerenciar nossa mente de maneira apropriada. A mente fica desorientada porque é constantemente atraída por muitas forças. A pessoa deve analisar suas próprias condições de maneira objetiva e desapaixonada, com o auxílio da meditação, uma ferramenta que abre o caminho para a solução dos mais complexos problemas. 

Estamos sempre buscando fora, até mesmo a nossa alegria, e não procuramos internamente. Raramente examinamos nossos próprios pensamentos, palavras e ações. Permanecemos desconhecidos por nós mesmos. Mas, por meio da auto-observação, podemos obter insights sobre a nossa própria natureza. Isso exige um esforço contínuo.  

Com a mente purificada e equilibrada, podemos perscrutar as profundezas de nós mesmos. Se a mente estiver cheia de pensamentos maus, Patañjali propões preenchê-la com pensamentos opostos. Krishnamurti afirma que devemos desenvolver a percepção constante, uma condição mental 'que considera tudo com a mais completa atenção'. Ele diz que 'a chama da atenção', calcina todas as impurezas. Buda chama isso de 'o fogo da plena atenção'. 

O Dhammapada devota um capítulo à plena atenção, que significa estar desperto, em guarda, jamais ser pego de surpresa. Se a pessoa tiver plena atenção, consegue mudar cada circunstância, palavra, pensamento e ação. A plena atenção avisa se estamos para fazer uma escolha errada. Com a mente protegida pela plena atenção, os sentidos externos não perturbam nossa tranquilidade. 

Buda disse que a única maneira de vencer as impurezas da mente é continuar examinando seu conteúdo repetidamente, para que as tendências más sejam arrancadas e apenas as boas tendências floresçam. Por meio da percepção constante, sabemos que a mente prega peças devastadoras. A plena atenção, portanto, é essencial.

A purificação deve ocorrer em toda a mente, nos níveis conscientes e inconscientes. Nosso esforço deve alcançar as profundezas da mente inconsciente. Devemos adotar uma técnica de meditação que nos leve aos níveis profundos onde estão as camadas de impurezas. Alguns métodos de meditação funcionam apenas no nível superficial; embora possam trazer paz e calma, a real purificação da mente não ocorre.

Aqueles que conquistaram o domínio sobre a mente 'consciente' e 'inconsciente' conseguem alcançar o estado 'superconsciente', o estado mais puro, que é comunhão com o Atman (Espírito universal). Tudo o que precisamos é um desejo ardente e um esforço incansável para nos transformar."        

(V. V. Chalam - O poder da plena atenção  - Revista Sophia, Ano 15, nª 70 - p. 15)
Imagem: Pinterest 


terça-feira, 11 de janeiro de 2022

VIVER COM INSPIRAÇÃO

"Há um aforismo que diz que 'conhecimento é poder'. É uma afirmação que tem um certo apelo, porque parece estar de acordo com nossa experiência diária e com nosso senso comum. Cada vez que aprendemos uma nova habilidade ou aplicamos alguma informação, influenciamos o nosso ambiente para melhor ou pior. Nesse sentido, nosso conhecimento é poder. Mas será que ele vai somente até aí?

Conhecimento é um termo flexível que pode abranger muitas coisas. Na conversação normal, o termo conhecimento pode significar uma variedade de coisas - do endereço do supermercado na vizinhança aos dados de um experimento físico, ou até a descrição do corpo astral. Embora diferente em conteúdo e qualidade, o processo de obter conhecimento é o mesmo. Os órgãos dos sentidos enviam impressões à pessoa. Segundo a ciência contemporânea, o sistema nervoso informa ao cérebro. Na tradição da Sabedoria Perene, que reconhece a primazia da consciência, o processo tem um alcance mais amplo. Em sânscrito, os jnanendriyas (órgãos do conhecimento) transferem nossas percepções para camadas sempre mais profundas de nosso ser. O que começa como uma impressão física torna-se uma sensação, depois um sentimento, e então se combina com o pensamento. A característica distintiva da informação é que, não importa qual seja o assunto, a informação não transforma. Na melhor das hipóteses, é um fenômeno mental. 

Para aqueles que estão continuamente engajados no processo de autotransformação há uma hierarquia de percepção na qual o conhecimento normal é o primeiro passo. O desabrochar da consciência move-se do conhecimento para a compreensão até a sabedoria. O conhecimento é o construtor. Ele fornece estrutura, que é uma função da mente. A compreensão dá significado às estruturas que a mente constrói e é uma função de buddhi (em sânscrito, a intuição espiritual). A sabedoria é como o espaço, que contém todas as coisas, define todas as coisas, mas não pode ser identificado por nenhuma nem por todas elas. É a natureza da realidade. Nas palavras de Krishna, 'tento penetrado este universo com um fragmento de mim mesmo, Eu permaneço'. Nós experienciamos isso como a percepção da realidade; do irreal conduz-me ao real. 

Para a maioria de nós a necessidade é mover-nos para além da tendência da mente de obter informação, para a função mais profunda da mente iluminada pela intuição espiritual. Somente essa mente reflete a amplidão, a criatividade, a compreensão, a liberdade e a compaixão que caracterizam uma vida inspirada. 

De tempos em tempos encontramos o termo 'círculo vicioso', que se refere à tendência para a ação não inteligente produzir reações indesejadas num ciclo fechado. O exemplo mais proeminente desse processo é encontrado no conceito em sânscrito chamado samsara, muitas vezes descrito como a roda de repetitivo nascimento, doença, velhice, morte e renascimento. Em nossa abordagem à compreensão aplica-se o mesmo princípio, exceto que ele poderia ser mais corretamente chamado de 'círculo virtuoso'.

Atos compassivos e amorosos evocam uma resposta da nossa natureza superior, iluminando nossos corações e mentes, que por sua vez permitem-nos agir com percepção e discernimento mais profundos. O processo autoiniciado de continuamente nos colocarmos na presença de pensamentos e emoções coloridos pelo amor é o que podemos chamar de viver inspirado - um processo que necessariamente resulta na elevação da visão sintética, da percepção global, da compreensão oniabarcante e do senso de unidade a que chamamos compreensão."

(Tim Boyd - Viver com inspiração - Revista Sophia, Ano 16, nº 73 - p. 5/6)
Imagem: Pinterest


terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

O PODER DE ESCOLHER

"Uma escolha sugere uma consciência, um alto grau de consciência. Sem ela, não há escolha. A escolha começa no instante em que nos desidentificamos da mente e de seus padrões condicionados, o instante em que nos tornamos presentes.  

Até alcançar este ponto, você está inconsciente, espiritualmente falando. Significa que você foi obrigado a pensar, sentir e agir de determinadas maneiras, de acordo com o condicionamento da sua mente.

Ninguém escolhe o problema, a briga, o sofrimento. Ninguém escolhe a doença. Eles acontecem porque não existe presença suficiente para dissolver o passado, ou luz suficiente para dispersar a escuridão. Você não está aqui por inteiro. Você ainda não acordou. Nesse meio tempo, a mente condicionada está governando a sua vida. 

Do mesmo modo, se você é uma das inúmeras pessoas que têm assuntos mal resolvidos com os pais, se ainda guarda, ressentimentos por alguma coisa que eles fizeram ou deixaram de fazer, então você ainda acredita que eles tiveram uma escolha e poderiam ter agido diferentemente. Sempre parece que as pessoas fizeram uma escolha, mas isso é ilusão. Enquanto a sua mente, com os seus padrões de condicionamento, dirigir a sua vida, enquanto você for a sua mente, que escolhas você tem? Nenhuma. Você não está nem ligando. O estado identificado com a mente é altamente defeituoso. É uma forma de insanidade. 

Quase todas as pessoas estão sofrendo dessa doença em vários graus. No momento em que você perceber isso, não haverá mais ressentimento. Como você pode se ressentir com a doença de alguém? A única resposta adequada é compaixão. 

Se você é governado pela mente, embora não tenha escolha, vai sofrer as consequências da sua inconsciência e criar mais sofrimento. Você vai carregar o fardo do medo, das disputas, dos problemas e do sofrimento. Até que o sofrimento force você, no final, a sair do seu estado de insconsciência."

(Eckhart Tolle - Praticando o Poder do Agora - Ed. Sextante, Rio de Janeiro, 2016 - p.132/133)


terça-feira, 17 de novembro de 2020

O PODER DA MENTE É ILIMITADO

 
"Os feitos realizados pelos grandes santos podem ser milagres para nós, mas não para eles. Quando você sabe que a mente é o poder que cria o universo, não há nada que não possa fazer. Mas no começo não tente fazer coisas 'milagrosas'. A mente é tudo, mas enquanto você não aprender a usar este poder, é tolice raciocinar. 'Já que tudo é mente, pularei deste penhasco e nada me acontecerá'. No entanto, você fará tudo aquilo que realmente convencer a sua mente de que pode fazer. Uma vez que tudo é produto mental, tudo pode ser controlado pela mente. À medida que desenvolver a força mental, terminará por conseguir fazer qualquer coisa. Os grandes mestres já demonstraram isso. Jesus curou doentes, ressuscitou os mortos e transformou água em vinho. Krishna ergueu uma montanha inteira, suspendendo-a acima de seus devotos para protegê-los de uma tempestade devastadora. Os avatares provaram que tudo é mente. Não foi mera imaginação: eles sabiam, e puderam dizer: 'Eu e meu Pai somos um'.¹³ E, assim como o Pai criou tudo de Seu sonho, os que estão unidos a Ele podem fazer o mesmo. É assim que os seres divinos realizam milagres.

'Não sabeis que sois templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?'¹⁴ Se você purificar e expandir a mente pela meditação, recebendo Deus na consciência, também estará livre da ilusão de doenças, limitações e morte. Este mundo não foi feito para ser um refúgio de paz, mas sim um lugar de sonhos - pesadelos com ocasionais sonhos bons - do qual um dia vamos despertar e voltar para a nossa mansão em Deus."

¹³. João 10:30.
¹⁴, Coríntios 3:16.

(Paramahansa Yogananda - O Romance com Deus - Self-Realization Fellowship, p. 31)


quinta-feira, 15 de agosto de 2019

A PAZ DINÂMICA (PARTE FINAL)

"(...) Podemos perceber o poder do pensamento e a necessidade de paz interior. Mas como essa paz pode acontecer em nós? Pode ser após muita busca espiritual, mas pode também ser num segundo. O primeiro passo é perceber objetivamente nossos conflitos; então, eles podem desaparecer. Krishnamurti disse: 'Onde há divisão deve haver conflito. É a lei!' Divisão aqui significa divisão psicológica: separar-se como indivíduo ou grupo de outros indivíduos e grupos. Para não haver conflito não deve haver divisão isolando nossos corações. 

Isso não exclui a diversidade. Somos todos diferentes física e psiquicamente, mas espiritualmente estamos unidos. Não podemos nos separar de ninguém internamente. 'Não imagine que você pode se separar do homem mau ou do tolo. Eles são você mesmo.'

O que acontece nas relações quando há conflito? Se nosso relacionamento com os outros for superficial, se depender de conforto físico, prazer emocional e concordância mental, se estiver centrado em nós e na convicção de que somos diferentes dos outros - talvez melhores ou mais interessantes -, o conflito é possível a qualquer momento. Mas se o relacionamento ocorre num nível profundo, onde 'o espírito salta para o espírito através do véu da carne', então ficamos mais próximos das pessoas, vemos suas fraquezas como se fossem nossas e sentimos compaixão e compreensão, mesmo que nem sempre concordemos com elas.

A verdadeira paz interior surge quando cessa o conflito interno. Mas essa não é uma paz passiva; é também força, tanto quanto amor e alegria. Tudo isso se irradia da nossa mente, dos sentimento e até do corpo, tornando possível a cooperação e o trabalho construtivo e criativo com os outros.

Essa paz que transmite compreensão pode iluminar nossas vidas e, uma vez que todos compartilhamos da mesma vida e somos a mesma vida, pode espalhar-se e plantar as sementes da paz externa - a ausência de guerra e de violência. 

A Primeira Nobre Verdade proclamada por Buda fala da dor e do sofrimento. Não será a violência a própria dor? Não acarretará ela sofrimento? A Segunda Nobre Verdade fala da causa da dor. Não estará a causa da violência em nosso coração? O mesmo se dá com o fim da dor - a Terceira Nobre Verdade -, que está na transformação em nossos corações, em nossa vida diária. Então o Nobre Caminho Óctuplo - a Quarta Nobre Verdade - se abrirá diante de nós, pois teremos dado o primeiro passo, a correta percepção das coisas, inclusive a causa interna da miséria humana e o conhecimento de que a paz começa na nossa mente, mais próxima da mente dos outros do que imaginamos.

Como podemos compreender isso? Como podemos nos aproximar dos outros - quer sejam humanos, animais, a natureza ou o Divino? Virando as costas à autopreocupação, ao autointeresse, à autoimportância. Então, em nossos corações haverá espaço para os outros. Isso produzirá a verdadeira paz em nós e no mundo."

(Mary Anderson - A paz dinâmica - Revista Sophia, Ano 9, nº 33 - p. 15)


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

O EMPREGO DA VONTADE EM OCULTISMO (PARTE FINAL)

"(...) Uma vez reconhecido e experimentado esse genuíno poder da vontade, jamais poderemos falar de vontade fraca! Trata-se de um poder verdadeiramente divino. E ao menos que compreendamos sua função e seu significado em nossa vida, não poderemos cumprir nosso destino.

Assim, empreguemos o poder da vontade para menter em nossa consciência um único propósito: a perfeição para o bem do mundo. Tal deve ser nossa absorvente e dominante paixão, sem consentir que nada a contrarie. Não pensemos que se trate de um desejo egoísta. Se assim o pensarmos, não teremos penetrado o mundo do Ego e realizado a Unidade.

Somente quando compreendemos, quando reconhecemos que toda a criação é completa e indestrutivelmente una, é que percebemos a impossibilidade da salvação individual. Salvação ou perfeição significa união com a Vida divina presente em todas as coisas e, portanto, nunca pode ser individual e restringida a uns tantos eleitos. O êxito de um é o êxito de todos. Quando um ser humano conquista o Adeptado¹³, nele toda a humanidade, toda a criação triunfa. Um novo cordão vem ligar a humanidade de volta a Deus; surge um novo poder para aliviar a carga dos sofrimentos do mundo. Quando na Divina Comédia de Dante uma alma sai do Purgatório e entra no Paraíso, todo o Monte do Purgatório se estremece de júbilo. Isso é literalmente verdadeiro: o êxito de um ser humano é alegria para toda a criação, e nunca um êxito individual. O anelo de perfeição é o anseio de desvanecer a ilusão da separatividade e reconhecer a realidade da vida universal; portanto, egoísmo e perfeição são mutuamente excludentes.

Assim, procuremos empregar em benefício de todos os seres esse poder verdadeiramente divino que todos possuímos, e mantenhamos a consciência focada na ideia de perfeição; e que essa ideia predomine em tudo quanto fizermos. No princípio nos será um tanto difícil efetuar nossas tarefas cotidianas enquanto mantemos a consciência focada nos propósitos superiores; mas não tardaremos em adquirir esse hábito, e o anseio de perfeição será o fundo permanente sobre o qual o modelo de nossa vida diária será tecido."

¹³ Adeptado: estado de Adepto, do latim Adeptus, aquele que, após inúmeras reencarnações, alcançou a condição de Homem Perfeito, como é dito em Efésios IV;13, 'até que todos nós alcancemos a unidade da fé, o conhecimento do Filho de Deus, o estado de homem perfeito, a plena medida da estatura do Cristo'. (N.E.)

(J.J. Van Der Leeuw - Deuses no Exílio - Ed. Teosófica, Brasília, 2013 - p. 49/50)


terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

AS QUALIDADES REQUERIDAS PARA SE CAMINHAR NA SENDA DO YOGA (2ª PARTE)

"(...) O Logos é como uma mãe cujo filho ainda não anda: esta lhe mostra de longe um brinquedo para chamar a sua atenção, e lhe diz: 'Vem, anda, experimenta andar'. Impulsionado pelo desejo de possuir o brinquedo, o menino começa a andar. Da mesma maneira trata o Logos seus filhos, para os quais tem brinquedos de todas as espécies. 

O prazer, o gozo de viver, os elogios, o poder, todas as coisas que não são completamente satisfatórias para a alma humana, a atraem, no entanto, momentaneamente, e preenchem assim sua finalidade no mundo, a tarefa de impulsionarnos ao esforço para compreendê-los e desenvolver-nos quando os tivermos alcançado. 

Destruir num jovem todos os seus desejos é causar-lhe um mal terrível, pois estes desejos são para ele uma proteção eficaz contra muitos dos pecados do mundo. 

Para o jovem ambicioso não são, contudo, viscosos todos os caminhos neste mundo, pois que sem este desejo não pode crescer, não pode chegar a alcançar nenhum poder sobre os demais sem aprender a respeitar-se a si mesmo. Impulsionado pelo desejo, permanece muito amiúde na senda da virtude, evitando desta maneira a senda do vicio, graças a este desejo mais elevado que tem de alcançar o poder, seja político ou social. Nestas circunstâncias pouco importa o objeto; só o esforço tem valor. 

O Logos, que compreende muito bem sua função, coloca todos os objetos desejáveis ante os olhos de Seus filhos, a fim de que aprendam a andar para tornar-se homens. Os desejos pelas coisas elevadas destroem os desejos inferiores; os desejos nobres são as espadas que matam os desejos mesquinhos. 

O desejo de unir-se a Deus, de encontrar o Eu, de realizar sua divindade, é um desejo nobre e necessário. Sem este desejo ardente como uma chama, não seria possível vencer as dificuldades, os perigos, os sofrimentos desta Senda tão difícil e tão curta que conduz rapidamente ao conhecimento do Eu. (...)" 

(Annie Besant - Yoga, ciência da vida espiritual - Ed. Pensamento, São Paulo - p. 30/31)
http://www.pensamento-cultrix.com.br


segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

O CAMINHO DA VONTADE (PARTE FINAL)

"(...) O homem da vontade treinou-se em muitas vidas de guerra sobre a terra, mas agora as batalhas são em outro campo e aprende a conquistar outros mundos. Ele é como um Alexandre, nunca satisfeito, mas sempre ansiando por estender as fronteiras de seu reino, não externamente, mas internamente, onde os domínios infinitos do mundo espiritual chamam com voz irresistível o aventureiro e explorador em sua alma. Não procura mais fincar a bandeira de uma só nação sobre as cidadelas que vai conquistar, ou nas terras ignotas que vai descobrir; a bandeira que ele desfralda é gravada com uma só palavra. Esta palavra é VONTADE, e significa o poder do Rei que o mandou e a quem serve. Sob esta bandeira ele luta, explora e procura grandes aventuras. Ele subjuga o mundo do mal, ele o preenche com romance, e abre caminhos por terras desconhecidas, para que os mais fracos possam passar. Onde quer que esteja, comanda; onde quer que vá, lidera; onde quer que lute, conquista, pois dentro de si reside um poder que não é seu, mas do qual é cada vez mais uma perfeita encarnação. No coração do conflito, na exaustão a que tantos labores reduzem seu corpo e mente, aquele poder o reergue, até que os homens o reconheçam invencível. Para aquela vontade ele é, porém, apenas um instrumento, obediente como seu corpo o é em relação à sua mente. 

Sua hora usualmente chega quando depõe suas armas, quando seus camaradas e seguidores de muitas vidas de façanhas e gloriosas conquistas aprendem a não reconhecê-lo mais como seu capitão e líder de um exército guerreiro; pois ele será chamado pela paz, e muitas recompensas o aguardam naquela Cidade onde o Rei, a quem serviu durante séculos, o coroará com a coroa de seu próprio reinado, e lhe transmitirá o comando absoluto sobre as terras e povos que fez seus. Então ele poderá vir a seu povo como sábio conselheiro, como pai, como um embaixador de seu Rei; todas as almas que o amaram e seguiram através de muitas guerras, em muitas vidas, o terão agora como salvador e rei; eles também o servirão, assim como ele tem servido ao Rei; e ele as conduzirá ao longo daquela estrada que ele passou, até que eles também sejam coroados, e na coroação conheçam o esplendor e o poder da vontade única e irresistível. 

Assim o homem da vontade cumpre seu destino. Ela se torna um rei no poder do Rei único, um embaixador daquele Um que ele agora conhece em si mesmo. Vontade é o poder que ele derrama, vontade é a bênção que distribui, pois agora ele acende dentro das almas de todos os seus súditos a chama da mesma vontade irresistível da qual ele é uma parte. Com seu toque, os homens sentem sua chama arder em si mesmos; assim ele lhes concede a primeira visão da divindade dentro de si mesmos, a primeira visão do esplendor que é sua missão revelar. Ele atiça estas centelhas até que se tornem labaredas, até que todas as pessoas de seu reino incandesçam com o mesmo fogo que o despertou ao longo da estrada; eles aprendem a incinerar todos os obstáculos pela ígnea intensidade de sua vontade, até que um dia, por sua vez, e aos milhões, aprendam a governar e derramar sobre o mundo a bênção daquela Onipotência cujos sacerdotes ter-se-ão tornado. 

Assim, ao longo das eras, o fogo da Vontade vai passando, da poderosa Chama que ilumina o universo, através dos fogos vivos que os homens chamam de sóis, que dão vida, luz e poder a sistema após sistema, através do grande Doador de Vida de cada planeta, seu senhor e governante absoluto, através dos reis espirituais que O servem, os poderosos Senhores da Vontade, seus regentes e agentes, e através deles a seus seguidores, o povo do mundo, e mais adiante ainda, aos animais e formas de vida inferiores. 

Erguei-vos então, homens da Vontade; deixai de ser renegados; voltai aos postos que tendes abandonado e ao serviço daquela estupenda hierarquia de reis, no conhecimento certo de que um dia vós mesmos obtereis o poder de comandar a vasta armada que é vós próprios; até aquele dia em que sejais, vós mesmos, coroados monarcas de algum mundo futuro e sejais chamados de Sol, aquele dia em que tomareis assento entre os rodopiantes sistemas estelares como regentes e governadores de um inteiro Universo." 

(Geoffrey Hodson - Sede Perfeitos - Canadian Theosophical Association



quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

REVENDO VALORES PARA TRANSFORMAR A TERRA (PARTE FINAL)

"(...) O nosso planeta conturbado, onde permeiam as guerras, os homicídios, os roubos, as chacinas, as invasões, a ganância, entre outras mazelas, é consequência da luta desenfreada pelo poder, pelo ter, o que desencadeia dores e sofrimentos. 

Até a própria natureza tem respondido às agressões com reações implacáveis, como os maremotos, ciclones, terremotos, entre outros, que culminam com extermínio de milhares de pessoas.

É chegado o momento de todos nós nos conscientizarmos de que, se deixarmos o Deus que habita nosso interior fluir, o mundo será diferente. Cada um de nós é responsável pela mudança desse estado de coisas que envolvem nossa sociedade de hoje.

Assim como o certo e o errado só existem na mente do julgador, a vida que estamos vivendo é a que escolhemos e, se seus frutos são bons ou maus, simplesmente depende de nossas atitudes. Urge que mudemos nossos atos.

A humanidade está excessivamente voltada para uma vida repleta de realizações exteriores; é preciso, no entanto, refletir que estas realizações são resultantes da formação interior que possuímos. Como o planeta, e até a própria vida que estamos vivendo, estão bem próximos do caos, é chegado o momento de cada ser se transformar interiormente.

É preciso entender que o realinhamento do Universo depende das nossas ações, da prática do Amor, de atos voltados para o bem comum, da irradiação da Luz, que permitirá vermos nossa Terra iluminada, como sendo o próprio Paraíso. 

Se cada um procurar se transformar a si próprio, o mundo estará transformado."

(Valdir Peixoto - Conheça-te a ti Mesmo - Ed. Teosófica, Brasília, 2009 - p. 74/76)


segunda-feira, 27 de novembro de 2017

AMOR PELA HUMANIDADE (PARTE FINAL)


"(...) Não temos conhecimento de nossos poderes. A mente é potencialmente capaz de habilidades incríveis. No futuro distante, a mente usará a imaginação para moldar formas conscientes, e saberá disso. Quando pensarmos numa casa, outra pessoa verá como ela se parece. Isso pode ser acelerado atualmente com a prática correta. Assim que compreendermos isso, poderemos ajudar qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo exatamente agora, fazendo uso de pensamento ou de sentimento, ou de ambos conjuntamente. Conforme afirmou Blavatsky, 'a pessoa pode estar na prisão e ainda ser um trabalhador pela causa'.

Existem, no entanto, alguns passos primários que precisam ser entendidos. O primeiro é que 'o que quer que venha a nós teve origem em nós'. Logo que isso é compreendido em profundidade, requerendo contemplação e possivelmente algum estudo para verdadeiramente apreender, podemos parar de buscar do lado de fora as respostas para nossos problemas, e começar a buscar internamente. Uma das ilusões da vida é pensar que nossos problemas provêm de outras pessoas, situações ou acontecimentos, embora tenhamos posto em ação forças que, exatamente agora, estão repercutindo sobre nós. Logo que entendemos isso, percebemos não apenas que o problema é na verdade uma bênção, mas também uma resposta. Conseguir isso leva tempo, paciência e amor pelo nosso eu e pelo mundo no qual vivemos. Para encontrar esse tesouro perdido, devemos buscar no lugar certo.

Aprendemos a sentir, pensar e perceber: esse é o trabalho de uma vida, e também um trabalho ao qual retornaremos na próxima vida. O progresso que fazemos nesta vida retorna facilmente a nós na próxima, o que explica a criança prodígio e o gênio. Dizem que nascimento e morte são incidentes recorrentes numa vida infinita. A viagem da vida é aprender. Se não aprendemos, sofremos. Se aprendemos, há alegria e expansão de consciência.

Dito simplesmente, há uma evolução da consciência através da forma. A vida nos guia lentamente para a realização, e isso leva eras. Por meio do esforço autodeterminado, aceleramos nossa jornada e a suavizamos com amor e sabedoria, que é verdadeiramente o tesouro oculto, o tesouro que a natureza promove lentamente. Então, auxiliamos os seres humanos e a natureza, através de um imenso amor pela humanidade como um todo, pois ela é a grande órfã, a única deserdada sobre a Terra, e é dever de cada pessoa fazer alguma coisa, por menor que seja, pelo seu bem-estar."

(Barry Bowden - Sabedoria: o tesouro oculto - Revista Sophia, Ano 13, nº 58 - p. 42/43)
www.revistasophia.com.br


segunda-feira, 13 de novembro de 2017

O SÁBIO NÃO DESEJA O SUPÉRFLUO

"Cultura genuína é orientar-se
Por Tao.
Nada tanto me apavora
Como a lufa-Iufa dispersiva.
Rumo a Tao conduz diretamente
Somente o caminho interior.
Os homens, porém, ziguezagueiam
Para cá e para lá.
Puro egoísmo é
Quando os soberanos vivem
Em suntuosos palácios,
Enquanto os campos jazem desertos,
E vazios estão os celeiros.
Puro egoísmo é
Ostentar roupagens luxuosas,
Enfeitar-se com jóias,
Ufanar-se de armas,
Empanturrar-se de iguarias,
Encher-se de bebidas inebriantes,
Acumular tesouros.
Latrocínio é tudo o que o homem faz
À custa dos outros.
Tudo isto contradiz
O espírito de Tao.

EXPLICAÇÃO: Dois terços da humanidade, diz um escritor, estão morrendo de fome – e um terço morre de indigestão. A humanidade ainda é dominada pelo 'poder das trevas', que leva alguns a folgar em riquezas supérfluas, e outros a gemer na miséria. Enquanto uns têm demais e outros têm de menos, não pode a terra ser o reino da felicidade.

Quem guarda em sua casa, escreve Mahatma Gandhi, objetos supérfluos que a outros fazem falta, esse é ladrão. O ego é insaciável em seus desejos; nunca diz 'basta'. O conforto leva ao 'confortismo', e, quando o 'confortismo' culmina em 'confortite', está o homem no princípio do fim.

Por isso recomendam os Mestres que o homem tenha o necessário, sem desejar o supérfluo."

(Lao-Tse - Tao Te King, O Livro Que Revela Deus - Tradução e Notas de Huberto Rohden - Fundação Alvorada para o Livro Educacional, Terceira Edição Ilustrada - p. 138/139)


segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O EMPREGO DA VONTADE

"Quando M. Coué, tratando do poder da imaginação ou do poder criador do pensamento, diz que na luta entre a imaginação e a vontade vence sempre a imaginação, está com a razão, contanto que por 'vontade' tomemos essa resistência frenética e ansiosa, que para a maioria das pessoas é o substituto da verdadeira vontade. Assim, quando aprendemos a andar de bicicleta e ao vermos uma árvore no meio do caminho nos precipitamos diretamente contra esse obstáculo, com risco de acidente, o erro provém da indisciplinada imaginação, pois formamos a temerosa imagem de que vamos nos chocar contra a árvore, representamos a nós mesmos no ato do choque, e vigorizamos a imagem pela emoção de temor. Então começamos a resistir à imagem. Mas essa relutância inquieta não merece o nome de 'vontade'. Ao contrário, essa resistência fortalece seguramente a imaginação, e mesmo ajuda a provocar o acidente que procuramos evitar. Mas se empregássemos a genuína Vontade, não consentiríamos absolutamente que a imaginação reagisse à árvore. Com efeito, ao ver a árvore e ao registrar calmamente sua existência, não temos de consentir que influa em nossa consciência, e sim, ao contrário, temos que manter nossa imaginação ocupada com o caminho claro e aberto que desejamos seguir. Então será como se a árvore não existisse para nós, e só veremos o caminho sem barreiras.

Antigo é o conto dos três arqueiros que apostaram qual deles poderia flechar um pássaro pousado numa árvore longínquea. O primeiro acertou na árvore e não no pássaro; o segundo apontou para o pássaro abstraindo-se da árvore e só feriu a avezinha; o terceiro, objetivando o pássaro (por certo devia ser um pássaro muito acomodado), não se preocupou nem com a árvore e nem com o pássaro, mas tão somente com sua intenção, e foi bem sucedido. (...)

É pelo poder da verdadeira Vontade que podemos manter concentrada a imaginação no objetivo que nos tenhamos determinado alcançar. A função especial da Vontade não é fazer algo nem lutar contra alguma coisa, mas manter um propósito na consciência, com exclusão de tudo o mais."

(J.J. Van Der Leeuw - Deuses no Exílio - Ed. Teosófica, Brasília, 2013 - p. 31/32)


sábado, 4 de novembro de 2017

PRECES ATENDIDAS

"Vindos a este mundo sem sabermos de onde, naturalmente refletimos sobre a origem e a finalidade da vida. Ouvimos falar de um Criador, lemos a Seu respeito, mas não conhecemos nenhum meio de entrar em contato com Ele. Só sabemos que o universo inteiro é o retrato de Sua inteligência. Assim como o intrincado mecanismo de um pequeno relógio desperta a nossa admiração pelo relojoeiro, assim como as máquinas enormes e complexas de uma fábrica nos fazem admirar o seu inventor, também a visão dos prodígios da natureza provoca em nós o respeito reverente pela inteligência neles oculta. Perguntamos: quem fez da flor uma forma viva, que se ergue em direção ao sol? De onde vem seu aroma e beleza? Como foram suas pétalas modeladas com tanta perfeição e tingidas com cores tão encantadoras?

À noite, as estrelas e a lua, derramando luz prateada a nosso redor, fazem-nos refletir sobre a inteligência que guia esses corpos celestes pelo firmamento. A suave luz da lua é insuficiente para as atividades do dia; assim, uma inteligência benigna sugere-nos o repouso à noite. A seguir, o sol aparece e sua luz intensa nos permite ver, clara e concretamente, o mundo à nossa volta e enfrentar a nossa responsabilidade de satisfazer as necessidades mais prementes.

Há dois modos pelos quais nossas necessidades podem ser atendidas. Um é o modo material. Por exemplo, quando estamos doentes podemos ir a um médico em busca de tratamento. Chega, porém, uma hora em que nenhum auxílio humano surte efeito. Aí, então, buscamos a alternativa: o Poder Espiritual, Aquele que fez nosso corpo, mente e alma. O poder material é limitado e, quando falha, recorremos ao ilimitado Poder Divino. Analogamente, no que se refere às nossas necessidades financeiras, quando já fizemos o melhor possível e ainda assim não foi suficiente, voltamo-nos para esse outro Poder.

Todos pensam que seus problemas são os piores. Algumas pessoas se sentem mais oprimidas que outras, porque sua resistência é mais fraca. Por causa das diferenças de poder mental, as pessoas empregam quantidades diferentes de energia. Se alguém de mente fraca defronta-se com uma enorme dificuldade, não conseguirá superar o problema. Um homem de mente poderosa quebraria as barreiras da mesma dificuldade. Ainda assim, até os homens mais fortes às vezes fracassam. Quando problemas materiais, mentais ou espirituais insuportáveis nos acossam, percebemos como são limitados os poderes da vida no mundo físico.

Nosso empenho deve ser não apenas adquirir segurança financeira e boa saúde, mas procurar o significado da vida. A vida: de que se trata? Quando as dificuldades nos atingem, reagimos primeiro a nosso ambiente, efetuando os ajustes materiais que imaginamos possam surtir efeito. Quando, porém, chegamos ao ponto de dizer: 'Tudo o que tentei não deu certo; que fazer, agora?', começamos a pensar seriamente em uma solução. Quando pensamos com suficiente profundidade, encontramos uma resposta em nosso interior. Esta é uma forma de prece atendida."

(Paramahansa Yogananda - A Eterna Busca do Homem - Self-Realization Fellowship - p. 33/34)


quinta-feira, 26 de outubro de 2017

A CONQUISTA DA LIBERDADE (PARTE FINAL)

"(...) A vida é regida por certas leis. Quando sabemos o que fazer em uma circunstância, estamos livres da influência dela sobre nós. O poder da mente é maior que o poder dos desejos, das emoções e até mesmo das ideias. Entretanto, nós deixamos esse poder de lado, porque é difícil usá-lo; assim, nos tornamos cativos dos desejos, das emoções e ideias.

Ao entender que o poder da mente é maior que o de seu veículo, sairemos da batalha vitoriosos. As ideias são limitações da mente, tão limitadoras da liberdade quanto as emoções e os desejos. Por isso, devemos sempre lembrar que tudo o que tem forma é uma limitação que deve ser vencida, se quisermos ser livres. 

Podemos observar isso na natureza o tempo todo. Uma forma de vida perece para que outra possa viver. O sacrifício da flor pelo bem de sua semente é uma ato belo. A rosa teve o seu apogeu; suas pétalas ainda exalam perfume - uma retribuição à toda a natureza, em uma alegre oferenda de sua essência. No interior da semente reside a réplica de sua 'mãe', ou seja, o potencial da planta futura.

O mesmo se dá com a destruição do desejo. Cada desejo destruído deveria deixar como 'filho' um desejo maior e mais bonito, até que por fim compreendamos que o desejo de união com toda a natureza é o único que, longe de limitar os nossos poderes, torna-os universais. Em outras palavras, apenas no entendimento universal e no amor universal pode haver liberdade, porque a vida e o seu propósito são, por fim, compreendidos. Somente então a vida do mundo vibra através de nós, e nós nos unimos com a essência de todas as coisas.

O que podemos fazer para atingir esse estágio? Em primeiro lugar, parar de tentar atingir qualquer coisa. Tentar atingir implica um desejo de obter. A vida espiritual é doação, não obtenção. No tempo devido, temos que abrir mão até mesmo da nossa vontade individual para nos tornarmos unos com o desejo coletivo da natureza - no sentido em que ajudamos a natureza e trabalhos com suas leis."

(A Conquista da Liberdade - Revista Sophia, Ano 2, nº 6 - p. 24)


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

RELAÇÕES E ISOLAMENTO (PARTE FINAL)

"(...) O processo de isolamento está ligado à busca de poder. Quer estejamos buscando o poder individualmente, quer para um grupo racial ou nacional, haverá isolamento, porque o próprio desejo de poder, de posição, é separatismo. Afinal, é isso o que cada um deseja, não é verdade? Cada um quer ocupar uma posição poderosa, uma posição de domínio, seja no lar, seja no escritório, seja num regime burocrático. Procura cada um o poder e nessa busca de poder fundará uma sociedade baseada no poder - militar, industrial, econômico, etc. - o que também é evidente. O desejo de poder não é, por sua própria natureza, causador de isolamento? Julgo muito importante compreender isso, porque o homem que deseja um mundo pacífico, um mundo em que não haja guerras, não haja destruição e miséria, em escala aterradora, imensurável, deve compreender esta questão fundamental. Um homem afetuoso, benevolente, não tem espírito de poderio e portanto não está ligado a nacionalidade nem a bandeira alguma. Esse homem não tem bandeira. 

Não há coisa tal como viver no isolamento; nenhum país, nenhum povo, nenhum indivíduo pode viver no isolamento. Entretanto, porque estais em busca de poder, de tantas maneiras diferentes, criais o isolamento. O nacionalista é uma praga, porque, com seu espírito nacionalista, patriótico, está construindo uma muralha de isolamento. Tão identificado está com seus país, que ergue uma muralha contra outro país. Que acontece quando construís uma muralha contra alguma coisa? Essa coisa fica a chocar-se constantemente contra vossa muralha. Quando resistis a uma coisa, essa própria resistência indica que estais em conflito com ela. O nacionalismo, por consequência, que é um processo de isolamento, que é um resultado da busca de poder, não pode trazer paz ao mundo. O homem que é nacionalista e fala de fraternidade, está mentindo, está vivendo em estado de contradição. 

Pode-se viver no mundo sem o desejo de poder, de posição, de autoridade? Pode-se, é claro. Vivemos assim quando não nos identificamos com uma coisa 'maior'. Esta identificação com uma coisa 'maior' - o partido, a pátria, a raça, a religião, Deus é busca de poder. Porque vós mesmos sois vazios, embotados, sois fracos, gostais de identificar-vos com uma coisa maior. Esse desejo de identificação com uma coisa maior é desejo de poder. 

As relações são um processo de autorrevelação e se, desconhecendo a nós mesmos, desconhecendo as tendências da nossa mente e do nosso coração, procuramos apenas estabelecer uma ordem externa, um sistema, uma fórmula engenhosa, o que estabelecermos terá muito pouca significação. O importante é que compreendamos a nós mesmos em relação com outros. As relações se tornam, assim, não um processo de isolamento, mas um processo no qual descobrimos nossos próprios 'motivos', nossos próprios pensamentos, nossos próprios desígnios; e esta descoberta é o começo da libertação, o começo da transformação."

(J. Krishnamurti - A Primeira e Última Liberdade - Ed. Cultrix, São Paulo - p. 91/92)
http://www.pensamento-cultrix.com.br/


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

O ADEPTO E O DISCÍPULO (1ª PARTE)

"Krishnamurti afirmou que 'os gurus destroem os discípulos e os discípulos destroem os gurus.' Alguns acharam que fosse brincadeira, outros ficaram perplexos. Contudo, de acordo com a tradição de muitos países, entre o instrutor verdadeiramente espiritual e o discípulo sincero há uma ligação muito estreita - mais estreita do que a de um pai amoroso com o filho dedicado. 

Esse relacionamento é testado durante alguns anos, quando o discípulo é vigiado pelo mestre. Se aprovado, adquire o privilégio de uma conexão interna ainda mais estreita. Mas quando compreendem isso, especialmente numa época em que proliferam gurus, buscam-se 'mães' e todo tipo de pessoa se intitula instrutor.

Usamos a palavra 'adepto', e não 'guru', porque um guru é um instrutor em qualquer área - da música à eletrônica, da ginástica às escrituras. Mas um adepto não é um instrutor em assuntos mundanos. A palavra 'adepto' refere-se a uma pessoa extremamente habilidosa - um especialista na arte e na ciência da vida. As duas estão ligadas intimamente, porque, quando aprende a arte de viver, o aspirante descobre que um véu é retirado de seus olhos, e que pode entender os segredos e as maravilhas da vida. 

Para praticar a arte de viver, certas qualidades essenciais associadas à arte devem se tornar parte do dia a dia: beleza, harmonia, senso de proporção, etc. Muitas pessoas procuram gurus porque desejam algo - apoio, benefícios espirituais, bênçãos, alívio para as pressões da vida, solução para problemas de negócios ou de saúde. Esses discípulos acreditam que, se pagarem o suficiente, agradarem e obedecerem ao guru, terão progresso espiritual. O servilismo dos discípulos ajuda a destruir os gurus, fazendo com que se sintam superiores e poderosos. Os gurus os exploram oferecendo recompensas espirituais, enquanto dos próprios recebem doações materiais. (...)"

(Radha Burnier - O adepto e o discípulo - Revista Sophia, Ano 2, nº 7 - p. 37)


terça-feira, 5 de setembro de 2017

SUCESSO E PROSPERIDADE AUTÊNTICOS

"Milhões de crianças encetam a jornada da vida às cegas. Agem como brinquedos mecânicos que se põem em movimento com um pouco de corda, correm sem destino e batem contra qualquer coisa que lhes barra o caminho. Essas jornadas sem rumo são o quinhão de muitas pessoas porque, no começo, não avançaram para o objetivo certo nem estavam devidamente equipadas com os poderes que as manteriam numa senda definida.

Nessa fase da vida, elas agem como marionetes manipuladas pelo ambiente, os instintos pré-natais e o destino. Nunca sabem que papéis poderão desempenhar com êxito nem podem harmonizar seus deveres com o roteiro do Drama Cósmico. Milhões, por assim dizer, cumprem seus deveres na vida como se estivessem em estado de sonambulismo.

Você deve descobrir de vez seu caminho na vida, analisando a primeira infância e a etapa atual, para não tomar inconsideradamente o rumo errado. Depois, determinada a direção certa, tentar elaborar com base nela todos os métodos criativos de enriquecimento ao seu dispor. Esses métodos, porém, devem ficar nos limites do seu idealismo - de outro modo, terá dinheiro, mas não felicidade. A felicidade só é possível quando o desejo de enriquecer não o induz a enveredar pelo caminho errado.

Desperte! Nunca é tarde para fazer o diagnóstico da vida. Analise o que você é e qual a natureza verdadeira do seu trabalho, para fazer de si mesmo aquilo que deve ser. Possui talento e poderes que nunca utilizou antes. Possui toda a força de que precisa. E não há força mais formidável que a da mente. Afaste-a de hábitos mesquinhos que mantêm você preso às coisas mundanas. Sorria o sorriso perpétuo de Deus. Sorria o vigoroso sorriso do esforço equilibrado, o sorriso de um bilhão de dólares que ninguém poderá arrancar de você."

(Paramhansa Yogananda - A Sabedoria de Yogananda, Como ser feliz o tempo todo - Ed. Pensamento, São Paulo, 2012 - p. 81/82


quinta-feira, 3 de agosto de 2017

LIÇÕES A SEREM APRENDIDAS ATRAVÉS DO CONHECIMENTO DO KARMA (2ª PARTE)

"(...) 3. A Autoconfiança. Assim como, no passado, fi­zemos de nós o que somos hoje, também pelo que agora fizermos nosso futuro será determinado. O conhecimen­to e a lembrança desse fato e de que a glória do futuro é ilimitada devem, com o tempo, dar-nos grande autocon­fiança, e afastará aquela tendência a apelar para o auxí­lio externo, que, na verdade, em nada auxilia. Thoreau disse: 'Não conheço fato mais encorajador do que a in­discutível capacidade do homem para elevar sua vida, através de um empenho consciente.' E as derradeiras palavras de Buda foram: 'Trabalhai com diligência por vossa salvação!' No Dhammapada diz-se, também, que 'pela própria pessoa o mal é feito, pela própria pessoa vem o sofrimento; pela própria pessoa o mal é anulado, pela própria pessoa vem a purificação. Pureza e impu­reza pertencem à própria pessoa, e ninguém pode puri­ficar outrem'.

4. A Restrição. Naturalmente, se compreendermos que o mal que fazemos se voltará contra nós, saberemos ser muito cuidadosos para não fazer ou dizer coisa algu­ma que não seja boa, pura e verdadeira. O conhecimen­to do Karma evitará que façamos coisas erradas, por amor dos outros como de nós próprios. Fiscalizemos os pensa­mentos; o pecado é feito por um pensamento positivo, mesmo que esse pensamento não seja levado à ação, por­que os pensamentos são tão reais no mundo mental co­mo as ações o são no mundo material. Jesus disse: 'Quem olhar para uma mulher com o desejo de luxúria, já co­mete adultério com ela, em seu coração.' (Mat., v, 28.) O envio constante de bons pensamentos para outros é de importância muito grande, fazendo-se a melhor das ora­ções — mas ponhamos intenção, energia e vontade neles. Outra coisa a ser aprendida é que devemos combater todo pensamento errado que nos vier à mente, através do po­der do Eu Superior.

5. A Responsabilidade. O fato de haver unidade es­piritual na Raça Humana, já que ela, em sua raiz, é uma apenas, traz, também, o fato da nossa responsabilidade uns para com os outros. No início do Capítulo XIII, dis­semos o quanto somos interdependentes uns dos outros, e como se torna dever nosso, para com a Humanidade em geral, abandonar o Mal e praticar o Bem.

6. O Poder. Quanto mais fizermos da Doutrina do Karma uma parte de nossas vidas, mais poder ganhare­mos, não só para dominar o Mal, mas para dirigir, em grande extensão, o nosso futuro, e ajudar com maior efi­cácia o nosso próximo. Isso se dá porque, tornando-nos autoconfiantes, atraímos força do Eu Superior interno. Por aquele Ser Divino interno nossa vida deve ser guiada e, com a Sua força, dominamos as limitações, destruí­mos os grilhões que nos mantêm fora do Nirvana, e nos tornamos Auxiliares Conscientes da Humanidade. (...)"

(Irmão Atisha - A Doutrina do Karma - Ed. Pensamento, São Paulo - p. 39/40)

quarta-feira, 28 de junho de 2017

A PROMESSA DE ILUMINAÇÃO (1ª PARTE)

"No mundo moderno há poucos exemplos de seres humanos que encarnam as qualidades que advêm da realização da natureza da mente. Então nos é difícil até imaginar a iluminação ou as percepções de um ser iluminado, e mais ainda começar a pensar que nós mesmos podemos nos tornar iluminados.

Apesar da jactância com que celebra o valor da vida humana e da liberdade individual, nossa sociedade nos trata como indivíduos obcecados pelo poder, o sexo e o dinheiro, que precisam ser constantemente afastados de todo contato com a morte ou com a vida real. Se nos falam ou começamos a suspeitar de nossa profunda potencialidade, não podemos crer nela. E se imaginamos de algum modo a transformação espiritual, nós a vemos como sendo possível apenas para os grandes santos e mestres espirituais do passado. O Dalai Lama fala frequentemente na falta de verdadeiro amor próprio e respeito por si mesmo que vê em muita gente no mundo moderno. Subjacente a toda a nossa perspectiva há uma convicção neurótica das nossas próprias limitações. Isso nos nega toda esperança de despertar e contradiz de maneira trágica a verdade central dos ensinamentos do Buda: a de que já somos todos essencialmente perfeitos.

Mesmo se pensássemos na possibilidade de iluminação, um simples olhar para aquilo que compõe a nossa mente comum - raiva, cobiça, ciúme, rancor, crueldade, luxúria, medo, angústia e confusão - minaria para sempre toda esperança de alcançá-la, se não nos tivessem falado sobre a natureza da mente e sobre a possibilidade de vir a realizar essa natureza que está para além de toda dúvida.

Mas a iluminação é real, e ainda há mestres iluminados na terra. Se você encontra um deles, será sacudido e tocado no fundo do seu coração, e perceberá que todas as palavras tais como 'iluminação' e 'sabedoria', que você pensou serem só ideias, são de fato verdades. Apesar de todos os seus perigos, o mundo de hoje é também muito empolgante. A mente moderna está se abrindo lentamente para diferentes visões da realidade. Pode-se ver na televisão grandes mestres como o Dalai Lama e Madre Teresa de Calcutá; muitos mestres do Oriente agora visitam e ensinam no Ocidente, e livros de todas as tradições místicas estão ganhando um número cada vez maior de leitores. A situação desesperada do planeta está despertando as pessoas para a necessidade de transformação em escala global. (...)"

(Sogyal Rinpoche - O Livro Tibetano do Viver e do Morrer - Ed. Talento/Ed. Palas Athena, 1999 - p. 81/82

domingo, 4 de junho de 2017

O MALTRATO DOS ASPIRANTES (PARTE FINAL)

"(...) Os traidores e obstrutores, por outro lado, geram grandes adversidades para si mesmos que podem assumir duas formas particulares, entre outras. Uma é de atrair a atenção e tornarem-se instrumentos dos poderes das trevas, que procuram esmagar toda centelha de espiritualidade em cada ser humano. A outra adversidade consiste em obstruções em sua própria busca da verdade, da luz e do Instrutor. Em vez de ser claro, seu caminho é escuro e difícil. Isto pode ter sido causado não só pela ação direta de um caráter adverso, mas pela negligência, pela indiferença a um aspirante, por ter falhado em levar em consideração seriamente suas questões, seu apelo por ajuda e, em geral, deixar de ver a importância das mudanças interiores que estão ocorrendo no buscador. Este 'pecado de omissão' também gera adversidades, tais como o malogro em encontrar um auxiliar imediato e amigos mais avançados, e obstáculos domésticos, entre outros. 

Os ocultistas deveriam, com sabedoria e tato, estar à procura e ajudar toda a pessoa que encontram que está buscando a luz, mesmo que pareça que ela tenha começado mal. Pois é o fato de estar procurando que é de suprema importância.

Apesar deste conselho aplicar-se à vida oculta em particular, ele consiste na verdade no simples ato de ser amável em todas as ocasiões, mesmo quando a amabilidade tiver que ser firme. No entanto, estes fatos bastante simples e óbvios são muito negligenciados, e seria bom chamar a atenção dos teosofistas, especialmente dos principiantes, para eles. A verdade, infelizmente, é que muitas pessoas são afastadas da Senda, talvez por toda uma encarnação, pela intromissão de parte daqueles que deveriam saber como se portar corretamente."

(Geoffrey Hodson - A Suprema Realização através da Yoga - Ed. Teosófica, Brasília, 2001 - p. 158/159