quinta-feira, 8 de agosto de 2024

JESUS ELOGIA O PRECURSOR

"Assim que se foram os discípulos de João Batista, entrou Jesus a tecer um panegírico do seu precursor.

Realçou-lhe a firmeza do caráter e a austeridade da vida. 

 Remontando ao tempo em que o silencioso eremita vivia na solidão do deserto, perguntou Jesus aos seus ouvintes:

- Que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?

Do meio do auditório partiram negativas. Bem se lembrava o povo da intrepidez com que o vingador da moralidade pública lançara em rosto ao real libertino da Galileia: 'Não te é lícito possuíres a mulher de teu irmão!' E saibam todos que por causa desta corajosa franqueza jazia em ferros. O caráter de João era rijo como os cedros do Líbano, e não frágil como os canaviais do Jordão.

Prosseguiu Jesus:

- Que saístes, pois a ver? Um homem em roupas delicadas? Novas vozes no auditório; risadas talvez; porque o pêlo hirsuto de camelo que o cobria não merecia, certamente, o nome de 'roupa delicada'.

Continuou Jesus dizendo:

- Com efeito, os que vestem roupas delicadas e vivem com luxo se encontram nos palácios dos reis.

O 'luxo' do Batista eram gafanhotos e mel silvestre, e o seu 'palácio real' era o deserto inóspito da Judéia...

- Que saístes, pois, a ver?

- Um profeta! - exclamou alguém.

- Um profeta? - respondeu Jesus. - Sim, digo-vos eu, e mais que profeta! Esse é de quem está escrito: Eis que envio a preceder-te o meu arauto, a fim de preparar o meu caminho diante de ti. Declaro-vos que entre os filhos de mulher não há maior do que João Batista."

Huberto Rohden, Jesus Nazareno, Ed. Martin Claret Ltda, São Paulo, 2007, p. 123.
Imagem: Pinterest.


 


terça-feira, 6 de agosto de 2024

NÃO HÁ PUNIÇÃO, HÁ RESPONSABILIZAÇÃO

"A lei causa e efeito é simples: quem provocou a desordem? Você? Então, resolva, você é o responsável. Só que tenha misericórdia. Então, você diz: Gente, eu sou responsável, mas eu fiz bobagem mais do que eu imaginava. Por sua vez, os espíritos de luz nos dizem: Nós vamos ajudá-lo, porque se não tiver ajuda, você não conseguirá consertar. 

Essas são as leis divinas. Até que um dia, você opera uma síntese profunda de todas as lei divinas, porque como diz o filósofo e padre, Teilhard de Chardin: 'Tudo o que sobe converge'. Tudo que está subindo está convergindo, na altura, tudo está unificado. E todas as leis divinas se unificam no amor. Por quê? Não há necessidade de lei para ensinar quem ama a não prejudicar, porque quem ama, ama. Se você faz seu trabalho com o mais profundo amor, é o melhor que pode fazer hoje. Daqui a quinhentos anos, você poderá fazer melhor? Sim, mas hoje é o melhor. Portanto, se você ama, vai ter o melhor relacionamento, vai ser o melhor profissional, o melhor espírita, o melhor cidadão. 

Portanto, a grande força da vida é a força do amor, e diria Chico que se a lei divina vem para cobrar o débito do passado e, ao bater em sua porta, o encontra trabalhando em favor do bem do próximo, determina essa mesma lei que ela volte atrás e aguarde, porque o amor  cobre a multidão de erros. Sejam as lei que regem a nossa relação conosco ou com o próximo, verdadeiramente, o que Deus faz a nós, seus filhos, é ensinar um pouco da identidade, do caráter dEle próprio. 

E isso é profecia, está em Hebreus, capítulo 8, versículo 10: 'Porei minhas leis em sua mente e as escreverei no seu coração e eu serei o Seu Deus e eles serão o meu povo'. O dia em que isso acontecer nós sentiremos a presença de Deus como nunca antes, e será novo dia."

Haroldo Dutra Dias, Despertar, o segredo da reforma íntima, Intelitera.com.br, p. 72/73.
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quinta-feira, 1 de agosto de 2024

"PAI, NAS TUAS MÃOS ENTREGO O MEU ESPÍRITO..."

"Ao dizer que tudo estava consumado, ele proclama altissonante: 'Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito'.⁸⁰ Por favor, preste atenção nas avenidas dessa frase e nas possibilidades a que ela nos conduz.

Jesus aqui não clama a 'Deus', mas ao 'Pai'. Após ter passado pelo mais severo julgamento, Deus assume novamente a posição de Pai e ele assume a posição de filho. É a seu Pai que ele entrega o seu espírito e não a Deus.

Que impressionante jogo de palavras! Nesse jogo, o mesmo revela o seu projeto eterno e alguns fenômenos que estavam nos bastidores da cruz! É impossível não ficarmos admirados com a coerência das suas palavras e com o encaixe perfeito dos seus segredos.

No começo da sua crucificação, o Pai e seu filho entoaram a mais profunda melodia de aflição. Sofreram um pelo outro. Na segunda metade, o Pai, sob o pedido consciente do filho, se torna seu Deus e o julga em favor da humanidade. Deus o desampara. O homem Jesus suporta a maior cadeia de sofrimentos.

Após cumprir seu plano, o filho está apto a realizar duas grandes tarefas. Primeira, ser o grande advogado da humanidade, que é tão bela, mas coroada de falhas, por isso precisará dele como um grande e atuante advogado.⁸¹ Segunda, retornar ao relacionamento íntimo com seu Pai. O único desamparo que houve entre eles em toda a história do tempo foi resolvido. Eles se amaram mais ainda. Construíram juntos o maior edifício do amor e da inteligência.

Ao entregar o seu espírito ao Pai, ele abriu a mais importante janela do universo, mais importante que os buracos negros: a janela para a eternidade. Revelou que o espírito não é o mesmo que o cérebro, que possuímos algo além dos limites do mundo físico, do metabolismo cerebral, que chamamos de espírito e alma."

⁸⁰ Lucas 23:46
⁸¹ 1 João 2:1

Augusto Cury, O Mestre do Amor, Academia de Inteligência, São Paulo, 2002, p.204/205.
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