quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

A GÊNESE DA FÉ

"O que se precisa é de uma crença investigativa com sinceridade e reverência, seguida da persistência em crenças verdadeiras, ou pelo menos naquelas que constantemente manifestem resultados convincentes. Através da fenda da paciência, gota a gota, a substância química da verdade entra e cristaliza tal crença em sólida fé. Mas se a crença não for fundamentada na verdade, ela não sustentará a convicção que produz o progresso rumo à fé.

A fé pode se manifestar em muitas áreas da crença se houver verdade inerente nas convicções sinceras da pessoa:

  • Crença firme ou confiança (numa pessoa, coisa, doutrina ou ideia), tal como fé em Deus, fé na medicina.
  • Reconhecimento da supremacia das realidades espirituais e dos princípios morais.    
  • Fé histórica, como fé na verdade e na autoridade das narrativas e dos ensinamentos das escrituras. Ou fé prática - por aceitação intelectual, afeição e vontade nas dádivas que Deus concede ao ser humano através de emissários divinos.
  • O conjunto daquilo em que se acredita: um sistema de crenças religiosas, como a fé cristã ou a autoridade védica.

O resultado da fé é o estado ou a qualidade estável de fé plena, fidelidade, lealdade."

Paramahansa Yogananda, Jornada para a Autorrealização, Self-Realization Fellowship, p. 308/309.
Imagem: Pinterest
  

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

A AFABILIDADE E A DOÇURA

“6. A benevolência para com os seus semelhantes, fruto do amor ao próximo, produz a afabilidade e a doçura, que são as suas formas de manifestar-se. Entretanto, nem sempre se deve confiar nas aparências. A educação e as relações mundanas podem dar ao homem o verniz dessas qualidades. Quantos existem cuja fingida bonomia não passa de máscara para o exterior, de uma roupagem cujo talhe primoroso dissimula deformidades interiores! O mundo está cheio dessas criaturas que têm sorriso nos lábios e o veneno no coração; que são brandas, desde que nada as aborreça, mas que mordem à menor contrariedade; cuja língua, de ouro quando falam pela frente, transforma-se em dardo peçonhento, quando estão por detrás.

 A essa classe também pertencem esses homens, de exterior benigno que, tiranos domésticos, fazem que suas famílias e seus subordinados lhes sofram o peso do orgulho e do despotismo, como se quisessem compensar o constrangimento que, fora de casa, se impõem a si mesmos.  Não se atrevendo a usar de autoridade para com os estranhos, que chamariam à ordem, querem pelo menos fazer-se temidos daqueles não lhes podem resistir. Envaidecem-se de poderem dizer: "Aqui mando e sou obedecido", sem se darem conta de que poderiam acrescentar: sou detestado".

Não basta que dos lábios manem leite e mel. Se o coração de modo algum lhes está associado, só há hipocrisia. Aquele cuja afabilidade e doçura não são fingidas nunca se desmente; é o mesmo tanto em sociedade, como na intimidade. Esse, além disso, sabe que, se consegue enganar os homens pelas aparências, a Deus ninguém engana. – Lázaro. (Paris, 1861.)” 

Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo, FEB, 2018, p. 130/131.
Imagem:Perintest


quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

DEFINIÇÃO DE VIRTUDE E VÍCIO

"Do que foi visto até agora, conclui-se imediatamente que as virtudes e os vícios da humanidade são apenas as Emoções se tornando permanentes e abrangentes: são apenas estados de humor da mente (no sentido do desejo), permanentes ou habituais, guiando modos de ação, geralmente em relação aos outros. No caso dar virtudes elas são Emoções do lado do Amor; no caso dos vícios, aquelas do lado do Ódio. Por exemplo, a emoção do Amor, originalmente sentida em relação a um círculo pequeno, por razões pessoais especiais, laços de sangue, etc., se torna a virtude do amor (amorosidade, cordialidade, uma natureza afetuosa, benevolência) quando sentida em relação a todos com quem se tem contato, reconhecida (deliberada ou instintivamente) como uma obrigação devida a cada um e baseada na ideia básica da Unidade do Eu. A emoção do amor parental, sentida pelo filho, se torna a virtude da compaixão, da ternura e proteção, quando exercitada em relação a qualquer um que seja inferior ou desamparado. Por isso, o Manu oferece ao homem considerar todas as mulheres mais velhas como suas mães, todas as pessoas jovens como seus filhos, ampliando a Emoção pessoal em sua virtude correspondente. Por isso, também, uma descrição budista do Arhat fala de seu amor como infinito, abarcando a todos, considerando todos como uma mãe considera seu primogênito. Por isso, novamente, uma escritura cristã diz que 'amor é o cumprimento da lei', já que todo esse dever pode se estabelecer como virtude, o amor se derrama espontaneamente em sua medida mais plena. Assim, do outro lado, ataques passageiros de raiva, ou desprezo, se tornando habituais, compõem o vicio da irritação, ou malevolência. Assim, então, nós vemos que se um homem age com todos como com seus próprios, sob o balanço do amor, ele será um homem virtuoso; se ele se comporta em relação aos outros geralmente como o faz em relação aos objetos especiais de seu desgostar, ele será perverso. Nós podemos corretamente dizer, então, que virtudes são Emoções do lado do Amor, vícios aquelas do lado do ódio. Tanto realmente é assim, que mesmo sem que isso seja claramente reconhecido, a mesma palavra muitas vezes denota tanto uma emoção particular quanto a virtude ou vício correspondente a ela; por exemplo, compaixão e orgulho. Basta apenas nomear as Emoções correspondentes e as virtudes e os vícios lado a lado, respectivamente, para mostrar de vez a verdade da afirmação feita acima. (...)"

Bhagavan Das, A Ciência das Emoções, Ed. Teosófica, Brasília, 2023, p. 77/78.
Imagem: Perintest