quinta-feira, 24 de abril de 2025

VÍCIOS E PAIXÕES (1ª PARTE)

"As paixões são alavancas que decuplicam as forças do homem e o auxiliam na execução dos desígnios da Providência. Mas, se, em vez de as dirigir, deixa que elas o dirijam, cai o homem nos excessos e a própria força que, manejada pelas suas mãos, poderia produzir o bem, contra ele se volta e o esmaga."

(Comentários de Allan Kardec à resposta da questão n° 908.)

As paixões que dominam as criaturas humanas são resultado das heranças instintivas primevas que as impulsionavam na conquista das necessidades, emulando ao avanço e à preservação da vida. Na impossibilidade momentânea, por falta do discernimento e da razão, para bem compreenderem os valores ético morais, as paixões, algumas mesmo asselvajadas, atiravam-nas nas lutas renhidas, das quais resultavam a sobrevivência e os logros para uma melhor qualidade de vida, mesmo que de maneira inconsciente.

À medida que lhes foi surgindo o senso moral, deram-se conta da necessidade de administrar aquelas que se apresentavam de forma violenta, impondo a posse alucinada a tudo quanto passasse a interessar-lhes. 

O surgimento do respeito aos direitos do próximo, lentamente deu margem à educação das tendências perversas e insanas, que passaram a ser direcionadas com objetivos mais elevados. Isto porque perceberam que a vida necessita do grupo social, e que somente por meio de uma convivência ordeira é que o mesmo pode sobreviver aos fatores mesológicos e sociológicos, adquirindo forças para os enfrentamentos e a construção dos seus ideais.

O conhecimento dos mecanismos da vida e de tudo quanto a cerca, a sustenta ou a ameaça, passou a oferecer recursos para a segurança nos relacionamentos, sem a necessidade da imposição dos seus caprichos, surgindo o entendimento psicológico saudável, que abre as portas para a fraternidade e a convivência, nos quais o ser se eleva e se engrandece.

Impossibilitadas de serem destruídas, por fazerem parte da natureza animal, foram canalizadas para as edificações de engrandecimento e de cultura, de solidariedade e de paz, de beleza e de arte, de fé e de amor, decuplicando-lhes a potência, agora manipulada com sabedoria, resultando como verdadeiras bênçãos de que não pode prescindir a sociedade.

As paixões, em si mesmas, são neutras, porque procedem das heranças atávicas. O uso que se lhes dá é que responde pelas consequências felizes ou destrutivas de que se revestem.

Ninguém pode viver sem as paixões, que lhe constituem parte do ser que é, em trânsito para a realidade espiritual. Enquanto viceje a carne, ei-las impulsionando, numa como noutra direção, dignificante ou perturbadora, conforme a sua estrutura emocional. 

A cada um, portanto, cabe o dever de as bem conduzir, assim adquirindo autocontrole e conseguindo as metas dignificantes a que se propõe. (...)."

Texto extraído do livro "Lições para a Felicidade", de Divaldo Franco/Joanna de Ângelis, Livraria Espírita Alvorada Editora, Salvador/BA, 2003, p. 157/159.
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terça-feira, 22 de abril de 2025

O INSTANTE DO ENTENDIMENTO

"Não sei se você já percebeu que há entendimento quando a mente está muito quieta, ainda que por um segundo; o instante do entendimento existe quando a verbalização do pensamento não está presente. Experimente e verá que você tem o instante do entendimento, essa extraordinária rapidez do insight, quando a mente está muito tranquila, o pensamento ausente, a mente livre do seu próprio ruído. Portanto, o entendimento de qualquer coisa um quadro moderno, uma criança, seu cônjuge, seu vizinho, ou o entendimento da verdade que está em todas as coisas - só pode acontecer quando a mente está muito tranquila. Mas essa tranquilidade não pode ser cultivada, porque, ao cultivar uma mente tranquila, não é possível tê-la tranquila, ela morre.

Quanto mais você estiver interessado em alguma coisa, maior será a sua intenção de entendê-la, e mais simples, clara e livre estará a sua mente. Então a verbalização cessa. Afinal, o pensamento é palavra, e é ela que interfere. É a tela das palavras (a memória) que intervém entre o desafio e a resposta. É a palavra que responde ao desafio, o qual chamamos de intelecção. Assim, a mente que conversa, verbaliza, não pode entender a verdade - a verdade no relacionamento, não uma verdade abstrata. Não há verdade abstrata. Mas a verdade é muito sutil...

Como um ladrão na noite, ela chega misteriosamente, quando você está menos preparado para recebê-la."

Krishnamurti, O Livro da Vida, Ed. Planeta do Brasil, São Paulo, SP, 2016,p. 285.
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quinta-feira, 17 de abril de 2025

CAMINHOS

"Uma senhora me conta que a filha, que era muito irresponsável, encontrou-se numa religião e melhorou radicalmente sua conduta.

Que bom quando a pessoa encontra seu caminho! As coisas começam a se ajeitar, começa a haver mais respeito por si e pelos outros, pelos amigos e parentes, filhos e pais.

Passamos então a reparar mais nas coisas simples da vida: a espiritualidade, a natureza, os animais, as crianças...

Porém, o jeito que ocorre conosco e nos leva a mudar pode não ser o melhor para o outro. Não existem receitas prontas, embora possa haver sintonias, afinidades. Daí, o respeito pelos vários caminhos que podem conduzir ao autoconhecimento.

Podemos chegar ao nosso caminho pela dor ou pela sabedoria; às vezes por uma dificuldade ou por uma religião, através de um serviço, uma profissão, uma pessoa, um livro ou uma intuição. Deixamos, assim, de nos ver como centro do universo e aprendemos, aos poucos, a nos ver como irmãos.

A ideia da fraternidade passa a ter sentido e se torna prática. Vemos as pessoas pelo que elas são, não por seus rótulos e títulos. Isso é transformador! Se você encontrou seu caminho, parabéns! Se ainda não achou, é possível continuar buscando. Quando encontrar, verá que todas as experiências foram e são válidas para aprimorar seu discernimento e valorizar suas escolhas e seu encontro consigo mesmo.

Paciência, perseverança, esperança. E, principalmente, amor, amor, amor. 

O amor pode ser mais importante do que o conhecimento. 

Vamos!"

Fernando Mansur, Escrita Divina, A comunicação da alegria, Edição do Autor, 2017, p. 76.
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