terça-feira, 9 de setembro de 2025

UM DEUS, UMA RELIGIÃO

"'Um condutor de elefantes tinha seis filhos, todos eles cegos. Certa feita, ele deu a eles a tarefa de lavar o elefante. Quando os irmãos terminaram o serviço, começaram a discutir sobre que tipo de animal era o elefante.

'Isso é fácil!', disse um deles. 'O elefante são alguns ossos.' Esse filho estivera lavando as presas do elefante.

'Como você pode dizer uma coisa dessas?', protestou um outro filho. O elefante é uma corda espessa.' Esse filho estivera lavando a tromba do elefante.

'O terceiro filho insistiu em que o elefante tinha a forma de alguns leques. Esse filho estivera lavando as orelhas do elefante.

'Ao quarto filho, o elefante parecia quatro colunas. Esse filho estivera lavando as pernas do elefante.

'O quinto filho estivera lavando os flancos do elefante; esse filho o descreveu como uma parede que respirava.

'O sexto e último filho gritou: 'Meninos, vocês não vão me enganar! Eu sei o que ele é. Por experiência própria, descobri que o elefante é uma pequena corda pendente do céu. Esse filho estivera lavando a cauda do elefante. 'Como cada filho expressasse a própria opinião insistentemente, seguiu-se uma discussão acalorada. Depois de algum tempo, o pai foi ter com eles e os ouviu gritar uns com os outros. Ao ouvir semelhante onda de intolerância, cada vez maior, ele bradou, aos risos: 'Meus filhos, vocês estão brigando à toa!'

'A toa?', gritou um deles. 'Meus irmãos são todos mentirosos, e têm a audácia de chamar a mim de mentiroso!'

'Meus queridos filhos', disse o pai de modo apaziguador, 'cada um de vocês lavou apenas uma parte do elefante, mas eu o vi inteiro. O elefante é tudo aquilo que cada um de vocês diz que ele é, mas, acrescentou, 'ele é muito mais do que qualquer um de vocês imagina.

'E continuou a descrever para os filhos a aparência do elefante. 'Assim meus filhos', concluiu, 'vocês estão todos certos - mas também estão enganados!'

'O mesmo se dá com respeito a Deus', concluiu Sri Yogananda, com as abordagens que as diferentes religiões fazem dele. Deus é um, mas são diversos os caminhos que levam a Ele. Incontáveis são, também, as formas pelas quais Ele pode ser descrito.'" 

Paramhansa Yogananda, A Essência da Autorrealização, Ed. Pensamento-Cultrix, São Paulo, Sp. p. 42/43.
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quinta-feira, 4 de setembro de 2025

ORGULHO

"Na vida nada está perdido; aliás, existe a época certa para cada um saber o que é preciso para se desenvolver.

Desprezar é sentir ou manifestar desconsideração por alguém ou por alguma coisa; portanto, é uma atitude sempre inadequada nas estradas de nossa existência evolutiva. Menosprezar é um sentimento pelo qual nos colocamos acima de tudo e de todos, avaliando com arrogância os acontecimentos e os fatos do alto da "torre do castelo" de nosso orgulho.

A nenhuma coisa ou criatura deve-se atribuir o termo 'desprezível', pois tudo o que existe sobre a Terra é criação divina; logo, útil e proveitosa, mesmo que agora não possamos compreender seu real significado.

Talvez não entendamos de imediato nosso papel na vida, mas podemos ter a certeza de que todos somos importantes e todos fomos convocados a dar nossa contribuição ao Universo.

A cada instante, estamos criando impressões muito fortes na atmosfera espiritual, emocional, mental e física da comunidade onde vivemos. Todo envolvimento na vida tem um propósito determinado cujo entendimento, além de esclarecer nosso valor pessoal, favorecerá o amor, o respeito e a aceitação de cada um de nossos semelhantes.

Frequentemente, dizemos que certas pessoas são indispensáveis e que muitos indivíduos são improdutivos, e perguntamos mais além: qual o propósito da vida para com estas criaturas ociosas?

Não julguemos, com nossos conceitos apressados, os acontecimentos em nosso derredor, antes, aguardemos com calma e façamos uma análise mais profunda da situação. Assim agindo, poderemos avaliar melhor todo o contexto vivencial.

'Desempenham função útil no Universo os Espíritos inferiores e imperfeitos. Todos têm deveres a cumprir. Para a construção de um edifício, não concorre tanto o último dos serventes de pedreiro, como o arquiteto?' 

Nenhuma ocorrência, fato ou pensamento deverá ser sentido ou analisado separadamente, pois o 'Grande Sistema', que nos rege. age de forma interdependente.

Apesar de sermos únicos, todos fomos criados para contribuir coletivamente no mundo e para usar as possibilidades de nossa singularidade.

Para tudo há um sentido e uma explicação no Universo. Sempre estará implícita uma mensagem proveitosa para nosso progresso espiritual, muitas vezes, porém, de forma inarticulada e silenciosa.

Nunca nos esqueçamos de que a vida sempre agirá em nosso benefício, quer nos setores da solidão, quer nos de muitas companhias, ou seja, entre encontros, desencontros e reencontros. A aflição também é um beneficio: 'Todo sofrimento é um ato importantíssimo de conhecimento e aprendizagem.'

Se bem entendermos, no entanto, as verdadeiras intenções das lições a nós apresentadas, retiraremos tesouros imensos de progresso e amadurecimento espiritual.int

As dificuldades que a vida nos apresenta têm sempre um caráter educativo. Mesmo que as vejamos agora como castigo ou punição, mais tarde tomaremos consciência de que eram unicamente produtos de nosso limitado estado de compreensão e discernimento evolutivo.

Descobrir a vida como um todo será sempre um constante processo de trabalho dos homens. Efetivamente, a vida é trabalho e movimento, e para fazermos nosso aprendizado evolutivo há um certo 'tempo de gestação', se assim podemos dizer. Na vida nada está perdido; aliás, existe a época certa para cada um saber o que é preciso para se desenvolver.

Nosso orgulho quer transformar-nos em super-homens, fazendo-nos sentir 'heroicamente estressados', induzindo-nos a ser cuidadores e juízes dos métodos de evolução da Vida Excelsa e, com arrogância, nomear os outros como desprezíveis, ociosos, improdutivos e inúteis.

Poderemos 'agir no processo' de formação e progresso das criaturas, nunca 'forçar o processo' ou criticar o seu andamento.

A pretensão do orgulhoso leva-o a acreditar que existe uma 'santidade desvinculada da realidade humana', ou seja, organizada e estruturada de forma diferente dos princípios pertencentes à Natureza; portanto, não é de ordem divina, mas é da mentalidade deturpada de alguns místicos do passado.

Nada é inútil no Universo. A Divindade age sem cessar em solicitude e consideração a cada uma de suas criaturas e criações. O progresso da humanidade é inevitável. Todos estamos progredindo e crescendo, ainda que, algumas vezes, não nos apercebamos disso."

Extraído do livro "As dores da alma", de Francisco do Espírito Santo Neto, pelo espírito Hammed, Boa Nova, editora e distribuidora de livros espíritas, 1998, p. 29/31.                                                              Imagem: Pinterest 


terça-feira, 2 de setembro de 2025

CHORADEIRA E DOR (MORTE)

"Choradeira e dor. Eliminadas estas errôneas concepções preliminares a respeito da morte, e conhecidos os fatos reais inerentes a ela, logo se verifica quão insensata e indesejável é a choradeira que geralmente a envolve. Todos os grotescos e pesados lutos, variáveis como o figurino da moda, não são apenas os concomitantes de um absurdo anacronismo, mas um ignóbil legado das superstições medievais, e com o exagerado pesar que tão infantilmente visam tipificar, constituem um erro fatal, nascido da mais grosseira ignorância e incredulidade. Se um cristão crê firmemente que seu amado morto está gozando da presença de Deus, não deveria vestir-se de luto, e sim, de gala, como faz o verdadeiro teósofo, consciente de que o morto passou para uma vida superior e mais feliz no plano astral, e está a caminho de outra ainda mais gloriosa no mundo celeste.

Todavia, não apenas o pesar inconsiderado pela morte de um parente é filho da ignorância e acumula grandes e desnecessários sofrimentos, mas, também, os bruscos arrebatos de dor e as contínuas lamentações que deles derivam, em vez de favorecerem, prejudicam o falecido por quem sentimos tão grande afeto. Porque, quando pacífica e naturalmente mergulha na inconsciência que precede o seu despertar na glória do mundo celeste, o tiram violentamente de seu ditoso sono os lamentos e aflições dos que deixou na terra, e que lhe representam uma lúcida recordação da vida que acaba de passar, com as correspondentes vibrações em seu corpo astral, cujo efeito nocivo é deprimi-lo e retardar notavelmente seu progresso espiritual. Esta falta de resignação por parte dos sobreviventes é um dos maiores obstáculos em que tropeçam os auxiliares invisíveis, podendo mesmo inutilizar longas horas de paciente trabalho neste sentido. Mesmo os mortos percebem, às vezes, o prejuízo que lhes causa a aflição de seus parentes ignorantes, embora bem intencionados, segundo se pode deduzir de algumas lendas tradicionais entre os aldeães da Bretanha.

Nem de leve se deve inferir disto que os ocultistas tenham predileção pelos parentes ou amigos aos quais mais amaram, ou que a sua doutrina lhes ordene esquecerem os mortos. Ao contrário, a recordação deve ser de tal forma que os auxilie em seus prejuízos e que os egoístas e inúteis lamentos sejam substituídos por ardentes e amorosos desejos, segundo o que já aconselhamos. O sobrevivente deve erguer seu pensamento ao alto, e esquecer-se de si mesmo e da ilusão da perda aparentemente sofrida, a fim de melhorar a situação do falecido.

Outra ideia muito generalizada sobre a morte, é a de que forçosamente há de implicar dor; e concorrem para aumentar este erro grotescos relatos de mortes desastrosamente angustiosas. No entanto, não se deve levar em conta estas tradições provindas de erros ainda subsistentes, porque os horríveis estertores da agonia são quase sempre os últimos movimentos do corpo físico quando o Ego já está fora dele. Na maioria dos casos, efetua-se a passagem sem dor alguma, embora a enfermidade tenha sido longa e penosa. Prova-o a serena expressão do rosto do morto, além do direto testemunho dos que foram interrogados sobre este particular, imediatamente depois de morrerem, quando ainda eram recentes em sua memória as circunstâncias da morte."

C. W. Leadbeater, O Que Há Além da Morte, Ed. Pensamento, São Paulo, SP, p. 37/38.
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