segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O ADVENTO DO REINO DE DEUS

"Prosseguiu Jesus seu caminho, falando do reino de Deus.

Perguntaram-lhe os fariseus quando viria esse reino. Respondeu-lhes Jesus:

- O reino de Deus não vem com aparato exterior; nem se pode dizer: Ei-lo aqui! ou: Ei-lo acolá! porque o reino de Deus está dentro de vós.

A ideia que todos, inclusive os discípulos, formavam do reino de Deus neste mundo era visceralmente errônea. Por mais que Jesus rebatesse as concepções mundanas do reino messiânico, os homens não acabavam de se desiludir, e continuavam a aguardar um domínio político, temporal, de grande expansão e prosperidade, como nos templos de Davi e Salomão.

Uma e muitas vezes inculca Jesus a ideia de que o reino de Deus consiste na realização integral do indivíduo; e isto não se faz com espalhafato e aparato exterior, senão por meio de uma profunda compreensão interior. O reino de Deus principia com autoconhecimento e culmina em autorrealização.

Assim como o fermento penetra toda a massa, sem que ninguém possa ver nem apalpar essa misteriosa força transformadora; assim como o princípio vital de um grãozinho vivo atua ab intrinseco, fazendo crescer a planta, em um lento e progressivo aperfeiçoamento de cada uma das suas células, de cada um dos seus órgãos - assim acontece também com o reino messiânico, aqui no mundo: a sua atividade é toda de dentro para fora; a sua causa é invisível, mas os seus efeitos patenteiam-se aos olhos de todos.

O reino de Deus está dentro de vós!"

(Huberto Rohden - Jesus Nazareno - Ed. Martin Claret, São Paulo - p. 302)


domingo, 17 de fevereiro de 2013

AMOR - PARTE I


"(§50) De todas as Qualificações, o Amor é a mais importante, pois se for bastante forte em um homem, impele-o a adquirir todas as demais, e todas as demais sem o Amor nunca seriam suficientes. Frequentemente é expresso como um intenso desejo pela libertação da roda de nascimentos e mortes, e de união com Deus. Porém, entendê-lo deste modo parece egoísta, e transmite apenas uma parte de seu significado. Não é tanto desejo como vontade, resolução, determinação. Para produzir seu resultado, esta resolução deve preencher de tal modo toda a tua natureza que não deixe lugar para qualquer outro sentimento. É, na verdade, a vontade de ser uno com Deus, não para que possas escapar à fadiga e ao sofrimento, mas para que, por causa de teu profundo amor por Ele, tu possas agir com Ele, e como Ele age. E porque Ele é Amor, tu, se quiseres tornar-te uno com Ele, deves também estar pleno de perfeito altruísmo e amor.

(§51) Na vida diária isto significa duas coisas: primeira, que deves ser cuidadoso para não causar dor a nenhum ser vivo; e segunda, que deves estar sempre vigiando por uma oportunidade de prestar auxílio.

(§52) Primeiro, não causar dor. Há três pecados que causam mais dor do que todos os outros no mundo - a maledicência, a crueldade e a superstição - porque são pecados contra o amor. Contra esses três pecados, o homem que quiser encher seu coração com o amor de Deus, deve vigiar incessantemente.

(§53) Vê o que a maledicência produz. Inicia com um mau pensamento, e este em si mesmo já é um crime. Pois em todos e em tudo existe o bem; em todos e em tudo existe o mal. Podemos reforçar qualquer um deles pelo pensamento, e deste modo podemos auxiliar ou retardar a evolução; podemos fazer a vontade do Logos ou a Ele resistir. Se pensares no mal que existe em outrem, estarás fazendo ao mesmo tempo três ações más:

(§54) (1) Estás enchendo a tua vizinhança de maus em vez de bons pensamentos, e assim estás aumentando a tristeza do mundo.

(§55) (2) Se existir neste homem o mal que imaginas, estás reforçando e alimentando esse mal; e assim estás tornando teu irmão pior em vez de melhor. Geralmente, porém, o mal não existe, e tu o criaste apenas em tua fantasia; então o teu mau pensamento tentará teu irmão acometer erro, pois, se ele ainda não for perfeito, poderás torná-lo tal qual o imaginaste.

(§56) (3) Enches tua própria mente com maus em vez de bons pensamentos; e assim retardas teu próprio crescimento, e tornas-te, para aqueles que podem ver, um objeto feio e penoso em vez de belo e amável. (...)"

(Krishnamurt – Aos Pés do Mestre – Ed. Teosófica, Brasília)


A ORIGEM E O PODER DA MEMÓRIA

"A memória é uma força maravilhosa. Toda memória humana provém da extraordinária memória de Deus. Por exemplo, você não consegue descrever todos os filmes que já viu desde que nasceu; entretanto, se eu lhe mostrasse um daqueles filmes outra vez, você imediatamente lembraria. A memória divina encontra-se latente dentro de você, sempre reconhecendo experiências passadas. Assim que revê a cena inicial, a história inteira volta à sua consciência. (...)

Como se pode reconhecer um filme - em todos os detalhes - visto há muitos anos? É que todos os acontecimento são gravados no cérebro. Assim que você coloca a agulha da atenção no disco de determinada experiência, a memória começa a reproduzir o que foi vivido. Se pergunto onde estava sentado, quando nos reunimos aqui na quinta-feira passada, você se recorda e começa a lembrar-se de outros detalhes também. Se pergunto: "Que foi que eu disse?" - minhas palavras começam a voltar a sua memória.

O poder interno da memória vem de Deus e é perfeito. Nunca esquece. A memória do homem comum não consegue reter a consciência de todas as experiências de uma só vez, mas a memória divina, subjacente, retém tudo, simultânea e permanentemente. Portanto, memória fraca ou forte é uma questão de convicção. Você se convenceu de que tem memória fraca e, por isso, sua memória é fraca. Todavia, não é fácil saltar dessa crença para a oposta. Muito esforço será preciso até que se convença que sua memória é, de fato, uma manifestação da memória de Deus, que tudo recorda.

A memória humana mais excepcional não passa de um empréstimo da consciência ilimitada de Deus, onde estão registradas todas as aventura de todos os seres humanos e de outras formas de vida."

(Paramahansa Yogananda - A Eterna Busca do Homem - Self-Realization Fellowship - p. 62/6)