terça-feira, 31 de dezembro de 2013

LAPIDAÇÃO DO CARÁTER

"Aquele que já coloca um ideal de virtude diante de si como meta a ser alcançada, compreenderá o que é chamado de natureza inferior e que deverá ser dominada. Em linguagem comum, pessoa controlada é aquela que sua mente controla os seus desejos. Essa é uma pessoa que possui um forte desejo de evoluir. Já tem na sua memória as experiências do passado e as atrações do exterior já não o iludem e nem o atraem mais. O resultado dessas experiências é a firme convicção do objetivo a ser alcançado.

Esse resultado transforma-se em regra de conduta, a qual não lhe permite afastar-se do seu caminho pelas atrações ou pelos impulsos do momento. Uma pessoa assim dará confiança aos demais, pois saberão o que ele irá fazer. Os demais têm certeza de que não estarão tratando com uma pessoa desatinada, pois ele agirá sempre de maneira nobre, levado pelos momentos de calma e reflexão. Esse é um homem autocontrolado.

Esse homem que por si só, já traz de outras vidas esse tipo de caráter, poderá melhorar e entendê-lo melhor, caso encontre um local no qual possa ter acesso a uma literatura que poderá ajudá-lo a melhorar-se ainda mais, expandindo a sua mente e entendendo que faz parte de um grande Plano Divino e que esse fato, por si só, já o torna responsável pelos seus atos e em colaborar com esse plano. Vai compreender também que atrairá para si exatamente aquilo que ele está emanando. Reconhecerá quando enviou um pensamento mau e que criou em sua mente um centro similar, atraindo pensamentos baixos, aumentando a sua tendência para o mal. Compreendendo essas atitudes, sentirá necessidade de exercer a fraternidade mental que liga todos os homens. Procurará na sua vida cotidiana a controlar mais seus pensamentos, pois entendeu que na região do invisível são geradas todas as forças que descem para a vida psíquica e física."

(Annie Besant - Do Recinto Interno ao Santuário Externo - p. 06)


O AGORA (2ª PARTE)

"(...) Enquanto não se responsabilizar por este exato momento - o Agora -, você não estará assumindo qualquer responsabilidade por sua vida. É por isso que o Agora é o único lugar onde a vida pode ser encontrada. Assumir responsabilidade por este momento presente é estar em harmonia com a vida.

O Agora é como é porque não pode ser de outro jeito. Os budistas sempre souberam e os cientistas hoje confirmam: não existem coisas ou fatos isolados. Por baixo da aparência superficial, todas as coisas estão ligadas, todas fazem parte da totalidade do cosmos que deu origem à forma do momento presente.

Quando diz 'sim' às coisas tal como são, você entra em harmonia com o poder e a inteligência da própria Vida. Só então pode se tornar agente de uma mudança positiva do mundo. Um exercício espiritual simples mas radical consiste em aceitar o que surge no Agora - interna e externamente.

Quando você passa a dar atenção ao Agora, cria-se um estado de alerta. É como se você acordasse de um sonho, o sonho do pensamento, o sonho do passado e do futuro. É tão claro e tão simples. Não sobra lugar para criar problemas. Só esse momento, tal como ele é.

Quando concentra sua atenção no Agora, você se dá conta de que a vida é sagrada. Existe algo de sagrado em tudo que você percebe quando se concentra no presente. Quanto mais você viver no Agora, mais vai sentir a simples e profunda alegria de Ser e do caráter sagrado da vida. (...)"

(Eckhart Toole - O Poder do Silêncio - Ed. Sextante, Rio de Janeiro, 2010 - p. 33/34)


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

COMO UM POMBO CORREIO

"Levaram minh’alma para longe da pátria querida – e soltaram-na em terra estranha...

E ela, qual pombo correio, norteando-se, ergueu voo, rumo à querência...

De sol a sol, até ao cair da noite pressaga, voa a avezinha por espaços ignotos, cheia de saudades...

De quando em quando, exausta, abate o voo e pousa no alto dum rochedo, numa cerca, ou cai no meio de um canteiro em flor...

E dizem então os homens, esses ingênuos, que minha’alma se esqueceu da pátria e se enamorou de terra estranha...

Dizem que a pobre avezinha deixou de ser o que era - para ser o que não era.

Não sabem eles, esses ingênuos, que não é por amor aos rochedos, às cercas ou às flores da terra que minh’alma desceu das alturas...

Retorne ao meu coração a energia normal do meu ser – e vereis, ó ingênuos, que não me sofrem aqui as saudades de minh’alma...

Expandirei nos mares azuis do espaço a potência das asas levíssimas – e adeus, rochedos, cercas e flores da terra!...

Quanto mais forte e normal é o meu ser – tanto mais cruciante me dilacera a saudade de Deus...

Quando me cerca universal abundância – mais do que nunca sinto a minha indigência...

Quando me enche a mais farta plenitude material – então me atormenta a mais faminta vacuidade espiritual...

Quando nada me falta das coisas tangíveis - mais do que nunca sofro a sede do intangível...

Quando a consciência do eu atinge o zênite do seu poder – então a inteligência ilumina o nadir da minha inquietude metafísica...

Quanto mais forte e mais ‘ela mesma’ é minh’alma – tanto menos prazer encontra em repousar em rochedos, cercas e canteiros...

Só em transes de fadiga e desânimo, quando ao pleni-Eu sucede um semi-Eu ou um pseudo-Eu – deixa meu espírito de voar em demanda da pátria longínqua...

Ergue-te, pois aos espaços, pombo correio de minh’alma!

Divina é a mensagem que tens de levar à humanidade!

A mensagem da verdade e da vida...

A mensagem da justiça e da paz...

A mensagem do amor e da graça...

O aleluia da Páscoa e o hosana de infinita beatitude..."

(Huberto Rohden - De Alma para Alma - Fundação Alvorada, 8ª Edição - p. 45/46)
http://www.editoraalvorada.com.br/