sábado, 15 de outubro de 2016

PORQUE E COMO JESUS SOFREU (2ª PARTE)

"(...) O sofrimento de Jesus é essencialmente um sofrimento voluntário, um sofrimento-crédito.

Todos os grandes avatares aceitam voluntariamente o sofrimento, não tanto para ajudar os outros, mas para se realizarem a si mesmos. Também aqui na terra há homens que sabem disso.

Nos Estados Unidos assisti às conferências do grande evangelizador do Japão, Hirohito Kágawa. Anos mais tarde, li numa revista que Hirohito estava de cama, longos meses, desenganado pelos médicos. Um amigo dele, que estava à cabeceira do doente lamentava a inatividade forçada do sempre dinâmico evangelizador, quando tantas tarefas inacabadas estavam à espera dele. Hirohito ouviu em silêncio os lamentos do amigo e, finalmente, disse:

'Tu lamentas que eu não possa fazer mais nada, por causa desta longa enfermidade. Mas eu estou realizando agora mais do que nunca o trabalho mais importante da vida - a realização de mim mesmo pelo sofrimento'.

Assim pensam e vivem os avatares que a nossa humanidade conhece: sofriam voluntariamente para se realizarem ulteriormente, para entrarem cada vez mais em sua glória.

A tarefa mais difícil do homem é descobrir no sofrimento um fator positivo, quando o sofrimento parece ser totalmente negativo.

O sofrimento em si não é positivo nem negativo, mas simplesmente neutro. Aliás, nenhum objeto de nenhum fato é bom nem mau, nem positivo nem negativo em si mesmo, porque são coisas neutras incolores, inconscientes. O homem é que pode servir-se desses objetos neutros para o seu ser-bom, ou para o seu ser-mau. Mas é dificílimo fazer de um fato como o sofrimento - que parece flagrantemente negativo - um valor positivo. Para realizar tal façanha, deve o homem ter descoberto em sua alma uma mina profunda e riquíssima de realidade transcendental.

O rei Midas, da fábula tinha recebido dos deuses o poder de transformar em ouro tudo quanto tocasse. O misterioso conde de Sainte Germain, que parece viver ainda no Himalaia e prometeu voltar ao ocidente nos tempos mais trágicos na nossa humanidade tinha o poder de fazer ouro e pedras preciosas de um simples pedaço de carvão. Isso é incompreensível magia mental. (...)"

(Huberto Rohden - Porque Sofremos - Ed. Martin Claret, São Paulo, 2004 - p. 46/47


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

PORQUE E COMO JESUS SOFREU (1ª PARTE)

"Muitas pessoas piedosas tentam camuflar os seus sentimentos com a sugestão: Jesus sofreu mais...

E, assim julgando, aliviam os seus males tornando-os toleráveis.

Se grande é a boa vontade dessas pessoas, pequena é a sua sabedoria.

Acima de tudo, esta afirmação insinua uma inverdade. Em segundo lugar, é falso o motivo dos sofrimentos de Jesus.

Dizer que Jesus foi o rei dos mártires, o maior sofredor da humanidade, não corresponde à verdade. Nem adianta apelar para as palavras do profeta Isaías, que descreve os sofrimentos do 'servo de Deus' (ebed Yahveh), porque Isaías se refere diretamente aos sofrimentos dos israelistas no exílio da Babilônia causados pelos pecados de Israel.

Durante os 33 anos da sua vivência terrestre, sofreu Jesus fisicamente durante umas 15 horas, desde as 20 horas da quinta-feira até às 15 horas da sexta-feira. Haverá na terra um homem que, durante a vida, tenha sofrido apenas 15 horas?

Mas e os sofrimentos morais e psíquicos de Jesus? Os ludíbrios, as incompreensões, as ingratidões, etc...?

Quando um avatar desce das alturas às profundezas, sabe ele de antemão que essa jornada vai ser um tormento para ele, e não espera outra coisa.

A maior das inverdades, porém, é a constante afirmação dos teólogos de que Jesus sofreu por ordem de Deus, a fim de pagar-lhe a enorme dívida dos pecados humanos. Se isto fosse verdade, escreve o historiador britânico Arnold Toynbee, seria Deus o maior monstro do Universo.

Jesus nunca afirmou ter vindo ao mundo para pagar pelos pecados humanos, sofrendo e morrendo na cruz.

A verdade está nas palavras que Jesus disse aos dois discípulos sofredores, a caminho de Emaús: O Cristo devia sofrer tudo isto para assim entrar em sua glória. (...)"

(Huberto Rohden - Porque Sofremos - Ed. Martin Claret, São Paulo, 2004 - p. 45/46


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

CONSAGRAÇÃO

"Quando um tormento o alcançar, não se desespere nem se revolte.

Uma criança a quem o pai nega um sorvete, por querer evitar uma piora em sua bronquite, sente a negação como uma injustiça, uma frustração, e até falta de amor por parte do pai.

Em seu curto entendimento, é assim que pensa.

Nós também, em nossas dores, nos tornamos cegos para entender os planos de Deus.

Num quadro de sofrimento, convém lembrar o que disse São Paulo: '... todas as coisas contribuem conjuntamente para o bem daqueles que amam a Deus'.

Consagre-se a Deus!

Faça-se, Senhor, Tua Santa Vontade. Não a minha."

(Hermógenes - Deus investe em você - Ed. Nova Era - Rio de Janeiro, 1995 - p. 86)