segunda-feira, 21 de novembro de 2016

A GRANDE ILUSÃO (1ª PARTE)

"'Conhece-te a ti mesmo'. Pelo fato de o eu ser um fator condicionante de nosso conhecimento, nossas reações às coisas ocorrem segundo sua natureza. Do ponto de vista materialista da ciência do século XIX, o eu ou mente - os dois sendo considerados por ela a mesma coisa - era um produto da matéria ou do ambiente, relativo ao corpo físico perecível. O ponto de vista oculto era diametralmente oposto a isso, e desde então tem sido cada vez mais que justificado. O livro Human Personality and its Survival, de Meyers, registrou um ponto crítico na perspectiva do moderno pensamento científico sobre a construção e a natureza do homem. Contudo, a sobrevivência do corpo não prova a permanência do princípio sobrevivente, que é o eu humano ou a personalidade. A ciência moderna não nos levou muito longe na estrada até sua natureza efetiva. Por outro lado, os antigos filósofos, notadamente na Índia, dirigiam suas investigações mais minuciosas para este princípio, cuja constituição foi dissecada e investigada por eles com cuidado exaustivo. A dissecção e a análise que fazem - nem sempre meras especulações, como alguns Orientalistas ocidentais tão prontamente as apelidaram - têm levado às mais surpreendentes descobertas. Essas descobertas não são menos espantosas e revolucionárias à prespectiva humana do que os resultados das pesquisas feitas pela moderna ciência, uma vez que tomaram o desvio que Copérnico, Newton e Einstein lhe deram em sucessão.

A mudança fundamental de nossa compreensão produzida por um estudo, como por outro, é a total destruição daquela base de egocentricidade sobre a qual o homem, na aurora de sua inteligência, tem buscado construir as teorias de sua própria existência. Ele é um infinitésimo num ilimitado continuum de tempo e espaço (ilimitado embora não infinito, segundo Einstein) e a consciência na qual sua individualidade repousa é tão efêmera quanto a Natureza externa, segundo as pesquisas da ciência subjetiva. Não será uma maravilha das maravilhas que a certeza no mundo da cognição humana - aquele fator primevo que penetra toda experiência de seu próprio eu - deva evidenciar-se como a maior de todas as ilusões? Isso é apenas um senso artificial criado por seus encontros com o externo, do qual as marcas são suas memórias. (...)"

(N. Sri Ram - O Interesse Humano - Ed. Teosófica, Brasília, 2015 - p. 44/45)


domingo, 20 de novembro de 2016

A SABEDORIA DA NÃO VIOLÊNCIA

"A Vida verdadeira é como a água:
Em silêncio se adapta, ao nível inferior,
Que os homens desprezam.
Não se opõe a nada,
Serve a tudo.
Não exige nada,
Porque sua origem é da Fonte Imortal.
O homem realizado não tem desejos de dentro,
Nem tem exigências de fora.
Ele é prestativo em se dar
E sincero em falar,
Suave no conduzir,
Poderoso no agir,
Age com serenidade.
Por isto é incontaminável.

EXPLICAÇÃO: Haverá coisa mais frágil do que a água? Ela, que em pedra dura tanto dá até que fura? Onde não há água não há Vida, a Vida nasce e vive na água, até as células do nosso corpo. A água é o símbolo da fraqueza poderosa, assim como a Vida é a onipotência da impotência.

Tao é eternamente silenciosos, por isto realiza todas as coisas poderosas. É um silêncio dinâmico, como é o homem sábio, silenciosamente realizador.

Age pelo não agir."

(Lao-Tse - Tao Te King, O Livro Que Revela Deus - Tradução e Notas de Huberto Rohden - Fundação Alvorada para o Livro Educacional, Terceira Edição Ilustrada - p. 40/41)


sábado, 19 de novembro de 2016

AMOR

"À medida que vamos conseguindo amar os outros, tanto quanto já nos amamos, vamos deixando de sentir dificuldade em sermos bondosos e, simultaneamente, vamos também sentindo ser mais difícil prejudicar e ferir os demais.

Aprender a amar o semelhante é a única solução para esta tão trágica humanidade às vésperas da hecatombe.

Se continuarmos a pensar o bem somente de nós e dos 'nossos', a querer e fazer o bem somente para nós e para os 'nossos', com exclusão dos outros e até em detrimento dos outros, continuaremos nos condenando à destruição geral, aquela que não queremos para nós e para os 'nossos'.

Para todos, a solução que resta é amar e servir aos demais como amamos e servimos a nós e aos 'nossos'.

Que teu Poder e Teu Amor possam se manifestar em benefício do próximo."

(Hermógenes - Deus investe em você - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1995 - p. 118/119)