sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

DISCERNIMENTO - PARTE IV

"(§17) Quando te tornares um discípulo do Mestre, poderás sempre pôr a prova a verdade de teu pensamento colocando-o ao lado do Seu. Pois o discípulo é uno com o seu Mestre, e necessita somente voltar seu pensamento para o do Mestre para ver imediatamente se ambos estão de acordo. Se assim não for, o pensamento do discípulo está errado, e ele deve modificá-lo instantaneamente, pois o pensamento do Mestre é perfeito, porque Ele sabe tudo. Aqueles que ainda não foram aceitos por Ele não podem fazer isso perfeitamente; mas eles podem ajudar grandemente a si mesmos parando frequentemente para pensar: "O que pensaria o Mestre a este respeito? O que diria ou faria o Mestre nestas circunstâncias?" Pois nunca deves fazer, dizer ou pensar o que não possas imaginar o Mestre fazendo, dizendo ou pensando. 

(§18) Deves ser verdadeiro também no falar - exato e sem exageros. Nunca atribuas motivos a outra pessoa; somente seu Mestre lhe conhece os pensamentos, e ela pode estar agindo por razões que nunca entraram em tua mente. Se ouvires algum boato contra alguém, não o repitas; pode não ser verdadeiro, e ainda que o seja, é mais amável nada dizer. Pensa bem antes de falar, a fim de não caíres em inexatidões.

(§19) Sê verdadeiro na ação; nunca pretendas parecer outro senão aquele que tu és, pois todo o fingimento é um obstáculo à pura luz da verdade, que deve brilhar através de ti como a luz do Sol brilha através de um vidro transparente.

(§20) Precisas discernir entre o altruísmo e o egoísmo. Pois o egoísmo possui muitas formas, e quando pensas finalmente tê-lo morto em uma delas, ele ressurge em outra tão forte como sempre. Porém, gradualmente, tu te tornarás em tal medida pleno do pensamento de auxiliar os outros que não haverá mais lugar, nem tempo, para qualquer pensamento sobre ti mesmo.

(§21) Ainda deves discernir de outra maneira. Aprende a distinguir a Deus em todos os seres e em todas as coisas, não importando quanto mal possam aparentar superficialmente. Podes auxiliar o teu irmão através do que tens em comum com ele, que é a Vida Divina; aprende como despertá-la nele, aprende a invocá-la nele; assim tu salvarás teu irmão do erro.”

(Krishnamurt – Aos Pés do Mestre – Ed. Teosófica, Brasília)


PROCURE A ORIENTAÇÃO DE DEUS EM SEU INTERIOR


“Vá até Deus; ore a Ele e chore por Ele até que Deus lhe mostre como funcionam Suas leis e lhe dê orientação. Lembre-se: sentar-se e meditar em Deus até que sinta tranquilidade interior é superior a um milhão de raciocínios da mente. Diga, então, ao Senhor: “Não poderia resolver meu problema sozinho, mesmo que eu tivesse um número ilimitado de pensamentos diferentes; mas posso resolvê-lo colocando-o em Tuas mãos, pedindo primeiro Tua orientação e, em seguida, indo até o fim sem deixar-me desviar ou abater, pensando nos vários ângulos de uma possível solução.” Deus ajuda aqueles que se ajudam. Quando sua mente estiver tranquila e cheia de fé, após orar a Deus em meditação, você será capaz de ver as várias respostas para seus problemas; e, porque a mente está tranquila, você será capaz de escolher a melhor solução. Siga essa solução e terá êxito. Isto é aplicar a ciência da religião na vida cotidiana.”

(Paramahansa Yogananda – No Santuário da Alma – Self-Realization Fellowship - Ed. Lótus do Saber - p. 66)


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

DISCERNIMENTO - PARTE III

"(§12) Procura verificar o que vale a pena ser feito; e lembra-te que não deves julgar as coisas por sua grandeza aparente. Uma pequena coisa, que seja diretamente útil à obra do Mestre, vale muito mais a pena ser feita do que uma grande coisa que o mundo considere boa. Precisas distinguir não somente o útil do inútil, mas ainda o mais útil do menos útil. Alimentar os pobres é uma obra boa, nobre e útil; porém alimentar suas almas é ainda mais nobre e mais útil do que alimentar seus corpos. Qualquer homem rico pode alimentar o corpo, mas somente aqueles que sabem podem alimentar a alma. Se tu sabes, é teu dever auxiliar outros a saber.

(§13) Por mais sábio que já sejas, nesta Senda ainda terás muito que aprender; tanto que aqui também deve haver discernimento, e tu deves pensar cuidadosamente o que vale a pena ser aprendido. Todo conhecimento é útil, e um dia terás todo o conhecimento; enquanto, porém, tu tiveres somente parte dele, toma cuidado para que essa seja a parte mais útil. Deus tanto é Sabedoria como Amor; e quanto mais sabedoria tiveres mais Ele poderá se manifestar por teu intermédio. Estuda, então, mas estuda em primeiro lugar aquilo que mais te habilite a auxiliar os outros. Trabalha pacientemente em teus estudos, não para que os homens te considerem sábio, nem mesmo para que possas ter a felicidade de ser sábio, mas porque somente os homens sábios podem ser sabiamente úteis. Por muito que desejes auxiliar, enquanto fores ignorante poderás fazer mais mal do que bem.

(§14) Precisas distinguir entre a verdade e a falsidade; tens de aprender a ser verdadeiro em tudo, em pensamento, palavra e ação.

(§15) Primeiro em pensamento; e isto não é fácil, pois há no mundo muitos pensamentos falsos, muitas superstições insensatas, e ninguém que estiver escravizado por eles poderá fazer progresso. Portanto, não deves acolher um pensamento simplesmente porque muitas outras pessoas o acolhem, nem porque se tenha acreditado nele por séculos, nem porque esteja escrito em algum livro que os homens julguem ser sagrado; tu tens de pensar sobre a questão por ti mesmo, e julgar por ti mesmo se ela é razoável. Lembra-te que, embora um milhar de homens concorde sobre um assunto, se eles não souberem nada sobre aquele assunto a sua opinião não tem valor. Aquele que quiser trilhar a Senda tem de aprender a pensar por si mesmo, porque a superstição é um dos maiores males do mundo, um dos grilhões dos quais, por ti próprio, deves te libertar completamente.

(§16) O teu pensamento a respeito dos outros deve ser verdadeiro: não penses a respeito deles aquilo que não saibas. Não suponhas que os outros estejam sempre pensando em ti. Se um homem fizer alguma coisa que imaginas poder prejudicar-te, ou disser alguma coisa que imaginas aplicar-se a ti, não penses imediatamente: "Ele deseja ofender-me." É mais provável que nunca tenha pensado em ti, pois cada alma tem as suas próprias preocupações e seus pensamentos giram principalmente em torno de si mesma. Se um homem te falar iradamente, não penses: "Ele me odeia, ele quer ferir-me." Provavelmente alguém ou alguma outra coisa o deixou irado, e acontecendo encontrar-te, voltou sua ira sobre ti. Ele está agindo insensatamente, pois toda a ira é insensata, mas nem por isso deves pensar sobre ele de modo não verdadeiro. (...)"

(Krishnamurt – Aos Pés do Mestre – Ed. Teosófica, Brasília)