domingo, 22 de dezembro de 2013

FUMAÇA E FOGO

"Quando a fumaça se torna muito intensa e quente passa de preta ou cinzenta a ser branca, de branca se torna radiante, depois vítrea, ígnea - e, por fim, rompe em chama de fogo.

Assim, por vezes, os meus pensamentos humanos, conscientes, se tornam tão intensos que deixam de ser meus e passam a ser uma vibração do Infinito, radiação cósmica, inspiração divina. E então me sinto simples canal passivo, e não mais fonte ativa do meu pensamento, que deixou de ser meu, do meu ego consciente.

De ego-pensante me torno cosmo-pensado.

Vida, pensamento, intuição - estas coisas não são produzidas pelo homem, mas são substâncias do Infinito, radiação cósmica que o homem capta e canaliza, assim como a antena de um receptor capta as ondas de uma estação emissora, tornando-as audíveis ou visíveis através do receptor.

Todo pecado consiste no fato de o homem se considerar fonte em vez de simples canal. Só Deus é Fonte, ele, o Uno, o Único, o Todo. 

O Universo é uma gigantesca estação emissora de Vida, Pensamento, Intuição. Basta que haja um Finito para captar algo da irradiação do Infinito - e aparecem as maravilhas da Vida, do Pensamento, da Inspiração.

Os pais não causam o filho.

O pensador não causa o pensamento.

O místico não causa a inspiração.

Todos recebem do Infinito, na medida da sua receptividade, e canalizam essa parcela do Todo, de acordo com a sua idoneidade.

Quem considera fonte, quando é apenas canal, ignora a sua função. Na natureza infra-humana nenhuma criatura se considera fonte, todas funcionam instintivamente como canais do Infinito, e por isto, na natureza, tudo é harmonia e beleza. Com o homem começa a possibilidade do grande erro, de considerar o seu canal como fonte - e isto é o pecado do ego, a grande hybris.

A redenção está em ultrapassar esse erro e entrar na zona da verdade, fazendo conscientemente o que a natureza faz inconsciente: 'As minhas obras não são minhas, mas são do Pai que em mim está... Eu de mim mesmo (do meu ego) nada posso fazer.'"

(Huberto Rohden - A Essência do Otimismo - Ed. Martin Claret, São Paulo, 2002 - p. 117/118)
www.martinclaret.com.br


COMPREENDENDO A MENTE E O MEDO (1ª PARTE)

"Uma das funções do pensamento é estar continuamente ocupado com alguma coisa. Em geral, desejamos ter a mente continuamente ocupada, para nos impedir de ver-nos como realmente somos. Temos medo de sentir-nos vazios. Temos medo de encarar os nossos temores.

Conscientemente, podeis perceber os vossos temores, mas estais cônscio deles nos níveis mais profundos? E como ireis descobrir os temores ocultos, secretos? Pode o medo dividir-se em consciente e inconsciente? Esta é uma pergunta muito importante. O especialista, o psicólogo, o analista, dividiram o medo em camadas profundas e camadas superficiais, mas, se fordes seguir o que diz o psicólogo ou o que eu digo, tereis a compreensão de nossas teorias, de nossos dogmas, de nossos conhecimentos, mas não tereis a compreensão de vós mesmos. Não podeis compreender-vos de acordo com Freud, Jung, ou de acordo comigo. As teorias de outras pessoas não têm importância alguma. É a vós mesmo que deveis perguntar se o medo pode ser dividido em consciente e subconsciente. Ou só existe medo, que traduzis de diferentes maneiras? Só existe um desejo; só há desejo. Vós desejais. Os objetivos do desejo variam, mas o desejo é sempre o mesmo. Assim, talvez, da mesma maneira, só existe o medo. Tendes medo de uma porção de coisas, mas só existe um medo.

Ao perceberdes que o medo não pode ser dividido, vereis que acabastes com o problema do subconsciente, pregando um logro aos psicólogos e aos analistas. Ao compreenderdes que o medo é um movimento único que se expressa de diferentes maneiras, e ao verdes o movimento e não o objetivo a que se dirige, estareis então em presença de uma questão imensa: Como olhar o medo sem a fragmentação que a mente cultivou? (...)"

(J. Krishnamurti - Liberte-se do Passado - Ed. Cultrix, São Paulo - p. 23)


sábado, 21 de dezembro de 2013

O DESTINO DO HOMEM

"Quando dizemos ‘o destino do homem’, pensamos também no futuro do mundo em que vive e nos ocupamos não somente com o longínquo destino final, como também com o que podemos visualizar em um futuro relativamente dentro de nosso alcance. Do ponto de vista da Teosofia – que é uma sabedoria ampla baseada na verdade acessível ao homem, na sabedoria que existe na Natureza -, o que o homem vai ser depende do que é agora fundamentalmente nas raízes do seu ser e no caráter das forças coligadas com o problema de seu crescimento e desenvolvimento.

Esta é, portanto, a questão para qual devemos encontrar resposta satisfatória.

É o homem um animal mental, um ser passional redimido, ou condenado por um intelecto engenhoso, ou há nele algo superior à mente, com o qual há de associar-se à mente em toda questão racional; e se este é o caso, qual o caráter desse algo? (...)

A Teosofia ensina que o homem tem esse outro lado de sua natureza, que vemos na luz transcendente dos Grandes Instrutores espirituais do mundo tais como Cristo e Buda
.
Os Germes das qualidades deles estão, também, em nós. Portanto, o mandamento ‘Sede perfeitos como o Pai nos céus é perfeito’ não é irrealizável. Este ´Pai nos céus´ é a própria Mônada espiritual do homem terreno, que é a sua sombra; um raio ou uma parte perfeita da unidade e da totalidade do ser divino. Por causa dessa Mônada (palavra que subentende uma natureza unitária), ou chispa espiritual, o homem é interna e essencialmente semelhante a Deus. Sua mente não é senão o termo médio entre o Ser interno e a circunferência das condições materiais externas."

(N. Sri Ram - O destino do homem - TheoSophia, publicação da Sociedade Teosófica no Brasil, Ano 97, Julho/Agosto/Setembro de 2008 - p. 18)