segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

CONTENTAMENTO

"No desespero, pare um pouco e se pergunte: 'Por que estou desesperado?'

Não será porque esperou dos outros mais do que eles poderiam ser? Porque esperou aquilo que não poderiam dar?

Não está desesperado porque esperou demais de si mesmo ou aquilo de que ainda não é capaz?

Esperar soluções adequadas e perfeitas, e conforme almejamos, conforme nosso interesse egoístico, não será imprudente?!

Coitados daqueles que só esperam afagos e facilidades da Vida, principalmente nesta hora da humanidade!

Aprendamos a sabedoria da aceitação e do contentamento, agora.

Bem sei, meu Deus, que Tu queres que eu seja misericordioso."

(Hermógenes - Deus investe em você - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1995 - p. 68/69)


domingo, 17 de dezembro de 2017

UM PROCESSO CRIATIVO (PARTE FINAL)

"(...) A ação do ego, que é individual e universal, não é sequer previsível. Uma artista australiana, Margaret Olley, afirmou: 'Estou sempre esperando para ser surpreendida. Se não restam mais surpresas, você poderia muito bem morrer agora. Mantenha o seu senso de curiosidade e de espanto. A grande obra-prima pode estar esperando na próxima esquina.' É assim também com a jornada espiritual. A curiosidade e o espanto a respeito de nós mesmos e do mundo evitam a estagnação e a previsibilidade, e estimulam a ação criativa do espírito. Essa postura evita que a mente se cristalize, presa à rotina, e nos ajuda a responder mais à vida, em vez de reagir de acordo com velhos padrões. Gradualmente nos tornamos autorresponsáveis, agindo em todas as situações alinhados com a nossa natureza mais profunda. 

Como podemos manifestar isso em termos concretos? Alguns exemplos são a honestidade em assuntos financeiros, admitir um erro em vez de encobri-lo, fazer o que prometemos, ter cortesia para com os outros em todas as situações, envolver-nos em causas por um mundo melhor. Autorresponsabilidade significa nos tornarmos plenamente responsáveis por nossas ações.

Essa obra de arte é tudo o que sempre fomos. Em um estágio avançado do caminho, o processo de buscar o próprio Ego ou Espírito deve ser abandonado, porque então, paradoxalmente, ele não pode ser alcançado - ele é aquilo que somos, como reconheceram Krishnamurti e Ken Wilber, e como mostra um dos Upanishades:

O Senhor de tudo,
o conhecedor de tudo,
o começo e fim de tudo - 
esse Ego habita cada coração humano.
Olhe para fora - ele se foi.
Olhe para dentro - ele se foi. 
Não pode ser lembrado,
não pode ser esquecido,
não pode ser agarrado por nenhum meio.
Está além de todos os limites e 
fronteiras.
É a pura unidade,
onde nada mais pode existir."

(Linda Oliveira - Os artistas do destino - Revista Sophia, Ano 13, nº 58 - p. 16/17

sábado, 16 de dezembro de 2017

UM PROCESSO CRIATIVO (1ª PARTE)

"O artista geralmente começa com uma ideia do que será trazido à vida sobre a tela. Talvez por um longo período de evolução o ser humano não tenha uma visão específica do que pode se tornar. Um vislumbre precisa de tempo para ganhar clareza. Porém, quando o momento crítico é alcançado, a visão de uma ordem diferente da humanidade pode começar a surgir. Quanto mais focada esteja a visão, mais rápido o retorno. À medida que o eu retrocede, o Eu começa a revelar suas cores delicadas e sutis.

Para Krishnamurti e Ken Wilber poderia não ser necessário buscar aquele algo que já somos, mas que percebemos apenas de maneira obscura. Talvez também não lhes tenha sido necessária uma visão, o simples reconhecimento do que é. Para Wilber, o que é importante no final das contas é reconhecer o imutável, o vazio primordial, a divindade inqualificável, o puro espírito. Podemos chamar a isso de reconhecer o eu universal interior, ou conhecer mais uma vez aquilo que verdadeiramente somos. Porém, o desabrochar humano também requer um processo, a preparação para aquilo a que nos referimos como 'a senda'.

Voltando à metáfora do artista, isso implica a ocorrência de um processo criativo. Quanto mais identificamos aquilo com que temos que trabalhar, mais podemos remover a dura capa externa de vidas passadas e permitir que o que está no interior possa emergir. Podemos então nos tornar responsivos ao Eu, em vez de reativos aos caprichos do eu pessoal que tende a preencher a maior parte do nosso estado de vigília. A qualidade de vida se torna mais rica, mais equilibrada, tingida de maneira crescente pela beleza interior. O ego reencarnante é refinado e iluminado. (...)"

(Linda Oliveira - Os artistas do destino - Revista Sophia, Ano 13, nº 58 - p. 16)
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