quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

O AMOR DESPERTA A ALMA

"Uma ruptura no nível da alma faz o amor expandir, mas também traz desafios. A alma capta o amor infinito de Deus e o converte para a escala humana. O grau de intensidade do amor que você pode receber depende de muitas coisas. A maioria das pessoas sonha com mais amor em suas vidas, ainda que na verdade a porção que desfrutam neste exato momento corresponde àquela a que se adaptariam. Existe também a questão do grau de aceitação de uma demonstração de amor intenso. Nem todas se sentiriam confortáveis se você repentinamente as confrontasse com uma investida de amor incondicional. Ficariam desconfiadas se esse novo tipo de amor é confiável. Teriam dúvidas se é real ou duradouro. Bem no fundo de seus corações, iriam achar que não são merecedores de um amor tão aberto, completo.

Muitas pessoas já fizeram um contato momentâneo com o amor mais puro e intenso da alma. Quando isso acontece, há uma maravilhosa sensação de acordar. O amor desperta a alma. Isso acontece porque os semelhantes de atraem. A alma não é passiva. Ela vibra em simpatia com você todas as vezes em que tenta libertar-se de limitações. Há uma sensação parecida, de expansão e liberação, quando você experimenta a beleza ou a verdade. Você está liberando energia potencial e deixando que ela flua. A eletricidade em sua casa não produz luz e calor antes de você apertar o interruptor. Algo bem parecido ocorre quando você desperta a energia da alma.

Na maioria das vezes, as pessoas experimentam uma oscilação da energia da alma sem saberem exatamente como. Sem nenhum aviso, têm um vislumbre do amor incondicional ou sentem a presença de Deus. Existe uma sensação de serem abençoadas e ilimitadas. Subitamente torna-se real a quebra de todos os limites. Por que, então, a vida diária as puxa para baixo novamente? Essas expedições privilegiadas ao reino da consciência expandida são quase sempre breves - uma questão de momentos, talvez alguns dias e raramente mais que alguns meses.

Ano após ano o cérebro se adaptou a um modo de vida no qual é normal ser pouco amoroso e alegre. Já que você não tem como se obrigar a adotar uma nova atitude, o que seria capaz de fazê-lo? A resposta, creio, é o desejo. O desejo de amar e ser amado impulsiona qualquer pessoa pra a frente.Quando esse desejo está mais vivo, procuramos o melhor da vida. Quando ele bate as asas, a vida se torna estática.

Inúmeras pessoas preferem viver sem amor porque têm medo demais de arriscar qualquer forma de conforto que tenham; outras fracassaram no amor e se sentem feridas, ou acabaram se enjoando da pessoa que uma vez amaram. Para toda essa gente, o amor chegou ao fim, o que significa que um aspecto da alma ficou entorpecido. Dizer a alguém nessas condições que o amor é infinito pode ser inspirador, mas a inspiração é vazia, a menos que ela possa experimentar não o amor infinito, mas o passo seguinte. E o passo seguinte é sempre o mesmo: despertar a alma. Pelo fato de cada pessoa ser diferente, não existe um método pronto para se obter êxito. Pode funcionar dizer a uma pessoa solitária para sair de casa e procurar gente nova, marcar um encontro ou procurar um serviço na internet que junte casais. Como também pode não funcionar."

(Deepak Chopra - Reinventando o Corpo, Reanimando a Alma - Ed. Rocco Ltda., 2010 - p. 177/178)


terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

O PODER DE ESCOLHER

"Uma escolha sugere uma consciência, um alto grau de consciência. Sem ela, não há escolha. A escolha começa no instante em que nos desidentificamos da mente e de seus padrões condicionados, o instante em que nos tornamos presentes.  

Até alcançar este ponto, você está inconsciente, espiritualmente falando. Significa que você foi obrigado a pensar, sentir e agir de determinadas maneiras, de acordo com o condicionamento da sua mente.

Ninguém escolhe o problema, a briga, o sofrimento. Ninguém escolhe a doença. Eles acontecem porque não existe presença suficiente para dissolver o passado, ou luz suficiente para dispersar a escuridão. Você não está aqui por inteiro. Você ainda não acordou. Nesse meio tempo, a mente condicionada está governando a sua vida. 

Do mesmo modo, se você é uma das inúmeras pessoas que têm assuntos mal resolvidos com os pais, se ainda guarda, ressentimentos por alguma coisa que eles fizeram ou deixaram de fazer, então você ainda acredita que eles tiveram uma escolha e poderiam ter agido diferentemente. Sempre parece que as pessoas fizeram uma escolha, mas isso é ilusão. Enquanto a sua mente, com os seus padrões de condicionamento, dirigir a sua vida, enquanto você for a sua mente, que escolhas você tem? Nenhuma. Você não está nem ligando. O estado identificado com a mente é altamente defeituoso. É uma forma de insanidade. 

Quase todas as pessoas estão sofrendo dessa doença em vários graus. No momento em que você perceber isso, não haverá mais ressentimento. Como você pode se ressentir com a doença de alguém? A única resposta adequada é compaixão. 

Se você é governado pela mente, embora não tenha escolha, vai sofrer as consequências da sua inconsciência e criar mais sofrimento. Você vai carregar o fardo do medo, das disputas, dos problemas e do sofrimento. Até que o sofrimento force você, no final, a sair do seu estado de insconsciência."

(Eckhart Tolle - Praticando o Poder do Agora - Ed. Sextante, Rio de Janeiro, 2016 - p.132/133)


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

A CONVERSAÇÃO

"É de todo conveniente lembrar que a conversação deve primar pela veracidade. A exatidão na conversa é qualidade que raramente se mostra nos dias atuais, e lamentavelmente é comum o exagero descuidado. A tal ponto muita gente incorre nessa falta que as palavras chegam a perder toda a significação; é comum dizer-se 'terrivelmente' quando se quer dizer 'muito', ou descrever-se alguma coisa como 'gozado' quando se está tentando exprimir a ideia de que agrada e diverte. 

O ocultista não se deve levar pelo costume nesta matéria, sendo antes meticulosamente exato em tudo o que diz. Há pessoas que consideram a coisa mais natural contar uma falsidade por meio do que chamam uma 'piada', a fim de enganar alguém e depois rir de sua credulidade – uma credulidade da qual a vítima seguramente não é culpada se acreditou simplesmente que o narrador fosse suficientemente sincero e cavalheiro para falar a verdade! Necessito duramente dizer que tal coisa é absolutamente inadmissível. Em circunstância alguma pode existir algo divertido em se contar uma mentira ou iludir o próximo. Tão perversa será a palavra quanto a ação, e não há fins que justifiquem uma ou outra. 

O sábio não discute. Todo ser humano é dotado de certa quantidade de força, cabendo-lhe a responsabilidade por usá-la com o máximo de proveito possível. Uma das maneiras fúteis de a desperdiçar é gastá-la em discutir. Por vezes, algumas pessoas vêm a mim pretendendo questionar Teosofia: eu invariavelmente me eximo. Conto-lhes que estou de posse de certas informações que lhes poderei oferecer a respeito do que eu próprio tenho visto e experimentado. Se esse testemunho lhes for de valia, serão mais que bem-vindos, e terei satisfação em pô-lo ao seu dispor, tal como o tenho feito repetidas vezes neste e em outros livros. Mas não me sobeja tempo para discutir o assunto com pessoas que não acreditam em mim. Cabe-lhes todo o direito à sua própria opinião, e têm plena liberdade de crer ou não crer naquilo que elegerem. Não discuto com os que não podem aceitar o meu testemunho; mas também não tenho tempo a perder com eles, porque o meu tempo pode ser muito mais útil aos que se acham preparados para aceitar a mensagem que tenho a dar. 

A Whistler atribui-se o haver uma vez observado durante conversação sobre arte: 'Não estou discutindo convosco; estou expondo-vos fatos'. Parece-me que é a posição mais avisada para o teósofo. Vimos estudando certas coisas; até onde temos ido, sabemos que são verdadeiras, e desejamos explicá-las; se os outros estão ou não preparados para aceitá-las, é assunto que lhes diz exclusivamente respeito, e fazemos votos por que tenham bom resultado na linha de investigação que desejam seguir. A discussão conduz frequentemente a sentimentos inflamados e até mesmo de hostilidade – o que deve a todo custo evitar-se. Quando se fizer necessário discutir algum assunto, com vistas a decidir sobre um modo de proceder, que se faça sempre com serenidade e lhaneza; deixemos a cada um expor seu próprio caso deliberada e cortesmente, e ouçamos com polidez e deferência as opiniões alheias."

(C. W. Leadbeater - O Lado Oculto das Coisas - Ed. Teosófica, Brasília -  p. 276/276)