sábado, 12 de novembro de 2016

O BEM E O MAL

"(...) Há tanto mal no mundo! Sim, mas é feito principalmente pelo homem. Diz o Mestre: 'O mal não existe per se e não é senão a ausência do bem. Ele existe somente para aquele que é transformado em sua vítima. O mal procede de duas causas - e assim como o bem, não é uma causa independente na natureza. A natureza é destituída de bondade ou maldade; ela segue somente leis imutáveis quando dá vida e alegria, ou envia sofrimento e morte, e destrói o que criou. A natureza tem um antídoto para cada veneno, e suas leis têm uma compensação para cada sofrimento... O verdadeiro mal procede da inteligência humana, e sua origem está inteiramente no homem pensante que se dissocia da natureza. Só a humanidade é então a verdadeira fonte do mal. O mal é o exagero do que é bom, produto do egoísmo e da ganância humanos. Pense profundamente e você verificará que, salvo a morte, que não é um mal, mas uma lei necessária, e acidentes que sempre encontrarão sua compensação numa vida futura, a origem de todo mal pequeno ou grande, está na ação humana, no homem cuja inteligência faz dele um agente livre na natureza.' (C.M.)

O homem, preso ao jogo de 'par dos opostos', foi dotado de livre-arbítrio e livre escolha, e deve aprender 'como escolher o bem e rejeitar o mal' e finalmente se erguer àquele Amor fundamental que ultrapassa tanto o chamado bem, quanto o mal. (...)

O Amor é o poder construtivo, o poder unificador do Universo. Seu oposto, o ódio, é destrutivo. Então, posto que o Universo continua em seu caminho belo, organizado, o Amor deve estar no coração dele e ser o seu propósito. O mal tem o seu propósito cósmico no esquema das coisas, e até mesmo a suprema corporificação do mal, os Irmãos da Sombra, o caminho da mão esquerda. Há uma admirável história nas escrituras hindus. Ela conta como a roda que agitou o oceano da existência foi movimentada tanto pelos anjos bons, os Devas, quanto pelas anjos maus, os Asuras. Um empurrou a roda numa direção, e o outro na direção oposta, mas ambos fizeram a roda girar.

O homem imortal, que na verdade somos nós, nunca pode ser destruído, e tudo que lhe acontece, mesmo trágico, desastroso, terrível, é para nossa futura bênção e aperfeiçoamento. Entretanto, estritamente falando, não existe algo como 'mau carma.' Todas as coisas trabalham juntas para um bom final. (...)'

(Clara Codd - As Escolas de Mistérios, O Discipulado na Nova Era - Ed. Teosófica, Brasília, 1998 - p. 79/81)


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

QUAL A DIFERENÇA ENTRE OLHAR E VER? (PARTE FINAL)

"(...) Ver é simplesmente clareza – olhos abertos, mente aberta, coração aberto; não buscar algo em particular, mas simplesmente estar pronto e receptivo. O que quer que aconteça, você vai permanecer alerta, receptivo, perceptivo. Uma conclusão não está ali. A conclusão ainda está por vir: com seus olhos você verá, e então haverá uma conclusão. A conclusão está no futuro. Quando você está vendo, a conclusão ainda não está lá. Quando você está olhando, buscando, a conclusão já está lá. E vamos interpretar segundo as nossas ideias. 

Na noite passada, eu estava lendo uma piada: Uma criança pequena está lendo um livro de figuras sobre a vida selvagem e fica intrigada com as ilustrações de leões ferozes. Ela lê tudo o que está escrito ali, mas uma pergunta não é respondida e então ela a formula para sua mãe: 'Mamãe, que tipo de vida amorosa têm os leões?'. A mãe diz: 'Filho, não sei muita coisa sobre os leões porque todos os amigos do seu pai são Rotarianos'. 

Se você tem alguma ideia em mente, você corrompe. Então você não está escutando o que está sendo dito – está escutando segundo você mesmo. Então, sua mente está desempenhando um papel ativo. Quando você está olhando, buscando, sua mente está ativa. Quando você está vendo, a mente está passiva. Essa é a diferença. Quando você está olhando, a mente está tentando manipular. Quando você está vendo, a mente está silenciosa, apenas observando, disponível, aberta, sem nenhuma ideia em particular para impingir à realidade. 

Ver é estar nu. E você só pode chegar à verdade quando está absolutamente nu; quando se despojou de todas as suas roupas, de todas as filosofias, de todas as teologias, de todas as religiões; quando você descartou tudo o que lhe foi dado, quando ficou de mãos vazias, sem nenhum tipo de conhecimento. Quando você chega com conhecimento, você já chega corrompido. Quando você chega com inocência, sabendo que não sabe, então as portas estão abertas – e aí você será capaz de saber. Só aquela pessoa que não tem conhecimento é capaz de saber."

(Osho - Inocência, conhecimento e encantamento - Academia)


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

QUAL A DIFERENÇA ENTRE OLHAR E VER? (1ª PARTE)

"Há uma grande diferença. Olhar significa que você está buscando algo; você tem alguma ideia do que buscar. Você vem aqui e diz: 'Estou olhando para ver se encontro John' – então você tem uma ideia. Aí você olha em torno para ver onde está John. A ideia já está ali: seu olhar já está preconcebido. Se você estiver olhando para ver se encontra Deus, nunca encontrará Deus, porque buscá-lo significa que você já tem uma determinada ideia de quem é Deus. E sua ideia pode ser cristã, judaica, hinduísta ou muçulmana. Sua ideia será seu conceito, e seu conceito nunca poderá ser mais elevado do que você. Seu conceito está fadado a ser seu conceito. Seu conceito está fadado a estar enraizado na ignorância, tomado emprestado. No máximo, ele é apenas crença; você foi condicionado a ele. Então, continua procurando. 

Uma pessoa que está buscando a verdade nunca vai encontrá-la, porque seus olhos já estão corrompidos; ela já tem um conceito estabelecido. Ela não está aberta. Se você chegou até mim para buscar algo, então já tem uma ideia – você vai se distanciar de mim. Assim, o que quer que eu diga você vai interpretar de acordo com sua ideia, e esse não será meu significado. Será seu significado. Você pode se ver concordando comigo, você pode se ver não concordando comigo – mas concordar ou não concordar não é a questão que importa, não significa absolutamente nada. Você se distanciou de mim. Você pode concordar, mas está concordando com sua própria ideia. Você diz, 'Sim, este homem está certo', porque este homem se ajusta à sua ideia. Sua ideia está certa, por isso este homem está certo. Ou você não concorda porque ele não se ajusta à sua ideia. Mas em ambos os casos o mais importante é sua ideia. Você vai se distanciar de mim. 

Uma pessoa que está buscando algo sempre vai se distanciar do que está buscando. (...)"

(Osho - Inocência, conhecimento e encantamento - Academia)