"'
Há duas espécies de afeições: a do corpo e a da alma, e,
frequentemente, se toma uma pela outra. A afeição da alma, quando
pura e simpática, é durável; a do corpo é perecível. Eis porque,
frequentemente, aqueles que creem se amar, com um amor eterno, se
odeiam quando a ilusão termina.'
Tudo passa na Terra; só permanecerão as coisas do céu.
Passam as características da juventude, para atingirmos o
amadurecimento pessoal.
Passam construções de alvenaria, para edificarmos em nós
obras imortais.
Passam impérios e poderes de mão em mão, para valorizarmos
os do coração.
Passam vestimentas e joias raras, para aprendermos a apreciar
valores éticos.
Passa o gênero atual, para galgarmos a plenitude da
ambiguidade da alma.
Passam valores moralistas, para consolidarmos na intimidade
conceitos universais.
Passam títulos e diplomas, para permanecermos na
impessoalidade.
A vida física é como as nuvens do céu: transforma-se
incessantemente, ora mostrando o brilho do sol, ora mostrando a
escuridão das tempestades.
Tudo passa, tudo é instável; nada é constante ou imutável na
vida terrena.
Construa e elabore sua individualidade, vivendo bem consigo
mesmo.
Faça seu melhor hoje, pois só isso lhe garantirá o bem-estar
amanhã.
Quem se prende na exterioridade, ou seja, nas coisas de fora,
muitas vezes se olvida de que, no final das contas, ninguém fica
com o papelete do embrulho, mas sim com o que importa de fato:
o conteúdo.
Um dos maiores absurdos da vida é acreditarmos que temos a
posse de tudo, quando, na verdade, não somos donos de nada,
mas apenas hóspedes transitórios. Incoerente é viver apegado às
coisas exteriores e, ao mesmo tempo, buscar ardentemente a paz
interior."
Nenhum comentário:
Postar um comentário