OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


domingo, 1 de junho de 2014

DEUS É O TESOURO QUE O HOMEM PERDEU

"Muitas influências alimentam seus desejos. Quando vê um novo modelo de carro, você o quer. Quando vê um novo tipo de casa, você a deseja. Um novo estilo de roupa aparece e, imediatamente, você quer seguir a moda. De onde vêm esses desejos? Eu costumava sentar-me durante horas, ponderando sobre isso. Pode você classificar todos os seus desejos? Eu selecionei os meus, conservando apenas os bons e quando obtive o contato com Deus, descobri que todos os bons desejos foram satisfeitos de uma só vez. Hoje você deseja isso e amanhã suspira por aquilo. Sua mente, originária de Deus onipotente, não se satisfaz com as ofertas do mundo; ela nunca se satisfará, porque você perdeu o tesouro mais rico de sua alma, o único que pode satisfazer todos os seus desejos - Deus.

É verdade que existem alguns desejos bons e necessários, e você deve esforçar-se por satisfazê-los. Porém, enquanto luta pelos pequenos desejos, jamais se esqueça de satisfazer primeiro o supremo desejo - por Deus. A crença na necessidade de realizar, prioritariamente, desejos e deveres menores é a maior ilusão do homem. Lembro-me bem que, durante o treinamento como jovem discípulo de meu guru, Swami Sri Yukteswarji, todos os dias eu prometia a mim mesmo: 'Amanhã meditarei mais.' Um ano inteiro se passou, antes que eu compreendesse que continuava adiando o propósito. Imediatamente, decidi que minha primeira atividade pela manhã, seria a higiene diária, seguida por uma longa meditação. Mesmo assim, mal eu me espreguiçava, tornava-me presa dos afazeres e atividades diárias. Foi então que resolvi meditar antes de tudo. Assim, aprendi uma grande lição: em primeiro lugar, vem o meu dever para com Deus e, em seguida, cuido de todos os deveres menores. Por que não? Deus diz: 'Por que Eu lhe abriria as portas da eternidade, se você coloca outros deveres antes de Mim?' Se não se eleva às alturas do espírito, que valor tem você? Nada tem para oferecer a Deus ou aos homens.

Portanto, busque-O em primeiro lugar. Dar maior importância às obrigações terrenas é um raciocínio falso, pois a qualquer momento o anjo Gabriel poderá chamá-lo - a qualquer instante, você poderá ser tirado daqui. Por que então dar tanta importência à vida? Sua vida é muito peculiar. Você pensa que está muito seguro. De repente, um ente querido morre ou você perde a saúde e toda a segurança desaparece. Como amei minha mãe e como pensei que sempre estaria comigo, e - subitamente - descobri que ela se fora! Não tenha medo da morte, mas esteja preparado para ela.

A vida não é o que aparenta ser. Não confie nela, pois é ardilosa e cheia de decepções. A perfeição não se destina a ser encontrada aqui. Não estou dando uma idéia falsa da vida. Aqui não é o reino de Deus; é o laboratório de Deus, onde Ele testa almas para ver se elas superam os desejos maus com os bons, e fazem Dele o supremo desejo, de modo que possam voltar para Seu reino."

(Paramahansa Yogananda - A Eterna Busca do Homem - Self-Realization Fellowship - p. 125/126)
http://www.omnisciencia.com.br/livros-yogananda/eterna-busca-do-homem.html


sábado, 31 de maio de 2014

NATUREZA

"Desde que saibas gozá-la, a paisagem é tua. 

Não importa que o cartório diga diferente.

Tu, que tens a capacidade de descobrir magia e beleza, ficas sabendo: 

és dono de todas as serras, dos caminhos ensolarados,

dos remansos do rios, de todas as praias,

do horizonte, do colorido de todos os crepúsculos,

do frescor das madrugadas outonais, de todos os rosais, 

de pedregulhos, arvoredos, dos tabuleiros agrestes,

das cascatas, do refrigério dos oásis, de todas as paisagens que teus olhos, 

ávidos de poesia, vieram a captar.

Se tens tempo e poesia para sentir beleza,

são teus todos os lugares que te convidem a ficar e contemplar."

(Hermógenes - Ânimo de Viver - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 2011 - p. 17)


0S CAMINHOS DO AUTOCONHECIMENTO (PARTE FINAL)

"(...) Para compreendermos o processo do que se é devemos seguir cada pensamento, cada sentimento, cada ação. É dificílimo compreender o que é, porque o que é nunca é estático, está sempre em movimento. A compreensão do fato real requer vigilância, com uma mente muito atenta e veloz. Se começamos condenando o que é, ou resistindo a isso, não compreenderemos seu movimento. Para compreender alguém não posso condená-lo; devo observá-lo, estudá-lo. E devo amar o que estou estudando. Se desejamos compreender uma criança, devemos amá-la e não criticá-la. Devemos brincar com ela, observar-lhe os movimentos, as idiossincrasias, os modos de conduta. Se apenas a condenamos, não pode haver compreensão. Da mesma forma, temos que observar o que pensamos, sentimos e fazemos, momento a momento. É preciso ao mesmo tempo um espírito alerta, atento e calmo.

A maioria de nós não é criativa; somos relógios de repetição, e retemos lembranças, experiências e conclusões, nossas ou de outros. Ser criativo não significa pintar quadros ou escrever poesias e tornar-se famoso. A potência criadora é um 'estado de ser' em que a mente se aquieta, já não se focaliza em experiências, ambições ou desejos. A criação não é um estado contínuo, ela se renova a cada momento, é um movimento em que não existe o 'eu', o 'meu'; só assim pode haver compreensão de nós mesmos.

O homem pequeno quer tornar-se um grande homem, o não virtuoso quer ser virtuoso, o fraco e o obscuro anseia por poder, posição e autoridade. É essa a incessante atividade da mente, que nunca pode estar quieta para compreender o estado de criação.

Para transformar esse mundo de angústias, guerras, desemprego, fome e divisões de classes que nos rodeia, urge operar uma transformação em nós mesmos, compreendendo o processo integral do nosso pensamento e do nosso sentimento nas relações. Se pudermos compreender a nós mesmos tais como somos, de momento em momento, ganharemos uma tranquilidade que não é produto da mente. Só nesse estado pode haver criatividade e paz."

(J. Krishnamurti - Os Caminhos do Autoconhecimento - Revista Sophia, Ano 12, nº 49 - Pub. da Ed, Teosófica, Brasília - p. 06/07)

sexta-feira, 30 de maio de 2014

ILUSÃO OU VERDADE?

"Se a humanidade, ou qualquer parte, dela tiver de progredir em qualquer medida real, isto apenas poderá ser feito por uma mudança verdadeira, através de forças que geram melhorias nas mentes das pessoas, nos seus gostos, nas suas visões, valores e comportamentos, e não através da criação de ilusões prazerosas e atribuições de virtudes imaginárias a homens ou objetos, seja para lucro, para fins tirânicos ou de glória. Criar impressões que não correspondem à verdade deixam as coisas como estão e dão origem a ações da parte da própria pessoa e da de outros que positivamente impossibilitam qualquer real mudança para melhor. Qualquer glorificação, que não se origine de um sentimento real pela pessoa e apreço pelas suas qualidades, é apenas um truque de feitiçaria e produz hipnotismo de massa, como foi o caso na Rússia, na Alemanha e outros lugares. A bolha, por mais colorida que ela possa afigurar-se em determinada ocasião, eventualmente terá que romper-se e depois haverá desilusão e uma forte reação àquilo que se realizou anteriormente.

Falando de amor ou afeição, o mundo seria melhor pela realidade do amor no coração das pessoas, ou pela simulação do amor que pode revestir-se de muitas formas enganosas? Pode-se criar uma impressão de amizade, como é feito pela estrutura política portentosa, mas isto é apenas parte do jogo diplomático. O que conta é o sentimento ou o espírito de amor dentro da pessoa e isto é o que ajuda os demais. Eu não sei a extensão do bem de ‘fingir uma virtude, se você não a tem’. Podemos satisfazer-nos facilmente com o fingimento e não atentar para a realidade. Se o substituto opera bem, por que preocupar-nos em encontrar a peça genuína?"

(N. Sri Ram - Em Busca da Sabedoria - Ed. Teosófica, Brasília, 1991 - p. 26/27)


OS CAMINHOS DO AUTOCONHECIMENTO ( 2ª PARTE)

"(...) Para compreendermos a nós mesmos é preciso ter a intenção de compreender, e aí reside nossa dificuldade. Embora descontentes, quase todos nós desejamos realizar uma alteração súbita; nosso descontentamento é canalizado no sentido de chegar a um certo resultado. Quando estamos descontentes procuramos, por exemplo, uma ocupação diferente. O descontentamento, ao invés de nos encher de entusiasmo e nos fazer investigar a vida e todo o seu processo, canaliza-se para algo superficial. Em consequência disso nós nos tornamos medíocres, perdendo daquele ímpeto, aquela intensidade necessária para compreender o significado pleno da existência.

O autoconhecimento não pode ser dado por outros. O indivíduo precisa conhecer a si mesmo tal como é, e não como deseja ser, pois o que ele deseja ser é apenas um ideal imaginário. Para conhecer a si mesmo, o indivíduo precisa de extraordinária vigilância por parte da mente. Tudo está sujeito à constante mudança, por isso a mente não deve ser restringida por dogmas. Se você é ganancioso ou violento, o simples fato de nutrir um ideal de não violência ou de generosidade é de pouco valor. Mas compreender que somos violentos ou gananciosos requer um percebimento extraordinário. Requer honestidade e lucidez de pensamento, ao passo que simplesmente seguir um ideal representa uma fuga que nos impede de perceber e de atuar diretamente sobre o que somos.

A compreensão do que somos, não importa como - feios, bonitos, perversos, malignos - é o começo da virtude. A virtude é essencial, porque dá liberdade. É só na virtude que se pode descobrir e viver - mas não apenas no cultivo da virtude, que leva somente à respeitabilidade, porém não traz compreensão nem liberdade.

Há diferença entre ser virtuoso de fato e o 'vir a ser' virtuoso. O ser virtuoso vem com a compreensão do que é, ao passo que o 'vir a ser' virtuoso é adiamento, ocultação do que é pelo cultivo de um ideal. Se observarmos atentamente, verificaremos que o ideal não tem essa qualidade. A virtude é essencial numa socidedade que se está desintegrando rapidamente. Para criar um novo mundo é preciso liberdade para descobrir; e para ser livre é indispensável a virtude, porque sem virtude não há libertação do medo do que se é.(...)"

(J. Krishnamurti - Os Caminhos do Autoconhecimento - Revista Sophia, Ano 12, nº 49 - Pub. da Ed, Teosófica, Brasília - p. 06)