OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

A IMPORTÂNCIA DA INVESTIGAÇÃO (2ª PARTE)

"(...) A verdade é eterna. Está sempre aí e sempre esteve, porque é o fato existencial. Posso culpar a televisão e a propaganda, posso culpar meus pais pelo condicionamento de minha mente, mas, se eles não a tivessem condicionado alguma outra coisa teria. Não existe nada entre mim e a verdade, exceto eu mesmo.

Portanto, estou buscando perceber a verdade, mas eu mesmo estou barrando o caminho. Como sair dessa? É simples: temos que morrer para o 'eu', para o processo egoico. Explorando-o e observando-o, sem condená-lo ou justificá-lo. conseguimos ver como esse processo surge, o que ele faz às nossas vidas e aos nossos relacionamentos. Talvez, ao assim observar, a consciência perceba que eu mesmo estou criando o processo egoico, e que sou responsável por criar miséria em minha vida. Quando enxergarmos o perigo desse processo, talvez então ele termine.

O problema do ódio, ciúme, apego, desejo e frustração são como muitos ramos de uma enorme árvore, cuja raiz é o processo egoico. Quando um desses problemas se manifesta, começamos a investigar para resolvê-lo; quando é resolvido, nós paramos. Mas não paramos naquele ponto. Continuamos com a investigação, embora a dor tenha desaparecido. Se você recuar bastante para chegar até a raiz, verá que cada ramo tem o potencial de desenterrar toda a árvore.

Não faz sentido cortar apenas um ramo, porque, enquanto a raiz estiver lá, outro ramo crescerá. Krishnamurti costumava dizer: 'Continue observando; comece com qualquer coisa que esteja ocupando sua mente, mas não aceite respostas simples. Não se evada, não se satisfaça com a resolução do problema imediato. Pergunte por que ele surgiu e aprofunde-se nele.' Isso dá à pessoa a oportunidade de aprender a respeito de si própria com profundidade. (...)"

(P. Krishna - Novas maneiras de ver o mundo - Revista Sophia, Ano 7, nº 25 - p. 10/11)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

A IMPORTÂNCIA DA INVESTIGAÇÃO (1ª PARTE)

"Krishnamurti viajou pelo mundo dizendo: 'Investigue! Veja a importância de não continuar iludido!' Ilusão significa imaginar que algo é verdadeiro quando não é, ou dar muita importância a algo que realmente não é tão importante assim. Descobrir, por si próprio, o lugar correto de tudo na vida é descobrir a ordem. Isso é algo desconhecido; a verdade é o desconhecido. É por isso que Krishnamurti chamou a verdade de 'arte de viver'.

A arte é algo que não pode ser prescrito. Você não pode ter normas para fazer um belo quadro. Quando tudo está em proporções corretas, surge a beleza. Podemos não saber qual é a proporção correta, mas temos sempre como saber quando algo cria desordem, porque isso cria conflito interior.

Normalmente procuramos a causa externa do conflito, mas ela não é importante (embora socialmente possa ser necessário lidar com isso). O importante é descobrir a causa interna do conflito e usá-la para aprender a respeito de si próprio. Então o conflito se torna um instrumento de autoconhecimento.

Sem aprendermos a respeito de nós mesmos, não haveria base para nossa meditação e nossas práticas espirituais. Em outras palavras, seríamos seres humanos confusos escolhendo entre o que é agradável e o que é desagradável. A escolha de uma mente confusa somente aumenta a confusão. A busca da verdade e o encontro da clareza são mais importantes do que quaisquer escolhas. É a única cura, e nós somos capazes disso. (...)"

(P. Krishna - Novas maneiras de ver o mundo - Revista Sophia, Ano 7, nº 25 - p. 10)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

PROCESSO EGOICO (PARTE FINAL)

 "(...) Podemos perceber o perigo do ego, como percebemos o perigo do fogo? Não apenas intelectualmente, dizendo 'eu concordo, porque é logicamente correto'. Isso não funciona. Mas se percebemos o perigo diretamente, então segue-se a ação. Não é a nossa ação. É a inteligência da natureza que age. A natureza dotou cada organismo vivo de inteligência para proteger a si próprio.

Por que nós não percebemos esse perigo, embora possamos logicamente concordar que o ego é ruim para o homem? Não nos livramos da coisa apenas porque chegamos a essa conclusão. Isso não está no nosso domínio. Nossas decisões são muito pequenas. Você pode decidir que casa comprar, que trabalho aceitar, que carro dirigir; mas não pode decidir não se preocupar, não ser feliz, não amar, até mesmo não fazer amigos ou não perceber a beleza.

As maiores coisas da vida são aquelas que não podemos decidir ter, mas que podem vir a nós. Elas são um subproduto de compreendermos a nós mesmos e à vida, de encontrarmos a sensibilidade e o correto viver.

O homem acha que, agindo a partir do próprio interesse, está defendendo seus interesses. Esta é a grande ilusão da humanidade. Isso é o que temos feito durante milhares de anos, e isso fez com que o mundo chegasse ao estado atual. Será esse realmente o nosso interesse? Estamos nos arremessando em direção a uma catástrofe."

(P. Krishna - Novas maneiras de ver o mundo - Revista Sophia, Ano 7, nº 25 - p. 7/8)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

PROCESSO EGOICO (1ª PARTE)

"Krishnamurti afirmou o seguinte: 'Você cultivou a investigação com relação ao mundo externo, como a ciência investigando a natureza; você cultivou a pesquisa quanto aos problemas sociais para resolvê-los; mas você não cultivou a pesquisa para compreender a si próprio. Você é tão ignorante de si mesmo!'

No livro A Educação e o Significado da Vida, ele disse também: 'O homem ignorante não é o homem sem cultura, mas aquele que não conhece a si mesmo. E o homem culto é estúpido quando confia no seu conhecimento para obter compreensão.'

Ideias semelhantes foram ensinadas por Buda, Sócrates e vários outros. Nós os temos em alta estima; entretanto, damos ouvido a eles? Não. Por quê? Será que não estamos realmente convencidos da verdade do que eles dizem, mesmo após conhecermos todos os argumentos?

Logicamente, pode-se demonstrar o quanto o ego é destrutivo. Se escolhermos qualquer virtude, qualquer qualidade, e acrescentarmos a ela o ego, vejamos no que se torna. Escolhemos o amor, juntamos a ele o ego e temos apego, possessividade, ciúme, dependência. Escolhemos a humildade, juntamos a ela o ego e temos complexo de inferioridade, servilismo, humilhação. Escolhemos o poder e a habilidade de fazer as coisas, juntamos a eles o ego e teremos dominação e exploração. Escolhemos a sexualidade, juntamos a ela e ego e temos a pornografia.

O ego é a fonte de todos os problemas tanto em nossa vida pessoal quanto na sociedade, porque nós somos o mundo. Se compreendermos esse fato, o que quer que aconteça na sociedade passará a ser um reflexo do que acontece dentro de nós, em nossa consciência.

Será possível nos libertarmos desse processo egoico? Se ele for algo que a natureza criou em nós, como os rins ou os pulmões, não poderemos nos livrar dele, mas apenas lidar com ele. Mas se for algo que criamos a partir do nosso próprio pensamento, ou da maneira como abordamos a vida, então poderemos aprender a abordar a vida de outra maneira. (...)"

(P. Krishna - Novas maneiras de ver o mundo - Revista Sophia, Ano 7, nº 25 - p. 6/7)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

NOVAS MANEIRAS DE VER O MUNDO

"No decorrer da evolução, o ser humano distinguiu-se por uma melhoria na memória, uma maior habilidade para pensar e uma capacidade acentuada para a imaginação, adquirida por toda criança à medida que aprende a falar. Mas a natureza não revela como devemos usar esses dons. Fizemos uso dessas capacidades adicionais para sermos mais gentis, mais atenciosos, para melhor protegermos a Terra, nosso ambiente, e até mesmo nossa própria espécie?

Nos últimos dez anos os seres humanos mataram trinta milhões de seus próprios irmãos em guerras. Trata-se de um processo egoico horrendo. Ele é a causa principal da luta dentro da família, entre irmãos e entre marido e mulher, além de ser a atitude dominante. A causa dessa luta é o mesmo desejo por dominação que se projeta entre as nações. Mas a guerra é apenas uma manifestação numa escala maior, enquanto a sua raiz é a mesma.

Devemos examinar a causa de uma forma mais profunda.  Como ela começa? Se observarmos uma criança crescendo e tornando-se lentamente mais egoísta, veremos que sua imaginação, pensamento e memória, combinados com o seu instinto de buscar prazer e evitar a dor, resulta no prazer psicológico e no medo da dor psicológica. A mente está calculando se pode obter mais segurança e prazer. O desejo de acumular e de proteger a si próprio de qualquer tipo de dano futuro parece perfeitamente natural. Ele surge em toda criança.

Estaremos todos presos nessa armadilha ou poderemos nos libertar, se aprendermos a respeito dela? Os biólogos explicam como a violência chegou até nós por meio do nossa passado biológico; sua explicação não está errada. O ser humano pode se aliar à violência e se tornar um Hitler, ou eliminá-la e se tornar um Gandhi, um Krishnamurti. Há uma liberdade que a natureza deu ao homem, mas não aos animais.

Não podemos fazer com que um tigre se torne vegetariano, mas o ser humano, embora nascido num ambiente não vegetariano, pode deixar de comer carne, se vir a conhecer a compaixão. Temos essa capacidade de mudança. Toda a questão a respeito do que é moral e correto surge somente para o homem. Se ele fosse completamente determinado pelo seu passado biológico, não sendo por isso responsável pelo que faz, como poderia ser culpado? Mas não é esse o caso, realmente. Portanto, devemos exercitar a capacidade de aprender por nós mesmos e, assim, por meio do autoconhecimento, nos libertar da desordem na consciência."

(P. Krishna - Novas maneiras de ver o mundo - Revista Sophia, Ano 7, nº 25 - p. 5/6)
www.revistasophia.com.br