OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


terça-feira, 2 de abril de 2013

BHAKTI YOGA - O AMOR LIBERTA (2ª PARTE)

"Bhakti Yoga é a prática espiritual que diviniza as emoções, sentimentos e paixões, reinantes nos corações e nas mentes das criaturas. Enquanto dulcifica a vida, ajuda a alma (jiva) a unir-se com o Ser Supremo, sua própria Realidade Divina, o Paramatman (Alma Universal).
Controlar os sentidos e os desejos que eles engendram é quase impossível. O que pode ser feito, entretanto, é voltar todos os desejos para o Divino. (Sai Baba)
Bhakti Yoga transubstancia emoções, paixões e sentimentos e consegue purificar assim toda contextura afetiva, quando esta ainda se via poluída pelo ego pessoal (ahamkara) e pela ilusão de ser possuidor exclusivo (mamamkara) de objetos, ideias, status e pessoas. Quando ainda incapaz de amar, o egoísta interiormente fala a si mesmo: Eu sou "Fulano de Tal" (ahamkara) e tudo isto é meu (mamamkara); fazendo, com isto, todo mundo sofrer!  

Bhakta ou devoto é aquele que se engaja todo e sacrifica tudo para transmutar seu humano amor em prema, o amor divinizante. Prema é a mais perfeita, iluminada, feliz e redentora relação com Deus e consequentemente com o próximo. Bhakti Yoga é a mais sábia e eficaz forma de sublimação, pois direciona todas as manifestações da afetividade para um único alvo - Deus. Quando se consegue concentrar e direcionar para Deus desejos, sentimentos, emoções, amor e até mesmo aversão, plenifica-se a redentora sublimação. (...)"

(José Hermógenes - Iniciação ao Yoga - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro - p. 81/82)


segunda-feira, 1 de abril de 2013

O PROPÓSITO DA EXISTÊNCIA HUMANA É CONTEMPLAR DEUS

"A submissão (a Deus) somente pode ser eficaz após o perfeito desapego aos prazeres dos sentidos, acompanhado pela discriminação entre o real e o irreal. As noções de "eu" e do "meu" são nódoas que devem ser removidas por um rigoroso sadhana, sendo namasmarana a parte mais importante porque, quando você pronuncia o nome do Senhor, em Sua Majestade, em Sua Graça, em Sua Potência, em Sua Onipresença, tudo isso se fixa na consciência, e as capacidades e virtudes pessoas se eclipsam no divino. Assim, muito facilmente a humildade cresce e a submissão se torna possível. O propósito da existência humana é contemplar Deus e imergir em Sua Glória. Todas as demais glórias são fúteis. Os Vedas proclamam isso como sendo a meta final do homem. Os Upanishads ensinam o caminho. A Gita o ilumina. Os Santos e os Sábios anunciam sua magnitude. Os Avatares vêm quando as pessoas se extraviam e se perdem no deserto, nos caminhos."

(Sathya Sai Baba - Sadhana o Caminho Interior - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro - p. 26/27)


BHAKTI YOGA - AMOR, "ESSE DESCONHECIDO" (1ª PARTE - II)

"O que nos romances e na dramaturgia atuais (na kali yuga ou era das trevas) se denomina amor num casal em geral não passa de ardente e irracional paixão erótica e muitas vezes é apenas obsessivamente o genital. Como o amor está sendo injuriado! Inúmeros casamentos, movidos predominantemente por paixões incendiárias, terminam em curto tempo. Fogo, se não disciplinado, destrói. Sem amor, como resistir ao desgaste dos dias e às naturais intempéries e crises que surgem, desafiando a união? Em certos casos, além do gratificante ajustamento puramente sexual, a comunidade de interesses materiais, a afinidade nas escalas de valores e nos projetos de vida, e outros fatores mundanos, transitoriamente aglutinantes, mantêm por algum tempo um razoável grau de estabilidade. Permanecem juntos não pelo vínculo sagrado do amor, mas por interesses que não resistem ao tempo. Está aí caracterizado o vulnerável relacionamento que o psicólogo Erich Fromm com propriedade denominou "egoísmo a dois".
O amor vulgar e horizontal sempre é inseguro, enganoso, frustrador, mesquinho, sempre nutrido e regido pelo egoísmo [ahamkara] e o sentimento de posse [mamamkara]. 
Só o amor isento de ego, isto é, o amor em Deus, com Deus e por Deus, pode assegurar a verdadeira felicidade, pois tem Deus para o abençoar com a segurança de perenidade.

O amor materno, paterno, fraterno e filial são belos, marcados por abnegação, isentos de paixões sexuais e protegidos contra a presença de egoísmo (ahamkara) e do desejo de posse (mamamkara). Eles se aproximam do ideal, que é a divinização de afetividade humana, proposta pelos Mestres como Bhakti Yoga. 

Para que o amor humano possa doar felicidade precisa ser gerado e mantido por um generoso dar e um receber sem cobranças. É o amor que já expressa Deus, o "Onidoador". É assim o amor. No amor, o ego pessoal emudeceu. Não reclama. Não condena. Não cobra. Não perturba. Não se agasta. Amor é Deus e Deus é Amor - afirma e reafirma Sai Baba. O fulgor do sol destrói o bolor e doa vida. Igualmente a presença do amor divino destrói o ego e vivifica os que amam. (...)"

(José Hermógenes - Iniciação ao Yoga - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro - p. 80/81)


domingo, 31 de março de 2013

DESEMPENHE OS DEVERES DE BOM GRADO, SEM QUEIXA


"No cumprimento de nossos deveres, nunca devemos nos queixar. Devemos arder de entusiasmo a todo instante, não importa quais tarefas nos caibam. Quando nos lastimamos, quando somos negativos, cortamos a força que vem de Deus e o nosso contato com Ele. Ao fazermos o melhor possível, devemos nos manter sempre positivos e alegres e ter a sensação de entrega a Deus. (...) Temos de vigiar nossos motivos para que não tentemos nos enganar quando nos esquivamos de um dever. Mesmo que possamos oferecer a mais lógica das razões ao dizer “não”, sabemos quando realmente estamos afirmando isso, porque não queremos fazer essa tarefa específica; sabemos quando estamos dizendo “não” porque secretamente temos uma atitude negativa.

Devemos trabalhar com entusiasmo e criatividade para cumprir os deveres e servir a Deus, sem no entanto sermos afetados pelo orgulho da realização. Certamente ficamos felizes quando cumprimos bem alguma tarefa. Todos querem sentir alguma satisfação pelo que fizeram. Não há nada de errado nosso. Precisamos, porém, evitar o pensamento egoísta: “Fui eu que fiz”. É aí que entra o orgulho. Quando alguém pronunciar palavras de elogio a nosso respeito, devemos prontamente agradecer no íntimo a Deus: “Senhor, sei que Tu és o Autor. Eu, de mim, nada sei. Eu mesmo não consigo fazer nada. Se consigo realizar alguma coisa válida nesta vida, é apenas graças à inteligência e à fé com que Tu me contemplaste.” Essa prática atribui a Deus o crédito, a Quem este pertence. Não podemos, então, sentir orgulho egoísta."

(Sri Daya Mata – Só o Amor – Self-Realization Fellowship - p. 128/129)


BHAKTI YOGA - AMOR, "ESSE DESCONHECIDO" (1ª PARTE - I)

"Amor não é a fonte da felicidade só porque já é a própria felicidade que os homens tanto buscam inutilmente. Há uma fase inicial do relacionamento num casal, uma condição que parece felicidade, mas é devaneio, que tem a duração de uma nuvem que passa. A euforia, o gozo, a fantasia colorida começa, cresce, decresce e some. Isto porque o amor ainda continua "esse desconhecido". Para a conquista da felicidade duradoura, é prioritário desmitificar o amor.

Amor "normal", aquele que viceja no campo da sensualidade e da paixão, é quase sempre unidirecionado, isto é, dedicado com exclusividade a uma pessoa ou determinada coisa (uma obra de arte, a profissão, e até um clube esportivo). Um apaixonado coloca sua paz, segurança, saúde, alegria, felicidade e mesmo sua vida, na dependência do objeto da paixão, sobre o qual não consegue exercer controle. Quem depende de algo (ou de quem) sobre o qual não tem gerência, sem dúvida, se já não sofre, virá a sofrer. O apaixonado se rendeu a uma condição de inferioridade, submissão, e ansiosa passividade, sempre à espera de migalhas que lhe sejam concedida. Negadas estas, o sofrimento se desencadeia. É caso de torcedores "apaixonados" por um time de futebol, que a si mesmos diagnosticam "torcedores doentes" (e infelizmente o são!). Perdida a partida decisória, com certa frequência ocorrem entre eles fulminantes colapsos. Perdem a vida, não só o campeonato. Esta é a paixão mórbida, infeliz, deprimente e lastimável. Mas, há muitos que irrefletidamente denominam amor. Eis o amor caluniado!

Outras formas de relacionamento afetivo tidas por "normais" também chegam a parecer amor, mas são simples arremedos. Paixão, como vimos, parece amor, mas não é. Apego, servidão, comunhão de interesses e de ideias, dependências mútuas... são outras formas de vínculos geradores de frustrações e tormentos que pessoas ingênuas têm por amor. Exatamente por serem falsificações do amor, até certo ponto, inviabilizam o genuíno amor. Uma vez, em Rishkeshi (Índia), no Shivnnda ashram, uma jovem companheira de viagem perguntou ao Swami Krishnananda por que sempre que ela amava acabava sofrendo, e ele sem vacilar explicou: Se gera sofrimento não é amor

Verdadeiramente ama aquele que já tenha descartado o sentimento de ser diferente e estar distante dos outros, o sentimento de posse, já eliminou o mórbido desejo de dominar, o infernal medo de perder, e esse verdadeiro terror chamado ciúme. Quem verdadeiramente ama, negando-se a si mesmo, aspira sincera, profunda e eficazmetne pela felicidade de todos os seres. Vi certa vez na vitrine de uma loja de locação de vídeos um cartaz anunciando um filme cujo nome era Os crimes do Amor. A que ponto de alienação e estupidez chegou a mente humana, que dá o nome de amor à condição patológica que induz ao chamado "crime passional"! Sensualidade passional pode matar. Amor, nunca. O amor é doador de vida, liberdade, paz, segurança, felicidade; finalmente, é luminosa manifestação de Deus. (...)"

(José Hermógenes - Iniciação do Yoga - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro - p. 78/80)