OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


terça-feira, 1 de abril de 2014

O RUGIR DA TEMPESTADE (4ª PARTE)

"(...) É a mente de grande amplitude que é capaz de interesse profundo. A mente sem amplitude é mente rasa ou superficial. Ter amplitude é ter profundidade para poder receber e reter as influências e os impulsos da vida. A mente rasa recebe pouco e, portanto, também dá muito pouco à vida. Quando o recebimento é escasso, a doação também é pequena, desprovida de toda generosidade.

É possível criar-se profundidade na mente? A falta de profundidade é certamente a principal dificuldade subjetiva, levando as desvantagens objetivas a assumirem grandes proporções. Pode haver um céu objetivo, mas se não houver profundidade subjetiva, ele não terá utilidade. As influências desse céu não podem verter suas riquezas numa mente rasa. O problema prático para todo aspirante espiritual é, pois, a criação dessa profundidade ou espaço na mente. Como podem as influências dos Mestres ou a Verdade verter suas riquezas numa mente acanhada? Se for criado um espaço na mente, então a vida terá momentos profundos de experiências diariamente. Mesmo a rotina diária e os pequenos detalhes da vida parecerão significativos e com uma nova luz. Tornar-se-ão correntes e regatos, trazendo ricos tesouros para serem vertidos no mar. O mar, com sua enorme profundidade, abarcará a todos, e mais ainda. 

Como criar este espaço na mente, para que o seu contato com a vida possa ser profundo e duradouro? Devemos lembrar que não é tão somente aumentando nossos pontos de contato com a vida, que esta profundidade pode ser criada. Não é por uma aproximação quantitativa, mas tão só por uma transformação qualitativa, que se tornará possível um profundo contato com a vida. 

Porém para criar esse espaço na mente, é preciso que ela não tenha em si nenhum elemento de resistência, tanto no nível consciente como no inconsciente. Se a mente resistir, perderá a sua flexibilidade e destarte se tornará insensível. A fim de compreender a profundeza da mente, precisamos observar o profundo silêncio que desce sobre a Natureza após uma violenta tespestade. O silêncio que se segue à tormenta pode ser experimentado no pico da montanha ou nas profundezas de um vale, à beira do mar ou nas planícies. Quando a tempestade ruge, temos a impressão de que tudo vai ser destroçado sob o seu fascínio esmagador. E, contudo, depois da tempestade, pode-se ver uma limpeza completa na Natureza, uma purificação da atmosfera, um frescor e um silêncio profundos e vibrantes. As folhas e os galhos mortos são lançados fora, e parece que houve uma completa renovação da Natureza. (...)"

(Rohit Mehta - Procura o Caminho - Ed. Teosófica, Brasília - p. 14/16)

segunda-feira, 31 de março de 2014

O FOGO DA CRIAÇÃO

"Max Muller, o grande erudito europeu, disse que os Upanixades são ‘a fonte da filosofia Vedanta, um sistema no qual a especulação humana parece ter alcançado seu ápice. Eles são para mim como a luz da manhã, como o ar puro das montanhas tão simples, tão verdadeiros, uma vez compreendidos’. Alguns pensadores ocidentais modernos disseram que o Vedanta é a única abordagem científica à religião que os homens e as mulheres desta civilização podem aceitar. Podemos perguntar: o Vedanta tem uma abordagem científica? O que é, afinal, uma abordagem científica? Sua característica fundamental é uma percepção objetiva das coisas. A ciência se esforça para olhar para as coisas de um ponto de vista objetivo e não-tendencioso. Precisamos, entretanto, compreender que dois agentes estão envolvidos em todas percepções: os sentidos e a mente. Um mero impacto sensorial não é percepção. Só quando a mente coloca sua assinatura nos impactos sensoriais é que o ato da percepção se completa. Pois bem, esses dois fatores da percepção têm suas limitações. As limitações surgem de sua seletividade. Em todos os atos de percepção há primeiro a seletividade dos sentidos e, a seguir, a seletividade da mente. É óbvio que não é possível uma percepção perfeitamente objetiva enquanto houver esse processo seletivo. Ora, a ciência se preocupa em reunir fatos. Suas proposições e hipóteses se apoiam nos fatos que ela consegue reunir. Mas como podemos ter certeza dos fatos que reunimos, enquanto o elemento da seletividade estiver presente? É possível que no próprio processo de reunir os fatos, os sentidos e a mente deixem de fora muitas coisas que podem ser importantes para chegar-se às conclusões corretas. (...)

Em parte alguma a abordagem científica do Vedanta é vista tão claramente quanto no Upanixade Prashna onde o instrutor e os estudantes estão empenhados em uma verdadeira investigação científica da natureza das coisas. Esse Upanixade conduz o investigador do conhecido para o Desconhecido, do manifesto para o Imanifesto, da matéria densa para o supremanente Espiritual."

(Rohit Mehta - O Chamado dos Upanixades – Ed. Teosófica, Brasília, 2003 - p. 83/84)


RUGIR DA TEMPESTADE (3ª PARTE)

"(...) Kabir, um grande místico indiano, disse que é quando o sono não vem que a pessoa se apoquenta com a arrumação da cama e o arranjo dos travesseiros. Somente a dançarina que não sente a dança em si é a que se queixa do palco, do soalho e da decoração. É quando a vida interna feneceu que as dificuldades objetivas parecem intransponíveis. Assim, é a falta de interesse profundo que arrefece o entusiasmo humano. O ser humano está ressequido por dentro e procura renovação de fora! Nenhuma mudança na condição objetiva, nenhuma alteração na disposição do Karma lhe trará renovação, enquanto não penetrar nas reais profundezas de seu próprio ser.

É possível ao ser humano cultivar um interesse profundo pela vida? Pode o interesse ser criado - ou é tão somente um dom do Karma? É a vida espiritual assunto de mero subjetivismo, negando toda a realidade às condições objetivas? Não tem o ser espiritual que trabalhar na mudança das circunstâncias objetivas? As condições objetivas visam servir de áreas de expressão para o ser humano. Portanto, necessitam ser mudadas e alteradas de tempos em tempos, de forma a não causarem restrição às suas necessidades de expressão. Em outras palavras, as circunstâncias objetivas são instrumentos de expressão. Pode-se alterar um instrumento, decorá-lo, porém, se não houver a música dentro do coração, que utilidade terá aquele instrumento? Assim, a música do coração deve preceder todas as atividades de mudança e polimento do instrumento. A mudança de condições objetivas deve seguir - não preceder - o despertar do interesse profundo. Se esperarmos que o interesse desperte como um resultado de mudanças objetivas, estamos então completamente enganados. Podemos ser colocados em uma nova situação pelos Senhores do Karma e nem assim serão vistas as belezas do novo ambiente, se a mente for obtusa e insensível. Se há profundo interesse, as mudanças no meio objetivo, quando necessárias, se produzirão de maneira silenciosa e suave. Mesmo que a situação não possa ser mudada, o homem de profundo interesse e entusiasmo verterá nova vida e vitalidade nas velhas formas do meio ambiente. Quando há a dança interna, a dançarina bailará em qualquer lugar e transmitirá frescor à situação antes lânguida e decadente. Não é o que faz o poeta com a linguagem que lhe é dada? 

A experiência  de todos os místicos espirituais é de que as dificuldades objetivas são varridas pelo impacto do entusiasmo nascido do interesse profundo. Entusiasmo e interesse profundo são fenômenos conjugados, ou então podemos também dizer que um é a expressão e o outro a fonte. O entusiasmo surge somente num estado de interesse profundo intrinsicamente presente, não de forma relativa, porém absolutamente presente no indivíduo. Realmente significa que o interesse não é por alguma coisa, nem em relação a algo particular. É somente o estado de puro interesse que serve de base para o verdadeiro entusiasmo. O interesse por alguma coisa só produz superficialidade, porque constitui entrave para a mente. Uma sensibilidade apenas por alguma coisa não é de modo algum sensibilidade, porque pelo processo inconsciente da resistência, ela torna a mente insensível a outras coisas. A mente aberta unicamente a uma coisa é uma mente fechada. Assim, a condição de puro interesse é que é essencial para o despertar do entusiasmo. (...)"

(Rohit Mehta - Procura o Caminho - Ed. Teosófica, Brasília - p. 12/14)


domingo, 30 de março de 2014

A PIOR DAS POLUIÇÕES NÃO VEM DE FORA, MAS DE DENTRO DE CADA UM DE NÓS

"As religiões prometem o céu aos homens de consciência, e não da ciência; ser erudito é fácil, ser bom é difícil.

Por isto, o progresso da ciência será sempre mais rápido do que a formação da consciência. O Ter será sempre mais fácil do que o Ser - mas, em compensação, o homem perde todo o seu Ter na hora da morte, mas leva consigo para outros mundos o seu Ser. O Ter nos dá gozo, mas somente o Ser nos torna felizes.

Hoje em dia, é fácil gozar, mas é cada vez mais difícil ser feliz. Outros nos fazem gozar ou sofrer, mas somente nós mesmos nos tornamos felizes.

Evitar a poluição mental  e moral é o primeiro imperativo categórico para ser feliz.

Fácil é abusar.

Difícil é recusar.

Dificílimo é usar, sem abusar.

Quando o homem faz o que deve, embora não o queira, ele é austeramente feliz - mas, quando o homem faz o que deve e quer o que deve, então é ele jubilosamente feliz. Para poder querer o que se deve, é necessário integrar o seu pequeno ego periférico no seu grande Eu central. Quando o Eu cósmico do homem consegue integrar em si o ego pessoal, então é o homem realmente feliz.

Que foge da poluição mental das massas insipientes e segue a elite dos sapientes, não deixará de verificar o que o exímio iniciado da China, Lao-Tse, verificou séculos antes da Era Cristã.
"Quem é iluminado por dentro,
Parece escuro aos olhos do mundo.
Quem progride interiormente,
Parece ser um retógrado.
Quem é autorrealizado,
Parece um homem imprestável.
Quem segue a luz interna,
Parece uma negação para o mundo.
Quem se conserva puro,
Parece um bobo e simplório.
Quem é paciente e tolerante,
Parece um sujeito sem caráter.
Quem vive de acordo com seu Eu espiritual,
Passa por um homem enigmático.'"

(Huberto Rohden - O Caminho da Felicidade - Alvorada Editora e Livraria Ltda., São Paulo, 7ª edição - p. 149/150)
www.martinclaret.com.br


RUGIR DA TEMPESTADE (2ª PARTE)

"(...) O entusiasmo por alguma coisa emana de uma condição de profundo interesse. Não se deve também confundir entusiasmo com simples excitação. Esta não possui profundidade e, portanto, não pode sustentar-se. Necessita ser constantemente alimentada pelas sensações do mundo externo. Porém o entusiasmo, arraigado no interesse profundo, tira sua força da própria profundiade. A mente capaz de um interesse profundo não conhece momentos de obscuridade e não se intimida com obstáculos, por maiores que sejam.

A dificuldade para a maior parte de nós é que vivemos nossas vidas num nível demasiado superficial; nossos pensamentos e emoções são extremamente rasos. Esta tendência para a superficialidade aumentou enormemente nos últimos tempos devido a uma primazia indevida dada à rapidez. Nossa civilização está num estado de precipitação terrível - embora não saiba para onde corre tanto! Ora, uma vida supercial tem constante necessidade de excitações, sejam materiais ou espirituais. Há um anseio por mais e mais excitações, sensações e entretenimentos. Vê-se hoje em todos os níveis da existência humana, esta crescente demanda pelo 'mais'. É necessário dizer que a mente funcionando em níveis superficiais não pode ter experiências profundas. Uma mente assim mantém apenas relações sociais; não cultiva amizades profundas. Pode dissecar e analisar uma estrutura; não pode compreender as profundezas da vida subjacente. Porém a espiritualidade é essencialmente assunto de experiências profundas. É a profundidade da experiência o que caracteriza a espiritualidade e não um determinado campo de atividade. Pode-se ser intensamente espiritual num mercado público, e não o ser, em absoluto, num templo ou santuário.

É a pessoa que vive superficialmente que briga com as condições objetivas da vida. Porta-se com um senso de injustiça. Sente ressentimentos para com os Senhores do Karma. Julga-se derrotada pelas circunstâncias em que foi inserida. A superfície da água é constantemente agitada, mesmo por um vento passageiro. O ser humano esforça-se por livrar-se destas perturbações constantes, tentando controlar o vento. Procurar a segurança tentando alterar as condições objetivas da vida é revelar mente imatura. A mente sem profundidade, empenha-se em tais propósitos. Sente-se restringida pelos acontecimentos objetivos, sejam coisas, pessoas ou ideias. Quando o contato da mente com a vida é raso e superficial, as dificuldades do mundo objetivo avultam-se muito. (...)" 

(Rohit Mehta - Procura o Caminho - Ed. Teosófica, Brasília - p. 10/12)