OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


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quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

O MISTÉRIO DO LIMIAR - 3

"Uma vez que se considera o significado desses Portais, é evidente que não há outro caminho para escapar dessa forma de existência, exceto através deles. Os Portais somente podem admitir o ser humano para o lugar em que ele se converte no fruto, cuja flor é a natureza humana. A Natureza é a mais bondosa das mães para aqueles que dela necessitem; ela nunca se cansa de seus filhos ou deseja que sejam reduzidos em números. Seus braços amistosos se abrem para a vasta multidão que deseja nascer e viver na forma; e à medida que continuam a desejá-lo, ela permanece sorrindo. Por que , então, ela fecharia as portas a alguns? Quando uma vida não esgotou uma centésima parte do anseio da alma por uma sensação como a que se tem na existência, que razão pode haver para a sua partida a qualquer outro lugar? Certamente as sementes do desejo brotam onde o semeador as semeou. Isso parece razoável; e neste fato, aparentemente evidente, a mente indiana baseou sua teoria da reencarnação, do nascimento e renascimento na matéria, que se tornou parte tão familiar do pensamento oriental que já não precisa mais de demonstração. 

O indiano sabe que para o ocidental um dia vivido é apenas um dos muitos dias que compõem o período da vida de um ser humano. Essa certeza que o Oriente possui com relação às leis naturais, que regem os grandes giros da existência da alma, é simplesmente adquirida por hábitos do pensamento. Muitos fixam suas mentes em assuntos que para o Ocidente são considerados impensáveis. Foi desta forma que o Oriente produziu as grandes flores do crescimento espiritual da humanidade. Seguindo as pegadas mentais de um milhão de seres, Buda passou pelos Portais de Ouro; e graças a uma grande multidão pressionando sobre o limiar, ele pôde deixar para trás as palavras que provam que aqueles Portais se abrirão."

(Mabel Collins - Através dos Portais de Ouro - Ed. Teosófica, Brasília, 2019 - p. 56/58)

quinta-feira, 8 de abril de 2021

POR QUE SOU IMPORTANTE?

"No passado, a vida ficava mais fácil sabendo-se o que Deus tinha reservado. Se você souber onde se encaixar no esquema divino, as dificuldades materiais da vida se tornam secundárias. Se você não entrar na linha, seu destino será amargo, mas nem por isso estático. Não sei de nenhuma cultura em que o destino de uma pessoa tenha sido deixado à deriva. Mesmo no judaísmo, em que uma interpretação (mas não todas) nega a existência de uma pós-vida, Deus afirma que esta vida, sendo a única, deveria ser vivida do modo mais devotado possível. A virtude de viver em Deus é que sua ínfima existência não fica dotada simplesmente de um propósito mais alto, e sim do mais alto de todos, como parte da criação de Deus.

Entretanto, por maior que seja a força de se viver para Deus, a religião esteve sempre atormentada por uma séria contradição. Todas as pessoas são consideradas preciosas para Deus, mas ninguém é realmente necessário. Vidas individuais são desperdiçadas aos milhares a cada ano nas guerras. Outras incontáveis são perdidas por causa de fome, de doenças ou mal conseguem sobreviver a um índice cruel de mortalidade infantil. Poucas pessoas falam acerca dessa contradição que tem um efeito oculto. Médicos precisam anunciar estados terminais a pacientes incuráveis. A notícia chega como um choque, mas vem demonstrando que a maioria dos pacientes terminais é abnegada. A razão pela qual não querem morrer é que suas famílias precisam delas. A grande questão 'Por que estou aqui?' é deixado para outras pessoas. O mesmo ocorre com o medo dominante expresso pelo idoso, um medo que não é o de morrer ou da dor crônica e incapacitante. Antes de tudo, o que eles mais temem é se tornarem um fardo para seus filhos.

É humano compreender que todos nós precisamos uns dos outros de codependência no pior sentido: eu só existo para ter necessidades e ser necessário. Lembro-me bem no começo de minha carreira, de um paciente que ao ser informado que sofria de um câncer incurável no fígado, ou pâncras, murmurou: 'Que grande perda para o mundo quando eu me for.' Não só uma perda para a família e os amigos, mas uma perda absoluta, algo que tornaria o mundo mais pobre. Certamente, todos nós vemos a passagem de gente eminente dessa forma. E também, pela perspectiva de sua alma, você é um complemento para o mundo tão importante quanto Mahatma Gandhi ou Madre Tereza. Subtraí-lo da equação cósmica seria uma perda tão grande quanto. A seda mais refinada permanece intacta se você puxar um fio, mas o rasgo aparecerá. 

Muitas pessoas resistem à ideia de possuir um valor absoluto no universo. Inconscientemente, estão adotando um comportamento conhecido como desamparo adquirido. Um exemplo típico vem de um experimento com cães realizado na década de 1950. Dois cães foram colocados em jaulas diferente e em cada um era aplicado um choque de baixa voltagem a intervalos aleatórios. O primeiro cão tinha à disposição um interruptor em que ele podia bater com a pata para estancar o choque, em em pouco tempo aprendeu a apertar o interruptor. Como os choques eram fracos, esse cão não demonstrou nenhum efeito adverso. O segundo cão recebia os choques no mesmo momento, mas não tinha nenhum interruptor para desligá-los. Sua experiência era bem diferente. Para aquele cão, a dor era uma ocorrência aleatório fora de seu controle.

Porém, foi a segunda parte da experiência que se mostrou mais reveladora. Os dois cães foram colocados em outras jaulas onde a metade do piso dava choque e a outra metade, não. Tudo o que o cão precisava fazer no momento do choque era saltar uma divisória de madeira para a parte neutra. O primeiro cão, o que aprendera a desligar o choque, não tinha mais o interruptor. Mas também não precisou de um. Rapidamente aprendeu a saltar para o lado seguro, O segundo cão, no entanto, desistiu de início. Ele se deitou e deixou que os choques acontecessem sem esboçar nenhuma reação para se livrar deles. Isso é o desamparo adquirido em ação. Quando aplicado à vida humana, as consequências são devastadoras. Inúmeras pessoas aceitam que a dor e o sofrimento apareçam aleatoriamente na vida. Nunca estiveram no controle dos choques por que passa cada existência, e assim não buscam saída, mesmo quando surge alguma.

Saber como as coisas funcionam é importante. Caso contrário, o desamparo adquirido aos poucos vai tomando conta de nós. O primeiro cão aprendeu que a vida faz sentido: se você atinge o interruptor, a dor passa. O segundo cão aprendeu que a vida não tem sentido: não importa o que faça, a dor virá de qualquer maneira, o que significa que não há nenhum responsável, ou, se houver, ele não se importa. O cérebro de um cão pode não chegar a pensar dessa forma, mas o nosso sim. Sem um senso de objetividade, nós ficamos desamparados, visto que ou Deus não está presente ou ele não se importa com o que acontece conosco. Para escapar de nosso desamparo adquirido, precisamos adquirir um sendo de que somos importantes no esquema mais amplo das coisas."

(Deepak Chopra - Reinventado o Corpo, Reanimando a Alma - Ed. Rocco Ltda., Rio de Janeiro, 2010 - p.245/247)


terça-feira, 9 de março de 2021

O SIGNIFICADO DA DOR

"Lance um olhar para o âmago profundo da vida. De onde vem a dor que obscurece a existência dos seres humanos? Ela está sempre no limiar, e atrás dela encontra-se o desespero. 

O que são essas duas figuras esqueléticas e por que lhes é permitido serem nossas companheiras constantes?

Somos nós que as permitimos, nós que as ordenamos, quando permitimos e ordenamos a ação dos nossos corpos; e fazemos isso inconscientemente. Mas, por meio de experimentos e investigações científicas, aprendemos muito sobre nossa vida física; e parece que podemos obter, pelo menos, igual resultado em relação à nossa vida interior, adotando métodos semelhantes.

A dor desperta, suaviza, quebra e destrói. Considerada de um ponto de vista suficientemente distante, ela surge, por sua vez, como um remédio, uma faca, uma arma, um veneno. Evidentemente, é um instrumento, uma coisa que é usada. O que desejamos descobrir é quem é o usuário; qual parte de nós que exige a presença dessa coisa tão odiosa para o restante? 

O medicamento é usado pelo médico, o bisturi pelo cirurgião; mas a arma da destruição é usada pelo inimigo, por aquele que odeia.

Será que apenas usamos meios, ou desejamos usá-los para o benefício de nossas almas, como também travamos guerra dentro de nós e combatemos no santuário interno? Aparentemente é assim, pois é certo que, se a vontade humana descontraísse em relação a essa batalha, não manteria mais a vida no estado em que a dor existe. Por que ele deseja sua própria dor?

A primeira vista, parece que ele deseja principalmente o prazer, e assim está disposto a continuar naquele campo de batalha, onde trava guerra com a dor, esperando sempre que o prazer conquiste a vitória e a leve para casa. Esse é apenas o aspecto externo do estado em que se encontra o ser humano.

Ele sabe, por si mesmo, que a dor é codirigente com o prazer e que, embora sempre se trave a guerra, ela nunca vencerá. O observador superficial conclui que o indivíduo se submete ao inevitável. Mas isso é uma falácia, indigno de discussão. Pensando um pouco mais seriamente, veremos que o indivíduo não existe, exceto pelo exercício de suas qualidades positivas; logicamente, supõe-se que ele escolhe, pelo exercício dessas mesmas qualidades, o estado em que viverá.

Admitido, então, devido ao nosso argumento, que o ser humano deseja a dor, porque ele deseja algo tão desagradável para si mesmo?" continua...

(Mabel Collins - Através dos Portais de Ouro - Ed. Teosófica, Brasília, 2019 - p. 81/84)


quinta-feira, 12 de novembro de 2020

O OBSERVADOR E O OBSERVADO (PARTE FINAL)

"27. Este percebimento deve cobrir a totalidade de nossa existência.

Esta área ou prãntabhumi deve ser saptadhã ou sétupla. A palavra saptadhã indica realmente uma totalidade, pois quando falamos da natureza total do homem ou do Universo, referimo-nos a ela como sétupla. Patañjali diz que este percebimento não apenas deve ser ininterrupto, mas também deve ser total, significando que precisamos estar cônscios da totalidade de nossa existência. Em outras palavras, este percebimento não deve ser meramente com o frio intelecto, mas com as emoções e também com o mecanismo sensorial do corpo. Ele deve penetrar todas as fibras de nosso ser. Não deve ser aquele percebimento de uma testemunha que olha para o fluxo da continuidade a distância. Uma testemunha pode estar cônscia apenas do exterior e um percebimento como  este, a distância, não tem valor. Ser um participante e ainda assim ser uma testemunha - apenas isso pode ser chamado percebimento total. Tudo o mais é superficial e, portanto, fragmentário. Somente o percebimento toal pode ser ininterrupto, pois aqui a totalidade de nosso ser está envolvida. 

Pode-se perguntar: ser participante e testemunha ao mesmo tempo - este não é um estado de completa contradição e, consequentemente, de conflito? Como podem as duas condições completamente oposta coexistirem? No Yoga vemos o milagre da coexistência dos opostos, e para isso precisamos nos familiarizar com as profundas experiências do Yoga. Patañjali nos leva às profundezas do Yoga quando fala de seu óctuplo instrumento e suas implicações totais. Com isso, adentramos, por assim dizer, na própria corrente do Yoga e nos sentimos renovados na totalidade de nossa existência."

(Rohit Mehta - Yoga a arte da integração - Ed. Teosófica, Brasília, 2012 - p. 100/101)
ww.editorateosofica.com.br






terça-feira, 3 de novembro de 2020

O OBSERVADOR E O OBSERVADO (8ª PARTE)

"22. Para aquele que não objetiva realizar-se através da existência do observado, o observado não existe; mas para os demais ele continua a existir.

O homem normalmente estabelece um relacionamento de uso com o mundo em que vive, seja físico ou psicológico. É deste relacionamento que surge o observado. Precisamos nos lembrar de que tal relacionamento jamais poderá estabelecer-se com algo que está vivo, pois a vida é um estado de fluxo e, portanto, não é estática. O uso possível apenas em relação a algo estático ou imóvel. Assim, para ter aquele relacionamento, a vida precisa ser transformada em imagem. O sutra acima diz que, para aquele que tenha ido além do relacionamento de uso,  o observado não existe. Tal indivíduo não tem objetivo a realizar advindo da existência do observado. Daí que o observado desaparece quando cessa este relacionamento de uso. O sutra, contudo, diz que para os demais, o observado continua a existir. A partir disso, fica evidente que o observado não tem existência per se; ele é trazido à existência pelo observador para seu próprio propósito. O relacionamento de imagem à imagem, obviamente, é um relacionamento de uso, no qual há sempre o desejo de ter e de possuir. No seguinte sutra isso está ainda mais claro.(...)"

(Rohit Mehta - Yoga a arte da integração - Ed. Teosófica, Brasília, 2012 - p. 97/98)


terça-feira, 27 de outubro de 2020

O OBSERVADOR E O OBSERVADO (6ª PARTE)

 

"20. O observador, ao invés de manifestar puro percebimento, vê através da tela conceitual da mente.

Este sutra implica que o observado vem à existência a partir do estado condicionado do observador. Em outras palavras, é o observador que cria o observado,  pois este não tem existência intrínseca. O observador não olha para a coisa, mas através da tela conceitual da mente, que é sua imagem. Assim, o observado é, de fato, a imagem dos homens e das coisas. Mas o observador é diferente da mente? Ao discutirmos a aflição, asmitã, vimos que o senso do eu, aquela entidade que é descrita como o 'eu', não é diferente da mente. A mente que busca sua continuidade traz à existência a assim chamada entidade permanente, que é o 'eu'. Dizemos 'assim chamada', porque não possui absolutamente permanência, tendo nascido em razão do desejo da mente por continuidade. O senso do eu e a continuidade são sinônimos, pois reconhecemos o 'eu' através do fator da continuidade. Assim, o observador e a mente são idênticos, o que está claro no próximo sutra onde é dito: (...)"

(Rohit Mehta - Yoga a arte da integração - Ed. Teosófica, Brasília, 2012 - p. 96)




quinta-feira, 7 de maio de 2020

O HOMEM REVESTIDO

Nós e o Mundo Espiritual"Já estamos com o homem completamente revestido de seus flamejantes corpos e disposto a colher novas experiências no mundo físico.

De per si, é o verdadeiro homem uma Inteligência imortal e espiritual a que se dá o nome de Mônada ou Trino Espírito, porque é o trino e um com o Logos ou Ishvara de quem seminalmente procede. É uma Consciência com três aspectos ou qualidades distintas, porém, inseparáveis. No Logos ou Ishvara estas três qualidades ou aspectos são: Existência, Sabedoria e Felicidade, simbolizados exotericamente em Brahmâ, Vishnu e Shiva da Trindade hinduísta. Na Mônada, inerentemente ternária, as três qualidades são: Existência, Conhecimento e Felicidade.

A eterna Mônada ou Espírito ternário, para desenvolver a sua interna semente da vida, se apropria de um átomo de matéria átmica no qual se manifesta como Poder ou Vontade; outro átomo de matéria búdica, no qual se manifesta como Sabedoria; e outro átomo de matéria mental, no qual se manifesta como Intelecto. Assim o Espírito ternário se converte na Mônada investida, ou seja em Atma-Buddhi-Manas, equivalente por suas qualidades à Vontade-Sabedoria-Inteligência. É o 'imortal Governador interno', a imortal Inteligência espiritual manifestada em sua verdadeira natureza e disposta a evolucionar a favor de experiências adquiridas nos três mundos inferiores, por meio de outros três corpos mais densos e mortais, de sorte que as ditas experiências lhe sirvam de alimento nutritivo a suas roupagens superiores. Assim diz simbolicamente Upanishad que os devas se alimentam dos homens. O átomo átimico se espraia ou se restringe à vontade da Mônada e forma uma roupagem simples e inteira. O átomo búdico atrai outros de sua mesma natureza que, interfundidos intimamente, formam uma roupagem radiante de indescritível fulgor. O átomo mental também atrai outros de sua índole e forma uma roupagem mais compacta, parecida a um tecido, que é a do Intelecto. Assim a Mônada, o homem verdadeiro, passa de uma vida para outra sem nascimentos nem mortes nos superiores mundos causal, búdico e átmico. É aquele que 'despojado de todos os sentidos brilha com as qualidade de todos eles, se move e se prende sem pés nem mãos, vê sem olhos e ouve sem ouvidos'. É o glorioso Governador.¹⁴ Também 'o consumidor de alimentos',¹⁵ do alimento da experiência.

A fim de colher experiências, imerge sua vida no mundo mental inferior e se apropria de uma molécula de cada uma das densidades de matéria mental inferior, análogas à das densidades búdica, causal, mental e física, com as quais, segundo expusemos no primeiro capítulo, se constrói, auxiliado pelo deva, um novo corpo mental apropriado para expressar as experiências de índole mental adquiridas durante a sua permanência no mundo celeste. É um corpo repleto de gérmens ou embriões de faculdades que ele tem de aduzir em sua próxima vida terrena entre as influências, já estimulantes, já deprimentes, com que tropeça nas pessoas e coisas circundantes. Por meio deste corpo, o Intelecto se esforçará em seu corpo causal em utilizar o antigo conhecimento e a adquirir outro novo. Por meio do corpo búdico o homem atua para formar o corpo astral, cujas mais puras moléculas estão em analogia com suas correspondentes no corpo mental, porque a união do amor e do conhecimento desenvolve a sabedoria em seu devido tempo. Também no corpo astral estão embrionárias as qualidades emotivas e passionais, e igualmente ver-se-ão estimuladas ou deprimidas pelas experiências que o homem encontre em seu ambiente.

Quanto ao corpo físico, já dissemos que o homem tem de aceitá-lo segundo o deva o modela, a fim de que, como órgão de atividades físicas, sirva para extinguir a porção de karma regulado e designado para a imediata vida terrena. O corpo físico pode ser um estorvo embaraçoso ou um instrumento harmonioso. As ações do homem em vidas passadas determinam seu ambiente na atual, assim como seus pensamentos determinam seu caráter, suas emoções e paixões e seu temperamento. Desta forma empreende a alma peregrina, o morador do corpo, seu caminho para percorrer a etapa terrena de sua viagem, ao retornar a este mundo pela porta do nascimento."

¹⁴. Svetashvataropanishat, III, 17-20.
¹⁵. Brhadaranyakopanishat, IV, 24. 

(Annie Besant - A Vida do Homem em Três Mundos - Ed. Pensamento, São Paulo - p. 41/43)

terça-feira, 22 de outubro de 2019

O CICLO DO SER E DO EXISTIR

Resultado de imagem para o ciclo do ser e do existir"Tudo que Existe egressa do Ser
E regressa ao Ser.
O Ser é o Insondável Tao.
Das profundezas do Ser
Nascem todos os seres que existem
O Ser, porém,
É o abismo do Não existir.

EXPLICAÇÃO: O Ser é eterno, sem princípio nem fim. É Brahman, a Divindade, o Infinito, o Uno. Mas é da íntima natureza do Ser manifestar-se sempre de novo em existir, assim como o Uno se revela no Verso, o Infinito no Finito.

Quando o Finito egride do Infinito, falamos em 'nascer' - quando ele regride à sua origem, falamos em 'morrer'.

Nascer e morrer não são princípios nem fins, são apenas etapas evolutivas na base do eterno Ser. São como ondas que se erguem e recaem no seio do mar."

(Lao-Tse - Tao Te King, o Livro Que Revela Deus - Tradução e Notas de Huberto Rohden - Fundação Alvorada para o Livro Educacional, Terceira Edição Ilustrada - p. 113/114)


terça-feira, 17 de setembro de 2019

A MENTE DESPRENDIDA

"A transformação do mundo é provocada pela transformação de si mesmo, porque o self é o produto e uma parte do processo total da existência humana. Para haver transformação, o autoconhecimento é essencial; sem saber o que você é não há base para um pensamento correto, e sem conhecer a si mesmo não pode haver transformação. O indivíduo precisa se conhecer como ele é, não como deseja ser, pois é meramente um ideal e, por isso, fictício, irreal; só esse o que pode ser transformado, não aquele que você deseja ser.

Conhecer-se como se é requer uma mente extraordinariamente alerta, porque o que está constantemente sofrendo transformações, mudanças: e para segui-lo depressa a mente não deve estar presa a nenhum dogma ou crença particular; a nenhum padrão de ação. Se você quiser seguir qualquer coisa, não é bom estar preso. Para conhecer a si mesmo é necessário ter consciência, uma extraordinária atividade da mente em que há a liberdade de todas as crenças, de toda idealização, porque as crenças e os ideais só lhe proporcionam uma cor, pervertendo a  verdadeira percepção. Se quiser saber o que você é, não pode imaginar ou acreditar em algo que você não é. Se eu sou ganancioso, invejoso, violento, o simples fato de ter um ideal de não violência, de não ganância, é de pouco valor... O entendimento do que você é - seja feio ou bonito, malvado ou maligno -, sem distorção, é o início da virtude. A virtude é essencial, pois ela proporciona liberdade."

(Krishnamurti - O Livro da Vida - Ed. Planeta do Brasil, São Paulo, 2016 - p. 37)


quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

O OBJETIVO DA VIDA

"O terceiro aspecto de nosso mundo, que está oculto à maioria, é o plano e o objetivo da existência. A maior parte das pessoas parece desnorteada na vida, sem qualquer objetivo definido, salvo talvez a luta meramente física para fazer dinheiro ou alcançar o poder, porque supõe, erroneamente, que isso lhe trará felicidade. Não tem uma ideia precisa da razão pela qual está aqui, nem certeza alguma quanto ao futuro que a espera. Tais pessoas nem mesmo fazem ideia de que são almas e não corpos, e de que, assim sendo, o seu desenvolvimento é parte de um grande esquema de evolução cósmica. 

Quando essa verdade sublime despontar no horizonte da humanidade, haverá uma transformação, que as religiões ocidentais chamam conversão – uma palavra sutil, que infelizmente tem sido deturpada por associações inadequadas, por ser usada, muitas vezes, para significar nada mais que uma crise de emoção hipnoticamente induzida pelas ondas agitadas da excitação, procedentes de uma multidão exaltada. Seu verdadeiro significado corresponde exatamente ao que sua etimologia indica: 'voltar-se com'. Até agora o ser humano, ignorando a maravilhosa corrente da evolução, tem lutado contra ela, sob a ilusão do egoísmo; mas, desde o momento em que a magnificência do Plano Divino refulge ante seus olhos atônitos, a sua atitude passa a ser a de colocar todas as suas energias ao esforço de cooperar no cumprimento do desígnio supremo, 'voltar-se e acompanhar' a esplêndida corrente do amor e da sabedoria de Deus. 

Seu único objetivo, então, é capacitar-se para ajudar o mundo, tendo todos os seus pensamentos e ações dirigidos a essa meta. Podemos esquecê-la por um instante, sob a pressão das tentações; mas o esquecimento será apenas temporário, e este é o sentido do dogma eclesiástico de que o eleito não pode falhar jamais. O discernimento há de chegar, as portas da mente hão de se abrir – para adotar os termos da fé antiga para essa transformação. A pessoa agora sabe o que é real e o que é irreal, o que merece ser adquirido e o que carece de valor. Vive como uma alma imortal, que é uma Centelha do Fogo Divino, em vez de viver como um animal que perece – para usar de uma frase bíblica, que, aliás, carece de correção, visto que os animais não perecem, exceto no sentido de sua reabsorção na respectiva alma-grupo. 

A essa pessoa desvelou-se, em verdade, um aspecto da vida que antes estava oculto à sua percepção. Seria mais exato dizer que agora, pela primeira vez, ela começou realmente a viver, ao passo que, antes, toda a sua existência simplesmente se arrastava, improfícua e sem finalidade."

(C.W. Leadbeater - O Lado Oculto das Coisas - Ed. Teosófica, Brasília - p.  36/37)


sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

SOBRE O NATAL E O ANO NOVO - COMO SE CRIA UMA ATMOSFERA CORRETA PARA O FUTURO (1ª PARTE)

"A época do Natal e do Ano Novo possui um forte significado interno para quem tem olhos para ver. A ronda de 12 meses corresponde a todo um ciclo da nossa existência. Uma página é virada no Livro da Vida, e algumas pessoas sentem a tentação de fazer o autoexame pitagórico, cujo poder benéfico atravessa os milênios:

"O que eu fiz de bom? Em que errei? Serei capaz de renovar meus votos de fazer o melhor que posso no próximo ano, e estarei à altura do compromisso?'

O fim de qualquer ciclo e o começo do ciclo seguinte são sempre uma boa ocasião para avaliar o nosso progresso no aprendizado, e para adotar novas resoluções. Helena Blavatsky escreveu: 'E que ninguém pense que se trata apenas de uma fantasia, atribuir importância ao nascimento do ano.'  Ela acrescentou:
  
'A terra passa pelas suas próprias fases bem definidas, e o homem com ela; e assim como um dia pode ter um tom, o ano também pode. A vida astral da Terra é jovem e forte entre o Natal e o Ano Novo. Aqueles que definem a sua vontade agora [isto é, entre Dezembro e Janeiro] têm uma força extra para realizá-la de modo coerente.'²

'A nossa percepção do tempo se expande a cada final de ciclo. Parece que ficamos frente a frente com outros momentos semelhantes, do passado e do futuro. Quando você vira uma página no livro da sua vida, você tem uma visão de como foram escritas as páginas anteriores, e faz um diálogo com as sementes do futuro. A época do Natal nos leva a uma dimensão diferente do tempo. Em alguns casos uma repetição das mesmas e velhas celebrações ao nosso redor produz um estranho sentido de déjà vu que expande a nossa percepção. Ela nos traz lembranças do passado e talvez alguns sentimentos sobre os tempos que virão.

É verdade que qualquer apego a coisas passadas é perigoso, e H.P.B. fez uma advertência, ao escrever sobre o final de um ano:

'Deixe-o ir embora, com suas alegrias, triunfos, coisas ruins e amargura; basta que ele deixe conosco para nosso aprendizado a memória da nossa experiência e a lição dos nossos erros. Sábio é quem deixa que ‘o Passado morto enterre os seus mortos’ e se volta com coragem para os deveres renovados do Ano Novo; só os fracos e os tolos se lamentam pelo que é irrevogável.'³ (...)"

² H.P. Blavatsky, no artigo '1888', publicado no livreto 'Theosophical Objects, Program and Organization', The Theosophy Company, Los Angeles, USA, 37 pp., ver p. 9. O artigo '1888' está publicado também nos 'Collected Writings' de H.P. Blavatsky, TPH, EUA, volume IX, pp. 3-5 (ver p. 5).
³ 'Collected Writings', H. P. B., TPH, vol. III, 1995, p. 01.

(Carlos Cardoso Aveline - Sobre o Natal e o Ano Novo, Como Se Cria Uma Atmosfera Correta para o Futuro)

sábado, 18 de novembro de 2017

O SENTIDO DA VIDA, SEGUNDO MOISÉS, BUDA, CRISTO (PARTE FINAL)

"(...) O homem que apenas desenvolve o seu ego mental, e não o seu Eu racional (espiritual), vive numa frustração existencial, e não pode deixar de ser sofredor, por ser devedor e culpado da sua não realização existencial.

Nos últimos tempos, a medicina conseguiu aumentar a longevidade da vida humana, por meio de medicamentos – mas não diminuiu os sofrimentos humanos porque essa longevidade artificial é um prolongamento da agonia do homem, que continua a ser culpado.

Enquanto o homem não se realizar, de acordo com as imutáveis leis cósmicas, não deixará ele de ser um sofredor, a despeito de todos os paliativos e camuflagens da medicina. Somente a realização existencial pode pôr termo ao sofrimento compulsório do homem.

Depois de deixar de ser devedor culpado perante as leis cósmicas, pode o homem continuar a sofrer algum tempo por seus débitos passados (karma), ou mesmo por culpa de seus companheiros ainda devedores. Só quando toda a humanidade estiver sem culpa, deixará o homem de ser um sofredor compulsório.

O sofrimento por débitos próprios é vergonhoso – mas o sofrimento por débitos alheios é glorioso.

Somente os grandes avatares da humanidade, isentos de sofrimentos compulsórios, podem, querer sofrer voluntariamente, porque sabem que sem resistência não há evolução – e eles são desejosos de evolução ulterior e autorrealização cada vez maior.

Nesse caso estava Jesus, que não sofreu por débito próprio, nem alheio, como ele mesmo diz, mas 'para entrar em sua glória'. O seu sofrimento voluntário foi um sofrimento crédito, a serviço da sua evolução superior, e não um sofrimento débito.

O grosso da humanidade vive no sofrimento débito, que pode converter-se em sofrimento crédito.

Somente a nova humanidade, liberta de débitos, estará liberta de sofrimento débito, e pode iniciar a gloriosa humanidade dos avatares, de que o Cristo foi o precursor.

'Haverá um novo céu e uma nova terra, e o Reino de Deus será proclamado sobre a face da terra'."

(Huberto Rohdem - O Homem, sua Natureza, sua Origem e sua Evolução - p. 39/40)

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O SENTIDO DA VIDA, SEGUNDO MOISÉS, BUDA, CRISTO (1ª PARTE)

"Qual o sentido da vida humana, a razão de ser da sua existência?

Todos os gênios da humanidade respondem o mesmo: o sentido da vida do homem é a sua autorrealização. E essa realização supõe, acima de tudo, o conhecimento da verdadeira natureza do homem.

Cerca de seis séculos antes da Era Cristã, vivia na Índia um príncipe real chamado Gautama Siddhartha. Pouco depois do seu casamento abandonou ele, clandestinamente, o Palácio Real e foi peregrinar pelas florestas da Índia, durante 16 anos, meditando, meditando e jejuando. Queria descobrir uma resposta definitiva ao tenebroso mistério do sofrimento universal da humanidade. Os animais selvagens não sofriam, e por que devia o homem, coroa da creação, viver em sofrimento permanente? Certo dia, estava o príncipe sentado à sombra de uma árvore, mergulhado em profunda meditação. Quando despertou do seu prolongado samadhi, proferiu quatro palavras – e os discípulos dele, sentados em derredor, exclamaram: Buda! Buda! isto é: acordou, acordou.

O peregrino real dormira toda a vida o sono da ilusão sobre si mesmo, identificando-se com o seu ego mental; de repente, despertou para a vigília da verdade – da verdade libertadora sobre si mesmo. Os discípulos dele resumiram a sabedoria do Mestre nas chamadas 'quatro verdades nobres de Buda'. O que Buda disse, depois de despertar para a luz da verdade, foram as palavras seguintes:

1) a vida humana é essencialmente sofrimento,
2) a causa deste sofrimento universal é a ilusão em que o homem vive sobre si mesmo,
3) com a transformação da ilusão em verdade sobre si mesmo, termina a culpa do sofrimento,
4) o meio para o conhecimento da verdade é a profunda meditação sobre si mesmo.

Cerca de mil anos antes de Buda dissera Moisés, com outras palavras, estas mesmas verdades: 'Maldita seja a terra por tua causa', disseram os Elohim ao primeiro homem, porque este se identificava com o seu ego ilusório, aberrando da verdade libertadora sobre a sua verdadeira natureza. E esta ilusão funesta provocou sua autoexpulsão do paraíso e o início do sofrimento Universal. (...)"

(Huberto Rohdem - O Homem, sua Natureza, sua Origem e sua Evolução -  p. 37/38)

sábado, 7 de outubro de 2017

O SACRIFÍCIO

"A Teosofia considera o sacrifício individual pelo bem de muitos como muito superior à abnegação por uma ideia sectária, como por exemplo a de 'salvar os pagãos da condenação'.

Em nossa opinião o Padre Damião (aquele jovem de trinta anos que sacrificou sua vida inteira para aliviar os sofrimentos dos leprosos de Molokai e que viveu durante dezoito anos sozinho com eles, sendo atacado pelo mal e morrendo) não se sacrificou inutilmente. Aliviou e proporcionou uma relativa felicidade a milhares de pobres desgraçados. Consolou-os mental e fisicamente, derramou um raio de luz na tenebrosa noite terrível de uma existência, cuja amargura não é comparável a nenhuma outra nos anais do sofrimento humano. Era um verdadeiro teósofo e sua memória viverá eternamente em nós. Consideramos esse pobre sacerdote belga incomensuravelmente mais elevado que, por exemplo, aqueles sinceros, porém insensatos e inúteis missionários que sacrificaram suas vidas nas ilhas dos mares do Sul ou na China. Que bem lograram fazer? Nas primeiras lidavam com seres ainda inaptos para a recepção de qualquer verdade e no segundo caso, tratava-se de uma nação cujos princípios de filosofia religiosa são tão elevados como quaisquer outros, se quisessem, aqueles que os possuem, seguir o modelo de Confúcio e outros sábios de sua raça. Morreram vítimas de canibais e de selvagens, ou do fanatismo e ódio populares; enquanto que se tivessem ido aos tugúrios de Whitechapel ou outra daquelas localidades que param e apodrecem sob o brilhante sol de nossa civilização, cheias de selvagens cristãos e de lepra mental, teriam podido executar um verdadeiro bem e ter conservado sua vida para uma causa melhor e mais digna.

Se dispuséssemos de meios para tanto, erigiríamos uma estátua do padre Damião, santo verdadeiro e prático, perpetuaríamos sua memória para sempre como exemplo vivo de heroísmo teosófico, de compaixão e autossacrifício budista e cristão...

Porém uma distinção deve ser estabelecida. Nenhum homem tem direito de deixar-se morrer de fome para que outro possa alimentar-se, a não ser que a vida deste último seja, de maneira evidente, de maior utilidade aos outros do que a sua. Porém é seu dever sacrificar seu próprio bem-estar e trabalhar pelos demais se estes são incapazes de fazê-lo. É seu dever dar tudo quanto tenha, completamente, se não tem serventia a ninguém além de si mesmo, no caso de guardá-lo egoisticamente. A Teosofia ensina a abnegação, porém não o autossacrifício impulsivo e inútil, nem justifica o fanatismo."

(H. P. Blavatsky - A Doutrina Teosófica - Ed. Hemus, São Paulo - p. 84/86)


terça-feira, 26 de setembro de 2017

UMA PROPRIEDADE DA MENTE (1ª PARTE)

"Helena Blavatsky, assim como muitos filósofos, viu que o tempo, como sucessão de eventos, é tanto uma propriedade da nossa mente quanto uma parte da realidade. Nós percebemos de forma seriada e classificamos como passado, presente e futuro; os eventos, entretanto, simplesmente são.

O tempo é uma generalização, um conceito que formulamos a partir da experiência. Depois atribuímos a ele uma existência separada da nossa vivência dos eventos. Blavatsky, contrariando a noção de que o tempo flui e nós permanecemos parados, afirma que 'o tempo é apenas uma ilusão produzida pelos sucessivos estados da nossa consciência, à medida que atravessamos a duração eterna'.

A forte tendência de ordenar as coisas em sequência atua sobre a nossa percepção do mundo. O sentido de tempo linear fragmenta o panorama ininterrupto das mudanças interconectadas da natureza, percebido claramente pelos índios hopi.

Quando sonhamos ou mergulhamos em pensamentos o tempo pode se expandir, de modo que minutos ou segundos parecem horas, ou horas passam num relance. A sensação de passagem rápida ou lenta do tempo pode resultar de fatores físicos, como temperatura corporal, temperatura do ar ou influência de café, chá ou álcool, ou ainda fatores psicológicos como tédio ou interesse. É comum sentir que a semana de trabalho se arrasta, enquanto os fins de semana 'passam voando'.

A 'progressão ordenada, militar, do tempo medido' é muito diferente do 'tempo ilimitado da mente', segundo as expressões de Bérgson. Para alguns o tempo normalmente parece fluir mais lentamente do que para outros. Ao longo do dia, nossa percepção do passar do tempo também muda. Há momentos em que ele é uma corrente que se desloca montanha abaixo; depois, é como um rio sereno na planície. Nenhum dos padrões está 'correto'; o tempo não possui velocidade absoluta. Mas a pressa excessiva pode ser prejudicial e o ritmo lento pode ter efeitos curativos sobre nossa saúde. (...)"

(Tempo e atemporalidadeDo livro Sabedoria Antiga e Visão Moderna, Shirleu Nicholson, Ed. Teosófica - Revista Sophia, Ano 2, nº 7 - p. 16)


domingo, 10 de setembro de 2017

SEGUINDO O IMPULSO DA ALMA (1ª PARTE)

"Como um adepto se torna sábio? Não por sorte, porque nem a boa nem a má sorte existem nas leis imutáveis do universo. O adepto é o raro resultado de gerações de investigadores. Vida após vida, ele se dedicou a buscar o propósito e a natureza da existência. A vida de Buda indica que em muitas encarnações ele se esforçou para encontrar a verdade, sacrificou até a própria vida, e depois recebeu a iluminação. O espírito investigador - não a imitação ou a repetição - é que é importante. Por isso Buda disse: 'Seja uma lâmpada para si mesmo.'

Quem deseja se iluminar deve estar preparado para abandonar as 'considerações prudentes do mundo' e seguir o impulo interno da alma. Por ter trabalhado com afinco, um adepto chega a ver, sentir e viver a própria origem de todas as verdades fundamentais. Sua consciência é una com toda a vida; portanto, ele entende todas as coisas em sua essência e não precisa se esforçar para distinguir entre o real e o irreal. Por isso, um verdadeiro instrutor nunca encoraja seus discípulos a prosseguirem com seus desejos mundanos, nem promete recompensas. Da mesma forma, o adepto nunca mantém o outro sob seu domínio.

Todo o rio da vida flui em uma direção, que Krishnamurti chamou de o 'despertar da inteligência'. A evolução representa o desenvolvimento do organismo físico para que as faculdades da consciência possam florescer. O adepto, completamente cônscio desse propósito, em nenhum momento tenta controlar a consciência do discípulo, nem exige dele uma obediência cega. Ele guia, mas espera que cada pessoa aja como pensa que é certo, por que é responsável por si mesma e aprende até mesmo com seus erros.

Dessa maneira, a inteligência do discípulo se desenvolve, e sua capacidade de discernimento cresce. Ele deixa de ser dependente. Nos primeiros tempos da Sociedade Teosófica, um adepto disse: 'Nós aconselhamos, nunca ordenamos.' Todos os que entendem a natureza do progresso espiritual seguem esse exemplo: eles discute, indicam, mas nunca dizem o que o outro deve ou não fazer. Um deles escreveu: 'Os aprendizes, por uma ideia errada sobre o nosso sistema, muitas vezes esperam e aguardam ordens, desperdiçando um tempo precioso.' (...)"

(Radha Burnier - O adepto e o discípulo - Revista Sophia, Ano 2, nº 7 - p. 38)

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

A RELIGIÃO E O YOGA

"Uma religião que seja igualmente aceitável por todas as mentes é o que desejo propagar. Deve ser igualmente filosófica, emocional, mística e conducente à ação. Essa será a combinação ideal, a analogia mais próxima a uma religião universal. Quisera Deus que, na mente de todos os homens, essas características estivessem igualmente presentes em plenitude! Esse é o meu ideal do homem perfeito. Considero parcial a pessoa que tenha apenas um ou dois desses traços característicos; o mundo está repleto de indivíduos sectários, conhecedores somente desse caminho único que trilham; tudo o mais para eles é perigoso e terrível. Encontrar um equilíbrio harmonioso entre esses quatro caminhos é o meu ideal de religião.

Essa religião é alcançável pelo que se denomina na Índia yoga, união. Para o homem de ação, é a união entre os homens e toda a humanidade: para o místico, entre seu Self inferior e superior; para o amante, entre ele e o Deus de amor; para o filósofo, é a união com toda a existência. Esse é o significado do termo sânscrito yoga. Todas as quatro divisões da yoga têm, em sânscrito, diferentes nomes. Iogue é o homem que procura um destes caminhos de união. O que busca a união pela ação é o karma iogue; o que busca a união pelo amor é o bhakti iogue; o que busca a união pelo misticismo é o raja iogue e o que a busca pela filosofia é o jnana iogue. A palavra iogue abrange todos. 

Nesse país, a palavra yoga está associada a toda sorte de entidades fantásticas. Lamento, mas devo dizer que yoga nada tem a ver com isso. Nenhuma dessas yogas abdica do raciocínio; nenhuma lhe pede que seja ingênuo ou que entregue sua capacidade de raciocinar nas mãos de sacerdotes de qualquer tipo. Nenhuma o obriga a ser fiel a algum mensageiro sobrenatural. Cada uma o incentiva a aferrar-se à razão, a ater-se a ela."

(Swami Vivekananda - O que é Religião - Lótus do Saber Editora, Rio de Janeiro, 2004 - p. 34/35)

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A RESISTÊNCIA À MUDANÇA (1ª PARTE)

"A culpa surge quando nos convencemos de termos cometido um erro irreparável. A tortura da culpa consiste em pensar que qualquer problema seja permanente. Entretanto, como não existe nada que não mude, também a dor cede - não há problema que persista. Esse é o aspecto positivo da mudança. O negativo é que nós oferecemos resistência à mudança em quase todos os campos da vida. O primeiro passo para nos livrarmos do sofrimento é investigar uma das causas principais: a resistência à mudança.

É de extrema importância investigar as causas e origens do sofrimento, como ele surge - explicou o Dalai-Lama, ao descrever a natureza sempre mutante da vida. É preciso iniciar o processo avaliando a natureza impermanente e transitória da nossa existência. Todos os objetos, acontecimentos e fenômenos são dinâmicos, mudam a cada instante; nada permanece estático. Meditar sobre a nossa circulação sanguínea poderia ajudar a firmar essa ideia: o sangue está em fluxo constante, em movimento; nunca fica parado. Essa natureza de mudanças momentâneas dos fenômenos é como um mecanismo inerente a eles. E, como faz parte da natureza de todos os fenômenos a mudança a cada momento, isso nos indica que a todas as coisas falta a capacidade de perdurar, falta a capacidade de permanecer. E, já que todas as coisas estão sujeitas à mudança, nada existe numa condição permanente, nada consegue manter-se igual por sua própria força independente. Desse modo, todas as coisas estão sob a influência de outros fatores. Ou seja, a qualquer momento, por mais prazerosa ou agradável que possa ser nossa experiência, ela cessará. Isso passa a ser a origem de uma categoria de sofrimento conhecida no 'budismo' como o 'sofrimento da mudança' (...)"

(Sua Santidade, O Dalai Lama e Howard C. Cutler - A Arte da Felicidade - Livraria Martins Fontes Editora Ltda., São Paulo, 2000 - p. 184/185)
www.martinsfontes.com


domingo, 9 de julho de 2017

O REAL E O IMAGINÁRIO (1ª PARTE)

"Quando falamos acerca dos caprichos da 'mente' e não de uma pessoa em particular, podemos ser bastante impessoais. Pensamos na mente como sendo um dos elementos da existência com determinada natureza. Ela está sujeita a ilusões, mas é possível para ela encontrar a verdade e libertar-se. Não precisamos identificá-la com alguém em particular e dirigir-lhe críticas, aberta ou veladamente. Pode-se criticar a si próprio bem como aos demais. Porém, a crítica, até mesmo dirigida para alguém, não precisa visar à descoberta de falhas, ela pode ser uma simples compreensão daquilo que não está certo ou daquilo que está errôneo ou falso no pensamento e comportamento da pessoa. É simplesmente como avaliar um quadro: é belo ou não? Este tipo de crítica é de valor, porém não visa à descoberta de falhas, culpando alguém ou si mesmo - tudo isto, por ser vão e infrutífero, torna-se mera autodecepção.

Referi-me ao julgamento de um quadro, mas aqui também deve-se fazer uma distinção entre o real e o irreal. O quadro pode ser realmente belo ou pode apenas ter uma assim chamada beleza superficial. A beleza de ordem mais elevada surge de uma profunda compreensão, surge da própria vida ou de uma fonte desconhecida em seu interior. Então terá o selo da verdade, mas poderá também existir aquela 'beleza' que é sintética, que é apenas uma aparência, uma mera apresentação.

Para nos aproximarmos ainda mais do cerne da questão: quando usamos a palavra 'amor' em relação a outro, será que realmente amamos, ou apenas achamos que amamos aquele outro? Existe uma grande distinção entre pensar que amamos e amar de fato. Meramente ensaiar a ideia do amor e usufrir o prazer que causa, não traz o amor, é apenas um exercício. Mas somos tão capazes de nos iludirmos, pensando que amamos toda a humanidade, até mesmo quando não amamos os indivíduos que a compõem. Precisamos traçar uma distinção clara entre aquilo que é real ou verdadeiro e aquilo que é apenas forjado pela mente. Isto requer uma inteligência muito aguçada e um constante discernimento da diferença entre o real e o imaginário. (...)"

(N. Sri Ram - Em Busca da Sabedoria - Ed. Teosófica, Brasília, 1991 - p. 29/30)
www.editorateosofica.com.br


sábado, 1 de julho de 2017

OS MISTÉRIOS DA REENCARNAÇÃO

"A reencarnação intriga as pessoas. É como se suas almas soubessem algo que a mente não consegue entender. Quando pela primeira vez ouvi falar em reencarnação, vi que isso respondia perguntas desconcertantes: por que algumas crianças nascem na pobreza e outras têm tantas vantagens? Por que pessoas boas encontram tantas dificuldades? Como pode um Deus amoroso ser tão injusto? A morte será o fim absoluto? Céu e inferno são eternos? Aqueles que não creem estão condenados para sempre?

A ideia de que viveremos muitas vidas pôs fim aos meus pesadelos. A explicação de que somos o que somos por causa de pensamentos e ações passados convenceu-me de que havia justiça e propósito na vida. As situações em que as pessoas se encontram são oportunidades para crescer, desenvolver a compreensão e melhorar a vida. Henry Ford acreditava nisso: 'Quando descobri a reencarnação, foi como se encontrasse um plano universal, uma oportunidade de trabalhar minhas ideias. Eu não era escravo do relógio. Havia tempo suficiente para planejar e criar.'

Todos nós temos memórias de vidas passadas, embora vagas. Frequentemente sentimos que vivemos em determinado momento em alguma existência prévia. Mas isso não é o essencial; a essência da experiência é que é valiosa e permanece conosco.

O espírito dentro de cada indivíduo usa inúmeras almas e corpos para se expressar. Cada um desses corpos, almas e espíritos está buscando a evolução por meio de um processo de repetidas corporificações. Ao examinar os processos envolvidos, podemos perceber vários aspectos da reencarnação.

Como seres humanos, nossa consciência está centrada em nosso ego encarnante, que é o veículo de expressão de nossos eus divinos e espirituais. As três partes de nossa constituição - o corpo, feito de componentes astrais-vitais-físicos; a alma, com elementos mentais e emocionais; e o espírito imortal - trabalham e evoluem juntos durante nossa estadia na Terra. Essa evolução consiste, atualmente, em refinar pensamentos e sentimentos para melhor expressar as qualidades espirituais de compaixão, inteligência, imaginação e força de vontade. Considerando isso, começamos a entender como cada vida é importante, como as lições que aprendemos e o bem que fazemos contribuem para o progresso de cada parte de nós mesmos."

(Eloise Hart - Os mistérios da reencarnação - Revista Sophia, Ano 10, nº 39 - p. 27/28)
www.revistasophia.com.br