OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


domingo, 12 de junho de 2016

MISTICISMO COMO EXPERIÊNCIA PRÁTICA (PARTE FINAL)

"(...) Os ensinamentos dos grandes místicos mostram também que seu misticismo foi sempre uma experiência prática, não uma criação conceitual arejada pela imaginação, pela ilusão ou pelo desejo. O verdadeiro misticismo é experiência, uma percepção imediata, completa e irreversível de uma vida que não tem início nem fim, que tudo abençoa, sem reservas, e que é a única realidade oculta por trás de cada aparência. Quando a mente, o coração e a alma estão verdadeiramente abertos, então podem ser inundados pelo outro, o espírito incriado e imortal no qual pode ocorrer um novo nascimento. As passagens selecionadas a seguir talvez possam ajudar a mostrar como misticismo é direto e prático.

'Peguei a lâmpada, e deixando a zona das ocupações e relacionamentos diários onde tudo parecia claro penetrei no meu eu mais recôndito, no abismo profundo de onde sentia emanar fracamente aquele meu poder de ação. Mas à medida que mais me distanciava das minhas certezas convencionais por meio das quais a vida social é superficialmente iluminada, percebia que estava perdendo contato comigo mesmo. A cada passo na descida uma nova pessoa manifestava-se dentro de mim, de cujo nome eu não mais tinha certeza, e que não mais me obedecia. E quando tive que parar com a exploração, porque o caminho desaparecia sob meus passos, descobri um abismo insondável aos meus pés.' The Divine Milieu, O Ambiente Divino, de Teilhard de Chardim."

(Pedro Oliveira - Misticismo como experiência prática - Revista Sophia, Ano 10, nº 37 - p. 13/14)


sábado, 11 de junho de 2016

MISTICISMO COMO EXPERIÊNCIA PRÁTICA (1ª PARTE)

"Apesar do crescente interesse pelo misticismo em todo o mundo, a genuína percepção mística continua a iludir muitos dos interessados no tema. Existem aqueles que parecem sempre prontos a acreditar em qualquer coisa que o último místico 'corporativo' tenha a lhe dizer. A palavra 'corporativo' é usada aqui propositadamente, já que o tema misticismo tornou-se agora uma indústria multimilionária. Outros tentam se iniciar prematuramente na vida interna só para se convencerem de que verdadeiramente tiveram uma experiência mística autêntica, e que tal evento capacitou-os a ensinar a outros. Em muitos casos, o que passa por ensinamento é basicamente um genuíno exercício de autopromoção e hedonismo.

Um olhar na etimologia da palavra pode ajudar a compreender a profundidade e o rigor intrínsecos ao verdadeiros misticismo. A palavra 'místico' é derivada do verbo grego muein, 'perto dos olhos ou dos lábios'. Os místicos genuínos de muitas eras e culturas atestam a veracidade dessa definição. No âmago do verdadeiro misticismo  está uma experiência intraduzível, tão íntima e poderosa em seu significado profundo que silencia completamente a tagarelice interna e externa, que constitui a apreciada autoimportância da mente pessoal. 

Em testemunhos capazes de alterar vidas, e que nos foram passados desde tempos imemoriais, os místicos afirmam, numa melodia de significado que é quase como uma oferenda cantada, que suas experiências vieram de fora dos confins da mente diária, de uma fonte na qual a totalidade e o significado são como duas chamas entretecidas e perenes. É algo que veio até eles, e não uma coisa que foi buscada por uma mente ignorante. (...)"

(Pedro Oliveira - Misticismo como experiência prática - Revista Sophia, Ano 10, nº 37 - p. 13)


sexta-feira, 10 de junho de 2016

VIDA ESPIRITUAL

"Nos primeiros passos na senda espiritual, o aspirante, já convencido da impossibilidade de ser feliz mediante o agir somente para si (e às vezes em detrimento do descanso, e sem pensar em Deus e no próximo), deseja libertar-se e, para tanto, se decide a administrar seu tempo e suas energias.

Passa a orar, a meditar... como que se dedicando a Deus. Mas, lá no fundo da alma, o que pretende é convencer Deus de lhe dar mais poder, mais alegrias, mais preenchimento, mais satisfação...

Passa a desenvolver atividade caridosa ostensiva... Mas, lá no fundo da alma, pensa assim: 'Com isto estou agradando a Deus, portanto,  Ele vai me dar isto e aquilo...'

Como é bom fazer uma autoanálise em nossas motivações!

Senhor, ajuda-me a desmascarar os truques com que meu eu se defende e me retém."

(Hermógenes - Deus investe em você - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1995 - p. 37)


quinta-feira, 9 de junho de 2016

O PLANO DIVINO (PARTE FINAL)

"(...) O Plano Divino, que se pode dizer ser eterno dos céus, é uma esquema de evolução no tempo. Ele atua em e através das mentes e vontade dos homens, cuja evolução prossegue segundo seu livre-arbítrio em vários graus e pensamento individual. Mas, se toda nossa liberdade é compreendida por sua onisciência, e embora sejamos livres para escolher. Aquele que tudo sabe, sabe como escolheremos. Do nosso ponto de vista inferior temos de planejar o melhor, e tudo que é aceitável desse melhor é abarcado e descoberto como sendo parte de seu plano em florescimento.

Assim como a intelecção ou vontade do Manu - para ele os dois atos devem ser um - é um baixar do depósito infinito de pensamento divino, a perfeição que é alcançada aqui em baixo por nossos melhores esforços é a corporificação de uma perfeição divina que está sempre esperando para descer. O movimento ascendente da matéria é interceptado e mistura-se com a corrente descendente do espírito que, quando reflete a natureza da matéria, é fragmentada numa infinidade de formas e ideias divinas - e na união dessas forças, de baixo e de cima - é gerada aquela perfeição que é tanto objetiva quanto subjetiva."

(N. Sri Ram - o Interesse Humano - Ed. Teosófica, Brasília, 2015 - p. 104)


quarta-feira, 8 de junho de 2016

O PLANO DIVINO (1ª PARTE)

"Para toda a Natureza existe um plano básico que poderíamos chamar de o Plano Divino, consistindo de ideias que são os arquétipos de todas as coisas aqui embaixo. O esforço nos níveis inferiores é para construir essas ideias, desenvolver formas corporificando-as, moldando as formas gradualmente, do caos primevo ao padrão arquetípico. A evolução ocorre a partir do caos - Natureza homogênea - através de padrões cada vez mais complexos, até uma ordem perfeita que reflita a plenitude do desenvolvimento possível e a simplicidade de uma síntese perfeita. Há uma síntese em cada estágio formando um elo na cadeia de sínteses ou de arranjos. 

Os Manus¹, da tradição hindu, são os mestres de obra em diferentes níveis. Podemos imaginá-los como círculos de diferentes tamanhos e curvaturas tocando um ponto, que é o princípio, correspondendo ao Adi-Buda na linha paralela do Bodhisattva. Cada um deles baixa os arquétipos do seu nível mais elevado para um nível inferior. Atrair para baixo as ideias ou energias mentais do Logos é, de um determinado ponto de vista, uma descida mas, de outro, a mais elevada intelecção no nível que deve atingir. 

Pela expansão da mente e da vontade do Manu, ele evoca a efusão de ideias divinas, que o homem então busca reter e corporificar. (A derivação do termo Manu, a mesma do termo homem, seu derivado, no senso mais estrito, procede da raiz sânscrita man, pensar). A mente é o princípio descendente e o quinto dos sete princípios humanos, embora exista e esteja ativa em cada nível. Ela é elevada até Buddhi e Ãtmã, e refletida mais embaixo em emoção e consciência física. (...)"

¹ 'Aquele que existe por si mesmo', e é, portanto, o Logos, o progenitor da humanidade e o grande legislador hindu. Glossário Teosófico, Ed. Ground, 1995. (N.E.)

(N. Sri Ram - o Interesse Humano - Ed. Teosófica, Brasília, 2015 - p. 103/104)