OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


sábado, 15 de junho de 2013

CARMA, LEI CÓSMICA (1ª PARTE)

"O princípio da justa retribuição pelo bem e pelo mal praticados é reconhecido pelas principais religiões. Essa justiça imanente, dirigida por um Deus vigilante que preside a todos os atos humanos, de maneira a "nenhum fio de cabelo cair, sem que Ele intervenha", é, para muitos, o único modo pelo qual podem conceber o mundo e as coisas. 

A existência de uma Entidade, que atemoriza os Seus filhos com castigos eternos, é ainda freio real que toca emocionalmente a milhões de seres humanos. Mas, para os céticos e racionalistas, estas concepções parecem insuficientes, senão pueris. Entretanto, ainda têm sua utilidade e por isto devem ser respeitadas, desde que sirvam, de fato, para a elevação espiritual de seus seguidores. 

Para aqueles que não podem aceitar a ideia de um Deus pessoal que recompensa e pune os Seus filhos, porque lhes repugna intelectualmente representação tão antropomórfica do Criador, a Teosofia oferece uma explicação racional dessa justiça imanente, a qual é resultante do Carma, ou seja da lei de ação e reação.

As consequências do bem e do mal praticado são o resultado lógico e inevitável de um efeito que se segue a uma causa. O universo constitui uma Vida Una, em que tudo se correlaciona estreitamente e é regido por leis, tanto no plano físico, quanto no espiritual, visto que: "O que está em cima é como o que está embaixo e o que está embaixo é como o que está em cima."

Quer física, quer espiritualmente, é o homem governado por leis. Não existem propriamente castigos ou recompensas, e sim, consequências agradáveis ou desagradáveis, pela obediência ou infração a essas leis. Assim como a criança, ao pôr a mão no fogo, recebe não o castigo, mas o efeito doloroso de sua inadvertência ou inexperiência, da mesma forma, o homem ignorante que desrespeita as leis da natureza, sente o contragolpe: a doença, no mundo físico, o sofrimento, no campo espiritual. 

E, como há correspondência entre o mundo físico e o espiritual, as transgressões físicas podem causar sofrimentos morais, e as violações das leis espirituais podem produzir sofrimentos físicos. Mas o Carma não deve ser apreciado apenas sob o lado negativo da doença ou do sofrimento. Se estes são o resultado de contravenções às leis físicas e espirituais, devemos também ponderar que, se o homem procurar conhecê-las e respeitá-las, e esforçar-se por seguir a linha ascendente da evolução, terá de colher o bem e a felicidade.

Pela lei do Carma, o sofrimento redime culpas passadas e contribui, por isto, para a evolução espiritual do indivíduo. Mas é desvio grave do raciocínio pensar que a evolução só é possível pelo sofrimento. Até certo ponto e dentro de certos limites, pode-se evoluir sem sofrimento, pois há evolução pelo conhecimento, pelo amor, pela ação reta. Se se procurar conhecer as leis divinas e segui-las, não se criará mau carma e assim evitar-se-ão sofrimentos futuros. (...)"

(Alberto Lyra - O Ensino dos Mahatmas - IBRASA, São Paulo - p. 206/207)


sexta-feira, 14 de junho de 2013

TRANSFORMAÇÃO - SOMENTE A FORMA MUDA (2ª PARTE)

" (...) Tudo isto pode parecer bastante teórico e difícil de compreender, mas possui um lado bastante prático que pode afetar toda a nossa vida. Nada consegue ferir-nos. Nada consegue assombrar-nos logo que compreendermos que o que muda é apenas a forma - a forma é que é passageira e temporária - e que somente a vida perdura. 'O espírito [poderíamos dizer "a vida"] jamais nasceu; o espírito jamais deixará se ser'.  Dito filosoficamente, o lótus individual murcha, mas um arquétipo, a ideia platônica do lótus é eterna, dando origem a outras forma de lótus. Dito de maneira teosófica, o lótus murcha, mas o perfume de sua vida retorna à alma grupo para enriquecer as formas de gerações futuras do lótus. O corpo de nossa mãe, de nosso marido, de nossa esposa, de nosso filho, de nosso amigo morre, mas ele ou ela permaneceu como um ser vivo, assumindo outras formas, tal como a borboleta deixa para trás a forma morta da lagarta que era. 'Morri como mineral e me tornei vegetal; morri como vegetal e me tornei animal; morri como animal e me tornei um homem. Quando fui diminuído por isso?'

Pois morte é transformação - é o cruzar a forma ou ir além dela. Reciprocamente, transformação é morte, e é uma coisa grande e gloriosa quando ocorre naturalmente, quando a hora é chegada, quando a forma está gasta. Mas quem somos nós para julgar quando é o momento adequado; e quem somos nós para julgar quando a forma está gasta? A morte das formas faz com que soframos por nos identificarmos com essas formas. Dizem que a vida jamais existe sem a forma, ou a forma sem a vida. Onde há forma há vida interior mesmo que seja tão sutil que seja invisível para nós. Mesmo na assim chamada matéria morta, a vida elemental está ativa. Uma vez que a vida e forma, então, estão intimamente ligadas, às vezes é difícil traçar a linha divisória entre elas. Como no caso de tantos pares de opostos não podemos dizer 'isto é vida' e 'aquilo é forma'. Podemos dizer, 'a vida parece predominar aqui' e 'ali parece predominar a forma'. O que num caso parece ser a sensibilização da vida é visto no outro caso como a forma externa. Se algo que pensávamos ser a vida desaparece na transformação, será que essa coisa não era forma o tempo todo? Ou não poderia, por meio da mudança sutil - uma retirada da vida -, ter-se tornado predominantemente forma? 

O Dicionário Oxford define 'transformar' como 'efetuar mudança (especialmente considerável) na forma, na aparência exterior, no caráter, na disposição etc. de alguma coisa'. Nosso caráter e nossa disposição também podem mudar, mas não pertencerão eles realmente em tal caso ao nosso lado forma em vez de ao nosso lado vida? Num ser vivo, um princípio pode mudar sua função. Dizem que no momento da individualização a alma animal torna-se um corpo causal. Para citar Jinarajadasa em Fundamentos da Teosofia (Ed. Pensamento): 'Na individualização tudo que foi o mais elevado do animal torna-se agora simplesmente um veículo para uma descida direta de um fragmento da divindade, a Mônada...' (...)"

(Mary Anderson - Revista TheoSophia  Jul/Ago/Set 2012 - Ed. Teosófica, Brasília - p. 38/39)


POR QUE DEVEMOS BUSCAR DEUS?

"Por que devemos buscar Deus? Que é Deus? Como podemos encontrá-Lo?

Pode-se responder à primeira pergunta de uma forma muito simples. Devemos buscar Deus porque somos feitos à Sua imagem, e somente Sua perfeição e perpetuidade podem nos dar felicidade duradoura.

O homem foi dotado de uma mente e de um corpo com cinco sentidos, por meio dos quais percebe esse mundo finito e com ele se identifica. O homem não é, porém, nem o corpo nem a mente; sua natureza é espírito, a alma imortal. Sempre que tentar encontrar a felicidade permanente por meio das percepções sensoriais, suas esperanças, seu entusiasmo e seus desejos naufragarão, com a mesma frequência, nos rochedos da profunda frustração e do desapontamento. Tudo no universo material é essencialmente efêmero e sempre cambiante. O que está sujeito a mudanças traz em si as sementes da decepção. E é assim que nosso navio de expectativas mundanas, cedo ou tarde, encalha nas águas rasas do desencanto. Por isso devemos buscar Deus, porque Ele é a origem de toda a sabedoria, todo o amor, toda a bem-aventurança, todo o contentamento. Deus é a fonte de nosso ser, a fonte de toda a vida. E nós somos feitos à Sua imagem. Quando O encontrarmos, conheceremos essa verdade. 

Se Deus é a meta do homem, então o que Ele é? Toda escritura e toda grande alma que já falou de sua experiência de Deus afirmaram que determinadas qualidades constituem a natureza do Espírito. Ainda assim não podemos dizer o que é Deus. Ninguém jamais conseguiu descrevê-Lo totalmente. Existe a história de uma imagem de sal que foi à praia medir a profundidade do oceano. No momento em que entrou na água, ela se derreteu. A imagem não conseguiu medir a profundidade porque se unificara com o mar. Acontece o mesmo com o homem. Seu próprio ser consiste das mesmas qualidades que pertence ao Espírito. No momento que sua alma se identifica com o Ser Infinito, ele se unifica com Deus e já não consegue descrever o que Ele é. Entretanto, muitos santos descreveram o que uma pessoa experimenta quando comunga com o Espírito. 

Todas as criaturas declaram que Deus é paz, amor, sabedoria, bem-aventurança. Todas concordam em que Deus é inteligência cósmica, onisciente e onipresente. Ele é o Absoluto. Ele é o grande som cósmico de Om, o Amém dos cristãos. Ele é luz cósmica. Esses são todos atributos ou qualidades do Infinito. E quando o devoto busca-O profundamente começa a perceber essas várias manifestações do Divino.

Diz-se que a primeira prova da presença de Deus dentro do homem é a paz - essa paz que nada pode afetar. Quando o homem deposita seus sonhos, ideais, esperanças e ambições em objetos mundanos, a paz que ele sente em suas realizações é apenas temporária. Este é o mundo de dualidade: a vida é feita de prazer e de dor, saúde e doença, calor e frio, amor e ódio, vida e morte. O objetivo do homem é transportar sua consciência para além dessa lei de dualidade, desse véu de maya, e encontrar o Um que está presente em toda a criação e para além dela."

(Sri Daya Mata - Só o Amor - Self-Realization Fellowship - p. 03/05)


quinta-feira, 13 de junho de 2013

TRANSFORMAÇÃO (1ª PARTE)

"As transformações estão ocorrendo constantemente no mundo à nossa volta - na Natureza, nas coisas feitas pelo homem e no próprio homem. Não será a transformação uma expressão do movimento que, segundo A Doutrina Secreta, é um dos três aspectos do absoluto - movimento, espaço e duração?

A palavra transformação é derivado do latim trans, que significa 'além de, completamente, através de', e forma, que significa 'uma forma'. Assim, poderíamos dizer que, etimologicamente, transformação tem a ver com atravessar ou ir além de uma forma ou de formas. Existe movimento através das formas de uma para outra e novamente daquela forma. Assim, é a forma que muda, embora visivelmente possa não mudar em sua inteireza ou imediatamente, a não ser que um fator especial, tal como o fogo, seja introduzido do exterior. Geralmente, aquilo que muda constantemente não é a forma total, mas suas partes. Na matéria são as moléculas e os átomos que muda. Nos corpos vivos, orgânicos - corpos de animais e plantas - células novas estão constantemente sendo adquiridas e as velhas, descartadas. 

Dizem que a cada sete anos as células do corpo humano são completamente renovadas de modo que não é o mesmo corpo que era há sete anos. Em toda matéria - tanto a de nossos corpos quanto a de objetos inanimados - os átomos estão em constante movimento, e as partículas subatômicas da matéria movem-se tão rapidamente que passam a pertencer a um conjunto de leis completamente diferente das leis que se aplicam à matéria que vemos com nossos olhos físicos. Mas, na matéria que conhecemos, as mudanças normalmente parecem ocorrer lentamente e conseguimos identificá-las. Vemos uma flor crescer, desabrochar e estiolar-se. Vemos o corpo de um animal recém-nascido crescer, entrar na fase adulta, envelhecer e depois morrer, desintegrando-se. Podemos dizer que o corpo do adulto ou do idoso é o mesmo que o de um bebê? É o mesmo que era há sete anos? É o mesmo que era ontem ou há poucos momentos? Contudo, reconhecemos a sucessão de formas como pertencendo a uma unidade, porque muitas dessas formas permanecem para preservar a aparência exterior e, acima de tudo, porque existe 'algo internamente' que permanece constante através de todas as mudanças. Existe um movimento de forma para forma, mas o que é que se move? Frequentemente dizem que a forma é um par de opostos, sendo o outro par a vida, e que, enquanto a forma muda, a vida é imutável. (...)"

(Mary Anderson - Revista TheoSophia  Jul/Ago/Set 2012 - Ed. Teosófica, Brasília - p. 37/38)


A LIBERDADE DA CULPA E A NECESSIDADE DA PENA (PARTE FINAL)

" (...) Nesse roteiro de libertação pelo conhecimento da Verdade, certos místicos do Oriente enveredaram por um caminho que talvez possa ser considerado como um ato de boa vontade, mas não como uma compreensão integral: resolveram abandonar o mundo objetivo do ego, que os escravizava, em vez de o superar pela libertação. Simples abandono não é libertação. Escapismo não é redenção. Quem apenas abandona o mundo do ego, para se refugiar no Eu, não se redime desse mundo - não é um liberto, mas apenas um desertor. Pode essa deserção representar um ato de boa vontade, mas não deixa de ser medo e fraqueza. O homem disposto a libertar-se deve encarar o mundo da escravidão, lutar com ele até superá-lo por uma força inerente ao próprio lutador. Pela luta, essa força latente no lutador desperta, adquire vigor e crescente poder, até derrotar o adversário A luta com mundo do ego exige uma força incomparavelmente maior do que o simples abandono desse mundo adverso. E ainda que o lutar perca muitas batalhas nessa guerra existencial, se ele persistir na luta, revela-se mais heroico e admirável do que o desertor do campo de batalha. 

O Bhagavad Gita do Oriente e o Evangelho do Cristo não recomendam fuga, mas luta, até a vitória final.

O homem realmente liberto superou tanto a derrota como a deserção.

Mas essa vitória só pode ser conquistada pelo Eu divino do homem, porque esse elemento divino do homem é onipotente, quando devidamente desenvolvido e acordado. "Tudo é possível, e nada é impossível, àquele que tem fé", isto é, fides, fidelidade ao seu centro onipotente, seu Eu divino."

(Huberto Rohden - Setas para o Infinito - Ed. Martin Claret, São Paulo -p. 32/33)