OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


sábado, 26 de abril de 2014

A LEI DO DEVER (1ª PARTE)

"Existem muitos casos, em nossa experiência diária, nos quais parece surgir conflito de deveres. Um dever chama-nos numa direção, outro noutra. Então ficamos perplexos quanto ao Dharma, tal como ficou Arjuna na batalha de Kurukshetra. 

Estas são algumas das dificuldades da Vida Superior, os testes da Consciência em evolução. Não é muito difícil cumprir o dever que é claro e simples. É provável que aí não ocorra erro. Mas quando o caminho da ação torna-se emaranhado e duvidoso, quando não conseguimos ver, como então iremos trilhá-lo através das trevas? Sabemos de alguns perigos que obnubilam a razão e a visão, e dificultam distinguir o dever. Nossas personalidades são os nossos inimigos sempre presentes, aquele eu inferior que se veste de centenas de formas diferentes, que às vezes põe a mesma máscara do Dharma, e assim evita que reconheçamos que, ao segui-lo, estaremos seguindo o caminho do desejo e não o do dever. Como podemos então distinguir quando a personalidade nos está controlando, e quando o dever nos direciona? Como saberemos quando estamos sendo afastados do caminho, quando a própria atmosfera da personalidade que nos envolve distorce o objeto além de si pelo desejo e pela paixão?

Em provações assim não conheço maneira mais segura do que nos retirarmos em silêncio para a câmara do coração, para tentar pôr de lado os desejos pessoais, e por um instante nos esforçarmos em afastar da personalidade o nosso Ser, e olharmos para a questão numa luz mais ampla, mais clara, orando ao nosso Gurudeva¹ para que nos oriente; então, sob essa luz podemos conquistar, por meio da oração, da autoanálise, e da meditação, o direito de escolher o caminho que nos pareça ser o do dever. (...)"

¹. Gurudeva, Literalmente: “Maestro Divino”. (Conforme Glossário Teosófico) grifo nosso.

(Annie Besant - As Leis do Caminho Espiritual – Ed. Teosófica, Brasília, 2011 - p. 70)

sexta-feira, 25 de abril de 2014

A TRANSMUTAÇÃO DO KARMA EM DARMA

"No universo, cada coisa ingressa no campo da existência no lugar e tempo a que ela ‘pertence’. Ela surge ali e naquele instante, porque naquele lugar e tempo existe uma necessidade particular que ela pode satisfazer.

Por que um ser humano específico pode prover a necessidade de uma família, grupo ou nação em particular - e da humanidade em geral – num determinado tempo? Porque a soma total das séries de experiências, pensamentos e ações do passado, que condicionam aquilo que é possível a esse ser humano realizar, faz com que ele ou ela se torne uma resposta potencialmente efetiva à necessidade.

O recém-nascido encontra-se condicionado pelo passado – ancestral, sócio-histórico e/ou reencarnacional pessoal – como o último elo de uma cadeia de tentativas do universo (ou, pode-se dizer, de algum Deus) para satisfazer com êxito uma necessidade cósmica particular e, dessa maneira, cumprir um papel específico neste planeta (ou em qualquer outro). Esse condicionamento é o karma do recém-nascido. Contudo, a tarefa de cumprir esse papel em termos da necessidade de um lugar e tempo particulares constitui o seu darma. Por conseguinte, darma e karma são os dois lados da moeda da existência individual. O karma é constituído por aquilo que é possível ao recém-nascido em virtude de uma longa série de experiências passadas, quer tenham sido elas bem-sucedidas ou resultado em fracassos. O darma se define pelo caráter preciso e pela necessidade da nova situação existencial na qual ocorreu o nascimento. O darma requer um ser humano cujo karma particular faz com que lhe seja possível executá-lo. (...)"

(Virginia Hanson e Rosemarie Stewart - Karma, A Lei Universal da Harmonia – Ed. Pensamento, Rio de Janeiro - p. 49/50)

A MENTE É UM FENÔMENO SOCIAL (PARTE FINAL)

"(...) Siga devagar, com paciência. Não tenha pressa, pois o objetivo não está em algum outro lugar, mas sim dentro de você. Quando você não estiver com pressa, quando não estiver indo para lugar algum, irá senti-lo. No entanto, se estiver correndo, não poderá sentir nada, pois estará preocupado e tenso.

No Japão, a meditação é chamada de zazen. Zazen significa apenas sentar sem fazer nada. Os monges zen têm que se sentar durante seis horas por dia, às vezes mais. O mestre nunca lhes dá nada para fazer, eles apenas têm que ficar sentados. Foram treinados para sentar, sem pedir nada para fazer, nem mesmo um mantra. Apenas sentar.

Parece fácil, mas na prática é muito duro, porque a mente pede algum trabalho, algo para fazer. E a mente fica dizendo: 'Por quê? Por que perder tempo? Por que ficar aqui, apenas sentado? O que irá acontecer só por estar sentado?' Ainda assim, durante muitos anos, o aprendiz permanece sentado, dia após dia. Então, aos poucos, a mente se cansa de você, se cansa de não ser ouvida e para de perguntar. Quando isso acontecer, aos poucos você descobre uma nova força de vida dentro de si e que sempre esteve presente, mas você estava tão ocupado que não podia ouvi-la, não podia senti-la. Ao se livrar das ocupações, começou a senti-la.

A mente sempre criou problemas e gerou solidão. Experimente ficar sozinho durante, no mínimo, três meses, mas decida, com antecedência, que, aconteça o que acontecer, você não ouvirá sua mente. Decida com antecedência que você está pronto a 'desperdiçar' três meses, de forma que não seja necessário ficar pensando constantemente que você está perdendo tempo. Você irá simplesmente sentar e esperar. É possível, então, que ocorra um milagre.

Em algum momento nesses três meses, um dia você tomará consciência do seu ser. Quando não há tarefas a executar, coisas a fazer, você pode perceber o ser, tornar-se consciente dele. Se há coisas demais sendo feitas, você apenas segue em frente, esquecendo o ser que está escondido por trás."

(Osho - Aprendendo a silenciar a mente - Ed. Sextante, Rio de Janeiro, 2002 - p. 80/81)


quinta-feira, 24 de abril de 2014

AS MÁS PROPENSÕES TENDEM A SE TRANSFORMAR EM HÁBITOS CONSOLIDADOS

"Muitos de nós estamos inclinados a acreditar em Deus se nossos desejos são atendidos, e nos negamos a acreditar quando o curso da vida flui contrariamente ao que pretendemos. Tais considerações, em qualquer caso, nada têm a ver com a verdade sobre Deus. As más propensões tendem a se transformar em hábitos consolidados. A doença de tais hábitos não pode ser curada por um sadhana (prática disciplinar) mecânico. Sobre isso há uma pequena história. Um indivíduo sofria de indigestão. Porque a doença se fizera crônica, e ele tomara diversos medicamentos. Entretanto, para a sua felicidade apareceu um santo e sugeriu-lhe a cura. Disse-lhe para mascar e chupar pedras de sal durante o dia inteiro. Fazendo assim, tempos depois lhe veio um grande alívio. Essa pessoa costumava distribuir doces às crianças em dias de festival. Num dia de dipavali visitou várias lojas e em todas achou que os laddus (um tipo de doce) eram amargos. O dono de uma das lojas, que conhecia seu hábito de chupar sal, sugeriu-lhe que lavasse a boca antes de provar um laddu. Concordando, o homem constatou que o laddu era doce. Da mesma forma, enquanto sucumbindo a seus maus hábitos, você não alcançará a fragrância doce e santificante da sagrada companhia das divinas personalidades, que venha a encontrar. Somente depois de limpar a mente, você se beneficiará das boas companhias. Depois, pode vir a gozar a Bem-aventurança de Atma."

(Sathya Sai Baba - Sadhna O Caminho Interior - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1993 - p. 56/57)

A MENTE É UM FENÔMENO SOCIAL (4ª PARTE)

"(...) No Oriente sempre foi totalmente diferente. O ser era respeitado. Não se perguntava o que a pessoa fazia, mas sim quem a pessoa era. E isso bastava. Se você tivesse descoberto a compaixão, se tivesse florescido, isso bastava. A sociedade devia ajudá-lo e servi-lo. Ninguém dizia que você deveria trabalhar ou que deveria criar algo. No Oriente, pensava-se que vivenciar seu próprio ser era a mais alta forma de criatividade, e a presença de um homem assim era valorizada. Ele poderia ficar anos em silêncio.

Maavira passou doze anos em silêncio. Não falava, não ia aos vilarejos, não via ninguém. E quando começou a falar, alguém perguntou a ele: 'Por que você nunca falou nada antes?' Ele respondeu: 'A fala se torna valiosa apenas quando você atingiu o silêncio. Do contrário, é fútil. Não apenas fútil, mas também perigosa, pois você está jogando lixo na cabeça dos outros. Foi esse o esforço que fiz, o de falar apenas quando toda fala houvesse cessado dentro de mim. Quando essa fala interior desaparecesse, eu poderia falar. Nesse momento, não seria uma doença.'

E todos podiam esperar, pois acreditavam em reencarnação. Há histórias de discípulos que vinham procurar um mestre e esperavam durante trinta anos, sem perguntar nada. Apenas esperaram até que o mestre dissesse: 'Por que você veio?' Trinta anos é muito tempo - uma vida inteira desperdiçada -, mas esperar durante trinta anos trará uma realização.

Há ocidentais que vêm me procurar e dizem: 'Estamos de partida esta tarde, então nos conte o segredo, nos diga como podemos nos tornar silenciosos. Desculpe, mas não podemos ficar, precisamos partir.' Estão pensando de acordo com as categorias que aprenderam - café instantâneo -, por isso acreditam que deve haver uma 'meditação instantânea', algum segredo que eu possa lhes contar e que resolva a questão. Não há segredo algum. É um longo esforço que requer muita paciência. E quanto mais pressa você tiver, mais tempo levará. Lembre-se disso: se você não estiver com pressa, pode acontecer agora. Quando você não está com pressa, sua mente possui dentro de si a qualidade adequada, o silêncio está lá. (...)" 

(Osho - Aprendendo a silenciar a mente - Ed. Sextante, Rio de Janeiro, 2002 - p. 78/80)