OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


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terça-feira, 12 de outubro de 2021

A INVESTIGAÇÃO POR PRAZER - III

"Esta pergunta, filha da tristeza e do aborrecimento, que nos parecem constituir uma parte essencial do espírito do século em que vivemos é de fato, uma questão que deve ter sido tratada em todas as épocas. Se com a inteligência nos dirigimos para trás, através da história, sem dúvida encontraremos que tem sido feita sempre quando a flor da civilização se tinha aberto completamente e quando suas pétalas com dificuldade se mantinham unidas. A porção natural do homem tem alcançado então sua maior altura; tem levado rodando a pedra até o cimo do monte da dificuldade, só para contemplá-la a rodar novamente para baixo, logo que tem alcançado o cume, como no Egito, em Roma, na Grécia. Porque este trabalho inútil? Não é suficiente para produzir um desalento e um mal-estar impossíveis de descrever, estar levando a cabo um trabalho, só para vê-lo destruído? Depois de tudo, isto é o que o homem tem feito através de toda a história, o mais longe que nossos limitados conhecimentos podem alcançar? Um cimo existe ao qual chega por meio de imensos e coletivos esforços, e no qual resplandece a mais brilhante florescência de todas as qualidades intelectuais, mentais e materiais de sua natureza. O cúmulo da perfeição sensual é alcançado. E então sua energia se debilita, seu poder diminui e desce através do desalento e da saciedade até a grosseria. Porque não permanece no cume da montanha à qual chegou e olhando os longínquos montes não resolve escalar suas maiores alturas? Porque é ignorante e vendo um grande resplendor à distância, baixa os olhos deslumbrados, e volta atrás para continuar na sombria encosta da sua montanha familiar. Todavia, existiu e existe alguém suficientemente decidido para olhar, sem baixar os olhos e para decifrar alguma coisa de que nele mesmo oculta. Poetas e filósofos, pensadores e mestres, todos aqueles que são os 'irmãos maiores da raça'; têm gozado desta vista de tempos a tempos e alguns deles têm reconhecido, no resplendor confuso, o contorno das Portas de Ouro.

Estas portas nos admitem ao santuário da mesma natureza do homem, ao lugar de onde sua vida-poder procede e onde ele é sacerdote do santuário da vida. Que é possível entrar, que é possível passar através destas portas um ou dois, nos têm demonstrado. Platão, Shakespeare e uns poucos mais de fortes, têm passado por elas e em enigmática linguagem nos têm falado das proximidades das mesmas. Quando o homem forte cruzou o limiar, já não se diz nada mais aos que do outro lado permanecem. E até as palavras que pronuncia, quando ainda por elas não passou, estão cheias de mistério, que unicamente os que seguem seus passos podem ver brilhar a luz nas mesmas."   

(Mabel Collins - Pelas Portas de Ouro - Ed. Pensamento, São Paulo - p. 18/19)


terça-feira, 5 de outubro de 2021

A INVESTIGAÇÃO POR PRAZER - I

"Todos conhecemos aquele algo misterioso e severo, ao qual chamamos miséria, que ao homem persegue e de um modo bastante estranho, como a primeira vista parece; não o persegue vaga e incertamente, mas com pertinácia positiva e inquebrantável. Sua presença não é absolutamente contínua, pois de outro modo deixaria o homem de viver; porém sua pertinácia não cessa de modo algum. O sombrio fantasma da desesperação permanece por trás do homem, pronto para tocá-lo com seu dedo terrível, tão depressa como se tivesse sido demasiado tempo feliz. Quem deu a este horrível espectro o direito de vagar ao nosso redor desde que nascemos até que morremos? Quem lhe deu o direito de permanecer sempre à nossa porta, conservando-a entreaberta com sua mão invisível, mas não obstante horrível, pronta a entrar no momento oportuno? O maior filósofo de todos os que viveram sucumbe, afinal ante o mesmo; e unicamente é filósofo, no verdadeiro sentido da palavra, aquele que reconhece o fato de que é irresistível e sabe que, como todos os demais homens, deve sofrer cedo ou tarde. A dor e a miséria constituem uma parte da herança dos homens e aquele que julga que nada poderá fazê-lo sofrer, o que faz é revestir-se de um egoísmo frio e profundo. Esta vestidura poderá protegê-lo contra a dor; mas também o separará do prazer. Se a paz pode ser encontrada sobre a terra, ou alguma alegria existe na vida, não pode ser fechando as portas do sentimento, que nos admitem a porção mais elevada e mais vivida da nossa existência. A sensação, tal como a obtemos por intermédio do corpo físico nos proporciona tudo aquilo que nos induz a viver daquela forma. É inconcebível que nenhum homem se quisesse dar ao trabalho de respirar, a não ser que o ato levasse consigo um sentimento de satisfação. O mesmo acontece com relação a cada uma das ações em todos os instantes da nossa vida: vivemos porque até na mesma sensação da dor existe o prazer. Sensação é o que nós desejamos. De outro modo experimentaríamos de comum acordo as águas profundas do esquecimento e extinguir-se-ia a raça humana. Se isto acontece com a vida física, o mesmo se realiza com a vida das emoções, a imaginação, a sensibilidade, com todas aquelas esquisitas e delicadas formações que, com o maravilhoso mecanismo registrador do cérebro, constituem o sutil homem interno. Para eles o prazer reside na sensação; e uma série infinita de sensações, é para eles a vida. Destrua-se a sensação que faz que desejem perseverar na experiência da vida e nada se terá adiantado. Por esta razão, o homem que intenta obliterar a sensação da dor e que se propõe manter-se no mesmo estado, quando sofre como quando goza, fere a raiz da vida mesmo e destrói o objeto da sua própria existência. Deve-se aplicar isto o mais completamente que nossos poderes atuais, raciocinadores e intuitivos, nos permitam, em cada estado, até naquele do Nirvana ensinado pelos Orientais. Esta condição pode ser unicamente uma, dotada de sensações infinitamente mais sutis e esquisitas, se é, depois de tudo, um estado e não aniquilação: e em harmonia com a experiência da vida, da qual somos, na atualidade capazes de julgar, aumento na sutileza da sensação significa vitalidade acrescentada; como, por exemplo, um homem sensível e de imaginação, sente mais por causa da infidelidade ou fidelidade de um amigo, do que um homem da mais grosseira natureza física, por meio dos sentidos. Claro é, portanto, que o filósofo que recusa sentir, não se reserva lugar algum de refúgio; nem sequer o distante e inacessível Nirvana. Pode unicamente negar-se a si mesmo sua herança de vida, que é, em outras palavras, o direito de sensação. Se prefere sacrificar tudo aquilo que faz dele um homem, deve-se contentar com uma mera indolência de consciência, o que é uma condição que, comparada à vida da ostra, é esta uma vida ativa.

Porém, nenhum homem é capaz de efetuar tal fato. Sua existência continuada prova plenamente que ele ainda deseja sensação, e a deseja tão positiva e ativamente, que o desejo deve ser concedido na vida física. Seria mais prático não se enganar a si mesmo com a falsidade do estoicismo, não tentar renunciar aquilo do qual nada o induza separar-se. Não seria um conduta muito mais intrépida, um modo de resolver o grande enigma da existência, abraçar-se a ele, retê-lo com firmeza, e perguntar-lhe o mistério de si mesmo? Se os homens quisessem tão só deter-se e considerar as lições que o prazer e a dor lhes ensinaram, muito se poderia conjeturar daquela coisa estranha que causa estes efeitos. Mas os homens se apressam em se afastar de tudo quanto os possa conduzir ao estudo de si mesmos ou de qualquer minuciosa análise da natureza humana. Apesar de tudo, deve existir uma ciência de vida tão inteligível como qualquer dos métodos que nas escolas se empregam; a ciência é desconhecida, é verdadeira e sua existência é meramente suspeitada por um ou dois de nossos mais avançados pensadores. O desenvolvimento de uma ciência é unicamente o descobrimento daquilo que já existe; e tão mágica e inacreditável é na atualidade, a química para o moço lavrador, como é a ciência da vida para o homem de ordinárias percepções. Apesar de tudo, pode e deve existir um iluminado que perceba o crescimento da nova ciência, do mesmo modo que os primeiros e torpes experimentadores nos trabalhos de laboratório, veem o sistema dos conhecimentos na atualidade obtidos, desenvolvendo-se por si mesmos do seio da natureza, para o uso e benefício do homem."  

(Mabel Collins - Pelas Portas de Ouro - Ed. Pensamento, São Paulo - p. 13/16)


sábado, 10 de junho de 2017

A MORTE E O DESPERTAR (1ª PARTE)

"A morte é inevitável, familiar, e contudo ainda permanece um dos grandes mistérios da consciência. Nosso dilema humano é o de estarmos literalmente entre dois mundos. Prendemo-nos como escravos ao que podemos ver, e ficamos insatisfeitos. Queremos saber mais, mas nos sentimos inseguros a respeito do que podemos ver.

É lógico que aceitamos o nascimento com mais felicidade do que a morte, pois o nascimento é essencialmente um processo visível, uma soma, enquanto a morte é, para nosso mundo tangível, uma subtração. Além disso, para cada morte há dois aspectos: existe aquele que está morrendo e aqueles que ficam para trás. A iminência de nossa própria morte, ou a perda de um membro da família, costuma nos lançar de volta a nós mesmos, trazendo novamente questões essenciais: quem sou eu? Por que estou aqui? O que realmente acontece na morte?

Shakespeare, ao escrever sobre a impermanência deste mundo, responde à pergunta 'quem sou eu?' dessa maneira: 'Somos do mesmo material/de que são feitos os sonhos/e nossa pequena vida/está cercada de sono...' Que pensamento confortante é reconhecer que a morte está ligada ao sono, no qual penetramos com confiança, sabendo que despertaremos no dia seguinte. Mas o que sabemos realmente a respeito do sono? 'Sono', diz Shakespeare, é 'a morte de cada dia de vida'.

Se combinarmos esses dois pensamentos, temos o quadro revelador do sono como uma pequena morte, e a morte como um longo sono que circunda nossa 'pequena vida'. Entre os antigos, a morte era muitas vezes chamada de 'o sono maior', ou 'o sono perfeito'. Sabemos como o sono é necessário ao nosso bem-estar. É uma lei da natureza tanto para o homem quanto para o animal.

O 'material de que são feitos os sonhos' sugere que a verdadeira parte de nós não é o corpo nem a personalidade, pois ambos são transitórios, mas a consciência interior. Quando vamos dormir, estamos obviamente num estado de consciência diferente. Sonhamos, mas, via de regra, pouco nos lembramos do que aconteceu, exceto que quando despertamos estamos revigorados, e simplesmente reassumimos nossos afazeres no ponto em que os deixamos no dia anterior. Às vezes, no entanto, temos sonhos perturbadores, ou excepcionalmente belos, que nos parecem  mais intenso até mesmo do que aquilo que experienciamos no estado de vigília. Existem profundos mistérios sobre aonde vamos quando dormimos e sobre os vários estágios do sonho. (...)"

(Ingrid van Mater - A morte e o despertar - Revista Sophia, Ano 10, nº 39 - p. 22/23)

sexta-feira, 7 de abril de 2017

ENTRANDO NO AGORA (1ª PARTE)

"Suprimir a dimensão do tempo faz surgir um tipo diferente de conhecimento, que não 'mata' o espírito que mora dentro de cada criatura e de cada coisa. Um conhecimento que não destrói o aspecto sagrado nem o mistério da vida e que contém um amor e uma reverência profundos por tudo o que é. Um conhecimento sobre o qual a mente nada sabe.

ROMPA COM O VELHO PADRÃO de negação e resistência ao momento presente. Torne uma prática desviar a atenção do passado e do futuro, afaste-se da dimensão do tempo na vida diária, tanto quanto possível.

Se você achar difícil entrar diretamente no Agora, comece observando como a sua mente tende a fugir do Agora. Vai notar que geralmente imaginamos o futuro como algo melhor ou pior do que o presente. Imaginar um futuro melhor nos traz esperança e uma antecipação do prazer. Imaginá-lo pior nos traz ansiedade. Ambos os casos são ilusões.

Ao observarmos a nós mesmos, um maior grau de presença surge automaticamente em nossas vidas. No momento em que percebemos que não estamos presentes, estamos presente, Sempre que formos capazes de observar nossas mentes, deixaremos de estar aprisionados. Um outro fator surgiu, algo que não pertence à mente: a presença observadora.

Esteja presente como alguém que observa a mente e examine seus pensamentos e emoções, assim como suas reações em diferentes circunstâncias. Concentre seu interesse não só nas reações, mas também na situação ou na pessoa que leva você a reagir. Perceba também com que frequência a sua atenção está no passado ou no futuro. Não julgue nem analise o que você observa. Preste atenção ao pensamento, sinta a emoção, observe a reação. Não veja nada como um problema pessoal. Sentirá então algo muito mais poderoso do que todas aquelas outras coisas que você observa, uma presença serena e observadora por trás do conteúdo da sua mente: o observador silencioso. (...)"

(Eckhart Tolle - Praticando o Poder do Agora - GMT Editores Ltda., Rio de Janeiro, 2016 - p. 31/32)


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

O RENASCIMENTO DA ESPIRITUALIDADE

"Atualmente existe um crescente interesse na espiritualidade. No entanto, é preciso se observar a diferença entre espiritualidade e fundamentalismo, porque as questões do espírito podem causar polêmicas e produzir conflitos. Após os eventos de 11 de setembro de 2001, temos de ser muito cuidadosos quando falamos a respeito da espiritualidade, e diferenciar claramente entre as formas criativas e destrutivas de interesse espiritual.

Espiritualidade e fundamentalismo situam-se nos lados opostos do espectro cultural. A espiritualidade busca um relacionamento com o sagrado que seja sensível, contemplativo, transformador, e é capaz de sustentar níveis de incerteza nessa busca, porque o respeito pelo mistério é sempre soberano (Tacey, 2000). O fundamentalismo busca a certeza, respostas fixas e o absolutismo como resposta temerosa à complexidade do mundo e à nossa vulnerabilidadee como criaturas num universo misterioso. Em qualquer credo, a espiritualidade surge do amor e da intimidade com o sagrado; o fundamentalismo surge do medo e da possessão pelo sagrado. A escolha entre espiritualidade e fundamentalismo é uma escolha entre intimidade consciente e possessão inconsciente.

A espirituialidade é capaz de permanecer com as questões últimas, mas o fundamentalismo quer respostas: duras, rápidas e furiosas. O fundamentalismo pode surgir em qualquer tradição, seja cristã, islâmica, hindu ou até mesmo em modernas ideologias, como a psicologia freudiana ou junguiana (Tacey, 2001). A espiritualidade produz um estado mental que o poeta John Keats definiu como a capacidade de um homem 'estar cheio de incertezas, mistérios, dúvidas, sem qualquer traço de irritabilidade ao tentar alcançar fato e razão'.

Certamente essa é uma condição a se aspirar em nosso mundo dilacerado e partido, especialmente porque o 'sagrado' está sendo invocado por partidos em guerra e forças hostis que têm certeza absoluta de que Deus está do seu lado. Se tivéssemos menos certeza de nossas crenças e fôssemos mais receptivos ao mistério e ao assombro, paradoxalmente estaríamos mais próximos de Deus, seríamos mais íntimos do espírito e mais tolerantes com os seres humanos nossos irmãos, com suas diferentes concepções do sagrado."

(David Tacey - O renascimento da espiritualidade - Revista Sophia - Ano 12, nº 47 - p. 24)


segunda-feira, 30 de maio de 2016

O RENASCIMENTO DA ESPIRITUALIDADE

"Atualmente existe um crescente interesse na espiritualidade. No entanto, é preciso se observar a diferença entre espiritualidade e fundamentalismo, porque as questões do espírito podem causar polêmicas e produzir conflitos. Após os eventos de 11 de setembro de 2001, temos de ser muito cuidadosos quando falamos a respeito da espiritualidade, e diferenciar claramente entre as formas criativas e destrutivas de interesse espiritual.

Espiritualidade e fundamentalismo situam-se em lados opostos do espectro cultural. A espiritualidade busca um relacionamento com o sagrado que seja sensível, contemplativo, transformador, e é capaz de sustentar níveis de incerteza nessa busca, porque o respeito pelo mistério é sempre soberano (Tacey, 2000). O fundamentalismo busca a certeza, respostas fixas e o absolutismo como resposta temerosa à complexidade do mundo e à nossa vulnerabilidade como criaturas num universo misterioso. Em qualquer credo, a espiritualidade surge do amor e da intimidade com o sagrado; o fundamentalismo surge do medo e da possessão pelo sagrado. A escolha entre espiritualidade e fundamentalismo é uma escolha entre intimidade consciente e possessão inconsciente.

A espiritualidade é capaz de permanecer com as questões últimas, mas o fundamentalismo quer respostas: duras, rápidas e furiosas. O fundamentalismo pode surgir em qualquer tradição, seja cristã, islâmica, hindu ou até mesmo em modernas ideologias, como a psicologia freudiana ou junguiana (Tacey, 2001). A espiritualidade produz um estado mental que o poeta John Keats definiu como a capacidade de  um homem 'estar cheio de incertezas, mistérios, dúvidas, sem qualquer traço de irritabilidade ao tentar alcançar fato e razão'.

Certamente essa é uma condição a se aspirar em nosso mundo dilacerado e partido, especialmente porque o 'sagrado' está sendo invocado por partidos em guerra e forças hostis que têm certeza absoluta de que Deus está do seu lado. Se tivéssemos menos certeza de nossas crenças e fôssemos mais receptivos ao mistério e ao assombro, paradoxalmente estaríamos mais próximos de Deus, seríamos mais íntimos do espírito e mais tolerantes com os seres humanos nossos irmãos, com suas diferentes concepções do sagrado."

(David Tacey - O renascimento da espiritualidade - Revista Sophia, Ano 12, nº 47 - p.  24)


quinta-feira, 17 de março de 2016

BUSQUE O PAI

"Uma sugestão, pouco valorizada pela sua simplicidade e que pode ser valiosa, se devidamente compreendida, diz o seguinte: 'Quando quiseres orar, entra em teu quarto, fecha a porta e fala a teu Pai em segredo.' Tudo se resume, pois, nisso. 'Entra em teu quarto' significa ficar recolhido dentro do próprio ser e 'fecha a porta' implica fechar os sentidos às influências externas que os distraem. Neste momento de busca do alinhamento, procura-se não escutar o que os ouvidos estão captando, não enxergar o que os olhos físicos estão vendo, não sentir os aromas que o olfato está percebendo, e assim por diante. Ao se 'entrar no quarto', fecha-se a porta dos sentidos a toda influência externa.

E o que quer dizer 'e fala ao teu Pai em segredo'? Recolhendo-se e fechando-se a porta dos sentidos por uns momentos, procura-se sintonizar com aquilo que em nosso centro é completamente desconhecido, ou seja, que constitui um segrego total que nenhum de nós sabe desvendar e que ninguém nos pode revelar, a não ser quando 'entrarmos no quarto' e ficarmos em silêncio.

O Pai é exatamente o símbolo do que temos na essência do nosso ser. Assim, quando entro em mim mesmo, fechando-me para o que está fora e para o que é supérfluo, alinhando-me com o mais profundo do ser, não preciso falar ou pedir nada, e nada de externo pode me alcançar, porque busco o Pai. Aquilo que está na origem primordial de todas as coisas e de mim. Se quero, realmente, contatar a energia da Vontade-Poder, ou seja, identificar-me com a força que 'segura as rédeas e conduz a carruagem', sabendo onde chegar, o ensinamento básico é 'entrar no quarto, fechar a porta e orar ao Pai em segredo'. Isso faz com que se desenvolva, ao máximo, em mim, a própria capacidade de ter vontade, porque nada pedi, apenas me decidi a abrir-me ao mistério. Fazer isso é um ato de decisão. Pedindo alguma coisa, ao voltar-me para o Pai, estarei desviando-me daquela proposta original da energia, que era decidir fazer, simplesmente. Ao ficarmos em silêncio e sem nada pedir, conectados com o nosso íntimo, ou Pai, acontece o melhor, o inédito, desvendando-se o misterioso e desconhecido segredo que está dentro de nós, vivo e atuante. É necessário, porém, que tomemos a decisão de nos abrir ao mistério."

(Trigueirinho - A energia dos raios em nossa vida - Ed. Pensamento, São Paulo, 1995 - p. 24/25)
www.pensamento-cultrix.com.br


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

CRESCENDO EM CONHECIMENTO E CAPACIDADE

"A vida é um mistério, e nós a conhecemos em suas manifestações. Podemos pensar na vida como a existência e atividade do Eu por trás de tudo, que é um, imortal, eterno, e ilimitado, eternamente belo e criativo. Tem-se imaginado a natureza desse Eu como sendo Luz, Fogo, Som. A morte assiste-a em cada forma exceto em sua plenitude. Pois o processo de sua manifestação deve precisar ser uma limitação e uma retirada. Existem o pravritti marga e o nivritti marga, as sendas de ida e de retorno, uma atividade cíclica que é uma tentativa sucessiva de autodefinição da entidade ou consciência em questão, uma passagem da imperfeição para a perfeição relativa. A vida no mundo é vida numa prisão; a vida em qualquer forma deve inevitavelmente estar imensamente circunscrita. Mas em cada estágio o dharma é tornar a vida tão perfeita, tão bela quanto possível.

Assim, a medida que passamos de estágio a estágio crescemos em conhecimento e capacidade, e, eventualmente, quando o quadro perfeito tiver sido desenhado, ele será belo em cada parte e como um todo, e toda a confusão trabalho, sofrimento e exaustão parecerão não apenas maravilhosamente vantajosos para realização tão gloriosa, mas talvez até mesmo diferentes do que parecem aos nossos olhos atualmente. Talvez mesmo agora, de algum modo misterioso, inimaginável, seja um processo de desabrochar de uma imagem oculta de beleza perfeita em sua sabedoria, força e amor."

(N. Sri Ram, O Interesse Humano, Editora Teosófica, Brasília, 2015 - p.35/36)


quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

CICLOS E MUDANÇAS (1ª PARTE)

"Existem momentos na vida em que as mudanças estão destinadas a acontecer, quer queiramos ou não. Se soubéssemos quando esses momentos ocorrem, será que estaríamos mais preparados para lidar com eles ou até mesmo evitá-los?

Um dos princípios mais importantes da Teosofia é a compreensão da lei de periodicidade, ou lei cíclica da natureza. Tudo tem seu próprio ritmo, seus ciclos, tão regulares quanto o fluxo e o refluxo das marés, que vão e vêm duas vezes a cada dia lunar. Com a compreensão desses ciclos somos capazes de saber quando plantar as sementes, o melhor momento para meditar, como predizer as erupções solares, quais os melhores momentos para nos trabalharmos internamente, os momentos para dar início a novos projetos, e muitas outras coisas. 

Nossas vidas são uma expressão da natureza cíclica, governadas por essa lei, como tudo o mais no universo. Os ciclos menstruais das mulheres podem ser influenciados pela natureza cíclica da lua. Nossa concepção, nascimento, crescimento e morte são reflexos dos mesmos ciclos que encontramos em toda parte na natureza. Logo que compreendemos a natureza dos ciclos, muitos mistérios ocultos abrem-se perante nossa percepção. 

Juntamente com o grande mistério dos ciclos existem os subciclos. Um deles é conhecido como o ciclo setenário - o ciclo do sete. Os ciclos setenários podem ser observados em toda parte na natureza, e também desempenham um papel importante em nossas vidas. Já notou que a cada período de sete anos você parece passar por alguma mudança significativa? Se você passar algum tempo refletindo sobre sua vida, tenho certeza de que verá que eventos importantes aconteceram nesses anos, causando impacto significativo em sua realidade. Rememoremos as idades de 7, 14, 21, 28, 35, 42, 49, 56, 73, 70, 77, 84 e 91. (...)"

(John Vorstermans - Ciclos e mudanças - Revista Sophia, Ano 12, nº 52 - p. 13)


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

A VERDADE A SERVIÇO DA VIDA (2ª PARTE)

"(...) A verdade é a certeza daquilo que é; ainda que tudo ao redor tenha o selo da impermanência, do vir a ser; é o ponto imóvel que sustenta o movimento do mundo; é o refúgio bendito que nos ampara, quando o medo de existir parece calar a canção do coração; é o alento que brota quando a alma anseia pelo absoluto e o corpo não consegue encontrar refúgio nas coisas que o cercam.

A verdade é a força sagrada que rompe as barreiras que nos separam do mundo. É ela que permite ao homem a genuína experiência da solidariedade e da compaixão; é ela que nos faz sentir a dor do outro e amá-lo, apesar de todas as contradições que a razão possa enxergar nesse amor; é ela que nos permite realizar a experiência da liberdade, ainda que tudo ao redor nos aprisione e sufoque.

A religião invoca a manifestação do sagrado; a verdade sacraliza todas as manifestações da vida. A verdadeira religião está a serviço da verdade quando se detém na investigação e contemplação da beleza e do mistério do universo; quando enxerga a infinita potencialidade que se manifesta como a essência última de todos os seres viventes; quando consegue perceber a respeitar a grande teia da vida, em toda a sua diversidade e em sua sagrada unidade.

Onde está o templo que abriga a verdade? No olhar perplexo de uma criança que descobre o mundo; no olhar cansado do velho que enxerga as mesmas histórias contadas pelos novos tempos; na determinação da mão que ensina as primeiras letras; no calor dos braços que acolhem o irmão; nos gestos de amor e respeito; no pão que alimenta a vida; no gesto humano que resgata a dignidade do outro; no movimento do átomo; no voo de um beija-flor; na palavra que conforta e dá esperança; na maravilha dos elementos; na caverna do coração. (...)"

(Miriam Morata Novaes - A Verdade a serviço da Vida - Revista Sophia, Ano 2, nº 6 - p. 16/17)

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

A ALMA E SUA ALEGRIA DURAM PARA SEMPRE

"A vida é muito mais do que a pessoa comum percebe e sente. A vida e a morte não têm mais mistérios para mim. Sei que eu e todas as almas somos manifestações sempre vivas da Vida única, que é Deus. O corpo físico e seus confortos e prazeres não duram, mas a alma e sua alegria duram para sempre. Eu já não me preocupo mais com o corpo. Quando se termina uma refeição, o prato já não tem mais nenhum propósito. Só estou interessado no Espírito, que pode criar mil Yoganandas, se quiser. O corpo, que é tão caro ao homem comum, não tem mais importância quando você encontra Deus. Nunca peço por meu corpo; já o devolvi ao Senhor, cujo amor é tão grande que retirou todo o meu apego à forma física. No amor de Deus, todos os meus desejos foram satisfeitos ao máximo. Nada mais quero. No coração, só tenho um desejo: 'Que o Teu amor brilhe para sempre no santuário da minha devoção, e que eu possa despertar o Teu amor em todos os corações'. É o meu único desejo.

Meus queridos, não percam mais tempo. Estão desperdiçando seu tempo, e sabem muito bem disto. Estou lhes falando franca e livremente porque nada tenho a ganhar, exceto o seu bem-estar espiritual mais elevado. Vocês não conseguirão alcançar a felicidade, nem a Deus, apenas com a garantia de alguém. É preciso esforço pessoal.

Sempre que encontro almas receptivas, procuro me comunicar com a mente delas. Pouco digo às que não estão interessadas, pois não querem ouvir nada. Mas, com as almas que buscam a Deus com sinceridade, tento alcançar seus pensamentos e atraí-las para Ele. Em Deus, você e seus entes queridos têm uma eternidade de vida e alegria."

(Paramahansa Yogananda - O Romance Com Deus - Self-Realization Fellowship - p. 301/302)
http://www.omnisciencia.com.br/livros-yogananda/romance-com-deus.html


sexta-feira, 18 de julho de 2014

CIÊNCIA OCULTA - O QUE É NA VERDADE?

"Poucas palavras causam mais histeria estúpida das pessoas, tanto na ortodoxia científica quanto na religiosa, do que a palavra ‘oculto’. As pessoas invariavelmente se sentem um tanto hesitantes em usar uma palavra que possui associações desagradáveis e injustas nas mentes da média das pessoas educadas, sem falar dos ‘ignorantes comuns’, significando práticas de magia negra. Assim, o que essa palavra verdadeiramente significa, e por que insistimos em usá-la neste justo contexto? Por que será a compreensão da Ciência Oculta, embora delineada ou geral, tão importante para a nossa apreciação do seu papel na solução dos mistérios da vida, tanto no cosmos quanto no homem, que a ciência ocidental, apesar de seus triunfos, fracassou espetacularmente em atingir? A origem das palavras revela o sentido interno delas. Então qual é a etimologia da palavra ‘oculto’?

Apesar de todas as associações impróprias e sem sentido com a magia negra e a bruxaria, a palavra oculto significa simplesmente ‘secreto’, ‘escondido’, ‘dissimulado’. (...) Assim, qualquer coisa que é oculta está, etimologicamente falando, escondida ou encoberta dos olhos e dos sentidos físicos.

O que é então Ciência Oculta? É um termo genérico que se refere às Ciências Herméticas ou Esotéricas, que exploram os segredos essenciais ou ocultos da Natureza – física, psíquica, mental e espiritual – (...)

Portanto, Ocultismo é um termo genérico para todo o corpo de Ciências ocultas. Ocultistas são aquelas pessoas que praticam o Ocultismo como já definido. A humanidade jamais deixou de fazer perguntas profundas a respeito do universo, como ele surgiu, e qual o seu lugar como seres humanos neste universo. Desde tempos imemoriais, o homem tem seguido em sua busca ao longo das linhas tradicionais da filosofia, religião, ciência ou qualquer outra coisa a partir do ponto de vista convencional ou ortodoxo de especulações intelectuais baseadas nas aparências físicas, ou, como Ocultistas, podemos nos concentrar em desvendar o âmago do significado interior, enterrado nas miríades de formas nas quais os objetos se apresentam.

O termo ‘Ocultismo” é usado quando lidamos com temas ocultos de uma natureza geral ou filosófica; o termo ‘Ciência Oculta’ ficará reservado para temas de uma natureza mais técnica, que lidam com leis ocultas, os mecanismos e os processos da Natureza."

(Edid Balimoria - Ciência oculta – o que é na verdade? - Revista Theosophia, Ano 100, Julho/Agosto/Setembro de 2011 - Pub. da Sociedade Teosófica no Brasil - p. 36/37)